sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Estreias da Semana #105

Seis novos filmes chegaram ontem às salas de cinema nacionais. Em fim-de-semana de Oscars, Nebraska, Um Quente Agosto e Ciclo Interrompido são os nomeados a estrear.

Ciclo Interrompido (2012)
The Broken Circle Breakdown
Nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Ciclo Interrompido debruça-se sobre a história de Didier e Élise. Ele toca banjo numa banda e é aficionado por tudo o que se refere à cultura americana. Ela é dona de uma loja de tatuagens e tem por hábito pintar no seu corpo todas as histórias de amor já vividas. O amor entre ambos nasce no momento em que se encontram pela primeira vez. Os anos passam e desse amor resulta a filha Maybelle, cujo nascimento vem completar a felicidade do casal. Porém, aos seis anos de idade, Maybelle é diagnosticada com uma doença grave. A partir desse momento, sentindo-se totalmente incapazes de lidar com o medo da perda, cada um deles se volta para si mesmo e para as suas crenças mais profundas, cavando, a cada dia que passa, um poço quase intransponível… 

Nebraska (2013)
Ao receber pelo correio uma carta de um sorteio, o velho Woody Grant (Bruce Dern) acredita estar rico e o seu filho David (Will Forte) vê-se obrigado a acompanhá-lo numa viagem para reclamar a sua fortuna. Nebraska é o destino de pai e filho, que partem numa jornada ao longo de quatro estados norte americanos, onde reencontram velhos amigos e família. Nebraska tem seis nomeações para os Oscars, incluindo Melhor Filme.

O Filme Lego (2014)
The Lego Movie
Emmet é uma mini-figura da LEGO, que é confundida não só com alguém absolutamente especial e extraordinário, mas também com a chave para a salvação do mundo, vendo-se recrutado para uma aliança de estranhos, conhecidos como ‘Os Construtores’, numa grande aventura para impedir o terrível tirano da LEGO, Sr. Negócios, de colar todo o universo.

Pompeia (2014)
Pompeii
Com seis anos, Milo (Kit Harington) assiste ao assassinato dos seus pais e do seu povo às mãos do sanguinário Senador Corvis (Kiefer Sutherland). Capturado e vendido como escravo, Milo torna-se num triunfante gladiador de Popeia que conquista o coração de Cassia (Emily Browning), a filha do regente da cidade romana Pompeia. Milo encontra-se numa luta contra o tempo, procurando resgatar o seu amor do casamento negociado entre seus pais e o Senador Corvis, enquanto o monte Vesúvio entra em erupção e Pompeia se desmorona em seu redor.

Solteira e Fabulosa (2013)
Joséphine
Joséphine (Marilou Berry) odeia o trabalho, o facto de ser gorda, o amante casado, o emprego, e não consegue aguentar mais a pressão dos pais e da irmã, que pensam que aos 30 já é tempo dela encontrar um marido. Quando a irmã anuncia o noivado, Joséphine decide inventar que também está noiva de um fantástico milionário brasileiro. Mas as consequências da sua pequena mentira podem custar-lhe o emprego, o apartamento e obrigá-la a viver disfarçada em Paris!

Um Quente Agosto (2013)
August: Osage County
Baseado na peça homónima de Tracy Letts, vencedora de um Prémio Pulitzer, Um Quente Agosto conta-nos a história das mulheres da família Weston, cujas vidas se afastaram até uma crise familiar as reaproximar e trazer de volta à casa no Midwest onde cresceram e à mulher disfuncional que as criou.

Oscars 2014: Previsões

E como de costume, dou-vos a conhecer as minhas previsões para a noite dos Oscars. É já no próximo Domingo - na madrugada de Segunda-feira, para ser mais exacta - que ficaremos a conhecer os grandes vencedores da grande noite do Cinema. Façam as vossas apostas e conheçam as minhas:


Melhor Filme

Ganha: 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Com possibilidades: Gravidade (Gravity)
Devia Ganhar: Nebraska

Melhor Actor

Ganha: Matthew McConaughey por O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club)
Com possibilidades: Chiwetel Ejiofor por 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Devia Ganhar: Matthew McConaughey por O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club) ou Bruce Dern por Nebraska ou Leonardo DiCaprio por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

Melhor Actriz

Ganha: Cate Blanchett por Blue Jasmine
Com possibilidades: Sandra Bullock por Gravidade (Gravity)
Devia Ganhar: Meryl Streep por Um Quente Agosto (August: Osage County)

Melhor Actor Secundário

Ganha: Jared Leto por O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club)
Com possibilidades: Barkhad Abdi por Capitão Phillips (Captain Phillips)
Devia Ganhar: Jared Leto por O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club) ou Michael Fassbender por 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)

Melhor Actriz Secundária 

Ganha: Lupita Nyong'o por 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Com possibilidades: Jennifer Lawrence por Golpada Americana (American Hustle)
Devia Ganhar: Lupita Nyong'o por 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)

Melhor Realizador

Ganha: Alfonso Cuarón por Gravidade (Gravity)
Com possibilidades: Steve McQueen por 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Devia Ganhar: Alfonso Cuarón por Gravidade (Gravity)

Melhor Argumento Original

Ganha: Uma História de Amor (Her)Spike Jonze
Com possibilidades: Golpada Americana (American Hustle)Eric Warren Singer David O. Russell
Devia Ganhar: NebraskaBob Nelson

Melhor Argumento Adaptado

Ganha: 12 Anos Escravo (12 Years a Slave): John Ridley
Devia Ganhar: O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street): Terence Winter

Melhor Filme de Animação

Ganha: Frozen - O Reino do Gelo (Frozen)
Com possibilidades: The Wind Rises
Devia Ganhar: Ernest & Celestine

Melhor Filme Estrangeiro

Ganha: A Grande Beleza (La Grande Bellezza) (Italia)
Com possibilidades: The Broken Circle Breakdown (Bélgica)
Devia Ganhar: A Grande Beleza (La Grande Bellezza) (Italia)

Melhor Fotografia

Ganha: Gravidade (Gravity)Emmanuel Lubezki
Com possibilidades: NebraskaPhedon Papamichael
Devia Ganhar: Gravidade (Gravity)Emmanuel Lubezki ou NebraskaPhedon Papamichael

Melhor Montagem

Ganha: Capitão Phillips (Captain Phillips)Christopher Rouse
Com possibilidades: 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)Joe Walker
Devia Ganhar: Gravidade (Gravity)Alfonso Cuarón e Mark Sanger

Melhor Design de Produção

Ganha: O Grande Gatsby (The Great Gatsby)Catherine Martin; Beverley Dunn
Com possibilidades: Uma História de Amor (Her)K.K. Barrett; Gene Serdena
Devia Ganhar: O Grande Gatsby (The Great Gatsby)Catherine Martin; Beverley Dunn

Melhor Guarda-Roupa

Ganha: 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)Patricia Norris
Com possibilidades: Golpada Americana (American Hustle)Michael Wilkinson
Devia Ganhar: O Grande Gatsby (The Great Gatsby)Catherine Martin

Melhor Maquilhagem e Cabelo

Ganha: Jackass Presents: Bad Grandpa: Stephen Prouty

Melhor Banda Sonora Original

Ganha: Gravidade (Gravity)Steven Price
Com possibilidades: Filomena (Philomena)Alexandre Desplat
Devia Ganhar: Gravidade (Gravity)Steven Price

Melhor Canção Original

Ganha: Ordinary Love, de Paul Hewson, Dave Evans, Adam Clayton e Larry Mullen, no filme Mandela: Longo Caminho para a Liberdade (Mandela: Long Walk to Freedom)
Com possibilidades: Let it Go, de Kristen Anderson-Lopez Robert Lopez, no filme Frozen - O Reino do Gelo (Frozen) 
Devia Ganhar: Let it Go, de Kristen Anderson-Lopez Robert Lopez, no filme Frozen - O Reino do Gelo (Frozen) 

Melhor Efeitos Sonoros

Ganha: Gravidade (Gravity)
Com possibilidades: O Sobrevivente (Lone Survivor)
Devia Ganhar: Gravidade (Gravity)

Melhor Montagem de Som

Ganha: Gravidade (Gravity)
Com possibilidades: O Sobrevivente (Lone Survivor)
Devia Ganhar: Gravidade (Gravity)

Melhor Efeitos Visuais

Ganha: Gravidade (Gravity)
Com possibilidades: O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)
Devia Ganhar: Gravidade (Gravity)

Melhor Documentário

Ganha: The Act of Killing
Com possibilidades: Dirty Wars
Devia Ganhar: The Act of Killing

Melhor Curta Documental

Ganha: The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Com possibilidades: Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

Melhor Curta de Animação

Ganha: A Cavalo! (Get a Horse!)Lauren MacMullan Dorothy McKim
Com possibilidades: PossessionsShuhei Morita

Melhor Curta

Ganha: The Voorman ProblemMark Gill e Baldwin Li

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Crítica: Nebraska (2013)

"...he just believes what people tell him."
David Grant

*9/10*

Alexander Payne trouxe-nos uma inesperada obra-prima. Nebraska é uma melancólica história de sonhos desfeitos e de perseverança, acompanhada por um amor muito especial. Com os protagonistas, viajamos, a preto e branco, por uma América abandonada, desencantada e sem esperança.

Ao receber pelo correio uma carta de um sorteio, o velho Woody Grant (Bruce Dern) acredita estar rico e o seu filho David (Will Forte) vê-se obrigado a acompanhá-lo numa viagem para reclamar a sua fortuna. Nebraska é o destino de pai e filho, que partem numa jornada ao longo de quatro estados norte americanos, onde reencontram velhos amigos e família.

O argumento original da autoria de Bob Nelson é apaixonante desde o primeiro momento e inesperado, até ao fim. Nada é previsível ou cai no cliché, o humor é arrasador, sarcástico, chegando a ser cruel. As personagens são simples mas profundas e a viagem até Nebraska é uma lição de vida para pai e filho - e plateia. A família é parte fundamental da longa-metragem, seja pela fabulosa relação pai/filho, seja pelo reencontro com a família interesseira e disfuncional de Woody - como tantas que por aí andam.


Ao mesmo tempo, um triste retrato pintado em tons de cinza - potenciado pela fabulosa fotografia de Phedon Papamichael que revela toda a beleza da tragédia -, mostra-nos o lado mais obscuro dos Estados Unidos da América, desolado e sem futuro. Um deserto sem esperança nem jovens, repleto de recordações dolorosas.

Woody e David percorrem um longo caminho em busca de um sonho do patriarca. A conquista vai, contudo, muito para lá da desejada fortuna. A relação entre o par que nos guia por esta América perdida cresce a cada cena, e resulta numa grande prova de amor de um filho a um pai. As personagens dão-se a conhecer e vão-se revelando - a nós e umas às outras. Woody, de saúde débil e dependente do álcool, sabe bem o que quer, e não desiste, ama os filhos apesar de não o demonstrar da melhor forma, e é dono de um passado que deixou marcas profundas. Provavelmente, David nunca conheceu tão bem o pai como durante os dias que passaram juntos, até Nebraska.


Bruce Dern e Will Forte resultam de forma muito credível na pele de pai e filho e a sua relação, com os seus altos e baixos, apaixona-nos de forma indescritível. Dern tem uma das melhores prestações da temporada de prémios: frágil, ingénuo, teimoso, mas cheio de esperança. No meio da debilidade que aparenta, surge uma força de vontade marcante. Ao seu lado, Forte tem um desempenho contido mas cheio de amor. Um homem tímido e simples que faz tudo pelo sonho do pai. Aos dois homens junta-se a fantástica June Squibb que encarna Kate Grant, mulher de Woody e mãe de David, sem paciência para os desvarios do marido, mas que, no fundo, o ama e estima. A actriz cresce no decorrer da longa-metragem e protagoniza os momentos mais hilariantes de Nebraska.

Alexander Payne dá-nos uma lição de vida, embalada por uma das mais belas bandas sonoras do ano, composta por Mark Orton. Uma história de família, numa América esquecida, que nos lembra que há laços e valores que nenhum milhão de dólares é capaz de pagar.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

2º Aniversário do Hoje Vi(vi) um Filme

Faz hoje dois anos que criei o Hoje Vi(vi) um Filme. Era noite de Oscars e pareceu-me uma boa altura para arrancar com este cantinho pessoal cheio de amor pela Sétima Arte. Mais ainda, no difícil ano 2012, o blog foi uma boa forma de escape. 

Já em 2014, continuamos e continuaremos de pedra e cal - uns dias mais que outros. Para além das habituais rubricas, críticas, cobertura de festivais e tudo mais que me vá apetecendo, estão a decorrer duas iniciativas - O Filme da Minha Vida e Já Vi(vi) este Filme -, e é minha intenção continuar a alimentar o Hoje Vi(vi) um Filme com mais conteúdo e opiniões.

O balanço destes dois anos é positivo: mais posts, mais leitores, mais reconhecimento (com tudo o que isso pode trazer consigo) e, acima de tudo, cada vez mais amor pelo Cinema.

Resta-nos celebrar, com muitos filmes!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Crítica: O Lobo de Wall Street / The Wolf of Wall Street (2013)

"Sell me this pen!"
Jordan Belfort
*8/10*
Mais polémico do que alguma vez foi, Martin Scorsese aliou-se a Leonardo DiCaprio num projecto corajoso e provocador que nos leva aos inacreditáveis bastidores dos corretores da bolsa dos anos 80. Com a câmara de Scorsese, o argumento de  Terence Winter (baseado no livro do verdadeiro Jordan Belfort) e as alucinadas interpretações de DiCaprio e Jonah Hill, O Lobo de Wall Street chegou para chocar e surpreender.

Sexo, drogas e dinheiro são a chave da história verídica que aqui nos contam. Uma comédia que desconstrói um submundo cheio de loucura, festa e burlesco, que caminha de braço dado com grandes fraudes financeiras. Vamos rir-nos muito, mas vamos igualmente arrepender-nos de o fazer ao perceber a dimensão do drama e do "caso de polícia" que temos pela frente. Se fosse apenas ficção - sem fundo real -, ficaríamos mais descansados.

O Lobo de Wall Street conta a história verídica do corretor da bolsa nova-iorquino Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio). Belfort passa de acções de pouco valor e dos ideais de justiça para as OPV e uma vida de corrupção, no final dos anos 80. O sucesso excessivo e a sua fortuna aos vinte e poucos anos, enquanto fundador da corretora Stratton Oakmont, deram a Belfort o título O Lobo de Wall Street.


O argumento, tal como todas as componentes da longa-metragem, é atrevido, com momentos hilariantes e óptimos diálogos. A linguagem é agressiva, mas divertida, recorre frequentemente ao calão, enquadrando-se perfeitamente no ambiente de excessos que envolve O Lobo de Wall Street.

Belfort, por seu lado, é narrador e protagonista. Ele tem-nos como confidentes, conta-nos toda a sua versão dos acontecimentos, olha-nos nos olhos como se fôssemos mais uma personagem. Sentimo-nos dentro do ecrã e deixamo-nos contaminar pela atmosfera mundana e currupta. 

As cores garridas, a montagem - de Thelma Schoonmaker, habitual colaborada de Scorsese -, os enquadramentos, travellings e planos por vezes frenéticos, a utilização da câmara lenta, tudo contribui para nos contaminar com o ambiente vibrante e alucinante vivido na empresa e nas vidas daqueles corretores. Toda a componente técnica parece partilhar dos vícios dos protagonistas, no melhor sentido possível.


No elenco, destaque óbvio para Leonardo DiCaprio, seguido de perto por Jonah Hill - sem esta dupla o filme não seria o mesmo. Os dois actores proporcionam-nos momentos impressionantes e verdadeiramente inesquecíveis, de levar às lágrimas de rir. Margot Robbie assume-se como uma jovem promessa na pele da sensual esposa de Jordan. Jean Dujardin surge na pele de um banqueiro suíço, muito igual ao que nos tem habituado e com uma prestação competente. Já a pequena participação de Matthew McConaughey surge como fundamental, sendo a sua personagem o mentor de Jordan Belfort, que ajuda na construção da sua personalidade como corretor da bolsa - o diálogo entre os dois no restaurante é imperdível.

Vamos condená-lo, mas vamos também ter vergonha de gostar tanto de O Lobo de Wall Street. Martin Scorsese não tem medo de nenhum projecto e com a sua ousadia conseguiu cinco nomeações para as principais categorias dos Oscars: nem a Academia resiste à história de Jordan Belfort.

Caminho Largo: 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição - Coragem

O Caminho Largo convidou-me para a segunda edição da iniciativa 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição. Depois da temática da Amizade na primeira edição, agora é a Coragem que comanda escolhas e reflexão.

Aproveito então para divulgar aqui a minha participação nesta excelente iniciativa. 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição pretende fazer reflectir sobre a Coragem no cinema, e propõe a escolha de 3 filmes e um realizador que espelhem bem os seus valores.

Podem conhecer AQUI as minhas escolhas, bem como as do Daniel Rodrigues, da Magazine HD.

Filmes
La Passion de Jeanne d'Arc (1928), Carl Theodor Dreyer

Million Dollar Baby (2004), Clint Eastwood

The Help (2011), Tate Taylor

Realizador: Ridley Scott

A justificação das minhas escolhas encontra-se nos comentários do post original, espreitem.

Agradeço ao Caminho Largo o convite para participar nesta iniciativa.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sugestão da Semana #104

Das estreias a passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana dá destaque ao nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino. A longa-metragem italiana tem vindo a receber diversos prémios, incluindo um BAFTA e um Globo de Ouro.

A GRANDE BELEZA


Ficha Técnica:
Título Original: La grande bellezza
Realizador: Paolo Sorrentino
Actores: Toni Servillo, Carlo Verdone, Sabrina FerilliCarlo Buccirosso
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/16
Duração: 142 minutos

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Filme da Minha Vida, por Bruno Ferreira

O(s) Filme(s) da Minha Vida
por Bruno Ferreira


Não é a primeira vez que me vejo perante tamanha injustiça de escolher apenas um - e ainda para mais com um epíteto tão ressonante - Filme da Minha Vida! Os filmes, tal como os livros, ou os discos, apanham-nos incautos ao virar de uma esquina da vida e caçam-nos com os nossos humores, os nossos dias mais ensolarados ou fases aziagas. E é nessa base que deixam a sua marca nas nossas vidas. Uns, poucos, conseguem deixá-la vincada no nosso espírito, como a marca de um ferro em brasa cravada na carne de um touro. Ficará lá para sempre. Dos outros todos não nos voltaremos a lembrar.

O que acontece é que à medida que avançamos no tempo somos susceptíveis de sermos marcados mais vezes. Como aquela velha tartaruga que com a idade colecciona muitas marcas na sua carapaça, resultado de outras tantas aventuras. É essa a razão pela qual não consigo ser fiel apenas a um filme. Por isso deixem-me por de lado a monogamia cinéfila e assumir os meus pecados carnais com as fitas de oito milímetros.

Aliás, deixem-me ir ainda mais longe. Para escolher o filme da minha vida proponho realizar a famosa prática francesa Ménage à trois, utilizada para designar envolvimentos a três. Só que neste caso vou envolver-me com os três filmes da minha vida. É o que se chama de uma orgia cinéfila. Que venham os lençóis de cetim. 

Casablanca. Um épico de 1942, de Michael Curtis. Um marcante Humphrey Bogart é Rick Blaine e dirige a principal casa nocturna da cidade marroquina. No Café do Rick cruzam-se espiões, bandidos, nazis e aliados. Sempre sob o olhar agridoce de Rick, o desconfiado americano, muitos refugiados europeus tentam sair rumo a Lisboa, uma capital neutral no íntimo da segunda grande guerra. Um desses homens é Victor Laszlo, o líder da Resistência Checa. O problema é que Laszlo é casado com Ilsa Lund (Ingrid Bergman), antigo amor de Blaine. Caberá a Rick, o implacável charmoso, rude calculista, definir o destino de ambos. Tensão e muita intenção nas brilhantes interpretações de Ingrid e Bogart, diálogos fortes num clima perigosamente romântico são os maiores atributos desta ode ao cinema.


Blow Up. 1966. De Michelangelo Antonioni, a história relata a vida de Thomas, um fotógrafo de moda interpretado por um sedutor David Hemmings, numa Londres em plena revolução sexual, numa frenética agitação de festas, amor livre, rock’n’ Roll (saborosa banda sonora de Herbie Hancocke) e muitos excessos. Por tudo isso o filme desnorteou a conservadora Hollywood. O enredo prende-se com uma fotografia acidental que revela um assassinato perpetrado por uma manipuladora e sensual Vanessa Redgrave, na pele de Jane. Com uma fotografia quente e sofisticada, às vezes angustiante, outras excitante e erótico, o filme conta com uma cena considerada como o momento mais sexy da história do cinema. Daí se esculpiu o cartaz do filme. 

Cinema Paraíso. Estávamos em 1988 quando Giuseppe Tornatore trouxe para o grande ecrã a narrativa da paixão pelo cinema acima de todas as outras artes. Esta é a história de um projeccionista de uma pequena vila Siciliana do pós-guerra, o generoso Alfredo (Philippe Noiret) que nos revela o íntimo da sala de cinema, e do acanhado espaço de projecção. É desses momentos que se recorda Salvatore, quando era o pequeno ajudante de Alfredo, tendo a sala escura como central elemento comunitário da época, onde se começavam namoros, se faziam negócios e teciam conspirações, e onde muitas vezes o escuro abafava solapadas cenas de sexo. Mas Salvatore já não é essa criança. Vive em Roma, onde se tornou um realizador de sucesso. É lá que recebe a notícia da morte do seu amigo Alfredo, regressando a Giancaldo para um final poético. Esta é uma película melancólica e apaixonante que, embalada pela banda sonora de Ennio Morricone, se torna incapaz de sustar a lágrima mais inflexível.


Nisto batem-nos à porta. Era o Feios, Porcos e Maus, de Ettore Scola. Vinham nus e crus, despenteados e barulhentos. Infelizmente já não havia lugar para mais fitas por entre os lençóis. Fica para a próxima.

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Bruno Ferreira é um humorista e caricaturista da voz. Empresta a voz e a imagem a diversos personagens em televisão, rádio e eventos. É locutor de publicidade e dobrador de animações. 123 (RTP1), Edição Extra (SIC Radical), Memória de Elefante (RR), Contra-Informação (RTP1), O Formigueiro (SIC), Contrapoder (SIC Notícias) ou 5 Para a Meia-Noite (RTP1) são alguns exemplos do que tem feito. Os seus trabalhos como comediante, actor e locutor podem ser vistos em brunoferreiraonline.com.

Agradeço ao Bruno ter aceite o meu desafio.

Momentos para Recordar #29

Hoje, o Momentos para Recordar destaca um dos melhores filmes de Steven Spielberg (o leque dos melhores é enorme, é certo). Aqui fica, O Resgate do Soldado Ryan. Poucos sabem filmar assim a guerra.

O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan), Steven Spielberg (1998)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Andreia Mandim

Já Vi(vi) este Filme
por Andreia Mandim, do CINEMA'S CHALLENGE

Breakfast at Tiffany's é o filme em que me revejo. Porquê? Pelo drama vivido pela personagem relativamente à forma como escolhe encarar a vida; aos seus medos, aos seus desejos, ao seu passado, presente e futuro. Todo o ambiente criado pela mesma - a constante fuga do amor e, consequentemente, do ser amado, isto por medo de se perder a ela mesma -, são alguns dos momentos que consigo identificar-me, que consigo ver-me reflectida nos olhos de Holly. Seja com a personagem em si - todo aquele avassalador enchente de defeitos, mas, ao mesmo tempo, virtudes, que deambulam entre a fera selvagem ao cervo dócil e frágil - , ou com a narrativa por si - bela, mas arisca -, todo o composto desta obra de Blake Edwards, encabeçada pela imortal Audrey Hepburn, é para mim uma forma de rever a bagagem emocional que carrego e carregarei até ao fim da minha vida.

Mas palavras para quê quando podemos ter música...


Estejam atentos à letra, mesmo que remeta a Tom Sawyer, ela é universal. É impossível não sentir algo quando a ouvimos. É impossível não imaginar...
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Obrigada pela tua participação, Andreia!

Estreias da Semana #104

Cinco estreias chegaram esta Quinta-feira as salas nacionais. A Grande Beleza, O SobreviventeThe Monuments Men - Caçadores de Tesouros concentram a maioria das atenções esta semana.

A Grande Beleza (2013)
La grande bellezza
Jep Gambardella (Toni Servillo) é um escritor charmoso e elegante, apesar dos primeiros sinais de envelhecimento, e goza a vida social da cidade de Roma ao máximo. Mas, cansado deste estilo de vida, Jep sonha em voltar a escrever, assombrado por memórias de um amor da juventude.

Eclipse em Portugal (2014)
Diz a lenda, que Deus apenas permite a vinda do Diabo à terra sobre a forma de bode e é apenas durante o Eclipse que este pode voltar sob forma humana. Tó-Quim é um jovem que se apaixona por Anita, uma devota a Satanás. No tribunal, quando pensava que Anita ia depor a seu favor, o rapaz é traído e abandonado, recebendo pena máxima. Após visitas do padre da sua aldeia à prisão, Tó-Quim torna-se católico devoto e recebe um perdão penal, saindo mais cedo em liberdade. Ao regressar à sua terra, é acolhido pelo padre, e mostra-se reabilitado, reconquistando a confiança dos populares. Contudo, a noite do eclipse está próxima e o sentimento de vingança nunca se esquece.

O Sobrevivente (2013)
Lone Survivor
Baseado numa história verídica, o filme debruça-se sobre a história de quatro SEALs da Marinha que, numa missão infiltrada para neutralizar um operacional de topo da Al-Qaeda, são apanhados numa emboscada pelo inimigo nas montanhas do Afeganistão. Confrontados com uma decisão moral impossível de tomar, o grupo vê-se isolado e rodeado por uma força talibã em número muito superior e pronta para a guerra.

Obsessão Ardente (2013)
Trap for Cinderella
Micky é uma fotógrafa que vive uma vida boémia na cidade de Londres, até que um encontro fortuito com Do, uma antiga amiga de infância, lhe vai mudar a vida. Do é funcionária de um banco, sem grande vida social e o oposto de Micky em termos de personalidade. Todavia, Micky fica encanta por retomar aquela amizade, apesar do desagrado do seu namorado Jake. Quando  as duas resolvem matar saudades do local de férias onde passaram tantos verões de juventude, a tragédia acontece. Um fogo na casa onde estavam alojadas mata Do e deixa Micky desfigurada e num estado amnésico. Ela será obrigada a reconstruir o seu passado, já que todos os que a rodeiam - amigos, familiares, e até ela própria – se tornaram meros desconhecidos.

The Monuments Men - Caçadores de Tesouros (2014)
The Monuments Men
Baseado na história verídica da maior caça ao tesouro de sempre, The Monuments Men - Os Caçadores de Tesouros centra-se num pelotão da Segunda Guerra Mundial, enviado para a Alemanha a fim de resgatar grandes obras de arte de ladrões nazis e devolvê-las aos seus legítimos proprietários. Seria uma missão impossível: com a arte presa para lá das linhas inimigas e com o exército alemão com ordens para destruir tudo durante a queda do Reich, como poderiam estes homens - sete directores de museus, curadores e historiadores de arte – ser bem sucedidos? Numa corrida contra o tempo para evitar a destruição de 1000 anos de cultura, os Caçadores de Tesouros arriscam as suas vidas em nome da arte.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Crítica: 12 Anos Escravo / 12 Years a Slave (2013)

"I don't want to survive. I want to live."
Solomon Northup

*8/10*

Steve McQueen magoa-nos como mais nenhum realizador consegue a cada filme que realiza. Depois de Fome e Vergonha, 12 Anos Escravo não foge à regra e continua a exercer uma forte pressão psicológica (e física) sobre personagens e audiência. McQueen chicoteia quem quer que esteja dentro ou fora do ecrã, a dor é permanente na sua filmografia e sempre abordada da forma mais crua e realista.

Com um tom muito mais comercial e uma produção muito superior a qualquer dos seus antecessores, 12 Anos Escravo conserva, no entanto, as fortes marcas de autor de McQueen, a começar pela temática forte, abordada sem pudor, aos planos longos e reflexivos.

Na pré-Guerra Civil dos Estados Unidos, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um homem negro livre de Nova Iorque, é raptado e vendido como escravo. Enfrentando a crueldade, mas também momentos de inesperada bondade, Solomon luta não só para se manter vivo, mas para preservar a sua dignidade.


12 Anos Escravo é baseado numa história verídica, mais propriamente no livro escrito pelo verdadeiro Solomon Northup e este factor pode fazê-lo destacar-se de outros filmes do género. Apesar dos inevitáveis clichés, 12 Anos Escravo é cruel e, mais do que apelar ao sentimentalismo, prefere mostrar os factos objectivamente, sem juízos de valor, esses são deixados para a plateia.

As interpretações são outro ponto forte do filme de McQueen, que conta no elenco com inúmeros nomes de destaque. São, todavia, os actores secundários que nos oferecem os desempenhos mais aterradores: Michael Fassbender e Lupita Nyong'o. A dupla proporciona-nos momentos fortes e difíceis de digerir: ele na pele do desequilibrado dono de escravos Edwin Epps, ela ao encarnar a escrava Patsey, que sofre o dobro dos restantes escravos, por ser a preferida e alvo de um amor muito peculiar da parte de Epps e de uma inveja desmedida da parte da sua esposa. Já Chiwetel Ejiofor, o protagonista, tem uma prestação à altura da personagem, sofrida e corajosa, mas esperava-se um maior fôlego e entrega.


Tecnicamente, a fotografia, de Sean Bobbitt, joga bem com luz e sombra e potencia ainda mais as belas paisagens, McQueen mostra-se fiel a si mesmo na realização sem medo de filmar a dor e crueldade, e convidando à reflexão. A montagem alterna entre o passado de Solomon e o seu presente enquanto escravo. A ideia é interessante, mas torna-se, a certo ponto, cansativa, entre tantos recuos e avanços. Já a banda sonora de Hans Zimmer funciona bem no todo, mas não traz grande novidade ao trabalho do compositor.

12 Anos Escravo não supera Vergonha, mas é forte e sem moralismos. Certo é que McQueen bate-nos e nós gostamos, e queremos sempre mais filmes assim.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Samuel Andrade

Já Vi(vi) este Filme

A prova mais cabal de que não nasci para ser actor (nem sequer para a arte da pantomima) ocorreu nos idos de 2000: o Verão da humidade a raiar os 100% dos Açores já se sentia, o 12º ano aproximava-se do seu termo, e o meu professor de Oficina de Expressão Dramática (O.E.D.) escolheu, corajosamente, levar à cena Salomé, de Oscar Wilde, como trabalho de final de ano da disciplina. Ou seja, o texto que inspirou o argumento de Salome's Last Dance, um dos filmes mais obscuros do realizador britânico Ken Russell.
Coube-me interpretar Jokanaan, uma versão estilizada da figura bíblica de João Baptista. Sendo uma das personagens-chave do texto de Wilde, e dada a minha quase flagrante ausência de potencialidades de alguém um dia me considerar como potencial “animal de palco”, os sentimentos de amedrontamento e nervosismo eram dominantes no espírito de um puto de dezoito anos.


Talvez o facto de a minha turma de O.E.D ser maioritariamente composta por raparigas (naquela disciplina, era eu e mais um colega masculino) tenha pesado na escolha de casting do professor. A interpretação de outros papéis masculinos fundamentais na peça (Herodes, o jovem Sírio, etc.) ficou, portanto, a cargo de mulheres – uma vicissitude que poderia até nem desagradar a Oscar Wilde. Quero acreditar que também foi decisiva a circunstância de Jokanaan estar literalmente desaparecido de cena durante 90% da peça, resumindo-se a sua presença à audição de clamores proféticos ditos a partir de um canto do palco onde permanecia escondido, e uma lâmpada, que se acendia nos momentos certos por trás de mim, formava a minha sombra num pano branco. Afinal de contas, a projecção de voz era mesmo o meu item de avaliação com melhor aproveitamento.

Realizaram-se duas encenações: uma para a escola, outra mais privada, para pais e professores. O meu guarda-roupa consistia numa t-shirt rasgada e deliberadamente suja, e uns calções pretos igualmente encardidos para a ocasião. Encheram-me a cara de pó branco (uma opção de make-up que nunca compreendi). Da única vez que surgia em palco, estava descalço, pronto a rejeitar as lascivas investidas românticas de Salomé e vociferar deixas como "Filha da Babilónia! Não te aproximes do escolhido do Senhor. A tua mãe encheu a terra com o vinho das suas iniquidades, e o grito dos seus pecados chegou aos ouvidos de Deus".

No meio disto tudo, ser uma personagem “escondida” proporcionou uma genuína vantagem: poder ter o texto aberto à minha frente durante a própria encenação da peça. Pormenores.

Apesar do medo, da insegurança e da voz projectada mas tremida, a experiência deixou uma marca indelével na minha pessoa. E quando (anos mais tarde, não sei precisar em concreto o espaço temporal) vi, por fim, o filme de Ken Russell, toda uma sensação de nostalgia!

O argumento não altera uma vírgula ao texto de Oscar Wilde – o qual é, no único mas delicioso desvio à peça, espectador solitário de uma interpretação de Salomé –, e a película está infundida de uma atmosfera apropriadamente dandy, grotesca e boémia.

Em Salome's Last Dance, Russell espicaça a sensualidade de um texto que, por si, é já metaforicamente erótico, e intensifica visualmente as desconfianças, iras, desilusões e conflitos entre as personagens. Na nossa versão, elaborada para o “público” de uma escola pública, as palavras assumiram contornos de cândida expressividade e fluidez, a entreajuda nunca foi uma ilusão, cada um agarrou a sua personagem como se o sucesso escolar disso dependesse.

Prova disso é ainda conseguir declamar, de memória, algumas das falas de Jokanaan, e de guardar estima por tudo o que refira Salomé. Por isso, não custa afirmar que Salome's Last Dance é, realmente, um filme que já vi(vi).

P.S.: Salome's Last Dance pode ser visto na íntegra aqui http://www.youtube.com/watch?v=ZMO4Qi4AFhc. Não contem a ninguém.

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Obrigada pela tua participação, Samuel!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sugestão da Semana #103

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o filme de Spike Jonze, Uma História de Amor (Her). Tecnologia e romance aliam-se nesta longa-metragem e provam a originalidade e o sarcasmo do realizador. Ao mesmo tempo, Joaquin Phoenix oferece-nos uma excelente prestação. Podes reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

UMA HISTÓRIA DE AMOR


Ficha Técnica:
Título Original: Her
Realizador: Spike Jonze
Actores: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Rooney Mara
Género: Drama, Ficção Científica, Romance
Classificação: M/16
Duração: 126 minutos

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por João Bizarro

Já Vi(vi) este Filme
por João Bizarro, do ::cantinho das artes::


Assim que fui convidado para esta iniciativa, veio-me logo à memória o filme Stand by Me, de Rob Reiner (1986).

Cresci numa vila alentejana, a poucos quilómetros da praia, rodeada por campo, serra, uma ribeira e outros locais prontos a serem explorados. E era isso que fazíamos nos nossos tempos livres, partíamos à aventura, por aqueles campos fora, serra acima, ribeira adentro em busca do desconhecido, colocando-nos muitas vezes em situações arriscadas. E essas aventuras que vivemos em conjunto vieram fortalecer os laços que nos ligavam e fez-nos ver a importância da amizade.

É isso que acontece em Stand By Me, quatro amigos partem à aventura quando sabem que um jovem foi atropelado por um comboio e o corpo continua desaparecido. Querendo tornar-se heróis locais, eles partem à sua procura, passando por muitas situações arriscadas. Um filme sobre amizade e a inesquecível experiência que é crescer.

Por estas razões é que eu encarno num daqueles quatro amigos, cada vez que vejo este filme, baseado no conto The Body, de Stephen King.

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Obrigada pela tua participação, João!

BAFTA Awards 2014: Os Vencedores

Foram este Domingo anunciados os vencedores dos BAFTA. Gravidade e 12 Anos Escravo foram os filmes que mais se destacaram entre os galardoados da noite.


Melhor Filme
12 ANOS ESCRAVO (12 YEARS A SLAVE)

Melhor Filme Britânico
GRAVIDADE (GRAVITY)

Melhor Primeira Obra de um Realizador, Produtor ou Argumentista Britânico
KIERAN EVANS por Kelly + Victor

Melhor Filme em Língua Estrangeira
A GRANDE BELEZA (LA GRANDE BELLEZZA)

Melhor Documentário
THE ACT OF KILLING

Melhor Filme de Animação
FROZEN - O REINO DO GELO (FROZEN)

Melhor Realizador
ALFONSO CUARÓN por Gravidade

Melhor Argumento Original
GOLPADA AMERICANA (AMERICAN HUSTLE)

Melhor Argumento Adaptado
FILOMENA (PHILOMENA)

Melhor Actor Principal
CHIWETEL EJIOFOR em 12 Anos Escravo

Melhor Actriz Principal
CATE BLANCHETT em Blue Jasmine

Melhor Actor Secundário
BARKHAD ABDI em Capitão Phillips

Melhor Actriz Secundária
JENNIFER LAWRENCE em Golpada Americana

Melhor Banda Sonora Original
GRAVIDADE (GRAVITY): Steven Price

Melhor Fotografia
GRAVIDADE (GRAVITY): Emmanuel Lubezki

Melhor Montagem
RUSH - DUELO DE RIVAIS (RUSH)

Melhor Design de Produção
O GRANDE GATSBY (THE GREAT GATSBY)

Melhor Guarda-roupa
O GRANDE GATSBY (THE GREAT GATSBY)

Melhor Maquilhagem e Cabelo
GOLPADA AMERICANA (AMERICAN HUSTLE)

Melhor Som
GRAVIDADE (GRAVITY)

Melhores Efeitos Visuais
GRAVIDADE (GRAVITY)

Melhor Curta de Animação Britânica
SLEEPING WITH THE FISHES

Melhor Curta-metragem Britânica
ROOM 8

Revelação do Ano
WILL POULTER

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Crítica: Uma História de Amor / Her (2013)

"She's not just a computer."
Theodore

*7/10*

O pessimismo e a nostalgia invadem uma sociedade futurista, onde as emoções deixam de ser tão realistas como deviam. Uma História de Amor (Her, no original) é uma mordaz crítica social ao modo como o humano se relaciona com a tecnologia e, cada vez menos, com o seu semelhante.

Numa Los Angeles de um futuro próximo, Theodore Twombly é um homem complexo e sentimental que ganha a vida a escrever cartas pessoais para outros. De coração partido, após o fim de um longo relacionamento amoroso, Theodore fica intrigado com um novo sistema operativo, que promete ser uma entidade intuitiva em si mesma, com uma adaptação individualizada ao utilizador. Quando o inicia, fica encantando por conhecer Samantha, uma voz feminina perspicaz, sensível e divertida, que lhe parece muito real. À medida que as suas necessidades e desejos crescem, em sintonia com os de Theodore, esta amizade transforma-se numa espécie de história de amor.

Spike Jonze escreve e realiza e tem no argumento o ponto forte da sua mais recente longa-metragem. A distopia que apresenta em Uma História de Amor pode facilmente confundir-se com isso mesmo - uma história de amor -, mas, longe do romantismo, é muito mais uma história de seres humanos que deixaram de ser capazes de lidar com emoções reais. No futuro idealizado por Jonze a solidão invade os espaços cheios de gente. São raras as conversas entre amigos, colegas, vizinhos, é raro o olhar para o outro, a sociabilização quase deixa de existir. As atenções centram-se nos aparelhos electrónicos, tão evoluídos, em que já nem precisamos tocar, basta falar, ordenar.


Viver com e para a tecnologia é cada vez mais uma realidade nos dias que correm. Desde cedo que o cinema antecipou o crescendo tecnológico e o poder que esta ferramenta começaria a ter. Jonze leva ao extremo a ideia de um sistema operativo conseguir ter emoções e querer evoluir - mais do que devia -, tal como um ser humano. Com o surgimento desta inovação e de Samantha - ironicamente feita à medida do seu utilizador, Theodore -, tudo se torna ainda mais bizarro. O coração partido de Theo parece encontrar apenas ali a forma - muito fantasiosa - de superar o fim do casamento, a separação da mulher que tanto amou. Mais ainda, surpreendentemente, o facto de um homem namorar com um programa de computador é encarado com extrema naturalidade.

No entanto, Uma História de Amor encaminha-se, em certos momentos, por terrenos menos felizes. O encontro às cegas do protagonista faz-nos perder algum interesse, reforçando a ideia de que, no futuro, ninguém parece saber lidar com sentimentos e relações. A crítica é quase certeira, mas perde-se um pouco na baixa probabilidade deste futuro próximo, e por delegar à maioria da população um espírito muito fraco e nulidade de emoções reais - o pessimismo no que toca ao amor e às emoções é verdadeiramente arrepiante, o que, por outro lado, pode jogar a favor do filme.

Por sua vez, a evolução de Samantha, que tanto questiona e ambiciona ser, torna-a menos ideal do que o previsto, revelando uma faceta egoísta do sistema operativo - que, como em tantos outros filmes, parece querer dominar e superar o humano -, trazendo, no desenrolar da narrativa, muito pouco de aliciante à ideia base. A voz que apaixona o protagonista precisa de algo mais substancial e credível para nos conquistar e, neste caso, apenas nos poderá fazer deixar de acreditar no amor.

Joaquin Phoenix oferece-nos uma interpretação surpreendente - escapou-lhe este ano a nomeação para o Oscar (injustamente, mas há apenas cinco lugares para o muito talentoso ano 2013). Após o desequilibrado e atormentado pelo passado Freddie Quell, em The Master, o actor entrega-se agora ao seu oposto: o solitário romântico, deprimido, refém da tecnologia e com fortes dificuldades em sociabilizar. O seu emprego denota um lado sensível e sentimental, ao mesmo tempo que prenuncia a relação muito pouco saudável e irreal que desenvolve com Samantha. Phoenix transpira sensibilidade e uma timidez arrebatadora.


A amizade de Theodore com Amy, interpretada por Amy Adams - que cada vez mais se revela camaleónica e eficaz em todos os papéis - é, contudo, uma das características mais humanas de Uma História de Amor. A actriz surge com um visual diferente e incorpora uma mulher aparentemente decidida, mas sentimental, que, tal como o protagonista, não sabe lidar com o final de uma relação. Amy, que cria tecnologia, acaba por também, ironicamente, se refugiar nela. Um último destaque para Scarlett Johansson, que apesar de entrar no projecto com ele quase concluído (a actriz substituiu Samantha Morton), assume-se como fundamental, com a sua voz sexy e dominadora - muito longe das habituais robóticas a que se está habituado.

Visualmente, os tons claros de ambiente predominam, e contrastam fortemente com as cores garridas do guarda-roupa (numa sociedade tão distópica, as emoções tinham de estar em algum lado, nem que seja na alegria reprimida de uma camisa vermelha). A banda sonora - nomeada para o Oscar - é um ponto muito forte de Uma História de Amor: melancólica, romântica, nostálgica, e, contudo, tornando-se rapidamente frenética, a transbordar tecnologia e a incorporar a ideia de um computador ou jogo de vídeo.

Um futuro pouco feliz, e com uma aterrorizante dependência sentimental das máquinas, é o que nos traz Spike Jonze em época de romance. Todavia, Uma História de Amor apaixona pouco, serve sim como alerta para a valorização das emoções reais. Não vá Samantha bater-nos à porta um dia destes.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Miguel Domingues

Já Vi(vi) este Filme
por Miguel Domingues, do Café e Cigarros, À Pala de Walsh e Letra 1



Não vou partilhar todos os acontecimentos da minha vida que me levam a considerar The Hottest State (Ethan Hawke, 2006) um favorito sentimental - afinal, vocês não têm nada a ver com isso. Vou apenas fixar-me nesta cena que não só mostra o quão grande actriz é Laura Linney. Mas há aqui um pormenor fantástico: posso dizer-vos que a minha mãe, como a mãe de William, a personagem principal, dá-me uma variação deste discurso de cada vez que a vejo - a única diferença é que me diz que eu devia ler menos. Assim, estremeço um pouco ao ver esta cena. Ah, e só para que conste, também tenho botas de cowboy, que uso à discrição e sem remorso - por muito que a minha mulher lhes chame "as botas vermelhas do Ted Mosby"...

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Obrigada pela tua participação, Miguel!

Estreias da Semana #103

Sete estreias chegam aos cinemas nacionais esta Quinta-feira, véspera de dia de São Valentim. Duas delas, estranhamente, partilham o mesmo título português: Uma História de Amor (Her) e Winter's Tale - Uma História de Amor. Atenção para não os confundirem. No meio de muito romance, há também outras opções para quem quer ir ao cinema nos próximos dias.

A Estrada da Revolução (2014)
O documentário A Estrada da Revolução acompanha três jornalistas portugueses numa viagem por dez países do Médio Oriente e Magreb (Turquia, Síria, Líbano, Jordânia, Israel, Egipto, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos), com o objectivo de perceber as transformações desencadeadas pelas revoluções no Mundo Árabe.

Amor Infinito (2014)
Endless Love
Amor Infinito conta a história de uma rapariga privilegiada e um rapaz carismático cujo desejo ardente despoleta um caso de amor ainda mais rebelde perante a tentativa dos pais para os separar.

RoboCop (2014)
Estamos no ano de 2028 e a OmniCorp – líder mundial em tecnologia robótica – vê uma oportunidade de ouro para facturar milhões de dólares. Quando Alex Murphy (Joel Kinnaman) - um dedicado marido, pai e um excelente polícia, empenhado em terminar com a onda de criminalidade e corrupção que se abateu sobre Detroit – fica gravemente ferido, a OmniCorp agarra a oportunidade de construir um RoboCop, um super policia, metade humano, metade robô. O grande objectivo da empresa é ter um Robocop em cada cidade e nada os irá impedir – seja qual for o custo para Alex – de seguir o seu plano até ao fim. Mas não contaram com um pormenor: ainda há um Homem dentro da máquina.

Um Plano Perfeito (2012)
Un plan parfait
Para contornar a maldição da família que acaba com todos os primeiros casamentos, Isabelle (Diane Kruger) tem uma estratégia para se casar com o homem que ama: encontrar primeiro um idiota, seduzi-lo, casar-se e por fim divorciar-se. Seria um  plano perfeito se o alvo não fosse Jean-Yves Berthier (Dany Boon), editor de um guia turístico, que ela irá acompanhar desde o Kilimanjaro a Moscovo, numa viagem de núpcias para o melhor e, especialmente, para pior.

Um Segredo do Passado (2013)
Labor Day
Henry Wheeler (Gattlin Griffith) tem 13 anos e luta por ser o homem da casa e cuidar da sua mãe Adele (Kate Winslet), enquanto se confronta com todos os problemas da adolescência. Numa ida às compras, Henry e a sua mãe encontram Frank Chambers (Josh Brolin) um homem intimidador, mas claramente a necessitar de ajuda, que os convence a levarem-no para casa deles e que, mais tarde, lhes revela ser um condenado fugitivo. Os dias que se seguem vão definir o resto das suas vidas.

Uma História de Amor (2013)
Her
Numa Los Angeles de um futuro próximo, Theodore Twombly é um homem complexo e sentimental que ganha a vida a escrever cartas pessoais para outros. De coração partido após o fim de um longo relacionamento amoroso, Theodore fica intrigado com um novo sistema operativo, que promete ser uma entidade intuitiva em si mesma, com uma adaptação individualizada ao utilizador. Quando o inicia fica encantando por conhecer Samantha, uma voz feminina perspicaz, sensível e divertida, que lhe parece muito real. À medida que as suas necessidades e desejos crescem, em sintonia com os de Theodore, esta amizade transforma-se numa história de amor.

Winter's Tale - Uma História de Amor (2014)
Winter's Tale
Passada na cidade de Nova Iorque e ao longo de mais de um século, Winter's Tale – Uma História de Amor é uma história de milagres, destinos cruzados e da batalha intemporal entre o bem e o mal.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Crítica: O Clube de Dallas / Dallas Buyers Club (2013)

 "I swear it, Ray, God sure was dressin' the wrong doll when he blessed you with a set of balls."
Ron Woodroof
*6.5/10*

Matthew McConaughey e Jared Leto comandam O Clube de Dallas, com interpretações que fazem valer toda a longa-metragem de Jean-Marc Vallée. Nem as falhas no argumento ofuscam o brilho dos dois actores naqueles que serão, certamente, papéis de uma vida para cada um.

McConaughey é Ron Woodroof, um cowboy do Texas cuja vida sofre uma reviravolta quando, em 1985, lhe é diagnosticado o vírus da SIDA e apenas um mês de vida. Vivem-se os primeiros momentos desta epidemia e os EUA estão divididos sobre como a combater. Ostracizado por muitos dos seus antigos amigos e sem acesso a medicamentos eficazes comparticipados pelo governo, Ron decide tomar conta do assunto e procurar tratamentos alternativos em qualquer parte do mundo por meios legais ou ilegais. Ignorando as regras estabelecidas, Woodroof une forças com um grupo de renegados e marginalizados - que ele próprio teria evitado no passado - e estabelece um “clube de compradores” de enorme sucesso.


O argumento tem por base factos verídicos e uma história com tudo para arrasar no grande ecrã. A concretização, todavia, não é a mais feliz, com um ritmo cansativo e momentos desinteressantes. Entre a homofobia, o travestismo, o desconhecimento da SIDA em meados dos anos 80, até aos interesses económicos que desprivilegiam os doentes, a narrativa passa por todos estes temas, mas sem abordar especialmente nenhum deles. Sente-se a falta de uma crítica mais feroz, de um ritmo mais empolgante.

Apesar disso, as personagens de e McConaughey e Leto são bem construídas e comportam em si o grande valor de O Clube de Dallas. Duas interpretações fabulosas e extremamente físicas (McConaughey emagreceu 20kg e Jared Leto cerca de 14kg) deixam-nos mais próximos da sua causa, dor e doença. O protagonista surge quase irreconhecível, muito magro, sem o charme que marcou parte da sua carreira, na pele de Ron Woodroof e incorpora, de corpo e alma, o choque de um homem bruto, homofóbico e de maus modos, ao descobrir que é seropositivo. Da surpresa e incredulidade, à vontade de lutar e de contrariar o diagnóstico de uma morte demasiado precoce, McConaughey conduz brilhantemente o percurso do electricista - agora solitário, que encontra o mais próximo de um amigo no transexual interpretado por Leto - que desafia a lei, em nome da sobrevivência de muitos. Ao mesmo tempo, é o protagonista quem sofre mais mudanças, quer em termos de relações de amizade, formas de ver o mundo e de encarar o futuro.


Responsável por muitas dessas mudanças é a personagem de Jared Leto que vem provar novamente como é feito para o cinema. Sem preconceitos, o actor entregou-se a uma personagem polémica, um transexual com SIDA e toxicodependente. Ele é Rayon, o maior aliado de Ron na luta pela vida. Leto oferece-nos uma interpretação delicada, mas fenomenal, numa batalha contra a sociedade, a doença, o vicio e a rejeição da família.

Jennifer Garner vem manchar o talento do elenco ao interpretar Eve, a médica que acompanha os casos de Rayon (de quem é amiga de escola) e de Ron, mas se vê dividida entre a ética médica e os interesses das farmacêuticas. A actriz revela-se um erro de casting, sem pulso, sem emoção, sem nada que faça com que a sintamos como necessária. Hilary Swank seria, certamente, uma escolha mais acertada para o papel.

O pouco fôlego que Jean-Marc Vallée e os argumentistas Craig Borten e Melisa Wallack injectaram em O Clube de Dallas é contrabalançado pela presença de McConaughey Leto, que seguram com alma as suas personagens e apaixonam a plateia. A história de luta pela vida, contra a lei e corrupção, não encanta como devia, mas, felizmente, deixou os dois actores conquistar o mundo e os prémios (os Oscars são a próxima paragem).

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Frederico Daniel

Já Vi(vi) este Filme 
por Frederico Daniel, de Os Filmes de Frederico Daniel


Um filme que adoro e em que me revi e pensei "eu já vivi isto" é, sem dúvida, o filme A Origem. Pelo simples facto de antes de ver o filme ter acordado e lembrado que tive um sonho em que nesse sonho também estava a sonhar, quando vi o filme pensei que seria possível. E Inception faz-me pensar que o mundo dos sonhos é um facto constante na nossa vida, tenho noção que o tempo passa muito mais rápido nos sonhos do que acordados. E é isto, um filme com que me identifico principalmente quando estou no mundo dos sonhos.

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Obrigada pela tua participação, Frederico!