domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sugestão da Semana #51

Depois de mais uma Quinta feira de estreias, a Sugestão da Semana recai desta vez sobre o nomeado aos Oscars Bestas do Sul Selvagem.

BESTAS DO SUL SELVAGEM


Ficha Técnica:
Título Original: Beasts of the Southern Wild
Realizador: Benh Zeitlin
Actores: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly
Género: Drama, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 93 minutos

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Crítica: The Master - O Mentor (2012)

 "What a day. We fought against the day and we won. We won. "
Lancaster Dodd
*8.5/10*

Paul Thomas Anderson nunca é capaz de menos do que nos impressionar a cada novo filme. Com The Master - O Mentor não é diferente, e o estrondo visual que temos perante nós durante cerca de duas horas e meia ofusca qualquer possível fraqueza que o argumento possa ter. Juntam-se-lhe ainda as interpretações magistrais de Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman para um resultado deslumbrante.

A longa-metragem passa-se nos anos 50 e relata a viagem de um veterano da Marinha, Freddie Quell, que chega a casa vindo da Guerra, indeciso e inseguro em relação ao futuro, até se deixar seduzir pela Causa e pelo seu carismático líder, Lancaster Dodd.

O argumento é muito suportado pelas personagens, que lhe dão a força que necessita para vingar apesar das pontas soltas que deixa, muito numa espécie de apelo ao espectador, para que este reflicta, explore hipóteses e decida ele mesmo. Freddie é o retrato das marcas deixadas pela Guerra nos seus veteranos e na sociedade, em todos os aspectos. A aparente paz que se vive está muito longe da luta interior do protagonista, que demonstra um desequilíbrio mental e sexual e mágoas deixadas pelo passado. Ao dar de caras com A Causa - movimento aparentemente inspirado na Cientologia - Freddie começa a tentar ultrapassar esses seus problemas, numa espécie de auto-conhecimento e auto-controlo, segundo os métodos do seu líder Lancaster Dodd.


Mas é também interessante denotar como há diversas semelhanças entre Quell e Dodd, por muito diferentes que possam parecer. Certo é, desde logo, a empatia que se gera entre ambos, bem como a dependência do álcool que parece uni-los ainda mais. Um dos momentos mais emocionantes é a primeira vez que Quell serve de cobaia aos estudos de Dodd, uma sequência verdadeiramente inquietante. Menos evidentes que os problemas de Freddie, também os do Mestre vão-nos sendo subtilmente apresentados ao longo de The Master - O Mentor

E personagens complexas pediam interpretações competentes por parte do elenco, que não as deixam ficar mal. Joaquin Phoenix é a grande estrela do filme, surge com uma aparência carregada, mais magro, de rosto fechado, espelhando bem os distúrbios do seu personagem, presenteia-nos por vezes com o seu característico sorriso que encaixa perfeitamente em Freddie Quell. Segue-o de perto Philip Seymour Hoffman, com uma interpretação forte deste Mestre, ambicioso e persistente. Amy Adams, como Peggy Dodd, não deixa ficar mal a forte personagem feminina, a grande mulher por detrás do grande homem. Os três vêem o seu desempenho reconhecido pela Academia com as únicas nomeações aos Oscars que o filme alcançou (merecendo muitas mais a bem dizer). 


No entanto, o que torna a longa-metragem de Paul Thomas Anderson verdadeiramente fabulosa é toda a componente técnica, desde as marcas autorais, à fotografia hipnotizante de Mihai Malaimare Jr., com uma iluminação genial, aliada às cores que tanto sugerem a época vivida. Toda esta qualidade técnica duplica com a utilização da cada vez mais rara película de 70 mm, que nos permite uma profundidade e detalhe assombrosos - a sequência em que Dodd e Freddie andam de mota no deserto é talvez o expoente máximo daquilo a que me refiro.

Não sendo provavelmente o melhor filme de Paul Thomas Anderson, The Master - O Mentor prova que o realizador não faz um mau filme. Argumentativamente aberto a muitas interpretações, visualmente digno de ser visto no cinema, de preferência, de modo a usufruir das sensações únicas que consegue proporcionar. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Crítica: A Vida de Pi / Life of Pi (2012)

"Above all: don't lose hope."
Pi Patel 
*6/10*

Espiritual, delicado e artificial são três palavras que se ajustam bem ao mais recente filme de Ang Lee, A Vida de Pi, que conta com 11 nomeações aos Oscars 2013. A adaptação do livro homónimo de Yann Martel traz consigo fortes mensagens de esperança e pretende emocionar os mais sensíveis.

A história roda em torno de Pi Patel, filho do administrador do jardim zoológico de Pondicherry, na Índia. O jovem possui um enorme conhecimento sobre animais e uma visão da vida muito peculiar. Aos 16 anos, Pi junta-se à família que decide emigrar para a América do Norte num navio cargueiro, juntamente com os habitantes do zoo. Porém, o navio afunda-se logo nos primeiros dias de viagem e Pi vê-se na imensidão do Pacifico a bordo de um salva-vidas acompanhado pelos mais inesperados companheiros de viagem: uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala, baptizado de Richard Parker. Em breve restarão apenas Pi e o tigre, e a única esperança para sobreviver é descobrirem que precisam um do outro.

A luta pela sobrevivência está no centro da longa-metragem que joga com as nossas crenças. Mas seria mesmo possível um rapaz e um tigre conviverem tanto tempo juntos? Toda a história parece querer conduzir a plateia para o mesmo, não deixando espaço a outros sentimentos ou possibilidades. A persistência de Pi, a obediência que, a certa altura, Richard Parker demonstra, o medo que ambos sentem um do outro, tudo nos oferece a tão anunciada mensagem de esperança, contra todas as adversidades. Logo aqui, o argumento peca. Mas aos pontos fracos narrativos junta-se-lhe a artificialidade técnica que torna A Vida de Pi ainda mais fantasioso. Se já estava comprometido, o ambiente espiritual que se pretende perde-se quase totalmente.


Tecnicamente sente-se que tudo está demasiado competente, demasiado limpo, demasiado artificial. Os efeitos especiais são interessantes – apesar de não nos fazerem esquecer que estamos perante um tigre digital–, a realização, montagem, som e fotografia merecem destaque (tendo todos nomeação na sua categoria), mas verdadeiramente eficaz é a banda sonora, de Mychael Danna. Apesar de também transparecer esse “asseio” tão dispensável, é na música que está toda a aura do filme, a sua espiritualidade. Contudo, é ainda de destacar que esta componente de artifício nos proporciona momentos de uma beleza visual pouco comum.

Claro que nem tudo poderia ser negativo num filme com tantas (demasiadas) nomeações aos prémios da Academia. A narrativa tem momentos com algum humor bem conseguido, as mensagens que pretende transmitir são inocentes mas reconfortantes, e, perto do fim, encontramos algum realismo, o lado mais selvagem que esperávamos descobrir mais cedo, e isso revela-se uma agradável surpresa.

A Vida de Pi está muito longe de ser um filme inesquecível e é um dos mais sobrevalorizados de 2012. Vale pelo espectáculo visual (e artificial) que traz consigo, e pela espiritualidade que irá, certamente, comover muitos públicos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Que filme ver no Dia dos Namorados?

Num dia em que sugestões de filmes "para namorar" abundam, aqui ficam mais algumas, para os mais e menos românticos.

Para os mais românticos:
Bright Star (2009), de Jane Campion


The Notebook (2004), de Nick Cassavetes


Le fabuleux destin d'Amélie Poulain (2001), de Jean-Pierre Jeunet


Para os menos românticos:
(500) Days of Summer (2009), de Marc Webb

Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask (1972), de Woody Allen


Lars and the Real Girl (2007), de Craig Gillespie


Para todos:
Já viram a curta-metragem da Disney, The Paperman (O Rapaz do Papel, em português), nomeada ao Oscar para melhor curta de animação desde ano? Então é um óptimo dia para a ver ou rever.

Crítica: 00:30 A Hora Negra / Zero Dark Thirty (2012)

"I'm going to smoke everyone involved in this op and then I'm going to kill bin Laden. "
Maya
*7/10*

00:30 A Hora Negra é mais uma história feita para os norte-americanos mas que interessa ao resto do planeta. A captura de Bin Laden é, só por si, tema para captar todas as atenções, mais ainda quando se sabe que a longa-metragem é realizada por Kathryn Bigelow e tem Jessica Chastain como protagonista.

A caça a Osama Bin Laden inquietou o mundo e dois Governos americanos durante mais de dez anos. Contudo, foi uma pequena e dedicada equipa de operacionais da CIA que o conseguiu localizar. Todos os pormenores de preparação desta missão estiveram no mais absoluto segredo e, apesar de alguns dos detalhes terem sido, entretanto, tornados públicos, os aspectos mais relevantes da operação foram agora trazidos para o grande ecrã pela dupla criativa vencedora de três Oscars com filme Estado de Guerra - Bigelow e Mark Boal.

A realizadora quis aqui mostrar, sem rodeios, os dez anos de trabalho da CIA até à recente captura do terrorista mais procurado. E começa por apelar aos (res)sentimentos da plateia, com o audio (apenas), de poucos minutos, das últimas palavras de algumas das vítimas do 11 de Setembro de 2001. Arrepiante e, de certa forma, uma preparação para que tudo o que continuaremos a ver esteja “justificado” ou “desculpado”. As cenas de tortura, que tanto deram que falar, estão lá, são fortes, mas possivelmente muito longe da realidade, que será de certo muito mais brutal. Há, todavia, que gabar o facto de não existir medo em assumir os actos.

Polémicas à parte, a história é-nos apresentada da melhor forma, dando a conhecer os factos, perdendo, contudo, o fôlego bastante cedo. Felizmente, a última meia hora vale pelos momentos menos bem conseguidos, com uma sequência de acção que nos prende ao ecrã, sendo impossível desviar as atenções. Graças à realização exemplar de Kathryn Bigelow, sentimo-nos dentro do filme, ao lado dos soldados.


No elenco, o grande destaque vai para Jessica Chastain como a agente da CIA Maya, que, apesar de não ter aqui o seu mais brilhante desempenho, mostra-se à altura do desafio, ganhando a frieza que a sua personagem pede ao longo do filme (e com o passar dos anos). Sangue frio, coragem e muita persistência é o que Maya espelha, revelando o seu lado mais humano na derradeira cena, num misto de dever cumprido e alívio.

Apesar de todas as questões políticas ou morais que lhe estão associadas, 00:30 A Hora Negra é um filme feito para glorificar os feitos dos norte-americanos, desta vez contudo, sem esconder que, muitas vezes, estes não são os mais legítimos.

Estreias da Semana #51

São seis as estreias que têm lugar esta Quinta-feira nos cinemas nacionais. Muito terror, comédia, acção e drama é o que nos chega, com especial destaque para o nomeado aos Oscars 2013, Bestas do Sul Selvagem, bem como com o regresso às salas do clássico de Hitchcock, Psycho.

A Descida - Parte 2 (2009)
The Descent: Part 2
A sequela do filme de terror de 2005 (A Descida), que marcou o que de melhor se fez no género nos últimos anos, chega agora a Portugal, alguns anos depois do previsto. Ferida, desesperada e coberta com o sangue das suas companheiras desaparecidas, Sarah consegue emergir do complexo de grutas onde se encontrava perdida, embora se encontre em choque e sem memória do que lhe aconteceu. Céptico sobre o relato de Sarah e convencido que a sua psicose esconde segredos sombrios, o xerife Vaines inicia a sua investigação ao desaparecimento do grupo de jovens. Juntamente com a sua colega Rios e com a equipa de resgate de Dan, Greg e Cath, decide forçar Sarah a voltar à caverna com o objectivo de resgatar o resto do grupo, onde vão encontrar o pior pesadelo das suas vidas.

Aguenta-te aos 40 (2012)
This Is 40
Depois de vários anos de casamento, Pete vive numa casa cheia de mulheres: a esposa Debbie e as duas filhas, Charlotte, de oito anos, e Sadie, de treze. Enquanto Pete luta para manter a empresa, o casal tem de descobrir como desculpar, esquecer e desfrutar o resto das suas vidas… antes que se matem um ao outro.

Bestas do Sul Selvagem (2012)
Beasts of the Southern Wild
Nomeado para quatro Oscars, Bestas do Sul Selvagem chegam por fim às salas nacionais. Numa comunidade esquecida mas desafiante de uma zona pantanosa separada do mundo dito civilizado por um extenso dique, a pequena Hushpuppy, de seis anos, vive em risco de ficar órfã. Com a mãe há muito desaparecida e o seu querido pai, Wink, descontrolado, Hushpuppy está entregue à sua própria sorte numa zona isolada. Para ela o mundo natural é uma frágil rede de coisas que vivem, respiram, pulsam e de cujo funcionamento perfeito depende todo o universo. Por isso, quando a tempestade do século faz subir as águas em torno da aldeia, o pai fica doente subitamente e ferozes criaturas pré-históricas acordam dos seus túmulos gelados para investir através do planeta, Hushpuppy vê entrar em colapso à sua volta a ordem natural de tudo o que lhe é querido. Desesperada para reparar a estrutura do seu mundo de modo a salvar o seu pai e a sua casa inundada, a pequena heroína tem de aprender a sobreviver.

Die Hard - Nunca é bom dia para morrer (2013)
A Good Day to Die Hard
Quando Jack, filho de John McClane, se mete em sarilhos na Rússia, o ex-polícia de Nova Iorque é forçado a viajar para Moscovo para o ajudar, só que aí acaba por ver-se envolvido no plano terrorista que desencadeou os problemas do rapaz. Com o submundo russo a persegui-los, e lutando contra uma contagem regressiva para a guerra, os dois McClanes descobrem que seus métodos opostos torná-los-ão heróis imparáveis.

Psico (1960)
Psycho
Uma semana depois da estreia da biopic sobre Alfred Hitchcock eis que regressa ao cinema o grande clássico do cineasta: Psycho. Marion Crane e Sam Loomis são amantes mas não podem casar-se por falta de dinheiro. Um dia o patrão de Marion encarrega-a de depositar no banco 400 mil dólares que acabara de receber dum cliente. A jovem vê ali a possibilidade de resolver os seus problemas financeiros, decidindo fugir com o dinheiro, mas, e em virtude do mau tempo, é forçada a parar num motel no caminho.

Texas Chainsaw - O Massacre (2013)
Texas Chainsaw 
Há muito tempo, ocorreu uma tragédia numa pequena e remota cidade no Texas, que envolveu um grupo de cinco jovens. Apenas um deles conseguiu escapar com vida e o seu relato desencadeou uma série de eventos que, aparentemente, puseram fim ao terror vivido. O que ninguém sabe é que existe outro sobrevivente: uma criança foi escondida e criada sem nenhum conhecimento dos acontecimentos daquele dia ou da sua verdadeira família. Agora adulta, Heather Miller retorna a casa para receber uma herança de uma avó que nunca conheceu. Viaja para o Texas acompanhada pelos seus amigos Nikki, Ryan e Kenny e no caminho, dão boleia a Darryl. Ao chegar à cidade, Heather fica surpresa ao encontrar uma magnífica mansão que agora é sua, com a condição de que não a venda e siga as instruções que a sua avó deixou por carta. Ainda antes de abrir a carta, a jovem e seus amigos são confrontados por um familiar, também ele sobrevivente do fatídico e trágico dia. Antes de conseguir obter a sua herança, Heather precisa de ultrapassar um tremendo desafio: manter-se viva. O seu recém-descoberto primo não se importa se as suas vítimas são parentes ou não. Ele apenas precisa de sangue...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Dia Mundial da Rádio: O filme do dia

Que outro filme seria o ideal para hoje, 13 de Fevereiro, dia que assinala o Dia Mundial da Rádio, que não o Radio Days, de Woody Allen?


O retrato de uma época, repleto de nostalgia e paixão.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Momentos para Recordar #18

Em dia de Carnaval, um Momentos para Recordar cheio de fantasia e romance.

O Fabuloso Destino de Amélie (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain), Jean-Pierre Jeunet (2001)