quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2015

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2015 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam, aqueles que foram os melhores do ano, estreados no circuito comercial de cinema em Portugal.

Eis o top 10:

10. As Mil e Uma Noites: Vol.2, O Desolado, de Miguel Gomes, 2015


O mais forte da trilogia de Miguel Gomes. O Desolado consegue provocar um misto de emoções que varia entre as lágrimas, as gargalhadas e a alienação. Três histórias fortes marcam o percurso deste filme, com a Portugalidade bem vincada, mas sem dó nem piedade do público, que tanto é levado a fugir pelos montes, como colocado num tribunal de acusações intermináveis, não deixando de conhecer as tragédias dos donos de um cão, Dixie.

9. Tangerinas (Mandariinid), de Zaza Urushadze, 2013


Um homem no meio de uma guerra que nada lhe diz respeito, mas que não quer partir. Um sentimento de pertença, de justiça, de respeito pela vida e pela morte. Tangerinas é um filme simples, comovente e duro que espelha, com clareza, o absurdo da guerra.



O convite irrecusável de J.C. Chandor para entrarmos numa viagem à máfia dos anos 80 chegou com Um Ano Muito Violento. O ambiente sujo e sombrio de Nova Iorque, as desconfianças que nos fazem olhar por cima do ombro a todo o momento e um inusitado mafioso ingénuo e cheio de sentido de justiça e moral ao comando como protagonista fazem desde filme um marco no cinema recente.



O ambiente pesado sente-se por todos os recantos da tela, as personagens não nos transmitem segurança e o desequilíbrio psicológico de du Pont perturba-nos. No fim e entre os receios da plateia, Foxcatcher traduz-se num retrato sóbrio e arrepiante de uma tragédia que assolou o desporto.



O batimento cardíaco aumenta ao ritmo do da bateria e o corpo acompanha a sonoridade jazz. No fim, faltar-nos-ão as forças ao ver tanto esforço, raiva e vontade de ser o melhor, mas a motivação não terá limites. Damien Chazelle traz-nos muita teimosia e suor, acompanhados à bateria, em Whiplash - Nos Limites, a sua segunda longa-metragem. Para além de um exercício de estilo cheio de ritmo, somos conduzidos nesta aventura por dois protagonistas fabulosos e de personalidade singular: Andrew Neimann e Terence Fletcher - tão diferentes, mas, afinal, tão iguais.



Com uma interpretação fabulosa de Charlotte Rampling, 45 Anos traz-nos a prova de como o amor pode trazer surpresas em todas as idades e como os segredos podem transformar uma relação. O ciúme não é linear e, afinal, há alguma idade limite para poder recomeçar?

4. Estações da Cruz (Kreuzweg), de Dietrich Brüggemann, 2014


A religião como um poder esmagador do ser humano em diversos sentidos é o que Estações da Cruz nos oferece, sem querer ser tão crítico como pode parecer à primeira vista. Maria é a nossa santa, a nossa jovem e convicta protagonista. Ela sabe bem o que quer e irá até às últimas consequências para tal. Excelente trabalho de argumento e realização, com planos fixos a construir as estações da via-sacra em que o filme se divide.

3. Amy, de Asif Kapadia, 2015


A vida de Amy Winehouse retratada num documentário envolvente e que faz lamentar, mais ainda, a morte prematura da estrela. A música, os vícios, a família, o amor e a depressão passam perante os nossos olhos e só gostávamos de poder voltar atrás e ajudá-la, evitando a tragédia.



Margherita é Moretti. Moretti queria ser Giovanni: moderado, consciente do que o futuro lhes reserva, sempre presente mas conformado, sem ilusões. Margherita não só é Moretti como poderia ser qualquer um de nós: com pouco tempo para tudo e todos os que a rodeiam, apegada à mãe e ao irmão, fragilizada, uma mulher completamente em negação que teima em não aceitar que a mãe pode morrer a qualquer momento. Inevitavelmente, na vida real, quer admitamos, quer não, a esperança é a última a morrer.



Leviatã, com o seu tom pesado mas descomprometido e provocador, é um alerta para o mundo, que não lhe ficou indiferente. Uma provocação, mas, acima de tudo, uma chamada de atenção, para que esta Rússia aqui filmada não perdure, e para que o espectador se indigne e revolte contra o "estado das coisas", e não se contente em ficar sentado a chorar junto ao esqueleto de uma baleia, por muito bela que a imagem seja.

Os Melhores do Ano: Top 20 [20º-11º] #2015

Muitos foram os filmes que estrearam nas salas nacionais ao longo de 2015. Um ano de escolhas difíceis no que a Melhores do Ano diz respeito e em que poucos filmes me deixaram realmente encantada. Mas o fim do ano está aí e não há como fugir aos tops, pelo menos por aqui.

Em jeito de balanço, o Hoje Vi(vi) um Filme apresenta, como sempre, o seu top 20 (sempre tendo em conta a estreias no circuito comercial de cinema português) do que de melhor se fez no cinema.

Aqui ficam os meus eleitos, do 20º ao 11º lugares (hoje, porque amanhã podiam ter outra ordem qualquer).



Damos de caras com o desespero de alguns, com a dor, mas também com a esperança, a amizade e o amor. Depois de Pára-me de Repente o Pensamento não seremos os mesmos e Miguel também não. A magia do plano final é um culminar em beleza de um trabalho que fazia falta e que devia chegar a todos.

19. As Nuvens de Sils Maria (Clouds of Sils Maria), de Olivier Assayas, 2014


Uma protagonista fortíssima, numa luta existencial entre o seu eu, a personagem que interpretou em jovem e a mulher fragilizada de quem vai vestir a pele agora. Muito mais do que o dilema do actor, As Nuvens de Sils Maria oferece uma excelente interpretação de Juliette Binoche, num dilúvio de emoções, dúvidas, sexualidade e o medo de envelhecer.

18. O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari), de Isao Takahata, 2013


Delicado como a sua protagonista, O Conto da Princesa Kaguya envolve-nos num mundo de fantasia e de lendas japonesas. É um apelo aos sentidos e sentimentos, com uma animação simples, de cores suaves e traços cheios de movimento e magia.

17. Táxi (Taxi), de Jafar Panahi, 2015


Panahi reinventa-se a cada novo filme - ou não-filme. O cineasta proibido de filmar por 30 anos está cada vez melhor e, desta vez, é como motorista de Táxi que denúncia a realidade - ficcionada, é certo, mas não deixa de ser real - iraniana e a forma como se sente aprisionado no seu país. O humor provocatório é contrabalançado com a dor inerente ao estado do cinema no Irão.

16. As Mil e Uma Noites: Vol. 3, O Encantado, de Miguel Gomes, 2015


O capítulo final da trilogia de Miguel Gomes é, como o seu título refere, o mais encantado e positivo. Entre a fantasia do imaginado mundo de Xerazade, cheio de personagens de encantar, aos tentilhões que cantam sem parar, há uma magia que paira e que convida a perdermo-nos em mais histórias dos portugueses.



J.J. Abraams não deu nenhum passo maior do que a perna. A longa-metragem não extrapola os limites, vem matar saudades e manter o ambiente e o tom dos primeiros filmes. A base da saga é sólida e o realizador vem fazer exactamente o que o título diz: despertar a força, novamente. Recupera personagens, as suas histórias, e acrescenta novos focos de atenção, novos protagonistas, alguma novidade. Abraams sabe o que tem em mãos e preservar a nostalgia do passado era certamente o que os fãs mais desejavam. 

14. Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road), de George Miller, 2015


As cores fortes pintam a desolação deste mundo apocalíptico dominado por homens demoníacos. Mad Max regressou ao grande ecrã em grande forma e, desta vez, até é ofuscado pelo brilho das mulheres de armas que lutam pela dignidade dos seus. Uma surpresa cheia de acção, girl power, com George Miller ao comando a mostrar como,fiel ao original q.b., Mad Max também se sabe actualizar.

13. O País das Maravilhas (Le meraviglie), de Alice Rohrwacher, 2014


Entre famílias disfuncionais e sonhos perdidos, este país das maravilhas é o que a pequena Gelsomina ambiciona para si e para os seus. O mel, as abelhas e os que delas precisam para sobreviver formam uma história que se estranha, mas igualmente se entranha com uma magia muito especial.



Um argumento simples, realista, onde as palavras não dizem tudo e são os olhares, os gestos e os momentos de introspecção que nos ajudam a saber o que vai dentro de cada personagem, conhecer os seus dilemas, a sua dor. Desde o David rebelde, sem futuro em vista, ao David protector da mãe, da irmã e do avô - que paira sempre como um espectro ausente mas muito presente e cuja importância na vida do protagonista parece ser crucial -, o David apaixonado, desiludido, desencantado, revoltado, perdido...



A estreia de Alex Garland na realização retoma os dilemas éticos da Inteligência Artificial do cinema de ficção científica e tem ao comando uma protagonista fabulosa. Em Ex Machina, o realizador enclausura-nos numa isolada e "fortificada" casa-laboratório, conduz-nos por cenários incríveis e introduz-nos num ambiente claustrofóbico, onde deuses e homens parecem coexistir. Naquela casa há algo nunca antes visto, mas isso não nos coloca num futuro muito longe do presente actual. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sugestão da Semana #200

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque do Hoje Vi(vi) um Filme vai para o thriller que marca a estreia de Joel Edgerton na realização de longas-metragens. Falo de Um Presente do Passado.

UM PRESENTE DO PASSADO


Ficha Técnica:
Título Original: The Gift
Realizador: Joel Edgerton
Actores: Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton 
Género: Mistério, Thriller
Classificação: M/12
Duração: 108 minutos

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Estreias da Semana #200

Na véspera de Natal chegaram aos cinemas portugueses cinco filmes. Amor Impossível e Só Podiam ser Irmãs são dois dos títulos a estrear.

Amor Impossível (2015)
Cristina desapareceu. Tiago, o seu namorado, afirma que ela foi raptada, mas é uma história em que Madalena e Marco, os dois investigadores da Policia Judiciária responsáveis pelo caso, têm dificuldade em acreditar. Ao seguir as pistas que antecederam o crime, Amor Impossível caminha entre duas narrativas paralelas: a de Cristina, uma jovem que busca um amor total e sem limites; e a de Madalena, uma mulher que, ao investigar o desaparecimento, é confrontada com as insuficiências da sua própria relação.

Coração de Cão (2015)
Heart of a Dog
A partir da sua própria experiência e das suas memórias recentes, marcadas pela perda da mãe e do marido Lou Reed, a realizadora Laurie Anderson traça uma pequena reflexão sobre temas como a vida, o amor e a morte.

Peanuts: Snoopy & Charlie Brown - O Filme (2015)
The Peanuts Movie
Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e o restante gang dos Peanuts fazem a sua estreia no grande ecrã. Snoopy, o beagle mais famoso do mundo – e da aviação – embarca na sua maior missão e vai até aos céus perseguir o seu maior inimigo, O Barão Vermelho, enquanto o seu melhor amigo, Charlie Brown, começa a sua própria jornada épica.

Só Podiam Ser Irmãs (2015)
Sisters
Duas irmãs (Amy Poehler e Tina Fey) na faixa dos 30 anos de idade descobrem que a casa da sua infância será vendida. Elas decidem visitar a propriedade e fazer uma última grande festa antes da venda.

Um Presente do Passado (2015)
The Gift
Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) são um jovem casal cuja vida corre como planeado, até que Simon encontra casualmente um antigo colega do liceu, e esse acontecimento vai transformar o mundo do casal num caos. No início, Simon não reconhece Gordo (Joel Edgerton), mas quando uma série de misteriosos encontros indesejados entre eles assume uma dimensão preocupante, um segredo horrível do passado de Simon acaba por emergir após mais de 20 anos escondido.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Crítica: Creed: O Legado de Rocky (2015)

"One step at a time. One punch at a time. One round at a time."
Rocky Balboa
*7/10*

Rocky regressou ao grande ecrã, mas desta vez o protagonismo passa para um jovem talento do boxe. Podia pensar-se que os filmes protagonizados por Sylvester Stallone já tinham a fórmula totalmente esgotada, mas desenganem-se. Creed: O Legado de Rocky não deixa o ídolo morrer e dá-lhe um papel tanto ou mais importante que o do costume: agora é treinador e conselheiro.

Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o seu famoso pai, o campeão mundial de pesos pesados Apollo Creed, que morreu antes de ele nascer. Ainda assim, é inegável que o boxe lhe corre no sangue e Adonis dirige-se para Filadélfia, o local do lendário combate entre Apollo Creed e um novato resistente chamado Rocky Balboa. Ali, Adonis localiza Rocky (Sylvester Stallone) e pede-lhe que seja seu treinador.


Aos 29 anos, Ryan Coogler está a saber construir o seu caminho enquanto realizador e, na sua segunda longa-metragem, alia-se novamente a Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Paragem) e tem Stallone como mentor. Atrás da câmara, Coogler cresceu exponencialmente. Envolve-nos em planos-sequência fabulosos e atordoa-nos, como se, dentro do ringue, fôssemos muito mais participantes do que seria suposto, quais boxeurs.

O argumento de Creed: O Legado de Rocky é simples, mas muito mais arriscado no que respeita ao futuro das personagens do que poderíamos esperar. Personalidades bem moldadas e uma história com a sua previsibilidade mas que contrabalança com um sentimento de nostalgia latente até ao final.


Nas interpretações, Stallone mostra um lado muito humano, a prova de como até os ícones envelhecem e são reais. Emociona-se e emociona-nos, este Rocky Balboa magoado pela vida, que parece descobrir em Adonis a força e vitalidade que os anos lhe roubaram. Por seu lado, Michael B. Jordan, apesar de não sair muito do registo de Fruitvale Station, tem um desempenho esforçado e sentido. Dá tudo o que tem ao incorporar a luta de Adonis, quer em cima do ringue, quer fora dele, na relação com a mãe adoptiva, com a namorada e com a notoriedade do pai. Quer assumir a sua identidade sem depender do sucesso do progenitor e batalha ao longo de mais de duas horas de filme por esse objectivo.

Creed: O Legado de Rocky fala-nos de sonhos, de lutar para os concretizar, sem nunca desistir. Dá-nos motivos para seguir em frente perante todas as adversidades e recorda-nos os velhos tempos de Rocky Balboa - ele ainda está aí para as curvas.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Sugestão da Semana #199

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana não poderia ser mais óbvia: Star Wars: O Despertar da Força, de J.J. Abraams. Podes ler ou reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme, sem spoilers, aqui.

STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA


Ficha Técnica:
Título Original: Star Wars: The Force Awakens
Realizador: J.J. Abrams
Actores: Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Peter MayhewAdam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Andy Serkis, Domhnall Gleeson
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 135 minutos

sábado, 19 de dezembro de 2015

Crítica: Minha Mãe / Mia Madre (2015)

*8.5/10*

Nanni Moretti expõe a sua vida pessoal no grande ecrã como nunca o fez. Minha Mãe confronta-nos com a vida real, com tudo o que sabemos que vai acontecer mas queremos adiar, até ao infinito. A família volta a estar no centro da narrativa do realizador italiano que se distancia da sua própria realidade - o falecimento da sua mãe tempos antes de rodar este filme - colocando-se como personagem secundária. 


Minha Mãe segue a vida de Margherita, uma realizadora em plena rodagem de um filme cujo protagonista é um famoso actor americano. Às questões artísticas que enfrenta, juntam-se angústias de ordem pessoal: a sua mãe encontra-se no hospital e a sua filha em plena crise adolescente. O irmão Giovanni, por sua vez, mantém-se como uma constante na sua vida. Conseguirá Margherita estar à altura de todos os problemas familiares e artísticos que enfrenta?

Margherita é Moretti. Moretti queria ser Giovanni: moderado, consciente do que o futuro lhes reserva, sempre presente mas conformado, sem ilusões. Margherita não só é Moretti como poderia ser qualquer um de nós: com pouco tempo para tudo e todos os que a rodeiam, apegada à mãe e ao irmão, fragilizada, uma mulher completamente em negação que teima em não aceitar que a mãe pode morrer a qualquer momento. Inevitavelmente, na vida real, quer admitamos, quer não, a esperança é a última a morrer.


Mas o realizador não nos traz unicamente um filme dramático, de temática pesada. A personagem de John Turturro, o actor americano que participa no filme de Margherita, vem despertar as gargalhadas e os sorrisos. Ele tira a protagonista do sério, nos dois sentidos possíveis da expressão. E são os momentos hilariantes que o actor protagoniza que nos farão sentir culpados por nos rirmos no meio da tragédia da vida desta mulher. Mas a vida não é assim? Por mais mal que tudo corra, não haverá sempre aquela situação que nos arranca um sorriso?

No entanto, Moretti esconde um segredo na condução da sua longa-metragem que faz de Minha Mãe um título muito mais profundo, cruel e desconfortável do que aparenta. É notável a facilidade com que tão depressa nos faz sorrir, como a seguir chorar. E a leveza com que, até muito perto do fim, o filme parece tratar a morte, impressiona-nos ao ponto de, ao sair da sala, sentirmos que o realizador nos deu uma autêntica "tareia" psicológica.


Minha Mãe é a partilha da dor e do sentimento de perda que Nanni Moretti resolveu fazer connosco. Íntimo mas, ao mesmo tempo, comum a todo o ser humano. Porque ninguém saberá nunca lidar com a morte - nem mesmo Giovanni.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Estreias da Semana #199

Numa semana muito esperada, apenas chegaram três filmes aos cinemas portugueses. O motivo é simples: só se fala no regresso de Star Wars. O Episódio VII já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

Lolo (2015)
De férias no sul de França, Violette (Julie Delpy), uma sofisticada parisiense, apaixona-se por Jean-René (Dany Boon), um “cromo” da informática. Contra todas as probabilidades, surge entre ambos uma enorme química, e no fim do verão Jean-René muda-se para junto da sua amada, em Paris. No entanto, há problemas no paraíso, e um terceiro elemento surge para assombrar o romance idílico: Lolo (Vincent Lacoste), o filho de Violette, de 19 anos, está determinado a livrar-se do amante da mãe, a qualquer custo.

Muito à Frente (2015)
Pourquoi J'ai Pas Mangé Mon Père
Eduardo, o filho do rei de todos os símios (pré-humanos), que por nascer muito pequeno é desprezado pelo seu pai. Eduardo cresce longe da família, sob a protecção do seu amigo Ian, que o encontra e o acolhe após ter sido abandonado. Engenhoso, e sempre um passo à frente de toda a sua espécie, Eduardo acaba por descobrir o fogo, a caça, formas de abrigo modernas, o amor e até mesmo a esperança.

Desde 2005, com Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith, que não tínhamos filmes da Guerra das Estrelas nos cinemas. Agora, em 2015, O Despertar da Força dá continuação à saga criada por George Lucas e acontece 30 anos depois de O Regresso de Jedi.

Crítica: Star Wars: O Despertar da Força / Star Wars: The Force Awakens (2015)

"Chewie, we're home."
Han Solo

 
*8/10*

Finalmente, a Força voltou a despertar. J. J. Abraams continua a trilogia original da saga Star Wars e oferece-nos o tão esperado capítulo VII: O Despertar da Força. Fiel aos três primeiros filmes, datados de 1977, 1980 e 1983, o realizador faz-nos redescobrir a Força, reencontrar velhos conhecidos, viajar à velocidade da luz, enfim, percorrer o Espaço e continuar a luta contra o lado negro da Força.

Desde 2005, com Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith, que não tínhamos filmes da Guerra das Estrelas nos cinemas. Agora, em 2015, O Despertar da Força dá continuação à saga criada por George Lucas e acontece 30 anos depois de O Regresso de Jedi.


J.J. Abraams não deu nenhum passo maior do que a perna. A longa-metragem não extrapola os limites, vem matar saudades e manter o ambiente e o tom dos primeiros filmes. A base da saga é sólida e o realizador vem fazer exactamente o que o título diz: despertar a força, novamente. Recupera personagens, as suas histórias, e acrescenta novos focos de atenção, novos protagonistas, alguma novidade. Abraams sabe o que tem em mãos e preservar a nostalgia do passado era certamente o que os fãs mais desejavam. O novo e o antigo fundem-se na perfeição, o humor continua vivo, os vilões têm de se esforçar um pouco mais - mas nada que o tempo não resolva -, as criaturas estão fiéis às originais e os efeitos especiais são competentes e realistas o suficiente para um filme de ficção científica. Nada parece artificial.

As personagens antigas mantêm-se fiéis a si, de carácter forte e destemido, as novas tem apenas de aprender com os mais velhos, mas são, ainda assim, boas surpresas. Apesar de um ou outro momento mais previsível, certo é que o novo filme deixa no ar muitos mistérios e abre portas a muitas possibilidades e teorias.


Temos os nossos velhos companheiros de aventura Harrison Ford, Mark HamillCarrie Fisher Peter Mayhew (quem não tinha saudades de Chewbacca?) ainda em grande forma. E somos apresentados às caras novas como Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Andy Serkis ou Domhnall Gleeson, que, no essencial, não desiludem.

Abraams, por seu lado, sabe criar o ritmo certo, com alguns planos-sequência e movimentos de câmara dinâmicos e envolventes. Chegamos perto da acção não apenas sentimentalmente, mas também de certa forma fisicamente.

Simples, eficaz e capaz de nos transportar no tempo, para junto de Han Solo ou Chewbacca, Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força não nos deixa ficar mal e, afinal, só nos faz recuperar a febre e desejar que o próximo capítulo chegue depressa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sugestão da Semana #198

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de Paolo Sorrentino, A Juventude. Não é o melhor do cineasta, mas vale a pena ver.

A JUVENTUDE


Ficha Técnica:
Título Original: Youth 
Realizador: Paolo Sorrentino
Actores: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Paul Dano, Jane Fonda
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 118 minutos

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Estreias da Semana #198

Seis filmes chegaram esta Quinta-feira às salas de cinema nacionais. A Juventude, Hotel Transylvania 2 e No Coração do Mar são algumas das estreias.

A Juventude (2015)
Youth
Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel) são dois velhos amigos com quase 80 anos que se encontram a desfrutar de um período de férias num hotel encantador, no sopé dos Alpes. Fred é um maestro e compositor aposentado, sem intenção de voltar à carreira musical que abandonou há muito tempo, enquanto Mick é um realizador, que ainda trabalha, empenhado em terminar o guião do seu mais recente filme. Ambos sabem que os seus dias estão contados e decidem enfrentar o seu futuro juntos. No entanto, mais ninguém para além deles parece preocupado com o passar do tempo.

Amor Polar (2015)
Infinitely Polar Bear
Em 1978, enquanto a maioria dos pais passa os dias a trabalhar, Stuart Cam (Mark Ruffalo) é mais provável ser encontrado a procurar cogumelos, cozinhar refeições elaboradas, ou a trabalhar num dos seus múltiplos projectos inconcluídos. Os bens da família é o que os mantêm financeiramente à tona, enquanto Cam se esforça por viver preso à sua condição de doente maníaco depressivo. Quando Cam tem uma crise que o manda para um hospital psiquiátrico, a sua mulher Maggie (Zoe Saldana) e as suas duas filhas, Amelia e Faith, são forçadas a deixar a sua casa no campo e a mudar-se para um pequeno apartamento em Cambridge, onde Maggie tenta, sem sorte, encontrar um trabalho decente. Falida, sob pressão e sobrecarregada, Maggie candidata-se a um MBA da Universidade de Columbia, onde é aceite. Encarando isso como a sua oportunidade de construir uma vida melhor para as suas filhas, Maggie pede a Cam que se torne o encarregado de educação das filhas enquanto completa o seu curso universitário. Afinal de contas, o médico tinha prescrito a Cam uma vida calma e rotineira e as raparigas sentem falta do seu pai. Cam aceita, na esperança de reconstruir a sua família. No entanto, as duas meninas espirituosas não estão interessadas em lhe facilitar a vida.

Anacleto: Agente Secreto (2015)
Anacleto dedicou os seus melhores anos a servir a GP, uma agência secreta que ficou gravemente afectada com a crise económica. Como se não bastasse lidar com os cortes de orçamento para as missões, o seu eterno rival, o malvado Vázquez, escapa da prisão onde foi colocado pelo próprio Anacleto, ameaçando vingar-se... A Anacleto não resta outro remédio do que se por em acção para proteger o seu filho Adolfo, um trintão pateta que acredita que o seu pai ganha a vida a produzir enchidos, até ser encontrado pelo inimigo. Chega então esta missão, muito mais difícil do que aquelas a que está habituado, pois está treinado para sobreviver a todo o tipo de situações, mas a relação entre pai e filho não é de todo a sua melhor área!

Hotel Transylvania 2 (2015)
Tudo parece estar a mudar para melhor no Hotel TransylvaniaDrac finalmente desistiu da sua rígida politica de ‘só para monstros’ e o hotel está agora aberto a hóspedes humanos. Mas, na privacidade do seu caixão, Drac está preocupado com Dennis, o seu adorável neto, meio humano, meio vampiro que não mostra quaisquer sinais de ser de facto um verdadeiro vampiro.

Baseado no livro de Nathaniel Philbrick sobre a verdadeira e dramática viagem do navio baleeiro Essex, No Coração do Mar leva-nos a 1820. O navio é atacado por uma baleia gigante. Com a tripulação a ser levada ao limite e forçada a fazer o impensável para sobreviver, enfrentando tempestades, fome, pânico e o desespero, os homens vão colocar em causa a suas crenças mais profundas, desde o valor real das suas vidas à moralidade do seu ofício. Nesta histórica viagem, o capitão (Benjamin Walker) procura uma saída no mar imenso e o imediato Owen Chase (Chris Hemsworth) uma maneira de destruir a gigantesca baleia.

Os Coopers São o Máximo (2015)
Love the Coopers
Charlotte Cooper (Diane Keaton) tem um simples desejo natalício: que a sua família guarde na memória uma noite perfeita de Natal. Mas quando quatro gerações do clã Cooper se reúne debaixo do mesmo tecto nada é assim tão perfeito. Conforto e alegria não vão ser tarefas fáceis. Os fantasmas dos Natais Passados, Presente e Futuro vão reavivar nas memórias de cada membro da família Cooper momentos únicos e hilariantes…

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Globos de Ouro 2016: Os Nomeados

Os nomeados para os 73ª edição dos Globos de Ouro 2016 foram hoje anunciados. No cinema, Carol lidera com cinco nomeações e Mad Max: Estrada de Fúria é a grande surpresa, com duas nomeações, entre elas para Melhor Filme Dramático. Eis os nomeados nas categorias de cinema:


Melhor Filme - Drama
Carol
Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road)
The Revenant
Room
Spotlight

Melhor Actriz - Drama
Cate Blanchett - Carol
Brie Larson - Room
Rooney Mara - Carol
Saoirse Ronan - Brooklyn
Alicia Vikander - A Rapariga Dinamarquesa (The Danish Girl)

Melhor Actor - Drama
Bryan Cranston - Trumbo
Leonardo DiCaprio - The Revenant
Michael Fassbender - Steve Jobs
Eddie Redmayne - A Rapariga Dinamarquesa (The Danish Girl)
Will Smith - Concussion

Melhor Filme - Comédia ou Musical
The Big Short
Joy
Perdido em Marte (The Martian)
Spy
Descarrilada (Trainwreck)

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Jennifer Lawrence - Joy
Melissa McCarthy - Spy
Amy Schumer - Descarrilada (Trainwreck)
Maggie Smith - The Lady in the Van
Lily Tomlin - Grandma

Melhor Actor - Comédia ou Musical
Christian Bale - The Big Short
Steve Carell - The Big Short
Matt Damon - Perdido em Marte (The Martian)
Al Pacino - Danny Collins - Nunca é Tarde
Mark Ruffalo - Amor Polar (Infinitely Polar Bear)

Melhor Filme de Animação
Anomalisa
A Viagem de Arlo (The Good Dinosaur)
Divertida-Mente (Inside Out)
Peanuts: Snoopy & Charlie Brown - O Filme (The Peanuts Movie)
A Ovelha Choné - O Filme (Shaun The Sheep Movie)

Melhor Filme Estrangeiro
The Brand New Testament (Bélgica, França, Luxemburgo)
The Club (Chile)
The Fencer (Finlândia, Alemanha, Estónia)
Mustang (França)
Son of Saul (Hungria)

Melhor Actriz Secundária
Jane Fonda - A Juventude (Youth)
Jennifer Jason Leigh - The Hateful Eight
Helen Mirren - Trumbo
Alicia Vikander - Ex Machina
Kate Winslet - Steve Jobs

Melhor Actor Secundário
Paul Dano - Love & Mercy
Idris Elba - Beasts of No Nation
Mark Rylance - A Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
Michael Shannon - 99 Homes
Sylvester Stallone - Creed

Melhor Realizador
Todd Haynes - Carol
Alejandro G. Iñarritu - The Revenant
Tom McCarthy - Spotlight
George Miller - Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road)
Ridley Scott - Perdido em Marte (The Martian)

Melhor Argumento
Emma Donoghue - Room
Tom McCarthy, Josh Singer - Spotlight
Charles Randolph, Adam McKay - The Big Short
Aaron Sorkin - Steve Jobs
Quentin Tarantino - The Hateful Eight

Melhor Banda Sonora Original
Carter Burwell - Carol
Alexandre Desplat - A Rapariga Dinamarquesa (The Danish Girl)
Ennio Morricone - The Hateful Eight
Daniel Pemberton - Steve Jobs
Ryuichi Sakamoto, Alva Noto - The Revenant

Melhor Canção Original
Love Me Like You Do - As Cinquenta Sombras de Grey (Fifty Shades of Grey)
One Kind of Love - Love & Mercy
See You Again - Velocidade Furiosa 7 (Furious 7)
Simple Song #3 - A Juventude (Youth)
Writing's on the Wall - 007 Spectre

Crítica: No Coração do Mar / In the Heart of the Sea (2015)

"The tragedy of the Essex is the story of men. And a Demon."
Thomas Nickerson
*5/10*

Essencialmente visual, assim é o mais recente filme de Ron Howard, No Coração do Mar. A longa-metragem tem apenas a função de contar uma história verídica e serve-se do facto desta ter inspirado Herman Melville para escrever Moby Dick como factor catalisador de atenções. O marketing a funcionar.

O problema é que pouco mais funciona tão bem. Howard apoia o seu filme essencialmente nos efeitos visuais e em todo esse espectáculo que distrai ligeiramente do argumento, tão mal suportado. Uma história verídica nem sempre é sucesso garantido, precisa ser bem narrada, bem explorada. As baleias não podem fazer todo o trabalho. Realizador e argumentista deveriam ter feito melhor.

Baseado no livro de Nathaniel Philbrick sobre a verdadeira e dramática viagem do navio baleeiro Essex, No Coração do Mar leva-nos a 1820. O navio é atacado por uma baleia gigante. Com a tripulação a ser levada ao limite e forçada a fazer o impensável para sobreviver, enfrentando tempestades, fome, pânico e o desespero, os homens vão colocar em causa a suas crenças mais profundas, desde o valor real das suas vidas à moralidade do seu ofício. Nesta histórica viagem, o capitão (Benjamin Walker) procura uma saída no mar imenso e o imediato Owen Chase (Chris Hemsworth) uma maneira de destruir a gigantesca baleia.


O questionar de valores, o desespero que coloca os instintos mais primitivos à frente do socialmente aceite, e mesmo o dilema moral - afinal, será mesmo a baleia a má da fita? - não são explorados na sua plenitude e o clímax nunca é atingido. As personagens têm pouca personalidade, à excepção de Owen Chase e do jovem Thomas Nickerson (Tom Holland novamente a dar nas vistas depois de O Impossível) - eles são realmente os únicos que nos farão continuar a ter interesse em No Coração do Mar. O mais velho é o modelo de homem que o mais novo quer seguir, na coragem, determinação e na forma como nunca desiste. Cillian Murphy como Matthew Joy, companheiro e amigo de Chase, também merece destaque.

O filme alterna entre dois tempos: a acção em alto mar, nesta luta contra as baleias, é-nos apresentada ao mesmo tempo que Melville (Ben Whishaw) vai descobrindo os detalhes desta história, contada pelo único sobrevivente ainda vivo, Tom Nickerson (Brendan Gleeson). A montagem alterna entre estes dois momentos espacio-temporais e o ritmo é bem conseguido, contrabalançando a luta da tripulação contra a força da Natureza, em 1820, e a nostalgia, a dor de recordar, as emoções, enquanto Nickerson relata os acontecimentos.


Mas, afinal, o protagonismo de No Coração do Mar vai todo para os efeitos visuais, muito bem concretizados, é verdade, mas que roubam o brilho e o interesse às personagens e história - aqui é que deveriam estar as atenções. O 3D (Imax ou não) atordoa e desfocaliza ainda mais a atenção da plateia, quase anestesiada pela componente visual, onde ondas e baleias gigantes, querem transpor o ecrã da sala de cinema e deixar lá os marinheiros pouco empáticos.

Moby Dick merecia mais e o público também.