quinta-feira, 31 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Cativeiro / Captivity (2012)

*8.5/10*

Cativeiro, de André Gil Mata, já tinha passado pelo DocLisboa em 2012, e repete agora o feito na presente edição, após ganhar o Prémio Doc Alliance 2013, em Cannes. A primeira longa-metragem do realizador debruça-se sobre a sua avó, o seu quotidiano, num retrato duro da rotina e da velhice, do passar do tempo, mais ou menos, consciente.

A casa da avó de Gil Mata, dona Alzira, serve de palco a este Cativeiro de tempo e espaço, a esta rotina que nos amedronta, tal como ao realizador. É ele que narra o documentário, de marcado tom pessoal, inevitavelmente, mas que nos consegue dizer quase tanto como ao seu autor. 

Filmado em 16mm e em vídeo - este predomina, mas o primeiro revela-se igualmente essencial, adensando a sensação de nostalgia e pertença ao local-, André Gil Mata partilha connosco medos, intimidade e indecisões. Dona Alzira é o centro do filme, mas no seu Cativeiro surgem outras personagens como Irene Julieta, que ajudam cuidam dela, e, ao mesmo tempo, sentimos a presença do realizador, o seu neto. "São as coisas do André", diz, a certa altura, uma das companhias da protagonista.

A acompanhar as imagens da casa e da avó, do seu gato que por lá passeia, ouvimos os desabafos do realizador, as suas preocupações, os seus objectivos, numa espécie de diário de filmagens. Desde a vontade de filmar o amanhecer na cozinha, à sua concretização, ao receio de não conseguir ali passar os 15 dias a que se propôs gravar junto da avó, Gil Mata tem-nos como seus confidentes.


E, tal como para ele é difícil encarar a realidade que filma, também para nós é duro assistir àquela rotina, às dificuldades de Alzira, à solidão, ao repetir do toque do sino da Igreja... No fundo, é duro assistir ao tempo a passar. Também nós, tal como o realizador, percebemos, a certo momento, como "o passado existe, realmente" e como não temos "noção desse futuro" que o passar do tempo faz chegar.

Cativeiro está repleto de planos, normalmente estáticos, que nos envolvem, nos entristecem e comovem, que nos fazem recordar locais ou pessoas. Perto do fim, Gil Mata percorre a casa da sua avó filmando o tecto, num plano-sequência inesquecível.

"O que são os espaços sem as pessoas que lhes pertencem?", questiona o realizador. A resposta pode estar neste documentário, que marca qualquer um que o assista. No fundo, cada um tem o seu Cativeiro.

Cativeiro passa no DocLisboa'13 no próximo Sábado, dia 2 de Novembro, às 16:45, na sala 3 do Cinema São Jorge.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Redemption (2013)

*8.5/10*

Miguel Gomes não tem medo de arriscar, Redemption é mais uma prova disso mesmo. E que melhor secção para esta curta-metragem que não exactamente Riscos, no DocLisboa?

A balançar entre o documental e o imaginário - os textos são fruto da imaginação de Miguel Gomes e Mariana Ricardo -, a curta-metragem apresentada no festival - que em breve estará nas salas de cinema comercial, a acompanhar o filme de Salomé Lamas, Terra de Ninguém - é original, provocadora e surpreendente, mostrando uma vez mais a genialidade do realizador português. A sua estreia aconteceu no último Festival de Cinema de Veneza.

Redemption apresenta-nos quatro histórias passadas em anos e países diferentes. A 21 de Janeiro de 1975, numa aldeia do norte de Portugal, uma criança escreve aos pais que se encontram em Angola, para falar-lhes do estado de Portugal. "Portugal é triste e vai ser sempre assim", conta ela, desiludida. No dia 13 de Julho de 2011, em Milão, um velho homem recorda o seu primeiro amor: Alessandra. Foram muitas as mulheres que teve, mas é dela que sente saudades, interrogando-se sobre o seu paradeiro: "Alessandra, onde estás?".


A 6 de Maio de 2012, em Paris, um homem diz à filha bebé que, seja o que for que ela venha a ser no futuro, ele teme que nunca vá ser um pai de verdade para ela. No dia 3 de Setembro de 1977, em Leipzig, uma noiva luta contra uma ópera de Wagner que não lhe sai da cabeça, temendo que aquele "fascista" lhe arruíne o casamento.

Em Redemption, uma dimensão privada (como refere o próprio realizador) entra em cena com as imagens de arquivo que vão ilustrando cada história, consoante o que cada narrador nos conta - e que assim, entram na esfera pública. Os quatro personagens unem-se pela tristeza e inquietação - e redenção -, pelas questões políticas que lhes estão adjacentes, tão longe, espacial e temporalmente, mas, no fundo, tão perto uns dos outros. Sentimental e mordaz, Miguel Gomes consegue tocar-nos fundo - quer estejamos em Portugal, Itália, França ou Alemanha -, e despertar no público as mais paradoxais emoções.

Iniciativas de Bloggers: «À Boleia», do blog Caminho Largo


Fui À Boleia com o blog Caminho Largo, e pelo caminho respondi a algumas questões feitas pelo Jorge e Pedro Teixeira sobre a arte que nos une: o Cinema. A minha participação pode ser lida seguindo este link.

O desafio foi feito a vários bloggers, em jeito de entrevista, e convida à reflexão de cada um e ao debate de ideias. As participações podem ser acompanhadas aqui. É de lembrar que o À Boleia está entre os nomeados para Melhor Iniciativa nos TCN Blog Awards.

Ao Jorge e ao Pedro dou os parabéns pela excelente iniciativa e agradeço, uma vez mais, o convite para fazer parte dela. Foi um prazer.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Dizzy Gillespie + The Blues Accordin' to Lightnin' Hopkins

Dizzy Gillespie e The Blues Accordin' to Lightnin' Hopkins, ambos realizados por Les Blank, cineasta falecido este ano, fazem parte da secção Heart Beat do DocLisboa'13.

Dizzy Gillespie - 6.5/10


O jazz acompanha-nos neste documentário sobre Dizzy Gillespie. Les Blank oferece-nos imagens raras do músico, que fala sobre o seu começo e sobre teorias musicais - e toca na sua famosa trompete curva. Dizzy Gillespie apresenta-nos uma personalidade descontraída e divertida do músico, intercalada com imagens ao vivo com o seu quinteto.

The Blues accordin' to Lightnin' Hopkins - 8/10


Extremamente musical, dançante e emocional, The Blues accordin' to Lightnin' Hopkins debruça-se sobre o músico de blues do Texas, Lightnin' Hopkins. Les Blank oferece-nos muita música, e insere-se no quotidiano de uma povoação que sentiu fortemente a segregação racial norte-americana. 

No meio de testemunhos, de uma actuação num churrasco ao ar livre e uma visita à cidade da sua infância, Centerville, o realizador aproxima o público do músico, comovendo-o e encantando-o com os seus bluesThe Blues accordin' to Lightnin' Hopkins traz consigo muita cor, dança e a vivacidade de um povo e de um homem.

domingo, 27 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Pardé / Closed Curtain (2013)

*9/10*
No terceiro dia de DocLisboa'13, Sábado, a secção Riscos abriu a tarde na Sala Manoel de Oliveira, no Cinema São Jorge. O filme - arriscado - é Pardé (ou Closed Curtain), realizado por Jafar Panahi (realizador iraniano que cumpre uma pena de proibição de filmar por 20 anos) e Kamboziya Partovi, e foi apresentado por Augusto M. Seabra.


Depois de Isto não é um Filme, que também passou pelo DocLisboa em 2011, Jafar Panahi volta a desafiar a proibição que lhe foi imposta e faz chegar ao mundo mais uma obra avassaladora que merece ser vista e espelha uma difícil realidade. A deambular entre documentário e ficção, Closed Curtain parece fugir apenas para o fictício, mas é muito mais real do que à partida faz crer.

Numa casa, à beira-mar, as cortinas estão fechadas e as janelas foram cobertas de negro. Lá dentro, esconde-se um escritor com o seu cão. Inesperadamente, surge uma jovem mulher misteriosa, que se recusa a ir embora, deixando o homem pouco à vontade. Contudo, ao nascer do dia, outra chegada irá perturbar todos.

Cheio de simbologia, em cada movimento, em cada personagem, Closed Curtain tem tudo para ser um dos melhores filmes do DocLisboa'13. Premiado em Berlim com o Urso de Prata para Melhor Argumento, Jafar Panahi continua, contra tudo e contra todos (pelo menos no seu país), a mostrar ao mundo o desespero que o consome. Closed Curtain é um desafio, não somente às autoridades iranianas, mas ao espectador, que não estará de todo preparado para o que se segue. A longa-metragem apela às interpretações de cada um, e é um retrato psicológico do realizador e do que o apoquenta, numa realidade semelhante à sua.

Kamboziya Partovi, para além de co-realizar esta obra, é também o protagonista, o escritor que se isola nesta casa à beira-mar com o seu expressivo cão. Percebemos rapidamente que este homem se esconde, que é perseguido. Ele fecha todas as janelas com panos pretos para não deixar passar a luz, para que ninguém perceba que há vivalma naquele local. Contudo, quando Melika e o seu irmão ali surgem em busca de abrigo - também eles são perseguidos -, toda a tranquilidade e solidão que o escritor procura se altera bruscamente. A manhã seguinte irá trazer-nos novas revelações e, talvez, algumas explicações.


A personagem de Partovi é um espelho de Panahi, um perseguido que tem de se esconder para poder fazer o seu trabalho e proteger o seu animal de estimação. Há alguns anos - tudo parece ter piorado em 2013 -, que os cães não são permitidos no Irão. A quem for apanhado a passeá-los, "apreendem" o animal, levando-o para um local secreto, provavelmente para ser morto. Relativamente a este tema, Panahi Partovi incluem no filme o pequeno cachorro do escritor, que também ali se esconde para não passar pela realidade a que assiste na televisão - um bela e triste cena de Curtain Closed.

Por seu lado, a misteriosa Melika, que dizem-nos ter tendências suicidas, surge simbolicamente como a repressão do país. Sempre à espreita, sempre a perturbar o escritor enquanto este tenta trabalhar, sempre a dar sugestões pouco felizes - mesmo a Panahi. Ela aparece e desaparece quando menos se espera.

Mas não é só em termos argumentativos que Curtain Closed prima pela genialidade. Realização, fotografia (a cargo de Mohammad Reza Jahanpanah) e montagem (a cargo do próprio Panahi) oferecem-nos planos de grande beleza, que, por vezes, jogam com espelhos, deixando-nos ainda mais no limbo entre o real e o imaginário. O filme tem uma construção desafiante - Panahi mistura-se com a sua criação e funde-se nela.

Curtain Closed é um desesperante retrato do estado psicológico de Panahi face às restrições que lhe foram impostas, e de uma realidade que ainda nos é muito distante. Cabe-nos a nós encontrar todos os significados escondidos por detrás desta cortina fechada e desconstruí-los.

Curtain Closed voltará a ser exibido no DocLisboa'13 no dia 31 de Outubro, às 16h30, no City Alvalade - Sala 1.

Sugestão da Semana #87

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme vai para o novo filme de Jeff Nichols, Fuga, que nos presenteia com uma excelente interpretação de Matthew McConaughey, na pele do fugitivo Mud, um enigmático e solitário homem.

FUGA

Ficha Técnica:
Título Original: Mud
Realizador: Jeff Nichols
Actores: Matthew McConaughey, Tye Sheridan, Jacob LoflandReese Witherspoon
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 130 minutos

DocLisboa'13: Pussy Riot: A Punk Prayer

*7/10*

Dentro do Heart Beat, a secção musical do DocLisboa, foi na Sexta-feira apresentado o filme Pussy Riot: A Punk Prayer, realizado por Mike Lerner e Maxim Pozdorovkin. O documentário acompanha todo o caso da banda punk russa Pussy Riot, antes e durante o julgamento de três dos seus membros: Nadia, Masha e Katia. O documentário foi antecedido pelo videoclip Free Pussy Riot!


Este é, vincadamente, um filme que apoia a banda russa e suas acções e surge como que para dar a conhecer o caso ao mundo, explicando melhor as convicções destas mulheres, as suas acções, a performance satírica que levou Nadia, Masha e Katia a enfrentar uma pena de prisão, ou as reacções de ortodoxos, políticos russos, músicos e artistas de todo o planeta.

Para além dos testemunhos das próprias arguidas no tribunal, conhecemos ainda as suas famílias, as suas histórias individuais, para melhor podermos justificar os actos - algo inconsequentes - que as levaram à cadeia. Ao mesmo tempo, acompanhamos as manifestações contra e a favor destas jovens, um pouco por todo o mundo.

Cor e música não faltam a Pussy Riot: A Punk Prayer, tal como à banda. Caras tapadas por gorros coloridos, roupa feminina e alegre, apelam à liberdade e ao feminismo. Depois de conhecer pormenores, reacções e sentença, cabe ao espectador formular a sua própria opinião sobre o polémico caso das três jovens russas.

O filme volta a ser exibido no DocLisboa no próximo dia 29 de Outubro, pelas 16h30, no Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira.

DocLisboa'13: 1960

*7/10*
No segundo dia do DocLisboa'13, 1960, de Rodrigo Areias, chegou ao Grande Auditório da Culturgest. O filme faz parte dos Programas Especiais do festival, e trata-se de um home movie em registo de diário de viagem todo filmado em Super 8. Através da arquitectura e a partir do Diário de Bordo de Fernando Távora, 1960 revisita a viagem do arquitecto no ano que dá título ao documentário.


Presente na sessão esteve Tomás Baltazar, o montador do filme, que explicou que 1960 foi filmado "como se na mão estivesse um olho", e a verdade é que é realmente isso que se sente. A câmara move-se como se fosse os nossos olhos, irrequieta, atenta aos detalhes.

A partir do Diário de Bordo de Fernando Távora, Rodrigo Areias percorreu alguns dos locais onde o arquitecto esteve em 1960. Imagens de Tóquio, Nova Iorque - e a subida ao Empire State Building -, do México, do Egipto, são-nos apresentadas, sempre filmadas em Super 8, e acompanhadas, em voz off, pelos escritos de Távora, que se adequam na perfeição ao que assistimos, apesar da diferença de décadas entre ambos. Conhecemos os locais e, ao mesmo tempo, os comentários do arquitecto, de admiração ou de desprezo por determinada edificação.


Os melhores momentos de 1960 acontecem na ida a Taliesin, em Spring Green, e demonstram na perfeição as emoções fortes que Fernando Távora sentiu ao visitar a residência de Frank Lloyd Wright, bem como o lugar onde este se encontra sepultado. Apesar das dificuldades que se apresentavam, a insistência do arquitecto português falou mais alto: "Nem que eu tenha de ir a pé, vim de Portugal para ver Taliesin" foi a frase decisiva para que o levassem ao local. Também Rodrigo Areias nos leva lá, muitos anos depois, e faz-nos sentir as mesmas emoções.

1960 volta a ser exibido no DocLisboa no dia 3 de Novembro, às 19h30, no City Alvalade - Sala 1.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Que Filmes Ver?

Começou esta Quinta-feira o DocLisboa'13 com uma programação de excelência. Se ainda não sabes o que ver no festival, aqui ficam algumas sugestões.


Pays Barbare / Barbaric Land
Se perdeste a sessão de abertura, ainda terás mais uma hipótese de ver este filme, realizado por Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi. Através de arquivos, Pays Barbare relata a presença colonial italiana na Etiópia e os mecanismos de subjugação aí utilizados durante a ditadura de Mussolini.

Pokazatelnyy Protsess: Istoriya Pussy Riot / Pussy Riot: A Punk Prayer
A história das três jovens mulheres que encaram sete anos de prisão, na Rússia, por uma performance satírica, numa catedral de Moscovo. Enquanto Nadia, Masha e Katia defendem as suas convicções, numa jaula, dentro do tribunal, os restantes membros das Pussy Riot ainda em liberdade planeiam novas performances de guerrilha.

Olho Nu / Naked Eye
O filme de Abertura da secção Heart Beat é um ensaio que retrata a vida e a obra do brasileiro Ney Matogrosso, a partir de um conjunto de imagens e sons reunidos pelo artista, em contraponto com sequências actuais. O realizador Joel Pizzini irá estar presente na sessão do dia 25 de Outubro.

E Agora? Lembra-me / What Now? Remind Me
O realizador convive com o VIH e o VHC há quase 20 anos. Uma reflexão aberta e ecléctica sobre o tempo e a memória, as epidemias e a globalização, a sobrevivência para além do expectável, a dissensão e o amor absoluto. E Agora? Lembra-me já passou no QueerLisboa'13, e saiu duplamente premiado do Festival de Locarno. O realizador estará presente nas sessões de 29 de Outubro e 1 de Novembro.

Der Kapitän und sein Pirat / The Captain and his Pirate
O navio porta-contentores Hansa Stavanger foi capturado por piratas somalis. Der Kapitän und sein Pirat conta a história íntima da amizade entre o capitão Kotiul e o pirata Ahado, num drama que durou quatro meses.

The Pervert’s Guide to Ideology / O Guia de Ideologia do Depravado
O filósofo Slavoj Žižek e a realizadora Sophie Fiennes apresentam uma viagem cinematográfica ao coração da ideologia - os sonhos que moldam as nossas crenças e as nossas práticas colectivas.

A Mãe e o Mar / The Mother and the Sea
Na senda de um mito real e perdido em Vila Chã, aqui apresentam-nos as mulheres do mar chamadas "pescadeiras", num dos poucos lugares do mundo com mulheres arrais (chefes de embarcação). Mas onde estão elas e os 120 barcos de pesca artesanal? Sobram 8 barcos e uma única mulher pescadeira.

The Great North Korean Picture Show
A indústria cinematográfica norte-coreana é uma ferramenta crucial na maquinaria de propaganda do regime. Pela primeira vez, realizadores estrangeiros puderam entrar na única escola de cinema do país, onde jovens talentos são treinados para criar obras, não apenas para entreter, mas para ajudar a moldar a mente de uma nação inteira.

Dast-Neveshtehaa Nemisoosand / Manuscripts don’t burn
Mohammad Rasoulof não pôde estar presente - por motivos menos felizes - mas é um filme seu que encerra o DocLisboa'13. Manuscripts don’t burn conta a história real de um homem perseguido pelos serviços secretos iranianos, que tenta publicar as suas memórias de presidiário e sair do país.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

LEFFEST'13: Rupturas e Cinema & Literatura

O LEFFEST'13 traz este ano duas novas secções: Rupturas e Cinema & Literatura.

Rupturas apresentará filmes de Nagisa Ôshima, Jean-Luc Godard, Jerzy Skolomowski, Vera Chytilová, Werner Schroeter, Carmelo Bene, Michelangelo Antonioni, João Pedro de Andrade ou Robert Kramer, pelo importante papel que tiveram ao reinventar e inovar a história do cinema e das artes, feitas do desafio, do inconformismo e do risco.

Os anos 60 do século XX foram um período rico em propostas inovadoras e de ruptura, com o aparecimento das ‘novas vagas’ ou ‘vários cinemas novos’, com obras marcadas por uma racionalidade estética, política e sexual. Nelas pressentem-se as revoltas que se seguiram: o Maio de 68, em França, a Primavera de Praga, a contestação da guerra do Vietname e a revolução dos costumes.

Na secção Cinema & Literatura, quer mostrar-se e confrontar-se diferentes adaptações de obras que compõem o património literário universal, como Madame Bovary, de Gustava Flaubert, Guerra e Paz, de Lev Tolstoi, Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, Fausto, de J. W. Goethe, Diário de uma Criada de Quarto, de Octave Mirbeau, Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, e História da Minha Vida, de Giacomo Casanova.  


Da secção Rupturas fazem parte os seguintes títulos:
Noite de Nevoeiro no Japão - Nagisa Ôshima
Walkower - Jerzy Skolimowski
Daisies - Vera Chytilová
Macunaíma - Joaquim Pedro de Andrade
Eika Katappa - Werner Schroeter
Ice - Robert Kramer
Nostra signora dei turchi - Carmelo Bene
Deserto vermelho - Michelangelo Antonioni
Week End - Jean-Luc Godard
La Prise de Pouvoir par Louis XIV - Robert Rosselini

Cinema & Literatura conta com:
Guerra e Paz - King Vidor
Guerra e Paz - Sergei Bondarchuk
Macbeth - Orson Welles
Othello - Orson Welles
Filming Othello - Orson Welles
Journal d'une Femme de Chambre - Jean Renoir
Journal d'une Femme de Chambre - Luís Buñuel
Vale Abrãao - Manoel de Oliveira
Madame Bovary - Jean Renoir
Madame Bovary - Claude Chabrol
Madame Bovary - Vincent Minelli
Rescue and Save - A. Sokurov
Robinson Crusoé - Luis Buñuel
Les Aventures de Robinson Crusoé - George Méliès
Casanova de Fellini - Federico Fellini
Faust - F. W. Murnau
Los 5 Faust de F.W. Murnau - L. Berriatúa (Doc)
Campanadas a medianoche - Orsan Welles 1965
O tempo renncontrado - Raúl Ruiz
A Cativa - Chantal Akerman
A Paixão de Swann - Volker Schlöndorff

Serão ainda exibidos dois clássicos de John Ford: As Vinhas da Ira, adaptado do romance de John Steinbeck, e A Estrada do Tabaco, a partir da obra homónimo de Erskine Caldwell.

Mais informações sobre o festival AQUI.

Crítica: Plano de Fuga / Escape Plan (2013)

*6/10*

Sabe-se, à partida, que juntar Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger no mesmo filme será entretenimento garantido. Plano de Fuga é a prova disso (depois de Os Mercenários terem servido de “aquecimento”). O realizador Mikael Håfström traz-nos muita acção numa prisão secreta de alta segurança.

Ray Breslin (Sylvester Stallone) é um especialista mundial em estruturas de segurança que decide aceitar um desafio: conseguir fugir de uma instalação ultra-secreta e de alta tecnologia chamada O Túmulo. Só que, uma vez lá prisioneiro, Breslin descobre que foi enganado e é considerado um verdadeiro preso de alta-segurança. Para conseguir fugir, ele vê-se obrigado a juntar-se a Emil Rottmayer (Arnold Schwarzenegger), também ele aprisionado nas mesmas condições, para elaborarem um plano que os ajude a escapar da prisão mais protegida e fortificada alguma vez construída.

Pela primeira vez juntos nos papéis principais, Stallone e Schwarzenegger reúnem-se para fazer as delícias dos fãs de acção. A história não é original, mas cativa as atenções e entusiasma o público que se irá ver a delinear o seu próprio plano de fuga daquele espaço relativamente claustrofóbico. O Túmulo é uma estrutura avançada, com celas de paredes transparentes, onde ninguém vê a cara dos guardas. Ao mesmo tempo, aquele local alberga prisioneiros de muitas nacionalidades, culturas e religiões: o espaço de convívio chama-se – não por acaso – Babilónia. Ligadas a este aspecto estão subjacentes algumas questões politicas, colocadas de forma subtil mas muito inteligente.

Lê a crítica completa no Espalha-Factos: "Plano de Fuga: Nenhuma prisão é à prova de fuga?".

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Crítica: Tudo sobre a minha Mãe / Todo sobre mi madre (1999)

"Ficámos mais autênticas quanto mais nos parecemos com aquilo que sonhamos que somos."
Agrado

*10/10*
Um elogio às mulheres, às actrizes, às mães, às mulheres que querem ser mães, Tudo sobre a minha Mãe é sobre e dedicado a elas. Pedro Almodóvar prova, a cada filme, o seu amor e admiração pelo sexo feminino, e este não é excepção.

A crueza com que a história se desenvolve contrasta com o afecto que paira no ar e com as cores e padrões garridos e alegres que decoram as imagens. Almodóvar tem aqui provavelmente um dos seus melhores trabalhos, sem medo nem pudor de abordar temas sensíveis como a prostituição, a SIDA, o travestismo ou a doação de órgãos.

Estebán passou 17 anos obcecado em saber quem era o seu pai, mas a mãe, Manuela, nunca lho quis revelar. Quando o jovem sofre um trágico acidente, Manuela sente finalmente a necessidade de procurar o pai do seu filho. É este o ponto de partida para a história desta enfermeira e dos que com ela se cruzam. Ao partir para Barcelona, ela regressa a um passado que deixou para trás e do qual nunca se despediu. Reencontra a sua amiga Agrado, conhece a Irmã Rosa e os seus pais, e vê Lola regressar à sua vida, ela que une estas três mulheres. Ao mesmo tempo, aproxima-se de duas actrizes - Huma e Nina - numa espécie de ligação que continua a querer manter com o seu filho.


Tudo sobre a minha Mãe é irónico desde o início, mas nunca grosseiro, sendo, ao mesmo tempo, absolutamente sentimental e emotivo. As quatro mulheres centrais da história vão enternecer-nos. Agrado com a sua excentricidade, os seus esforços para ser bonita, sensual e autêntica, a sua mudança de vida, tudo porque, como a mesma diz, "ficámos mais autênticas quanto mais nos parecemos com aquilo que sonhamos que somos". Numa corajosa interpretação de Antonia San Juan, Agrado será uma das nossas personagens favoritas - divertida e sensível. Inocente e uma vítima de Tudo sobre a minha Mãe é a Irmã Rosa, que encontra em Manuela o carinho que não recebe em casa - com um pai doente e uma mãe incapaz de lidar com ela, sem qualquer instinto maternal. Rosa e Manuela partilham uma história em comum, e é-nos impossível não criar empatia com a jovem frágil e bondosa, interpretada por Penélope Cruz.

Por seu lado, Huma surge como uma homenagem às actrizes, entregue ao seu papel, mas também ao amor pela jovem toxicodependente Nina, que não retribui o sentimento da mesma forma. Marisa Paredes é fenomenal a vestir a pele desta mulher magoada e inconsolável, que Estebán muito admirava. Mas a grande mulher de Tudo sobre a minha Mãe é mesmo Manuela, corajosa em todos os momentos, sensível, apaixonada pelo filho e pela representação. Ela ama as suas amigas e demonstra ser a mãe que os outros precisam e é mãe pelas que não o sabem ser. Manuela revela-nos inúmeras facetas: a enfermeira ligada à doação de órgãos, a mãe protectora mas que prefere mentir a contar a verdade ao seu filho, a mulher que partilha o passado com travestis, a actriz amadora que ambiciona voltar aos palcos, a amiga para todos os momentos. Cecilia Roth tem aqui o papel de uma vida, uma interpretação avassaladora, que nos levará às lágrimas pela dureza da vida da sua personagem, e pela força que a actriz lhe injecta.


Tudo sobre a minha Mãe faz-nos mergulhar numa história de dor, mas, acima de tudo, de esperança. Pedro Almodóvar conquista-nos mais ainda com planos intimistas, que nos colocam no cenário da longa-metragem, e embala-nos com uma banda sonora forte e trágica, de Alberto Iglesias. O realizador e argumentista coloca, logo ao início, uma referência ao clássico All About Eve - filme que Manuela assiste com o filho Estebán - que parece servir de inspiração ao título da longa-metragem - em inglês All About my Mother. Almodóvar relembra-nos ainda Bette Davis, Gena Rowlands e Romy Schneider, a quem também dedica o seu filme.

Pedro Almodóvar conta-nos tudo sobre mães, sobre actrizes, sobre homens que querem ser mulheres, sobre tragédia e esperança, sobre vida e morte. Tudo sobre a minha Mãe é a homenagem que qualquer mulher gostaria de receber, e aqui está ela.

Estreias da Semana #87

Nove filmes chegam aos cinemas portugueses esta Quinta-feira, dia 24, o mesmo dia em que começa o Festival DocLisboa. Capitão Phillips, Fuga, Romeu e Julieta e Plano de Fuga são alguns dos títulos em destaque.

Capitão Phillips (2013)
Captain Phillips
Protagonizado por Tom Hanks, Capitão Phillips é baseado na história verídica do Capitão Richard Phillips e do assalto ao navio US MV Maersk Alabama por piratas da Somália, em 2009, o primeiro navio de carga a ser assaltado em 200 anos.

Ernest & Celestine (2012)
Ernest et Célestine
No mundo convencional dos ursos, é mal visto estabelecer amizade com um rato. Mas Ernest é um urso diferente, palhaço e músico, que acolhe a pequena Celestine, uma órfã que se sente sozinha no mundo subterrâneo dos roedores. Os dois solitários vão reconfortar-se, apoiar-se e desafiar a ordem estabelecida.

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2011)
Um triângulo amoroso envolve Cauby, um fotógrafo de passagem pelo interior da Amazónia, Lavínia e o seu marido, o pastor Ernani, que acredita ser possível resolver as contradições do mundo. Lavínia, o corpo, Cauby, o olhar, Ernani, a palavra, são os três vértices de uma paixão, junto à natureza ameaçada pela devastação.

Fuga (2012)
Mud
O destino de Ellis (Tye Sheridan) e Neckbone (Jacob Lofland) cruza-se com Mud (Mathew McConaughey), um fugitivo escondido numa ilha, no Mississippi. Intrigados com a sua história, os rapazes decidem ajudar o homem que, apesar de ser acusado de homicídio e ter caçadores de recompensas no seu encalce, justifica os seus atos criminosos em prol do seu grande amor, Juniper (Reese Witherspoon), que aguarda na cidade para fugir.

Grand Central (2013)
Depois de uma série de pequenos trabalhos, Gary é contratado para uma central nuclear. Aí, o mais perto possível dos reactores, onde as doses de radiação são mais fortes, apaixona-se por Karole, a mulher de Toni. O amor proibido e as radiações contaminam, lentamente, Gary. Cada dia passa a ser uma ameaça.

Plano de Fuga (2013)
Escape Plan
Ray Breslin (Sylvester Stallone) é um especialista mundial em estruturas de segurança que decide aceitar um desafio: conseguir fugir de uma instalação ultra-secreta e de alta tecnologia chamada O Túmulo. Só que, uma vez lá prisioneiro, Breslin descobre que foi enganado e é considerado um verdadeiro preso de alta-segurança. Para conseguir fugir, ele vê-se obrigado a juntar-se a Emil Rottmayer (Arnold Schwarzenegger), também ele aprisionado nas mesmas condições, para elaborarem um plano que os ajude a escapar da prisão mais protegida e fortificada alguma vez construída.

Quatro Leões (2010)
Four Lions
Um grupo de jovens muçulmanos, residentes em Sheffield, decidiu radicalizar-se e tornar-se em homens-bomba. Dois membros do grupo, Omar e WAJ, vão para um campo de treino terrorista no Paquistão. Os outros dois são Barry e Faisal, que se convertem ao Islão e treinam para ser homens-bomba. Um quinto membro, Hassan, é recrutado por Barry enquanto Omar e WAJ estão no Paquistão. Faisal acidentalmente mata-se a si mesmo durante um exercício de treino. O filme culmina com os quatro restantes a tentarem-se explodir na Maratona de Londres.

Romeu e Julieta (2013)
Romeo and Juliet
As famílias dos Montague e dos Capulet usam todas as desculpas para lutarem em público nas ruas de Verona, recebendo uma repreensão por parte do Príncipe (Stellan Skarsgård). Mas o jovem Romeo (Douglas Booth), dos Montague, não está interessado em saber – ele está apaixonado por Rosaline, uma prima dos Capulet, um romance que o seu primo Benvolio (Kodi Smit-McPhee) lhe pede para não continuar. Mas nessa noite, vai ter lugar um baile de mascaras na mansão dos Capulet, e Romeo consegue arranjar um convite. O clã dos Capulet prepara-se para o evento, onde Lord e Lady Capulet (Damian Lewis, Natascha McElhone) esperam que a sua filha Juliet (Hailee Steinfeld) aceite os avanços do jovem Conde Paris (Tom Wisdom). Juliet prefere as suas pequenas e cúmplices provocações com a ama (Lesley Manville) do que dar ouvidos aos pais.

Uma Família de Estranhos (2012)
Jayne Mansfield's Car
Reunidos devido à morte de uma mulher que foi primeiro casada com Jim Caldwell (Robert Duvall), o marido americano, e depois com Kingsley Bedford (John Hurt), o marido inglês, as famílias lutam contra ressentimentos de longa data, ciúmes, medo de envelhecer e com a tensão criada entre três gerações de pais e filhos cujas noções de masculinidade foram moldadas pela sua exposição ao combate, pelos seus mitos e realidades.

Momentos para Recordar #25

Um monólogo memorável de Antonia San Juan num dos filmes mais marcantes de Pedro Almodóvar. Vale a pena recordar a Agrado, de Tudo sobre a minha Mãe, a conquistar o seu público e também a nós.

Tudo sobre a minha Mãe (Todo sobre mi madre), Pedro Almodóvar (1999)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sugestão da Semana #86

São muito poucas as oportunidades para ver curtas-metragens no cinema comercial. Nada como aproveitar a estreia em sala* do 2º Programa de Curtas apresentado pela produtora O Som e a Fúria. A Sugestão da Semana recai desta vez sobre quatro curtas nacionais de qualidade: Rei Inútil (2013), Entrecampos (2012), Gambozinos (2012) e Na Escola (2010).


Rei Inútil, de Telmo Churro
Entrecampos, de João Rosas
Gambozinos, de João Nicolau
Na Escola, de Jorge Cramez

*EM EXCLUSIVO NO CITY ALVALADE

domingo, 20 de outubro de 2013

Crítica: Jovem e Bela / Jeune et Jolie (2013)

*7/10*

Jovem e Bela (Jeune et Jolie) é o novo filme de François Ozon que, depois do inteligente Dentro de Casa (2012), trouxe-nos um trabalho que apela mais aos sentidos. A longa-metragem será exibida este Domingo, a fechar a Festa do Cinema Francês, pelas 22h00 no Cinema São Jorge. O filme esteve na corrida pela Palma de Ouro, no último Festival de Cannes.

Conhecemos Isabelle, uma jovem de 17 anos, ao longo de quatro estações, acompanhada por quatro canções. Ela prostitui-se, mas sabemos que não é por falta de dinheiro. O que verdadeiramente a leva a entrar neste jogo perigoso é o que Ozon nos desafia a descobrir.

Longe da grandiosidade do seu último trabalho, em Jovem e Bela o realizador não traz uma história original. A sua abordagem é, contudo, interessante. Os motivos que levam Isabelle a prostituir-se não ficam claros até ao fim da longa-metragem e o espectador ficará a reflectir, ainda assim, sem conseguir encontrar respostas.

Isabelle é, percebemos desde o início, uma jovem provocadora, de poucas palavras. Há em si uma dificuldade em amar, em ligar-se a alguém - a pessoa mais próxima de si é o irmão mais novo, com a curiosidade típica da entrada na adolescência -, e daí parece advir esta decisão de receber dinheiro por sexo de pessoas desconhecidas. Ainda assim, a questão permanece: o que faz com que uma jovem a quem não falta nada se prostitua? Perto do final, a personagem de Charlotte Rampling - Alice - parece querer dar-nos uma possível resposta. Ainda assim, fica no ar a sensação de que algo nos escapou - ou Ozon preferiu guardar para si.


Jovem e Bela prima pela sensibilidade que traz consigo nas imagens que nos oferece. A nudez surge de forma suave, bem como as cenas de sexo, onde as cores suaves contrastam com as acções de uma jovem pouco comum. Por seu lado, a protagonista Marine Vacth tem um desempenho corajoso e competente. Ela encara sem pudor esta jovem prostituta, que parece não encontrar o seu lugar no mundo. E quando a sua "fantasia" desaba e acreditamos que tudo está a voltar à sua ordem - a sua mudança na festa dos colegas da escola é dos momentos mais curiosos do filme -, ela consegue voltar a surpreender-nos.

Com Jovem e BelaFrançois Ozon traz-nos uma obra com tanto de delicado como de brutal. A temática desafiante pedia, no entanto, uma maior consistência argumentativa - tal como a Jovem e Bela do título, o filme precisa de um melhor rumo.

sábado, 19 de outubro de 2013

Iniciativas de Bloggers: "Filmes que Marcaram", do blog Sala3

O Tiago Leão, do blog Sala3, convidou-me a participar na sua rubrica Filmes que Marcaram. O desafio feito a vários bloggers era o de escolherem um ou mais títulos que os tivessem marcado por algum motivo.

Podem ler a minha lista de sete escolhas - Mulholland Drive e O Gabinete do Dr. Caligari estão entre elas -, bem como as respectivas justificações, AQUI.


Agradeço uma vez mais ao Tiago pelo convite a quem dou também os parabéns pela iniciativa.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ads & Cinema #8

Aos 44 anos, Cate Blanchett é a cara do perfume feminino , da Giorgio Armani. A campanha tem já mais de um mês, mas merece destaque no Ads & Cinema, e os outdoors podem ser vistos pelas ruas portuguesas. Realizado pela francesa Anne Fontaine, o vídeo publicitário da fragrância da marca italiana transpira sensibilidade, romantismo e sensualidade, onde a feminilidade está bem marcada.


Blanchett - tão falada este ano pelo seu papel em Blue Jasmine - está absolutamente deslumbrante. Para além da elegância que sempre a caracteriza, a actriz australiana mostra o seu lado mais sexy, mas também o mais divertido e emocional. A acompanhar as imagens está uma mensagem positiva, narrada em italiano, que enaltece a mulher, os seus sentimentos e emoções.

"Sì" é a palavra de ordem da campanha da fragrância homónima da Giorgio Armani. Podes ver aqui o anúncio publicitário, bem como o seu making of.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Estreias da Semana #86

Dez longas-metragens e cinco curtas estreiam esta Quinta-feira nos cinemas portugueses. Frances Ha, Raptadas ou Machete Mata são alguns dos títulos mais sonantes desta semana.

Códigos de Defesa (2013)
The Numbers Station
Um agente secreto é enviado para uma missão de baixa importância, após ter caído em desgraça. Numa estação da CIA, no Nevada, terá de proteger uma tradutora de códigos. Os problemas começam quando o esconderijo da CIA começa inesperadamente a ser atacado.

E viveram felizes para sempre...? (2013)
Au bout du conte
Laura tem 24 anos e ainda está à espera do príncipe encantado. Quando conhece Sandro numa festa, o seu sonho realiza-se e acredita que encontrou o homem da sua vida. Mas pouco depois conhece Maxime e começa a questionar-se se haverá príncipes mais encantados que outros. E Sandro tem os seus próprios problemas. O seu pai, Pierre, tropeçou numa vidente no funeral do seu pai que o relembrou da data da sua própria morte, que tinha adivinhado muitos anos antes. Maxime também tem os seus problemas, tal como a namorada de Pierre, e a tia de Laura e muitos outros. Será que no final todos viverão felizes para sempre?

Frances Ha (2012)
Em Nova Iorque, Frances é a uma aspirante a dançarina muito próxima da sua melhor amiga Sophie. Ambas têm uma ligação muito forte, mas percebem que terão que crescer e descobrir se conseguem viver uma sem a outra. É quando Sophie muda de casa, que Frances se dá conta de que tem de continuar a sua vida sozinha.

Killing Season Temporada de Caça (2013)
Killing Season
Nas montanhas dos Apalaches, um veterano de guerra retirou-se para uma cabana, numa floresta distante. Quando um visitante surge no local, os dois começam uma inusitada amizade. Porém, o recém-chegado é um antigo soldado em busca de vingança que irá iniciar uma caça ao veterano.

Machete Mata (2013)
Machete Kills
Depois de perder Sartana (Jessica Alba), a sua parceira na luta pela justiça, numa violenta operação, Machete (Danny Trejo) é destacado pelo Presidente dos Estados Unidos (Charlie Sheen) para honrar a sua recém-adquirida nacionalidade americana e aceitar uma missão mortal pelo seu país. É enviado para o México para impedir Mendez the Madman (Demian Bichir),o líder de um cartel, de disparar um míssil sobre Washington.

Morcegos no Campanário (2010)
Bats in the Belfry
Bats in the Belfry é a curta-metragem de João Alves que acompanha o filme Machete Mata. Deadeye Jack retoma um assalto interrompido, mas algo sombrio está entre ele e o dinheiro.

O Último Elvis (2012)
El último Elvis
Carlos Gutiérrez é um imitador de Elvis. À noite, no mundo esplendoroso de imitadores de celebridades de Buenos Aires, ele é uma estrela. De dia, é um empregado fabril sem futuro, até que um acidente trágico o obriga a reconsiderar as suas prioridades.

O Martelo dos Deuses (2013)
Hammer of the Gods
Depois do assassinato do rei, um jovem decide atravessar o território britânico à procura do seu irmão perdido, Hakan, o Feroz, o único capaz de restaurar a ordem no reino. No caminho, ele enfrenta diversos obstáculos que o transformam em um verdadeiro guerreiro.

Os Cavalos de Deus (2012)
Les chevaux de Dieu
Yashin é um rapaz de 10 anos que vive com a família no bairro de lata de Sidi Moumen, em Casablanca. A sua mãe, Yemma, faz o que pode para sustentar a família, que inclui um pai depressivo, um irmão no exército, outro quase autista e um terceiro, Hamid, de 13 anos, o rufia do bairro e protetcor de Yashin. Hamid é preso e Yashin começa a fazer pequenos biscates para tentar sair daquela miséria de violência e droga.

Raptadas (2013)
Prisoners
Keller Dover (Hugh Jackman) é um carpinteiro que vive numa pequena cidade quando a filha e a melhor amiga desaparecem. A polícia não consegue descobrir o paradeiro das duas adolescentes e Keller decide raptar o homem que considera o principal suspeito. No caminho vai cruzar-se com o detective Loki (Jake Gyllhenhaal) destacado para o caso.

Uma boa dose de Sexo (2012)
Thanks for Sharing
Adam (Mark Ruffalo) é um solteirão, consultor ambiental, que mantém uma abstinência de cinco anos; Mike (Tim Robbins) é um construtor civil de meia idade, desde sempre casado com a sua namorada de liceu, e visto por todos como o guia do grupo; e Neil (Josh Gad) um jovem médico de urgências, sempre pronto a contar as suas piadas que quase nunca têm graça, e totalmente dependente. Todos eles são viciados em sexo.

2º Programa de Curtas O Som e a Fúria
Rei Inútil (2013)
Entrecampos (2012)
Gambozinos (2012)
Na Escola (2010)
O Som e a Fúria apresenta esta semana o seu segundo Programa de Curtas, uma oportunidade rara para ver curtas-metragens nacionais em sala de cinema. Rei Inútil, de Telmo Churro, debruça-se sobre Tiago, um aluno repetente, finalista do ensino secundário. Apesar de apelar ao divino, vai novamente chumbar o ano. Entre mentir à benevolente mãe e ceder à tentação de uma viagem com a namorada, Tiago vai ter de tomar decisões, talvez Tiago não seja um caso perdido. Em Entrecampos, de João Rosas, Mariana tem 11 anos e acabou de se mudar de Serpa para Lisboa com o pai. Entre o novo bairro, uma escola desconhecida e percursos incompreensíveis de autocarro, os primeiros dias na cidade não são fáceis. Mas a menina irá rapidamente arranjar um guia à altura.

Por seu lado, em Gambozinos, de João Nicolau, - vencedor da Quinzena dos Realizadores em Cannes - um rapaz de dez anos debate-se com as agruras da vida numa colónia de férias. Não é fácil ser ignorado pela menina dos seus olhos e ver a camarata vandalizada por rufias quase adolescentes. Felizmente, na floresta, os gambozinos teimam em não aparecer. Na Escola, de Jorge Cramez, é outra das curtas-metragens que compõem este programa. Como se não estivesse ali, indiferente ao tédio das crianças à sua volta, a professora continua a escrever no quadro um poema de Camões. Valéria, Simão, Tomás e André trocam olhares e saem sem ninguém dar por isso. Começam a correr sem parar. Paisagens inéditas, espaços de aventura, e a Natureza: lugar novo e intenso. Valéria e os seus companheiros saíram da sala aula ou acordaram dentro de um sonho?

LEFFEST'13: Convidados e Programação

O Lisbon & Estoril Film Festival acontece entre 8 e 18 de Novembro e traz consigo uma programação e convidados de peso. Wong Kar-Wai, James Gray e Aleksandr Sokurov são alguns dos nomes que marcarão presença na edição deste ano.


Dividindo-se entre Lisboa, Estoril e Cascais, o festival vai contar também com a participação de Arto Lindsay, Dominique Gonzalez-Foerster, Abdellatif Kechiche, Roman Coppola, Jason Schwartzman, Paul Giamatti, Valeria Golino, Fanny Ardant, Albert Serra, Corneliu Porumboui, entre outros.

Em Competição estarão 12 filmes, desta vez, provenientes de todo o mundo. São eles: La Bataille de Solférino, de Justine Triet; Stop the Pounding Heart, de Roberto Minervini; Short Term 12, de Destin Cretton; Harmony Lessons, de Emir Baigazin; Viola, de Matías Piñeiro; Palo Alto, de Gia CoppolaThe Strange Little Cat, de Ramon Zurcher; Tip Top, de Serge Bozon; Vic & Flo Saw a Bear, de Denis Côté; When Evening Falls on Bucharest or Metabolism, de Corneliu Porumboiu; Fish & Cat, de Shahram Mokri; e Sieniawka, de Marcin Malaszczak.

O júri da Competição Oficial é composto pelo músico Arto Lindsay, pela artista francesa Dominique Gonzalez- Foerster e pelo artista português VHILS. A este último está ligado à  Street Art que este ano está no centro da programação do festival, com o objectivo de estimular o debate e a reflexão sobre este fenómeno artístico. VHILS é igualmente responsável por uma intervenção artística no Centro do Congressos do Estoril.

A Vida de Adèle: capítulos 1 e 2
Na Selecção Oficial - Fora de Competição estão títulos muito aguardados como A Vida de Adèle: capítulos 1 e 2, de Abdellatif KechicheSacro Gra, de Gianfranco RosiFruitvale Station, de Ryan Coogler; ou Child’s Pose, de Calin Peter Netzer, por exemplo.

Também Fora de Competição estão títulos sonantes como: The Grandmaster, de Wong Kar-WaiThe Immigrant, de James GrayLa Vénus à la Fourrure, de Roman PolanskiInside Llewyn Davis, de Joel e Ethan CoenOnly Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch; ou O Passado, de Asghar Farhadi.

 Only Lovers Left Alive
O LEFFEST'13 presta homenagem ao trabalho de Wong Kar-Wai, James Gray, Jorge Silva Melo e Aleksandr Sokurov. Em Retrospectiva estará Alain GuiraudieGianfranco Rosi e Arnaud DesplechinPaul AusterJ. M. CoetzeeSiri Hustvedt Don DeLillo marcarão presença para leituras e masterclasses. Gérard Depardieu também estará no festival para uma sessão de leitura: as Confissões de Santo AgostinhoJoão César Monteiro, 10 anos após a sua morte, será lembrado através dos seus textos, lidos por diversas personalidades.

A encerrar esta edição do LEFFEST está o espectáculo ROBOT!, que celebra os 20 anos da companhia de dança da célebre coreógrafa Blanca Li. A música está também presente através dos concertos de Yasmine Hamdan (responsável pelo tema principal de Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch), do pianista Piotr Anderszewski com o chefe de orquestra Diego Masson e de Sophie Auster.

O Lisbon & Estoril Film Festival divide-se este ano pelo Centro de Congressos do EstorilCinema MonumentalEspaço NimasCentro Cultural de BelémMuseu Nacional de História Natural e da CiênciaMusicboxCasino EstorilCasa das Histórias Paula Rego e Cinemateca Portuguesa.

Mais informações AQUI.

Córtex'13: Vencedores

O Córtex – Festival de Curtas-Metragens de Sintra terminou no passado Domingo, dia 13 de Outubro, após quatro dias de cinema. Primária, de Hugo Pedro, e Le maillot de bain, de Mathilde Bayle, foram os vencedores do evento.


Primária, de Hugo Pedro, venceu o Prémio Melhor Curta Nacional do Córtex 2013, no valor de 500 euros. Ao mesmo tempo, o filme conquistou também o Prémio do Público para a Melhor Curta Nacional, no valor de 200 euros. Primária conta, em 19 minutos, a história de uma turma do quarto ano que inicia o terceiro e último período escolar e se prepara para os exames nacionais.

Rhoma Acans, de Leonor Teles, recebeu ainda uma Menção Honrosa. Para realizar esta curta documental, Leonor inspirou-se na sua história de família: é filha de pai cigano e mãe não cigana, e grande parte dos seus antepassados ciganos quebraram a tradição da comunidade. A realizadora foi em busca de respostas para perguntas que também são suas, tentando perceber como teria sido a sua vida se o pai, inspirado pela sua própria mãe, não tivesse quebrado a tradição onde nasceu.

O prémio para Melhor Curta Internacional, no valor de 300 euros, foi para Le maillot de bain, de Mathilde Bayle, uma ficção cujo cenário é um parque de campismo junto ao mar, onde Rémi, de 10 anos, fica fascinado por Stéphane, pai de uma amiga dele, um sentimento novo e confuso para o pequeno Rémi.

Chegou assim ao fim mais um edição do Festival Córtex, programado por Michel Simeão e José Chaíça e organizado pela associação cultural Teatro Reflexo, com o apoio da Câmara Municipal de Sintra, a Junta de Freguesia de Santa Maria e São Miguel e o Sintra Quorum.