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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano começa hoje no Brasil

O 8 1⁄2 Festa do Cinema Italiano chega hoje e pela primeira vez ao Brasil, onde ficará até dia 31 de Agosto. Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, é a cidade anfitriã da Festa.


O 8 1⁄2 marcará presença no Cinefix Shopping Total, Cinemateca Paulo Amorim e Cinedrome, na Universidade UNISINOS, após ter passado por várias cidades portuguesas e por Maputo. A programação conta com sessões especiais comentadas por professores do Curso de Cinema da UNISINOS - Campus de São Leopoldo, bem como com uma série de curtas-metragens sobre a comunidade italiana no Rio Grande do Sul e a sua herança no Brasil (L'Italia del RioGrande do Sul).

Na sessão de abertura (dia 25), será apresentado o filme Viva a Liberdade, de Roberto Andò. Zoran, o meu sobrinho herdado, de Matteo Oleotto, Anos Felizes, de Daniele Luchetti ou A Mafia Mata só no Verão, de Pif, são outros títulos que poderão ser vistos no festival.

Serão igualmente promovidas aulas experimentais livres de 60 minutos, Italiano per Principianti, um primeiro encontro com o idioma italiano, abordado nos seus aspectos de comunicação e de veículo para o conhecimento da cultura italiana.

O programa completo do 8 1⁄2 no Brasil pode ser encontrado em: www.festadocinemaitaliano.com/Programa/8.

Em Novembro, o 8 1⁄2 segue para Angola.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano chega a Maputo

O 8 ½ Festa do Cinema Italiano chega pela primeira vez a Maputo, em Moçambique, de 19 e 23 de Agosto, no Teatro Avenida, depois de ter passado por Lisboa, Coimbra, Porto, Funchal e Loulé.


A Sessão de Abertura acontece no dia 19 de Agosto, às 19h00, com o filme A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, Globo de Ouro e BAFTA. Tudo começa na grande festa de 65 anos do escritor Jep Gambardella, interpretado por Toni Servillo, que conheceu o sucesso instantâneo na sua primeira obra, mas depois passou a trabalhar como crítico de arte. Através das andanças boémias da personagem, Sorrentino retrata o modo de vida da elite italiana, sem deixar de temperar a amargura com a constatação de que há, sim, poesia, no simples acto de viver.

No dia 20, também às 19h00, é exibido Viva a Liberdade, de Roberto Ardò, filme que abriu a edição de Lisboa do 8 ½. Protagonizado igualmente por Toni Servillo, o filme é uma paródia ao mundo da política italiana.

Já dia 21 de Agosto, às 19h00, é exibido um dos vencedores da Festa do Cinema Italiano 2014, La mafia uccide solo d'estatate (A Máfia só mata no Verão), de Pierfrancesco Diliberto (PIF). Trata-se de uma crónica siciliana, que nos mostra as tentativas de Arturo para conquistar o coração da sua amada e se desenvolve num contexto histórico muito complexo nas últimas décadas em Itália.

Para os mais novos, há uma sessão infantil, a 22 de Agosto, às 16h00, com o filme de animação A Gaivota e o Gato, de Enzo d'Alò, que nos conta a história de Zorbas, um gato grande, preto e gordo que se depara com a queda de uma gaivota moribunda, na sua varanda, enquanto apanhava sol. Antes de morrer, põe um ovo, e faz dois pedidos a Zorbas: tomar conta da gaivota bebé e ensiná-la a voar. De seguida, às 19h00, é exibida a comédia Uma Família Perfeita, de Paolo Genovese, sobre um excêntrico milionário que, para combater a solidão, contrata uma companhia de actores para se fazerem passar pela sua família no dia de Natal.

A Sessão de Encerramento do 8 ½ Festa do Cinema Italiano de Maputo, está marcada para 23 de Agosto, às 16h00, com o filme A Melhor Oferta, de Guiseppe Tornatore. A longa-metragem fala do amor e das suas representações, com interpretação de Geoffrey Rush, Donald Sutherland, Sylvia Hoeks e Jim Sturgess.

A entrada é gratuita, com bilhetes limitados aos lugares disponíveis e a programação e as sinopses podem ser consultadas no site www.festadocinemaitaliano.com.

O festival segue viagem para o Brasil (Porto Alegre, de 25 a 31 de Agosto) e para Angola, no próximo Outono.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: Too Much Johnson (1938)

*8/10*

O 8 ½ Festa do Cinema Italiano já deixou Lisboa e rumou a Coimbra, mas há ainda que destacar um dos grandes momentos da passagem do festival pela capital: a exibição de Too Much Johnson, o filme perdido de Orson Welles.

O filme mudo, rodado em 1938 para servir como prólogo da peça teatral homónima exibida no Mercury Theatre de Nova Iorque pelo próprio autor, foi recentemente descoberto e posteriormente restaurado. Inacabado por problemas financeiros, Too Much Johnson foi encontrado por acaso em 2008 nuns armazéns em Pordenone, Itália. Pensava-se que o filme teria desaparecido no incêndio de 1970 no apartamento de Welles. Esta descoberta foi de enorme valor no que respeita à recuperação, salvaguarda e difusão do património cinematográfico.

O Cinemazero e a Cinemateca do Friuli - responsáveis pela descoberta e pelo restauro (juntamente com a George Eastman House e a National Film Preservation Foundation), respectivamente - foram premiados pela National Society of Film Critics.


O 8 ½ Festa do Cinema Italiano deu a oportunidade aos espectadores portugueses de assistir a este clássico inacabado (e incompleto) na Cinemateca Portuguesa, no dia 16 de Abril, e no Cinema São Jorge, no dia 17, onde o filme foi - e muito bem - acompanhado ao piano por Filipe Raposo.

Too Much Johnson, de William Gillette, é uma comédia teatral de 1894 que conta a história de um playboy nova-iorquino, que para fugir ao violento marido da sua amante, rouba a identidade do proprietário de uma plantação em Cuba, que entretanto espera a chegada da sua “esposa por correspondência”. É a partir desta sinopse que poderemos construir ligações entre os fragmentos que vemos no filme de Welles. Três anos antes da estreia de O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane), Orson Welles aventurou-se nesta produção que, infelizmente, não ficou completa.


Too Much Johnson, por si só, funciona mais como uma curiosidade da História do Cinema, do que como um projecto uno e finito. Faz parte da construção de uma grande carreira, notamos influências clássicas mas verificamos também a imaginação e a singularidade da realização que, anos mais tarde, tomou forma plena em O Mundo a Seus Pés. Este registo work in progress apresenta-nos uma história de amores e desamores, de divertidas perseguições em telhados, quase labirínticas, de lutas de espadas e um guarda-chuva que não deixaram a plateia indiferente. Apesar de não existir um fio condutor que ligue as cenas soltas que vamos vendo, isso aqui não importa, pois sabemos de antemão que somos uns privilegiados em poder assistir a um marco histórico, que se julgava perdido.

A sessão musicada - onde o Hoje Vi(vi) um Filme marcou presença - resultou perfeitamente com as imagens projectadas e é de elogiar o rigoroso e esforçado trabalho que o pianista e compositor Filipe Raposo concretizou.


Too Much Johnson ainda poderá ser visto no 8 ½ Festa do Cinema Italiano, na Casa das Artes, no Porto, no dia 26 de Abril, pelas 16h00.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: Vencedores

No último dia do 8 ½ Festa do Cinema Italiano, ficámos a conhecer os grandes vencedores desta 7ª edição. O júri do festival premiou dois filmes, ex aequoLa mafia uccide solo d'estate (A Máfia só mata no Verão), de Pierfrancesco Diliberto, e The Special Need, de Carlo Zoratti e Cosimo Bizzarri. Já o Prémio Canais TVCINE, votado pelo público, foi atribuído a Zoran, o meu sobrinho herdado, de Matteo Oleotto


Para o o júri - composto por Lorenzo Codelli, vice-director da Cineteca del Friuli di Gemona e crítico de cinema, Jean Paul Bucchieri, encenador, investigador e docente na Escola Superior de Teatro e Cinema e o fadista Camané -, "apesar de tratarem temáticas e linguagens muito diferentes, reconhecemos que os dois filmes são contributos importantes no que diz respeito a questões muito relevantes no contexto social actual."

Sobre La mafia uccide solo d'estate, o júri afirma que "o filme, através de uma subtil ironia e uma certa dose de humor, consegue relatar com lucidez e eficácia, uma questão sempre muito complexa e difícil de descrever e cria, com sucesso, uma osmose entre as imagens reais da televisão daquela época e a ficção do próprio filme, formando uma narrativa forte e bem estruturada". Já sobre The Special Need, classificam-no como "um filme corajoso sobre amizade, que ultrapassa sem medo e sem preconceito uma questão, muitas vezes, posta de parte. Trata-se de um filme generoso, que nunca cai em possíveis moralismos, evidenciando, tal como a personagem principal, uma profunda sinceridade, criando, assim, uma ligação afetiva entre o filme e o espetador."

O 8 ½ Festa do Cinema Italiano prestou ainda homenagem a Vittorio Storaro, que recebeu o Prémio Carreira.

Depois de um balanço muito positivo em Lisboa, o 8 ½ segue para Coimbra, onde se realiza de 21 a 23 de Abril, no Teatro Académico Académico Gil Vicente.  Estará depois no Porto, de 24 a 27 de Abril, na Casa das Artes; no Funchal, de 8 a 11 de Maio, no Teatro Municipal Baltazar Dias, e em Loulé, de 16 a 18 de Maio, no Cine-Teatro Louletano. A Festa do Cinema Italiano segue depois viagem para outros países lusófonos em datas e locais a anunciar em breve.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: La prima neve (2013)

*5.5/10*

Em 2013, Andrea Segre venceu o 8 ½ Festa do Cinema Italiano com o seu filme Shun Li e o Poeta. Este ano, o realizador está de regresso à Competição com La prima neve. O filme debruça-se sobre a história de Dani, originário do Togo, que nunca viu neve. Ele chegou a Itália para fugir da guerra da Líbia e agora trabalha nas montanhas do Trentino Alto Adige com Pietro, um velho carpinteiro e apicultor que vive com a nora, Elisa, e o neto, Michele.

La prima neve é, acima de tudo, um filme sobre relações familiares, sobre famílias marcadas por acontecimentos dramáticos. Dani e Michele, que se vão conhecendo e aproximando ao longo da trama, têm mais em comum do que pode parecer. Dani vive com a filha, cuja mãe morreu. Michele vive com a mãe, e o seu comportamento está verdadeiramente marcado pela morte do pai. Dani não consegue estabelecer uma relação próxima com a filha - com cerca de um ano de idade -, pois a menina lembra-lhe a mulher. Michele culpa a mãe pela morte do pai. Sentimentos de culpa, incertezas e medos percorrem os cenários frios e isolados das montanhas de La prima neve, mas o argumento não traz nada de novo ao cinema.


A mensagem que a longa-metragem pretende passar não é forte, nem surpreendente, é apenas mais um filme sobre família e onde a temática da imigração - que parece querer ganhar terreno a certo momento -, não tem coragem de se emancipar.

A história de Dani, que nos parece ser o protagonista e ter mais para dar, é menosprezada para dar destaque à revolta - afinal, tão injustificada - de Michele. As personagens criam alguma empatia com o público, que não deixará de sorrir perante alguns diálogos com humor, mas não conquistam o suficiente para emocionar. Falta um foco a La prima neve, um motor que o tornasse diferente, cativante e, especialmente, que o guiasse pelo melhor caminho.

A relação entre Dani e Michele e a amizade que estabelecem - um parece precisar do outro para superar os seus traumas - é ainda assim um dos pontos mais positivos do filme de Andrea Segre, que prima igualmente pela bonita fotografia de Luca Bigazzi que potencia, ainda mais, os magníficos cenários de uma Itália mais desconhecida.

La prima neve está longe de ser uma obra-prima, mas Andrea Segre tem aqui uma forma de dar a conhecer um estilo de vida menos visto nos filmes, num drama familiar que podia ter mais para dar.

terça-feira, 15 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: Sei donne per l'assassino (1964)

*6.5/10*

A retrospectiva da obra de Mario Bava continua no 8 ½ Festa do Cinema Italiano na secção Amarcord, e esta Segunda-feira, dia 14, a Cinemateca Portuguesa exibiu, pela primeira vez em Portugal, Sei donne per l'assassino. Tudo gira à volta de uma série de homicídios violentos de mulheres, que acompanhamos à medida que o inquérito policial também se desenvolve.

Um sofisticado atelier de alta costura repleto de belas mulheres serve de cenário a Sei donne per l'assassino. E que outro local seria mais apropriado para um filme giallo? A sensualidade está bem marcada na pele das jovens e esbeltas manequins ou nos seus vestidos, e o crime chega-nos pela mão de um assassino mascarado que decide começar a eliminar estas mulheres, uma por uma. A típica história de um serial killer.


O argumento pode não ser especialmente original, nem sequer tratar da melhor forma as mulheres - que aqui não são especialmente inteligentes -, mas ainda há espaço para alguns plot twits curiosos. A identidade do assassino está bem guardada, mas, no decorrer do filme, a plateia, tal como a polícia, terá os seus suspeitos.

No entanto, onde Sei donne per l'assassino ganha pontos é no visual e ambiente, repleto de vermelho, que não vem apenas do sangue das vítimas, mas está bem demarcado na decoração do atelier. Os arrojados planos de câmara conferem-lhe o suspense necessário, e os jogos de sombras e a cor intensificam os momentos mais arrepiantes.

Sei donne per l'assassino, não sendo uma obra inesquecível no cinema de terror, é, todavia, uma digna representante do giallo, e comporta um excelente trabalho de realização de Mario Bava.

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: As Mãos Sobre a Cidade / Le Mani Sulla Città (1963)

*7.5/10*

Na tarde de Domingo, dia 13 de Abril, o 8 ½ Festa do Cinema Italiano exibiu uma cópia restaurada em formato digital pela Cineteca Nazionale di Roma do filme Le Mani Sulla Città, de Francesco Rosi. A  estreia mundial deste restauro aconteceu no Festival de Veneza 2013.

Um prédio cai num bairro social de Nápoles. O construtor Eduardo Nottola consegue escapar às responsabilidades graças a esquemas políticos: muda de partido e torna-se responsável da construção civil da Câmara. Le Mani Sulla Città recebeu o Leão de Ouro do Festival de Veneza em 1963.


A crítica à corrupção na política é feroz, deixando os juízos de valor para o espectador. Tenha ele visto o filme no ano da sua estreia ou actualmente vai identificar as mentiras, os jogos de poder, as influências e, quase sempre, o desrespeito pelo eleitorado.

Le Mani Sulla Città é um filme incrivelmente actual e que deixará certamente um sentimento de revolta e indignação na plateia - mais ainda por todos estarem cientes de que aquela ficção é muito mais real do que aparenta. Os interesses económicos parecem estar sempre à frente da segurança e do bem-estar dos cidadãos.


Tecnicamente, Francesco Rosi merece elogios pelo excelente trabalho executado na cena da desmoronamento do prédio, logo ao início do filme, tão credível. Os planos aéreos de Nápoles que iniciam e terminam a longa-metragem de Rosi podem ser uma boa alusão a este título "As Mãos sobre a Cidade" e ao poder que aqueles políticos - independentemente do partido que defendem - têm nas mãos.

Francesco Rosi traz-nos em Le Mani Sulla Città um filme intemporal que merece ser visualizado.

domingo, 13 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: A Rapariga Que Sabia Demais / La Ragazza Che Sapeva Troppo (1963)

*7/10*

A secção Amarcord do 8 ½ Festa do Cinema Italiano recebe este ano uma retrospectiva da obra de Mario Bava. O 8 ½, em colaboração com La Cappella Underground e a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, proporciona aos espectadores do festival esta homenagem como forma de comemorar o centenário do nascimento de Bava, um dos grandes nomes da História do cinema italiano.

Este Sábado (dia 12), na segunda sessão dedicada ao cineasta na Cinemateca Portuguesa, foi exibido La Ragazza Che Sapeva Troppo, de 1963, que contou com a presença de Lamberto Bava, realizador e argumentista, filho de Mario Bava, que respondeu a algumas questões da plateia no final da projecção.


Um dos principais impulsionadores do giallo (género literário e cinematográfico italiano que se distingue pelas histórias de crime, mistério e terror a que se junta algum erotismo), o cineasta tem neste La Ragazza Che Sapeva Troppo o marco de primeiro filme do género. O argumento roda em torno de Nora, uma jovem americana, fã de romances policiais, que vai passar férias a Roma, onde, acidentalmente, presencia um assassinato. Entre a realidade e a possível alucinação, certo é que o mistério paira no ar até ao fim.

A versão apresentada no 8 ½, dobrada em inglês para distribuição internacional, tem algumas diferenças na montagem comparativamente à versão original. Ainda assim, o resultado é curioso, onde se distinguem facilmente as marcas do género giallo. Ao mesmo tempo, sentimos influências hitchcockianas, que vão desde o título ao ambiente do filme, sombrio e misterioso, onde nem tudo é o que parece. O argumento é interessante, apesar de algumas inconsistências, e o suspense está sempre presente, entre as voltas e reviravoltas do enredo. As dúvidas iniciais vão-se dissipando, mas será difícil prever o desenlace - apesar do próprio filme nos dar muitas pistas, por vezes óbvias, até -, que poderia ter muito mais impacto.


Tecnicamente, e apesar do desgaste da cópia projectada, podemos observar uma excelente fotografia que potencia a desconfiança da plateia - que certamente procurará o assassino em todas as personagens -, ao mesmo tempo que nos mostra uma bonita e obscura Roma nocturna, cenário prefeito para crimes difíceis de resolver.

La Ragazza Che Sapeva Troppo, de Mario Bava, é, fundamentalmente, um marco no cinema de terror italiano. Vale a pena ver este iniciador do giallo que inspirou toda uma época.

sábado, 12 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: L’Arbitro (2013)

*7.5/10*

Paolo Zucca traz à secção Competitiva do 8 ½ Festa do Cinema Italiano L'Arbitro, um hilariante e inteligente filme sobre futebol, com pormenores subtis e certeiros, onde a forte crítica à corrupção está visivelmente presente. L'Arbitro vai muito além disso, é um filme que fala de sonhos, de costumes, levando muitas vezes ao ridículo algumas situações para fazer a plateia rir e reflectir.


O Atlético Pabarile é a equipa mais fraca da 3ª divisão da Sardenha, e, tal como todos os anos, é humilhada pela equipa Montecrastu, treinada por Brai. O regresso à aldeia de Matzutzi, um emigrante que se torna o craque da equipa, revoluciona os equilíbrios do campeonato e o Atlético Pabarile começa a ganhar jogo após jogo. As histórias das duas equipas alternam-se com a subida profissional de Cruciani, ambicioso árbitro de renome internacional que se deixa fascinar pela corrupção.

Divertido e sarcástico, L’Arbitro faz bem o paralelismo entre a vida do famoso árbitro Cruciani, e o dia-a-dia do Atlético Pabarile, cujo treinador é cego. Trata-se de uma história de ascensão e queda - e ao contrário. Zucca filma o quotidiano e as quezílias de uma terra que parece parada no tempo. No meio de tudo isto, há ainda espaço para uma história de amor - muito peculiar.

Paolo Zucca traz-nos uma longa-metragem a preto e branco, com planos de câmara entusiastas e uma excelente fotografia, mostrando a beleza das paisagens quase desertas da Sardenha, e aumentando as já febris emoções e acções de jogadores e populares. Muita música acompanha os movimentos das personagens que, em algumas cenas, dançam como se a ouvissem - Miranda dança enquanto varre o chão, Cruciani executa uma hilariante coreografia no quatro de hotel enquanto celebra ou  mesmo quando arbitra o último jogo do filme.


L’Arbitro mostra como a corrupção no futebol vai dos amadores aos profissionais e para além dessa temática, o filme de Zucca trata também de sonhos - o sonho de chegar longe na carreira e no campeonato.

Há poucas comédias tão divertidas e inteligentes, com momentos verdadeiramente memoráveis. L’Arbitro é uma delas e, depois da sessão de ontem, dia 11, repete dia 13 de Abril às 15h00, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: Vittorio Storaro apresenta 'O Último Imperador' em Lisboa

Começou esta Quinta-feira mais uma edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano, que abriu com Viva a Liberdade, de Roberto Andò. Ao arranque em grande, junta-se uma novidade de última hora: Vittorio Storaro, director de fotografia de O Último Imperador, marcará presenta no festival para apresentar a versão 3D do filme, no dia 18 de Abril.


Storaro é vencedor de três Oscars da Academia, um deles pelo seu trabalho em O Último Imperador. O director de fotografia foi também premiado por Apocalypse Now e Reds. Vittorio Storaro e Bernardo Bertolucci fizeram parte do processo do restauro para a versão 3D de O Último Imperador, que estreou no Festival de Cannes. A sua vinda a Lisboa será também ocasião para apresentar o seu último livro, The Art of Cinematography.

Até dia 18, muito cinema nos espera pelo 8 ½ Festa do Cinema Italiano. Consulta aqui o programa.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano: O Último Imperador em 3D no Cinema São Jorge

É já amanhã que começa em Lisboa a 7ª edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano. A juntar à programação já anunciada está a exibição do clássico O Último Imperador, de  Bernardo Bertolucci, numa cópia restaurada em 3D. Esta sessão especial terá lugar no dia 18 de Abril, às 15h30, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge


A projecção de O Último Imperador inaugura, assim, as sessões em 3 dimensões do Cinema São Jorge. Trata-se de uma versão restaurada em 3D, feita a partir da versão original, de 1987, cujo restauro foi acompanhado por Bernardo Bertolucci e Vittorio Storaro e estreou na última edição do Festival de Cannes. O filme conta a história verídica de Pu Yi (1906-1960), que nasceu imperador e morreu como cidadão comum da República Popular da China.

Os bilhetes para o 8 ½ Festa do Cinema Italiano já se encontram à venda no Cinema São Jorge, na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema e na Ticketline. Para o Cine-Jantar, onde será exibido O Último Tango em Paris, de Bertolucci, nos dias 11 e 13 de Abril, às 19h30 no Mercado de Santa Clara, os bilhetes já estão, igualmente, à venda no local e, a partir de dia 10 de Abril, no Welcome Desk do Cinema São Jorge.

Para consultar o programa completo do  8 ½ Festa do Cinema Italiano basta clicar aqui.

As sessões do 8 ½ já começaram nas lojas Fnac de todo o país, onde são exibidos diversos filmes, nomeadamente os que estão incluídos no pack de DVDs do festival à venda na Fnac (com oferta de voucher para o festival). O calendário completo das sessões pode ser consultado em www.culturafnac.pt/calendario.

segunda-feira, 24 de março de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: Programa e novidades

39 filmes e cinco antestreias marcam o regresso do 8 ½ Festa do Cinema Italiano. O evento - que tem início em Lisboa já a 10 de Abril - vai abrir a sua 7.ª edição com o filme Viva la Libertà, de Roberto Andò, e irá encerrar com Il Capitale Umano, de Paolo Virzì, ambos em antestreia nacional.


Grande destaque para a exibição do célebre filme perdido de Orson Welles, Too Much Johnson, realizado em 1938, cuja estreia mundial teve lugar em Outubro passado, em Pordenone. A sua passagem por Lisboa resulta de uma parceria entre o 8 ½, o Festival Le Giornate del Cinema Muto e a Cinemateca Portuguesa. Outra novidade é a programação dirigida aos mais novos, em parceria com o Giffoni Film Festival, o mais importante festival de cinema infantil da Europa.

Dentro dos filmes em antestreia, encontramos ainda Salvo, de Antonio Piazza e Fabio GrassadoniaZoran, il mio Nipote Scemo, de Matteo Oleotto, e The Special Need, de Carlo Zoratti.

De regresso à Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema está a secção Amarcord com uma homenagem inédita a Mario Bava, por ocasião do centenário do seu nascimento. O filho, Lamberto Bava, realizador e argumentista, é um dos nomes com presença confirmada no 8 ½ em Lisboa, bem como o realizador Daniele Gaglianone (La Mia Classe), o músico Vinicio Capossela (argumentista e protagonista de Indebito), o produtor e cineasta Gianluca Arcopinto e o vice-director da Cineteca del Friuli di Gemona, Lorenzo Codelli.

A Secção Competitiva conta, este ano, com sete filmes. Para os avaliar estará um júri composto por Rita Blanco, Camané e Maria João Seixas. Tal como na última edição, o público do festival também vai votar no seu eleito, através do prémio do público, que este ano têm pela primeira vez o patrocínio da TVCine & Séries tornando-se no Prémio Canais TVCINE.

Nesta edição, o 8 ½ Festa do Cinema Italiano destaca ainda outros aspectos da cultura italiana, ampliando as suas secções dedicadas à gastronomia, através da criação da Rota dos Sabores – Porções de Itália, um roteiro que engloba os melhores restaurantes italianos, gelatarias e garrafeiras, em Lisboa, onde o público poderá usufruir de momentos de degustação, com direito a descontos.


A Festa do Cinema Italiano traz consigo diversas actividades paralelas - Dopo le 8 ½ - onde se incluem festas, aulas de Italiano gratuitas, o Cine-Jantar, este ano com a exibição de O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, e o lançamento do primeiro romance póstumo do escritor italiano Antonio Tabucchi, Para Isabel.

Em parceria com a Fnac, estará à venda um pack de quatro dvds de filmes que se destacaram nas últimas edições do 8 ½: Shun-Li e o Poeta, Piazza Fontana - Uma Conspiração Italiana, Scialla! e Benfica-Torino 4-3 (este último conta com crítica no Hoje Vi(vi) um Filme, aqui).

quarta-feira, 19 de março de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14 percorre o país a partir de Abril

Está a chegar mais uma 8 ½ Festa do Cinema Italiano que volta a percorrer o país a partir de Abril. Na sua 7ª edição, subordinada ao tema Família Italiana - La Famiglia, Lisboa é a primeira cidade a festejar entre 10 e 18 de Abril, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa

Segue-se Coimbra, de 21 a 23 de Abril, no Teatro Académico Gil Vicente, o Porto, de 24 a 27 de Abril, na Casa das Artes. Em Maio, a Festa do Cinema Italiano voa para o Funchal, de 8 a 11 de Maio, no Teatro Municipal Baltazar Dias, e regressa ao continente para aterrar em Loulé, de 16 a 18 de Maio, no Cine-Teatro Louletano. Depois de passar por várias cidades portuguesas a 8 ½ segue viagem para outros países lusófonos em datas e locais a anunciar.


O cartaz da 7ª edição da 8 ½ Festa do Cinema Italiano remete para o ambiente familiar all'italiana da década de 50 - com fotografia de Joana Linda e design de Sérgio Neves, responsável pela identidade gráfica do 8 ½ - e é protagonizado por membros da Comunidade Italiana em Lisboa, do Instituto Italiano de Cultura e da própria equipa do festival.

Em Lisboa, os bilhetes custam 4 € (bilhete normal), 2,50 € (estudantes universitários e amigos do Instituto Italiano de Cultura) e há ainda um voucher para os filmes da Secção Competitiva, no valor de 15 €. Já no Porto, o bilhete normal são 3,50 €, os estudantes e maiores de 65 anos pagam apenas 2,50 € e para sócios do Cineclube do Porto e da ASCIP - Associazione Socio - Culturale Italiana del Portogallo o preço é de 0,50 €.

Mais novidades da 8 ½ Festa do Cinema Italiano serão anunciadas em breve.