terça-feira, 15 de setembro de 2026

Sugestão da Semana #735

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Hope, de Na Hong-jin, que teve a sua antestreias portuguesa no MOTELX.

HOPE


Ficha Técnica:
Título Original: Ho-peu
Realizador: Na Hong-jin
Elenco: Hwang Jung-min, Zo In-sung, Hoyeon, Alicia Vikander, Michael Fassbender, Taylor Russell, Cameron Britton, Lee Sang-hee
Género: Acção, Ficção Científica, Mistério, Terror
Classificação: M/16
Duração: 160 minutos

domingo, 13 de setembro de 2026

MOTELx 2026: Vencedores

O MOTELX 2026 está quase a terminar e já são conhecidos os vencedores desta 20.ª edição. A Hora do Chico! venceu o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa. O Prémio Méliès d'argent – Melhor Curta Europeia foi entregue a Mancave e No Rest for the Wicked foi eleita a Melhor Longa-Metragem Europeia.

Entre os candidatos ao Prémio MOTELX - Melhor Curta de Terror Portuguesa (no valor de 5000€), foi A Hora do Chico!, de João Severo e Rafael Sá Carneiro, que conquistou o júri composto por Fernando Vasquez (programador), José Santiago (jornalista e programador) e Sandra Henriques (jornalista e autora). Consumido, de [carrozo], recebeu uma Menção Honrosa. 

Atribuído pelo mesmo júri, o Prémio Méliès d'argent – Melhor Curta Europeia foi entregue a Mancave, do realizador norueguês Fredrik S. Hana. Já No Rest for the Wicked, do dinamarquês Kasper Kalle, foi distinguido com o Prémio Méliès d'argent – Melhor Longa-Metragem Europeia pelo júri composto por Isilda Sanches (jornalista e divulgadora musical), Leone Niel (realizador) e Teresa Nicolau (directora cultural e cronista). 

No Prémio MOTELX - Melhor Guião de Terror Português, o júri composto por Catarina Araújo (guionista), Gonçalo Teles (argumentista, produtor e realizador) e Rita Benis (argumentista) escolheu Hóspede, de Miguel Monteiro Rico. Foi ainda atribuída uma Menção Honrosa a A Ostra, de Pedro Garrido

O júri Lobo Mau, composto por três jovens da Associação Passa Sabi — associação de raiz comunitária fundada pelos moradores do Bairro do Rego, em Lisboa, em 2014 —, Melissa Pereira, Simão Barbosa e Dinis Fernandes, premiaram Lexi (Espanha), do realizador português Bruno Simões

Já o Prémio do Público MOTELX foi atribuído a Gunman, com realização e argumento do argentino Cris Tapia Marchiori.

Este Domingo, último dia do festival, conta com uma programação rica, com uma sessão dos premiados Méliès d'argent (20h45), a Sessão Surpresa MOTELX - FilmTwist (21h15), Colony, de Yeon Sang-ho (16h00) e Pinocchio: Unstrung, de Rhys Frake-Waterfield (23h45), entre outras.

O MOTELX já tem marcadas as datas do festival no próximo ano: será de 7 a 13 de Setembro de 2027. Mais informações sobre o festival em https://www.motelx.org/.

Cinema na TV no fim-de-semana: Setembro #2

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Estreias da Semana #735

Esta Quinta-feira, chegam às salas de cinema portuguesas cinco novos filmes. Hope, Magia e Sedução: Segredos de Família e Santo António - O Casamenteiro de Lisboa são três das estreias em destaque.

Filho de Ninguém (2026)
Fils de personne
Mathilda e Thomas estão casados há mais de 15 anos. Sonharam ter filhos, mas as tentativas acabaram em fracasso. Após adotarem Mapring, um rapaz tailandês de quatro anos, a vida do casal sofre uma mudança trágica quando Mathilda morre num acidente. Thomas fica sozinho com uma criança que, no fundo, nunca desejou verdadeiramente ter. Devastado pela perda e incapaz de criar uma ligação com Mapring, decide procurar a família biológica do rapaz. Acompanhado por Chaan, um guia local, Thomas inicia uma difícil viagem pela Tailândia. Aos poucos, pai e filho começam a aproximar-se, a compreender-se e a construir uma relação. Mas permanece uma questão decisiva: o que fará Thomas quando finalmente encontrar a família biológica de Mapring?

Hope (2026)
Ho-peu
Numa remota aldeia sul-coreana, o chefe da polícia Bum-seok e a agente Sung-ae são chamados a investigar uma criatura misteriosa que está a causar o caos na região. Nem tudo é o que parece e o que começa com ignorância lança a semente de uma tragédia que se agrava através do conflito humano até assumir proporções cósmicas.

Magia e Sedução: Segredos de Família (2026)
Practical Magic 2
Uma família multigeracional de bruxas, amaldiçoada a não ter amor durante séculos, tenta quebrar o feitiço confrontando segredos obscuros e sacrificando-se uns pelos outros.

Oasis: Don't Look Back in Anger (2026)
Documentário que segue a digressão Oasis Live "25, de Liam e Noel Gallagher. Inclui cenas rodadas durante os ensaios, nos bastidores e em palco, bem como as primeiras entrevistas conjuntas com Noel e Liam em mais de 20 anos.

Santo António - O Casamenteiro de Lisboa (2026)
Os Casamentos de Santo António bateram no fundo. Pelo menos, é o que pensa um grande grupo francês que, em breve, assumirá a gestão do evento. Carmo e Valentim, funcionários da Câmara Municipal de Lisboa que levam mais de 25 anos na sua organização, recebem um duro ultimato: ou conseguem criar um evento moderno e de sucesso, ou serão demitidos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Sugestão da Semana #734




Ficha Técnica:
Título Original: O Jacaré
Realizador: Basil da Cunha
Elenco: Alexandra Sena, Alexandre da Costa Fonseca, Paulo César Lima Fonseca, Nelson Carvalho, Pedro Diniz, Heidir Correia, Carlos Fonseca, Pedro Ferreira, Frederico Lopes, Verónica Lii, Maria Santos, Susana Costa, Ivo Bernardo, Carloto Cotta, Filipe Vargas
Género: Comédia, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 92 minutos

sábado, 5 de setembro de 2026

Estreias da Semana #734

Esta Quinta-feira, chegaram às salas de cinema portuguesas seis novos filmes. Destaque para a estreia de O Jacaré, de Basil da Cunha, filmado no bairro da Reboleira e com crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

A Qualquer Custo (2026)
By Any Means
Um assassino da máfia e um jovem agente do FBI estabelecem uma parceria volátil para localizar os responsáveis pelo assassinato de vários líderes dos direitos civis. No curso da investigação revelam uma intriga que põe à prova os limites da justiça, da lealdade e da sobrevivência.

Ataque Implacável (2026)
Onslaught
Uma mãe que vive num parque de caravanas tenta proteger os seus entes queridos de uma ameaça que escapou de uma base militar secreta.

Cartas Amarelas (2026)
Gelbe Briefe / Yellow Letters
O professor universitário Aziz e a conceituada actriz Derya vêem o seu casamento sob pressão após perderem os respectivos empregos. Ambos recebem as "cartas amarelas" enviadas pelas autoridades turcas a quem ousa contestar o regime. Colocados numa situação aflitiva, são obrigados a deixar Ancara com a filha de 13 anos, Ezgie. Encontram refúgio em Istambul, junto dos pais de Aziz. Esta nova situação de precariedade e o compromisso político que assumiram, obriga o casal a redefinir o seu modo de vida e põe à prova a sua união.

Couture (2026)
Durante o turbilhão da semana da moda em Paris, três mulheres cruzam-se enquanto enfrentam as tragédias do mundo e as questões das suas próprias vidas: Maxine, uma realizadora americana na casa dos 40, descobre que tem cancro; Ada, uma jovem modelo do Sudão do Sul, escapa a um destino pré-determinado para ser lançada num universo ilusório; e Angèle, uma maquilhadora francesa que trabalha nas sombras das passerelles, sonha fugir da sua vida.

Na Reboleira, nos arredores de Lisboa, um assalto termina da pior forma: um carro despista-se no coração do bairro, o assaltante é preso e os 180 mil euros roubados desaparecem sem deixar rasto. Enquanto a polícia cerca toda a zona, instala-se uma verdadeira caça ao tesouro. Todos querem encontrar o dinheiro primeiro. À medida que as alianças mudam e a tensão aumenta, as histórias cruzam-se numa sucessão de encontros inesperados, traições, humor e violência. E, no meio deste caos, começa a correr um boato impossível: há quem garanta ter visto um jacaré a vaguear pelas ruas da Reboleira.

Tafiti e os seus amigos (2025)
Tafiti - Ab durch die Wüste
Tafiti, um jovem suricata, rejeita inicialmente a amizade com Bristles, um porco-do-mato. Quando o seu avô é mordido por uma cobra, Tafiti parte em busca da flor para a cura. Bristles quer provar que as aventuras são sempre melhores com amigos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Crítica: O Jacaré (2026)

"Ele é calminho, ele é fofinho, ele é afável, mano..."

Nuno

*8.5/10*

Basil da Cunha regressa à sua (nossa) Reboleira com O Jacaré, aquele que será (mesmo?) o capítulo final do bairro amadorense como cenário e personagem das curtas e longas-metragens do cineasta. Depois de Nuvem (2011), Os Vivos Também Choram (2012), Até Ver a Luz (2013), Nuvem Negra (2014), O Fim do Mundo (2019), 2720 (2023) e Manga d' Terra (2023), O Jacaré (2026) - filmado na segunda metade de 2023 - continua o registo etnográfico de um local que está a desaparecer aos poucos e da sua gente.

Lentamente, as casas têm sido demolidas pela Câmara Municipal da Amadora, as pessoas têm partido, ficam os resistentes, que muito fazem para manter o espírito de alegria e união que caracterizava aquele cantinho da Reboleira. Sempre que Basil da Cunha lá regressa para filmar, consegue reunir actuais e antigos residentes e fundir, uma vez mais, o Passado com o Presente do local, com um realismo mágico muito característico seu enquanto autor.

Aventurando-se, pela primeira vez, numa comédia de acção, em jeito de filme de gangsters (ou não fosse grande fã de Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese), Basil da Cunha filma um local cheio de vida, onde a velha guarda se confronta com os novos "rufias" da zona.

Na Reboleira, um assalto termina com um carro a despistar-se no bairro, mas ninguém sabe o paradeiro dos 180 mil euros roubados. Enquanto a polícia cerca a zona, instala-se uma verdadeira caça ao tesouro. Todos querem ser os primeiros a encontrar o dinheiro. "À medida que as alianças mudam e a tensão aumenta, as histórias cruzam-se numa sucessão de encontros inesperados, traições, humor e violência. E, no meio deste caos, começa a correr um boato impossível: há quem garanta ter visto um jacaré a vaguear pelas ruas da Reboleira."

Filmado em 2023, O Jacaré capta já o Futuro, o Presente actual. Mais do que uma prova de amor à Reboleira e à sua História, o filme é um memorial de alegria e celebração para os que já não estão presentes, um convite às boas lembranças. O sentimento de pertença que só quem ali viveu, cresceu ou foi acolhido consegue sentir, é transposto para o grande ecrã, para que todos os que assistam à longa-metragem possam, nem que seja por instantes, fazer também  parte da "família".

Neste filme, há personagens e histórias que se cruzam e entrecruzam, numa teia de desconfianças e ambição que coloca amizades à prova. Os homens da velha guarda, que se protegem e vivem como família, entram num tenso conflito com os novos gangsters, muito jovens e frios, onde é cada um por si. Há os que se perdem, os que se emancipam, num local em que o Poder pode ser sinónimo de sucesso ou de desgraça.

E se, por um lado, os homens é que mandam no bairro - com armas na mão e a constante ameaça de conflito -, o lado matriarcal do local volta a estar em foco: ali há um respeito imenso pelas mães, mulheres mais velhas que acolhem, protegem e perdoam os filhos, mas também não têm medo de os chamar à razão. São as mulheres que trabalham e sustentam a casa. E mesmo que as mais jovens sejam, muitas vezes, rebaixadas, o lugar da mãe ou da avó é tido como o porto seguro no meio da violência. O Jacaré revela, aos poucos, o poder e a influência que o colectivo feminino da Reboleira possui.

A predileção do realizador por répteis (e por animais, em geral) observa-se desde cedo na sua filmografia. Na curta Os Vivos Também Choram, há uma iguana junto da personagem de José Pedro Gomes; já o dragão barbudo de Sombra, em Até Ver a Luz, de nome Jacaré, parece ter crescido e revela-se em tamanho grande em O Jacaré. O animal do título proporciona dos momentos mais hilariantes da longa-metragem. Numa breve efabulação, estes animais escamosos e misteriosos, podem equiparar-se às personagens que vão aparecendo e desaparecendo, de filme para filme, mas que continuam a fazer parte da "família" do bairro e de Basil.

Tecnicamente, realizador e equipa continuam a revelar-se. Para além da forma tão característica como a câmara de Basil da Cunha se move entre as estreitas ruas do bairro e seus recantos, filmando revelações, planos de acção ou perseguições, a utilização de drones em O Jacaré é verdadeiramente cinematográfica, proporcionando planos picados da geografia do bairro ou mesmo planos "impossíveis", provavelmente nunca vistos no cinema português mais recente. Destaque ainda para os efeitos especiais - que bela explosão! -, e para a banda sonora, sempre certeira, realçando a Música enquanto figura central e contínua no dia a dia da Reboleira.

Se, por um lado, este é o filme de temática menos pesada da filmografia de Basil da Cunha, construído com humor, mistério e muita acção, por outro, não lhe falta uma inevitável melancolia latente. Se for mesmo o último filme rodado no bairro, ao menos a despedida foi em grande, com a energia, alegria e união que sempre caracterizou o local, muito woman power, e uma saudade imensa de outros tempos, olhando para o que ainda resta.