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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Red Carpet

Conhecidos os vencedores da 91.ª edição dos Oscars, olho agora com mais atenção para os modelos que desfilaram na passadeira vermelha. O rosa dominou muitos dos looks (com grande pena minha) e não foi fácil escolher os meus favoritos. Poucos me conquistaram. Eis, como de costume, uma breve análise aos mais bem vestidos da red carpet dos Oscars (para mim, que não pesco nada de moda).

TINA FEY poderia dar uma boa apresentadora dos Oscars (com Amy Poehler e Maya Rudolph, porque não?). Mas falando do visual, a actriz estava elegantíssima num vestido azul Vera Wang, muito simples, mas igualmente muito eficaz. Uma opção segura que, combinada com o penteado e jóias (Niwaka Jewelry) certas, fez Fey brilhar.
Foto: Frazer Harrison/Getty Images

O amarelo poderia ser arriscado, mas este modelo Versace foi uma aposta ganha para CONSTANCE WU (estrela de Crazy Rich Asians). Um tom suave, malmequer, dá à actriz um ar quase angelical.
Foto: Jeff Kravitz/FilmMagic

Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, MELISSA MCCARTHY fez uma aposta segura mas elegante, num fato preto e branco Brandon Maxwell, cuja capa deu uma sofisticação extra. Maquilhagem, penteado e as jóias favoreceram ainda mais a actriz.
Foto: Jeff Kravitz/FilmMagic

NICHOLAS HOULT foi, provavelmente, o homem mais elegante da noite. O fato preto Dior destacou-se devido à faixa cruzada a sair da zona do peito. Um toque cheio de classe.
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária, REGINA KING surgiu na passadeira vermelha com um bonito vestido branco com cauda, Oscar de la Renta. Jóias (Chopard Jewelry) e cabelo fizeram jus ao modelo, que não passou despercebido.
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

OLIVIA COLMAN marcou uma das surpresas da noite ao conquistar o Oscar para Melhor Actriz pelo seu desempenho como Rainha Anne, em A Favorita. Na passadeira vermelha, desfilou com um bonito vestido de seda verde-esmeralda escuro da Prada, com um laço cinza nas costas, com alguns detalhes em prata, que se transformava numa capa. Com tanto de clássico como de moderno.
Foto: Steve Granitz/WireImage

Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Secundária, a mexicana MARINA DE TAVIRA deslumbrou na red carpet com um vestido vermelho, a condizer. O modelo J. Mendel combinou na perfeição com as jóias Lorraine Schwartz.
Foto: Frazer Harrison/Getty Images

Uma das minhas favoritas da noite foi DANAI GURIRA com um visual digno de uma rainha de Wakanda. Deslumbrante, a actriz de Black Panther surgiu num poderoso vestido dourado com detalhes em preto, Brock Collection. As jóias Fred Leighton e a bandolete a realçar o penteado, completaram o visual de encantar.
Foto: Frazer Harrison/Getty Images

Igualmente deslumbrante esteve a nomeada para Melhor Actriz Secundária, AMY ADAMS, num vestido Versace, muito justo, em tons de prata. O penteado e as jóias Cartier deram ainda mais elegância ao visual.
Foto: Frazer Harrison/Getty Images

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Os Vencedores

É hoje a grande noite dos Oscars. Filmes vistos, apostas feitas, vamos estar em directo a actualizar os vencedores desta 91.ª edição.


Melhor Filme
BlacKkKlansman
Black Panther
Bohemian Rhapsody
The Favourite
Green Book
Roma
A Star Is Born
Vice

Melhor Actor
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (A Star Is Born)
Willem Dafoe (At Eternity's Gate)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book)

Melhor Actriz
Yalitza Aparicio (Roma)
Glenn Close (The Wife)
Olivia Colman (The Favourite)
Lady Gaga (A Star Is Born)
Melissa McCarthy (Can You Ever Forgive Me?)

Melhor Actor Secundário
Mahershala Ali (Green Book)
Adam Driver (BlacKkKlansman)
Sam Elliott (A Star Is Born)
Richard E. Grant (Can You Ever Forgive Me?)
Sam Rockwell (Vice)

Melhor Actriz Secundária 
Amy Adams (Vice)
Marina de Tavira (Roma)
Regina King (If Beale Street Could Talk)
Emma Stone (The Favourite)
Rachel Weisz (The Favourite)

Melhor Realizador
Alfonso Cuaron (Roma)
Yorgos Lanthimos (The Favourite)
Spike Lee (BlacKkKlansman)
Adam McKay (Vice)
Pawel Pawlikowski (Cold War)

Melhor Argumento Original
The Favourite (Deborah Davis e Tony McNamara)
First Reformed (Paul Schrader)
Green Book (Brian Hayes Currie, Peter Farrelly e Nick Vallelonga)
Roma (Alfonso Cuaron)
Vice (Adam McKay)

Melhor Argumento Adaptado
A Star Is Born (Bradley Cooper, Will Fetters e Eric Roth)
The Ballad of Buster Scruggs (Joel Coen e Ethan Coen)
BlacKkKlansman (Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott)
If Beale Street Could Talk (Barry Jenkins)
Can You Ever Forgive Me? (Nicole Holofcener e Jeff Whitty)

Melhor Filme de Animação
Incredibles 2
Isle of Dogs
Mirai
Ralph Breaks the Internet
Spider-Man: Into the Spider-Verse

Melhor Filme Estrangeiro
Capernaum (Líbano)
Cold War (Polónia)
Never Look Away (Alemanha)
Roma (México)
Shoplifters (Japão)

Melhor Fotografia
The Favourite (Robbie Ryan)
Never Look Away (Caleb Deschanel)
Roma (Alfonso Cuaron)
A Star Is Born (Matty Libatique)
Cold War (Lukasz Zal)

Melhor Montagem
BlacKkKlansman (Barry Alexander Brown)
Bohemian Rhapsody (John Ottman)
The Favourite (Yorgos Mavropsaridis)
Green Book (Patrick J. Don Vito)
Vice (Hank Corwin)

Melhor Design de Produção
Black Panther (Hannah Beachler e Jay Hart)
The Favourite (Fiona Crombie e Alice Felton)
First Man (Nathan Crowley e Kathy Lucas)
Mary Poppins Returns (John Myhre e Gordon Sim)
Roma (Eugenio Caballero e Barbara Enriquez)

Melhor Guarda-Roupa
The Ballad of Buster Scruggs (Mary Zophres)
Black Panther (Ruth E. Carter)
The Favourite (Sandy Powell)
Mary Poppins Returns (Sandy Powell)
Mary Queen of Scots (Alexandra Byrne)

Melhor Caracterização
Border
Mary Queen of Scots
Vice

Melhor Banda Sonora Original
Black Panther (Ludwig Goransson)
BlacKkKlansman (Terence Blanchard)
If Beale Street Could Talk (Nicholas Britell)
Isle of Dogs (Alexandre Desplat)
Mary Poppins Returns (Marc Shaiman)

Melhor Canção Original
All the Stars (Black Panther, escrito por Kendrick Lamar, Al Shux, Sounwave, SZA e Anthony Tiffith)
Interpretado por Kendrick Lamar e SZA
I'll Fight (RBG, escrito por Diane Warren)
Interpretado por Jennifer Hudson
The Place Where Lost Things Go (Mary Poppins Returns, escrito por Marc Shaiman e Scott Wittman)
Interpretado por Emily Blunt
Shallow (A Star Is Born, escrito por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)
Interpretado por Bradley Cooper e Lady Gaga
When a Cowboy Trades His Spurs for Wings (The Ballad of Buster Scruggs, escrito por Dave Rawlings e Gillian Welch)
Interpretado por Tim Blake Nelson e Willie Watson

Melhores Efeitos Sonoros
Black Panther
Bohemian Rhapsody
First Man
Roma
A Star Is Born

Melhor Montagem de Som
Black Panther
Bohemian Rhapsody
First Man
A Quiet Place
Roma

Melhores Efeitos Visuais
Avengers: Infinity War
Christopher Robin
First Man
Ready Player One
Solo: A Star Wars Story

Melhor Documentário
Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
RBG

Melhor Curta Documental
Black Sheep
End Game
Lifeboat
A Night at the Garden
Period. End of Sentence.

Melhor Curta de Animação
Animal Behaviour
Bao
Late Afternoon
One Small Step
Weekends

Melhor Curta
Detainment
Fauve
Marguerite
Mother
Skin

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Os Actores Principais

Olhemos agora para os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Ethan Hawke é o nomeado ausente - o melhor desempenho masculino do ano passado, totalmente ignorado pela Academia. Entre os cinco candidatos, há dois nomes fortes, mas todos os desempenhos estão a níveis bastante semelhantes. Vou abster-me quanto a Willem Dafoe pois ainda não assisti ao seu filme. Eis os nomeados para Melhor Actor, por ordem de preferência:



Bradley Cooper mostra que sabe cantar... e não só. Cooper é, sem dúvida, a grande Estrela do título do seu filme. Afinal, ali há talento, e muito. Nunca imaginei vê-lo num papel com a entrega e emoção que coloca em Jackson Maine. O actor (agora sim, podemos chamá-lo actor) transmite-nos o desespero e desencanto, o vazio que sente, a mágoa e tristeza. Ele sofre e faz-nos ter piedade da sua personagem, esquecendo, por vezes, que Lady Gaga também está no ecrã. Cria-se uma empatia imensa com Cooper que parece ter esperado muitos anos por uma personagem com esta força e carácter. É arrepiante vê-lo. E por muitas graças que se possam fazer acerca da sua personagem em A Ressaca, nada se compara a este alcoólico doente e sem forças, nem esperança.



Já estamos habituados às inúmeras transformações de Christian Bale de personagem para personagem, mas nunca estamos verdadeiramente preparados para a próxima. Em Vice, surge mais uma vez camaleónico e assustadoramente semelhante a Cheney em expressões, gestos e até na voz e forma de falar. Um fabuloso desempenho.



Rami Malek é quem conduz Bohemian Rhapsody e o faz valer a pena. Uma interpretação quase idêntica ao verdadeiro Freddie, o que vai para além da caracterização ou parecenças físicas. Malek estudou minuciosamente os gestos, os movimentos, a forma de andar de Freddie Mercury... Uma interpretação convincente e cheia de dedicação.



Viggo Mortensen forma uma dupla-maravilha como Mahershala Ali, na pele de um italo-americano gabarola e um tanto grosseiro. Viggo engordou para fazer esta personagem, e a comida italiana parece ter sido a dieta ideal. O actor é tão boçal como sincero, numa pureza conspurcada mas ainda com alguma doçura ou inocência. Dos modos racistas iniciais, Tony vai aprendendo muito com Don - e igualmente ensinando -, e entre as diferenças surgem muitos pontos comuns. Tão diferentes e tão complementares.

Willem Dafoe (At Eternity's Gate)
 

Sem avaliação

Oscars 2019: As Actrizes Principais

Mais um ano de bons desempenhos femininos. Da actriz veterana às menos experientes, há papéis para todos os gostos. Não posso avaliar Glenn Close pois ainda não vi o seu filme. Aqui fica a minha listagem das nomeadas, por ordem de preferência.



Olivia Colman é enorme no papel de rainha, transfigurando-se conforme a debilidade da personagem. Uma mulher atormentada pelas dores física e psicológica, ingénua, desnorteada e apaixonada, em especial pelos seus 17 coelhos de estimação. Anne parece, por vezes, uma criança mimada ou um bebé indefeso. A actriz engordou cerca de 16 kg para vestir a pele da rainha Anne e é grande parte da alma do filme.

2. Melissa McCarthy (Can You Ever Forgive Me?)


Facilmente associamos Melissa McCarthy à comédia, mas em Can You Ever Forgive Me? o lado dramático da actriz manifesta-se. O humor está presente, claro, mas Melissa transforma-se, e não apenas fisicamente. A mágoa e desilusão da escritora mal-amada, solitária e desconfiada atormentam a personagem que se refugia na bebida... e na falsificação. Uma interpretação tão intensa como divertida.



Lady Gaga interpreta-se a si mesma em grande parte de Assim Nasce Uma Estrela. A cantora e actriz dá um verdadeiro show como Ally ao cantar grande parte dos tema do filme, mas confesso que gosto mais da sua inicial versão country, mais genuína, onde irradia química com Bradley Cooper. Esses são os seus melhores momentos.



Os dois momentos verdadeiramente exigentes para Yalitza Aparicio são, sem sombra de dúvida, o parto e a cena final, na praia com as crianças de quem cuida. De resto, a actriz faz o que lhe compete, mas não se transcende, pois a personagem não lhe pede mais que isso. Simples, sem grandes opiniões ou ideias, Cleo sofre mas resigna-se - talvez em demasia.

Glenn Close (The Wife)


Sem avaliação.

Oscars 2019: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com dois grandes desempenhos e outros igualmente esforçados e competentes. Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.



Mahershala Ali faz um trabalho fenomenal na pele de Don Shirley, mais ainda sabendo que há poucos registos filmados do pianista. Mahershala agarra-se a todas as informações que obteve e constrói uma personagem culta, íntegra e solitária, com uma grande crise de identidade. Um homem  snobe, que engole o orgulho para ganhar a vida com o seu talento - aquilo que mais prazer lhe dá fazer -, enquanto se debate com uma realidade racista e inumana que lhe está tão longe, mas também tão perto.

2. Richard E. Grant (Can You Ever Forgive Me?)


Uma belíssima surpresa entre o painel de nomeados. Richard E. Grant tem uma interpretação elegante e sentida na pele de um traficante alcoólico homossexual, cujo caminho se cruza com o da protagonista de Can You Ever Forgive Me?. Entre a fragilidade da doença e o companheirismo com Melissa McCarthy, se o actor recebesse o Oscar este ano, seria muito bem entregue.



Adam Driver destaca-se no papel do polícia judeu que se infiltra no Ku Klux Klan. Ele pouco se importa com as suas raízes, até se confrontar com o ódio desmedido. Para além do tom cómico inevitável na situação em que a personagem se encontra, há uma tomada de consciência que Driver sabe incorporar com muito realismo.



Rockwell surge como uma cópia de George W. Bush. Vencedor do Oscar nesta mesma categoria o ano passado, o actor regressa ao tom cómico ao construir um Bush irresponsável e pouco comprometido com a nação que serve. Os tiques e gestos foram bem estudados e ajudam em muito às parecenças com a personagem.



Sam Elliott tem um papel pequeno mas emotivo e com importância para melhor compreender Assim Nasce Uma Estrela. Ele é o irmão mais velho do protagonista, para quem foi quase um pai, duro mas muito preocupado com o seu protegido.

Oscars 2019: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Estão todas muito equilibradas por aqui, tanto que é difícil escolher a favorita. Não posso contudo avaliar a potencial vencedora deste ano, Regina King, pois ainda não vi o seu filme. Eis as nomeadas por ordem de preferência.



Rachel Weisz é Lady Sarah, a melhor amiga da rainha que assume as decisões do reino a favor das suas simpatias políticas e que mais possam convir ao marido; uma mulher fria e calculista, que acaba por ser também ela manipulada. A actriz supera-se numa interpretação repleta de maturidade e seriedade, de elegância e talento.



Amy Adams está quase empatada com Weisz nas minhas preferências. Ela é a mulher por detrás dos homens, Lynne Cheney. Adams também se supera com uma interpretação de peso, que lhe exigiu bastante trabalho de bastidores, num estudo minucioso, tendo adoptado a voz de Cheney até nos intervalos de gravação. A actriz tem aqui mais uma boa parceria - já bem conhecida de outros filmes - com Christian Bale.



Emma Stone é a criada Abigail, ambiciosa e sem escrúpulos, que vagueia entre o ar mais angelical e inocente ao mais perverso e maquiavélico. Stone é enérgica e ataca com a rebeldia que lhe é característica. Mais uma vez, revela-se uma excelente actriz de comédia e apenas fica a faltar-lhe um pouco mais de maldade - que a personagem pede muito.



Marina de Tavira dá nas vistas em Roma pelo seu desempenho de mulher traída e magoada que tenta, a todo o custo, menorizar a dor dos filhos. Ainda assim, é uma prestação simples que coloca em dúvida a justiça desta nomeação.

Regina King (If Beale Street Could Talk)
 
  Sem avaliação

Oscars 2019: Melhor Filme

A cerimónia dos Oscars 2019 acontece hoje, dia 24 de Fevereiro, e nada melhor do que uma breve análise aos nomeados. São oito os candidatos na corrida para Melhor Filme e há cinema para todos os gostos, num ano com vários potenciais vencedores. Aí ficam os nomeados, por ordem de preferência.



É A Favorita e é também a preferida do Hoje Vi(vi) um Filme. Não dá para resistir. Eis o trio de actrizes mais triunfal do ano: Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone. Com A Favorita, Yorgos Lanthimos sai da sua zona de conforto, onde deixa a plateia desconfortável com os seus retratos-limite da sordidez humana (Canino, A Lagosta, O Sacrifício de um Cervo Sagrado...), para se aventurar num filme menos complexo mas repleto das suas marcas autorais e influências. E temos de confessar, nem num filme de época ele nos dá sossego. E ainda bem. 



Mais um realizador que arriscou e teve sucesso. Green Book é uma das melhores surpresas entre os nomeados. É na simplicidade e, fundamentalmente, nos protagonistas que o filme de Peter Farrelly se revela uma aposta ganha. Um filme que não quer ser mais do que aquilo que é - passa uma mensagem séria e ainda actual, através do humor, com um guião bem escrito e tão bem interpretado. Mahershala Ali e Viggo Mortensen formam uma dupla insuperável.



Vice é uma espécie de filme biográfico sem papas na língua que Adam McKay realizou sobre o vice-presidente mais influente na Casa Branca, Dick Cheney. Leva-nos num mergulho frontal e sarcástico - quase mórbido - no mundo impenetrável da política norte-americana, fazendo-nos conhecer o mentor do estado a que o país chegou. A influência de um homem quase invisível teve repercussões assustadoras. É em jeito de paródia (ou farsa) que McKay nos confronta com uma realidade demasiado dolorosa para ser mentira.



BlacKkKlansman é um entusiasmante relato de uma história real, quase inacreditável - e por isso mesmo tão genial. Spike Lee usa uma estética muito própria com uma acção ritmada e viciante. A longa-metragem passa-se nos anos 70 mas é especialmente actual ao tocar as tensões raciais, políticas e sociais nos Estados Unidos, que também se têm reacendido desde o início da administração Trump. BlacKkKlansman é entretenimento do bom e ainda dá uma lição de História e de valores a todos. Bem feito Spike Lee.



Roma é um filme parcialmente autobiográfico em que o cineasta pretende homenagear a empregada que o criou. Cuarón tomou as rédeas da realização, mas igualmente do argumento e direcção de fotografia. Um filme muito pessoal, criado para ser universal. E que, apesar de toda a perfeição técnica, à medida que o tempo passa, para mim, tem perdido o fulgor inicial, tornando-se cada vez mais banal.



Eis o remake dos tempos modernos de um filme que já teve várias leituras ao longo da História do Cinema, Assim Nasce Uma Estrela. A nova visão do clássico não traz nada de muito novo, mas é um filme agradável, competente, onde as interpretações surpreendem, em especial Bradley Cooper. Muita música e um bom trabalho de som, ao mesmo tempo que os planos acompanham as emoções que se vivem em palco e fora dele.



A Marvel chegou ao rol de nomeados para Melhor Filme com Black Panther, o nomeado mais inesperado(?) do ano. O filme de super-heróis distancia-se dos seus "parentes", em especial, pelo universo onde se insere a história que conta e pelo elenco maioritariamente de ascendência africana. Apesar da competência de Ryan Coogler, não me parece que Black Panther devesse fazer parte dos nomeados na categoria principal dos Oscars.



A ascensão de Freddie Mercury e dos Queen, desde o tempo em que o cantor dava pelo nome de Farrokh Bulsara, ao afastamento e posterior reunião da banda para o Live Aid, em 1985. É este o percurso que Bohemian Rhapsody segue, com Rami Malek numa interpretação poderosa. Contudo, ao filme falta, sem dúvida, toda a alma da banda. Nós merecíamos mais.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: As Previsões

Como todos os anos, chegou o momento em que faço as apostas para a noite dos Oscars. Depois, é esperar para ver se as minhas previsões vão bater certo com os vencedores. Façam as vossas apostas e conheçam as minhas:


Melhor Filme
Ganha: Roma
Com possibilidades: Black Panther e Green Book
Devia Ganhar: The Favourite

Melhor Actor
Ganha: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Com possibilidades: Christian Bale (Vice)
Devia Ganhar: Bradley Cooper (A Star Is Born)

Melhor Actriz
Ganha: Glenn Close (The Wife)
Com Possibilidades: Olivia Colman (The Favourite)
Devia Ganhar: Olivia Colman (The Favourite)

Melhor Actor Secundário
Ganha: Mahershala Ali (Green Book)
Com Possibilidades: Richard E. Grant (Can You Ever Forgive Me?)
Devia Ganhar: Mahershala Ali (Green Book)

Melhor Actriz Secundária
Ganha: Regina King (If Beale Street Could Talk)
Com Possibilidades: Rachel Weisz (The Favourite)

Melhor Realizador
Ganha: Alfonso Cuaron (Roma)
Com possibilidades: Pawel Pawlikowski (Cold War)
Devia Ganhar: Yorgos Lanthimos (The Favourite) ou Pawel Pawlikowski (Cold War)

Melhor Argumento Original
Ganha: Green Book (Brian Hayes Currie, Peter Farrelly e Nick Vallelonga)
Com possibilidades: The Favourite (Deborah Davis e Tony McNamara)
Devia Ganhar: First Reformed (Paul Schrader)

Melhor Argumento Adaptado
Ganha: Can You Ever Forgive Me? (Nicole Holofcener e Jeff Whitty)
Com possibilidades: BlacKkKlansman (Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott)

Melhor Filme de Animação
Ganha: Spider-Man: Into the Spider-Verse
Com Possibilidades: Isle of Dogs
Devia Ganhar: Isle of Dogs

Melhor Filme Estrangeiro
Ganha: Roma (México)
Com possibilidades: Cold War (Polónia)
Devia Ganhar: Cold War (Polónia)

Melhor Fotografia
Ganha: Cold War (Lukasz Zal)
Com possibilidades: Roma (Alfonso Cuaron)
Devia Ganhar: Cold War (Lukasz Zal)

Melhor Montagem
Ganha: Bohemian Rhapsody (John Ottman)
Com possibilidades: Vice (Hank Corwin)
Devia Ganhar: Vice (Hank Corwin)

Melhor Design de Produção
Ganha: Black Panther (Hannah Beachler e Jay Hart)
Com possibilidades: The Favourite (Fiona Crombie e Alice Felton)
Devia Ganhar: Black Panther (Hannah Beachler e Jay Hart)

Melhor Guarda-Roupa
Ganha: The Favourite (Sandy Powell)
Com possibilidades: Black Panther (Ruth E. Carter)
Devia Ganhar: The Favourite (Sandy Powell)

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Ganha: Vice
Com Possibilidades: Mary Queen of Scots
Devia Ganhar:Vice

Melhor Banda Sonora Original
Ganha: If Beale Street Could Talk (Nicholas Britell)
Com possibilidades: Black Panther (Ludwig Goransson) e BlacKkKlansman (Terence Blanchard)

Melhor Canção Original
Ganha: Shallow (A Star Is Born, escrito por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)
Interpretado por Bradley Cooper e Lady Gaga
Com Possibilidades: All the Stars (Black Panther, escrito por Kendrick Lamar, Al Shux, Sounwave, SZA e Anthony Tiffith)
Interpretado por Kendrick Lamar e SZA

Melhor Efeitos Sonoros
Ganha: Bohemian Rhapsody
Com possibilidades: Black Panther A Star Is Born

Melhor Montagem de Som
Ganha: Bohemian Rhapsody
Com possibilidades: A Quiet Place
Devia Ganhar: A Quiet Place ou First Man

Melhor Efeitos Visuais
Ganha: Avengers: Infinity War
Com possibilidades: Ready Player One

Melhor Documentário
Ganha: Free Solo
Com Possibilidades: Minding the Gap

Melhor Curta Documental
Ganha: End Game
Com Possibilidades: Period. End of Sentence.

Melhor Curta de Animação
Ganha: Bao
Com Possibilidades: Weekends

Melhor Curta
Ganha: Marguerite
Com Possibilidades: Fauve

Relembra todos os nomeados aqui.

Crítica: Black Panther (2018)

"Guns... So primitive!"
Okoye


*6/10*

A Marvel chegou ao rol de nomeados para Melhor Filme com Black Panther, o nomeado mais inesperado(?) do ano. O filme de super-heróis distancia-se dos seus "parentes", em especial, pelo universo onde se insere a história que conta e pelo elenco maioritariamente de ascendência africana.

O realizador, Ryan Coogler, começou de mansinho mas cheio de talento com Fruitvale Station: A Última Paragem, onde iniciou a parceria com o actor Michael B. Jordan, que continuou em Creed: O Legado de Rocky. Agora, agarrou com coragem e empenho o desafio dos super-heróis (e lá está B. Jordan novamente).

Black Panther acompanha T'Challa (Chadwick Boseman), que após a morte do seu pai, o Rei de Wakanda, regressa a casa, uma isolada e tecnologicamente avançada nação africana, para tomar o seu lugar como Rei. No entanto, quando um velho inimigo reaparece, a força de T'Challa como Rei e Black Panther é testada, sendo atraído para um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco. O jovem rei deve agora reunir os seus aliados e libertar o poder de Black Panther para derrotar os inimigos e garantir a segurança do seu povo.


No argumento - escrito com algum humor -, o mais interessante é a analogia feita entre a ficção e a realidade, onde países entram em guerra para roubar preciosos recursos naturais. Ao mesmo tempo, há um contraste muito bem conseguido na fusão entre o tribal e o futurista que se encontra em Wakanda - duas realidades tão diferentes coexistem com uma naturalidade que impressiona. Curiosamente, há também algum empoderamento feminino neste filme, com as mulheres a assumirem o papel de guerreiras - veja-se o exército que protege o Rei - e a irmã de T'Challa como uma prendada inventora.

A realização de Ryan Coogler destaca-se nos movimentos de câmara entusiasmantes e alguns planos sequência (falsos ou não, resultam) que potenciam os momentos de acção, sem demasiada confusão. A banda sonora é uma das grandes forças de Black Panther, composta por Ludwig Göransson e com temas de Kendrick Lamar. As equipas de efeitos especiais e de design de produção são fundamentais na criação de um universo tão diferente, com o paraíso africano a sobressair, no meio de cores vivas e inovação.


Michael B. Jordan regressa à parceria com Coogler em Black Panther, onde veste a pele de Erik Killmonger, um anti-herói muito especial. Um renegado que, no fundo, não é tão mau como aparenta. Ou pelo menos, há razão fortes por detrás do desejo de vingança e de não pertença que comandam as suas acções. Esta interpretação e personagem são, provavelmente, os pontos mais fortes do filme. No restante elenco, os destaques vão para Chadwick Boseman, o protagonista T'Challa / Black Panther que se revela à altura do desafio. Ao seu lado, Lupita Nyong'o foi bem escolhida para o papel de Nakia, uma doce espia, apaixonada por T'Challa, que se interessa pelas desigualdades no mundo. Ainda de elogiar é a personagem de Danai Gurira que interpreta a General Okoye, de presença forte e humor inteligente.

Apesar de cair em alguns dos lugares-comuns de filmes do género, Black Panther destaca-se entre os filmes da Marvel pela diversidade de temas que trata, tão actuais como pertinentes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Crítica: Vice (2018)

"And he did it like a ghost."
Kurt


*8/10*

Eis o retrato de um homem que se movimentou nos bastidores da política norte-americana durante décadas. A ascensão aconteceu, a pouco e pouco, sempre com pouca exposição pública, mas muitos contactos em todos os locais que lhe interessavam. Vice é uma espécie de filme biográfico sem papas na língua que Adam McKay realizou sobre o vice-presidente mais influente na Casa Branca. O poder foi uma tentação para Dick Cheney e ele soube usá-lo sem que alguma vez se tornasse uma fraqueza. Ele era o cérebro de George W. Bush, o seu vice, e governava o país sem ter vencido nenhuma eleição.

Vice leva-nos num mergulho frontal e sarcástico - quase mórbido - no mundo impenetrável da política norte-americana, fazendo-nos conhecer o mentor do estado a que o país chegou. A influência de um homem quase invisível teve repercussões assustadoras. É em jeito de paródia (ou farsa) que Adam McKay nos confronta com uma realidade demasiado dolorosa para ser mentira.


Vice explora o percurso de Dick Cheney (Christian Bale), desde a época em que era um simples operário no Texas, até se tornar no homem mais poderoso do planeta, depois de, sob a orientação da sua leal mulher Lynne (Amy Adams), ascender ao cargo de Vice-Presidente dos EUA, redefinindo para sempre o país e o mundo.

Mas antes de conhecermos os feitos de Cheney na Casa Branca, conhecemos o seu passado de abusos e irresponsabilidade. Sempre ao seu lado esteve a sua mulher, Lynne Cheney, sem quem Dick nunca teria percorrido nem metade do caminho. No decorrer de Vice, ali está sempre a esposa dedicada e decidida.

A sátira é certeira nos pontos que aborda e no ritmo - sempre acelerado de McKay -, com a montagem a reforçar isso mesmo. O realizador não tem meias medidas - ou tudo ou nada, e com Christian Bale ao comando claro que só poderia ser "tudo". Depois de A Queda de Wall Street, a parceria entre actor e realizador parece ter vindo para ficar e Vice é a prova de como os dois trabalham bem juntos.


A caracterização faz um trabalho fenomenal ao transformar os actores em autênticos sósias dos visados: Christian Bale, Steve Carell e Sam Rockwell são cópias de Dick Cheney, Donald Rumsfeld e George W. Bush, respectivamente. Adicionalmente, o empenho dos três actores foi ao ponto de se aproximarem ainda mais das suas personagens, adoptando os seus tiques ou tom de voz, por exemplo.

Quem ganha por muitos votos na melhor interpretação é, sem dúvida, Bale, sempre camaleónico, e assustadoramente semelhante a Cheney em expressões, gestos e na voz e forma de falar. Rockwell é cómico ao construir um Bush irresponsável e pouco comprometido com a nação que serve. Já Carell, interpreta um arrogante e déspota Donald Rumsfeld, sarcástico e um autêntico professor do protagonista. A mulher por detrás dos homens, Lynne Cheney ou Amy Adams, é mais uma interpretação de peso, numa boa parceria - já bem conhecida de outros filmes - com Christian Bale.


Vice é uma boa forma de compreender, em jeito de comédia negra, a perversão e corrupção que imperam no centro das decisões dos EUA e do mundo. Um verdadeiro filme de terror.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Crítica: A Favorita / The Favourite (2018)

"Sometimes a lady likes to have some fun."
Lady Sarah


*8.5/10*

Eis o trio de actrizes mais triunfal do ano: Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone. Yorgos Lanthimos está de regresso com A Favorita, um filme que sai um pouco dos cânones a que nos tem acostumado. Uma longa-metragem de época especialmente bem filmada, com protagonistas assombrosas, que vagueia entre a comédia negra e o drama com a destreza que só mesmo o realizador grego consegue captar.

Repleto de influências de outros filmes e cineastas (o filmSPOT tem um bom artigo sobre isto mesmo), a verdade é que A Favorita consegue destacar-se pela identidade própria que traz em si.


No início  do  século  XVIII,  a Inglaterra  está  em  guerra com a França.  No  entanto, as corridas  de  patos continuam a prosperar e comem-se ananases ostensivamente no reino. Uma frágil rainha Anne (Olivia Colman) ocupa o trono e a sua amiga mais próxima, Lady Sarah (Rachel Weisz), governa o país por ela, ao mesmo tempo que cuida da saúde precária de Anne e gere o seu temperamento imprevisível. Quando a nova criada Abigail (Emma Stone) chega, o seu charme conquista Sarah. Abigail vê uma oportunidade de voltar às suas raízes aristocráticas. Como a guerra acaba por consumir o  tempo de SarahAbigail  entra em  cena subtilmente para assumir o  papel  de dama de companhia da rainha e não deixará que nenhuma mulher, homem, política ou coelho se coloque no seu caminho.

Menos inusual, mas com a mesma perspicácia e ousadia, Yorgos Lanthimos comanda a câmara com pulso e brusquidão, abanando os sentidos e emoções da plateia, que balança entre a beleza estética e a história, onde o poder domina todas as personagens e a humilhação espreita em cada canto do palácio. Desde a lente olho de peixe à grande angular, são várias as técnicas de distorção do "olhar" que vemos ao longo de A Favorita, e Lanthimos insere-nos na estranheza de uma época distante e nas extravagâncias da corte de uma rainha doente e deprimida. Enquanto a rainha definha, a corte perde tempo com trivialidades ou passatempos delirantes (quase tanto quanto a filmografia de Lanthimos).


A fabulosa fotografia, que tira partido da exigência que a película necessita, é um dos motores de A Favorita, com muitas cenas onde são apenas velas que iluminam o cenário. Um trabalho de mestre do director de fotografia Robbie Ryan.

São as mulheres que dominam as decisões do reino, e apenas a personagem de Nicholas HoultRobert Harley, se destaca no que toca a influências masculinas. A palavra final é da rainha, que não gosta de pensar em demasia (já Fernando Pessoa falava na dor de pensar), e tanto Sarah como Abigail lutam por serem o cérebro da realeza, a favorita de Anne.

Olivia Colman é enorme no papel de rainha, transfigurando-se conforme a debilidade da personagem. Uma mulher atormentada pelas dores física e psicológica, ingénua, desnorteada e apaixonada, em especial pelos seus 17 coelhos de estimação. Anne parece, por vezes, uma criança mimada ou um bebé indefeso. A actriz engordou cerca de 16 kg para vestir a pele da rainha Anne e é grande parte da alma do filme.


Ao seu lado, as duas servas rivais - Rachel Weisz, Lady Sarah, a melhor amiga da rainha que assume as decisões do reino a favor das suas simpatias políticas e que mais possam convir ao marido; uma mulher fria e calculista, que acaba por ser também manipulada; e Emma Stone, a criada Abigail, ambiciosa e sem escrúpulos, que vagueia entre o ar mais angelical e inocente ao mais perverso e maquiavélico. As duas actrizes superam-se, Weisz com maturidade e seriedade, num desempenho cheio de elegância e talento, Stone com a rebeldia que lhe é característica. Mais uma vez, revela-se uma excelente actriz de comédia e apenas fica a faltar-lhe um pouco mais de maldade - que a personagem pede muito.


Com A Favorita, Yorgos Lanthimos saiu da sua zona de conforto, onde deixa a plateia desconfortável com os seus retratos-limite da sordidez humana (Canino, A Lagosta, O Sacrifício de um Cervo Sagrado...), para se aventurar num filme menos complexo mas repleto das suas marcas autorais e influências. E temos de confessar, nem num filme de época ele nos dá sossego. E ainda bem.