quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Estreias da Semana #301

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas 10 novos filmes. A Estrela de Natal, I Love You, Daddy e Verão Danado são algumas das estreias.

A Estrela de Natal (2017)
The Star
Um pequeno mas valente burro chamado Bo, gostaria de ter uma vida para além da existência corriqueira na sua aldeia. Um dia, ganha coragem e inicia a aventura com que sempre sonhou. Na viagem, junta-se a Ruth, uma adorável ovelha que se perdeu do rebanho, e a Dave, um pombo ambicioso. Juntamente com três camelos sábios e outros tantos excêntricos animais de estábulo, Bo e os novos amigos seguem a Estrela e tornam-se os improváveis heróis na maior história alguma vez contada – o primeiro Natal.

A Montanha Entre Nós (2017)
The Mountain Between Us
Após um trágico acidente de avião, dois estranhos têm de unir-se para sobreviver em condições atmosféricas extremas numa remota montanha. Quando percebem que a ajuda não vai chegar, decidem começar uma viagem assustadora através de centenas de quilómetros de terra inóspita, encorajando-se mutuamente para aguentar e abrindo espaço a uma atracção inesperada.

Desejo de Mãe (2015)
Äidin Toive
10 histórias de vida de 10 mulheres oriundas de 10 países diferentes, espalhados pelos cinco continentes. Une-as o facto de serem todas mães.

I Love You, Daddy (2017)
Esta comédia segue o género do habitual humor mordaz que o comediante Louis C.K. tem apresentado nas suas séries. A história acompanha Glen, um argumentista televisivo nova-iorquino – interpretado pelo próprio Louis C.K. - e a sua filha (Chloë Grace Moretz). Quando a filha desenvolve uma paixoneta por um realizador que Glen sempre admirou (John Malkovich), surgem os incontornáveis conflitos.

Lucky (2017)
A jornada espiritual de um ateu com 90 anos e as personagens peculiares que habitam na sua cidade desértica, no meio de nenhures. Tendo sobrevivido aos seus contemporâneos, o tempestuoso e independente Lucky encontra-se no precipício da vida, enveredando numa jornada de auto-exploração, em direcção ao que costuma ser inatingível: a iluminação.

O Dia Seguinte (2017)
Geu-hu 
É o primeiro dia de Areum numa pequena editora. Bongwan, o seu chefe, acabou recentemente a relação com a rapariga que estava no lugar de Areum. Como habitualmente, Bongwan sai de casa antes do amanhecer para ir trabalhar. As memória da rapariga que partiu ainda permanecem nele. Nesse dia, a mulher de Bongwan encontra uma carta de amor, vai até ao escritório sem avisar, e confunde Areum com a rapariga que partiu.

O Fim da Inocência (2017)
Aos olhos de todos, mas principalmente dos pais, Inês é a menina perfeita. Estuda num dos mais caros e reputados colégios da Linha de Cascais, e o seu núcleo de amigos é meramente composto por filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Acontece que, por detrás das aparências, a realidade de Inês e do seu grupo de amigos é outra, muito diferente. São todos consumidores regulares de drogas, têm comportamentos sexuais de alto risco e utilizam o lado mais perigoso da Internet. Ainda menores de idade, as suas vidas já se encontram num elevado estado de degradação física e num descontrolo emocional total. E tudo sem que os pais dêem conta.

Pai Há Só Um... Ou Dois (2017)
Daddy's Home 2
O pai Dusty (Mark Wahlberg) e o padrasto Brad (Will Ferrell) unem esforços para oferecerem um Natal perfeito às crianças. A recente parceria sofre um primeiro teste quando o pai machista de Dusty (Mel Gibson) e o pai afectuoso e emotivo de Brad (John Lithgow) chegam para lançar o caos.

Táxi Sófia (2017)
Posoki
Durante uma única noite, e depois de um acto de desespero provocar um debate a nível nacional, o destino e as vidas de várias pessoas cruzam-se em diferentes viagens de táxi pela cidade de Sófia. Pontuadas por um feroz e pungente humor negro, as histórias de cada um destes condutores e passageiros servem-nos de guia, e por entre momentos de amor, de devoção, de indiferença, e de solidariedade, compõe um retrato colectivo de uma sociedade à procura de um caminho e com esperança numa nova direcção. Afinal, a Bulgária é hoje um país de optimistas, depois de todos os pessimistas e realistas terem partido para outros lugares.

O filme acompanha o Verão de Chico, que começa na terra, ao pé dos avós, debaixo dos limoeiros, na atmosfera da infância. Mas o seu lugar agora é na capital, onde terminou o curso e para onde parte à procura de emprego. Pertence a uma geração sem expectativas, à qual a idade adulta começa às portas do nada. É na noite de Lisboa que Chico se perde, entre amores e drogas.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Crítica: Roda Gigante / Wonder Wheel (2017)

"When it comes to love we all turn out to be our own worst enemy." 
Ginny


*7/10*

Woody Allen mantém a inspiração mediana, mas continua a oferecer às actrizes papéis de garra e extremamente emocionais. Desta vez, contudo, o visual do filme eleva-o a um estatuto de que já tínhamos saudades.


O realizador entra literalmente num mundo de fantasia ou não estivéssemos num parque de diversões junto à praia. No entanto, a história não é especialmente fantasiosa: as vidas de quatro personagens cruzam-se no meio da agitação do Parque de Diversões de Coney Island, nos anos 50. Ginny (Kate Winslet) é uma emocionalmente volátil ex-actriz que trabalha agora como empregada de mesa numa marisqueira; Humpty (Jim Belushi) é o severo marido de Ginny e operador de carrossel; Mickey (Justin Timberlake) é um bonito nadador-salvador que sonha ser dramaturgo; e Carolina (Juno Temple) é a filha de Humpty, que se esconde de gangsters no apartamento do pai. 

Os temas habituais na obra de Woody Allen regressam: traição, sonhos desfeitos, paixões impossíveis. Há novamente ligações ao teatro e à interpretação, há a máxima de "o amor não escolhe idades", há adultério, resignação e até mafiosos. Há ainda uma jovem personagem que quebra a já instável rotina da personagem principal, um filho pré-adolescente com tendências pirómanas - um dos melhores elementos de humor.


Tão teatral como os seus personagens, Roda Gigante é expansivo - com Kate Winslet a dominar o ecrã, emotiva e radiosa -, com bons momentos de humor e o estilo do realizador a imperar. O texto chega a ser denso, a roçar o repetitivo, e torna-se, por vezes, um ponto fraco na acção, que não avança. Mas o grande trunfo da longa-metragem reside no director de fotografia: o veterano Vittorio Storaro pinta quadros de emoções com as cores brilhantes, luminosas ou néon que iluminam cenários e actores. Mais do que as expressões faciais, a cor faz-nos ler sentimentos nas mentes das personagens. Também a direcção artística é fabulosa ao retratar a década de 50, sendo que a viagem no tempo é inevitável.


Woody Allen, fiel a si, vai, aos poucos, chamando a magia que caracterizou a sua obra ao longo de alguns anos. Ainda longe do seu auge, o cineasta recupera em Roda Gigante algum do brilho que o caracteriza, mas ainda sabe a pouco.

LEFFEST'17: Cocote (2017)

*6/10*


Nelson Carlo de Los Santos Arias trouxe Cocote ao Lisbon & Sintra Film Festival. Um filme onde religião, costumes e honra se misturam com a Natureza, a da Terra e a dos Homens.

Alberto, um jardineiro evangélico, regressa à sua terra natal para o funeral do pai, que foi assassinado por um homem poderoso da região. Para chorar a sua morte, é forçado a participar em ritos religiosos que são contrários às suas crenças e à sua vontade.

O realizador joga com a alternância de formatos de imagem, bem como cenas a preto e branco e a cores, explorando um lado experimental nesta longa-metragem que, em alguns momentos, parece ter um tom documental (as cerimónias fúnebres são o melhor exemplo disso).


Cocote embrenha-nos numa cacofonia de rezas, choros e gritos, de diferentes origens que se juntam entre os corpos sem forças ou auto-controlo. A luz é intensa e a câmara de Santos Arias acompanha as cerimónias, as discussões familiares e o desconforto do protagonista no regresso à comunidade onde nasceu mas que não sente como sua.

Alberto vagueia entre o dever de vingança que lhe é imposto pelas irmãs, o confronto com a realidade injusta e revoltante da Republica Dominicana e a espiritualidade.

Cocote conquistou o Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa no Lisbon & Sintra Film Festival.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

LEFFEST'17: Os Vencedores

O Lisbon & Sintra Film Festival terminou no passado Domingo e foi o filme russo Tesnota (Closeness) o grande vencedor desta 11.ª edição.


O Prémio de Melhor Filme Jaeger-LeCoultre foi para Tesnota (Closeness), de Kantemir Balagov, e a actriz Olga Dragunova conquistou o Prémio Revelação TAP. Cocote, de Nelson Carlo de los Santos Arias, recebeu o Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa. O Prémio do Público foi para a longa-metragem Chama-me Pelo Teu Nome, de Luca Guadagnino.

Eis a lista completa de premiados: 

Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre
TESNOTA, de Kantemir Balagov

Prémio Especial do Júri "João Bénard da Costa" 
COCOTE, de Nelson Carlo de Los Santos Arias

Prémio Revelação TAP – Melhor Actriz
Olga Dragunova em TESNOTA

Prémio NOS Melhor Filme - Escolha do Público
CHAMA-ME PELO TEU NOME, de Luca Guadagnino

Prémio para a Melhor Curta-Metragem (escolas)
A MAN, MY SON, de Florent Gouëlou - LA FEMIS, Paris, França

Menções Honrosas: 
LES YEUX FERMÉS, de Léopold Legrand - INSTITUT NATIONAL SUPÉRIEUR DES ARTS DU SPECTACULE, Bruxelas, Bélgica

HEIMAT, de Emi Buchwald - THE POLISH NATIONAL FILM TELEVISION AND THEATER, Lodz, Polónia

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sugestão da Semana #300

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de animação Coco, de Lee Unkrich e Adrian Molina.

COCO



Ficha Técnica:
Título Original: Coco
Realizadores: Lee Unkrich e Adrian Molina
Actores: Anthony Gonzalez, Alanna Ubach, Benjamin Bratt, Gael García Bernal, Edward James Olmos, Jaime Camil, Gabriel Iglesias, Cheech Marin, Alfonso Aráu, Sofía Espinosa
Género: Animação, Aventura, Comédia
Classificação: M/6
Duração: 109 minutos

sábado, 25 de novembro de 2017

Estreias da Semana #300

Esta Quinta-feira chegaram aos cinemas portugueses nove novos filmes. 

Na cidade de Guimarães, um lugar com mais de dois mil anos, três realizadores, Jean-Luc Godard, Peter Greenaway e Edgar Pêra, exploram o 3D e a sua evolução no mundo do cinema. Just in Time, de Greenaway, relembra a história da cidade, atravessando dois milénios ao redor do Paço dos Duques de Bragança num plano sequência de 16 minutos que segue um percurso entre a Praça da Oliveira, a igreja da Senhora da Oliveira e os claustros do Museu Alberto Sampaio. The Three Disasters, é o vídeo-ensaio de Godard que parte de material de arquivo para se debruçar sobre a fragmentação da história e a sua intersecção com a história do cinema. Cinesapiens, de Pêra, é a primeira produção do país a usar o 3D; o filme explora o papel do público na experiência de ver um filme, utilizando um grupo de espectadores dentro de uma sala de cinema em Guimarães. 3X3D é uma produção Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura.

Centro Histórico reúne quatro curtas-metragens de quatro realizadores: os portugueses Manoel de Oliveira e Pedro Costa, o finlandês Aki Kaurismäki e o espanhol Víctor Erice. O filme resulta de uma encomenda da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura para mostrar "as histórias que a cidade tem para contar". Aki Kaurismäki, em O Tasqueiro, começa com uma comédia agridoce sem diálogos sobre um taberneiro, que vê muito sem realmente experimentar o que quer que seja. Sweet Exorcist, de Pedro Costa, é um mergulho reflexivo na memória colonial através de um elevador onde estão um emigrante cabo-verdiano, o Ventura, e um soldado português. No lado documental, Vidros Partidos, do basco Víctor Erice, presta homenagem à indústria têxtil centenária de Guimarães, fixando-se nos operários de uma fábrica de vidro inaugurada no século XIX e encerrada em 2002. A última palavra é a do eterno Manoel de Oliveira, que em O Conquistador Conquistado brinca com a avalanche de turistas no centro histórico de Guimarães e as suas fotografias.

Coco (2017)
Miguel procura desesperadamente mostrar o seu talento musical contra a vontade da família. Quando toca a guitarra de seu ídolo, o falecido Ernesto de la Cruz, desencadeia uma misteriosa cadeia de eventos e vê-se a atravessar a Terra dos Mortos, através de uma ponte maravilhosa feita de pétalas de margaridas, juntamente com o seu leal cão Dante. Encontra o adorável trapaceiro Hector e juntos iniciam uma extraordinária viagem por um mundo colorido e vibrante a fim de descobrirem o segredo por detrás da família de Miguel.

Gauguin (2017)
1891, Gauguin foi para o Taiti. Quer encontrar a sua pintura como um homem livre, no lado selvagem, longe da moral, da política e da estética dos códigos da Europa civilizada. Embrenha-se na selva, enfrentando a solidão, a pobreza, a doença. Conhece Tehura, que se tornaria sua mulher e o tema das suas principais obras.

O Espírito da Festa (2017)
Le Sens de la fête
Max trabalha em catering há 30 anos e organizou centenas de festas. Hoje trata-se do casamento de Pierre e Helena que terá lugar num castelo do século XVII. Como de costume, Max coordenou tudo: recrutou a sua brigada de empregados e cozinheiros, aconselhou um fotógrafo, reservou a orquestra, organizou a decoração floral, em suma, todos os ingredientes estão reunidos para que a festa seja bem-sucedida. Mas como em todos os eventos, há uma ténue fronteira entre o sucesso e o desastre.

O Homem do Coração de Ferro (2017)
The Man with the Iron Heart
1942: no auge do poder do Terceiro Reich, a resistência decide planear a sua mais ambiciosa operação de sempre: Anthropoid. Dois jovens agentes, Joseph Gacik e Jan Kubis, são mandados para Praga com a missão de assassinarem um dos mais cruéis líderes nazis: Reinhardt Heydrich, líder das SS, da Gestapo, e um dos arquitectos da Solução Final.

O Quadrado (2017)
The Square
Christian é o respeitado curador de um museu de arte contemporânea; divorciado e bom pai dos seus dois filhos, conduz um carro eléctrico e apoia boas causas. A sua próxima exposição, O Quadrado, é uma instalação que pretende evocar o altruísmo em quem a vê, recordando-nos o nosso papel enquanto seres humanos responsáveis pelos nossos congéneres. Mas às vezes é difícil viver à altura dos nossos ideais: a resposta incauta de Christian ao roubo do seu telefone vai conduzi-lo a situações das quais ele se envergonha. Entretanto, os Relações Públicas do museu criam uma campanha inesperada para O Quadrado. A reacção é inflamada e lança Christian, bem como o próprio museu, numa crise existencial.

Só Para Bravos (2017)
Only the Brave
Drama baseado na luta de uma equipa de bombeiros contra o gigantesco incêndio florestal em Prescott, Arizona, em Junho de 2013, que levou a vida de 19 dos seus membros.

Woodshock (2017)
Uma mulher num estado de profunda depressão é arrastada para um estado extremo de paranóia após ingerir uma droga mortal.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Crítica: O Senhor das Moscas / Lord of the Flies (1963)

"Kill the pig! Slit her throat! Bash her in!"

*9/10*

A inocência é perdida após poucos dias numa ilha deserta e os instintos mais selvagens transformam crianças em monstros. O Senhor das Moscas, de Peter Brook, é uma alegoria à anarquia que se instaura quando as regras desaparecem e a figura de liderança não existe. Um filme arrebatador e sem receios que mostra, através dos mais puros, como o mal pode tomar conta do homem.


Depois do avião em que viajavam se despenhar, um grupo de crianças britânicas vê-se isolado numa ilha deserta. O ambiente selvagem e paradisíaco, onde não existe a autoridade dos adultos, faz com que o grupo de divida e se transforme numa organização tribal violenta.

Peter Brook constrói um filme violento e brutal, num retrato cru de como o Homem dito civilizado depressa se pode transformar numa besta primitiva e sem valores, basta que deixe de haver autoridade legítima. Para este retrato, o realizador adapta ao cinema o livro homónimo de William Golding, que coloca as crianças como protagonistas desta história chocante. E se rapazes tão pequenos entram em tal escalada de violência e actos irracionais, não nos espantemos com as ditaduras que por todo o mundo ainda vingam nos tempos que correm. Querem filme mais intemporal?


O Senhor das Moscas é uma chamada de atenção para os perigos a que todos estão sujeitos. Mais incómodo tudo se torna com protagonistas tão jovens. Do inofensivo (?) bullying típico da idade - mas obviamente condenável -, ao confronto de opiniões que resulta numa votação democrática, para que aquela pequena comunidade possa funcionar com regras, depressa um grupo se insurge e quer mais poder, menos responsabilidades. Acima de tudo, o poder. A libertinagem confundida com liberdade.

Tantas serão as metáforas encontradas no filme de Peter Brook que vale a pena ver e retirar a lição devida desta longa-metragem. Para além da fenomenal história, os jovens actores merecem todo o mérito, com interpretações corajosas e a direcção de fotografia proporciona-nos momentos únicos a preto e branco, usando a luz com mestria, fazendo o fogo ganhar vida e brilho no meio da noite. A banda sonora remete-nos para as tribos e seus rituais, e aumenta a tensão que as imagens já de si transmitem.


O Senhor das Moscas leva-nos numa escalada de loucura à criação de uma sociedade violenta e anárquica liderada por crianças. O medo e a ânsia de poder dominam as motivações, crenças e valores do ser humano.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Sugestão da Semana #299

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana sugere, em especial para os fãs, o filme da Marvel, Liga da Justiça.

LIGA DA JUSTIÇA


Ficha Técnica:
Título Original: Justice League
Realizador: Zack Snyder
Actores: Henry Cavill, Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Ray Fisher, Jason Momoa, Amy Adams
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 120 minutos

domingo, 19 de novembro de 2017

Crítica: Ele Vem à Noite / It Comes at Night (2017)

"You can't trust anyone but family." 
Paul
*7.5/10*

Ele Vem à Noite joga com o medo do desconhecido que assombra, mais ou menos evidentemente, cada ser humano. Trey Edward Shults constrói um thriller cheio de tensão e suspense, onde o verdadeiro inimigo vem de fora de casa.

Um casal vive com o filho adolescente num local remoto, numa casa segura e onde estão fortemente armados. Uma ameaça desconhecida aterroriza o mundo e a ténue ordem doméstica que o pai da família estabeleceu com a esposa e o filho é posta em causa com a chegada de uma família desesperada a pedir abrigo. Apesar das boas intenções de ambas as famílias, o pânico e a desconfiança intensificam-se, ao mesmo tempo que os horrores do mundo exterior parecem aproximar-se.


Ele Vem à Noite constrói-se em redor da desconfiança permanente em que vive a família protagonista. Perante um inimigo invisível - será algo sobrenatural, a doença ou os humanos? - o estado de alerta é total e a tranquilidade não faz parte do dicionário. Uma única porta dá acesso ao exterior e quem por ali entra deve ser escrutinado até à exaustão. A mínima mudança na rotina pode arruinar a vida da família, que acredita que o perigo espreita entre as árvores da floresta.

Um dos pontos mais fortes do filme de Trey Edward Shults é a abordagem à psicologia das personagens, que faz o filme aproximar-se do género terror, produzindo, ao mesmo tempo, uma curiosa crítica social ao mundo actual. O homem transforma-se num monstro perante o desconhecido, com o medo a tomar conta de si. A fronteira é ténue entre pesadelos e realidade. Afinal, a desconfiança é uma doença e faz vir ao de cima o que de mais primitivo existe em cada um. Por outro lado, o cão da família é quem demonstra maior coragem, quebrando todos os protocolos criados pelo pai da família.


A par do silêncio incómodo que rodeia esta casa no meio da floresta, o trabalho da direcção de fotografia de Drew Daniels é excelente ao tirar partido da noite e da escuridão, e em muito contribui para aumentar o ambiente de isolamento e receios que enchem os espaços vazios.

No elenco, o grande destaque vai para Joel Edgerton, que tem consolidado o seu talento para as personagens mais diversificadas. Neste caso, é o cauteloso e desconfiado pai de família que tudo faz para manter os seus em segurança.


Ele Vem à Noite pode ser encarado como um retrato psicossocial hiperbolizado (mas não muito) da sociedade ocidentalizada. O medo é o demónio que aterroriza aquela casa e os monstros são cada um dos Homens.

sábado, 18 de novembro de 2017

Estreias da Semana #299

Chegaram esta Quinta-feira aos cinemas portugueses sete novos filmes.

A Vida de Um Génio (2017)
Rebel in the Rye
O mundo do escritor J.D. Salinger é reproduzido neste retrato das experiências que ajudaram a moldar aquele que foi um dos mais respeitados, controversos e enigmáticos autores de sempre. Passado na colorida Nova Iorque de meados do século XX, o filme segue o jovem Salinger (Nicholas Hoult), à medida que este luta para encontrar a sua voz, tenta conquistar a famosa socialite Oona O'Neill (Zoey Deutch) e combate durante a Segunda Guerra Mundial. Foram estas as experiências que iriam influenciar a criação da sua obra-prima The Catcher in the Rye, o livro que lhe trouxe a fama e notoriedade que, depois, o levariam a abandonar a vida pública até ao fim dos seus dias.

Bob o Construtor: Mega Machines (2017)
Bob the Builder: Mega Machines
O Escavão, o Lagartas e o Alturas estão ansiosos por ajudar o Bob na sua maior obra de sempre: construir uma barragem e transformar uma antiga pedreira num reservatório que forneça água potável a Springcity. Bob recruta a ajuda de outro construtor, Conrad e das suas três enormes Mega-Machines - Baque, Tritão e Ás - para desobstruir a pedreira. Conrad, invejoso por Bob ter ficado encarregue da construção da barragem em vez dele, tenta manchar a reputação do rival e sabota a barragem. Bob apercebe-se de que algo correu mal e que lhe cabe, a si e à sua equipa, salvar Springcity.

England Is Mine (2017)
Retrato da vida de Steven Patrick Morrissey na Manchester dos anos 70, antes de se tornar no vocalista da banda The Smiths, na década seguinte.

Liga da Justiça (2017)
Justice League
Os maiores super-heróis da Terra unem-se para combater uma ameaça bem para lá das capacidades individuais de cada um.

Rapto (2017)
Kidnap
Um dia normal no parque transforma-se em tragédia quando Karla (Halle Berry) procura o filho de seis anos e o vê a ser levado por dois estranhos que o põem nas traseiras de um carro e rapidamente desaparecem sem deixar rasto. Sem uma matrícula para procurar, ou um telemóvel com o qual chamar a polícia, tem de ser Karla a tentar salvar o filho. Numa perseguição a alta-velocidade com pouca gasolina no depósito, Karla tem de fazer difíceis escolhas se alguma vez quiser voltar a ver o seu filho.

The Only Living Boy in New York (2017)
Thomas Webb (Callum Turner), filho de um editor e de uma artista, é um jovem recém-licenciado que procura o seu lugar no mundo. Quando se muda do apartamento dos pais no Upper West Side para o Lower East Side, torna-se amigo do seu novo vizinho W.F. (Jeff Bridges), um escritor alcoólico que partilha sabedoria mundana acompanhada de saudáveis shots de whiskey. O mundo de Thomas começa a transformar-se quando descobre que o pai (Pierce Brosnan) está a ter um caso com uma sedutora mulher mais nova (Kate Beckinsale). Determinado a por fim à relação, Thomas envolve-se com a amante do pai, dando início a uma cadeia de acontecimentos que vão mudar tudo o que pensa saber sobre ele próprio e sobre a sua família.

Um Homem de Família (2016)
A Family Man
Um profissional de recursos humanos vê a sua vida abalada quando o filho fica subitamente doente.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Crítica: Blade Runner 2049 (2017)

"Sometimes to love someone, you got to be a stranger." 
Rick Deckard
*7/10*

Blade Runner 2049, a tão aguardada sequela do filme de 1982, chegou este ano. De Ridley Scott, a sequela sobre os replicantes passou para as mãos de Denis Villeneuve e ele tratou-a com dignidade, talento e ambição qb.

A grande força do novo Blade Runner reside no visual fabuloso, muito fiel ao original, e repleto das marcas de autor a que Villeneuve nos tem habituado nos seus filmes. O argumento, por sua vez, começa no bom caminho, e aumenta as expectativas ao longo da primeira metade da longa-metragem, mas perde-se num sem fim de enredos entrelaçados até aos créditos finais.


30 anos após os eventos do primeiro filme, K (Ryan Gosling), um novo blade runner, oficial da LAPD, desvenda um segredo há muito enterrado que pode potencialmente mergulhar no caos o que resta da sociedade.A descoberta de K leva-o numa missão para localizar Rick Deckard (Harrison Ford), um antigo blade runner da LAPD, desaparecido há 30 anos.

Evitando spoilers a todo o custo, certo é que Denis Villeneuve se mostrou à altura do desafio de realizar este Blade Runner dos tempos modernos. O argumento, sendo o principal ponto fraco do filme, não deixa de ter um ponto de partida forte e um desenrolar da história onde o poder assenta nas memórias - serão elas que fazem de nós o que somos? Ao mesmo tempo, a revolta inerente ou a eterna insatisfação, que está longe de se restringir aos humanos, tomam conta das personagens daquele mundo distópico. Ainda a seu favor, estão pequenos pormenores de ficção científica muito realistas que moldam a história dos 30  anos que passaram entre a narrativa dos dois filmes.


A direcção de fotografia é magistral e não lhe devemos tirar mérito. Sem o fabuloso trabalho de Roger Deakins, Blade Runner 2049 não chegaria nem a metade do que é. É fácil deixarmo-nos perder nas cidades engolidas por ecrãs publicitários e pela névoa omnipresente ou pelos desertos intermináveis neste planeta devastado. Os edifícios futuristas, os veículos, tudo isso está tão fiel ao filme de 1982 que podemos ficar arrepiados.

Nas personagens, Harrison Ford regressa como Deckard sem muito mais a acrescentar, sendo ele próprio o segredo que une os dois filmes. O novo protagonista, o blade runner K, interpretado por Ryan Gosling, mostra-se isento de emoções e faz o que se espera dele. O replicante que parece, aos poucos, ir conquistando vontade própria, autonomia e sentimentos, vê crescer uma esperança - em si e na plateia - que tem muito de humano. Nos vilões, Jared Leto é totalmente ofuscado por Sylvia Hoeks, a vilã assistente, que nos faz esquecer a (mínima) presença do actor.


Não é possível destronar Blade Runner - tão único e vanguardista no seu tempo -, mas Denis Villeneuve, fiel ao visual original, consegue despertar no público grandes sentimentos de nostalgia e melancolia. O resultado, não sendo obrigatório, é positivo e satisfatório, em jeito de homenagem ao filme de Ridley Scott.

Lisbon & Sintra Film Festival: Filmes a não perder

O Lisbon & Sintra Film Festival começa hoje e, até dia 26 de Novembro, há muito cinema para ver entre Lisboa e Sintra. O Hoje Vi(vi) um Filme deixa algumas sugestões.

LAST FLAG FLYING, de RICHARD LINKLATER
Com: BRYAN CRANSTON, LAURENCE FISHBURNE, STEVE CARRELL
2017

A PIANISTA, de MICHAEL HANEKE
Com: ISABELLE HUPPERT, ANNIE GIRARDOT, BENOÎT MAGIMEL
2000

JULIAN SCHNABEL: A PRIVATE PORTRAIT, de PAPPI CORSICATO
Com: JULIAN SCHNABEL, AL PACINO, WILLEM DAFOE, BONO, EMMANUELLE SEIGNER, VITO SCHNABEL
2017

ELE VEM À NOITE, de TREY EDWARD SHULTS
Com: CARMEN EJOGO, CHASE JOLIET, CHRISTOPHER ABBOTT, DAVID PENDLETON, GRIFFIN ROBERT FAULKNER, JOEL EDGERTON, KELVIN HARRISON JR., MICK O'ROURKE, MIKEY, RILEY KEOUGH
2017

LARANJA MECÂNICA, de STANLEY KUBRICK
Com: MALCOLM MCDOWELL, PATRICK MAGEE, MICHAEL BATES
1971

PROMESSAS PERIGOSAS, de DAVID CRONENBERG
Com: VIGGO MORTENSON, NAOMI WATTS, VINCENT CASSEL, ARMIN MUELLER-STAHL, SINEAD CUSACK, JERZY SKOLIMOWSKI
2007

A AVENTURA, de MICHELANGELO ANTONIONI
Com: GABRIELE FERZETTI, MONICA VITTI, LEA MASSAR
1960

JEAN DOUCHET, RESTLESS CHILD, de FABIEN HAGEGE, GUILLAUME NAMUR, VINCENT HAASSER
Com: JEAN DOUCHET, ARNAUD DESPLECHIN, NOÉMIE LVOVSKY, BARBET SCHROEDER, XAVIER BEAUVOIS
2017

HOW TO TALK TO GIRLS AT PARTIES, de JOHN CAMERON MITCHELL
Com: ALEX SHARP, ELLE FANNING, NICOLE KIDMAN, RUTH WILSON, MATT LUCAS, STEPHEN CAMPBELL MOORE
2017

DUAS MULHERES, de JOÃO MÁRIO GRILO
Com: BEATRIZ BATARDA, VIRGÍLIO CASTELO, DÉBORA MONTEIRO, MARCELLO URGEGHE, SOFIA GRILO, JOSÉ PINTO, NICOLAU BREYNER, JOÃO PERRY
2009

O PÃO QUE O DIABO AMASSOU, de JOSÉ VIEIRA
Com: ANTÓNIO MANUEL GALHADA, AGOSTINHO RODRIGUES TORRES, ALZIRA RODRIGUES FIGUEIREDO, LAURINDA DE JESUS PORTELA PEIXE, JOSÉ DA CONCEIÇÃO PEIXE, ABÍLIO PEREIRA, JOSÉ ANTÓNIO DE JESUS, PIEDADE JESUS, FERNANDO FIGUEIREDO MARQUES, JOSÉ FERNANDES, JOSÉ DA CONCEIÇÃO FERNANDES, JOSÉ FIGUEIREDO MARQUES, PIEDADE MARQUES DA SILVA
2012

VERÃO DANADO, de PEDRO CABELEIRA
Com: PEDRO MARUJO, ANA VALENTIM, LIA CARVALHO, DANIEL VIANA
2017

RODA GIGANTE, de WOODY ALLEN
Com: KATE WINSLET, JUNO TEMPLE, JUSTIN TIMBERLAKE
2017

GOOD TIME, de BEN SAFDIE, JOSHUA SAFDIE
Com: ROBERT PATTINSON, BENNY SAFDIE, BUDDY DURESS
2017

A HORA MAIS NEGRA, de JOE WRIGHT
Com: GARY OLDMAN, LILY JAMES, BEN MENDELSOHN, KRISTIN SCOTT THOMAS
2017

Mais informações sobre o festival, filmes e horários aqui http://www.leffest.com e em https://www.facebook.com/leffest/.