segunda-feira, 29 de junho de 2026

Sugestão da Semana #724

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Broken English, de Iain Forsyth e Jane Pollard, documentário sobre Marianne Faithfull.

BROKEN ENGLISH


Ficha Técnica:
Título Original: Broken English
Realizadores: Iain Forsyth e Jane Pollard
Elenco: Tilda SwintonMarianne Faithfull, George MacKay, Calvin Demba, Zawe Ashton, Sophia Di Martino, Suki Waterhouse, Beth Orton, Courtney Love, Jehnny Beth, Nick Cave
Género: Documentário
Classificação: M/14
Duração: 98 minutos

domingo, 28 de junho de 2026

Crítica: 18 Buracos para o Paraíso (2025)

"Isto é o prenúncio do fim..."


*8/10*

João Nuno Pinto distingue-se no cinema português pela forma diferenciadora de filmar e pela criatividade com que tem construído a sua, ainda curta, filmografia. À terceira longa-metragem, o realizador continua a não desiludir. 18 Buracos para o Paraíso é um espelho do seu estilo provocador e muito actual.

"Numa herdade portuguesa assolada pela seca, proprietários e empregados relatam a mesma história a partir de visões opostas, expondo as feridas, contradições e fragilidades de um mundo à beira do colapso."


18 Buracos para o Paraíso acontece em pleno Verão, no Alentejo, onde uma reunião familiar, com vista à venda da propriedade que três irmãos herdaram do pai, se transforma numa história de sobrevivência, quer pelo grande incêndio que deflagra muito perto, quer pela luta de classes que, de repente, toma lugar.

Retrato hiperbolizado do mundo actual (ou talvez a realidade ainda seja pior), o filme lança temas "sensíveis", como a pressão imobiliária, a seca, a desertificação do interior e as culturas intensivas no Alentejo. Descobrem-se segredos, desafiam-se as personagens, que se revelam, pouco a pouco, quanto mais quente e seco o ambiente se torna. A tensão é crescente, e tudo fica cada vez mais incómodo e sujo (no sentido mais físico da palavra), com o calor, o fumo e falta de água a contribuírem para esse resultado. Prende-se ao ecrã a plateia, curiosa, que, inesperadamente, é conduzida por um caminho incómodo e para um desenlace desafiador.


Há um lado de alerta ambiental muito forte em 18 Buracos para o Paraíso - primeiro filme português com a certificação internacional Green Film, que reconhece práticas ambientalmente responsáveis na área audiovisual -, e mesmo que esse não seja o principal foco da longa-metragem, é o grande influenciador das cisões da trama.

Muito influenciado pelo seu percurso da publicidade, a obra de João Nuno Pinto apresenta um dinamismo pouco comum no panorama cinematográfico nacional. Ao mesmo tempo, as influências de outros cineastas denotam-se em muitos planos ou movimentos de câmara mais arrojados.

E mesmo que haja alguns clichés aparentemente evitáveis - quase todos na personagem do irmão da família, interpretado por Jorge Andrade -, estes também servem para agudizar o fosso entre ricos e pobres em redor da herdade. Os que servem e os que são servidos, os que têm tudo e querem mais e os que pouco têm e ainda continuam a dar aos outros.


A forma tripartida de contar a mesma história funciona especialmente bem na primeira e terceira partes - os pontos de vista de Francisca e de Susana -, com a conclusão épica na cena final, uma espécie de pintura em movimento. Tecnicamente, 18 Buracos para o Paraíso é irrepreensível, com uma fabulosa direcção de fotografia, efeitos especiais de invejar e um trabalho de som muito bem conseguido. Também a certeira banda sonora da compositora Ginevra Nervi acompanha a acção e a tensão crescente como poucas.

O filme de João Nuno Pinto distingue-se ainda por ter três protagonistas femininas, algo que rareia no cinema. Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço são as três mulheres fortes da história (onde também Luísa Ortigoso e Joana Bernardo se destacam), todas elas com interpretações marcantes.


Como Francisca, Margarida Marinho surge livre para se entregar a uma personagem que deambula entre a extravagância e a loucura, com o álcool a comandar grande parte dos seus dias, demonstrando um humanismo que os irmãos não partilham consigo; já a enfermeira Susana, de Rita Cabaço, a filha da empregada da casa, mostra uma extraordinária capacidade de tomar as rédeas da acção quando tudo parece perdido, num desespero e raiva latentes e um amor que chega a magoar. As duas actrizes são magnéticas e entregam-se totalmente a 18 Buracos para o Paraíso.


E, depois de América (2010) e Mosquito (2020), João Nuno Pinto não desilude. 18 Buracos para o Paraíso é o espelho da criatividade do seu autor e da sua forma diferenciadora de filmar. Um filme provocador, que mantém o suspense, segue rumos inesperados e nunca deixa a plateia num lugar seguro.

sábado, 27 de junho de 2026

Cinema na TV generalista no fim-de-semana: Junho #4



Estreias da Semana #724

Esta Quinta-feira, chegaram às salas de cinema portuguesas nove novos filmes. Ku HandzaDia D: Sob Pressão e Supergirl são alguns dos títulos em destaque.

Aos Nossos Amigos (2025)
A nuestros amigos
Sara e Pedro, jovens adultos de um subúrbio operário de Madrid, adoram armar confusão juntos. Porém, quando começa a estudar teatro, Sara trava novas amizades que a apresentam a outro mundo. Apanhada num turbilhão de amor e festas, dilacerada, Sara vê-se dividida entre os antigos amigos e o mundo novo a que é exposta ao entrar na idade adulta. Rodado ao longo de quatro anos da vida de Sara, a partir da construção que ela faz da sua própria identidade, o filme constrói um paralelo cinematográfico, transformando a protagonista em personagem com as ferramentas da ficção.

Broken English (2025)
Provocadora e singular, Marianne passou mais de seis décadas a desafiar expectativas e lançou mais de 35 álbuns enquanto se reinventava continuamente. O documentário Broken English é a exploração íntima de uma vida fraturada, mas inquebrável, moldada pela fama, pela criatividade e por um escrutínio público constante.

Dia D: Sob Pressão (2026)
Pressure
Nas 72 horas que antecedem o Dia D, tudo está preparado - excepto um elemento crucial: o clima britânico. O principal meteorologista do Reino Unido, James Stagg, é chamado a fazer a previsão mais importante da história, entrando num tenso confronto com a liderança aliada. As condições erradas podem devastar a maior invasão marítima de sempre e qualquer atraso arrisca alertar os serviços secretos nazis. A decisão final recai sobre o comandante supremo aliado, Dwight D. Eisenhower. Com apenas algumas horas pela frente, o destino da guerra e a vida de milhões de pessoas está por um fio.

Jackass: Último Shot de Loucura (2026)
Jackass: Best and Last
Johnny Knoxville regressa com o seu grupo de amigos para uma última aventura. Traz novas acrobacias e mais loucura, mas também os maiores êxitos e gargalhadas dos últimos 25 anos. Jackass: Último Shot de Loucura apresenta-se como uma celebração do irreverente espírito de camaradagem e humor sem filtros que conquistaram gerações.

Ku Handza (2025)
Retrato de três histórias de sobrevivência em Moçambique. Benjamin tenta juntar dinheiro para poder organizar o aniversário do filho. Filimone visita a família entre missões de guerra. Eulália, acaba de dar à luz o sexto filho, mas vê-se obrigada a regressar ao trabalho num aterro sanitário. O título do filme, Ku Handza, expressão em língua changana que descreve uma galinha à procura de comida, também é usada pelos moçambicanos como metáfora do modo de sobrevivência diário.

Little Trouble Girls (2025)
Kaj ti je deklica
Lúcia, uma tímida rapariga de 16 anos, junta-se ao coro feminino da sua escola Católica. O seu olhar tende a seguir Ana-Maria, uma colega popular um pouco mais velha. Durante um retiro, cresce em Lucia um novo sentimento: desejo. Lucia redescobre o seu corpo, a sexualidade e questiona crenças e valores. Com a emergência de novas emoções, surge a ameaça latente de disrupção nas relações e na harmonia do coro.

O Amor Que Perdura (2025)
Ástin sem eftir er / The Love That Remains
O filme captura um ano na vida de uma família, enquanto os pais vivem a sua separação. Através de vinhetas íntimas e ocorrências estranhas, o filme explora as complexidades da família, do amor e o impacto das memórias partilhadas.

Perfeitos à Francesa (2026)
Les Parfait(s) : Arnaques en Famille
A família Toussaint, três gerações de vigaristas que transformaram o engano numa arte. Sem dinheiro e em fuga dos gangsters que enganaram, assumem a identidade da família Parfait e instalam-se na Escócia onde Gilles Parfait está prestes a iniciar funções na destilaria de whisky MacMullan, mas a integração é difícil com colegas de trabalho desconfiados e vizinhos intrometidos que ameaçam desmascará-los. No meio de tudo isto, a vida dupla dos Toussaint ameaça descontrolar-se ainda mais, quando se veem perante o golpe das suas vidas, repleto de esquemas mirabolantes, disfarces extravagantes e engenhocas surpreendentes.

Supergirl (2026)
Supergirl procura um propósito de vida. Assistiu à destruição do planeta Kripton e foi enviada à Terra para proteger o primo Kal-El que se tornaria o Super-Homem. O facto de Kal-El não necessitar da sua ajuda levou a Supergirl a sentir-se desprovida de um papel claro, ensombrada pela fama do primo. A situação muda quando uma jovem alienígena a procura. Tal como Kripton, também o seu planeta foi destruído e os responsáveis continuam impunes. A jovem exige justiça, ameaçando executar a vingança sozinha caso a Supergirl não a ajude.

domingo, 21 de junho de 2026

Sugestão da Semana #723

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Duas Vezes João Liberada, de Paula Tomás Marques. Há crítica do Hoje Vi(vi) um Filme.

DUAS VEZES JOÃO LIBERADA


Ficha Técnica:
Título Original: Duas Vezes João Liberada
Realizadora: Paula Tomás Marques
Elenco: June João, André Tecedeiro, Jenny Larrue, Caio Amado Soares, Eloísa d'Ascensão, Tiago Aires Lêdo, Alice Azevedo
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 70 minutos

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Estreias da Semana #723

Esta Quinta-feira, há oito novos filmes a chegar às salas de cinema portuguesas. Destaque para a estreia de Duas Vezes João Liberada, de Paula Tomás Marques, Magalhães, de Lav Diaz, e Toy Story 5.

A Morte de Robin Hood (2026)
The Death of Robin Hood
A lutar com o passado após uma vida de crime e morte, Robin Hood (Hugh Jackman) encontra-se gravemente ferido após uma batalha que pensava ser a sua última. Nas mãos de uma mulher misteriosa, é-lhe oferecida uma hipótese de salvação.

Cinco Segundos (2025)
Cinque secondi
Adriano, homem rabugento e solitário, vive isolado nos estábulos de uma villa, até que uma comunidade de jovens ocupa a propriedade e faz florescer novamente os vinhedos abandonados. Entre eles, Matilde, grávida e corajosa, torna-se o centro de um vínculo inesperado. Entre conflito e cumplicidade, o filme explora o sentido da paternidade, a dor que se transforma em cuidado e a possibilidade de renascer, enquanto a natureza selvagem da paisagem toscana acompanha o seu caminho rumo à confiança e à proteção.

João protagoniza um filme biográfico sobre Liberada, perseguida pela Inquisição Portuguesa no século XVIII. A produção torna-se um campo de batalha quando João entra em conflito com o realizador sobre como o legado de Liberada deve ser retratado. Estas tensões aprofundam-se à medida que os sonhos de João são cada vez mais assombrados pelo fantasma de Liberada, esbatendo fronteiras entre passado e presente. Quando o realizador sucumbe a uma misteriosa paralisia, deixando o filme inacabado, João lida com o caos que se desenrola. Enfrenta perguntas sem resposta, não só sobre o futuro do filme, mas também sobre a sua própria ligação ao espírito e à história de Liberada.

Hokum - A Maldição Oculta (2026)
Hokum
Ohm Bauman, um solitário escritor de romances de terror, visita uma remota pousada irlandesa para espalhar as cinzas dos seus pais. A despedida silenciosa transforma-se num pesadelo quando histórias sobre uma antiga bruxa que assombra o local começam a invadir os seus sonhos. 

Magalhães (2025)
No alvorecer da era moderna, o explorador português Fernão de Magalhães (Gael Garcia Bernal) lidera uma expedição ao serviço da coroa espanhola em busca da primeira rota para oeste até às Ilhas das Especiarias. Embarca numa viagem perigosa através do Pacífico inexplorado, onde a sua frota enfrenta a fome, o motim e o desgaste psicológico de mares intermináveis. Ao chegar às costas de Cebu, Magalhães é arrastado para um conflito fatal com os nativos devido à sua vontade de difundir o catolicismo.

O Que é o Amor? (2026)
C'est quoi l'amour?
Marguerite não tem qualquer razão para recusar o pedido de anulação do casamento pela Igreja feito pelo ex-marido, Fred. Fica até contente ao saber que Fred tenciona casar novamente. Para provarem às autoridades eclesiásticas que a sua união nunca teve verdadeira razão de ser, os ex-cônjuges iniciam uma investigação sobre o seu próprio passado que faz renascer sentimentos que julgavam adormecidos há muito tempo.

Por Mais Um Dia (2026)
Um conjunto de personagens atravessa momentos de ruptura, em que nada é o que imaginaram ser. Entre leveza, humor e profundidade filosófica, emergem questões sociais contemporâneas e um olhar renovado sobre a efemeridade da condição humana, interrogando o desconhecido, o diferente e o não normativo.

Toy Story 5 (2026)
Woody (voz de Tom Hanks), Buzz Lightyear (voz de Tim Allen), Jessie (voz de Joan Cusack) e o resto do grupo deparam-se com Lilypad (voz de Greta Lee), um novo tablet que chega com ideias pouco convencionais sobre o melhor para a criança Bonnie. Será que a hora de brincar voltará a ser como antes? 

domingo, 14 de junho de 2026

Sugestão da Semana #722

Das estreias da passada Quarta-feira, a Sugestão da Semana destaca 18 Buracos para o Paraíso, de João Nuno Pinto, protagonizado por Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço. A prova de como o Cinema português pode ser surpreendente.

18 BURACOS PARA O PARAÍSO


Ficha Técnica:
Título Original: 18 Buracos para o Paraíso
Realizador: João Nuno Pinto
Elenco: Margarida Marinho, Beatriz Batarda, Rita Cabaço, Jorge Andrade, Luisa Ortigoso, Joana Bernardo, Rita Redshoes, Filomena Gigante, José Pimentão, Gonçalo Coré, Márcia Breia, Hugo Bentes
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 108 minutos