segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Globos de Ouro 2018: Os Vencedores

A 75.ª edição dos Globos de Ouro aconteceu este Domingo à noite. Três Cartazes à Beira da Estrada foi o vencedor da noite ao conquistar quatro troféus. Conhece a lista completa de premiados nas categorias de Cinema.


Melhor Filme - Drama
Call Me by Your Name
Dunkirk
The Post
The Shape of Water
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Melhor Actriz - Drama
Jessica Chastain, Molly’s Game
Sally Hawkins, The Shape of Water
Frances McDormand, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Meryl Streep, The Post
Michelle Williams, All the Money in the World

Melhor Actor - Drama
Timothée Chalamet, Call Me by Your Name
Daniel Day-Lewis, Phantom Thread
Tom Hanks, The Post
Gary Oldman, Darkest Hour
Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.

Melhor Filme - Comédia ou Musical
The Disaster Artist
Get Out
The Greatest Showman
I, Tonya
Lady Bird

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Judi Dench, Victoria & Abdul
Helen Mirren, The Leisure Seeker
Margot Robbie, I, Tonya
Saoirse Ronan, Lady Bird
Emma Stone, Battle of the Sexes

Melhor Actor - Comédia ou Musical
Steve Carell, Battle of the Sexes
Ansel Elgort, Baby Driver
James Franco, The Disaster Artist
Hugh Jackman, The Greatest Showman
Daniel Kaluuya, Get Out

Melhor Filme de Animação
The Boss Baby
The Breadwinner
Coco
Ferdinand
Loving Vincent

Melhor Filme Estrangeiro
A Fantastic Woman
First They Killed My Father
In the Fade
Loveless
The Square

Melhor Actriz Secundária
Mary J. Blige, Mudbound
Hong Chau, Downsizing
Allison Janney, I, Tonya
Laurie Metcalf, Lady Bird
Octavia Spencer, The Shape of Water

Melhor Actor Secundário
Willem Dafoe, The Florida Project
Armie Hammer, Call Me by Your Name
Richard Jenkins, The Shape of Water
Christopher Plummer, All the Money in the World
Sam Rockwell, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Melhor Realizador
Guillermo del Toro, The Shape of Water
Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Christopher Nolan, Dunkirk
Ridley Scott, All The Money in the World
Steven Spielberg, The Post

Melhor Argumento
Guillermo Del Toro, Vanessa Taylor, The Shape of Water
Greta Gerwig, Lady Bird
Liz Hannah, Josh Singer, The Post
Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Aaron Sorkin, Molly’s Game

Melhor Banda Sonora Original
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
The Shape of Water
Phantom Thread
The Post
Dunkirk

Melhor Canção Original
“Home,” Ferdinand
“Mighty River,” Mudbound
“Remember Me,” Coco
“The Star,” The Star
“This Is Me,” The Greatest Showman

sábado, 6 de janeiro de 2018

Momentos Para Recordar #43

O primeiro Momentos Para Recordar do ano traz consigo um filme de guerra com uma mulher ao comando da câmara: Kathryn Bigelow e o seu Estado de Guerra. A tensão é permanente e Jeremy Renner tem, muito provavelmente, a sua melhor prestação de sempre.

Estado de Guerra (The Hurt Locker)Kathryn Bigelow (2008)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Estreias da Semana #306

São seis as primeiras estreias do ano nos cinemas portugueses. Jogo da Alta Roda, O Sacrifício de um Cervo Sagrado e Um Desastre de Artista estão entre os novos filmes para ver nas salas.

Insidious: A Última Chave (2018)
Insidious: The Last Key
A parapsicóloga Elise Rainier enfrenta a mais aterradora de todas as caças ao sobrenatural - na sua própria casa.

Jogo da Alta Roda (2017)
Molly's Game
Molly Bloom, jovem esquiadora e antiga esperança olímpica, torna-se uma empreendedora de sucesso e alvo de uma investigação quando cria um jogo internacional de póquer com altas apostas. Entre os jogadores encontravam-se celebridades de Hollywood, estrelas do desporto, titãs do mundo dos negócios e a máfia russa. Após ser detida pelo FBI, o seu único aliado é o advogado de defesa Charlie Jaffrey (Idris Elba), que descobre em Molly muito mais do que os tablóides tinham feito parecer.

O Amante de Um Dia (2017)
L'amant d'un jour
A história de um pai e da filha de 23 anos que volta para casa após terminar uma relação. E da nova namorada do pai, que vive com ele e também tem 23 anos.

O Sacrifício de Um Cervo Sagrado (2017)
The Killing of a Sacred Deer
O Dr. Steven Murphy (Colin Farrell) é um cirurgião cardiovascular de renome que habita uma imaculada casa com a sua esposa oftalmologista, Anna (Nicole Kidman), e os seus dois filhos exemplares: Bob, de 12 anos (Sunny Suljic), e Kim, de 14 (Raffey Cassidy). Nas margens desta idílica existência suburbana vive Martin (Barry Keoghan), um adolescente órfão de quem Steve cuida em segredo. Quando o jovem começa a insinuar-se na vida pessoal do médico, em ocasiões progressivamente mais inquietantes, tornam-se claras a suas intenções e Steven é confrontado com uma transgressão há muito esquecida que destrói para sempre a felicidade doméstica dos Murphy.

Preciso Casar Contigo, Pá (2017)
Épouse-moi mon pote
Yassine, um promissor arquitecto marroquino, decide viajar para Paris a fim de concluir os estudos. Porém, tudo muda quando falta à entrevista para a renovação do visto. Para conseguir permanecer no país, só lhe resta uma solução: suplicar a Fred, o seu melhor amigo, que case com ele.

Um Desastre de Artista (2017)
The Disaster Artist
Um aspirante a actor (Dave Franco) conhece um enigmático desconhecido que dá pelo nome de Tommy Wiseau (James Franco). O encontro leva o actor a um caminho absolutamente inesperado e à criação do pior filme alguma vez feito.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2017

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2017 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam. A ordem poderia ser outra já que, para mim, estão todos mesmo muito equilibrados. Eis os meus 10 favoritos de 2017 (estreados no circuito comercial de cinema em Portugal).

As festas, os poemas, a ambição e desejo de criar, sonhar com a arte, viver numa liberdade ilusória mas inebriante... Al Berto contagia-nos com o universo tão único que se vive dentro daquele velho palácio que é de todos e de ninguém. Em contraste com uma terra parada nos velhos costumes do salazarismo - e, ao mesmo tempo, dominada pelo poder desmedido que todos acreditavam ter depois do 25 de Abril -, a vida no palácio é totalmente paradoxal à do resto de Sines. Eles não têm medo de quebrar regras, de ameaças, de se expressar e amar livremente, não têm medo de viver. E Al Berto, afinal, só quer o melhor para esta vila que tão mal o recebe de volta: quer modernidade, solidariedade e cultura.

Mais adulto que o seu predecessor, T2 Trainspotting é como um velho amigo que não vemos há muito tempo e está de regresso. Do muito que possa ter mudado em duas décadas, o mais importante ficou na mesma: a amizade. Os conflitos sucedem-se, bem como as aventuras mais surreais, com Mark e Sick Boy ao comando, Spud como pacificador criativo e Begbie, incorrigível. T2 Trainspotting foi a nossa droga cinematográfica no início de 2017. O reencontro soube-nos bem e as escolhas continuam a ser nossas. Nada como "Escolher a vida".

A câmara não pára, tal como é inquietante o ambiente dentro e fora daquele motel. Trememos e tememos por aqueles jovens encostados à parede. Condenamos e testemunhamos a brutalidade e falta de ética e escrúpulos daqueles polícias, mas somos mais uma testemunha silenciada. A realizadora sabe como exaltar os nossos ânimos sem alaridos, sem exageros, é tudo cru e realista. Kathryn Bigelow e Mark Boal reforçam o seu talento como dupla corajosa ao trazer, com dignidade, para o grande ecrã acontecimentos passados que nunca poderão ser esquecidos. 

A luta pela sobrevivência, o barulho ensurdecedor dos tiros, das explosões, dos gritos dos soldados, a solidão no meio de tantos, o estar encurralado entre o mar e a guerra. Tudo isto conta a História. Afinal, onde fica a esperança? Na pátria? Os dias passam e a ajuda tarda, o inimigo sobrevoa a praia, as mortes sucedem-se e não há como fugir ou esconder-se. É nos olhos vazios e inocentes dos jovens soldados que as emoções se reflectem. Poucas palavras, muita acção e desalento. Christopher Nolan sabe o que faz e em 65mm.

Da opressão, surge a revolta, depois a emancipação. Um drama de época com uma protagonista tão inocente como feroz, ela ama tão impiedosamente como se vinga. Com Lady Macbeth, William Oldroyd filma um perverso retrato de emancipação feminina, uma luta pela liberdade individualista, capaz de tudo. A beleza e a fraqueza juntam-se numa perigosa equação e o resultado é a nossa inevitável derrota perante esta mulher tão à frente do seu tempo.

A arte parece desistir e aumentar o ridículo das relações humanas. Seja pela sua forma, pouco compreendida pelos leigos, seja pela interacção que estabelece com o seu público, que não lhe sabe corresponder. Conversas interrompidas - ou espiadas - por esculturas que mexem, um artista com tiques de primatas num jantar de gala, um encontro romântico com um macaco como colega de casa... Da apatia ou incapacidade de reagir, rapidamente se passa para os extremos, a violência, os instintos a comandar o Homem racional. O Quadrado ataca preconceitos, coloca o inesperado perante os nossos olhos e espera que reajamos melhor que as personagens.

Um retrato irónico e actual de uma sociedade de loucuras e excessos, onde as aparências iludem e todos querem o mesmo. Ben Wheatley cria um conjunto de sensações atordoantes, que se misturam com o emaranhado de corpos que se tocam nos corredores do arranha-céus. As cores, lânguidas ou vibrantes, transmitem ainda mais a loucura que ali se vive. Ao mesmo tempo, planos cativantes, o uso da câmara lenta em ocasiões-chave, um caleidoscópio pelo meio e eis que a obra nasce.

Paterson é a poesia do quotidiano. Jim Jarmusch dá-nos uma lição de vida ao mostrar como a mais pacata das existências pode resultar num belo poema sem rima. Adam Driver conduz tão bem o seu autocarro como o protagonista deste filme, e embala-nos ao ritmo lento da sua vida. O protagonista vive tranquilo e, tal como a sua caneca de cerveja, são mais as vezes em que o copo está meio cheio do que meio vazio. 

E quando a doença não é física, mas social? Kleber Mendonça Filho responde com Aquarius. Um retrato de uma sociedade, onde injustiça e desigualdade imperam. Clara é o Brasil ameaçado, destroçado. Sonia Braga é a mulher assombrada pela morte, mas que vive a vida com tudo aquilo a que tem direito. Apesar de tudo, os perigos aumentam e a vigília constante torna-se incomportável. Um conflito terrível toma conta da protagonista, mas também da plateia que se vê a recear pela segurança de Clara. Aquarius é uma perseguição, uma sociedade sem rei nem roque, onde ainda há resistentes que clamam pela justiça.

Connie faz tudo pelo irmão, mas é inconsciente e inconstante, com ausência de valores. Para si, tudo é válido para alcançar um vida melhor para o irmão, contra a lei, contra o socialmente aceite. Curioso é que ele parece realmente não perceber o quão errado está e que, na realidade, nada do que faz é benéfico para Nick. Ele é criminoso com um propósito de fazer o bem, ou assim o acha. Assistimos a situações tão caricatas e inacreditáveis que vamos rir com a desgraça alheia. mas Good Time está longe de ser uma comédia. É um filme que magoa e nos aproxima das personagens. Nós que somos ainda mais impotentes que os dois irmãos.

Os Melhores do Ano: Top 20 [20º-11º] #2017

2018 já começou mas estamos sempre a tempo de fazer o balanço do ano que terminou. Sobre 2017, o Hoje Vi(vi) um Filme apresenta, como de costume, o seu top 20 (sempre tendo em conta a estreias no circuito comercial de cinema em Portugal ao longo do ano) do que de melhor se fez no cinema.

Aqui ficam os meus eleitos, do 20º ao 11º lugares.

Baseado no livro homónimo de Stephen King, It, realizado por Andy Muschietti, vem relembrar a todos que a maior fraqueza do Homem são os seus medos. Um filme de terror como já se tinha saudades, com um aterrador palhaço como vilão. Muschietti consegue criar um ambiente onde o perigo espreita nas sarjetas e faz-se acompanhar por um balão vermelho, tornando pesado e aterrorizante o dia-a-dia dos protagonistas. As cores fortes e alegres do palhaço contrastam fortemente com o que ele simboliza. Olhos bem abertos e cuidado! É preciso aprender a distinguir o real da alucinação.

Ele Vem à Noite constrói-se em redor da desconfiança permanente em que vive a família protagonista. Perante um inimigo invisível - será algo sobrenatural, a doença ou os humanos? - o estado de alerta é total e a tranquilidade não faz parte do dicionário. Uma única porta dá acesso ao exterior e quem por ali entra deve ser escrutinado até à exaustão. A mínima mudança na rotina pode arruinar a vida da família, que acredita que o perigo espreita entre as árvores da floresta. Ele Vem à Noite pode ser encarado como um retrato psicossocial hiperbolizado (mas não muito) da sociedade ocidentalizada. O medo é o demónio que aterroriza aquela casa e os monstros são cada um dos Homens.

A Força está com Rian Johnson e com Star Wars: Os Últimos Jedi, um filme emotivo desde o início, ou não fosse o último de Carrie Fisher enquanto a eterna Princesa Leia. Por outro lado, neste novo capítulo da saga, Rian Johnson segue um caminho ligeiramente diferente do seu antecessor. Cria excelentes momentos de humor, a par de uma história com bons plot twists e dá profundidade psicológica às personagens, desde as principais às secundárias. São duas horas e meia que passam a voar na sala de cinema mesmo que este seja o capítulo mais longo da saga que, por coincidência, completa 40 anos este ano. É uma excelente forma de comemorar a data.

17. A Cidade Perdida de Z (The Lost City of Z), de James Gray, 2016
James Gray regressou com uma fabulosa história de exploradores. Entre as florestas tropicais, o rio Amazonas, as tribos de índios e os perigos que por ali espreitam, A Cidade Perdida de Z acompanha a jornada de sonhos, lendas e muita força de vontade do inglês Percy Fawcett, no início do século XX. A par das imagens, as interpretações de Charlie HunnamRobert Pattinson adicionam valor a um filme que passou mais despercebido do que merecia.

É neste enredo simples de descoberta da amizade e do amor que surgem temas mais sensíveis como a morte, pedofilia, alcoolismo, toxicodependência, etc. A abordagem é directa e inocente, aos olhos de uma criança, onde o bem e o mal já começam a estar definidos. Cada um dos pequenos órfãos convive à sua maneira com a solidão que sente, bem como a falta de amor paternal, manifestando-o das mais distintas formas, desde a timidez à agressividade. E assim se forma aquela família de órfãos, professores e tutores, onde a felicidade das crianças vem acima de tudo. Ali cultivam-se valores e constroem-se personalidades fortes.

Podia ser uma simples história de amores proibidos mas não é. Está muito longe disso. Há personagens e atitudes sinistras por toda a parte, rituais desconhecidos, todos agem de forma estranha, fazendo-nos temer por Chris, mas, ao mesmo tempo, tratando-o o melhor possível. O telemóvel e a curiosidade do protagonista são duas armas poderosas à medida que o filme avança e que os segredos começam a ser revelados. Foge é um alerta, irónico e sarcástico, mas, igualmente adulto e singular na sua forma e propósito. Uma excelente surpresa na estreia de Jordan Peele na realização. 

Ao longo de mais de duas horas, aceitamos o convite para conhecer este mundo alienado, onde as drogas conduzem a diversão e a adrenalina, e os jovens, quais zombies modernos, passam as noites, sem dormir, sem fraquejar - fraquejos só são admitidos nas coisas do coração. Em transe, seguimos o rumo da história, que, tal como os jovens, não o tem. Acompanhamos conversas ilógicas, tentativas de conquista, sempre ao som da insistente banda sonora, inseparável companheira de festa.

Moonlight é um filme de auto-descoberta, com um argumento que explora a toxicodependência, o bullying e a homossexualidade. O filme de Barry Jenkins apregoa a liberdade de ser escolher e sonhar, para que todos possam brilhar como o luar, sem preconceitos.


Comovente, romântico e sonhador são qualidades do mais recente filme do empenhado Damien Chazelle. Só mesmo o argumento apressado quebra ligeiramente a magia do musical moderno que homenageia os veteranos. No entanto, é fácil deixarmo-nos levar pelas danças, música, nostalgia e, principalmente, pelo casal protagonista: Ryan Gosling e Emma Stone. O La La Land inesquecível chegaria daqui a uns anos, na sua plenitude. 

11. A Criada (Ah-ga-ssi; The Handmaiden), de Park Chan-wook, 2016
Park Chan-wook é surpreendente, assim como a dupla de actrizes que protagonizam A Criada. Um filme subversivo, violento, erótico e provocador, dividido em três partes que nos dão a conhecer a história a partir de diferentes pontos de vista. Surpreendente, viciante e tecnicamente exemplar, como o realizador já nos tem habituado.

Bandas Sonoras #2

A começar o novo ano, vamos descobrir a banda sonora de Star Wars: Os Últimos Jedi, o mais recente filme da saga Guerra das Estrelas. John Williams segue como compositor "oficial", desde o filme de 1977, e tem continuado a compor para todos os filmes da saga principal - Rogue One: Uma História de Star Wars terá sido a excepção dentro do universo, até agora.


O álbum tem 20 temas, a rondar sempre o épico que o filme carrega consigo. A faixa 1 faz-nos desde logo percorrer 40 anos de História cinematográfica da saga, com o tema que todos tão bem conhecemos e logo associamos a Luke Skywalker, Princesa Leia e Han Solo. Seguem-se as novas composições, a condizer com as aventuras e mistérios do grande ecrã. 

A faixa 9, Canto Bight, curiosamente, transporta-nos para um ambiente totalmente diferente, de ritmos mais latinos e jazzy - e acompanha uma cena do filme onde somos transportados igualmente para uma realidade diferente de festas à beira-mar.


São 20 temas dinâmicos, enérgicos, que nos contagiam com a alma de Star Wars. Destaque para o livrete do CD com imagens do filme de Rian Johnson.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Crítica: Lady Macbeth (2016)

"Take your nightdress off. Face the wall. Face the wall!"
Alexander


*8.5/10*

Lady Macbeth é uma surpresa feminista. Da opressão, surge a revolta, depois a emancipação. A plateia apaixona-se por este drama de época com uma protagonista tão inocente como feroz, ela ama tão impiedosamente como se vinga.

Habituado às lides do teatro, William Oldroyd estreia-se nas longas-metragens com Lady Macbeth, baseada no livro de Nikolai Leskov. O realizador dá espaço e tempo às personagens que conquistam a tela, em especial Florence Pugh.


Em 1865, na Inglaterra rural, Katherine vive oprimida pelo seu casamento de conveniência com um homem azedo com o dobro da sua idade e pelo pai deste. Quando se envolve com um trabalhador da propriedade, sente libertar-se dentro de si uma força tão poderosa que nada a deterá para conseguir o que deseja.

Katherine é a jovem mulher que acompanhamos no seu, à partida, trágico fado. Nem emoções, nem aventura, nem sexo. Ela é uma boneca de porcelana que não sai de casa, mas tem de se manter acordada, de se apresentar exemplarmente vestida, tenha ou não visitas. Deve obedecer ao marido que pouco olha para ela, ao sogro que a julga e subjuga e quase até às criadas que a vigiam e denunciam.


Mas, afinal, ela é aguerrida e farta-se da sua situação de quase-prisioneira. Torcemos por ela e pelo amor proibido que descobre num jovem empregado da casa. Gostamos de vê-la lutar pela liberdade, pela sua feminilidade, pelo amor e pelo seu lugar na casa e na sociedade. Todavia, assustamo-nos com a faceta maquiavélica que Katherine revela, inesperada, fascinante. A evolução da personagem é surpreendente e Florence Pugh interpreta-a sem tabus, sem receios, num desempenho poderoso.

A história e os cenários lembram-nos Monte dos Vendavais. A direcção de fotografia faz um trabalho excelente com cores soberbas e frias. A cor azul turquesa do vestido de Katherine parece condizer com o seu coração gelado.


Com Lady Macbeth, William Oldroyd filma um perverso retrato de emancipação feminina, uma luta pela liberdade individualista, capaz de tudo. A beleza e a fraqueza juntam-se numa perigosa equação e o resultado é a nossa inevitável derrota perante esta mulher tão à frente do seu tempo.

Crítica: Detroit (2017)

"You don't talk about this to anyone, ever."
Krauss

*8/10*

Kathryn Bigelow já nos habituou a viagens no espaço ou no tempo, onde nos coloca no meio de um  conflito, normalmente, a guerra, e Detroit não é excepção. A máquina do tempo da realizadora leva-nos, desta vez, a 1967, à cidade que dá título ao filme, entre motins e violentas demonstrações de ódio racial.

Duas noites após o início dos motins de Detroit, o relato de um tiroteio nas proximidades de uma zona controlada pela Guarda Nacional fez com que o Departamento de Polícia de Detroit, a Polícia Estadual do Michigan, a Guarda Nacional do Michigan e um segurança privado invadissem e controlassem um anexo do vizinho Motel Algiers. Desrespeitando as regras em termos de procedimentos, vários polícias interrogaram de forma enérgica e perversa hóspedes do motel, levando a cabo um “jogo de morte”, numa tentativa de intimidar e levar alguém, fosse quem fosse, a confessar.


Clamamos por justiça, quase tanto como as vítimas neste filme, inspirado em factos reais. É arrepiante a violência física e psicológica a que a câmara de Bigelow nos expõe e a cineasta não pretende ser meiga. É fundamental alertar, mas, mais que isso, mostrar, denunciar, com base em todos os relatos ou arquivos da época.

A câmara não pára, tal como é inquietante o ambiente dentro e fora daquele Motel. Trememos e tememos por aqueles jovens encostados à parede. Condenamos e testemunhamos a brutalidade e falta de ética e escrúpulos daqueles polícias, mas somos mais uma testemunha silenciada. A realizadora sabe como exaltar os nossos ânimos sem alaridos, sem exageros, é tudo cru e realista.

No elenco, John Boyega e Will Poulter são os grandes motores da narrativa, num completo paradoxo de valores. Eles são a personificação da dicotomia "bem vs. mal" na acção. Boyega tem provavelmente a melhor interpretação da sua carreira e parece que a personagem do segurança privado Dismukes lhe deu a maturidade que Star Wars não foi capaz de dar. O jovem actor encerra em si um dilema imenso, quer proteger os inocentes mas mostrar que também está ali para fazer cumprir a lei. Sofre, sente-se intimidado, mas também intimida os polícias brancos no Motel. Releva-se uma personagem inesperada e fundamental para Detroit.


Will Poulter é o demoníaco agente Krauss, totalmente racista, violento, ignorante e cobarde. Aproveitando-se do poder que a farda e uma arma lhe dão, age por impulso, por medo, não tem valores nem ética. Poulter consegue construir uma personagem completamente repugnante que faz a plateia desejar que se faça justiça.

Kathryn Bigelow e Mark Boal reforçam o seu talento como dupla corajosa ao trazer, com dignidade, para o grande ecrã acontecimentos passados que nunca poderão ser esquecidos. Depois de Estado de Guerra e 00:30 Hora Negra, Detroit vem confirmar como esta parceria funciona.