"The Square is a sanctuary of trust and caring. Within it we all share equal rights and obligations."
*9/10*
As relações humanas são hiperbolizadas até ao limite - haverá limite? - em O Quadrado, de Ruben Östlund, que lhe valeu a Palma de Ouro em Cannes. Provocador e corajoso, o realizador cria um ambiente carregado de humor inteligente e constrangimentos sociais que, cada vez mais, se vivem no dia-a-dia. Caminhamos para este cúmulo.
O Quadrado da perfeição das relações humanas contrasta com as atitudes de todos os que o rodeiam. A arte quer, sem sucesso, ensinar o ser humano a voltar a respeitar o seu semelhante, mas nem a campanha publicitária estrondosa é capaz de ter sucesso nesse campo. Tudo é escândalo, tudo é ameaça, ninguém sabe conversar ou relacionar-se. Mas, cada vez mais, as pessoas gostam de ser assim: pensar pouco e indignar-se muito.
E a arte parece desistir e aumentar o ridículo das relações humanas. Seja pela sua forma, pouco compreendida pelos leigos, seja pela interacção que estabelece com o seu público, que não lhe sabe corresponder. Conversas interrompidas - ou espiadas - por esculturas que mexem, um artista com tiques de primatas num jantar de gala, um encontro romântico com um macaco como colega de casa... Da apatia ou incapacidade de reagir, rapidamente se passa para os extremos, a violência, os instintos a comandar o Homem racional.
O Quadrado ataca preconceitos, coloca o inesperado perante os nossos olhos e espera que reajamos melhor que as personagens. Nós deixamo-nos levar nesta paródia social e rimos dos nossos semelhantes, seja de Christian ou da jornalista Anne.
Ruben Östlund constrói um argumento brilhante e transpõe-no para o grande ecrã com uma ironia genial. O protagonista Claes Bang revela-se à altura com medos e incertezas a sobreporem-se ao politicamente correcto, Elisabeth Moss tem um pequeno papel muito divertido e Terry Notary protagoniza um dos momentos mais fortes do filme, onde o silêncio impera. O Quadrado retrata a sociedade actual e faz-nos pensar no rumo que esta está a tomar. Rir e aprender, nada mau.




