sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Crítica: Star Wars: O Despertar da Força / Star Wars: The Force Awakens (2015)

"Chewie, we're home."
Han Solo

 
*8/10*

Finalmente, a Força voltou a despertar. J. J. Abraams continua a trilogia original da saga Star Wars e oferece-nos o tão esperado capítulo VII: O Despertar da Força. Fiel aos três primeiros filmes, datados de 1977, 1980 e 1983, o realizador faz-nos redescobrir a Força, reencontrar velhos conhecidos, viajar à velocidade da luz, enfim, percorrer o Espaço e continuar a luta contra o lado negro da Força.

Desde 2005, com Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith, que não tínhamos filmes da Guerra das Estrelas nos cinemas. Agora, em 2015, O Despertar da Força dá continuação à saga criada por George Lucas e acontece 30 anos depois de O Regresso de Jedi.


J.J. Abraams não deu nenhum passo maior do que a perna. A longa-metragem não extrapola os limites, vem matar saudades e manter o ambiente e o tom dos primeiros filmes. A base da saga é sólida e o realizador vem fazer exactamente o que o título diz: despertar a força, novamente. Recupera personagens, as suas histórias, e acrescenta novos focos de atenção, novos protagonistas, alguma novidade. Abraams sabe o que tem em mãos e preservar a nostalgia do passado era certamente o que os fãs mais desejavam. O novo e o antigo fundem-se na perfeição, o humor continua vivo, os vilões têm de se esforçar um pouco mais - mas nada que o tempo não resolva -, as criaturas estão fiéis às originais e os efeitos especiais são competentes e realistas o suficiente para um filme de ficção científica. Nada parece artificial.

As personagens antigas mantêm-se fiéis a si, de carácter forte e destemido, as novas tem apenas de aprender com os mais velhos, mas são, ainda assim, boas surpresas. Apesar de um ou outro momento mais previsível, certo é que o novo filme deixa no ar muitos mistérios e abre portas a muitas possibilidades e teorias.


Temos os nossos velhos companheiros de aventura Harrison Ford, Mark HamillCarrie Fisher Peter Mayhew (quem não tinha saudades de Chewbacca?) ainda em grande forma. E somos apresentados às caras novas como Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Andy Serkis ou Domhnall Gleeson, que, no essencial, não desiludem.

Abraams, por seu lado, sabe criar o ritmo certo, com alguns planos-sequência e movimentos de câmara dinâmicos e envolventes. Chegamos perto da acção não apenas sentimentalmente, mas também de certa forma fisicamente.

Simples, eficaz e capaz de nos transportar no tempo, para junto de Han Solo ou Chewbacca, Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força não nos deixa ficar mal e, afinal, só nos faz recuperar a febre e desejar que o próximo capítulo chegue depressa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sugestão da Semana #198

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de Paolo Sorrentino, A Juventude. Não é o melhor do cineasta, mas vale a pena ver.

A JUVENTUDE


Ficha Técnica:
Título Original: Youth 
Realizador: Paolo Sorrentino
Actores: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Paul Dano, Jane Fonda
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 118 minutos

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Estreias da Semana #198

Seis filmes chegaram esta Quinta-feira às salas de cinema nacionais. A Juventude, Hotel Transylvania 2 e No Coração do Mar são algumas das estreias.

A Juventude (2015)
Youth
Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel) são dois velhos amigos com quase 80 anos que se encontram a desfrutar de um período de férias num hotel encantador, no sopé dos Alpes. Fred é um maestro e compositor aposentado, sem intenção de voltar à carreira musical que abandonou há muito tempo, enquanto Mick é um realizador, que ainda trabalha, empenhado em terminar o guião do seu mais recente filme. Ambos sabem que os seus dias estão contados e decidem enfrentar o seu futuro juntos. No entanto, mais ninguém para além deles parece preocupado com o passar do tempo.

Amor Polar (2015)
Infinitely Polar Bear
Em 1978, enquanto a maioria dos pais passa os dias a trabalhar, Stuart Cam (Mark Ruffalo) é mais provável ser encontrado a procurar cogumelos, cozinhar refeições elaboradas, ou a trabalhar num dos seus múltiplos projectos inconcluídos. Os bens da família é o que os mantêm financeiramente à tona, enquanto Cam se esforça por viver preso à sua condição de doente maníaco depressivo. Quando Cam tem uma crise que o manda para um hospital psiquiátrico, a sua mulher Maggie (Zoe Saldana) e as suas duas filhas, Amelia e Faith, são forçadas a deixar a sua casa no campo e a mudar-se para um pequeno apartamento em Cambridge, onde Maggie tenta, sem sorte, encontrar um trabalho decente. Falida, sob pressão e sobrecarregada, Maggie candidata-se a um MBA da Universidade de Columbia, onde é aceite. Encarando isso como a sua oportunidade de construir uma vida melhor para as suas filhas, Maggie pede a Cam que se torne o encarregado de educação das filhas enquanto completa o seu curso universitário. Afinal de contas, o médico tinha prescrito a Cam uma vida calma e rotineira e as raparigas sentem falta do seu pai. Cam aceita, na esperança de reconstruir a sua família. No entanto, as duas meninas espirituosas não estão interessadas em lhe facilitar a vida.

Anacleto: Agente Secreto (2015)
Anacleto dedicou os seus melhores anos a servir a GP, uma agência secreta que ficou gravemente afectada com a crise económica. Como se não bastasse lidar com os cortes de orçamento para as missões, o seu eterno rival, o malvado Vázquez, escapa da prisão onde foi colocado pelo próprio Anacleto, ameaçando vingar-se... A Anacleto não resta outro remédio do que se por em acção para proteger o seu filho Adolfo, um trintão pateta que acredita que o seu pai ganha a vida a produzir enchidos, até ser encontrado pelo inimigo. Chega então esta missão, muito mais difícil do que aquelas a que está habituado, pois está treinado para sobreviver a todo o tipo de situações, mas a relação entre pai e filho não é de todo a sua melhor área!

Hotel Transylvania 2 (2015)
Tudo parece estar a mudar para melhor no Hotel TransylvaniaDrac finalmente desistiu da sua rígida politica de ‘só para monstros’ e o hotel está agora aberto a hóspedes humanos. Mas, na privacidade do seu caixão, Drac está preocupado com Dennis, o seu adorável neto, meio humano, meio vampiro que não mostra quaisquer sinais de ser de facto um verdadeiro vampiro.

Baseado no livro de Nathaniel Philbrick sobre a verdadeira e dramática viagem do navio baleeiro Essex, No Coração do Mar leva-nos a 1820. O navio é atacado por uma baleia gigante. Com a tripulação a ser levada ao limite e forçada a fazer o impensável para sobreviver, enfrentando tempestades, fome, pânico e o desespero, os homens vão colocar em causa a suas crenças mais profundas, desde o valor real das suas vidas à moralidade do seu ofício. Nesta histórica viagem, o capitão (Benjamin Walker) procura uma saída no mar imenso e o imediato Owen Chase (Chris Hemsworth) uma maneira de destruir a gigantesca baleia.

Os Coopers São o Máximo (2015)
Love the Coopers
Charlotte Cooper (Diane Keaton) tem um simples desejo natalício: que a sua família guarde na memória uma noite perfeita de Natal. Mas quando quatro gerações do clã Cooper se reúne debaixo do mesmo tecto nada é assim tão perfeito. Conforto e alegria não vão ser tarefas fáceis. Os fantasmas dos Natais Passados, Presente e Futuro vão reavivar nas memórias de cada membro da família Cooper momentos únicos e hilariantes…

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Globos de Ouro 2016: Os Nomeados

Os nomeados para os 73ª edição dos Globos de Ouro 2016 foram hoje anunciados. No cinema, Carol lidera com cinco nomeações e Mad Max: Estrada de Fúria é a grande surpresa, com duas nomeações, entre elas para Melhor Filme Dramático. Eis os nomeados nas categorias de cinema:


Melhor Filme - Drama
Carol
Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road)
The Revenant
Room
Spotlight

Melhor Actriz - Drama
Cate Blanchett - Carol
Brie Larson - Room
Rooney Mara - Carol
Saoirse Ronan - Brooklyn
Alicia Vikander - A Rapariga Dinamarquesa (The Danish Girl)

Melhor Actor - Drama
Bryan Cranston - Trumbo
Leonardo DiCaprio - The Revenant
Michael Fassbender - Steve Jobs
Eddie Redmayne - A Rapariga Dinamarquesa (The Danish Girl)
Will Smith - Concussion

Melhor Filme - Comédia ou Musical
The Big Short
Joy
Perdido em Marte (The Martian)
Spy
Descarrilada (Trainwreck)

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Jennifer Lawrence - Joy
Melissa McCarthy - Spy
Amy Schumer - Descarrilada (Trainwreck)
Maggie Smith - The Lady in the Van
Lily Tomlin - Grandma

Melhor Actor - Comédia ou Musical
Christian Bale - The Big Short
Steve Carell - The Big Short
Matt Damon - Perdido em Marte (The Martian)
Al Pacino - Danny Collins - Nunca é Tarde
Mark Ruffalo - Amor Polar (Infinitely Polar Bear)

Melhor Filme de Animação
Anomalisa
A Viagem de Arlo (The Good Dinosaur)
Divertida-Mente (Inside Out)
Peanuts: Snoopy & Charlie Brown - O Filme (The Peanuts Movie)
A Ovelha Choné - O Filme (Shaun The Sheep Movie)

Melhor Filme Estrangeiro
The Brand New Testament (Bélgica, França, Luxemburgo)
The Club (Chile)
The Fencer (Finlândia, Alemanha, Estónia)
Mustang (França)
Son of Saul (Hungria)

Melhor Actriz Secundária
Jane Fonda - A Juventude (Youth)
Jennifer Jason Leigh - The Hateful Eight
Helen Mirren - Trumbo
Alicia Vikander - Ex Machina
Kate Winslet - Steve Jobs

Melhor Actor Secundário
Paul Dano - Love & Mercy
Idris Elba - Beasts of No Nation
Mark Rylance - A Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
Michael Shannon - 99 Homes
Sylvester Stallone - Creed

Melhor Realizador
Todd Haynes - Carol
Alejandro G. Iñarritu - The Revenant
Tom McCarthy - Spotlight
George Miller - Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road)
Ridley Scott - Perdido em Marte (The Martian)

Melhor Argumento
Emma Donoghue - Room
Tom McCarthy, Josh Singer - Spotlight
Charles Randolph, Adam McKay - The Big Short
Aaron Sorkin - Steve Jobs
Quentin Tarantino - The Hateful Eight

Melhor Banda Sonora Original
Carter Burwell - Carol
Alexandre Desplat - A Rapariga Dinamarquesa (The Danish Girl)
Ennio Morricone - The Hateful Eight
Daniel Pemberton - Steve Jobs
Ryuichi Sakamoto, Alva Noto - The Revenant

Melhor Canção Original
Love Me Like You Do - As Cinquenta Sombras de Grey (Fifty Shades of Grey)
One Kind of Love - Love & Mercy
See You Again - Velocidade Furiosa 7 (Furious 7)
Simple Song #3 - A Juventude (Youth)
Writing's on the Wall - 007 Spectre

Crítica: No Coração do Mar / In the Heart of the Sea (2015)

"The tragedy of the Essex is the story of men. And a Demon."
Thomas Nickerson
*5/10*

Essencialmente visual, assim é o mais recente filme de Ron Howard, No Coração do Mar. A longa-metragem tem apenas a função de contar uma história verídica e serve-se do facto desta ter inspirado Herman Melville para escrever Moby Dick como factor catalisador de atenções. O marketing a funcionar.

O problema é que pouco mais funciona tão bem. Howard apoia o seu filme essencialmente nos efeitos visuais e em todo esse espectáculo que distrai ligeiramente do argumento, tão mal suportado. Uma história verídica nem sempre é sucesso garantido, precisa ser bem narrada, bem explorada. As baleias não podem fazer todo o trabalho. Realizador e argumentista deveriam ter feito melhor.

Baseado no livro de Nathaniel Philbrick sobre a verdadeira e dramática viagem do navio baleeiro Essex, No Coração do Mar leva-nos a 1820. O navio é atacado por uma baleia gigante. Com a tripulação a ser levada ao limite e forçada a fazer o impensável para sobreviver, enfrentando tempestades, fome, pânico e o desespero, os homens vão colocar em causa a suas crenças mais profundas, desde o valor real das suas vidas à moralidade do seu ofício. Nesta histórica viagem, o capitão (Benjamin Walker) procura uma saída no mar imenso e o imediato Owen Chase (Chris Hemsworth) uma maneira de destruir a gigantesca baleia.


O questionar de valores, o desespero que coloca os instintos mais primitivos à frente do socialmente aceite, e mesmo o dilema moral - afinal, será mesmo a baleia a má da fita? - não são explorados na sua plenitude e o clímax nunca é atingido. As personagens têm pouca personalidade, à excepção de Owen Chase e do jovem Thomas Nickerson (Tom Holland novamente a dar nas vistas depois de O Impossível) - eles são realmente os únicos que nos farão continuar a ter interesse em No Coração do Mar. O mais velho é o modelo de homem que o mais novo quer seguir, na coragem, determinação e na forma como nunca desiste. Cillian Murphy como Matthew Joy, companheiro e amigo de Chase, também merece destaque.

O filme alterna entre dois tempos: a acção em alto mar, nesta luta contra as baleias, é-nos apresentada ao mesmo tempo que Melville (Ben Whishaw) vai descobrindo os detalhes desta história, contada pelo único sobrevivente ainda vivo, Tom Nickerson (Brendan Gleeson). A montagem alterna entre estes dois momentos espacio-temporais e o ritmo é bem conseguido, contrabalançando a luta da tripulação contra a força da Natureza, em 1820, e a nostalgia, a dor de recordar, as emoções, enquanto Nickerson relata os acontecimentos.


Mas, afinal, o protagonismo de No Coração do Mar vai todo para os efeitos visuais, muito bem concretizados, é verdade, mas que roubam o brilho e o interesse às personagens e história - aqui é que deveriam estar as atenções. O 3D (Imax ou não) atordoa e desfocaliza ainda mais a atenção da plateia, quase anestesiada pela componente visual, onde ondas e baleias gigantes, querem transpor o ecrã da sala de cinema e deixar lá os marinheiros pouco empáticos.

Moby Dick merecia mais e o público também.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sugestão da Semana #197

Dos filmes que chegaram às salas na passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana vale por três (ou quatro): por que não ver ou rever a trilogia das cores de Krzysztof Kieslowski? E, já agora, aproveitar a exibição de A Dulpa Vida de Veronique.


A DUPLA VIDA DE VERONIQUE

TRÊS CORES: AZUL

TRÊS CORES: BRANCO

TRÊS CORES: VERMELHO

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Estreias da Semana #197

Onze filmes chegaram às salas de cinema esta Quinta-feira. No Hoje Vi(vi) um Filme já podes encontrar as críticas a Cosmos e Que Horas Ela Volta?.

A Dupla Vida de Véronique (1991)
La double Vie de Véronique
Veronika e Veronique vivem em países diferentes e nunca se conheceram. No entanto, a morte de uma delas vai alterar para sempre a vida da outra.

A Modista (2015)
The Dressmaker
Quando Tilly (Kate Winslet) chega a casa, não só se reconcilia com a mãe (Judy Davis) mas também com a sua máquina de costura. Recorrendo à sua experiência na alta costura, Tilly transforma as mulheres da cidade de tal forma que consegue vingar-se de quem antes lhe tinha feito mal. Simultaneamente, Tilly apaixona-se, o que a leva à sua maior perda e a proceder ao seu acto mais destrutivo de sempre.

A Última Noitada (2015)
The Night Before
Na véspera de Natal, Ethan (Joseph Gordon-Levitt), Isaac (Seth Rogen) e Chris (Anthony Mackie) fazem um pacto de passar sempre esta noite juntos – uma tradição que mantêm durante dez anos. É uma noite de deboche e de quebra de todas as regras. Mas, esta noite, será a última noite desta tradição. E quando ela terminar, estes três grandes amigos ganharão finalmente algum juízo. Ou não...

Witold (Jonathan Genet) acaba de chumbar nos seus exames de Direito, e Fuchs (Johan Libéreau), seu amigo, abandonou recentemente o emprego numa Casa de Alta Costura parisiense. Ambos vão passar alguns dias no campo e decidem alojar-se numa residencial familiar. São recebidos por um pardal enforcado num cordel na floresta. Depois, um pedaço de madeira preso da mesma forma, uma série de estranhos sinais na parede, no jardim e no bosque. Na pousada há uma empregada – com uma boca estranha e deformada – e, Lena (Victória Guerra), a jovem filha dos donos, por quem Witold manifesta uma paixão obsessiva. Ela está casada com um jovem íntegro e honesto; mas será que ela mesma o é? Um terceiro enforcamento. Um gato, obra de Witold. Mas porquê? Poderá o próximo enforcado ser humano?

Krampus: O Lado Negro do Natal (2015)
Krampus
Durante as férias, quando a sua família entra em confrontos, o jovem Max (Emjay Anthony) fica desiludido e vira as costas ao Natal. Mal ele sabia que a sua falta de espírito festivo libertou a raiva de Krampus, uma diabólica força de um demónio antigo com a intenção de castigar os descrentes. O inferno instala-se, com todos os ícones da época a ganharem uma monstruosa vida própria, sitiando a casa da família, forçando-os a lutarem uns pelos outros se quiserem sobreviver.

O Principezinho (2015)
The Little Prince
Eis a adaptação cinematográfica animada da obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry, O Príncipezinho.

Que horas ela volta? conta a história da empregada doméstica Val e do reencontro com a sua filha adolescente, Jéssica, criada longe da mãe. Para sustentar a filha, Val trabalha em casa de um casal da classe média e tem criado o filho dos patrões como se fosse seu. Há dez anos que não vê Jéssica.

Segredos Obscuros (2013)
The Devil You Know
Kathryn Vale é uma antiga estrela de cinema com um passado obscuro e uma filha que deseja seguir os seus passos no mundo da sétima arte. Quando Kathryn tenta retomar a carreira, começa a ser alvo de ameaças anónimas. Os eventos que se seguem forçam-na a confrontar a verdade sobre si própria e sobre as pessoas ao seu redor.

Trilogia das Cores: Azul (1993)
Trois couleurs : Bleu
Após a morte do marido Patrice, um grande compositor, e da filha Anna, num acidente de viação, Julie decide começar uma nova vida, anónima e independente, livre de quaisquer compromissos, sentimento de pertença ou amor. Olivier, o assistente de Patrice, apaixonado por Julie, tenta sair do isolamento em que vive, após terminar o trabalho inacabado do marido de Julie.

Trilogia das Cores: Branco (1994)
Trois couleurs : Blanc
Karol, um cabeleiro polaco, e Dominique, a sua esposa, mudam-se para Paris. O casamento desmorona-se e divorciam-se. Karol perde tudo após o divórcio e vê-se impedido de regressar à Polónia. Torna-se num mendigo, recusando actos ilícitos para ganhar dinheiro. Após conseguir finalmente regressar ao seu país, tenta refazer a sua vida, embora nunca tenha esquecido Dominique.   
Trilogia das Cores: Vermelho (1994)
Trois couleurs : Rouge
Na terceira parte da trilogia das cores, Valentine, uma jovem modelo e estudante da universidade de Genebra, atropela um cão. Felizmente, o cão ficou apenas ferido e Valentine vê na sua coleira a morada do dono, um juiz que espia as conversas telefónicas dos vizinhos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Crítica: Cosmos (2015)

*5/10*

Desconcertante, frenético, mas perdido nas suas excentricidades, Cosmos surge-nos como dinamite, provocando espanto, estranheza, nojo, irritação, admiração. Sentimentos opostos que, por um lado, tornam especial e marcante a longa-metragem de Andrzej Żuławski mas, por outro, descredibilizam-na.


Witold (Jonathan Genet) acaba de chumbar nos seus exames de Direito, e Fuchs (Johan Libéreau), seu amigo, abandonou recentemente o emprego numa Casa de Alta Costura parisiense. Ambos vão passar alguns dias no campo e decidem alojar-se numa residencial familiar. São recebidos por um pardal enforcado num cordel na floresta. Depois, um pedaço de madeira preso da mesma forma, uma série de estranhos sinais na parede, no jardim e no bosque. Na pousada há uma empregada – com uma boca estranha e deformada – e, Lena (Victória Guerra), a jovem filha dos donos, por quem Witold manifesta uma paixão obsessiva. Ela está casada com um jovem íntegro e honesto; mas será que ela mesma o é? Um terceiro enforcamento. Um gato, obra de Witold. Mas porquê? Poderá o próximo enforcado ser humano?

A adaptação da obra homónima, de Witold Gombrowicz, ao grande ecrã talvez possa não ter sido boa ideia, especialmente em termos narrativos. Cosmos perde-se em si mesmo, na sua análise psicológica que, no meio de um ritmo tão frenético, deixa o espectador sem rumo. O absurdo sobrepõe-se ao todo e, mesmo que seja essa a intenção, sente-se a falta de uma aura, de uma aproximação ao público para que também ele se possa "apropriar" do filme, senti-lo.


E as sensações são uma constante em Cosmos. Apela-se aos sentidos: à audição, atenta a todos os personagens que gritam, discutem e constroem novas palavras e textos; à visão, que divaga entre as cores fortes no ecrã - o batom, por exemplo -, e as belas paisagens portuguesas - Sintra, Ericeira, Serra da Estrela... -; ao tacto, na ânsia de tocar, no próprio toque, quer nas pessoas, animais, alimentos ou objectos; o paladar, nos pequenos almoços servidos na cama, que, certamente, vão agoniar o espectador, com formigas e lesmas à mistura; e, por fim, menos presente, mas psicologicamente inevitável, o olfacto, já que mesmo na sala de cinema conseguimos imaginar os odores da serra, do mar ou mesmo daquela casa. Este jogo de sensações é um dos pontos fortes da longa-metragem de Żuławski.

A realização, premiada em Locarno, é outra força do filme, com planos entusiastas, uma direcção de fotografia competente, iluminação e cores que condizem com as emoções dos personagens. O ritmo é extremamente frenético e o trabalho de mise-en-scène é fabuloso e fundamental, quando estão em cena muitos personagens e ocorrem diferentes e caricatas situações.


O tom muito excêntrico e teatral de Cosmos faz-me associá-lo a uma farsa - ainda que longe do sentido exacto do género - onde a grande entrega dos actores muito contribui para tal e, neste caso,  Sabine Azéma é mesmo a grande estrela.

Cosmos convida-nos a lidar com a estranheza, com a morte, com a obsessão, mas, ao mesmo tempo, é difícil de entranhar, de digerir, mesmo de tolerar. Fica uma relação amor-ódio, qual Witold e Lena.