domingo, 4 de março de 2018

Estreias da Semana #314

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses sete novos filmes. A Agente Vermelha, Geada e Ramiro são algumas das estreias.

A Agente Vermelha (2018)
Red Sparrow
Quando sofre uma lesão que põe fim à sua carreira de bailarina clássica, Dominika Egorova e a sua mãe enfrentam um futuro sombrio e incerto. Facilmente manipulada, torna-se na mais recente recruta de uma escola russa de agentes secretos encarregada de treinar jovens excepcionais como ela para usarem os seus corpos e mentes como armas. Após um programa de treino perverso e sádico, revela-se a mais perigosa agente que o programa já produziu. Obrigada a conciliar a pessoa que era com o poder que agora detém, durante a primeira missão conhece um agente americano da CIA que tenta convencê-la de que ele é a única pessoa em quem Dominika pode confiar.

Atos de Vingança (2017)
Acts of Vengeance
As acções falam mais alto que as palavras. É o que pensa o advogado criminal Frank Valera (Antonio Banderas) que faz um voto de silêncio e transforma o seu corpo e mente para embarcar numa missão de vingança pelo assassínio da sua esposa e da filha.

Geada (2017)
Šerkšnas
Rokas e Inga, um casal de jovens lituanos, oferecem-se para conduzir uma carrinha com ajuda humanitária até à Ucrânia. Uma súbita mudança de planos deixa-os entregues a si próprios enquanto atravessam as vastas paisagens nevadas da região do Donbass em busca de aliados e de abrigo, cruzando-se com as vidas daqueles que foram afectados pelos combates. Apesar do perigo, aproximam-se da linha da frente. Ao mesmo tempo, sentem-se mais próximos um do outro, à medida que compreendem o significa viver uma guerra.

Mark Felt - O Homem que Derrubou a Casa Branca (2017)
Mark Felt: The Man Who Brought Down the White House
Esta é a história do anónimo mais famoso da história americana: Mark Felt, o vice-presidente do FBI, conhecido como "Garganta Funda", que sob o pseudónimo de "Deep Throat" ajudou os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein a descobrir o escândalo Watergate, em 1974. A identidade desta figura foi um mistério durante mais de 30 anos, até que Felt se revelou ao mundo num artigo da Vanity Fair publicado em 2005. O filme dá a conhecer a vida privada e profissional de Felt, que arriscou tudo para dar a conhecer as escutas telefónicas colocadas na sede do partido da oposição com o conhecimento do Presidente Richard Nixon.

O Segredo de Marrowbone (2017)
Marrowbone
Em 1969, na América rural, Jack, de 20 anos, e os seus irmãos mais novos, Jane, Billy e Sam, vivem na antiga mansão da família Marrowbone, uma herdade em ruínas abandonada há muitos anos. Após a morte da mãe, o medo de serem enviados para um orfanato leva os irmãos a enterrar o corpo no jardim da casa e a manter o acontecimento em segredo até Jack completar 21 anos. Nas visitas semanais à aldeia, Jack conhece Allie, uma jovem que administra a biblioteca local e se torna na sua única amiga. A situação complica-se quando um advogado exige dinheiro e a assinatura da mãe para transferir a posse da propriedade. É nessa altura que Billy decide abrir a caixa que sempre tentaram manter afastada e que acham ser assombrada…

Passo a Passo (2017)
Patients
Tomar banho, vestir-se, andar, jogar basquetebol, são coisas que Ben (Pablo Pauly) já não consegue fazer quando chega ao centro de reeducação, após um grave acidente. Os seus novos amigos são tetraplégicos, paraplégicos, pessoas com traumatismos cranianos, enfim, a "elite" dos deficientes. Juntos vão aprender a ter paciência. Irão resistir, cansar-se, culpar, seduzir, mas acima de tudo encontrar energia para reaprender a viver.

Ramiro (2017)
Ramiro é alfarrabista em Lisboa e poeta em perpétuo bloqueio criativo. Vive, algo frustrado, algo conformado, entre a sua loja e a tasca, acompanhado pelo cão, pelos fieis companheiros de copos e pelas vizinhas: uma adolescente grávida e a avó a recuperar de um AVC. De bom grado continuaria nesse quotidiano pacato e algo anacrónico se eventos dignos da telenovela da noite não invadissem essa bolha.

sábado, 3 de março de 2018

Oscars 2018: As Previsões

Como todos os anos, é o momento em que faço as minhas apostas para a noite dos Oscars. Será que as minhas previsões vão bater certo com os vencedores? É esperar para ver. Façam as vossas apostas e conheçam as minhas:


Melhor Filme
Ganha: Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)
Com possibilidades: A Forma da Água (The Shape of Water)
Devia Ganhar: Linha Fantasma (Phantom Thread) ou Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)

Melhor Actor
Ganha: Gary Oldman, A Hora Mais Negra (Darkest Hour)
Com possibilidades: Daniel Day-Lewis, Linha Fantasma (Phantom Thread)
Devia Ganhar: Timothée Chalamet, Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me By Your Name)

Melhor Actriz
Ganha: Frances McDormand, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)
Com Possibilidades: Margot Robbie, Eu, Tonya (I, Tonya)
Devia Ganhar: Frances McDormand, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)

Melhor Actor Secundário
Ganha: Sam Rockwell, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)
Com Possibilidades: Christopher Plummer, Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World)
Devia Ganhar: Christopher Plummer, Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World) ou Sam Rockwell, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)

Melhor Actriz Secundária
Ganha: Allison Janney, Eu, Tonya  (I, Tonya)
Com Possibilidades: Laurie Metcalf, Lady Bird
Devia Ganhar: Allison Janney, Eu, Tonya  (I, Tonya) ou Mary J. Blige, Mudbound - As Lamas do Mississípi

Melhor Realizador
Ganha: Guillermo del Toro, A Forma da Água (The Shape of Water)
Com possibilidades: Jordan Peele, Foge (Get Out)
Devia Ganhar: Christopher Nolan, Dunkirk ou Paul Thomas Anderson, Linha Fantasma (Phantom Thread)

Melhor Argumento Original
Ganha: Foge (Get Out) - Jordan Peele
Com possibilidades: Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri) - Martin McDonagh
Devia Ganhar: Foge (Get Out) - Jordan Peele

Melhor Argumento Adaptado
Ganha: Chama-me Pelo teu Nome (Call Me By Your Name) - James Ivory
Com possibilidades: Um Desastre de Artista (The Disaster Artist ) - Scott Neustadter e Michael H. Weber
Devia Ganhar: Um Desastre de Artista (The Disaster Artist ) - Scott Neustadter e Michael H. Weber

Melhor Filme de Animação
Ganha: Coco
Com Possibilidades: A Paixão de Van Gogh (Loving Vincent)

Melhor Filme Estrangeiro
Ganha: O Quadrado (The Square), Suécia
Com possibilidades: Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantástica), Chile

Melhor Fotografia
Ganha: Blade Runner 2049 - Roger A. Deakins
Com possibilidades: A Forma da Água (The Shape of Water) - Dan Laustsen
Devia Ganhar: Blade Runner 2049 - Roger A. Deakins

Melhor Montagem
Ganha: Dunkirk - Lee Smith
Com possibilidades: Eu, Tonya (I, Tonya) - Tatiana S. Riegel
Devia Ganhar: Dunkirk - Lee Smith ou Baby Driver - Alta Velocidade - Paul Machliss e Jonathan Amos

Melhor Design de Produção
Ganha: A Forma da Água (The Shape of Water) - Paul Denham Austerberry, Shane Vieau e Jeff Melvin
Com possibilidades: Blade Runner 2049 - Dennis Gassner e Alessandra Querzola
Devia Ganhar: A Forma da Água (The Shape of Water) - Paul Denham Austerberry, Shane Vieau e Jeff Melvin ou Blade Runner 2049 - Dennis Gassner e Alessandra Querzola

Melhor Guarda-Roupa
Ganha: Linha Fantasma (Phantom Thread) - Mark Bridges
Com possibilidades: A Bela e o Monstro (Beauty and the Beast) - Jacqueline Durran
Devia Ganhar: Linha Fantasma (Phantom Thread) - Mark Bridges

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Ganha: A Hora Mais Negra (Darkest Hour) - Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick
Com Possibilidades: Wonder - Encantador - Arjen Tuiten

Melhor Banda Sonora Original
Ganha: A Forma da Água (The Shape of Water) - Alexandre Desplat
Com possibilidades: Linha Fantasma (Phantom Thread) - Jonny Greenwood
Devia Ganhar: A Forma da Água (The Shape of Water) - Alexandre Desplat ou Linha Fantasma (Phantom Thread) - Jonny Greenwood

Melhor Canção Original
Ganha: "This is Me", O Grande Showman (The Greatest Showman) - Benj Pasek e Justin Paul
Com Possibilidades: "Remember Me", Coco - Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez

Melhor Efeitos Sonoros
Ganha: Dunkirk - Mark Weingarten, Gregg Landaker e Gary A. Rizzo
Com possibilidades: Baby Driver - Alta Velocidade - Julian Slater, Tim Cavagin e Mary H. Ellis
Devia Ganhar: Dunkirk - Mark Weingarten, Gregg Landaker e Gary A. Rizzo

Melhor Montagem de Som
Ganha: Dunkirk - Richard King e Alex Gibson
Com possibilidades: Baby Driver - Alta Velocidade - Julian Slater
Devia Ganhar: Dunkirk - Richard King e Alex Gibson ou Baby Driver - Alta Velocidade - Julian Slater

Melhor Efeitos Visuais
Ganha: Planeta dos Macacos: A Guerra (War for Planet of the Apes) - Joe Letteri, Daniel Barrett, Dan Lemmon e Joel Whist
Com possibilidades: Blade Runner 2049 - John Nelson, Gerd Nefzer, Paul Lambert e Richard R. Hoover

Melhor Documentário
Ganha: Last Men in Aleppo
Com Possibilidades: Faces Places

Melhor Curta Documental
Ganha: Heroin(e)

Melhor Curta de Animação
Ganha: Negative Space

Melhor Curta
Ganha: DeKalb Elementary

Relembra todos os nomeados aqui.

Prémios César 2018: Os Vencedores

Foram esta noite conhecidos os vencedores dos prémios César. 120 Batimentos por Minuto e Au Revoir Là-Haut foram os filmes mais premiados. Conhece todos os vencedores:


MELHOR FILME
120 Batimentos por Minuto
O Espírito da Festa 
Au Revoir Là-Haut
Barbara
Le Brio
Passo a Passo 
Petit Paysan

MELHOR PRIMEIRO FILME
Raw
Jeune Femme
Monsieur e Madame Adelman
Passo a Passo
Petit Paysan

MELHOR REALIZAÇÂO
Albert Dupontel (Au Revoir Là-Haut)
Eric Toledano, Olivier Nakache (O Espírito da Festa)
Hubert Charuel (Petit Paysan)
Julia Ducournau (Raw)
Mathieu Amalric (Barbara)
Michel Hazanavicius (Le Redoutable)
Robin Campillo (120 Batimentos por Minuto)

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
120 Batimentos por Minuto
O Espírito da Festa
Barbara
Raw
Petit Paysan

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Au Revoir Là-Haut
Le Redoutable
As Guardiãs
Passo a Passo
La Promesse de l'Aube

MELHOR ACTRIZ
Charlotte Gainsbourg (La Promesse de L'Aube)
Doria Tillier (Monsieur e Madame Adelman)
Emmanuelle Devos (Numéro Une)
Jeanne Balibar (Barbara)
Juliette Binoche (O Meu Belo Sol Interior)
Karin Viard (Ciúme)
Marina Foïs (L’Atelier)

MELHOR ACTOR
Albert Dupontel (Au Revoir Là-Haut)
Daniel Auteuil (Le Brio)
Guillaume Canet (Rock’n Roll)
Jean-Pierre Bacri (O Espírito da Festa)
Louis Garrel (Le Redoutable)
Reda Kateb (Melodias de Django)
Swann Arlaud (Petit Paysan)

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Adèle Haenel (120 Batimentos por Minuto)
Anaïs Demoustier (La Villa)
Laure Calamy (Ava)
Mélanie Thierry (Au Revoir Là-Haut)
Sara Giraudeau (Petit Paysan)

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Antoine Reinartz (120 Batimentos por Minuto)
Gilles Lellouche (O Espírito da Festa)
Laurent Lafitte (Au Revoir Là-Haut)
Niels Arestrup (Au Revoir Là-Haut)
Vincent Macaigne (O Espírito da Festa)

MELHOR ACTRIZ REVELAÇÃO
Camélia Jordana (Le Brio)
Eye Haïdara (O Espírito da Festa)
Garance Marillier (Raw)
Iris Bry (As Guardiãs)
Laetitia Dosch (Jeune Femme)

MELHOR ACTOR REVELAÇÃO
Arnaud Valois (120 Batimentos por Minuto)
Benjamin Lavernhe (O Espírito da Festa)
Finnegan Oldfield (Marvin)
Nahuel Perez Biscayart (120 Batimentos por Minuto)
Pablo Pauly (Patients)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
12 Jours
A voix haute - La force de la parole
Carré 35
Eu Não Sou O Teu Negro
Olhares Lugares

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Dunkirk
L'Échange des Princesses
La La Land - Melodia de Amor
The Nile Hilton Incident
Noces
Loveless – Sem Amor
O Quadrado

MELHOR ANIMAÇÃO
Le Grand Méchant Renard et autres contes...
Sahara
Zombillénium

MELHOR FOTOGRAFIA
120 Batimentos por Minuto
Au Revoir Là-Haut
Barbara
Le Redoutable
As Guardiãs

MELHOR MONTAGEM
120 Batimentos por Minuto
O Espírito da Festa
Au Revoir Là-Haut
Barbara
Petit Paysan

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
120 Batimentos por Minuto
Au Revoir Là-Haut
Barbara
Le Redoutable
La Promesse de L'Aube

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
120 Batimentos por Minuto
Au Revoir Là-Haut
Raw
Petit Paysan
Olhares Lugares

MELHOR SOM
120 Batimentos por Minuto
O Espírito da Festa
Au Revoir Là-Haut
Barbara
Raw

MELHOR GUARDA-ROUPA
120 Batimentos por Minuto
Au Revoir Là-Haut
Barbara
As Guardiãs
La Promesse de L'Aube

MELHOR CURTA-METRAGEM
Les Bigorneaux
Le Bleu Blanc Rouge des Mes Cheveux
Debout Kinshasa!
Marlon
Les Misérables

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Le Futur Sera Chauve
I Want Pluto to be a Planet Again
Le Jardin de Minuit
Pépé Le Morse

sexta-feira, 2 de março de 2018

Oscars 2018: Os Actores Principais

Para finalizar, avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria onde o vencedor está quase certo, encontramos bons desempenhos, em especial os dois primeiros da minha lista. O último dos nomeados começa a ser a Meryl Streep no masculino, somando nomeações nos últimos anos e, apesar de ter uma boa prestação, havia outros nomes que poderiam ocupar o seu lugar na lista de nomeados. Falo, em especial, de James Franco. Eis os nomeados para Melhor Actor, por ordem de preferência:

1. Timothée Chalamet, Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me By Your Name)


Timothée Chalamet retrata a inocência, os medos e a arrogância típicas da adolescência, a par da curiosidade imensa pelo que o rodeia. Como Elio, ele interioriza as dúvidas e a paixão avassaladora que é este primeiro amor. Vive e sofre com a mesma ânsia e deixa-nos arrebatados com uma interpretação tão adulta. Se um actor tão jovem é capaz de tanto, há que lhe dar o merecido valor.

2. Daniel Day-Lewis, Linha Fantasma (Phantom Thread)


Daniel Day-Lewis é metódico, elegante, encarna o estilista como se estivesse a fazer de si mesmo. Cada papel, cada novo Day-Lewis, ele que é um dos melhor actores da sua geração. Rígido mas frágil, apaixonado mas igualmente enlouquecido quando as emoções fogem ao seu controlo, é um homem aparentemente decidido mas que depende em demasia da irmã e de outras mulheres que compõem a sua vida. Ele esconde segredos nas bainhas, segredos que prefere partilhar com as roupas que desenha, mais do que com as pessoas que o rodeiam.

3. Gary Oldman, A Hora Mais Negra (Darkest Hour)


Gary Oldman desaparece na personagem e ganha todas as cenas em que entra. A caracterização fez um trabalho estupendo, e é mesmo difícil encontrarmos o actor, não fossem os olhos azuis e alguns trejeitos de boca. De resto, voz, movimentos, expressões estão totalmente entregues ao filme.

4. Daniel Kaluuya, Foge (Get Out)


Daniel Kaluuya, o protagonista Chris, mostra-se à altura do desafio. O actor é extremamente expressivo e cativa a audiência ao juntar na perfeição curiosidade, inocência e terror. Um estreante com potencial.

5. Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.

Denzel Washington é um grande actor e interpreta com coração cada papel que lhe dão. Roman J. Israel, Esq. não é excepção, onde veste a pele do protagonista homónimo, um advogado convicto e orgulhoso. De aparência extravagante e com algumas dificuldades de socialização, Washington surge ligeiramente diferente da imagem a que nos tem habituado. Roman é especialmente dedicado ao que defende e luta pelas suas convicções, mesmo quando um dilema moral se atravessa no seu caminho. Se a nomeação é merecida, talvez, mas há outros desempenhos tão ou mais merecedores deste lugar.

Oscars 2018: As Actrizes Principais

Mais um ano de interessantes personagens femininas. As duas primeiras da lista têm desempenhos muito fortes, a quinta nomeada parece já ter lugar cativo, roubando sempre a vaga para alguém que realmente merece. Este ano, Kate Winslet, por Roda Gigante, é uma das principais esquecidas. Aqui fica a minha listagem das nomeadas, por ordem de preferência.

1. Frances McDormand, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)


Frances McDormand é uma força da Natureza na pele de Mildred Hayes, uma mãe-justiceira, sem medo de consequências, sem remorsos, sem papas na língua. Ela nunca sorri, é fria, dura, mas também chora. Já foi vítima, mas aprendeu a não se sentir intimidada por nada, desafia a autoridade e as provocações e protege os seus como pode.



Margot Robbie reinventa-se na pele da protagonista Tonya, expressiva e camaleónica. A actriz assusta-nos (no bom sentido) com alguns olhares e sorrisos, mais ameaçadores e tresloucados do que de simpatia, e revela-se empenhada na pele desta mulher que, desde cedo, viveu num ambiente desequilibrado.

3. Sally Hawkins, A Forma da Água (The Shape of Water)


Sally Hawkins encarna uma mulher muda, corajosa e altruísta que parece descobrir a sua razão de viver e luta por ela. Aparenta uma imensa fragilidade mas revela-se muito desafiadora. Uma interpretação tão consistente sem dizer uma palavra não é para todos.

4. Saoirse Ronan, Lady Bird


Saoirse Ronan continua talentosa e nem o sotaque americano a deixa ficar mal. A actriz é uma força da Natureza e prova que ainda tem muito para mostrar. Na pele de Lady Bird sabe convencer-nos de que é, verdadeiramente, uma adolescente insolente e criativa, cheia de sonhos.

5. Meryl Streep, The Post


É grande o destaque que o Spielberg dá ao papel de Katherine Graham, a mulher entre os homens, alvo de desconforto da parte masculina e de admiração das mulheres que ainda não conseguiram a emancipação. Meryl Streep representa bem esta mulher pioneira em cargos de poder, perturbada com o dilema em que a sua posição a coloca. Contudo, está a tornar-se demasiado frequenta a presença da actriz entre os nomeados. Certo que ela faz bem qualquer papel que lhe dêem, mas nem todos são dignos de nomeações, é o caso deste.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Oscars 2018: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com dois desempenhos muito bons, e uma ausência muito notória: Armie Hammer merecia um lugar pelo seu papel em Chama-me Pelo Teu Nome. Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.

1. Christopher Plummer, Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World)


Chegamos ao fim de Todo o Dinheiro do Mundo apaixonados pela interpretação de Christopher Plummer. É ele, na realidade e ironicamente (dada a troca tardia de Spacey por Plummer), a estrela do filme. O veterano é perfeito a interpretar esta personagem tão ambígua, um homem inteligente, arrogante, inacessível e avarento, que nutre grande amor pelo neto raptado. É neste paradoxo de características que reside o encanto da personagem que consegue ser desprezível mas igualmente calorosa.

2. Sam Rockwell, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)


Sam Rockwell é um camaleão como Dixon, o homem intragável, intratável, violento e com um ódio desmedido que toma conta dos seus actos. É uma criança grande, que veste farda e usa armas, enquanto não larga os headphones ou as revistas de banda desenhada. A sua personagem sofre uma grande transformação ao longo do filme e há valores que vamos descobrindo neste homem imaturo que nos vão surpreender.

3. Willem Dafoe, The Florida Project


Willem Dafoe veste a pele do apaziguador gerente do motel. Ele é o responsável por manter a ordem e por que tudo funcione e, ao mesmo tempo, é um pai para grande parte dos hóspedes - com os seus próprios dramas familiares a pairar muito superficialmente. Uma interpretação tranquila mas que gera uma intensa empatia com a plateia.

4. Woody Harrelson, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)


Woody Harrelson é o desafiado chefe da polícia, um dos bons, mas impotente, desencantado, é um homem em claro sofrimento. Uma interpretação curta e cheia de simplicidade a que não falta muito carisma.

5. Richard Jenkins, A Forma da Água (The Shape of Water)


Richard Jenkins é o eterno amigo da protagonista de A Forma da Água. Um desempenho cheio de sensibilidade, de um homem que, por força da época, esconde publicamente a sua orientação sexual. Ao mesmo tempo, transmite simpatia e proporciona momentos tão divertidos como comoventes.

Oscars 2018: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Foi um ano de desempenhos interessantes e equilibrados, apesar de nenhum se destacar especialmente. As duas primeiras da minha lista são, contudo, as que mais me convenceram. Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.



Allison Janney, a mãe intransigente, que não parece nutrir qualquer amor pela filha. Um dos motivos da desgraça de TonyaJanney é fabulosa nos gestos, palavras e seriedade com que encara o papel. 



Mary J. Blige é fabulosa como Florence, a mãe trabalhadora e angustiada. Ela sofre e engole a sua revolta e mágoa ao lado do marido Hap. Merecia mais reconhecimento.



Laurie Metcalf, a mãe implacável, teimosa e obstinada, cria com a protagonista grandes momentos de emoção - em especial após a segunda metade de Lady Bird.



Lesley Manville é a irmã do protagonista que lhe impõe regras, numa interpretação muito convincente e carismática. Ela é Cyril, uma mulher omnipresente e controladora. Em todas as cenas onde  surge, a actriz é  magnética, cativa para si todos os olhares. 



A personagem de Octavia Spencer tem demasiadas semelhanças com Minny Jackson de As Serviçais, que lhe valeu um Oscar. Uma mulher simpática e simples, que fala pelos cotovelos e que proporciona momentos especialmente divertidos à acção.

Oscars 2018: Melhor Filme

A cerimónia dos Oscars 2018 acontece no próximo Domingo, dia 4 de Março, e nada melhor do que a breve análise do costume aos nomeados. Em mais um ano com nove nomeados para Melhor Filme, há cinema para todos os gostos. Dos nove filmes na corrida, há dois que mereceriam especialmente  vencer o grande prémio da noite. Aí ficam os nomeados, por ordem de preferência.

1. Linha Fantasma (Phantom Thread)


É sem dúvida o que mais mereceria o prémio, mas é também um dos que não irá conquistá-lo. Todo o ele é perfeição, mas não é filme que a Academia valorize a ponto de lhe conceder o OscarLinha Fantasma deve ser visto e sentido, quer pela história de paixão desenhada e cosida à mão, pela beleza dos vestidos, pela delicadeza dos planos de câmara, dos actores, da fotografia, do som e, principalmente, por ter sido filmado em película. O perfeccionismo do criador revê-se também no trabalho de toda a equipa, num assombro de talento. A par disso, é criada uma aura sobrenatural que surge de forma subtil e muito realista, onde a forma de encarar a morte ganha um papel de destaque.

2. Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)


Nutro um especial carinho por este filme desde que o vi, e está muito perto do número 1 desta minha lista. Três Cartazes à Beira da Estrada é um grande murro no estômago. Um filme amargo, com personagens tão reais e profundas interpretadas por actores que põem alma no que fazem. Martin McDonagh escreveu e realizou um daqueles filmes que não nos vamos cansar de rever, partilhar dúvidas, esperanças, mágoas e clamar por justiça.

3. Dunkirk


Christopher Nolan fez questão de nos oferecer a melhor experiência visual possível. Dunkirk é uma curta epopeia de dor e sacrifício, onde a união fez mesmo a força, num importante momento da História da Segunda Guerra Mundial. No seu primeiro filme de guerra, Nolan consegue ser tão patriótico como tolerante. Sem banhos de sangue, mas com um sentido de união pouco comum, de pensamentos, sentimentos, compromissos e honra. O realizador é metódico e consegue, como poucos, unir públicos tão diferentes em torno do mesmo filme. Sim, Dunkirk é um filme para as massas, mas é igualmente um filme de autor, com planos sufocantes e memoráveis, com dedicação, alma e personalidade.

4. A Forma da Água (The Shape of Water)


Nas últimas semanas a polémica tem envolvido A Forma da Água com acusações de plágio. Não sei se a Academia irá ou não ser influenciada por isso, mas penso que o filme continua a ser um forte candidato ao prémio. Para mim, surge em quarto lugar na corrida. Guillermo del Toro é inspirador. Voltou a sê-lo. Por muitas influências (demasiadas, por vezes) que A Forma da Água possa ter, o cineasta é capaz de criar um filme com identidade própria e com características que denunciam claramente a sua autoria - um misto de doçura, fantasia e violência. A violência não gera nada de bom e o amor é a melhor forma de comunicação. Guillermo del Toro prova-o neste filme, nós acreditamos e pedimos mais magia.

5. Foge (Get Out)


Foge é ousado e muito original na forma como se constrói como filme de terror - ou será mais um thriller de suspense? - em redor de um estigma que já deveria estar ultrapassado, e, ao mesmo tempo, crítica a sociedade muito para além do racismo. Esta forma de discriminação social é aqui filmada com características muito próprias, que suscitam curiosidade. Os afro-americanos são mais invejados do que discriminados, neste filme, mas tudo acontece de um modo um tanto macabro. Foge é um alerta, irónico e sarcástico, mas, igualmente adulto e singular na sua forma e propósito. Uma excelente surpresa na estreia de Jordan Peele na realização.

6. Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me By Your Name)


Há um lirismo romântico a pairar sobre Chama-me Pelo Teu Nome. Tem momentos brilhantes, normalmente potenciados por um longo plano-sequência. Guadagnino filma cenas tão boas como uma conversa entre pai e filho, momentos de partilha e intimidade entre Elio Oliver (onde não são as palavras que mais falam), a festa em que estão a dançar com amigos e surgem os ciúmes, ou os momentos de introspecção, em casa ou no campo. Por outro lado, há situações delicodoces que resultam em momentos pouco conseguidos, e dão um grande desequilíbrio ao filme.

7. Lady Bird


Lady Bird é símbolo de amadurecimento e de amor, acima de tudo. Greta Gerwig estreia-se na realização com uma longa-metragem que se despede da adolescência para entrar na idade adulta, com os receios e dilemas que essa transição acarreta. Ao mesmo tempo, o amor à cidade de Sacramento, Califórnia, e a tudo e todos os que a ligam à protagonista, é uma das mensagens mais puras do filme. E no meio da ligeireza que o filme transmite, a realizadora consegue convencer-nos de que, também nós, já tivemos qualquer coisa de Lady Bird: já fomos adolescentes revoltados, extravagantes, com sonhos mirabulantes, duvidas e receios. Mas todos crescemos.

8. The Post


The Post é um bom filme de jornalistas, mas apenas mais um que se junta a tantos outros bons títulos do género que têm surgido ao longo das décadas. Não é o melhor Spielberg de sempre mas traz-nos o cineasta, fiel a si mesmo, com uma equipa de peso a acompanhá-lo.

9. A Hora Mais Negra (Darkest Hour)


Joe Wright conta-nos a História do ponto de vista de Churchill e sabe tornar reuniões e discussões, entre o Primeiro Ministro, políticos e rei, cativantes. Ainda assim, não traz nada de novo aos filmes do género. No argumento, o momento mais bem construído prende-se com o dilema na cabeça do protagonista, que se vê divido entre o que todos esperam que ele faça e o que os seus valores lhe dizem para fazer. A tensão é imensa, o dever de proteger o povo e a ética estão muito presentes e são muito bem tratados no grande ecrã.