sábado, 31 de janeiro de 2015

Crítica: A Teoria de Tudo / The Theory of Everything (2014)

"I have a slight problem with the celestial dictatorship premise."
Stephen Hawking

*7/10*

"Conto de fadas" é uma boa expressão para caracterizar A Teoria de Tudo que, apesar do seu tom positivo e romântico, não deixa de se revelar melhor do que o esperado, assentando especialmente nas surpreendentes interpretações do seu elenco. Tudo é muito cor-de-rosa, construído para ser bonito ou para emocionar, mas, no fim de contas, A Teoria de Tudo acaba por ser um interessante e intimo retrato de um casamento que durou o tempo que tinha de durar.

A Teoria de Tudo debruça-se sobre a relação entre o famoso físico Stephen Hawking e a sua mulher Jane, desde o tempo da Universidade, quando o diagnosticaram com esclerose lateral amiotrófica.

Anthony McCarten adaptou o livro de Jane Hawking, e falha ligeiramente por não se dedicar um pouco mais a Stephen e às suas descobertas, mas sim, quase exclusivamente, ao seu casamento. O tom é demasiado romântico, construído para apelar às lágrimas da plateia, mas com uma aura positiva que torna tudo menos emocionante do que se tivesse um pouco mais da crueza da realidade. No centro de A Teoria de Tudo está, exactamente, um casamento e a forma como o casal lidou com o desenvolvimento da doença de Stephen. O Tempo tem aqui também uma importância simbólica curiosa, menos pelas teorias do físico que apenas conhecemos brevemente, mas pela forma como os dois anos de esperança de vida que lhe deram se traduziram em muitos mais e em muitos feitos, pessoais e profissionais.


No final, conhecemos melhor a mulher do que o homem - talvez porque tudo tenha sido inspirado nas suas memórias -, e, se a realidade for tão semelhante à ficção, aqui temos uma grande mulher. Tão grande como ela é a interpretação de Felicity Jones, que se entrega de alma e coração à personagem, que parece ter estudado bem, numa especial atenção a gestos e palavras. O esforço dá frutos e, como JaneFelicity sofre e sacrifica-se como poucas.

Ao seu lado está Eddie Redmayne como Stephen, numa interpretação extremamente física, que exigiu do actor um treino esforçado. Perdeu peso, alterou a postura, e o resultado é surpreendente, mesmo nas parecenças com o original. Apesar de muito competente, talvez Redmayne tenha colocado o desempenho físico ligeiramente à frente do psicológico e seria interessante ter sentido um pouco mais de entrega nesse aspecto.


Tecnicamente, tudo parece estar desenhado de acordo com a história, com James Marsh a fazer um trabalho competente mas muito muito "encantado" - o encanto vai passando com o deteriorar do estado de saúde de Stephen - na realização, e com a banda sonora, de Jóhann Jóhannsson a destacar-se como o ponto mais forte.

A Teoria de Tudo é, fundamentalmente, um filme de grandes interpretações, onde viajamos no tempo e acompanhamos a intimidade de um casal e a sua luta para lidar com a doença, que chegou cedo demais.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Estreias da Semana #153

São quatro os filmes que chegam às salas de cinema esta Quinta-feira, dia 29 de Janeiro. Entre as estreias estão dois dos nomeados para os Oscars: A Teoria de Tudo e Whiplash - Nos Limites.

A Teoria de Tudo (2014)
Theory of Everything
A Teoria de Tudo debruça-se sobre a relação entre o famoso físico Stephen Hawking e a sua mulher Jane.

O Excêntrico Mortdecai (2015)
Mortdecai
O nobre Charlie Mortdecai (Johnny Depp), comerciante de arte um pouco escrupuloso e bon vivant de Londres, está com sérios problemas de liquidez. Para além de todas as suas dívidas aristocráticas, Charlie precisa arranjar oito milhões de libras em menos de uma semana, ou perderá a sua ancestral propriedade e, juntamente com ela, a sua encantadora esposa, Johanna (Gwyneth Paltrow). Quando um restaurador de arte, a trabalhar num Goya há muito perdido, é assassinado e o quadro desaparece, os problemas de Charlie podem ser ultrapassados se encontrar a obra-prima perdida e reclamar a recompensa.

Whiplash - Nos Limites (2014)
Whiplash
Sob a direcção do impiedoso professor Terence Fletcher (J.K. Simmons), Andrew Neiman (Miles Teller), um jovem e talentoso baterista, procura a perfeição a qualquer custo, mesmo que isso signifique perder a sua humanidade.

Wild Card - Jogo Duro (2014)
Wild Card
Nick Wild (Jason Statham) é um ex-viciado em jogo que trabalha como guarda-costas. No entanto, um ajuste de contas com um líder da máfia que abusou da sua amiga Holly (Dominik García-Lorido), irá levá-lo a enfrentar sérios problemas, com consequências imprevisíveis.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Crítica: Sniper Americano / American Sniper (2014)

"I'm willing to meet my creator and answer for every shot that I took..." 
Chris Kyle
*5/10*

Um elogio a um herói de guerra para os norte-americanos, talvez pouco heroicizado pelo resto do mundo, chega-nos em Sniper Americano. Clint Eastwood realizou mais um filme de guerra, com semelhanças a outras longas-metragens recentes, onde o palco é o médio oriente e o lado americano sai sempre valorizado. Menos patriotismo e maior isenção poderia jogar a favor desde filme sobre o sniper americano mais mortífero de sempre.

Chris Kyle, Comando Naval de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (SEAL), é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger os seus colegas de armas. As histórias da sua precisão depressa se espalham e ele passa a ser conhecido como a “Lenda”. No entanto, a sua reputação começa também a ganhar nome atrás da linha do inimigo, que coloca a sua cabeça a prémio, fazendo dele um alvo primário dos insurgentes.

O dilema moral, simplesmente, não existe (apesar do trailer nos querer enganar nesse sentido) em Sniper Americano. Esse é um dos principais grandes problemas do filme de Eastwood: a exagerada identificação com o lado americano, sem deixar espaço à reflexão. O argumento toca levemente nos traumas de guerra, no afastamento da família, mas o certo é que não vemos no ecrã muito mais do que um homem responsável por mais de 160 mortes ser elevado a herói e sem reflexo de qualquer tipo de sentimento de culpa - e é difícil, mesmo cinematograficamente, admirar um filme assim.


Bradley Cooper tem uma prestação aceitável, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Contudo, está formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.

A realização filma interessantes sequências de guerra, mas nada muito diferente do que já vimos em outros filmes recentes. O nome de Clint Eastwood prometia muito mais e Sniper Americano revela-se uma desilusão, sem nada de novo, que nem espaço para a reflexão quer deixar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sugestão da Semana #152

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Noite Cairá, de André Singer. Este documentário está nos cinemas e passa também na RTP1 esta Terça-feira, 27 de Janeiro, à noite.

A NOITE CAIRÁ


Ficha Técnica:
Título Original: Night Will Fall
Realizador: André Singer
Género: Documentário
Classificação: M/14
Duração: 75 minutos

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Estreias da Semana #152

Seis filmes estrearam nas salas de cinema portuguesas esta Quinta-feira.

A Noite Cairá (2014)
Night Will Fall
A 15 de Abril de 1945, as tropas britânicas libertaram o campo de concentração de Bergen-Belsen.  Uma equipa de filmagens filmou as pilhas de cadáveres e os sobreviventes, provas irrefutáveis dos crimes cometidos pelo regime Nazi. O produtor Sidney Bernstein planeava usá-las num filme e convidou Alfred Hitchcock para o montar. Mas, depois do fim da Guerra, as forças de ocupação mudaram a sua política e em vez de confrontar a Alemanha com a culpa, preferiram instalar a confiança para tornar possível a reconstrução do pós-Guerra, e estas imagens foram confinadas aos arquivos. A Noite Cairá segue as pisadas deste filme inacabado conhecido como o “Hitchcock perdido”.

Blackhat: Ameaça na Rede (2015)
Blackhat
No mundo do cibercrime global, Blackhat: Ameaça na Rede acompanha a história de um recluso em liberdade condicional que, em conjunto com parceiros de pontos extremos do globo, persegue uma rede organizada de cibercrime de alto-nível, de Chicago a Los Angeles, de Hong Kong a Jacarta.

O Homem Decente (2014)
Der Anständige
Através de cartas, fotografias e diários encontrados na casa de família dos Himmler em 1945, o filme retrata a vida e a mente do “Arquitecto da Solução Final”, Heinrich Himmler.

O Último dos Injustos (2013)
Le Dernier des Injustes
Em 1975, em Roma, Claude Lanzmann filma Benjamin Murmelstein, o último Presidente do Conselho Judeu do gueto de Theresienstadt, o único que sobreviveu à Guerra. Rabino em Viena, Murmelstein, depois da anexação da Áustria pela Alemanha em 1938, lutou com unhas e dentes com Eichmann, semana após semana, durante sete anos, conseguindo fazer com 121 mil judeus emigrassem e evitando a liquidação do gueto. Em 2012, Claude Lanzmann, com 87 anos, recupera estas entrevistas em Roma, regressando a Theresienstadt, a cidade “dada aos judeus por Hitler”. Descobrimos a personalidade de Benjamin Murmelstein. Através destas três épocas, de Nisko a Theresienstadt e de Viena a Roma, o filme revela a génese da solução final, desmascara o verdadeiro rosto de Eichmann e desvenda as contradições do Conselho Judeu.

Sniper Americano (2014)
American Sniper
Chris Kyle, Comando Naval de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (SEAL), é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger os seus irmãos de armas. A sua precisão singular salva inúmeras vidas no cenário de guerra, e à medida que as suas histórias se espalham, ele passou a ser conhecido como a “Lenda”. No entanto, a sua reputação, começa também a ganhar nome atrás da linha do inimigo, que coloca a sua cabeça a prémio, fazendo dele um alvo primário dos insurgentes.

Um Verão na Provença (2014)
Avis de Mistral
Este ano as férias de Verão de Léa, Adrien e o irmão mais novo Theo, que nasceu surdo, vão ser na Provença, com o avô Paul, que eles nunca conheceram devido a um conflito familiar. Em 24 horas, torna-se evidente o choque de gerações entre os adolescentes e o avô, que eles consideram um controlador excessivo. O passado tempestuoso de Paul ressurge e os anos 70 regressam às montanhas Alpilles. No decurso deste turbulento Verão, as duas gerações transformam-se uma à outra.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Crítica: Foxcatcher (2014)

"Coach is the father. Coach is a mentor. Coach has great power on athlete's life." 
John du Pont
*8/10*

Bennett Miller sabe realizar um bom filme onde o desporto é rei e, depois do razoável Moneyball – Jogada de Risco, supera-se em Foxcatcher, levando o seu trabalho a um patamar onde uma tensão perturbadora assola a plateia do início ao fim. Mais do que filmar o desporto, Miller filma um drama inspirado em acontecimentos verídicos que nos mantém presos ao ecrã, num ambiente sombrio e suspeito.

Para além de nos dar a conhecer a luta livre, o realizador introduz-nos num thriller psicológico difícil de digerir, envolto numa realização e fotografia de excelência, e com desempenhos aterradores por parte dos três actores principais: Steve Carell, Channing Tatum Mark Ruffalo (muito provavelmente, nos seus melhores papéis de sempre).

Foxcatcher conta a história de Mark Schultz (Channing Tatum), lutador olímpico de luta livre premiado com uma medalha de ouro, que vive em Wisconsin com dificuldades desportivas e económicas. Certo dia, é convidado pelo milionário John du Pont (Steve Carell) para se mudar para a sua luxuosa propriedade, onde este planeia formar e treinar uma equipa de luta livre para os Jogos Olímpicos de Seul de 1988. Schultz aproveita a oportunidade, ansioso também por sair da sombra de Dave (Mark Ruffalo), o seu irmão mais velho, um respeitado treinador de luta livre, também ele medalhista olímpico.


O argumento de Foxcatcher não nos dá explicações, temos apenas imagens, palavras, acções e um ambiente muito especial, onde a tragédia parece pairar, mesmo que desconheçamos o caminho que a história irá tomar (se não conhecem os acontecimentos que dão origem a Foxcatcher, investiguem apenas depois). E é a dimensão psicológica que faz do filme um dos grandes do ano, com esta névoa a assombrar-nos, como algo que se esconde por detrás das personagens e, sem sabermos bem como, nos perturba e angustia - uma espécie de pressentimento, talvez.

Para adensar todas estas sensações incómodas, o elenco faz um trabalho extraordinário. Steve Carell dá uma lição de representação a todos os que apenas o viam como um cómico: transfigurado - onde até a voz não parece a mesma -, o actor encarna du Pont com uma postura fria, frágil e, ao mesmo tempo, pouco confiável. Vamos ter pena dele mas igualmente receá-lo, no meio dos seus desequilíbrios e atitudes estranhas. Por sua vez, Channing Tatum mostra o actor que há em si como Mark Schultz e, apesar de fisicamente ser tão fácil imaginá-lo num filme de desporto, a carga trágica que carrega consigo é digna de elogios. Tatum oferece-nos uma interpretação sofrida, revoltada e, por vezes, furiosa (a cena no quarto de hotel é um bom exemplo). A acompanhar, temos Ruffalo como Dave Schultz, um homem ponderado e fiel aos seus valores, que adora o irmão e põe a família à frente de tudo. O actor tem uma interpretação tranquila e consistente, capaz de conquistar a simpatia da plateia.


Tecnicamente, a tensão aumenta com a predominância de planos fixos, com um excelente trabalho da direcção de fotografia de Greig Fraser, que tanto contribui para o carácter sombrio de Foxcatcher. Ali, não nos sentimos seguros, nem temos para onde fugir. O realizador controla-nos da mesma forma que du Pont parece controlar os irmãos Schultz e intimida-nos como a personagem de Steve Carell se sente intimidada pela presença da mãe. A banda sonora contribui da mesma forma para o desconforto que a longa-metragem de Miller nos transmite e torna tudo ainda mais especial, tenebroso e sombrio.

O ambiente pesado sente-se por todos os recantos da tela, as personagens não nos transmitem segurança e o desequilíbrio psicológico de du Pont perturba-nos. No fim e entre os receios da plateia, Foxcatcher traduz-se num retrato sóbrio e arrepiante de uma tragédia que assolou o desporto.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Crítica: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) / Birdman (2014)

"Listen to me. I'm trying to do something important."
Riggan
*6.5/10*

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) voa alto mas não chega muito longe. A experiência de Alejandro González Iñárritu, onde a técnica predomina, não consegue sustentar-se apenas da sua estética, com o argumento a fazer tudo cair por terra (ou perder-se para sempre nos céus). 

Birdman apresenta-nos Riggan Thomson (Michael Keaton), um actor famoso por ter interpretado um super-herói icónico, que agora planeia montar uma peça de teatro numa tentativa de recuperar o reconhecimento de outros tempos. Nos dias que antecedem a noite de abertura, Riggan luta contra o seu ego e tenta recuperar a sua família, a sua carreira e ele próprio.

Entre o drama do desequilibrado actor cujos tempos de glória ficaram esquecidos e a crítica feita nada mais nada menos que aos críticos de arte, nada é consistente, nem mesmo os motivos que regem os actos do nosso protagonista. O argumento faz-nos entrar nos bastidores do teatro, mas foca-se essencialmente nos delírios de Riggan, este actor fracassado, rodeado ele mesmo de outros colegas (e familiares) com visíveis problemas psicológicos - cada um à sua maneira. E no meio de um antro de desequilíbrios mentais com vozes que nos perseguem e poderes telecinéticos, corridas a nu pela rua ou voos pelos céus como o super-herói que ficou no passado, o espaço de reflexão que é deixado à plateia é mínimo ou nem sequer existe. Não se extrai muito desta história, que podia ter verdadeiramente muito para dar, mas que se perde em delírios.


A acompanhar, a originalidade técnica não salva Birdman. É, sem dúvida, um prodígio de realização, filmado de forma a fazer-nos crer que tudo foi rodado num só take, com cortes quase invisíveis, acompanhado por uma direcção de fotografia sublime - mais uma vez Emmanuel Lubezki candidata-se fortemente a levar o Oscar para casa. O trabalho de direcção artística é excelente (estão lá todos os pormenores dos bastidores do teatro), os efeitos especiais adensam o imaginário alucinatório de Birdman e a banda sonora, onde a percussão domina, acompanha tudo na perfeição. Mas, neste caso, por muito perfeita que seja a forma, ela não faz valer o conteúdo. Denota-se um certo pretensiosismo de Iñárritu, que poderia realmente ter aqui uma obra inesquecível, mas que não a constrói com equilíbrio - o mesmo que falta às personagens.


Nas interpretações, destaque para Michael Keaton que se mostra muito acima da média e surpreende na pele do protagonista Riggan Thomson, com quem tem inevitavelmente algumas semelhanças. Ambos famosos por interpretar um super-herói, Keaton distingue-se de Riggan por ter neste filme o papel que o traz de volta ao reconhecimento público.

E assim chega Birdman, com um argumento fantasioso, que levanta interessantes mas preguiçosas questões, e cuja magia técnica não o consegue elevar ao mais alto dos céus, com ou sem as asas do protagonista.

Sugestão da Semana #151

Numa semana fraca de estreias, a Sugestão da Semana destaca o nomeado para os Oscars, O Jogo da Imitação. Um filme monótono, mas com uma história forte e uma interessante interpretação de Benedict Cumberbatch. Já podes ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

O JOGO DA IMITAÇÃO


Ficha Técnica:
Título Original: The Imitation Game
Realizador: Morten Tyldum
Actores: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew GoodeMark Strong, Rory Kinnear
Género: Biografia, Drama, Thriller
Classificação: M/12
Duração: 114 minutos

Crítica: O Jogo da Imitação / The Imitation Game (2014)

"I like solving problems, Commander. And Enigma is the most difficult problem in the world."
Alan Turing
*6/10*

Entre a genialidade dos Homens, a complexidade das máquinas e a homossexualidade na sociedade, O Jogo da Imitação perde-se em várias temáticas, fazendo com que nenhuma seja verdadeiramente valorizada. O ritmo lento dos acontecimentos e os clichés são contrabalançados pela época histórica (a Segunda Guerra Mundial) e pela árdua luta travada para descobrir o código da Enigma alemã.

O matemático Alan Turing, encarnado por Benedict Cumberbatch, é o protagonista deste drama biográfico. Um momento fundamental e pouco conhecido da História merecia menos monotonia e divagação, com o público a pedir, desde o início, o rumo entusiástico que os acontecimentos tomam após a primeira hora de filme.

Na liderança de um grupo de académicos, linguistas, campeões de xadrez e analistas, Alan Turing trabalha incansavelmente para quebrar o até aí indecifrável código da Enigma, a máquina utilizada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. O Jogo da Imitação pretende retratar este homem que, sob extrema pressão, ajudou a encurtar a guerra e, consequentemente, salvou milhares de vidas.

Morten Tyldum não traz um trabalho que se distinga especialmente. Nada de novo nem de cativante na realização, que chega mesmo a ser monótona. O Jogo da Imitação prima, contudo, pelo interesse histórico que desperta e pela história que conta, mas não o faz da forma mais eficaz para a plateia, com um trabalho de montagem confuso e cansativo. Tecnicamente, apenas a banda sonora assenta na perfeição, dramática e com o toque especial de Alexandre Desplat.


No argumento, encontramos alguns bons diálogos, apesar da falta de foco que se sente ao longo de todo o filme, saltando entre a vontade de vencer a guerra e a vida privada de Turing. Nas personagens, conhecemos um Turing frágil e casmurro, mas extremamente inteligente, em três fases da sua vida: na adolescência, durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos do pós-guerra. Cumberbatch encarna de forma competente a fragilidade e o medo de que descubram o seu segredo, mas o actor é capaz de muito mais. Keira Knightley, por seu lado, é Joan Clarke, provavelmente a mais interessante personagem de O Jogo da Imitação: a mulher entre os homens, tão inteligente ou mais que eles, a mulher emancipada e decidida. Não que a actriz lhe dê toda a vivacidade que ela pede, mas será ao percurso de Joan no filme que daremos maior atenção. Ainda em destaque, encontramos Mark Strong com um desempenho sóbrio na pele do rigoroso e misterioso Stewart Menzies.

Era facilmente evitável o desfilar de clichés para contar uma história tão forte, com personalidades tão marcantes para a História do século XX, como o homem que criou o primeiro computador. Morten Tyldum deu um tiro ao lado do que podia ter sido um bom filme e ficou-se apenas pelo medianamente interessante. Alan Turing e Joan Clarke mereciam muito mais.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Estreias da Semana #151

E no dia em que foram anunciados os nomeados para os Oscars 2015, estrearam quatro filmes nas salas de cinema portuguesas.

Encalhados (2014)
Laggies
Com demasiada qualificação e um emprego pouco estimulante, Megan (Keira Knightley) encontra-se a viver uma crise de identidade. Enfrentando a vida adulta sem perspectivas de carreira, nenhuma motivação especial para pensar sobre o seu futuro e sem compromissos sérios, Megan mantém-se uns passos atrás na idade , enquanto os seus amigos avançam e celebram o seu estatuto de adulto. Quando o seu namorado do liceu (Mark Webber) a pede em casamento, Megan entra em pânico e – aproveitando uma oportunidade inesperada para escapar por uma semana – esconde-se na casa da sua nova amiga Annika (Chloë Grace Moretz), de 16 anos, que vive com o seu pai, Craig (Sam Rockwell), um solteiro desencantado com a vida.

Miss Julie (2014)
Baseado na peça homónima de August Strindberg, Miss Julie retrata uma batalha feroz pelo poder e dominação, através de um jogo cruel e compulsivo de sedução e repulsa, que resulta num choque violento entre sexos e classes sociais.

O Jogo da Imitação (2014)
The Imitation Game
Na liderança de um grupo de académicos, linguistas, campeões de xadrez e analistas, Turing foi reconhecido por quebrar o até aí indecifrável código da Enigma, a máquina utilizada pelos alemães na 2ª Guerra Mundial. O Jogo da Imitação é um retrato de um homem brilhante e complicado, um génio que sob extrema pressão ajudou a encurtar a guerra e, consequentemente, salvou milhares de vidas.

Taken 3 (2015)
Depois da mulher ser assassinada, o ex-agente secreto Bryan Mills, consumido pela raiva, vai ter de correr para escapar à implacável perseguição da CIA, FBI e da polícia. Por uma última vez, deverá usar as suas habilidades para procurar os verdadeiros assassinos, impor a sua única marca de justiça e proteger a sua filha.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Oscars 2015: Nomeados

Os realizadores Alfonso Cuarón e J.J. Abrams, o actor Chris Pine e a Presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs anunciaram hoje os nomeados para os Oscars 2015. Os vencedores serão conhecidos na cerimónia de 22 de Fevereiro, que será apresentada por Neil Patrick Harris.


Aqui fica a lista completa de nomeados:

Melhor Filme
Sniper Americano (American Sniper)
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel)
Selma - A Marcha da Liberdade (Selma)
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
Whiplash - Nos Limites (Whiplash)

Melhor Actor
Steve Carell por Foxcatcher
Benedict Cumberbatch por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Bradley Cooper por Sniper Americano (American Sniper)
Michael Keaton por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Eddie Redmayne por A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)

Melhor Actriz
Marion Cotillard por Dois Dias, Uma Noite (Deux jours, une nuit)
Felicity Jones por A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
Rosamund Pike por Em Parte Incerta (Gone Girl)
Julianne Moore por O Meu Nome é Alice (Still Alice)
Reese Witherspoon por Livre (Wild)

Melhor Actor Secundário
Robert Duvall por O Juiz (The Judge)
Ethan Hawke por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
Edward Norton por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Mark Ruffalo por Foxcatcher
J.K. Simmons por Whiplash - Nos Limites (Whiplash)

Melhor Actriz Secundária 
Patricia Arquette por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
Laura Dern por Livre (Wild)
Keira Knightley por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Emma Stone por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Meryl Streep por Caminhos da Floresta (Into the Woods)

Melhor Realizador
Richard Linklater por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
Alejandro González Iñárritu por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Bennett Miller por Foxcather
Wes Anderson por Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel)
Morten Tyldum  por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

Melhor Argumento Original
Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood): Richard Linklater
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo
Foxcatcher: E. Max Frye, Dan Futterman
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Wes Anderson, Hugo Guinness
Nightcrawler - Repórter na Noite (Nightcrawler): Dan Gilroy

Melhor Argumento Adaptado
Sniper Americano (American Sniper): Jason Hall
Vício Intrínseco (Inherent Vice): Paul Thomas Anderson
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): Graham Moore
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything): Anthony McCarten
Whiplash - Nos Limites (Whiplash): Damien Chazelle

Melhor Filme de Animação
Os Monstros das Caixas (The Boxtrolls)
Big Hero 6 - Os Novos Heróis (Big Hero 6)
Como Treinares o Teu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)
Song of the Sea
The Tale of the Princess Kaguya (Kaguyahime no monogatari)

Melhor Filme Estrangeiro
Tangerines (Mandariinid) (Estónia)
Ida (Polónia)
Leviathan (Rússia)
Relatos Selvagens (Wild Tales) (Argentina)
Timbuktu (Mauritânia)

Melhor Fotografia
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Emmanuel Lubezki
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Robert D. Yeoman
Mr. Turner: Dick Pope
Invencível (Unbroken): Roger Deakins
Ida: Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski

Melhor Montagem
Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood): Sandra Adair
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): William Goldenberg
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Barney Pilling
Whiplash - Nos Limites (Whiplash): Tom Cross
Sniper Americano (American Sniper): Joel Cox, Gary Roach

Melhor Design de Produção
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Adam Stockhausen, Anna Pinnock
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald
Interstellar: Nathan Crowley, Gary Fettis
Caminhos da Floresta (Into the Woods): Dennis Gassner, Anna Pinnock
Mr. Turner: Suzie Davies, Charlotte Watts

Melhor Guarda-Roupa
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Milena Canonero
Vício Intrínseco (Inherent Vice): Mark Bridges
Caminhos da Floresta (Into the Woods): Colleen Atwood
Maléfica (Maleficent): Anna B. Sheppard, Jane Clive
Mr. Turner: Jacqueline Durran

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Foxcatcher: Bill Corso, Dennis Liddiard
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Frances Hannon, Mark Coulier
Os Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy): Elizabeth Yianni-Georgiou, David White

Melhor Banda Sonora Original
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): Alexandre Desplat
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Alexandre Desplat
Interstellar: Hans Zimmer
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything): Jóhann Jóhannsson
Mr. Turner: Gary Yershon

Melhor Canção Original
Selma - A Marcha da Liberdade (Selma): Common, John Legend (Glory)
Num Outro Tom (Begin Again): Gregg Alexander, Danielle Brisebois (Lost Stars)
O Filme Lego (The Lego Movie): Shawn Patterson (Everything is Awesome)
Beyond the Lights: Diane Warren (Grateful)
Glen Campbell: I'll Be Me: Glen Campbell, Julian Raymond

Melhores Efeitos Sonoros
Sniper Americano (American Sniper): John T. Reitz, Gregg Rudloff, Walt Martin
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Jon Taylor, Frank A. Montaño, Thomas Varga
Interstellar: Gary Rizzo, Gregg Landaker, Mark Weingarten
Invencível (Unbroken): Jon Taylor, Frank A. Montaño, David Lee
Whiplash - Nos Limites (Whiplash): Craig Mann, Ben Wilkins, Thomas Curley

Melhor Montagem de Som
Sniper Americano (American Sniper): Alan Robert Murray, Bub Asman
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Aaron Glascock, Martín Hernández
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies): Brent Burge, Jason Canovas
Interstellar: Richard King
Invencível (Unbroken): Becky Sullivan, Andrew DeCristofaro

Melhores Efeitos Visuais
Capitão América: O Soldado do Inverno (Captain America: The Winter Soldier): Dan Deleeuw, Russell Earl, Bryan Grill, Daniel Sudick
Planeta dos Macacos: A Revolta (Dawn of the Planet of the Apes): Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett, Erik Winquist
Os Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy): Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner, Paul Corbould
Interstellar: Paul J. Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter, Scott R. Fisher
X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past): Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie, Cameron Waldbauer

Melhor Documentário
Citizenfour
Finding Vivian Maier
Last Days in Vietnam
O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Virunga

Melhor Curta Documental
Crisis Hotline: Veterans Press 1
Joanna
Nasza klatwa
La parka
White Earth 

Melhor Curta de Animação
The Bigger Picture
The Dam Keeper
Festim (Feast)
Me and My Moulton
A Single Life 

Melhor Curta
Aya
Boogaloo and Graham
La lampe au beurre de yak
Parvaneh
The Phone Call

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Hoje Vi(vi) um Filme vence Melhor Blog Individual e Melhor Iniciativa nos TCN Blog Awards 2014

Depois de uma noite no hospital a soro e cinco dias de cama, eis que estou em condições de escrever novamente com alguma cabeça no meu querido Hoje Vi(vi) um Filme. Tudo para vos contar que, no passado Sábado, dia 10 de Janeiro, foi a cerimónia dos TCN Blog Awards 2014 (que distinguem os melhores blogs e bloggers nacionais de cinema e televisão), e que venci em duas categorias: Melhor Blog Individual e Melhor Iniciativa.

O Hoje Vi(vi) um Filme viu assim distinguido o trabalho desenvolvido ao longo do ano de 2014, incluindo a iniciativa Já Vi(vi) um Filme, que me deu imenso gosto desenvolver.

Agradeço a todos os que votaram em mim - público e Academia -, a toda a organização do evento e a quem me foi mantendo a par das novidades da cerimónia via telemóvel (enquanto eu padecia na cama).

Aqui fica a lista completa de vencedores desta edição dos TCN Blog Awards. Parabéns a todos os vencedores e nomeados!

Cartaz do evento da autoria de Brain Mixer

Página de Facebook:

Rubrica:

Iniciativa:

Reportagem/Cobertura:

Entrevista:
Entrevista a António-Pedro Vasconcelos, por Rui Alves de Sousa, do blog Espalha-Factos

Crítica de Cinema:
A Vida de Adèle: Capítulos 1 e 2, por Catarina D'Oliveira, do blog Close-Up

Crítica de Televisão:
Band of Brothers, por Hugo Barcelos, do blog Rick's Cinema

Artigo de Cinema:
E o Netflix português?, por Pedro, do blogue CinemaXunga

Artigo de Televisão:
Um Artigo Com Bolinha Vermelha: Uma História da Nudez e Sexualidade na Televisão, por Diogo Cardoso, do blogue TVDependente

Novo Blog:

Blog Colectivo:

Blog Individual:

Blogger do Ano:

Prémio Memória: 
Francisco Mendes, do blog Pasmos Filtrados

Globos de Ouro 2015: Vencedores

A 72ª cerimónia dos Globos de Ouro aconteceu na madrugada de dia 11 para dia 12 de Janeiro. Como eu estava doente e de cama e não pude acompanhar os vencedores em tempo real, aqui fica a listagem tardia dos premiados desta edição nas categorias de cinema.


Melhor Filme - Drama
Boyhood - Momentos de uma Vida

Melhor Filme - Comédia ou Musical
The Grand Budapest Hotel / Grand Budapest Hotel 

Melhor Realizador
Richard Linklater – Boyhood - Momentos de Uma Vida

Melhor Actriz - Drama
Julianne Moore – Still Alice

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Amy Adams – Big Eyes / Olhos Grandes

Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette - Boyhood - Momentos de Uma Vida

Melhor Actor - Drama
Eddie Redmayne - The Theory of Everything / A Teoria de Tudo

Melhor Actor- Comédia ou Musical
Michael Keaton – Birdman

Melhor Actor Secundário
J.K. Simmons - Whiplash - Nos Limites

Melhor Argumento
Birdman

Melhor Canção
Selma Glory John Legend e Common

Melhor Banda Sonora Original
The Theory of Everything / A Teoria de Tudo

Melhor Filme de Animação
How to Train Your Dragon 2 / Como Treinares o Teu Dragão 2

Melhor Filme Estrangeiro
Leviathan (Rússia)

Sugestão da Semana #150

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o tão esperado Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância).

BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)


Ficha Técnica:
Título Original: Birdman 
Realizador: Alejandro González Iñárritu 
Actores:  Michael Keaton, Zach Galifianakis, Edward NortonEmma StoneNaomi Watts
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 119 minutos

Estreias da Semana #150

O blog foi obrigado a uma pausa forçada por motivo de doença. Como tal, há muito para pôr em dia. Comecemos por uma breve referência às estreias da passada Quinta-feira, com alguns títulos muito esperados.

Abelha Maia - O Filme (2014)
Maya the Bee Movie

Adeus à Linguagem (2014)
Adieu au Langage

Autómata (2014)

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014)
Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)

Invencível (2014)
Unbroken

Sono de Inverno (2014)
Kis Uykusu

Uma Esperança de Liberdade (2014)
Rosewater

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Sugestão da Semana #149

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o poderoso Foxcatcher, de Bennett Miller, protagonizado por Steve Carell, Channing Tatum e Mark Ruffalo.

FOXCATCHER


Ficha Técnica:
Título Original: Foxcatcher
Realizador:  Bennett Miller
Actores: Steve CarellChanning Tatum e Mark Ruffalo
Género: Biografia, Drama, Desporto
Classificação: M/16
Duração: 134 minutos

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Estreias da Semana #149

No primeiro dia de 2015, chegaram as primeiras estreias do ano, que são sete e contam com títulos como Caminhos da Floresta, Foxcatcher e Pasolini, por exemplo.

O filme de Rob Marshall é, essencialmente, uma abordagem moderna dos contos dos irmãos Grimm, combinando os enredos de algumas das suas histórias e explorando as consequências dos desejos e feitos das personagens. O musical acompanha os contos de Cinderela (Anna Kendrick), o Capuchinho Vermelho (Lilla Crawford), João e o Pé de Feijão (Daniel Huttlestone) e Rapunzel (MacKenzie Mauzy), unidos numa história original que envolve um padeiro e a sua mulher (James Corden e Emily Blunt), o seu desejo de iniciar uma família e a sua interacção com a bruxa (Meryl Streep) que os amaldiçoou.

Foxcatcher (2014)
Foxcatcher conta a história de Mark Schultz (Channing Tatum), lutador olímpico de luta livre premiado com uma medalha de ouro, que vive em Wisconsin com dificuldades desportivas e económicas, quando é convidado pelo milionário John du Pont (Steve Carell) para se mudar para a sua luxuosa propriedade, onde este planeia formar e treinar uma equipa de luta livre para os Jogos Olímpicos de Seul de 1988. Schultz aproveita a oportunidade, ansioso também por sair da sombra de Dave (Mark Ruffalo), o seu irmão mais velho, um respeitado treinador de luta livre, também ele medalhista olímpico.

O Desaparecimento de Eleanor Rigby: Ela (2013)
The Disappearance of Eleanor Rigby: Her
Outrora casados e felizes, Conor (James McAvoy) e Eleanor (Jessica Chastain) são agora como que estranhos, desesperados por perceber o que aconteceu e como é que a vida pode continuar depois de uma tragédia. O filme explora a história do casal à medida que eles tentam reclamar a vida e amor que lhes foi comum e apanhar as peças de um passado que pode estar já demasiado longe. Aqui é-nos dada a perspectiva de Eleanor.

O Desaparecimento de Eleanor Rigby: Ele (2013)
The Disappearance of Eleanor Rigby: Him
Outrora casados e felizes, Conor (James McAvoy) e Eleanor (Jessica Chastain) são agora como que estranhos, desesperados por perceber o que aconteceu e como é que a vida pode continuar depois de uma tragédia. O filme explora a história do casal à medida que eles tentam reclamar a vida e amor que lhes foi comum e apanhar as peças de um passado que pode estar já demasiado longe. Aqui é-nos dada a perspectiva de Conor.

O Sétimo Filho (2014)
Seventh Son
Numa era em que reina a feitiçaria e onde lendas e magia colidem, o último guerreiro de uma ordem mística (Jeff Bridges) parte numa viagem para encontrar um profetizado herói que nasceu com poderes incríveis, o último Sétimo Filho (Ben Barnes). Arrancado da sua vida pacata de agricultor, o jovem herói embarca numa arriscada aventura com o seu aguerrido mentor para destronar uma rainha malévola (Julianne Moore) e o seu exército de assassinos sobrenaturais.

Pasolini (2014)

Em Roma, na noite de 2 de Novembro de 1975, o poeta e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini é assassinado. Pasolini é um símbolo de uma arte que batalha contra o poder. Os seus escritos são escandalosos, os seus filmes são perseguidos pelos censores, muita gente o ama e muitos o odeiam. No dia da sua morte, Pasolini passa as últimas horas com a sua amada mãe e mais tarde com os amigos mais próximos, e finalmente sai para a noite no seu Alfa Romeo em busca de aventura na cidade eterna. Pela aurora, Pasolini é encontrado morto numa praia em Ostia nos arredores da cidade. Abel Ferrara reconstrói o ultimo dia do grande poeta.

Uma Senhora Herança (2014)
My Old Lady
Mathias Gold (Kevin Kline), um nova-iorquino cheio de dívidas, viaja até Paris com a intenção de vender rapidamente um apartamento que herdou do seu pai, com quem tinha uma relação conflituosa. Nisto, é surpreendido ao encontrar uma idosa – Mathilde (Maggie Smith) a morar no apartamento com uma filha muito protectora (Kristin Scott-Thomas). Não levará muito tempo a aperceber-se que, de acordo com uma antiga lei francesa, o apartamento apenas será seu após a morte de Mathilde.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Crítica: Caminhos da Floresta / Into the Woods (2014)

"I wish..."
*7/10*

Um lado mais obscuro da Disney, onde a música não podia faltar: Caminhos da Floresta é um divertido musical que cruza algumas das mais famosas histórias de encantar e nos desafia a pensar que, se calhar, nada foi como nos contaram na infância.

Rob Marshall (Chicago, Nove) regressa assim aos musicais, desta vez com a adaptação de uma peça da Broadway (de Stephen Sondheim - encontramos facilmente sonoridades semelhantes a Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street, por exemplo) ao cinema. As histórias infantis são contadas sob um ponto de vista bem diferente em Caminhos da Floresta, mais apropriado para um público adulto. Não faltarão gargalhadas, momentos hilariantes e bem contraditórios ao esperado e, acima de tudo, um texto bem construído, que resulta muito bem na tela do cinema.

O filme de Rob Marshall é, essencialmente, uma abordagem moderna dos contos dos irmãos Grimm, combinando os enredos de algumas das suas histórias e explorando as consequências dos desejos e feitos das personagens. O musical acompanha os contos de Cinderela (Anna Kendrick), o Capuchinho Vermelho (Lilla Crawford), João e o Pé de Feijão (Daniel Huttlestone) e Rapunzel (MacKenzie Mauzy), unidos numa história original que envolve um padeiro e a sua mulher (James Corden e Emily Blunt), o seu desejo de iniciar uma família e a sua interacção com a bruxa (Meryl Streep) que os amaldiçoou.


Os ingredientes estão lá e tudo funciona melhor do que se poderia esperar. Com um tom sarcástico e bem mais realista que os contos de fadas, Caminhos da Floresta não receia expor ao ridículo príncipes encantados, nem trocar o rumo das histórias que todos conhecem. E essa imprevisibilidade - principalmente para quem não conhece, de todo, o texto que dá origem ao filme - é um dos pontos mais fortes da longa-metragem. Os desejos de cada um são o fio condutor e levam-nos a saltar entre contos, até que, por fim, todos se cruzam, com todas as consequências que tal acarreta. Porque é preciso muito cuidado com o que se deseja.

O trabalho da direcção de fotografia - do oscarizado Dion Beebe - adensa o mistério da floresta onde se perdem e se cruzam as personagens e, aliado à caracterização - Meryl Streep está uma bruxa muito convincente -, é um dos aspectos mais fortes da componente técnica. No elenco, é mesmo Streep quem se destaca: entre um coração gelado pela vingança e uma ternura escondida - afinal, ela até quer ajudar o casal a quebrar a maldição que ela lhes lançou -, esta bruxa também quer realizar os seus desejos. Emily Blunt revela-se neste filme uma boa actriz de musicais, com uma faceta cómica especialmente agradável, e proporcionando dos melhores momentos de Caminhos da Floresta. É a sua personagem e o seu marido que, na busca da "vaca tão branca como o leite", da "capa tão vermelha como o sangue", do "cabelo tão amarelo como o milho" e do "sapatinho tão puro como o ouro", são o elo de ligação entre histórias e são os principais responsáveis pelas inacreditáveis mudanças nos enredos que tão bem conhecemos.


Caminhos da Floresta surge como um  musical bem estruturado, com temas que ficarão no ouvido e momentos hilariantes. Apenas a duração poderá estragar a divertida experiência que o filme proporciona, com reviravoltas que se sucedem e fazem com que a plateia sinta que o musical se arrasta.

É no meio da floresta que descobrimos o outro lado das personagens quase perfeitas que conhecemos desde sempre. E se a vida não é um conto de fadas, afinal, parece que as histórias da nossa infância também não.