quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Estreias da Semana #491

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses seis novos filmes. A Vida Extraordinária de Louis Wain e O Bom Patrão são duas das estreias.

A Vida Extraordinária de Louis Wain (2021)
The Electrical Life of Louis Wain
Inspirado na vida do excêntrico artista britânico Louis Wain, cujas imagens lúdicas, às vezes psicadélicas, ajudaram a transformar para sempre a perceção do público sobre os gatos. Passado entre o final do século XIX e a década de 1930, o filme acompanha as aventuras deste herói inspirador e anónimo. Louis foi muitas coisas durante a vida: artista, inventor, empresário, tentando o seu melhor para cuidar das cinco irmãs e da mãe. Mas dois acontecimentos mudaram-no para sempre: conhecer Emily, o amor da sua vida, e adoptar Peter, um gato vadio. Ambos, vão tornar-se sua família e fonte de inspiração para pintar as imagens extraordinárias que o tornaram famoso.

Cães do Ártico: Uma Aventura no Gelo (2019)
Arctic Dogs
Swifty é uma raposa-do-ártico que trabalha nos correios, mas sonha tornar-se um dos rápidos cães correio, algo que em Taigasville, a aldeia onde vive, equivale a ser uma celebridade. Para provar ser capaz de desempenhar essa tarefa, Swifty rouba um trenó e vai entregar uma encomenda a um local remoto e misterioso. Por acidente, descobre o plano maquiavélico do Doutor Walrus para derreter e aniquilar o Ártico. Para evitar que isto aconteça, Swifty tem de agir rapidamente e reunir os amigos para salvar Taigasville – e o Ártico – da destruição.

Ilusões Perdidas (2021)
Illusions perdues
Na França do século XIX, Lucien é um jovem poeta desconhecido, com grandes esperanças e aspirações. Deixa a tipografia na sua província natal para tentar a sorte em Paris sob a tutela da sua mecenas. Rapidamente deixado à sua sorte na grande cidade, Lucien descobrirá os meandros deste mundo submisso à lei do lucro e do fingimento. Uma comédia humana onde tudo tem um preço, seja o sucesso literário, na imprensa, na política, ou nos sentimentos. Adaptação do livro de Honoré de Balzac.

O Bom Patrão (2021)
El Buen Patrón
Enquanto aguarda ansiosamente pela visita da comissão que irá atribuir um prémio de excelência empresarial, o proprietário de uma fábrica de balanças industriais tenta resolver, em tempo recorde, os problemas dos seus trabalhadores que são, igualmente, os seus próprios problemas. 

Penguin Bloom - O Renascer (2021)
Penguin Bloom
Em 2013, Samantha Bloom (Naomi Watts), o marido Cameron (Andrew Lincoln) e os três filhos de ambos deixam a sua casa na Austrália para irem passar férias na Tailândia. Enquanto apreciam a paisagem, Sam cai de um terraço, devido ao que mais tarde se vem a saber ser um corrimão apodrecido, e fratura as vértebras em dois locais. Paralisada do peito para baixo, Sam - que sempre foi uma amante da natureza, do surf e de viajar - não se reconhece a si mesma e passa longos meses num estado de depressão que a faz questionar o seu papel no mundo e no seio da própria família. Um ano depois, os filhos trazem para casa uma cria de pega que encontraram ferida. Embora hesitante, Sam observa a avezinha branca e negra que os filhos batizaram de Penguin e acaba por criar laços com ela, encetando um processo de cura emocional que surpreende não só o marido, os filhos e a mãe (Jacki Weaver), mas também ela própria.

Terra Estrangeira (versão restaurada) (1996)
Anos 90. Sem perspectiva de vida num Brasil tomado pelo caos em plena era Collor, Paco decide viajar para Portugal após a morte da mãe, levando uma misteriosa encomenda. Em Lisboa, ele conhece Alex, brasileira namorada de Miguel, todos envolvidos num esquema de contrabando, que vai tornar as suas vidas num pesadelo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Doclisboa 2022: 'A Questão Colonial' é a primeira retrospectiva anunciada

A Questão Colonial é o título da primeira retrospectiva do Doclisboa 2022, agora anunciada. A 20.ª edição do festival decorrerá de 6 a 16 de Outubro, na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal.

A Questão Colonial consistirá num "ciclo de cinema que se desdobra entre o passado colonial de França e Portugal, dois países que coincidem no período de guerra com os territórios africanos que clamavam para si e que foi camuflada em narrativas benignas, resistindo a um confronto com a sua própria história", anunciou o festival, em comunicado. A curadora da retrospetiva, Amarante Abramovici, explica que “a sequência de Actualidades no final do Acto da Primavera, de Manoel de Oliveira, representa de algum modo tudo o que da guerra colonial transpirou para o cinema português até muito recentemente – está lá, e quase não está. A guerra a que não se chamava 'guerra', fura a censura, e, nesse mesmo gesto, revela-a. No caso de França, onde a guerra de Argélia era apoucada no termo 'évènements', já para não falar dos anteriores conflitos na África subsaariana - esses totalmente ocultados -, a lei da censura fora reforçada em 1955 e o cinema era um dos seus alvos mais notórios.”

O programa de A Questão Colonial quer olhar para "a diversidade de representações cinematográficas realizadas pelos e sobre os vários protagonistas destas guerras, bem como as suas ligações e diferenças, convocando os testemunhos directos de quem viveu o período colonial e revisitando as memórias e feridas do colonialismo".

O ciclo integra a programação da Temporada Portugal França 2022 e terá uma segunda parte, realizada em França, em colaboração com a Shellac Films, durante o mês de Outubro. 

Mais informações sobre o Doclisboa 2022 podem ser consultadas em doclisboa.org.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Crítica: Identidade / Passing (2021)

"We're all passing for something or other, aren't we?"

Irene


*6.5/10*

Identidade (Passing) marca a estreia da actriz Rebecca Hall na realização e não deixou ninguém indiferente. O filme adapta ao cinema o romance de Nella Larson, de 1929, e aborda o racismo e a descriminação de um ponto de vista raras vezes abordado no cinema.

"Em Nova Iorque, nos anos 20, uma mulher negra vê o seu mundo virado do avesso quando se aproxima de uma amiga de infância que se faz passar por branca."

Um reencontro abala o mundo das duas mulheres. Para uma, a vida tranquila torna-se foco de tensões, para a outra, a mentira diária passa a ter um lugar de libertação e alegria. Irene admira e condena em igual medida o modo de vida de Clare, que se faz passar por branca há vários anos, para escapar ao preconceito da sociedade, contribuindo, ela própria, para o aumentar.


Passing é um filme de conflitos constantes, não apenas dentro da sociedade polarizada, mas igualmente no âmago de cada personagem. Quando se cruzam, Irene e Clare criam uma relação de admiração mútua, quase sensual. No entanto, há ciúmes envolvidos e uma certa apropriação, por parte de Clare, da vida de Irene.

Neste filme de contrastes, Rebecca Hall tem atenção ao detalhe e capta cada gesto e olhar com delicadeza, realçando o lado feminino da longa-metragem. A direcção de fotografia tira todo o partido do preto e branco e das perspetivas, que adensam o conflito interior das personagens e suas diferenças. A direcção artística e guarda-roupa fazem um trabalho soberbo ao transportar a acção para a década 20 do século passado, com a elegância e vivacidade que a caracterizam.


No elenco, as duas grandes mulheres têm desempenhos assombrosos, com Ruth Negga a sobressair por toda a excentricidade de Clare, saudosa das suas raízes, mas capaz de tudo - até mesmo de negar a sua origem e ostracizar os seus pares - para levar uma vida confortável. Tessa Thompson implode em emoções e revolta, na pele de Irene. Sofre em silêncio, desconfia do que a rodeia, mas também é capaz de revelar um ponta de inveja da amiga tão emancipada.

E nesta ambiguidade de sentimentos, emoções e decisões, Passing peca por usar demasiadas palavras para contar o que as imagens já mostram. Rebecca Hall tem uma estreia inspirada e faz brilhar as suas actrizes, ainda que a narrativa não seja tão fluida e subtil como as personagens.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Algarve Film Week: De 18 a 23 de Janeiro em Loulé

A Algarve Film Week leva vários eventos de cinema a Loulé, de 18 a 23 de Janeiro. Desta iniciativa, fazem parte a Monstrare - 8.ª Mostra Internacional de Cinema Social, a cerimónia da 2.ª edição dos Prémios Cinetendinha e, como festival convidado, haverá um dia dedicado ao Caminhos do Cinema Português

Haverá sessões de curtas e longas-metragens, debates e masterclass ao longo dos vários dias do evento.

A abrir a Algarve Film Week e a Monstrare, no dia 18 de Janeiro, terá lugar uma sessão de esclarecimento para jovens intitulada Saúde Mental e a Pandemia, que contará com a presença do psicólogo Luís Neves e de Nuno Murcho (ARS) na Escola Secundária de Loulé. À noite, serão apresentadas três curtas-metragens portuguesas no Auditório do Solar da Música Nova: A Viagem, de Henrique Lopes, Macabre, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real, e Erva Daninha, de Guilherme Daniel.

O Festival Caminhos do Cinema Português foi convidado a programar duas sessões da Algarve Film Week. A 19 de Janeiro, às 15h00, terá lugar uma sessão de curtas-metragens, composta pelos filmes O Lobo Solitário, de Filipe Melo, O Que Resta, de Daniel Soares, e O Macaco, de Xosé Zapata e Lorenzo Degl´Innocent. No mesmo dia, às 21h00, é exibida a longa-metragem Clube dos Anjos, realizada pelo brasileiro Angelo Defanti.

No dia 20, o jornalista Carlos Albino e Miguel Fernandes, do Algarve Tech Hub, estarão num debate sobre Inteligência Artificial na Casa do Meio-Dia. Já no Auditório do Solar da Música Nova, às 21h00, é exibido o filme Desculpa! Uma História Sobre Bullying, de Dave Schram, sobre a questão do bullying nas escolas, tendo como base o livro de Carry Slee.

O quarteirense Bernardo Lopes, realizador da premiada curta-metragem Moço, vai dar uma masterclass sobre realização de cinema, no dia 21 de Janeiro, no Auditório da Escola Secundária de Loulé. No mesmo dia, é exibido o documentário de animação Flee, de Jonas Poher Rasmussen, conta a história verídica de um homem, que, prestes a casar-se, decide revelar o seu passado como refugiado afegão.

O jornalista de cinema Rui Pedro Tendinha regressa a Loulé para a 2.ª edição dos prémios Cinetendinha, numa cerimónia transmitida em live streaming a partir do Cineteatro Louletano. Estes prémios pretendem distinguir  os melhores filmes e actores nacionais de 2021.

A encerrar a Algarve Film Week, no dia 23 de Janeiro, às 17h00, estará 28 ½, a segunda longa-metragem de Adriano Mendes. O filme centra-se na personagem de Teresa, interpretada por Anabela Caetano, ao longo de um dia e de uma noite difíceis.


PROGRAMA

entrada livre


18 Janeiro

Monstrare

15h00 - Debate/Sessão de Esclarecimento para jovens: Saúde Mental e a Pandemia com Luís Neves (Psicólogo) e Nuno Murcho (ARS)

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Curtas-Metragens

A Viagem, de Henrique Lopes (Portugal)

Macabre, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real (Portugal)

Erva Daninha, de Guilherme Daniel (Portugal)

Auditório do Solar da Música Nova


19 Janeiro

Festival Convidado: Caminhos do Cinema Português

15h00 – Curtas-metragens

O Macaco, de Xosé Zapata e Lorenzo Degl´Innocenti (Portugal/Espanha)

O Lobo Solitário, de Filipe Melo (Portugal)

O Que Resta, de Daniel Soares (Portugal)

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Longa-metragem

Clube dos Anjos, de Angelo Defanti – 98min (Portugal/Brasil)

Auditório do Solar da Música Nova


20 Janeiro

Monstrare

18h00 – Debate: Inteligência Artificial com Carlos Albino (Jornalista) e Miguel Fernandes (Algarve Tech Hub)

Casa do Meio-Dia

21h00 – Longa-metragem

Desculpa! Uma História Sobre Bullying, de Dave Schram - 95 min (Holanda)

Auditório do Solar da Música Nova


21 Janeiro

Monstrare

15h00 – Masterclass: Bernardo Lopes

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Documentário

Flee, de Jonas Poher Rasmussen – 90 min (Dinamarca)

Auditório do Solar da Música Nova


22 Janeiro

Prémios Cinetendinha

17h00 – Streaming e gravação para broadcast

Cineteatro Louletano


23 Janeiro

Monstrare

17h00 – Longa-metragem

28 ½, de Adriano Mendes – 92 min (Portugal)

Cineteatro Louletano

domingo, 16 de janeiro de 2022

Sugestão da Semana #490

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Távola de Rocha, de Samuel Barbosa, documentário sobre o realizador Paulo Rocha.

A TÁVOLA DE ROCHA


Ficha Técnica:
Título Original: A Távola de Rocha
Realizador: Samuel Barbosa
Elenco: Paulo Rocha, Isabel Ruth, Luís Miguel Cintra, Regina GuimarãesJorge RochaJunko OtaYujun Washino
Género: Documentário 
Classificação: M/12
Duração: 94 minutos

sábado, 15 de janeiro de 2022

Os Melhores do Ano: Top 20 [10.º - 1.º] #2021

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2021 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelamos agora os dez lugares cimeiros. Há uma certa melancolia latente nestes títulos, a alguns junta-se-lhe a revolta, a outros a saudade. 

Eis os meus 10 favoritos de 2021 (estreados no circuito comercial de cinema e streaming, em Portugal). 

10.º Pig - A Viagem de Rob, de Michael Sarnoski (2021)

Pig - A Viagem de Rob é a primeira longa-metragem de Michael Sarnoski, um filme cru e melancólico sobre solidão, perda e amor incondicional.


9.º Uma Miúda com Potencial / Promising Young Woman, de Emerald Fennell (2020)

Através da protagonista, Cassie, o filme de Emerald Fennell quer fazer justiça, enquanto joga, ironicamente, com a culpabilização da vítima e o elogio do criminoso. Do título às situações retratadas, Uma Miúda Com Potencial tudo discorre em redor de abusos e da noção de consentimento. O argumento constrói-se a partir daí e, dividido em vários actos, é inesperado até ao fim (mesmo que ambicionássemos uma conclusão bem mais inspirada).


8.º A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos (2020)

O mergulho nas memórias que uma casa guarda, ao longo de décadas de vida em comum, traz razões, reflexão, imaginação. E o ciclo da vida, que por vezes se repete, mesmo que de formas distintas, pode unir na dor e na experiência. O papel da Mãe na vida dos filhos; uma mãe árvore, qual mãe Natureza; a incapacidade de qualquer filho lidar com a ausência da figura materna, e a luta que trava com essa ideia; este filme transforma-se e transforma as emoções de quem o vê, tal como a antiga invenção de uma "metamorfose dos pássaros", que tranquiliza e apazigua tudo o que é impossível de explicar.


7.º Undine, de Christian Petzold (2020)

O tom trágico do cinema de Christian Petzold vem-se firmando em cada filme, alcançando uma aura mitológica e mágica no mais recente Undine. A dualidade de significados paira desde o início, num filme desafiante e encantador.


6.º O Poder do Cão / The Power of the Dog, de Jane Campion (2021)

Para além das vacas e de homens a cavalo (ou dos índios que aqui surgem em paz, longe de ser uma ameaça), há pouco de western no filme de Jane Campion. Em jogo estão relações interpessoais, que vão do amor à humilhação, da provocação à cumplicidade. Em redor da narrativa, está ainda aquilo que a sociedade espera de cada um, segundo as convenções da época; já quem vive fora da norma, o outsider naquele local, pode ser facilmente a vítima - ou o predador.


5.º O Pai / The Father, de Florian Zeller (2020)

O Pai aborda uma história simples e realista de envelhecimento e perda - de faculdades, de memórias, de laços... -, mas igualmente de dedicação e mágoa de uma filha. Zeller cria um drama desolador, pincelado por momentos de humor requintado, porque na tristeza também se encontram alguns sorrisos e amparo.


4.º Mães Paralelas / Madres paralelas, de Pedro Almodóvar (2021)

Pedro Almodóvar regressa às mulheres do seu Cinema, enquanto também recupera a memória do povo espanhol, que muitos querem que o tempo apague. Em Mães Paralelas, os laços de sangue e a herança histórica andam de mãos dadas.


3.º The Card Counter: O Jogador, de Paul Schrader (2021)

Tell não se comanda pela sorte ao jogo. Para ele, à mesa do casino, contam-se as cartas e joga-se com o bluff, sabendo sair no momento certo. Já na vida real, nem sempre é possível. Em The Card Counter: O Jogador não há santos, mas existe um muito forte desejo de redenção.


2.º Colectiv - Um Caso de Corrupção / Collective, de Alexander Nanau (2019)

Directamente da Roménia, Colectiv é um documentário que expõe as fraquezas e pecados de um Estado corrupto e doente. O realizador Alexander Nanau leva-nos aos bastidores da política e de uma investigação jornalística na sequência de um caso arrepiante.


1.º Mais Uma Rodada / Druk, de Thomas Vinterberg (2020)

Thomas Vinterberg convida-nos para um copo, para que o álcool de Mais Uma Rodada (Druk / Another Round) nos leve a uma reflexão sobre a vontade de viver. Esta ideia aparentemente louca não provoca ressacas, pelo contrário, é capaz de nos divertir e comover, na mesma medida.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Os Melhores do Ano: Top 20 [20.º - 11.º] #2021

2022 já começou, e está na hora de fazer o balanço do ano cinematográfico que terminou (ainda muito condicionado pela pandemia). Olhando para os filmes vistos, e ainda foram bastantes, a qualidade não foi tanta como noutros anos - ou somos nós que estamos muito exigentes. 

Eis o Top 20 de 2021 do Hoje Vi(vi) um Filme, sempre tendo em conta as estreias no circuito comercial de cinema em Portugal ao longo do ano e nas plataformas de streaming

A lista é muito diversificada em géneros cinematográficos, com várias obras realizadas por mulheres e, em especial nesta metade do top, reúne alguns títulos com os quais criámos uma relação um tanto agridoce. Aqui ficam os meus eleitos, do 20.º ao 11.º lugares.

20.º Titane , de Julia Ducournau (2021)

Julia Ducournau não tem medo do choque. Titane prova-o, assim como revela uma mente criativa a fervilhar em ideias e vontade de pô-las em prática. A segunda longa-metragem da realizadora francesa parece dois filmes distintos, unidos pela protagonista comum: o filme-choque, onde abunda o erotismo e o body horror; e o drama psicológico, em que Vincent Lindon rouba a tela e dá tudo de si para o melhor de Titane.

 

The Velvet Underground é frenético como o início da banda, mas nunca desconexo, é música, arte, cinema e memória. Adapta-se a cada fase do grupo, entre os seus altos e baixos, ao mesmo tempo que reflecte, como poucos, a sociedade da época. 

18.º Malcolm & Marie, de Sam Levinson (2021)

Malcolm & Marie, de Sam Levinson, introduz-nos num ambiente pesado e desconfortável, que, inicialmente, quer calar a revolta e a mágoa entre os elementos de um casal, para, depois, disparar, sem travões, para todos os lados, em ataques cerrados. Levinson transforma as palavras em armas e leva os dois actores - e a plateia - ao limite.



A preservação de artefactos dos antepassados de uma civilização, o reconhecimento por quem dedica a vida à descoberta de vestígios da História e a eminência da guerra e da morte a pairar são os focos da acção do filme de Simon Stone. A defesa da memória é a grande mensagem da longa-metragem que, para além das descobertas museológicas, destaca ainda a importância da fotografia como mais um suporte físico que perdura no tempo, testemunhando, para o futuro, tempos há muito passados.



Nesta primeira incursão falada em inglês e com actores internacionais, Mia Hansen-Løve recupera as paixões de juventude mal resolvidas, enquanto explora todas as potencialidades da criação cinematográfica, com Bergman a guiá-la.



Denis Villeneuve anuncia a chegada do Messias em Duna, um filme que serão dois, e no qual colocou toda a sua dedicação e esmero. Os acontecimentos são apresentados com clareza, bem como a história de Paul Atreides e do planeta Arrakis, seus habitantes e forasteiros. O realizador não mostra receios em avançar com Duna e está decidido a "preservar" a história original.



Chloé Zhao criou um road movie melancólico e realista, que convida à introspecção, enquanto viajamos estrada fora pelas planícies sem fim do Oeste dos EUA. Eis Nomadland - Sobreviver na América, protagonizado por Frances McDormand e um elenco de não actores, verdadeiros nómadas.



A criatividade de Radu Jude é inesgotável e a crítica social que espelha em cada filme é certeira e provocadora. Má Sorte no Sexo Ou Porno Acidental segue esta linha, extrapolando-a, numa abordagem em capítulos que reflecte sobre a Roménia actual e a sua História, mas também acerca das sociedades na era pandémica, com todos os seus vícios, usando para tal o sexo e uma sex tape caseira.



First Cow - A Primeira Vaca da América, de Kelly Reichardt, é uma elegia ao sonho americano. A Natureza e os animais predominam em redor das personagens, por terrenos lamacentos, sujos e com pouco para oferecer. Fiel ao seu estilo, a realizadora cria um filme simples, sem pressas, onde a melancolia paira, e há significado nas mais pequenas coisas.

11.º A Noite Passada em Soho / Last Night in Soho, de Edgar Wright (2021)  

A criatividade sem limites de Edgar Wright junta-se ao leque de influências do realizador e resulta num inspirador giallo moderno chamado A Noite Passada em Soho. Um filme que explora duas eras distintas como se fossem a mesma, com personagens dúbias e muito suspense.

Cinema na TV generalista no fim-de-semana: Janeiro #2