sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O meu disfarce de Halloween...

..., se eu este ano me mascarasse, seria certamente uma versão feminina deste:

Alex DeLarge, A Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)

Qual vai ser o vosso disfarce?

Feliz Halloween!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Estreias da Semana #140

Dez filmes chegam esta Quinta-feira* aos cinema portugueses. A Praça, Lixo Tartarugas Ninja: Heróis Mutantes são alguns dos títulos a estrear.

A Praça (2014)
Maïdan
A Praça relata a insurreição popular ucraniana no Inverno 2013/2014. Foi nessa praça, em Novembro de 2013, que cidadãos de todas as idades e de todas as confissões se reuniram para protestar contra o regime do presidente Yanukovich. Foi obrigado a demitir-se no final de Março de 2014. De Novembro a Março, Sergeï Loznitsa filmou Maïdan.

As Duas Faces de Janeiro (2014)
The Two Faces of January
Em 1962, Chester Macfarland (Viggo Mortensen) e a sua mulher Colette (Kirsten Dunst) chegam a Atenas em passeio e durante uma visita à Acrópole conhecem Rydal (Oscar Isaac), um jovem golpista americano que trabalha ali como guia turístico. Contudo, os Macfarland não são o que aparentam. 

Comer Dormir Morrer (2012)
Äta sova dö
Quando uma jovem muçulmana sueco-bósnia, a operária Rasa, que tem uma atitude desprendida perante a vida, perde o seu trabalho, enfrenta o drama do desemprego. Sem diploma de ensino médio, sem emprego – apesar das “suas botas estarem profundamente manchadas pela lama da pequena cidade onde cresceu”Rasa vai entrar em rota de colisão com a sociedade e com o caricato mundo da burocracia, que contradiz os seus próprios valores e expectativas.

Dei-te o Melhor de Mim (2014)
The Best of Me
Baseado no romance de Nicholas Sparks, o filme conta a história de Dawson e Amanda, dois antigos namorados do liceu que voltam a estar juntos, após 20 anos de separação, quando regressam à sua pequena cidade para o funeral de um amigo. Um reencontro que reacende o amor que nunca esqueceram, mas que depressa os vai fazer descobrir que as forças que os separaram continuam vivas, colocando-lhes agora ameaças ainda mais sérias.

Filho de Deus (2013)
Child of God
Baseado no romance homónimo de Cormac McCarthy, Filho de Deus conta a história de Lester Ballard, um homem violento - que o narrador descreve como “um filho de Deus, como um de nós” -, e a sua desastrosa tentativa de existir para lá da ordem social. Consecutivamente privado e afastado da família e com poucas ligações humanas, Ballard desce ao nível das cavernas, mergulhando cada vez mais fundo no crime e na perversão.

Lixo (2014)
Trash
Quando dois rapazes das favelas do Rio de Janeiro, encontram uma carteira na lixeira local onde trabalham, não podiam imaginar que as suas vidas iriam mudar para sempre. No momento em que a polícia aparece, oferecendo uma grande recompensa pela carteira, Rafael (Rickson Tevez) e Gardo (Luís Eduardo), percebem a importância do achado. Juntamente com outro amigo, Rato (Gabriel Weinstein), este trio inicia uma viagem de fuga à polícia e ao encontro dos segredos que a carteira esconde.

Mau Mau Maria (2014)
Depois de um acontecimento trágico, os irmãos Maria Gonzaga vêem-se confrontados com uma imposição do pai que lhes valerá a herança, a identidade e a inteligência emocional: sete semanas é o prazo estipulado para que cada um deles encontre uma mulher que lhe encha as medidas sem lhe esvaziar os bolsos.

O Grande Kilapy (2012)
O Grande Kilapy é a história de um bom malandro angolano no final do período colonial (anos 60/70), livremente inspirada em factos reais. Joãozinho, um vigarista com uma profunda ética de amizade, “bon vivant” a todo o custo, é uma pessoa simples, que congrega em si um conjunto de imperativos de “curtição” indiferente às contingências de vida numa colónia portuguesa: cor de pele e preconceito social. Por força das circunstâncias, Joãozinho acaba por se tornar um personagem incómodo, subversivo e politico para o regime colonial Português.

Sara Prefere Correr (2013)
Sarah préfère la course
Sara é uma jovem atleta de 20 anos, que recebe uma proposta para treinar numa das melhores equipas de atletismo universitário do país. Apesar dos receios da mãe, decide deixar a cidade natal, juntamente com o seu amigo Antony. Rapidamente, Sara percebe que precisa de encontrar novos meios para se sustentar sem a ajuda da mãe e, para conseguir um subsídio do Estado, decide casar-se com o amigo. Mas um casamento aos 20 anos não é exactamente aquilo que ela esperava.

Tartarugas Ninja: Heróis Mutantes (2014)
Teenage Mutant Ninja Turtles
A cidade precisa de heróis. A escuridão instalou-se em Nova Iorque desde que Shredder colocou o seu punho de ferro em todo o lado, da polícia aos políticos. O futuro é cruel até quatro irmãos se erguerem dos esgotos e descobrirem o seu destino como Tartarugas Ninja. Estes heróis mutantes vão ter de trabalhar com a repórter April O’Neil (Megan Fox) e com o seu cameraman, Vern Fenwick (Will Arnett), para salvar a cidade e desvendar o plano diabólico de Shredder.

Pulp: Um Filme Sobre a Vida, a Morte e Supermercados, de Florian Habicht, é apresentado em duas sessões especiais da meia-noite, no dia 31 de Outubro e 1 de Novembro, no Cinema IDEAL. O DVD do filme estará também nas lojas a partir de 31 de Outubro.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Pára-me de Repente o Pensamento (2014)

*8.5/10*

Jorge Pelicano (que já venceu o festival com o documentário Pare, Escute e Olhe) trouxe à Competição Portuguesa de Longas provavelmente o filme mais envolvente e poderoso de todo o Doclisboa'14. Em Pára-me de Repente o Pensamento, entramos numa viagem ao Centro Hospitalar Conde Ferreira, um hospital psiquiátrico no Porto, e partilhamos momentos com os seus doentes, que vagueiam pelos corredores entre cafés e cigarros, terapias que apelam aos sentidos e às emoções e rotinas que os puxam para a realidade. Do mundo exterior, chegamos nós, que assistimos, e o actor Miguel Borges, que ali procura a sua personagem para uma peça de teatro de comemoração dos 131 anos do Hospital, inaugurado a 24 de Março de 1883.


Nos primeiros minutos, preparamo-nos para entrar no Conde Ferreira, vemos os utentes e a sua rotina e conhecemos desde logo alguns personagens. Somos, para já, meros observadores: dos gestos, das palavras. O Sr. Abreu e o Alberto começam logo por nos conquistar e irão acompanhar-nos nesta visita. A eles juntar-se-ão outros utentes do Hospital: Zé Pedro, Joaquim Carvalho, Rosa Guedes e Torres.

A chegada de Miguel Borges torna-nos mais activos em Pára-me de Repente o Pensamento. Depressa damos por nós como parte integrante daquele local, partilhando dramas, amores e terapias. Tal como Miguel, vamos entrando no íntimo dos doentes, escutá-los e compreendê-los, sem preconceitos. E Jorge Pelicano sabe bem como nos aproximar de realidades distantes, sabe como dar um murro no estômago ao espectador, que, inevitavelmente, irá olhar com outros olhos para os doentes psiquiátricos - Miguel Borges será a personificação desse entendimento, dessa compreensão. O actor observa, questiona, sem nunca emitir juízos de valor, ao mesmo tempo que procura também ali a inspiração para escrever uma peça de teatro.

A excelente montagem do documentário contribui em muito para o envolvimento do público, bem como a realização rica em planos intimistas e curiosos (até espreitamos pela fechadura). Há uma enorme atenção aos pormenores e aos gestos repetitivos. Cafés, cigarros, moedas e a esperança depositada no euromilhões. A certo momento, Miguel pergunta a um dos doentes do Conde Ferreira: "O que é que fazias com tanto dinheiro?". A resposta parece ser simples e bem humorada: "Ficava mais tolo do que sou". Aí está um dos bons exemplos do que vamos encontrar neste filme: sorrisos, no meio de uma realidade dura que não deveria estar assim tão distante.


E vamos perder-nos entre conversas profundas ou outras extremamente divertidas - que seguimos, atentos -, mas todas elas tocantes. Tudo enquanto Miguel Borges prepara o seu papel para a peça de teatro do Hospital, em que encarna o poeta Ângelo de Lima, que ali esteve internado, e se inspira para futuros projectos. O actor quer encontrar a melhor forma de interpretar o poema que dá título ao documentário, Pára-me de Repente o Pensamento, e ultrapassa todos os seus limites para o conseguir perante o espanto do espectador e dos utentes.

E entre ensaios e preparação da personagem, alguém diz a Miguel: "Nunca tive ninguém que me inspirasse tanto". Eis a mútua satisfação e entreajuda entre actor e doentes e, muito possivelmente, uma das experiências mais marcantes da vida do actor.

Damos de caras com o desespero de alguns, com a dor, mas também com a esperança, a amizade e o amor. Depois de Pára-me de Repente o Pensamento não seremos os mesmos e Miguel também não. A magia do plano final é um culminar em beleza de um trabalho que fazia falta e que devia chegar a todos.

Doclisboa'14: Volta à Terra (2014)

*7/10*

João Pedro Plácido apresentou a sua primeira longa-metragem, Volta à Terra, no Doclisboa'14, e saiu duplamente vencedor. O filme conquistou o Prémio Liscont e o Prémio IADE para Melhor Longa-metragem da Competição Portuguesa.

O realizador leva-nos até Uz, uma povoação isolada nas montanhas do norte de Portugal, mais propriamente no distrito de Braga, onde vivem cerca de 50 pessoas, de quatro gerações diferentes. Podiam ter emigrado, como muitos nortenhos, mas escolheram ficar e continuar o seu modo de vida ancestral, longe do rebuliço da modernidade.


Para um primeiro trabalho, Volta à Terra é uma obra competente, abordando uma temática muito portuguesa e mostrando como a vida no campo ainda existe, entre a agricultura e a pecuária. A solidariedade entre os vizinhos e a religiosidade estão bem vincadas, e as festas populares ganham sempre uma importância especial ao encherem a aldeia. Em Uz, vemos velhos e novos a trabalhar na terra e no pastoreio, entre conversas mais ou menos críticas sobre o estado do país.

Das personagens da longa-metragem, conhecemos António, um antigo emigrante que realizou o sonho de regressar ao país, e que prepara a festa da aldeia para o Verão que aí vem em conjunto com os outros populares. Por outro lado, a nossa atenção vai centrar-se especialmente em Daniel, um jovem com cerca de 20 anos que trabalha no campo, como tantos outros naquela povoação, e é ali que gosta de estar - vamos percebendo que dificilmente ele trocaria Uz por outro local. Seguimo-lo entre conversas com os colegas, com o afilhado bebé que insiste em falar francês, e, claro, no momento alto do filme, em que reencontra Daniela, uma jovem colega de escola que se torna seu par no baile da terra e com quem dança ao som de A Bela Portuguesa - momento que invoca por breves instantes os amores de Verão de Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes.

Infelizmente, as festas duram pouco, e Volta à Terra concentra-se especialmente no trabalho do campo e nos seus protagonistas. Acima de tudo, um bonito retrato da ruralidade ao longo do ano, com um bom trabalho de fotografia que potencia as paisagens.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Prigionieri della Guerra / Prisoners of War (1995)

*6.5/10*

A secção O nosso Século XX - O Cinema face à História do Doclisboa'14 recebeu Prigionieri della Guerra, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, que reúne materiais cinematográficos da Primeira Guerra Mundial recolhidos nos arquivos dos impérios que se enfrentaram. O documentário põe em confronto “filmes-reportagem” militares dos dois lados da Guerra.


Os realizadores mostram os campos de prisioneiros, os órfãos de guerra, os mortos e feridos - com algumas imagens complicadas de digerir - ou mesmo imagens dos confrontos no campo de batalha. Às imagens da época, os realizadores dão cor e música, numa experiência curiosa e em jeito de documento histórico.

Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi abriram a passada edição do Doclisboa'13 com Pays Barbare, título mais recente, que repetia este género de estética onde a cor domina as imagens de arquivo.

Doclisboa'14: Tôi Quên Rôi + The Walking Tree

Da Competição Internacional de Curtas-metragens do Doclisboa'14, ficam aqui as análises a mais dois filmes: o vencedor Tôi quên rôi e The Walking Tree.

Tôi quên rôi! (I forgot!) - 7/10


Tôi quên Rôi (I forgot!), de Eduardo Williams, foi o vencedor da Competição Internacional de Curtas do Doclisboa. O filme começa por colocar-nos debaixo de água, a nadar ao lado dos peixes, e termina por nos elevar aos céus, num final surpreendente e estonteante. 

O documentário faz-nos acompanhar um grupo de jovens pelas ruas do Vietname, pelo super-mercado, corremos a fugir da polícia e ainda fazemos parkour em construções abandonadas. Ali, ao lado deles, sentimos a liberdade e a força daquela juventude.

The Walking Tree - 6.5/10


Tudo começa em Calcutá, onde Louidgi Beltrame filma uma grande figueira-de-bengala como um espaço metafísico onde histórias voltam à superfície: a invenção e desenvolvimento paralelo da fotografia e da telegrafia na Índia colonizada, o sonho de Lineu segundo Foucault, lembranças dos filmes de Ritwik Ghatak e Satyajit Ray,
 onde realidade e ficção se encontram.

A grande curiosidade de The Walking Tree é a de aliar os locais à História, à literatura e ao Cinema. A narração coloca-nos nos lugares e contextualiza-os de acordo com momentos que os marcaram. 

Doclisboa'14: Father and Sons / Fu Yu Zi (2014)

*5/10*

O grande vencedor do Doclisboa'14 não reuniu o consenso entre o público. Father and Sons, de Wang Bing, conquistou o grande prémio do festival mas não convenceu, mesmo que as intenções do realizador fossem as melhores.

A sinopse prometia algo mais marcante do que o filme nos oferece. Essencialmente contemplativo, Father and Sons debruça-se sobre a vida da família de Cai que, em 2011, levou os dois filhos para o seu local de trabalho, uma fábrica em Fuming, onde trabalhava com pedra, e arranjou-lhes uma escolha. Desde aí que têm vivido numa cabana da fábrica, apenas com uma cama. O realizador quis acompanhar a vida desta família, começando a filmar a 2 de Fevereiro de 2014; mas, na manhã do dia 6 a equipa foi ameaçada e parou as filmagens.


A crítica ao regime chinês continua a ser evidente neste filme de Wang Bing, todavia, o documentário não nos oferece mais do que o quotidiano daquela família, que vive em condições complicadas. O tom provocatório que se podia esperar não existe. Father and Sons resultaria muito mais eficazmente em forma de curta-metragem, tornando-se, como longa que é, num trabalho monótono para o espectador.

Observamos, ao longo de 87 minutos, a pequena divisão partilhada pela família, num acumular de roupa e outros objectos, com uma única cama - um colchão suportado por tijolos -, e vários cães que dormem ou passeiam pela divisão. Temos tempo para observar todos os pormenores, mas não retiramos muito mais do que isso do documentário. Apenas que as condições em que aquela família vive são difíceis e degradantes, mas que parecem ser encaradas de forma normal pelas crianças que desde que chegam não largam o telemóvel nem a televisão, que está sempre ligada, em jeito de companhia. Muito observativo, Wang Bing oferece-nos longos planos fixos onde praticamente nada acontece. Ainda assim, um dos pontos positivos desta opção prende-se com a temporalidade do filme. Pela luz que entra no quarto, sentimos o dia a passar, desde o sol da manhã, ao escurecer da passagem do dia, até ao momento em que a escuridão do local obriga a acender a luz.

Father and Sons poderia ter sido um grande filme, se se tivesse filmado o que inicialmente estava previsto, antes das ameaças e da retirada. Desta forma temos apenas um trabalho que se sente como inacabado - cuja contextualização é apenas dada no fim - e sem uma mensagem clara, por muito que a crítica social lhe seja intrínseca.

Sugestão da Semana #139

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai no documentário de Bruno de Almeida sobre o fadista Camané. Depois de passar pelo festival Doclisboa, o filme chegou agora ao circuito comercial de cinema. Podes ler ou reler a análise do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

FADO CAMANÉ

Ficha Técnica:
Título Original: Fado Camané
Realizador: Bruno de Almeida
Género: Documentário
Classificação: M/6
Duração: 72 minutos

FIKE'14: Vencedores

O FIKE - 12º Festival Internacional de Curtas-Metragens acabou este Sábado, 25 de Outubro. O evento aconteceu simultaneamente nas cidades de Évora e Beja. Conhece aqui os vencedores.


Troféu e Diploma

Melhor Ficção - Travelers in the night - Ena Sendijarevic, Holanda

Melhor Documentário – Troféu FIKE / Estacão Imagem: Cutting Grass - Asier Altuna, Espanha

Melhor Animação - Canis - Marc Riba & Anna Solanas, Espanha


Diplomas FIKE 

Melhor Argumento - To Cut a Long Story Short - Marco Espirito Santo, Portugal

Melhor Fotografia - Touch of Silence - Sven Philipp Pohl, Alemanha

Melhor Representação - Matilde - Vito Palmieri, Itália

Melhor Curta-Metragem Europeia - Daphne or the lovely specimen - Sebastien Laudenbach & Sylvain Derosne, França

Prémio do Publico - ants apartment - Tofiq Amani, Iraque

Competição Nacional - Premio Comendador Rui Nabeiro para a Melhor Curta-Metragem Portuguesa - O Coveiro - André Gil Mata, Portugal

Menções Especiais: 
Virtuos Virtuell - Thomas Stellmach & Maja Oschmann, Alemanha
The Neighbour - Alexandra Galia Burca, Roménia
The being from elsewhere - Guy Bordin & Renaud De Putter, Bélgica

Prémio Don Quijote: (IFFS- International Federation of Film Societies) 
Matilde - Vito Palmieri, Itália

Menção Especial: The being from elsewhere - Guy Bordin & Renaud De Putter, Bélgica

sábado, 25 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Vencedores

Foram esta noite anunciados os vencedores desta edição do Doclisboa. Amanhã é o último dia do festival e o público poderá rever os filmes premiados. Para já, conhece-os aqui.


COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

GRANDE PRÉMIO DA CIDADE DE LISBOA PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

FATHER AND SONS, de Wang Bing (2014, China, França)

MENÇÃO HONROSA

IL SEGRETO, de Cyop & Kaf (2013, Itália)

PRÉMIO ESPECIAL DOCLISBOA DO JÚRI DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

LETTERS TO MAX, de Eric Baudelaire (2014, França)

PRÉMIO PIXEL BUNKER PARA MELHOR CURTA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

TÔI QUÊN RÔI! (I FORGOT!), de Eduardo Williams (2014, França)

PRÉMIO CULTURGEST PRIMEIRA OBRA / PRÉMIO PARA MELHOR PRIMEIRA OBRA TRANSVERSAL ÀS COMPETIÇÕES E RISCOS


PRÉMIO UNIVERSIDADES / PRÉMIO UNIVERSIDADE LUSÍADA PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

HIT 2 PASS, de Kurt Walker (2014, Canadá)

INVESTIGAÇÕES

Prémio RTP para Melhor Documentário de Investigação

EVAPORATING BORDERS, de Iva Radivojevic (2014, EUA, Chipre)

COMPETIÇÃO PORTUGUESA

PRÉMIO LISCONT PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA

VOLTA À TERRA, de João Pedro Plácido (2014, Portugal, Suíça, França)

PRÉMIO SPA PARA MELHOR CURTA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA


PRÉMIO ESCOLAS / PRÉMIO IADE PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA 

VOLTA À TERRA, de João Pedro Plácido (2014, Portugal, Suíça, França)

PRÉMIO DO PÚBLICO - Prémio Jornal Público para Melhor Longa-Metragem Portuguesa

ILUSÃO, de Sofia Marques (2014, Portugal)

Estreias da Semana #139

Esta semana são sete os filmes que estreiam nas salas de cinema portuguesas. Entre eles, destaque para Fúria e Fado Camané.

Carteiro Paulo: O Filme (2014)
Postman Pat: The Movie
Neste filme, o Carteiro Paulo vai experienciar o lado negro da fama ao participar num concurso de talentos da TV. Os demónios do dinheiro, da fama e das roupas brilhantes vão conspirar para afastá-lo daqueles que mais ama, e vão colocar em causa a sua relação com as pessoas mais importantes da sua vida: a sua família e os seus amigos. 

Com Todas as Nossas Forças (2013)
De toutes nos forces
Julien tem 17 anos, sentido de humor, muito charme e uma cadeira de rodas em virtude de sofrer de paralisia cerebral. Apesar do grande amor que sente por ele, a sua família, especialmente o pai, está gradualmente a desfazer-se pela dificuldade em lidar com a sua incapacidade. Numa tentativa de estabelecer uma maior ligação com o pai, Julien desafia-o a participar consigo na prova Ironman em Nice, um triatlo onde o seu pai já tinha competido. Este desafio, por si só dificílimo para um, torna-se quase impossível quando tem de ser feito em conjunto com um jovem deficiente.

Duas Vidas (2012)
Zwei Leben
O filme retrata um caso real das Lebensborn - crianças descendentes de soldados alemães e mulheres norueguesas durante a segunda guerra mundial que foram levados à força para a Alemanha de Leste. Muitas destas crianças fugiram da República Democrática Alemã, regressando às suas famílias já adolescentes. A revelação que muitos destes adolescentes eram agentes da Stasi que procuravam infiltrar-se na Noruega, em plena Guerra Fria, deixou a sociedade em choque.

Fado Camané é uma bonita jornada, a preto e branco, que segue o processo de criação do disco Sempre de Mim. Bruno de Almeida aliou-se a Camané e acompanhou-o nas gravações em estúdio, com José Mário Branco e Manuela de Freitas, em entrevistas e conversas sobre o fado, as suas influências e percurso. 

Fúria (2014)
Fury
Em Abril de 1945, à medida que os aliados fazem a sua investida final pelo teatro europeu de guerra, o sargento Wardaddy (Brad Pitt) comanda um tanque Sherman e a sua equipa de cinco homens numa missão mortal por detrás das linhas do inimigo. Com um número muito inferior tanto de homens como de armas, Wardaddy e os seus homens enfrentam probabilidades esmagadoras na tentativa heróica de atacar o coração da Alemanha Nazi.

Getúlio (2014)
Em Agosto de 1954, o jornalista da oposição Carlos Lacerda sofre um atentado à bala à porta de casa em Copacabana. O atirador erra o tiro e mata o Major da Aeronáutica Rubens Vaz, segurança de Lacerda. O Presidente da República, Getúlio Vargas, é acusado de mandar matar o maior inimigo político do seu governo. Getúlio passa a ser pressionado por lideranças militares e pela oposição para renunciar ao mandato. As investigações mostram que a ordem para o atentado saiu de dentro do Palácio Presidencial. O tenente Gregório Fortunato, homem de confiança do Presidente, é acusado. Ao lado da filha, Alzira Vargas e de colaboradores fiéis como Tancredo Neves e o general Zenóbio da Costa, Getúlio tenta manter-se no poder e provar a sua inocência.

Um Santo Vizinho (2014)
St. Vincent De Van Nuys
Maggie (Melissa McCarthy) e o seu filho Oliver (Jaeden Lieberher), de 12 anos, mudam-se para a casa ao lado de Vincent (Bill Murray), um veterano de guerra.  Quando um dia Oliver fica preso fora de casa no regresso da escola, Vincent permite-lhe ficar em sua casa até a mãe chegar. Vincent está falido, e vê esta situação como uma oportunidade e oferece-se a Maggie para tomar conta de Oliver todos os dias depois da escola. Mas como Vincent não é um vizinho qualquer, introduz Oliver ao seu estilo de vida, que  inclui o jogo, a bebida e o seu relacionamento com uma prostituta russa.

Doclisboa'14: Songs from the North (2014)

*6.5/10*

Songs from the North faz parte da secção Investigações do Doclisboa'14 e é uma co-produção entre Estados Unidos da América, Coreia do Sul e Portugal. Na sua primeira obra, a realizadora Soo-Mi Yoo lança um olhar muito próximo à Coreia do Norte, intercalando o passado e presente do país, onde a música tem um papel muito especial.


A longa-metragem reúne material das três visitas da realizadora ao país, canções, espectáculos, cinema popular e material de arquivo. Segundo Soo-Mi Yoo, o filme pretende "entender, nos seus próprios termos, a psicologia e imaginário popular dos norte-coreanos e a ideologia de amor absoluto que continua a a encaminhar a nação para um futuro incerto". Songs from the North distancia-se dos documentários de tom crítico sobre a Coreia do Norte. Situa-se, aliás, numa espécie de limbo, nesta procura incessante de significados, criando até uma ligação ao país maior do que poderíamos esperar. Soo-Mi filma as críticas aos americanos, mas também as críticas ao regime comunista adoptado pelo país, filma os espectáculos emocionantes e emotivos, as cerimónias que demonstram a dedicação e adoração de todo um povo (apesar das críticas que se sentem nos olhares exteriores), mostra-nos a música tão presente e o cinema. Mostra-nos, ao fim de contas, um país sob um olhar ambíguo.

Doclisboa'14: Quatro (2014)

*6/10*

Fora de Competição no Doclisboa'14, está Quatro, de João Botelho, que se debruça sobre quatro artistas portugueses: João e Jorge Queiroz e Pedro e Francisco Tropa. O filme (que passou esta Sexta-feira, dia 24, pelas quatro da tarde, fazendo jus ao título) divide-se como o nome indica em quatro partes, cada uma referente a um dos artistas. Aqui olhamos para a pintura, desenho, fotografia e escultura, vemos os artistas a trabalhar, sempre sob o ponto de vista de João Botelho.


As marcas do realizador estão bem vincadas (abundam os travellings, a música clássica acompanha a criação artística dos protagonistas), encontramos planos muito bem conseguidos - como a certa altura, quando parece que o pintor se funde com o quadro que pinta -, contudo o ponto fraco de Quatro prende-se com a temática que não chegará a um público mais leigo - pelo menos desta forma. O filme dirá muito mais a artistas tais como os que apresenta, mas Botelho não deixa de merecer todos os elogios por trazer ao cinema um trabalho sobre quatro artistas nacionais.

Doclisboa'14: Competição Nacional de Curtas

O Doclisboa termina já no Domingo e é este Sábado que ficaremos a conhecer os vencedores deste ano. Agora é tempo para analisar os filmes da Competição Portuguesa de Curtas-metragens.

Metáfora ou a Tristeza Virada do Avesso - 8.5/10


Catarina Vasconcelos traz-nos um filme extremamente pessoal. A correspondência entre a realizadora e o seu irmão, em pleno aniversário da morte da mãe, leva-os numa viagem ao passado, para compreender o tempo em que a mãe vivia e como era o seu país, Portugal, na década de 1970, quando ocorreu uma revolução. Misturando uma história familiar com a história de Portugal, este filme é uma luta contra o esquecimento.

O tom é íntimo, aproxima-nos desta história e desta família através de pinturas, fotografias antigas (muitas vez sobrepostas sobre a mesma paisagem na actualidade) e de pequenas filmagens que acompanham o texto que é narrado (a troca de cartas entre o irmão, que estuda em Lisboa, e a irmã, que está em Londres).

A história desta família é a metáfora - de que nos fala o título - da revolução, e da História de um país que se desenvolveu a partir daí. O amor dos pais dos narradores nasceu com a revolução de Abril e Metáfora ou a Tristeza Virada do Avesso é uma bonita homenagem a uma mãe que partiu demasiado cedo e a um país a precisar de rumo, a precisar de ânimo, do amor da revolução.

Motu Maeva - 8/10



Maureen Fazendeiro traz-nos um retrato de Sonja, uma aventureira do século XX, a viver numa ilha que ela construiu sozinha: Motu Maeva. Com ela partimos numa bonita e nostálgica viagem ao passado. Invocamos a memória de momentos marcantes, através de imagens filmadas em Super 8.

Com Sonja viajamos no tempo e percorremos o mundo, conhecemos as culturas que a apaixonaram, a sua história de amor... A realizadora, por seu lado, mostra-nos a ilha em que Sonja vive, intercalando presente e passado num resultado que deixa saudades mesmo a quem não viveu aqueles tempos.

Um Filme Perdido - 6.5/10



Eduardo Amaro traz-nos um registo interessante, num desfilar de imagens da sua infância, dos seus pais. Desta forma tenta reconstruir a memória do passado, com um propósito muito bem pensado, enfrentando a morte, a dor e a separação.

O ritmo tranquilo de Um Filme Perdido, apesar das recordações dolorosas, ganha um novo ânimo perto do final, numa justificação que dá toda uma nova dimensão à curta-metragem.

O Indispensável Treino da Vagueza - 6/10




A partir de arquivos do Centro de Arte e Comunicação Visual -  Ar.Co e de aulas gravadas, Filipa Reis e João Miller Guerra trazem até nós a experiência de quem frequentou aquela instituição - o realizador foi ali aluno -, intercalando estas imagens com conversas caseiras sobre arte, medos, frustrações e o estado do país.

O Indispensável Treino da Vagueza é uma homenagem à Ar.Co, por ocasião dos seus 40 anos, com um toque de nostalgia, que os próprios realizadores parecem sentir. A frase de Manuel Castro Caldas utilizada na sinopse adequa-se perfeitamente ao filme: “Fazer chegar um novo através de coisas que não são exactamente novas." Parece ser mesmo esta a proposta dos realizadores, mas sente-se a falta de uma maior contextualização para o público que possa não estar tão familiarizado com a instituição.

Teares - 5/10




Com Teares, Mónica Baptista dá-nos a conhecer duas realidades distintas - a da Barragem de Castelo de Bode, cuja construção começou em 1945, e as de três mulheres, nascidas nessa década, que continuam a antiga prática de tecer. A ligação que se pode estabelecer entre as duas é muito ténue e talvez esse seja o principal ponto fraco deste filme.

O interesse do público vai recair maioritariamente sobre a História da barragem e curiosidades a ela associadas. Contudo, o documentário é demasiado extenso e não aproveita a sua duração da melhor forma.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Lisbon Revisited (2014)

*7/10*

Edgar Pêra trouxe à Competição Internacional de Longas-metragens do Doclisboa o seu Lisbon Revisited, um título que nos conduz numa viagem a Lisboa, através dos olhos do realizador e das palavras de Fernando Pessoa.


A capital surge-nos irreconhecível - ainda distinguimos o Aqueduto das Águas Livres, as torres das Amoreiras ou a Sé, por exemplo -, com cores diferentes daquelas a que nos habituamos a ver. A visita a Lisboa é acompanhada por narrações de textos de Fernando Pessoa, que parecem ter sido escritos para a maioria das imagens que vemos, ele e os seus heterónimos são o nosso guia.

O estilo de Edgar Pêra está, pois claro, bem vincado, apesar de ser francamente mais experimental do que o habitual. Mas continuam aqui os jogos de som, com distorção de vozes, e os jogos de cor, sobreposição de imagens e uma espécie de atordoamento da plateia. O realizador parece rendido ao 3D, que tem momentos muito interessantes.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Tourisme International (2014)

*8/10*

Tourisme International, de Marie Voignier, faz parte da Competição Internacional de Curtas do Doclisboa'14 e o seu potencial é imenso. A realizadora pretende mostrar-nos como é apresentada aos turistas a ditadura da Coreia do Norte. Provocadora, a realizadora apresenta-nos o que viu na sua viagem ao país mas de uma forma muito peculiar.


Vemos as imagens, ouvimos o som ambiente, mas nunca ouvimos as vozes da guias turísticas, do professor e de quem mais nos fala do país. As explicações são-nos transmitidas pela realizadora, através de intertítulos - qual filme mudo.

Conhecemos as pinturas, os heróis de guerra, o parque de diversões, os monumentos, o feriado nacional, os estúdios de cinema, o Museu das Atrocidades Americanas (qual não será o espanto dos turistas que se deparam com uma versão da História algo diferente da que conhecem), uma fábrica de produtos químicos... mas nunca ouvimos as vozes de quem nos acompanha, numa original e arriscada personificação da ditadura do país que aqui visitamos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Doclisboa'14: L'amore in città (1953)

*7.5/10*

L’Amore in Città é composto por seis segmentos realizados por sete cineastas (Cesare Zavattini, Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Dino Risi, Francesco Maselli, Alberto Lattuada Carlo Lizzani) e faz parte da Retrospectiva Neo-Realismo e Novos Realismos do Doclisboa'14.


Umas mais divertidas, outras mais tristes, L'Amore in Città reúne estas seis historias relativamente realistas sobre o amor na cidade. Amore che si paga, de Carlo Lizzani, é o primeiro segmento a que assistimos sobre as prostitutas de Roma. Segue-se Tentato Suicidio, de Michelangelo Antonioni, que acompanha, como o nome indica, personagens que tentaram o suicídio e parecem ter perdido o encanto na vida. Paradiso per Tre Ore, de Dino Risi, é um divertido segmento que nos vai pôr a dançar. Agenzia Matrimoniale, de Federico Fellini, é talvez o mais fraco de L'Amore in Città, acompanhando uma banal história de um homem que recorre a uma Agência Matrimonial. Storia di Caterina, de Cesare Zavattini e Umberto Maselli, é, por sua vez, o segmento mais forte e bem conseguido dos seis, retratando a história verídica da actriz principal, Caterina Rigoglioso, que se viu obrigada a abandonar o seu filho por amor ao mesmo. Storia di Caterina é extremamente emotivo e sincero, feito de pormenores que enriquecem o todo. A finalizar está o divertido Gli Italiani se voltano, de Alberto Lattuada, que destaca as mulheres jovens e bonitas da cidade e fará soltar gargalhadas à plateia, apesar da sua duração o tornar um pouco repetitivo.

A antologia L'Amore in Città é um curioso registo que reúne grandes nomes do cinema italiano e depois da exibição do passado Sábado no Cinema São Jorge, repete amanhã, 23 de Outubro, na Cinemateca Portuguesa, às 15h30.

Doclisboa'14: Respite, de Harun Farocki

*7/10*

Na secção O nosso Século XX - O Cinema face à História do Doclisboa'14, encontramos a curta-metragem de 2007, Respite, de Harun Farocki. O cineasta, recentemente falecido, oferece-nos um documento histórico, a partir de imagens filmadas em Westerbork, um campo de refugiados holandês criado em 1939 para os judeus em fuga da Alemanha. Após a ocupação da Holanda, tornou-se um “campo de trânsito”. Dali os judeus eram enviados para campos de concentração nazis e a grande maioria deles eram executados. Em 1944, o comandante do campo, Albert Gemmeker, encomendou um filme, rodado pelo fotógrafo Rudolph Beslauer, também ele judeu ali prisioneiro, que nunca chegou a ficar completo.


Respite é um filme mudo e começa por mostrar fotos do local na época, seguindo-se as filmagens de Beslauer, em 16mm. As imagens são intercaladas com intertítulos explicativos e um tanto sarcásticos, com uma forte crítica a tudo o que ali se passava e se queria mostrar. As imagens que vemos estão longe da realidade dos campos de concentração. Aqui (assim nos mostram estas imagens) os prisioneiros trabalhavam - como dentistas ou investigadores científicos, por exemplo - divertiam-se, dançavam, jogavam, tocavam instrumentos... Como lemos no filme: "We expect different images from a nazi-german camp". A incredulidade do espectador será a mesma. Mas o certo é que Westerbork era apenas um campo de trânsito. O pior estava para vir e encontrava simbolismo no comboio que partia todas as Terças-feiras.

Respite passa no dia 24 de Outubro, às 19h30, na Culturgest e no dia 25 no Cinema São Jorge, pelas 18h45.

Doclisboa'14: Traces, de Wang Bing

*6.5/10*

Com Traces (que faz parte da secção Riscos), Wang Bing traz-nos um documentário sem falas, onde apenas ouvimos o som dos passos do realizador que vagueia pelo deserto de Gobi numa jornada que serve como um registo histórico arrepiante. Quando preparava o filme Jiabiangou (A Fossa), o realizador deslocou-se àquele deserto, aos lugares exactos onde viveram e morreram milhares de pessoas nos campos de “reeducação pelo trabalho” montados pelo regime comunista, no final dos anos 50 do século passado. 


Wang Bing filmou cenas de deserto, onde abundam ossos abandonados, restos de tecidos e outros objectos que ali ficaram. Ao seguir os passos do realizador, o público ficará inevitavelmente atordoado, explorando os terrenos desertos e as grutas.

Filmado com uma câmara de 35 mm, o preto e branco e o grão da película parecem querer remeter-nos para o passado doloroso daqueles campos, ainda tão presente, que o realizador agora desenterra. Eis a prova do crime, apresentada mais de um século depois.

Traces repete no dia 26 de Outubro, pelas 19h45, no Cinema Ideal.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

LEFFEST'14: Programa e convidados anunciados

Antestreias muito aguardadas e convidados de peso é o que nos traz a 8ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival (LEFFEST), cuja programação foi hoje anunciada em Conferência de Imprensa no Centro Cultural de Belém. O festival acontece entre 7 e 16 de Novembro e divide-se entre o Cinema Medeia Monumental, Espaço Nimas, Fundação Calouste Gulbenkian, Cinemateca Portuguesa, Centro de Congressos do Estoril e Casino Estoril.


Saint Laurent, de Bertrand Bonello, e Winter Sleep (Palma de Ouro e Prémio FIPRESCI em Cannes), de Nuri Bilge Ceylan, farão as honras de abertura. Os filmes de encerramento desta edição serão Mommy (vencedor do Prémio do Júri do Festival de Cannes), de Xavier Dolan, e Dumb and Dumber To, de Peter Bobby Farrelly. Os homenageados este ano serão John Malkovich e a portuguesa Maria de Medeiros.

Maps to the Stars, de David Cronenberg, Pasolini, de Abel Ferrara, Mr. Turner, de Mike Leigh, Deux Jours, Une Nuit, dos irmãos Dardenne, As Maravilhas, de Alice Rohrwacher, Duran Duran: Unstaged, de David Lynch, Variações de Casanova, de Michael Sturminger, ou The Postman's White Nights, de Andrey Konchalovsky são outros títulos muito esperados pelo público que terão antestreia no LEFFEST, fora de competição. Em Competição estarão 12 filmes de realizadores como Bruno Dumont, Christian Petzold, Hong Sang-soo e John Boorman. Haverá ainda, e como de costume, uma competição de curtas-metragens que junta trabalhos de escolas de cinema europeias.


Haverá ainda espaço para retrospectivas de Andrzej ZulawskiGonzalo García PelayoKléber Mendonça FilhoMarlen KhutsievPhilippe Garrel e Tariq Téguia.

Nos convidados, a lista é muito extensa e aglomera personalidades de áreas muito distintas. Encontramos os realizadores Abel Ferrara, Bertrand Bonello, Jean-Pierre e Luc Dardenne, Marlen Khutsiev, Philippe Garrel ou Stephen Frears, por exemplo. Nos actores - e para além dos homenageados -, destaque para Sabine Azéma, Nina Hoss, Willem Dafoe, Gaspard Ulliel, Victoria Guerra, entre outros. Mas não só de cinema vive o LEFFESTDimitris Dimitriádis, Peter Handke, John Berger, Edgar Morin e Dulce Maria Cardoso são alguns dos escritores que marcarão presença no festival. Outras personalidades que também não vão faltar são, por exemplo, o pianista Piotr Anderszewski, Arto Lindsay & BandDominique Gonzalez-Foerster, Julião Sarmento, alguns nomes ligados à moda - a propósito da projecção de Saint Laurent -, Felipe Oliveira BaptistaBella FreudEmanuel Ungaro, e muitos outros.

O Lisbon & Estoril Film Festival traz consigo muitos outros títulos nas secções Cinemart, Cinema e Moda (também a propósito do Filme de Abertura de Bertrand Bonello), Cinema e Matemática, algumas Sessões Especiais, Séries de TV - que apresentará diversas séries e telefilmes de Roberto Rosselini, e algumas novidades recentes -, bem como masterclasses, Leituras, Teatro - com a peça Os Belos Dias de Aranjuez, de Peter Handke, com encenação de Tiago Guedes e interpretações de Isabel Abreu e João Pedro Vaz (os três também presentes na conferência de imprensa) -, exposições, um concerto de Arto Lindsay & Band e o Simpósio Internacional Ficção e Realidade: Para Além do Big Brother, que tem igualmente um ciclo de cinema associado. Julian Assange e Noam Chomsky têm uma participação especial no LEFFEST e, não marcando presença física, terão uma intervenção vídeo.

O LEFFEST assinala a estreia mundial da exposição de Sandro Miller, Malkovich, Malkovich: Homage To Photographic Masters, em simultâneo com Chicago, que poderá ser visitada no Centro de Congressos do Estoril.


Na conferência de imprensa estiveram presentes o director do festival, Paulo Branco, o Presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, e Fernando Medina, Vice-Presidente da Câmara de Lisboa. A homenageada Maria de Medeiros também não faltou.

Mais informações sobre o Lisbon & Estoril Film Festival podem ser encontradas aqui.

Doclisboa'14: Gangster Backstage + Vous qui gardez un Coeur qui bat

Gangster Backstage e Vous qui gardez un Coeur qui bat passaram pelo Doclisboa no passado Domingo, dia 19 de Outubro, e fazem parte da Competição Internacional de Curtas-metragens. A mesma sessão repete esta Terça-feira, dia 21, no Grande Auditório da Culturgest, pelas 16h30.

Gangster Backstage - 7/10


Durante uma sessão de casting na África do Sul, o realizador Teboho Edkins pede a criminosos verdadeiros para subirem ao palco e interpretarem a sua vida quotidiana. O espectador assiste a conversas com estes gangsters e a uma introspecção interpretativa - ao estilo de The Act of Killing mas numa escala menor.

Conhecemos alguns dos seus crimes, os dias passados na prisão, o medo da morte - que parece dominar-lhes os pensamentos - e a preocupação com a família. Parecem todos estar cientes do que fazem e das consequências que tais actos podem acarretar. Teboho Edkins traz-nos um interessante retrato destes homens e mulheres e faz reflectir - ao público e aos gangsters.

Vous qui gardez un Coeur qui bat - 7/10


Antoine Chaudagne e Sylvain Verdet levam-nos a viajar ao gelado leste da Ucrânia, onde acompanhamos um grupo de mineiros. Depois do duro trabalho na mina, estes homens reúnem-se para beber vodka, enquanto conversam acerca da morte de um camarada num acidente. Entre eles está Slava, de 30 anos, que sonha escapar da sua aldeia, para começar uma nova vida com uma jovem mulher que conheceu na Internet.

Seguimos de perto Slava, o seu dia-a-dia numa terra com muito pouco para fazer e onde a mina parece ser a única possibilidade de trabalho, mesmo sem ver asseguradas as condições de segurança. O jovem mineiro sonha juntar-se à namorada - que conhecemos através dos telefonemas entre os dois ao longo do documentário -, numa cidade mais quente e junto ao mar.

Vous qui gardez un Coeur qui bat é um retrato de quem vive com medo e se alimenta de esperança, numa Ucrânia anterior aos conflitos recentes.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sugestão da Semana #138

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana poderia recair em qualquer um dos títulos estreados. No entanto, a escolha desta semana vai para o filme de terror, O Senhor Babadook, que passou pelo Festival MOTELx antes de chegar ao circuito comercial de cinema.

O SENHOR BABADOOK


Ficha Técnica:
Título Original: Babadook
Realizadora: Jennifer Kent
Actores: Essie Davis, Daniel Henshall, Tiffany Lyndall-Knight
Género: Drama, Terror, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 93 minutos

Doclisboa'14: A Lã e a Neve (2014)

*5/10*

A Lã e a Neve é uma das longas-metragens da Competição Portuguesa do Doclisboa e passou este Sábado pelo Cinema São Jorge. João Vladimiro propõe-nos uma aproximação diferente aos bastidores do espectáculo de dança A Lã e a Neve, preparado e apresentado em 2012.


Trata-se de um filme sobre este espectáculo em específico e sobre os problemas que o trabalho artístico colectivo coloca aos seus intervenientes. Estamos perante um trabalho de dança contemporânea de cariz muito pessoal e exigente, dirigida por Madalena Victorino. João Vladimiro - bailarino para além de realizador - filmou esta realidade mais próxima de si do que do público leigo na matéria. Seguimos os ensaios, as conversas entre coreógrafa e bailarinos, as propostas de uns e outros, os dilemas e preocupações da equipa, na árdua tentativa de alcançar a perfeição e os sentimentos plenos.

A relação entre gémeos é o motor do espectáculo e é interessante acompanhar o trabalho dos bailarinos e dos irmãos convidados para com eles partilharem o palco e os gestos. Do espectáculo em si, cuja preparação seguimos entre analepses e prolepses, nada vemos, apenas a sua construção.

A Lã e a Neve será certamente um filme para bailarinos e artistas que se identifiquem com este trabalho de preparação de uma peça - de dança ou não. Todavia, não chegará a todos, já que a identificação é uma tarefa verdadeiramente difícil para quem não vive este género artístico, e não está habituado a uma arte tão introspectiva.

sábado, 18 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Fado Camané (2014)

*8/10*

Foi com uma homenagem ao fado e a uma das suas mais famosas vozes da actualidade que abriu a secção Heart Beat do Doclisboa'14. Fado Camané é uma bonita jornada, a preto e branco, que segue o processo de criação do disco Sempre de Mim. Bruno de Almeida aliou-se a Camané e acompanhou-o nas gravações em estúdio, com José Mário Branco e Manuela de Freitas, em entrevistas e conversas sobre o fado, as suas influências e percurso. 


Para ser perfeito, o tom tem de ser o certo, a entoação a adequada e o sentimento deve ser verdadeiro, chegar a quem ouve e, até mesmo, fazer arrepiar. Ouvimos as dicas de José Mário Branco e Manuela de Freitas, vemos arte a ser criada no preciso momento em que a câmara está a filmar, ouvimos as conversas intimistas, em tom de conselho, conhecemos melhor o fadista - humilde e tão amigável que depressa nos sentimos parte daquela equipa de trabalho - e o processo de criação.

Fado Camané é um belo retrato do fadista e tem a banda sonora perfeita. Faz-nos sentir cada palavra e torna todos os temas de Sempre de Mim mais próximos do público. Depois da estreia mundial no Doclisboa, o filme chega às salas de cinema no dia 23 de Outubro.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Estreias da Semana #138

Chegam esta Quinta-feira aos cinemas seis novos filmes, de géneros muito variados. Entre os títulos a estrear estão Frank, Matem o Mensageiro, O Juíz ou O Senhor Babadook.

Frank (2014)
John (Domhnall Gleeson), um aspirante a músico que se encontra um pouco perdido quando decide juntar-se a uma banda de pop alternativo liderada pelo enigmático e excêntrico Frank (Michael Fassbender) - um génio musical que se esconde dentro de uma grande cabeça falsa.
 
Matem o mensageiro (2014)
Kill the Messenger 
Casualmente, Gary Webb descobre uma história que o leva a investigar as origens sombrias da epidemia de crack que assolou as ruas do país e dos homens por detrás dela e à descoberta do envolvimento da CIA no contrabando de cocaína para os EUA, usando os lucros para armar os rebeldes na Nicarágua. Apesar das advertências dos grandes traficantes e dos agentes da CIA para suspender a investigação, Webb continua irredutível e expõe uma conspiração com implicações explosivas. Esta jornada leva-o das prisões da Califórnia às aldeias da Nicarágua, até aos corredores do poder em Washington, DC – atraindo um tipo de atenção que ameaça não só a sua carreira, mas a sua família e a própria vida.

O Juiz (2014)
The Judge
Hank Palmer (Robert Downey Jr.) é um advogado de sucesso da grande cidade, que retorna à sua casa de infância, onde o seu pai, um juiz de referência (Duvall), é suspeito de assassinato. Durante este processo de procura da verdade, Hank reencontra também o elo de ligação perdido há muito com a família.

O Quarto Azul (2014)
La chambre bleue
Um homem e uma mulher amam-se em segredo, sozinhos num quarto. Eles desejam-se. No crepúsculo, partilham alguns pequenos nadas. Pelo menos é nisso que o homem acredita. Agora, sob investigação policial e judicial, Julien não consegue encontrar as palavras certas. O que aconteceu? De que é ele acusado?

O Senhor Babadook (2014)
The Babadook
Passou este ano no Festival de Sundance e no MOTELx, O Senhor Babadook relata a história de uma mãe, atormentada pela morte do marido, que luta contra um medo nocturno que o filho tem. Rapidamente ela descobre que uma presença sinistra se esconde na sua casa.

Os Monstros das Caixas (2014)
The Boxtrolls
Tudo acontece em Ponte de Queijais, uma elegante cidade da era vitoriana, obcecada com a saúde, classe e com o fedor dos queijos de excelência. Sob as suas ruas habitam os Monstros das Caixas, abomináveis seres que rastejam de noite para fora das sarjetas e roubam o que os habitantes da cidade mais amam: as crianças e os queijos. Pelo menos é esta a lenda em que os cidadãos sempre acreditaram. Na verdade, os eles são uma comunidade peculiar, adorável e excêntrica, que habita em cavernas subterrâneas, e que veste caixas de cartão recicladas. Os Monstros das Caixas criaram um menino humano órfão desde a sua infância e sempre o trataram como um dos seus mergulhadores e colecionadores de lixo mecânico. Quando os Monstros das Caixas se tornam alvo de um exterminador de pestes, determinado em erradicá-los como forma de entrar na sociedade de Ponte de Queijais, este grupo terá de recorrer ao menino adoptado e a uma aventureira menina para construir uma ponte entre os dois mundos e criar ventos de mudança... e de queijo.