domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sugestão da Semana #311

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Todo o Dinheiro do Mundo, de Ridley Scott. A crítica não tem sido meiga com o filme, que em cima da data de estreia substituiu Kevin Spacey por Christopher Plummer, mas nada como ver para crer. Plummer está nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário.

TODO O DINHEIRO DO MUNDO


Ficha Técnica:
Título Original: All the Money in the World
Realizador: Ridley Scott
Actores: Michelle Williams, Christopher Plummer, Mark WahlbergCharlie Plummer
Género: Biografia, Crime, Drama
Classificação: M/14
Duração: 132 minutos

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Crítica: A Forma da Água / The Shape of Water (2017)

"I'm not competitive, I don't want an intricate, beautiful thing destroyed!" 
Hoffstetler

*8/10*

Del Toro não tinha repetido, nem de perto, a magia de O Labirinto do Fauno, até realizar A Forma da Água. Este último ainda está longe da fórmula milagrosa de fazer cinema que o filme de 2006 trouxe. No entanto, recupera a aura de magia trágica e apresenta-nos um casal de protagonistas muito particular.

A fantasia desta história de encantar começa logo no primeiro plano, com narrador a acompanhar. Não faltam o monstro nem a guerra - as mais evidentes características partilhadas com O Labirinto do Fauno.


Em 1963, no auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária empregada de limpeza muda, que trabalha num laboratório governamental, vê a sua vida mudar para sempre quando, com a colega Zelda (Octavia Spencer), descobre o resultado de uma experiência ultrasecreta: um estranho ser aquático que vive num tanque.

Em A Forma da Água, o verdadeiro monstro é humano. O outro, que vive na pureza da água, pode ser tantas coisas, ter tantos significados, mas não é ele o vilão. Elisa e o ser aquático com que desenvolve uma relação são uma espécie de A Bela e o Monstro, mas, mais do que isso, são dois seres com muitas mais parecenças do que possamos pensar à partida. A água é o local onde se sentem mais à vontade, de onde ambos provêm, a origem exacta de cada um é desconhecida, e nenhum dos dois é capaz de falar, mas entendem-se perfeitamente. Ela estimula-o, acalma-o, ele fá-la feliz. O laço que criam e desenvolvem ao longo do filme é mágico, com sentimentos e emoções a flutuar sem serem precisas palavras, apenas gestos.


A direcção artística e a fotografia fazem um trabalho soberbo. Não só nos transportam para uma época de sombras e desconfiança, como criam toda a atmosfera visual e surreal que faz acreditar que tudo isto poderia mesmo ter acontecido. O facto de Elisa e o vizinho Giles viverem por cima de um cinema é uma das particularidades deliciosas de A Forma da Água. A banda sonora de Alexandre Desplat embala-nos como se estivéssemos a caminho de um conto de fadas... e não é que estamos mesmo? Mas um daqueles obscuros, sombrios e cruéis. 


Guillermo del Toro é inspirador. Voltou a sê-lo. Por muitas influências (demasiadas, por vezes) que A Forma da Água possa ter, o cineasta é capaz de criar um filme com identidade própria e com características que denunciam claramente a sua autoria - um misto de doçura, fantasia e violência.

O elenco, por sua vez, faz o resto. Sally Hawkins encarna esta mulher muda, corajosa e altruísta que parece descobrir a sua razão de viver e luta por ela. Aparenta uma imensa fragilidade mas revela-se muito desafiadora. Michael Shannon interpreta o verdadeiro monstro, de carne e osso, violento e bárbaro, com claros problemas relacionais. Uma espécie de sociopata que ambiciona mais poder e estatuto - e ele não desiste facilmente. Richard Jenkins e Octavia Spencer são personagens simpáticas que falam pelo que Sally Hawkins não diz, e conferem momentos divertidos à acção. São ainda um interessante símbolo das minorias - e são fundamentais na narrativa. E Doug Jones, claro, o actor que veste a pele do homem anfíbio tem um papel crucial e é capaz de expressar emoções tão ou mais humanas que as de outras personagens.


A violência não gera nada de bom e o amor é a melhor forma de comunicação. Guillermo del Toro prova-o em A Forma da Água e nós acreditamos e pedimos mais magia.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Flashbacks #4

A rubrica Flashbacks está de regresso para destacar mais um filme que marcou a minha vida cinematográfica. Durante a minha adolescência tinha por hábito alugar filmes de terror com a minha melhor amiga para vermos nas tardes livres, de preferência com a sala às escuras.

Entre as diversas experiências, vimos muitos filmes maus, remakes fraquinhos, etc., etc. Perdoem-nos mas a Internet quase não existia e escolhíamos mais tendo em conta a sinopse que outra coisa... éramos praticamente crianças.

Eis que um dos que mais me surpreendeu foi Mistério na Faculdade, de Robert Rodriguez. Agora, 20 anos depois, é curioso ver que o elenco contava com nomes como Elijah Wood, Salma Hayek, Jon Stewart, Josh HartnettJordana BrewsterUsher Raymond, entre outros.

Filme Que Me Lembra a Adolescência


Mistério na Faculdade (The Faculty), de Robert Rodriguez, 1998

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Estreias da Semana #311

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses oito novos filmes. As Cinquenta Sombras Livre e Todo o Dinheiro do Mundo são duas das estreias.

Abelha Maia: Os Jogos do Mel (2018)
Maya the Bee: The Honey Games
Abelha Maia 2 – Os Jogos do Mel começa com a Abelha Maia muito entusiasmada, mas a causar uma situação embaraçosa à Imperatriz de Buzztropolis. Por causa deste descuido, Maia terá de se desculpar juntando-se a um grupo de insectos inadaptados e competir nos Jogos do Mel. Mas a responsabilidade desta equipa é enorme. Se perderem os jogos, a imperatriz ficará com todo o mel que a colmeia conseguiu reunir no verão. Maia terá de se aventurar, conhecer novos amigos e enfrentar difíceis oponentes. Apesar de parecer uma missão impossível, Maia conta com a sua coragem, determinação e entusiasmo, assim como com Willi, com as formigas desajeitadas Arnie e Barney e com o seu conselheiro de sempre, o gafanhoto Flip.

Amor, Amor (2018)
Marta e Jorge namoram há sete anos. Todos pensam que vivem um amor perfeito. Demasiado perfeito, para desespero de todos: de Bruno, muito mais novo que Marta, mas loucamente apaixonado por ela; de Lígia, irmã de Bruno e melhor amiga de Marta, que adoraria ver o irmão feliz; de Carlos, amigo de Jorge, que mantendo um namoro superficial com Lígia, ama secretamente Marta; e de Jorge ele próprio, convencido de que o amor e casamento o farão perder a sua liberdade. Amor, Amor é a história destes amigos que, entre a noite de 31 de Dezembro e a madrugada de 1 de Janeiro, vivem todos os ziguezagues do amor. Há quem se descubra a si mesmo. Há quem encontre o amor verdadeiro. E há quem conheça o limite da liberdade. O fim de ano pode mudar tudo, mas não exactamente onde e como se espera.

As Cinquenta Sombras Livre (2018)
Fifty Shades Freed
Recém-casados e convencidos de que deixaram para trás os aspectos mais sombrios do passado, Christian e Anastasia assumem uma ligação inseparável e partilham uma vida de luxo. Mas assim que ela assume o papel de Sra. Grey e ele consegue alguma estabilidade, logo surgem novas ameaças que podem comprometer o final feliz antes deste sequer começar.

As Estrelas Não Morrem em Liverpool (2017)
Film Stars Don't Die in Liverpool
Baseado na autobiografia de Peter Turner, As Estrelas Não Morrem em Liverpool conta a história da alegre e apaixonada relação entre Turner (Jamie Bell) e Gloria Grahame (Annette Bening) uma excêntrica actriz outrora vencedora de um Oscar, mas já afastada da ribalta, que tenta relançar a carreira nos palcos de Liverpool. O que começa como um vibrante caso amoroso entre uma lendária mulher fatal do grande ecrã e um jovem actor, depressa se torna em algo mais profundo, com Turner a tornar-se na única pessoa em quem Gloria pode confiar. A paixão e sede de viver de ambos serão, contudo, postas à prova por acontecimentos que não conseguem controlar.

Beuys (2017)
Documentário sobre o escultor e artista performativo alemão, Joseph Beuys. A partir de imagens de arquivo inéditas, Andres Veiel cria um retrato íntimo de Beuys que, tal como o próprio artista, abre espaço para muitas questões. 30 anos após a sua morte, Beuys parece ser ainda um visionário à frente do seu tempo. O realizador apresenta o ser humano, a sua obra e as suas ideias, com o conceito expandido de arte que colocou em prática a lançá-lo num contexto de debates sociais que ainda hoje são relevantes.

Bilal: A Lenda (2016)
Bilal: A New Breed of Hero
Há mil anos, um rapaz que sonhava tornar-se um grande guerreiro é raptado juntamente com a irmã e ambos são levados para uma terra longínqua. Atirado para um mundo onde imperam a ganância e a injustiça, Bilal encontra a coragem para fazer ouvir a sua voz e provocar a mudança. Inspirado em acontecimentos verídicos, esta é a história de um verdadeiro herói que conquistou o seu lugar na História.

Olhares, Lugares (2017)
Visages, villages
Um documentário de Agnès Varda e JR, duas pessoas que partilham a paixão pelas imagens, por questioná-las e pelos locais e formas de as mostrar e partilhar. Agnès escolheu o cinema. JR escolheu as galerias de fotos ao ar livre. Quando os dois se encontraram em 2015, quiseram imediatamente trabalhar juntos, rodar um filme em França, longe das cidades, viajando com o camião fotográfico (e mágico) de JR. Foram falar com outras pessoas, ouviram-nas, fotografaram-nas e, às vezes, postaram. O filme conta também a história da sua amizade que cresceu durante a filmagem, entre surpresas e provocações, rindo das suas diferenças.

Todo o Dinheiro do Mundo (2017)
All the Money in the World
John Paul Getty III (Charlie Plummer), um adolescente de 16 anos e neto do magnata do petróleo JP Getty (Christopher Plummer), é raptado. Ao perceber que os raptores exigem uma quantia exorbitante, a sua mãe, Gail (Michelle Williams), dirige-se ao sogro em busca de ajuda, mas Getty recusa-se a pagar o resgate... Com a vida do filho em jogo e numa corrida contra o tempo, Gail faz tudo para convencê-lo.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Momentos Para Recordar #44

Hoje o Momentos Para Recordar traz uma grande interpretação de Angelina Jolie, num bom filme de Clint Eastwood. Baseado na história real de Christine Collins, A Troca é absorvente e muito intenso. É impossível não ficarmos indignados com a história desta mulher.

A Troca (Changeling)Clint Eastwood (2008)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sugestão da Semana #310

Hoje a Sugestão da Semana é a dobrar. Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme destaca os dois nomeados para o Oscar de Melhor Filme: A Forma da Água, de Guillermo del Toro, e Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson.

A FORMA DA ÁGUA


Ficha Técnica:
Título Original: The Shape of Water
Realizador: Guillermo del Toro
Actores: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Doug Jones, Michael Stuhlbarg, Octavia Spencer
Género: Drama, Fantasia, Romance
Classificação: M/16
Duração: 123 minutos



LINHA FANTASMA


Ficha Técnica:
Título Original: Phantom Thread
Realizador: Paul Thomas Anderson
Actores: Daniel Day-Lewis, Lesley Manville, Vicky Krieps, Camilla Rutherford, Richard Graham, Jane Perry, Pip Phillips
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 130 minutos

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Estreias da Semana #310

No primeiro dia de Fevereiro, chegaram aos cinemas portugueses cinco novos filmes, três deles nomeados para os Oscars: A Forma da Água, Linha Fantasma e Loveless - Sem Amor (este na corrida para Melhor Filme Estrangeiro).

A Forma da Água (2017)
The Shape of Water
Em 1963, durante o auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária empregada de limpeza muda que trabalha num laboratório governamental, vê a sua vida mudar para sempre quando, com a sua colega Zelda (Otavia Spencer), descobre o resultado de uma experiência ultrasecreta: um estranho ser aquático que vive num tanque.

Linha Fantasma (2017)
Phantom Thread
Passado nos anos 50, Phantom Thread narra a vida do estilista fictício Reynolds Woodcock, o principal nome do glamour londrino dos anos 50, responsável pelo guarda-roupa de membros da Família Real, estrelas de cinema, figuras da alta sociedade, debutantes e damas com o distinto estilo da Casa Woodcock.

Loveless - Sem Amor (2017)
Loveless
Um casal em processo de divórcio é forçado a unir-se para encontrar o filho que desapareceu durante uma das suas discussões.

Patrulha de Gnomos (2017)
Gnome Alone
Chloe e a mãe vão mais uma vez mudar de casa. Forçada a ir viver para uma velha casa cheia de gnomos de jardim, em pouco tempo Chloe descobre que nela se esconde algo assustador e importante. Depois da escola, Chloe e um vizinho abelhudo chamado Liam descobrem que os gnomos estão vivos! Afinal, há anos que protegem o planeta de pequenos monstros malvados chamados Troggs, que invadiram a casa através de um portal de outro mundo. Quando a única solução para deter os Troggs cai em mãos erradas, Chloe e Liam unem-se a um grupo de gnomos maltrapilhos para combater a invasão dos Troggs e salvar o planeta!

Veronica (2017)
Madrid, na década de 90. Após usar uma tábua de Ouija com algumas amigas, Veronica é assediada por presenças sobrenaturais que querem magoar a sua família.

Crítica: The Post (2017)

 "The press was to serve the governed, not the governors."

*7/10*

Nos tempos áureos em que o jornalismo era o quatro poder, os jornais norte-americanos coleccionaram histórias de denúncia das mentiras dos governos ou outros órgãos de poder e influência na sociedade. Ao longo dos anos, sucedem-se os filmes - inspirados ou não em factos reais - sobre casos onde o jornalista foi um herói: o recente O Caso Spotlight (2015), Boa Noite, e Boa Sorte (2005), O Informador (1999), Os Homens do Presidente (1976), A Última Ameaça (1952), O Grande Carnaval (1951), O Mundo a Seus Pés (1941), O Grande Escândalo (1940), entre tantos outros.

Claro que quando a ficção tem por base casos verídicos, as atenções são ainda maiores. The Post tem esse bónus e ainda é realizado por Steven Spielberg e protagonizado por Meryl Streep e Tom Hanks. Eis os ingredientes ideais para um filme de sucesso.


Katharine Graham (Meryl Streep) do Washington Post, a primeira mulher na liderança de um dos principais jornais norte-americanos, alia-se a Ben Bradlee (Tom Hanks), o editor do jornal, e entram na corrida com o New York Times para expor um dos maiores segredos governamentais que durou três décadas e passou por quatro presidentes americanos. Os dois protagonistas têm de ultrapassar as suas diferenças enquanto arriscam as carreiras e a própria liberdade para desenterrar verdades há muito escondidas do público.

Mais um hino à liberdade de imprensa, contra qualquer censura, onde a guerra do Vietname é a temática secreta para o governo de Nixon (e seus antecessores). De repente, a censura queria entrar, em plenos anos 70, pelas redacções e proibir a publicação de factos. Os então chamados Pentagon Papers foram ouro nas mãos dos jornalistas.


Spielberg conta esta história que opõe jornalistas ao governo e fá-lo bem à sua maneira. Sucedem-se os planos sequência, onde seguimos as personagens, a direcção de fotografia faz-nos entrar ecrã adentro directamente para a época do filme, num trabalho estupendo de Janusz Kaminski.

É grande igualmente o destaque que o realizador dá ao papel de Katherine Graham, a mulher entre os homens, alvo de desconforto da parte masculina e de admiração das mulheres que ainda não conseguiram a emancipação. Meryl Streep e Tom Hanks estão à vontade nas suas personagens. Ela, uma mulher pioneira em cargos de poder, perturbada com o dilema em que a sua posição a coloca. Ele, decidido e corajoso, o editor que tem a verdade nas mãos.


The Post é um bom filme de jornalistas, mais um que se junta ao rol acima enunciado. Não é o melhor Spielberg de sempre mas traz-nos o cineasta, fiel a si mesmo, com uma equipa de peso a acompanhá-lo.