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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Crítica: The Hunger Games: A Revolta - Parte 2 / The Hunger Games: Mockingjay - Part 2 (2015)

"Tonight, turn your weapons to the Capitol! Turn your weapons to Snow!"
Katniss Everdeen
*6.5/10*

Os jogos acabam este ano. O derradeiro capítulo da saga Hunger Games chega aos cinemas e é, certamente, um dos títulos mais esperados de 2015. Jennifer Lawrence despede-se de Katniss Everdeen, a personagem que a trouxe em pleno para a ribalta (Despojos de Inverno revelou o talento da actriz, mas foi Hunger Games que a tornou vedeta), e o público diz adeus à série de filmes que trouxeram para o grande ecrã a história dos livros de Suzanne Collins.

A Guerra começou em 2014, com a primeira parte do último capítulo da saga. Agora, com The Hunger Games: A Revolta - Parte 2 descobriremos qual das facções sai vencedora. Com a nação de Panem numa guerra em grande escala, e unida a um grupo de amigos, incluindo Gale, Finnick e Peeta, Katniss parte numa missão com a unidade do Distrito 13, arriscando as suas vidas para tentar assassinar o Presidente Snow, que se tornou cada vez mais obcecado em destruí-la. As armadilhas, inimigos e escolhas mortais que esperam por Katniss irão desafiá-la mais do que quaisquer Jogos da Fome.


Francis Lawrence não conseguiu recuperar neste último título o fôlego do segundo filme - para mim, o melhor da saga. A força e emoção que envolviam a plateia, faziam sofrer, regressaram a meio gás, não deixando ainda assim a saga ficar mal.

Agora, é o suspense a grande arma de A Revolta - Parte 2. A primeira parte adensou o entusiasmo e não revelou demais, soube manter o ritmo, mas esteve em jogo mais a estratégia do que a acção. Essa toma conta deste último filme. Ritmado, com muitas explosões e tiroteios, há espaço para trabalhar no suspense, de modo que, o público dará por si  colado à cadeira, ansioso, a temer o que se segue, qual filme de terror. No caminho subterrâneo para o Capitólio esta sensação atinge o seu auge. 

Outro ponto forte será sempre a empatia já criada com as personagens. Jennifer Lawrence continua eficaz como Katniss Everdeen, corajosa e segura em combate mas de coração dividido. Uma mulher de poucos sorrisos como a situação de guerra exige. Josh Hutcherson como Peeta Mellark experimenta uma personalidade diferente, após a tortura a que foi submetido no filme anterior e revela-se competente, aproximando-se da plateia. Por seu lado, Liam Hemsworth enquanto Gale, perde alguma presença, apesar de continuar a ser o fiel e protector companheiro de Katniss. Para além do triângulo protagonista, despedimo-nos aqui de vez de Philip Seymour Hoffman na pele de Plutarch Heavensbee, tornando as cenas onde o actor surge mais emotivas que o esperado. Revemos em boas prestações Julianne Moore (Alma Coin), Donald Sutherland (Snow), Woody Harrelson (Haymitch Abernathy), Elizabeth Banks (Effie Trinket) ou Jena Malone (Johanna Mason), entre outros.


Todavia, o grande calcanhar de Aquiles deste último filme é mesmo a previsibilidade. Não será preciso ter lido o livro - eu não li nenhum dos três - para adivinhar o que acontece em alguns momentos. E o suspense cai por terra quando já adivinhamos quem será a próxima vítima.

No meio da guerra, há tempo para o amor, para as dúvidas, para a família, para a ambição. Efectivamente, este capítulo final de Hunger Games não é o melhor dos quatro filmes, mas contém em si toda a aura que Katniss Everdeen tem trazido consigo desde a primeira longa-metragem, em 2012. A alegoria ao poder desmedido, às acentuadas diferenças entre ricos e pobre, ao entretenimento das massas com o sofrimento real, sem pudor, continuam a ser os trunfos da saga que agora termina.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crítica: The Hunger Games: A Revolta - Parte 1 / The Hunger Games: Mockingjay - Part 1 (2014)

*6.5/10*

Começou a Guerra. Chegou o terceiro e penúltimo filme da saga The Hunger Games e a fasquia alta deixada pelo segundo capítulo desce agora consideravelmente com The Hunger Games: A Revolta - Parte 1. O ritmo abranda, mas os ânimos continuam exaltados e a revolta começou sob o contra-ataque - como sempre - cruel do Capitólio. Francis Lawrence traz a força de Katniss Everdeen de volta para agrado dos fãs que aguardarão com entusiasmo o capítulo final desta saga.

Encaremos este mais ou menos tranquilo primeiro capítulo de The Hunger Games - A Revolta como a estratégia de preparação para a Guerra aberta propriamente dita - apesar da mesma ter início, sem qualquer dúvida, neste filme. O foco agora é a promoção, o marketing em volta da revolta dos distritos contra o Capitólio. O importante aqui é motivá-los, fazê-los acreditar na possibilidade de vitória através de uma "imagem de marca": o mimo-gaio Katniss Everdeen. Será ela e os que a rodeiam e apoiam os principais alvos a abater pelos vilões da história.

Quando Katniss (Jennifer Lawrence) destrói os jogos, ela é levada para o Distrito 13, depois do Distrito 12 ser destruído. Ali, conhece a Presidente Coin (Julianne Moore), que a convence a ser o símbolo da rebelião, enquanto tenta salvar Peeta (Josh Hutcherson) do Capitólio.


Francis Lawrence surpreendeu pela positiva no segundo filme da saga: as emoções ficaram ao rubro, o público sofreu com as personagens. Agora, perto do fim, os ânimos abrandam para preparar toda uma estratégia de como convencer e motivar as massas, onde a televisão volta a ter um papel importante, sendo o único meio de contactar todos os Distritos e uni-los - aqui, a presença da equipa de filmagens, liderada pela realizadora Cressida (aplausos para a decidida e corajosa Natalie Dormer, numa personagem algo diferente do habitual e com visual a condizer), que acompanha Katniss até nos cenários de guerra, é de extrema importância. O tom opressivo reina, como sempre, com ataques grotescos e impiedosos a marcar este início da Guerra, e com a ideia de tortura por parte do Capitólio sempre a pairar e a semear o medo e o terror.

Lê a crítica completa no Espalha-Factos: "The Hunger Games: A Revolta – Parte 1: A Esperança no Mimo-Gaio"

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Crítica: The Hunger Games - Os Jogos da Fome (2012)

"Katniss Everdeen, the girl on fire! "

Jovens e crianças dispostos a tudo para sobreviver perante um mundo que se regala com as suas mortes. The Hunger Games - Os Jogos da Fome chegou aos cinemas para voltar a dar dignidade aos filmes baseados em livros de grande sucesso, que reúnem milhões de fãs por todo o mundo. Quando se trata de adaptações de grandes bestsellers mundiais ao cinema, prefiro sempre ler o livro antes de ver o filme, mas como muitas vezes tal não é possível, fui (finalmente) assistir a The Hunger Games - Os Jogos da Fome, desconhecendo tudo para além do trailer e sinopse. O filme de Gary Ross é, antes de mais, um filme para os fãs dos livros de Suzanne Collins, cuja qualidade, contudo, consegue também conquistar o mais leigo sobre a trilogia.

Que fiquem bem longe as comparações à saga Twilight, por favor. The Hunger Games está léguas à sua frente. Uma história contada de forma envolvente, com uma protagonista apaixonante. Num futuro não muito distante, secas, guerras, fogos e fome, transformaram os Estados Unidos da América numa nova nação: Panem - dividido em 12 distritos, onde o totalitarismo do seu governo domina. Depois de uma guerra fracassada dos distritos contra o Capitólio, um 13º foi exterminado, e os restantes renderam-se. Para relembrar esses tempos e para entretenimento da população, todos os anos são organizados os Jogos da Fome, onde cada distrito é obrigado a enviar dois jovens entre os 12 e os 18 anos para combater até à morte - 23 terão de morrer para, apenas um, se sagrar vencedor. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) tem 16 anos e tornou-se no único sustento da família, depois da morte do pai. Quando a sua irmã de 12 anos, Primrose (Willow Shields), é seleccionada para os jogos pelo 12º distrito, Katniss voluntaria-se para ir no seu lugar. Ela terá agora de lutar pela vida, para poder voltar para a sua família.
O primeiro livro da trilogia proporcionou uma excelente premissa para este filme. A história violenta e, ao mesmo tempo, cheia de magia, apresenta-nos um mundo que nos é estranho, mas em que entramos cheios de curiosidade e, por que não dizer, receio. Para quem não leu o livro, há momentos que poderão ser difíceis de compreender ou parecer totalmente inverosímeis. O próprio surgimento dos Jogos da Fome, advindo da guerra que aconteceu, fica um pouco mal explicado. Toda a fantasia que percorre o filme pode também ser mal interpretada pelos espectadores que possam não se conseguir inserir no ambiente de The Hunger Games por desconhecimento da história. E o truque é esse: assistir a este filme de espírito aberto, entrando naquele mundo como um visitante curioso. É importante tentar compreender-lo, os seus excessos e exageros, o fanatismo e o objectivo (muito pouco claro) do jogo, e tudo fará sentido neste local onde a fantasia impera. 

O "abuso" pela parte do Capitólio, com as suas excentricidades e manias, que vibra com os Jogos da Fome, encarando-os como uma espécie de Big Brother para a morte, com os 24 tributos a entrar numa floresta para lutar pela sobrevivência, e onde estão, constantemente, a ser filmados e vistos nos ecrãs do Capitólio e dos 12 distritos; bem como as diferenças entre eles e, mais ainda, a pobreza extrema que se vive na sua maioria ao lado do esbanjamento e luxo do Capitólio são questões que nos fazem reflectir.

O mesmo no que respeita às personagens, onde encontramos adolescentes capazes de matar, sem qualquer dó, e outros que prezam a lealdade acima de tudo. A violência está no centro de The Hunger Games - Os Jogos da Fome, onde encontramos nessas crianças e jovens sede de violência. Esta não é tão explícita como talvez eu gostasse, mas resulta muito bem, deixando qualquer um arrepiado. Uma mensagem "anti-violência" está muito presente, onde os valores se colocam acima de qualquer coisa. Para passar essa ideia, muito contribui a protagonista Katniss Everdeen desde o início construída para ser a heroína da história, começando por se voluntariar como tributo num jogo para a morte, tudo para salvaguardar a sua irmã. A sua destreza, coragem e garra não deixam ninguém indiferente, e as mudanças a que se vê obrigada a sofrer para agradar e se tornar uma das favoritas da competição tornam-na ainda mais interessante. Tudo para tentar sair viva daquele jogo, cumprindo a promessa que fez à pequena Primrose.
O elenco, na sua maioria muito jovem, não desilude, com óbvio destaque para Jennifer Lawrence, como Katniss Everdeen, que prova mais uma vez, depois de Despojos de Inverno, a excelente actriz que é. Destaque ainda para Amandla Stenbergque, que interpreta a pequena e doce Rhu; para o mentor do distrito 12, Haymitch Abernathy, muito bem representado por Woody Harrelson; e para a participação do músico Lenny Kravitz no papel de Cinna. Wes Bentley como Seneca CraneDonald Sutherland na pele do President Snow, têm também boas prestações e muito contribuem para todo o entendimento da história, o primeiro, apesar de duro, é condescendente, ao contrário do segundo, implacável.

Nada deixa a desejar em termos técnicos, com uma câmara que nunca está estática. Sentimos o movimento e  acompanhamos as personagens pelo meio da floresta ou das multidões, como se estivéssemos ao seu lado. A direcção de fotografia faz também um excelente trabalho e os efeitos especiais são muito interessantes. A própria banda sonora é muito adequada e confere um ambiente ainda mais envolvente a estes jogos.

Apesar de, em muitos momentos, ser previsível, The Hunger Games - Os Jogos da Fome é muito original, e é principalmente uma lufada de ar fresco entre os filmes do género, revelando grande superioridade sobre muitos deles. Desta vez, a legião de fãs à sua volta é justificada pela inegável qualidade a que se assiste.
*8/10*