O Cinema de Resistência do realizador iraniano Mohammad Rasoulof é um dos grandes destaques da secção In Focus da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde, que decorre entre 17 e 26 de Julho.
Mohammad Rasoulof: In Focus
A retrospectiva dedicada ao cineasta reúne uma obra marcada pela censura, pela repressão política e pela defesa da liberdade de expressão, reafirmando o compromisso do festival com um cinema atento às questões do nosso tempo.
Rasoulof venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim com There Is No Evil (2020), filmado clandestinamente no Irão, e tem sido alvo de sucessivas condenações por parte do regime iraniano, incluindo penas de prisão, proibição de realizar filmes e restrições à sua circulação internacional. A sua mais recente longa-metragem, A Semente do Figo Sagrado (2024), segue essa reflexão ao retratar o impacto da repressão política no seio de uma família, revelando as tensões entre a esfera privada e o contexto social. Para além destas duas obras mais recentes, a retrospetiva irá revisitar também títulos como Iron Island (2005), The White Meadows (2009) e A Man of Integrity (2017). Às longas, junta-se ainda a curta-metragem Sense of Water (2026), na Competição Internacional do festiva.
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| A Semente do Figo Sagrado (2024) |
Neste âmbito, destaque para a sessão especial e conversa Irão, Cinema e Liberdade, com o jornalista Ricardo Alexandre, dedicada ao contexto político e cultural que molda o cinema iraniano contemporâneo. A sessão conta com três curtas Hidden, de Jafar Panahi (2020, Irão/França, DOC, 18’), Nazarbazi, de Maryam Tafakory (2021, Irão/Reino Unido, EXP, 19’), e The Doll, de Elahe Esmaili (2021, Irão, DOC, 33’).
Competições Nacional e Internacional
O júri das Competições Nacional e Internacional será composto pela produtora norte-americana Christine Vachon, actriz Cléo Diára, a crítica e programadora francesa Marie-Pauline Mollaret, o ensaísta espanhol Carlos Losilla e o realizador Guilermo Galoe.
Estas duas competições formam o eixo central da programação do Curtas Vila do Conde, reunindo uma selecção de obras que reflecte a vitalidade e a diversidade do cinema contemporâneo. Entre os títulos a concurso encontram-se: Flui, de Ana Fernandes e Joana Vieira da Costa (2026, Portugal, ANI, 10’), Massa Mãe, de Maria Novo (2026, Portugal, FIC, 21’), Porto2000, de Matilde Camacho (2026, Portugal, ANI/EXP, 8’), A Hora da Estrela, de Rita Barbosa (2026, Portugal, FIC, 20’), Algumas Coisas Que Acontecem ao Lado de um Rio, de Daniel Soares (2026, Portugal/França, FIC, 14’), A Nebulosa Romântica, de Pedro Ramalhete (2026, Portugal, FIC, 19’), Um Coração Incendiário, de Carlos Conceição (2026, Portugal, FIC, 54’), Lovely Butterfly, de Fairouz Hasan (2026, Territórios Palestinianos, DOC, 20’) e Champ de Mars, de Sergei Loznitsa (2025, Países Baixos, DOC, 12’).
A programação integra ainda a Competição Experimental e a Competição de Vídeos Musicais, bem como um conjunto de sessões especiais dirigidas a diferentes públicos, entre as quais Gesto, para a comunidade surda e ensurdecida, Pet Curtas, Curtas Midnight Madness, a abertura do Curtinhas em formato cineconcerto, e a estreia nacional de Virgem Fandango, acompanhada por coro ao vivo.
A programação do Curtas 2026 integra ainda os ciclos dedicados a Todd Haynes e Miranda Pennell, já anteriormente anunciados, bem como as secções Cinema Revisitado, Cinema Expandido e Stereo.
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