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domingo, 30 de dezembro de 2012

Os Melhores do Ano: Top 10 #2012

Em 2012, o ano em que os melhores filmes estreados datam, na sua grande maioria, de 2011, homenagens ao cinema parecem não ter faltado nas salas portuguesas, umas mais puras e bem intencionadas que outras. Não tendo sido um ano de grande cinema, o que nos chegou com um ou mais anos de atraso foi o suficiente para reunir pelo menos dez títulos que detêm mérito suficiente para serem classificados como os melhores do ano.

Apresento-vos, de seguida, o meu top 10 de 2012.

10. Millennium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo), de David Fincher, 2011
Millenium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres foi, no seu conjunto, uma óptima surpresa. Apesar de não fugir tanto assim ao original sueco, todos os aspectos técnicos estão perto da perfeição e a identidade de Fincher está bastante marcada. O mistério e o suspense perduram do início ao fim e é impossível odiar a mulher do filme: Lisbeth Salander (e Rooney Mara) irá apaixonar.



9. Era uma vez na Anatólia (Bir zamanlar Anadolu'da), de Nuri Bilge Ceylan, 2011
A Natureza e as tormentas de cada um andam de mãos dadas com a própria morte nos 150 minutos de um filme profundo e visualmente fantástico. Era Uma Vez na Anatólia chega-nos da Turquia e percorre os medos dos seus personagens, conseguindo igualmente fazer vir ao de cima os do próprio espectador. Da noite, por entre os campos desertos da Anatólia em busca de um corpo, ao dia, numa vila cheia de dificuldades, Era Uma Vez na Anatólia, com título de conto de fadas, com quem apenas partilha os cenários meio bucólicos, meio fantásticos, faz-nos reflectir, ao mesmo tempo que nos fascina, por entre paisagens nocturnas onde somos convidados a mergulhar.



8. Tabu, de Miguel Gomes, 2012
Histórias de quem pensa mais em si do que nos outros e de amores e desamores, entre Moçambique e Portugal. O argumento, relativamente simples, alia-se de tal forma a aspectos mais técnicos que lhe conferem uma complexidade e beleza a que já não se está habituado no cinema. Rodado em 35 mm e a preto e branco, Tabu tem ainda a singularidade das cenas de Moçambique, presentes na sua segunda parte, terem sido filmadas em 16 mm, deixando-nos ver melhor o grão da película. A nostalgia de um amor proibido paira em Tabu, que prima pela beleza visual e originalidade que traz ao cinema. Recupera métodos que parecem estar a ser esquecidos e mostra como, nos dias de hoje, filmes assim também funcionam e muito bem.



7. Amor (Amour), de Michael Haneke, 2012
Tocante, perturbador, mas repleto de Amor, é assim a mais recente longa-metragem de Michael Haneke, que lhe valeu mais uma Palma de Ouro em Cannes. Aqui a máxima do “até que a morte vos separe” é cumprida, e já o sabemos desde os primeiros minutos. Compreendemos, desde logo, que Amor não é para ser visto de ânimo leve e irá mexer com o que há de mais intrínseco em cada um de nós. Amor é um retrato de uma vida a dois, de um amor capaz de salvar, que nos põe cara a cara com a dura realidade que fazemos por esquecer.



6. Sr. Ninguém (Mr. Nobody), de Jaco Van Dormael, 2009
Nos últimos anos, poucos são os filmes com um imaginário tão forte e, ao mesmo tempo, que tocam tão fundo. Sr. Ninguém é, para já, um exemplo de originalidade e, ao mesmo tempo, de coerência no meio de muitos paradoxos. Aqui, o tempo não é constante e a realidade também não. Está-se perante várias dimensões, histórias paralelas e não sabemos qual delas é real. Sonho, ilusão, alucinação, delírio, imaginação... tudo se mistura também na nossa cabeça, tal como na de Nemo Nobody. Até ao fim, faz-nos reflectir, e deixar-nos-á com muitas questões: Afinal, o que é real, o que faz parte do imaginário? Sr. Ninguém tem o poder de alimentar a nossa mente, pela profundidade argumentativa, beleza visual e pela união perfeita de ambas.




5. A Invenção de Hugo (Hugo), de Martin Scorsese, 2011
A paixão de Scorsese pelo Cinema foi mais forte e o realizador fugiu ao seu género habitual para nos trazer, desta vez, um filme fascinante, que irá certamente apaixonar os verdadeiros fãs de cinema e encantar todos os outros. A Invenção de Hugo é a verdadeira homenagem à história da Sétima Arte, feita por quem também faz parte dela. A preservação da herança cinematográfica está em cima da mesa em A Invenção de Hugo e, mais do que um alerta para todos nós, o filme quer fazer-nos lembrar e viajar (de comboio, porque não?) até aos primórdios da Sétima Arte. Com Hugo, vamos sonhar.



4. Attenberg, de Athina Rachel Tsangari, 2010
Apesar da estranheza que possa provocar nas mentes menos preparadas para Attenberg, a longa-metragem grega, realizada sem pudor por Athina Rachel Tsangari, tem em si uma enorme profundidade e mexe, inevitavelmente, com as emoções da plateia. Tão hilariante como triste e melancólico, Attenberg não deixa ninguém indiferente, e detém uma singular sensibilidade provocatória. Um ensaio sobre a descoberta e sobre experiências que marcam e com as quais é difícil lidar, a vários níveis, com uma protagonista  muito especial que conquista o espectador com a sua inocência e excentricidade.



3. Procurem Abrigo (Take Shelter), de Jeff Nichols, 2011
O medo comanda Procurem Abrigo, e não é apenas o medo do Apocalipse que está em jogo, é o medo de si mesmo e do que o rodeia. As questões ficam em cima da mesa ao longo do filme: doença mental ou realidade? alucinações ou premonições? É impossível sentirmo-nos seguros ao acompanhar o dia-a-dia de Curtis, brilhantemente interpretado por Michael Shannon. Jeff Nichols faz-nos sentir o mesmo que o protagonista, coloca-nos nos seus sonhos, nas suas alucinações, ficaremos tão obcecados como ele. O medo do fim ou o medo de nós mesmos, Procurem Abrigo é um filme para fazer pensar, muito para lá da sala de cinema.



2. Vergonha (Shame), de Steve McQueen, 2011
Sem medo nem pudor, Steve McQueen quis dar-nos a conhecer a Vergonha de um viciado em sexo. Um filme sufocante e incómodo, que está muito longe do erotismo que se poderia prever. Fassbender é também o responsável pela excelente concretização de Vergonha, encarnando de corpo e alma o perturbado Brandon, que trava uma luta contra si mesmo. Não havendo nada que nos possa fazer simpatizar com o protagonista, o certo é que a sua angústia, sofrimento e obsessão pelo prazer,  acabam por   deixar o espectador consternado e verdadeiramente envolvido.



1. Temos de Falar sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin), de Lynne Ramsay, 2011
Temos de Falar sobre Kevin é, antes de mais, aterrador. "Alguém pode ser responsável pela maldade do outro?" é uma das muitas questões que irão perdurar depois de assistir a este filme. Inquietante, perturbador, cheio de emoções fortes e com as quais é difícil lidar. Temos de Falar sobre Kevin é de uma grandeza extraordinária, quer pelas sensações e sentimentos que faz despertar, quer pela forma como toda a história de Eva e Kevin é apresentada. Com uma extraordinária interpretação de Tilda Swinton, a longa-metragem de Lynne Ramsay é uma obra-prima que todos deveriam ver.


(As menções honrosas do 11º ao 16º lugares podem ser encontradas aqui.)

domingo, 4 de novembro de 2012

Top: 10 Melhores Posters de 2012

Depois dos dez piores, nada como uma selecção dos dez posters que mais se destacaram positivamente, este ano. Mais uma vez, tenho por base os posters portugueses das longas-metragens já estreadas e das que estão previstas estrear até ao final de 2012.

Aqui ficam aqueles que, para mim, são os dez melhores posters do ano.

10. Amor
* poster francês na ausência do poster português.

9. Cosmopolis

8. Shut up and Play the Hits: O Fim dos LCD Soundsystem

7. O Cavaleiro das Trevas Renasce

6. Moonrise Kingdom

5. É na Terra Não É na Lua

4. Vergonha

3. Procurem Abrigo

2. Attenberg

1. A Casa na Floresta

domingo, 4 de março de 2012

Crítica: Vergonha (2011)

“We’re not bad people. We just come from a bad place.”
Sissy Sullivan


Sem medo nem pudor, Steve McQueen quis dar-nos a conhecer a Vergonha de um viciado em sexo. O filme chegou esta quinta-feira aos cinemas portugueses, depois da antestreia na sessão de abertura do Fantasporto.

Michael Fassbender protagoniza este filme na pele de Brandon, um empresário de sucesso, ninfomaníaco. Os seus dias dividem-se entre o trabalho, as mulheres que seduz e as prostitutas que contrata, todavia, tudo começa a fugir ao seu controlo com a chegada inesperada de Sissy, a sua rebelde e perturbada irmã.

Vergonha foi algo que Steve McQueen não teve (e ainda bem) ao mostrar, da melhor e mais perturbante forma, a realidade nua e crua de um viciado em sexo. Uma história pesada e de difícil abordagem resultou e muito bem no grande ecrã às mãos deste realizador. Logo no início, o filme apresenta-nos a nudez frontal do protagonista, e faz-nos adivinhar que a história será contada sem esconder ou minimizar qualquer aspecto. Até à chegada de Sissy, é-nos dado a conhecer o dia-a-dia de Brandon, que convive com o seu problema como se fosse algo natural. É a irmã que traz a mudança ao pensamento do protagonista que, de início parece entrar em negação, mas depressa começa a tentar mudar, sem sucesso. Ele parece ver em Sissy uma ameaça e renega-a, sem se importar com o facto de, também ela, ser uma mulher perturbada, e ao mesmo tempo, parece querer esconder todo o carinho que sente pela irmã.

O conflito interior do protagonista chega a deixar-nos com pena. Um homem que, para além do trabalho, apenas vive para o sexo, e que não consegue estabelecer relações emocionais com ninguém. Mesmo quando tenta "apagar" tudo o que alimenta esse vicio, acaba por ter uma muito forte recaída, e tão bem podemos ver o seu desespero. E a forma como Steve McQueen nos apresenta o problema e filma as cenas de sexo, onde destaco o momento em que Brandon está numa orgia com duas mulheres, é por vezes sufocante para o espectador, que consegue perceber, só através daquela cena, toda a loucura do protagonista. Um momento que consegue ser tão belo e tão incómodo, ao mesmo tempo.

Fassbender encarna uma personagem difícil e muito complexa e o seu desempenho é excelente, com o actor a entregar-se de corpo e alma a Brandon. Das cenas de sexo e nudez ao desespero, que, a certo momento, se apodera do protagonista, Fassbender não fraqueja, nem por um momento, e é um dos mais injustiçados no que respeita aos Oscars, sem sequer ter recebido uma nomeação este ano. Ainda no que respeita ao elenco, Carey Mulligan surge aqui com um dos melhores (ou mesmo o melhor) desempenhos da sua carreira na pele da problemática Sissy.

Apesar de todo o brilhantismo deste filme, fica no ar a dúvida acerca da origem das perturbações psicológicas dos dois irmãos. Estamos perante um homem viciado em sexo e uma mulher com tendências suicidas, e tudo aponta  para que algo na sua infância ou juventude, provavelmente a nível familiar, possa ter provocado esses problemas e instabilidade.

Vergonha termina numa cena semelhante a uma das do início do filme, mas com mudanças que, apesar de subtis, nos levam a construir o nosso final. Steve McQueen traz-nos um filme que irá deixar muita gente boquiaberta, principalmente se não souber ao que vai, mas Vergonha está muito longe do pornográfico. As cenas de sexo, por vezes explícitas, são inevitáveis para que o filme possa ser absorvido na íntegra e para que o resultado seja tão bom.

*8.5/10*

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Estreias da Semana

São quatro os filmes que estreiam amanhã, dia 1 de Março, nos cinemas nacionais.

Contrabando (2012)
Contraband

De Baltasar Kormákur, chega Contrabando, protagonizado por Mark Wahlberg. Chris Farraday deixou a vida do crime há muito tempo, contudo, depois do seu cunhado Andy estragar um negócio de droga ao seu patrão, Tim Briggs, Chris percebe que tem de voltar a fazer contrabando para pagar a dívida do cunhado. Chris forma uma equipa, com a ajuda do seu melhor amigo Sebastian, para um golpe final no Panamá, na esperança de trazer milhões de notas falsas. No entanto, pouco antes de alcançar o dinheiro, o plano não dá certo e Chris terá de recorrer às suas habilidades para navegar por uma traiçoeira rede de traficantes de droga, polícias e assassinos, antes que a sua mulher Kate e dos seus filhos se tornem o alvo.

Extremamente Alto, Incrivelmente Perto (2011)
Extremely Loud & Incredibly Close

Um dos nomeados ao Oscar chega agora a Portugal. Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, realizado por Stephen Daldry, conta a história de Oskar, um menino de nove anos que anseia por aventuras e por prolongar os momentos que o unem ao pai, que morreu no 11 de Setembro, no World Trade Center. Ao descobrir uma chave entre as coisas do seu pai, a criança parte numa incansável busca pela fechadura que esta abre, e vai conhecendo muitas pessoas e as suas histórias de vida.

Ghost Rider Espírito de Vingança (2012)
Ghost Rider: Spirit of Vengeance

Depois de Ghost Rider (2007), chega aos cinemas Ghost Rider Espírito de Vingança. Nicolas Cage está de volta na pele de Johnny Blaze, que se encontra agora escondido numa zona remota da Europa Oriental, em constante luta contra a maldição que carrega. Uma seita secreta da Igreja recruta-o para salvar um rapaz do demónio. Apesar de hesitante ao início, Johnny abraça o poder do Ghost Rider, pois esta é a única forma de proteger o rapaz e, possivelmente, de se livrar para sempre da sua maldição.

Vergonha (2011)
Shame

Steve McQueen traz-nos o polémico Vergonha, que conta com Michael Fassbender e Carey Mulligan nos papéis principais. O actor é Brandon é um empresário de sucesso, viciado em sexo, que vive no seu apartamento em Nova Iorque. Divide o seu dia-a-dia entre o trabalho, as mulheres que seduz e as prostitutas que contrata, no entanto, tudo começa a fugir ao seu controlo com a chegada inesperada da sua irmã Sissy, uma jovem rebelde e perturbada.