sexta-feira, 31 de março de 2017

Crítica: Aquarius (2016)

"Há pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração"
Clara (trauteando canção de Paulinho da Viola)

*9/10*

E quando a doença não é física, mas social? Kleber Mendonça Filho responde com Aquarius. Um filme que se foi tornando mais político com o passar do tempo e com as mudanças na governação brasileira. Um retrato de uma sociedade, onde injustiça e desigualdade imperam.

Clara (Sonia Braga), uma viúva de 65 anos, crítica de música reformada, nasceu numa família rica e tradicional no Recife, Brasil. Ela é a última residente do Aquarius, um edifício construído nos anos 40, na zona cara junto ao mar da Avenida Boa Viagem, no Recife. Todos os apartamentos vizinhos já foram adquiridos pela empresa que apresentou projectos para construir um novo empreendimento. Clara jura que só sairá dali morta e entra numa guerra fria com a empresa, num confronto obscuro e emocionalmente desgastante. Esta tensão não só perturba Clara como torna as suas rotinas exasperantes, levando-a a reflectir sobre si e aqueles que ama, o seu passado e o seu futuro.


Clara é o Brasil ameaçado, destroçado. Sonia Braga é a mulher assombrada pela morte, mas que vive a vida com tudo aquilo a que tem direito. Apesar de tudo, os perigos aumentam e a vigília constante torna-se incomportável. Um conflito terrível toma conta da protagonista, mas também da plateia que se vê a recear pela segurança de ClaraAquarius é uma perseguição, uma sociedade sem rei nem roque, onde ainda há resistentes que clamam pela justiça.

Aquarius é uma metáfora fabulosa do seu país de origem: incómodo, directo, batalhador, desafiador. O filme alimenta-se de um realismo cru, de um retrato de uma mulher reformada, inteligente e culta - cultura sempre foi a sua vida -, agora assombrada pela pressão da especulação imobiliária. Mas ao real adiciona-se uma pitada de fantasia e aí surge uma magia ainda maior. A cómoda - metafísica - que está naquela sala há tantas décadas, testemunha silenciosa de alegria, prazer ou mágoas, invoca o passado que agora Clara recorda, agora, na eminência de lhe roubarem a casa que guarda todas as memórias da família. O cabelo da protagonista - curto em jovem, comprido e forte aos 65 anos - é outro dos grandes símbolos da longa-metragem, conferindo uma personalidade ainda mais vincada a Clara.


Kleber Mendonça Filho atinge o seu esplendor neste filme com Sonia Braga. A atenção ao detalhes, a janela de onde tudo vemos, muitas vezes mais que a protagonista. Vemos os que amam, os que se divertem, a praia e o mar, a rua movimentada, os intrusos no prédio de Clara. O realizador filma muitas vezes com um certo espectro fantasmagórico a pairar, seja pelas portas entreabertas que escondem segredos escabrosos ou apenas o vazio, seja pelas faixas de pano que balançam ao sabor do vento no prédio do lado, qual fantasma a descer dos céus.

Aquarius divide-se em três partes e as opções de montagem funcionam na perfeição para criar algum suspense e imprevisibilidade no desenlace da acção. A acompanhar, a banda sonora contagiante e de excelente gosto, ou não fosse a personagem principal uma crítica de música.


Sonia Braga é a heroína, a força da Natureza que mergulha nas águas agitadas das praias do Recife, admirada por todos, com a energia e vontade de viver de uma jovem. Clara quebra tabus e contraria estereótipos e a actriz parece ter nascido para a interpretar.

Aquarius é um alerta corajoso sobre um Brasil triste e receoso. Kleber Mendonça Filho veio marcar a História do cinema brasileiro com um filme tão mágico quanto cruel, mas cheio de verdade. E que bom é ver Sonia Braga novamente na ribalta.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Sugestão da Semana #265

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque da Sugestão da Semana vai para o filme de ficção científica, Vida Inteligente. Acima de tudo, bom entretenimento. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

VIDA INTELIGENTE


Ficha Técnica:
Título Original: Life
Realizador: Daniel Espinosa
Actores: Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Olga DihovichnayaAriyon Bakare
Género: Ficção Científica, Terror, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 103 minutos

MONSTRA'17: Os vencedores

A Minha Vida de Courgette e É preciso que Eu Diminua são dois dos vencedores da 16.ª edição da MONSTRA. Os galardoados foram anunciados na cerimónia de encerramento do Festival de Animação de Lisboa, no Sábado, 25 de Março, no Cinema São Jorge.

O Grande Prémio MONSTRA foi para A Minha Vida de Courgette (este ano nomeado para o Oscar de Melhor Filme de Animação), de Claude Barras, que esteve na capital para apresentar o filme. O júri destacou a "sua sensibilidade e sua capacidade de expressar o espírito das crianças, através de um trabalho de uma animação subtil", considerando-o "um filme bonito e poético". Na mesma categoria, A Minha Vida de Courgette recebeu também o Prémio do Público.


Na competição portuguesa, o videoclip do músico Samuel Úria, realizado por Pedro Serrazina, É Preciso que Eu Diminua, recebeu o Prémio de Melhor Filme Português - Prémio SPA | Vasco Granja, "pela qualidade da relação entre a animação e o som, pela qualidade do movimento da câmara e pelo desenho, relação de contraste e metáforas visuais".

Na competição de curtas-metragens, o filme francês Periferia, de David Coquart-Dassault, recebeu o Grande Prémio MONSTRA CURTA. Na secção Curtíssimas, os vencedores foram A Lenda de Stingy Jack, de Andreia Reisinho Costa na categoria nacional, e Circuito de Bicicleta, de Jasmijn Cedee (Bélgica) na internacional.

Na Competição de Estudantes, o filme japonês Olha Apenas para Mim, de Tomoki Misato, venceu o prémio para Melhor Curta de Estudantes, e Lugar em Parte Nenhuma, de Bárbara de Oliveira e João Rodrigues, foi o melhor filme entre os estudantes nacionais.

O Grande Prémio Monstrinha foi para o filme russo Amoras, de Polina Minchenok, pela sua "narrativa enternecedora, complementada pela riqueza do detalhe, a emoção de mãos dadas com a animação".

Nas longas-metragens, o norueguês Ludovigo e Luca – A Grande Corrida do Queijo foi considerado Melhor Filme para a Infância e Juventude, Window Horses – A Epifania Poética Persa de Rosie Ming de Ann Marie Fleming recebeu uma Menção Honrosa e Louise à Beira-Mar, de Jean-François Laguionie, conquistou o Prémio Especial do Júri.

A lista completa de vencedores pode ser consultada aqui. A 16.ª edição da MONSTRA começou no dia 16 de Março e terminou este Domingo, dia 26.

domingo, 26 de março de 2017

Estreias da Semana #265

Esta Quinta-feira, estrearam nos cinemas portugueses sete novos filmes. Power Rangers e Vida Inteligente são dois dos destaques.

Eusébio - História de Uma Lenda (2016)
Desde os tempos de menino, que sonhava ser jogador da bola, até ser consagrado como o melhor jogador do mundo, o "Pantera Negra" revela, na primeira pessoa, os momentos gloriosos da sua carreira ao serviço da selecção e do seu clube do coração, o Sport Lisboa e Benfica. 

Médico de Província (2016)
Médecin de Campagne
Todas as pessoas na zona rural onde exerce podem contar com Jean-Pierre, o médico que os ausculta, cura e tranquiliza, dia e noite, sete dias por semana. Agora, Jean-Pierre está doente e Natalie, uma jovem médica, vem do hospital para ajudá-lo. Mas será que ela se vai adaptar a esta nova vida e ser capaz de substituir o homem que acreditava ser insubstituível?

Ornamento e Crime (2015)
Um detective privado e sua companheira envolvem-se em esquemas de extorsão. Mas numa sociedade dominada pela máfia da construção, a parada pode ser alta demais. Vereadores, empreiteiros e femmes fatales dificilmente poderão ser vencidos nesta mesa de jogo.

Patrulha de Doidos (2017)
CHIPs
Jon Baker e Frank "Ponch" Poncherello entraram na polícia de trânsito da Califórnia por razões diferentes. Baker é um antigo motard a tentar endireitar a vida e o casamento. Poncherello é um agente Federal infiltrado numa investigação a um roubo de muitos milhões de dólares que, tudo indica, foi realizado por alguém da própria polícia. O novato e o veterano vão trabalhar juntos, mas acabam por chocar, literalmente, nas suas diferenças. No entanto, a experiência de Baker como motard, combinada com o conhecimento que Ponch tem do que se passa nas ruas, talvez façam a dupla funcionar.

Power Rangers (2017)
Cinco jovens estudantes apercebem-se de que a sua pequena cidade de Angel Grove está à beira de ser obliterada por uma ameaça alienígena. Escolhidos pelo destino, descobrem rapidamente que são os únicos que podem salvar o planeta. Para tal, terão de superar os problemas da vida real e unirem-se como Power Rangers antes que seja tarde demais.

Um Homem Chamado Ove (2015)
En man som heter Ove
Ove tem 59 anos e é o rabugento do quarteirão. Há alguns anos, foi deposto como administrador do condomínio, mas continua a cuidar do bairro com punho de ferro. Um dia, a grávida Parvaneh e a sua família mudam-se para a casa geminada frente a Ove e, sem querer, derrubam-lhe a caixa de correio, um acto aparentemente inocente que desencadeia uma mudança inesperada na vida do solitário viúvo.

Conhecemos a história dos seis membros da tripulação da Estação Espacial Internacional no momento em que a mesma se depara com uma das mais importantes descobertas na história da humanidade: a primeira prova da existência de vida extraterrestre em Marte. À medida que a tripulação inicia a pesquisa, os seus métodos acabam por ter consequências indesejadas e a forma de vida mostra ser mais inteligente do que alguma vez esperaram.

Crítica: Vida Inteligente / Life (2017)

*7/10*

Vida Inteligente apoia-se em ideias desenvolvidas noutros filmes para reinventá-las numa história assustadora sobre a descoberta de vida extraterrestre. No espaço, seis astronautas são as cobaias deste curioso ser trazido de Marte. Nós somos os espectadores aterrorizados e impotentes, que assistem ao crescimento desta vida de outro mundo.

Daniel Espinosa não traz novidades à ficção científica, mas consegue criar um universo cativante, onde o suspense se entranha até aos ossos. Com o seu tom mordaz e muito directo, Vida Inteligente é uma surpresa positiva neste ano cinematográfico.


Conhecemos a história dos seis membros da tripulação da Estação Espacial Internacional no momento em que a mesma se depara com uma das mais importantes descobertas na história da humanidade: a primeira prova da existência de vida extraterrestre em Marte. À medida que a tripulação inicia a pesquisa, os seus métodos acabam por ter consequências indesejadas e a forma de vida mostra ser mais inteligente do que alguma vez esperaram.

Apesar das muitas semelhanças a Alien - O Oitavo Passageiro, Daniel Espinosa não tem qualquer tipo de interesse em esconder a forma deste ser, bem pelo contrário. É fundamental que o vejamos e nos apercebamos da sua espantosa evolução. Mas na génese da sua ideia, Alien tem realmente um papel fundamental para o argumento de Vida Inteligente. O ser extraterrestre é forte e a tripulação teme, com razão, o desconhecido. Por outro lado, no que toca a semelhanças "técnicas", encontramos planos que nos lembram Gravidade, de Alfonso Cuarón. A câmara de Espinosa leva-nos a flutuar pela estação espacial, e o bom trabalho de iluminação é outra característica que recorda o filme protagonizado por Sandra Bullock.


Seamus McGarvey faz um excelente trabalho na direcção de fotografia e a banda sonora de Jon Ekstrand mantém-nos no espaço, numa curiosa sensação de claustrofobia, onde não temos como fugir mesmo que o Universo seja infinito.

Rebecca Ferguson, Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds são três dos seis astronautas que conhecemos em Vida Inteligente e, especialmente os dois primeiros, têm desempenhos competentes. As personagens não são especialmente complexas nem nos dão grande background da sua vida na Terra, à excepção da personagem de Gyllenhaal, a única que nos desperta verdadeiro interesse.


Acima de tudo, Vida Inteligente oferece-nos bom entretenimento, com uma história pouco original, mas, ainda assim, bastante imprevisível. Ao embarcar nesta viagem espacial, a plateia tem de suster a respiração, até ao fim.

sábado, 25 de março de 2017

Prémios Sophia 2017: Os vencedores

Os vencedores dos Prémios Sophia 2017 foram anunciados na passada Quarta-feira, dia 22 de Março, numa cerimónia no CCB, em Lisboa. Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, foi o grande vencedor da noite com nove estatuetas.


Eis a lista completa de vencedores:

Melhor Curta-Metragem de Ficção
Menina, Simão Cayatte

Melhor Curta-Metragem de Animação
Estilhaços, José Miguel Ribeiro

Melhor Curta-Metragem de Documentário
Balada de um Batráquio, Leonor Teles

Prémio Sophia Estudante
A Instalação do Medo, Ricardo Leite

Melhor Actriz Secundária
Manuela Maria - A Mãe é que Sabe

Melhor Actor Secundário
Adriano Carvalho - A Mãe é que Sabe

Melhor Guarda Roupa
Lucha d'Orey - Cartas da Guerra

Melhor Direcção Artística
Nuno G. Mello - Cartas da Guerra

Melhor Maquilhagem e Cabelos
Nuno Esteves “Blue” - Cartas da Guerra

Melhor Documentário em Longa-Metragem
Mudar de Vida, José Mário Branco, vida e obra, Nelson Guerreiro, Pedro Fidalgo

Melhor Som
Ricardo Leal - Cartas da Guerra

Melhor Banda Sonora Original
Mário Laginha - Cinzento e Negro

Melhor Direcção de Fotografia
João Ribeiro - Cartas da Guerra

Melhor Argumento Original
Luís Filipe Rocha - Cinzento e Negro

Melhor Argumento Adaptado
Ivo M. Ferreira, Edgar Medina - Cartas da Guerra

Melhor Montagem
Sandro Aguilar - Cartas da Guerra

Melhor Canção Original
Sobe o Calor letra de Sérgio Godinho e música de Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor

Melhor Actriz Principal
Ana Padrão - Jogo de Damas

Melhor Actor Principal
Miguel Borges - Cinzento e Negro

Melhor Realizador
Ivo M. Ferreira - Cartas da Guerra

Melhor Filme
Cartas da Guerra, O Som e a Fúria

Prémio Mérito e Excelência
Ruy de Carvalho

quarta-feira, 22 de março de 2017

Sugestão da Semana #264

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda o filme brasileiro Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, com Sonia Braga no papel principal.

AQUARIUS


Ficha Técnica:
Título Original: Aquarius
Realizador: Kleber Mendonça Filho
Actores: Sonia Braga, Maeve Jinkings, Irandhir SantosHumberto Carrão
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 146 minutos

segunda-feira, 20 de março de 2017

Estreias da Semana #264

Dez filmes chegaram aos cinemas portugueses esta Quinta-feira. A Bela e o Monstro, A Idade das Sombras e Aquarius foram algumas das estreias.

A Bela e o Monstro segue a história do clássico que adapta e apresenta-nos Bela (Emma Watson), uma jovem bonita e independente, que é aprisionada por um Monstro no seu castelo. Apesar dos seus receios, torna-se amiga dos empregados encantados e consegue, aos poucos, aproximar-se do Monstro, e conhecer o seu verdadeiro eu.

A Estrada 47 (2014)
Durante a Segunda Guerra Mundial um grupo de sapadores da Força Expedicionária Brasileira entra em pânico no sopé do Monte Castelo. Os soldados tentam descer a montanha, mas acabam por se perder uns do outros. Quando conseguem reencontrar-se, precisam decidir se retornam para o batalhão e correm o risco de enfrentar um Tribunal Marcial por abandono de posto, ou voltam para a posição da noite anterior e se arriscam a enfrentar um ataque surpresa do inimigo. Após tensa discussão decidem desarmar o campo de minas mais perigoso de Itália. No caminho, encontram dois outros desertores; um soldado italiano cheio de remorsos que tenta juntar-se à Resistência e um oficial alemão cansado da guerra. Com a inesperada ajuda dos ex-inimigos, o grupo tenta cumprir a missão que até então fora considerada impossível.

A Idade das Sombras (2016)
Mil-jeong
Agentes da resistência coreana, embarcam numa missão secreta para contrabandear explosivos que permitam atacar o exército japonês, e um talentoso agente da polícia japonesa, natural da Coreia, enfrenta um dilema entre a realidade e o desejo de ajudar uma causa maior.

Aquarius (2016)
Clara (Sonia Braga), uma viúva de 65 anos, crítica de música reformada, nasceu numa família rica e tradicional no Recife, Brasil. Ela é a última residente do Aquarius, um edifício construído nos anos 40, na zona cara junto ao mar da Avenida Boa Viagem, Recife. Todos os apartamentos vizinhos já foram adquiridos pela empresa que apresentou projectos para construir um novo empreendimento. Clara jura que só sairá dali morta e entra numa guerra fria com a empresa, num confronto obscuro, assustador e emocionalmente desgastante. Esta tensão não só perturba Clara como torna as suas rotinas exasperantes, levando-a a reflectir sobre si e aqueles que ama, o seu passado e o seu futuro.

Código de Família (2016)
Trespass Against Us
Três gerações da família de Cutler viveram como foras da lei junto de algumas das zonas rurais mais ricas da Grã-Bretanha - caçando lebres, invadindo casas senhoriais e provocando a polícia. Em luta para manter um modo de vida que se está a extinguir rapidamente, Chad Cutler é apanhado entre os princípios arcaicos do pai e a tentativa de fazer algo pelos seus filhos, enquanto a lei se aproxima inexoravelmente.

Collide - A Alta Velocidade (2015)
Collide
Depois de um assalto falhado, Casey Stein (Nicholas Hoult), um jovem americano a viver na Europa, é obrigado a fugir de um gang liderado por Hagen (Anthony Hopkins). Para complicar ainda mais a situação, Casey fica na posse de bens valiosos pertencentes a Hagen, que tudo fará para os recuperar. Sem outras opções, Casey recorre à ajuda de Geran (Ben Kingsley), o seu antigo patrão e traficante de droga, para que este proteja a sua namorada, Juliette (Felicity Jones), antes que Hagen a consiga capturar. Desta forma, Casey acaba por se envolver numa louca perseguição pelas autoestradas de Munique para salvar o amor da sua vida, antes que seja tarde demais.

Malapata (2017)
Carlos e Artur vivem a experiência de ganhar a lotaria. De um dia para o outro, vêem as suas vidas dar a maior das voltas ao ficarem milionários. Levados pelo entusiasmo fazem as maiores e mais disparatadas excentricidades, mas começam a ser vítimas de uma estranha e inexplicável série de bizarros infortúnios e azares que quase lhes custa a vida.

Na Vertical (2016)
Rester vertical
Léo anda à procura de lobos numa grande planície da região de Lozère, quando encontra uma pastora, Marie. Alguns meses mais tarde, têm um filho. Com depressão pós-parto e sem ter qualquer confiança em Léo, que vai e volta sem dar cavaco, Marie abandona pai e filho. Léo dá por si com um bebé nos braços. É complicado, mas no fundo ele gosta. Durante esse período, não trabalha e aos poucos cai na miséria. É a degradação social que o atira para as planícies de Lozère e para o lobo.

O Fundador (2016)
The Founder
O Fundador é a adaptação ao cinema da biografia de Ray Kroc, fundador da cadeia de comida rápida McDonald´s. Relata como um caixeiro-viajante do interior dos Estados Unidos comprou, em 1954, o franchise do restaurante de hambúrgueres dos pouco ambiciosos irmãos Mac e Dick McDonald. O sucesso e as inovações introduzidas por Kroc permitiram-lhe adquirir a empresa aos McDonald, em 1961, por 2,7 milhões de dólares.

Sol de Chumbo (2015)
Zvizdan
Uma história de amor, passada em três décadas consecutivas, em duas aldeias vizinhas nos Balcãs com uma longa tradição de ódio inter-étnico. Na primeira história, em 1991, uma ligação romântica é forçada à clandestinidade quando o amor se torna num luxo proibido numa atmosfera de pré-guerra, loucura, confusão e medo. Depois, em 2001, terminada a guerra, os amantes não conseguem concretizar a sua paixão numa relação estável: as cicatrizes do conflito estão demasiado frescas e não saram facilmente. Por fim, em 2011, o amor consegue finalmente criar raízes se os amantes conseguirem libertar-se do passado. O mal e a suspeita não desapareceram completamente das suas vidas. Ainda não é fácil conseguir uma catarse, mas é possível tentar, uma vez mais.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Crítica: A Bela e o Monstro / Beauty and the Beast (2017)

"Think of the one thing that you've always wanted. See it in your mind's eye and feel it in your heart."
Monstro

*7/10*

Refazer, em imagem real, um clássico do cinema de animação pode levantar dúvidas quanto ao sucesso do produto final. O mais recente A Bela e o Monstro não traz grandes novidades, mas mantém o encanto de uma das mais belas histórias da Disney, com um elenco que lhe faz jus.

O arriscado desafio de Bill Condon constrói-se com um toque de actualidade, tirando partido das características mais marcantes dos seus protagonistas. O facto de se manter relativamente fiel ao original joga a seu favor, fazendo perdurar o encanto, a que junta algum humor bem conseguido. Ao mesmo tempo, o filme ganha identidade própria com pequenas alterações ao argumento que o tornam mais actual e nada infantilizado.

A Bela e o Monstro segue a história do clássico que adapta e apresenta-nos Bela (Emma Watson), uma jovem bonita e independente, que é aprisionada por um Monstro no seu castelo. Apesar dos seus receios, torna-se amiga dos empregados encantados e consegue, aos poucos, aproximar-se do Monstro, e conhecer o seu verdadeiro eu.


São muitos os efeitos especiais, mas também é imenso o talento da equipa que trabalhou para concretizar este musical. Há algumas novas letras, que mantêm o espírito Disney, há planos que nos fazem dançar com as personagens, há ironia, quebra de preconceitos, emancipação feminina e uma direcção artística fabulosa.

Se a Bela de 1991 era já uma jovem culta e muito diferente das outras da sua idade, Emma Watson veste-lhe tão bem a pele, quer pela sua postura doce, mas convicta, quer pela sua imediata associação à defesa dos direitos das mulheres. Mais ainda, as parecenças de Bela com Hermione Granger - que catapultou Watson para a fama - fazem-nos sentir à-vontade com a presença da actriz. Apaixonada por livros, por saber mais, destemida, com um certo dom de inventora, Emma Watson traz-nos uma protagonista mais madura e mostra-se à altura do desafio.


O restante elenco contribui para aumentar a magia desta nova versão de A Bela e o Monstro. Dan Stevens faz bem o que lhe compete: oferece-nos o príncipe superficial de antes do feitiço e um Monstro enraivecido, desesperado, infeliz, que vai começando a mostrar o seu sentido de humor e bondade à medida que conhece Bela. Luke Evans foi uma escolha certeira para interpretar o narcisista Gaston, e protagoniza das cenas mais divertidas ao lado do seu companheiro LeFou (Josh Gad a dar cartas) e Kevin Kline é o pai extremoso de Bela. Entre os empregados-objectos do palácio enfeitiçado, encontramos, em especial, Ewan McGregor, o candelabro; Ian McKellen, o relógio; e Emma Thompson, o bule; cuja personalidade forte os tornam fundamentais no decorrer da acção.

Os aspecto mais negativo do filme é, como de costume, o 3D, onde perdemos pormenor e os planos parte da beleza e encanto originais.


A Bela e o Monstro, de Bill Condon, é uma adaptação competente, mas não necessária, do clássico da Disney. O esforço e talento da equipa resultaram num filme mais actual, que mantém a magia, continuando a fazer-nos sonhar.

terça-feira, 14 de março de 2017

Sugestão da Semana #263

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, São Jorge. A longa-metragem de Marco Martins, protagonizada por Nuno Lopes, já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

SÃO JORGE


Ficha Técnica:
Título Original: São Jorge
Realizador: Marco Martins
Actores: Nuno Lopes, Jean-Pierre Martins, Gonçalo Waddington, Mariana Nunes, José Raposo, Carla Maciel, Paula Santos, Beatriz Batarda, Teresa Coutinho, David Semedo
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 112 minutos

domingo, 12 de março de 2017

FESTin'17: Vencedores

O FESTin'17 terminou a 8 de Março, dia em que foram anunciados os filmes vencedores desta edição. Big Jato, a quarta longa-metragem do realizador brasileiro Cláudio Assis, foi o grande vencedor do festival, ao conquistar a categoria de Melhor Filme.


Big Jato conta a história  de um limpador de esgotos e do seu odiado irmão gémeo, interpretados por Matheus Nachtergaele. O protagonista venceu o prémio para Melhor Actor no FESTin.

Eis a lista completa de vencedores:

Melhor Longa-Metragem de Ficção
Big Jato, de Cláudio Assis

Melhor Longa-Metragem de Ficção – Prémio da Crítica
Comeback, de Érico Rassi

Melhor Longa-Metragem de Ficção – Prémio do Público
Uma Vida à Espera, de Sérgio Graciano

Menção Honrosa Longa-Metragem de Ficção
BR 716, de Domingos de Oliveira

Melhor Realizador
Érico Rassi, de Comeback

Melhor Actor
Matheus Nachtergaele, por Big Jato

Melhor Actriz
Glauce Guima, por BR 716

Melhor Documentário
Curumim, de Marcos Prado

Menção Honrosa Documentário
Todos, de Marilaine Castro da Costa e Alberto Cassol

Melhor Documentário - Prémio do Público
Um Sonho Soberano, de Gonçalo Portugal Guerra

Melhor Curta-Metragem 
Universo Preto Paralelo, de Rubens Passaro 

Melhor Curta-Metragem – Prémio do Público
Kuru, de Francisco Antunez

Menção Honrosa para Curta-Metragem
Rosinha, de Gui Campos

Melhor Infanto-juvenil - Júri Adulto
Lua em Sagitário, de Márcia Paraíso

Menção honrosa Infanto-juvenil - Júri Adulto
O Projecto do meu Pai, de Rosária Moreira

Menção Honrosa - Júri Infantil
Pequenos Animais sem Dono, de Maju de Paiva

Estreias da Semana #263

Seis filmes chegaram às salas de cinema portuguesas esta Quinta.feira. Kong: Ilha da Caveira e São Jorge são duas das estreias.

A Autópsia de Jane Doe (2016)
The Autopsy of Jane Doe
Tommy (Brian Cox) e Austin (Emile Hirsch), pai e filho, trabalham juntos como médicos legistas. Numa noite igual a tantas outras recebem um misterioso cadáver descoberto na cave de uma família que foi brutalmente assassinada. O corpo da jovem Jane Doe, como é provisoriamente chamada, está assustadoramente bem preservado e envolto em mistério. Enquanto trabalham noite fora para descobrir a causa de morte, os dois homens vão descobrindo os perturbadores segredos da sua vida. Depressa, uma série de terríveis acontecimentos tornam claro que Jane Doe pode não estar morta.

Antes de vos Deixar (2017)
Before I Fall
E se tivesse apenas um dia para mudar absolutamente tudo? Samantha Kingston tem uma vida perfeita: os amigos perfeitos, o namorado perfeito e um futuro aparentemente perfeito. De repente, tudo muda e Sam acorda sem futuro. Obrigada a reviver o mesmo dia uma e outra vez, começa a questionar o quão perfeita a sua vida realmente era.

Kong: Ilha da Caveira (2017)
Kong: Skull Island
Uma equipa de exploradores reúne-se na missão de explorar uma ilha desconhecida do Pacífico - com tanto de encantadora como de traiçoeira -, alheios ao facto de estarem a entrar no território do mítico Kong.

Neruda (2016)
1948, a Guerra Fria estendeu-se até ao Chile. No congresso, o senador Pablo Neruda critica abertamente o governo. O presidente Videla exige a sua destituição e confia ao temível inspector Óscar Peluchonneau a responsabilidade de deter o poeta. Neruda e a esposa, a pintora Delia del Carril, não conseguem sair do país e são obrigados a esconder-se. Ele espicaça o inspector, deixando-lhe voluntariamente pistas de forma a tornar a perseguição ainda mais íntima e perigosa. Neste jogo do gato e do rato, Neruda aproveita a ocasião para se reinventar e tornar-se um símbolo da liberdade e uma lenda literária.

Em São Jorge, focamo-nos em Jorge (Nuno Lopes), um boxeur desempregado que aceita trabalho nocturno numa empresa de cobranças difíceis. Num momento em que a mãe do seu filho o quer levar para o Brasil, Jorge vê neste emprego a sua única solução.

Um Reino Unido (2016)
A United Kingdom
Em finais dos anos 40 do século XX, Seretse Khama (David Oyelowo) e Ruth Williams (Rosamund Pike) conhecem-se em Inglaterra. Da atracção mútua nasce um grande amor, mas Seretse Khama é negro e príncipe herdeiro do protectorado do Botswana. Ruth é branca e britânica. A sua união enfrenta fortes preconceitos sociais e familiares e representa  uma afronta política na altura em que o governo da África do Sul acaba de implementar a política de separação completa de raças conhecida por Apartheid.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Podia Ser Eu #7

Uma morenaça, com aquele cabelão rebelde, o mau feitio e o amor pelos animais e pelo mar: a Moana podia ser eu.


MOANA, Moana

domingo, 5 de março de 2017

Sugestão da Semana #262

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque da Sugestão da Semana vai para Logan, de James Mangold, que tem recebido rasgados elogios da crítica.

LOGAN


Ficha Técnica:
Título Original: Logan
Realizador: James Mangold
Actores: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen
Género: Acção, Drama, Ficção Científica
Classificação: M/16
Duração: 137 minutos

FESTin'17 no Cinema São Jorge até dia 8 de Março

O 8.º FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa começou no dia 1 de Março e prolonga-se até dia 8, no Cinema São Jorge, em Lisboa.


Bom cinema em português e não só é a proposta do FESTin, que traz à capital reconhecidos actores brasileiros como Mariana XimenesAndreia Horta, Pedro Cardoso, entre outros convidados.

Eis alguns dos filmes que ainda podem ser visto nos próximos dias do festival.

A Floresta das Almas Perdidas


É a primeira longa-metragem de José Pedro Lopes. A Floresta das Almas Perdidas é um filme que junta o drama ao terror e é exibido este Domingo, 5 de Março, às 17h30, na Sala Manoel de Oliveira. No local mais triste do mundo, dois estranhos conhecem-se. No entanto, um deles está feliz por estar ali.

Elis


Elis é o Filme de Encerramento da 8.ª edição do FESTin, no dia 8 de Março, pelas 21h00, na Sala Manoel de Oliveira. Realizado por Hugo Prata, a longa-metragem brasileira baseia-se na vida da cantora Elis Regina, desde a sua chegada ao Rio de Janeiro, aos 19 anos, até à sua morte precoce.

BR 716


BR 716, de Domingos de Oliveira, é exibido dia 5 de Março, às 19h00, na Sala Manoel de Oliveira. Os personagens principais deste filme estão quase sempre totalmente bêbedos. Trata-se de uma fábula da intensa boémia copacabanense que termina no golpe de 64. Era o auge do samba-canção de Antonio Maria e Dolores Duran em reacção talvez ao cinema americano, onde depois do primeiro beijo aparecia “The End” na tela e todos eram felizes para sempre.

Quase memória


Realizado por Ruy Guerra, Quase Memória passa no FESTin no dia 6 de Março, às 19h30, na Sala Manoel de Oliveira. O filme conta com Tony Ramos e Mariana Ximenes no elenco, que nos apresenta Carlos. Carlos jovem está diante do esquecimento de Carlos velho, que já não se lembra sequer do próprio rosto. Recebem um estranho pacote. O nó que o amarra, o cheiro, a letra no envelope: a encomenda só poderia ter sido enviada por seu pai, Ernesto, morto há anos. Um pai que sempre criou situações inusitadas.

O Próximo Samba


O Próximo Samba, de Marcelo Lavandoski, é exibido no dia 6 de Março, às 16h00, na Sala 3. O documentário retrata os bastidores da famosa Escola de Samba carioca, a Estação Primeira de Mangueira, um ícone do samba mundial. Documenta os passos que levaram esta escola até a grande vitória de 2016, após 14 anos sem ganhar um campeonato. O filme conta com a participação de Maria Bethânia, Alcione, Beth Carvalho, Rosemary e Carlinhos de Jesus.

Sob Pressão


Sob Pressão, realizado por Andrucha Waddington, é exibido a 7 Março, às 21h30, Sala Manoel de Oliveira. Num dia bastante tenso, os médicos de um hospital público do Brasil têm de tomar uma dura decisão quando três pacientes em estado grave precisam de socorro ao mesmo tempo. Com poucos recursos, têm de assistir-los a todos e lidar com a pressão social daquela situação.

Anjo da Guarda


Anjo da Guarda, filme de Margarida Gil, cuja obra é alvo de Retrospectiva nesta edição do FESTin, é também exibido a 7 de Março, pelas 20h30, na Sala 3. Lúcia volta à quinta da sua infância em busca da carta que o pai lhe deixou antes de se suicidar. Lá encontra Álvaro, um velho companheiro de infância, que reparte o pouco tempo de vida que lhe resta entre as rosas e o piano, e o Anjo da Guarda que a acompanha e protege nas suas deambulações nocturnas.

Mais informações sobre o FESTin e programação AQUI.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Crítica: São Jorge (2016)

"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge..."
Oração a São Jorge


*7/10*

Cerca de um seis meses após estrear no Festival de Veneza, São Jorge, de Marco Martins, chega a Portugal, o seu país. Nuno Lopes (premiado no festival italiano) é o motor da narrativa que se propõe a abordar uma temática arriscada: o mundo das empresas de cobranças difíceis em tempos de crise.

Depois de Alice (2005), realizador e protagonista regressam juntos ao cinema. A dupla adaptou-se bem aos bairros onde o filme se passa, e actores e não actores são filmados com a maior das naturalidades, acompanhando as suas conversas e receios sobre o estado do país sob o jugo da troika.

Em São Jorge, focamo-nos em Jorge (Nuno Lopes), um boxeur desempregado que aceita trabalho nocturno numa empresa de cobranças difíceis. Num momento em que a mãe do seu filho o quer levar para o Brasil, Jorge vê neste emprego a sua única solução.


A par da arrojada história principal e do conflito que surge no protagonista quando começa o seu novo trabalho, encontramos um lado mais documental ligado à temática da crise que assolava o país aquando do início da produção de São Jorge. Este lado é, infelizmente, o ponto fraco da longa-metragem de Marco Martins, que acaba por dar demasiado foco à realidade tão falada, documentada e filmada, real ou ficcionalmente.

Já a temática das cobranças difíceis, do desespero dos devedores, da urgência dos credores e da violência para com os que não cumprem os prazos, dá um ponto de partida especialmente interessante ao filme, mas não é explorado na sua plenitude.

Há em Jorge duas circunstâncias que, já de si, criam um dilema em toda a sua nova situação: ser boxeur e estar com problemas financeiros. Ele vai ter de utilizar as suas habilidades e dotes físicos contra outros que, tal como ele, sofrem com a crise. Tudo se adensa com a ida para o terreno, presenciar conversas, a pressão exercida sobre os devedores e, principalmente, a necessidade da sua intervenção, em último recurso. A violência como meio para atingir um fim.

A relação entre pai e filho e entre Jorge e Susana, a mãe da criança, pecam por não ser mais exploradas, especialmente por serem eles o motivo da sua decisão em aceitar este trabalho difícil e quase imoral.


Nuno Lopes transformou-se fisicamente para interpretar Jorge. Surge atlético, com verdadeiro porte de boxeur. Nota-se o treino necessário para subir ao ringue da representação neste papel, bem como a familiaridade que demonstra ao passear-se pelos bairros da Bela Vista e da Jamaica. Duro, mas apaixonado e sensível, chegando até a ser ingénuo, o actor é camaleónico e enriquece qualquer filme.

São Jorge passa-se maioritariamente de noite, adensando a aura misteriosa e obscura que assombra o trabalho do protagonista como cobrador de dívidas. A noite esconde o sangue depois de um ajuste de contas e disfarça o desespero. Mas é também sinónimo de liberdade e boa parceira de fuga. Neste ambiente nocturno, a direcção de fotografia de Carlos Lopes faz um excelente trabalho, e potencia a execução de planos marcantes.

São Jorge é o esperado regresso da dupla Martins-Lopes. Ao comando, Nuno Lopes atordoa a plateia com punhos cheios de talento. O filme fica a saber a pouco quando pensamos na ideia original de explorar o submundo das cobranças difíceis. Queríamos um pouco mais. Ficam-nos a dever esta.

Estreias da Semana #262

Sete filmes chegaram aos cinemas esta Quinta-feira. Destaque para Logan, com Hugh Jackman de regresso como Wolverine, e Personal Shopper, protagonizado por Kristen Stewart.

Logan (2017)
No futuro, Logan lida com a destruição dos X-Men. Exausto e em processo de perder os seus poderes, esconde-se na fronteira mexicana enquanto cuida de um Professor X que padece de uma forma de demência. Mas as tentativas de Logan para se afastar do mundo e do seu próprio legado acabam quando chega a jovem mutante Laura Kinney, uma versão feminina de Wolverine, perseguida por forças obscuras.

Max Steel (2016)
As aventuras do adolescente Max McGrath e do seu companheiro alienígena Steel que combinam os seus poderes para se tornarem no novo super-herói Max Steel.

O Espaço Que Nos Une (2016)
The Space Between Us
Uma nave espacial segue na primeira missão para colonizar Marte. Durante a longa viagem descobre-se que uma das astronautas está grávida. Já em Marte, a mulher morre após complicações durante o parto do primeiro ser humano nascido no planeta vermelho, sem revelar quem é o pai do seu filho. Aqui começa a extraordinária vida de Gardner Elliot – um menino curioso e inteligente que atinge os 16 anos conhecendo apenas 14 pessoas num ambiente pouco convencional. Enquanto procura pistas sobre o pai e sobre o planeta Terra que nunca conheceu, inicia uma amizade online com uma rapariga do Colorado chamada Tulsa. Quando chega a oportunidade, Gardner está ansioso por viajar para a Terra, mas os cientistas descobrem que o seu organismo pode não se adaptar à atmosfera terrestre. Esperando encontrar o pai, Gardner foge e encontra-se com Tulsa numa corrida contra o tempo para descobrir as suas origens, a vida e o seu lugar no universo.

Ouro (2016)
Gold
Kenny Wells é um prospector dos dias modernos, desesperado por um golpe de sorte. Com poucas opções, acaba por se unir a um geólogo igualmente infeliz para executar uma derradeira tentativa: encontrar ouro nas profundezas da selva inexplorada da Indonésia.

Personal Shopper (2016)
Uma história de fantasmas que tem lugar no submundo da moda francesa. Maureen é uma jovem americana a viver em Paris onde ganha a vida a fazer compras para uma celebridade. Também tem a capacidade de comunicar com espíritos, algo que partilhava com o seu irmão gémeo, Lewis, morto recentemente.

Rock Dog - Um Sonho Altamente! (2016)
Rock Dog
Um rádio cai do céu nas mãos de um Mastim Tibetano curioso e leva-o a viajar para cumprir o sonho de se tornar músico, dando início a uma série de acontecimentos inesperados.

Um Instante de Amor (2016)
Mal de pierres
Gabrielle foi criada numa pequena aldeia do sul de França, no seio da pequena burguesia agrícola, onde o seu sonho de uma paixão absoluta causa escândalo. Numa época em que o casamento é inevitável para qualquer mulher, a sua resiliência é considerada loucura. Os pais decidem casá-la com José, um trabalhador sazonal devoto e adorado, encarregando-o de a tornar uma mulher respeitável. Apesar da devoção de José, Gabrielle insiste que nunca o amará e vive como uma prisioneira confinada aos limites da sociedade do pós-guerra. Até ao dia em que viaja até aos Alpes para começar um tratamento de pedras nos rins. É lá que conhece André Sauvage, um oficial ferido durante a guerra da Indochina, que lhe desperta a paixão até então recalcada. Ela promete que fugirão juntos e André parece partilhar este desejo.