domingo, 6 de setembro de 2026
sábado, 5 de setembro de 2026
Estreias da Semana #734
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Crítica: O Jacaré (2026)
"Ele é calminho, ele é fofinho, ele é afável, mano..."
Nuno
*8.5/10*
Basil da Cunha regressa à sua (nossa) Reboleira com O Jacaré, aquele que será (mesmo?) o capítulo final do bairro amadorense como cenário e personagem das curtas e longas-metragens do cineasta. Depois de Nuvem (2011), Os Vivos Também Choram (2012), Até Ver a Luz (2013), Nuvem Negra (2014), O Fim do Mundo (2019), 2720 (2023) e Manga d' Terra (2023), O Jacaré (2026) - filmado na segunda metade de 2023 - continua o registo etnográfico de um local que está a desaparecer aos poucos e da sua gente.
Lentamente, as casas têm sido demolidas pela Câmara Municipal da Amadora, as pessoas têm partido, ficam os resistentes, que muito fazem para manter o espírito de alegria e união que caracterizava aquele cantinho da Reboleira. Sempre que Basil da Cunha lá regressa para filmar, consegue reunir actuais e antigos residentes e fundir, uma vez mais, o Passado com o Presente do local, com um realismo mágico muito característico seu enquanto autor.
Aventurando-se, pela primeira vez, numa comédia de acção, em jeito de filme de gangsters (ou não fosse grande fã de Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese), Basil da Cunha filma um local cheio de vida, onde a velha guarda se confronta com os novos "rufias" da zona.
Na Reboleira, um assalto termina com um carro a despistar-se no bairro, mas ninguém sabe o paradeiro dos 180 mil euros roubados. Enquanto a polícia cerca a zona, instala-se uma verdadeira caça ao tesouro. Todos querem ser os primeiros a encontrar o dinheiro. "À medida que as alianças mudam e a tensão aumenta, as histórias cruzam-se numa sucessão de encontros inesperados, traições, humor e violência. E, no meio deste caos, começa a correr um boato impossível: há quem garanta ter visto um jacaré a vaguear pelas ruas da Reboleira."
Filmado em 2023, O Jacaré capta já o Futuro, o Presente actual. Mais do que uma prova de amor à Reboleira e à sua História, o filme é um memorial de alegria e celebração para os que já não estão presentes, um convite às boas lembranças. O sentimento de pertença que só quem ali viveu, cresceu ou foi acolhido consegue sentir, é transposto para o grande ecrã, para que todos os que assistam à longa-metragem possam, nem que seja por instantes, fazer também parte da "família".
Neste filme, há personagens e histórias que se cruzam e entrecruzam, numa teia de desconfianças e ambição que coloca amizades à prova. Os homens da velha guarda, que se protegem e vivem como família, entram num tenso conflito com os novos gangsters, muito jovens e frios, onde é cada um por si. Há os que se perdem, os que se emancipam, num local em que o Poder pode ser sinónimo de sucesso ou de desgraça.
E se, por um lado, os homens é que mandam no bairro - com armas na mão e a constante ameaça de conflito -, o lado matriarcal do local volta a estar em foco: ali há um respeito imenso pelas mães, mulheres mais velhas que acolhem, protegem e perdoam os filhos, mas também não têm medo de os chamar à razão. São as mulheres que trabalham e sustentam a casa. E mesmo que as mais jovens sejam, muitas vezes, rebaixadas, o lugar da mãe ou da avó é tido como o porto seguro no meio da violência. O Jacaré revela, aos poucos, o poder e a influência que o colectivo feminino da Reboleira possui.
A predileção do realizador por répteis (e por animais, em geral) observa-se desde cedo na sua filmografia. Na curta Os Vivos Também Choram, há uma iguana junto da personagem de José Pedro Gomes; já o dragão barbudo de Sombra, em Até Ver a Luz, de nome Jacaré, parece ter crescido e revela-se em tamanho grande em O Jacaré. O animal do título proporciona dos momentos mais hilariantes da longa-metragem. Numa breve efabulação, estes animais escamosos e misteriosos, podem equiparar-se às personagens que vão aparecendo e desaparecendo, de filme para filme, mas que continuam a fazer parte da "família" do bairro e de Basil.
Tecnicamente, realizador e equipa continuam a revelar-se. Para além da forma tão característica como a câmara de Basil da Cunha se move entre as estreitas ruas do bairro e seus recantos, filmando revelações, planos de acção ou perseguições, a utilização de drones em O Jacaré é verdadeiramente cinematográfica, proporcionando planos picados da geografia do bairro ou mesmo planos "impossíveis", provavelmente nunca vistos no cinema português mais recente. Destaque ainda para os efeitos especiais - que bela explosão! -, e para a banda sonora, sempre certeira, realçando a Música enquanto figura central e contínua no dia a dia da Reboleira.
Se, por um lado, este é o filme de temática menos pesada da filmografia de Basil da Cunha, construído com humor, mistério e muita acção, por outro, não lhe falta uma inevitável melancolia latente. Se for mesmo o último filme rodado no bairro, ao menos a despedida foi em grande, com a energia, alegria e união que sempre caracterizou o local, muito woman power, e uma saudade imensa de outros tempos, olhando para o que ainda resta.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Sugestão da Semana #733
Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Coyote Vs. Acme, de Dave Green.
COYOTE VS. ACME
Título Original: Coyote Vs. Acme
domingo, 30 de agosto de 2026
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Estreias da Semana #733
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
MOTELx 2026 apresenta programação completa
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| Fall 2: Deadpoint (EUA/Reino Unido/Tailândia), Michael e Peter Spierig |
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| Ferine (Itália), de Andrea Corsini |
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| The Death King (1990), Jörg Buttgereit |
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Crítica: Her Private Hell – Viagem ao Inferno (2026)
*2/10*
Nicolas Winding Refn regressa às longas-metragens, dez anos depois de O Demónio de Néon (2016), com Her Private Hell - Viagem ao Inferno. No fundo, é mesmo isso que a plateia sentirá ao fim de quase duas horas de luzes, muito fumo e caras bonitas: um filme cheio de nada.
"Um misterioso nevoeiro envolve uma metrópole futurista e liberta uma entidade letal e esquiva. Uma jovem atormentada procura o pai desaparecido e cruza-se com um militar norte-americano destacado no Japão que embarca numa perigosa odisseia para resgatar a filha das profundezas do inferno."
Se logo nos planos iniciais, a cidade de aspecto futurista que é apresentada lembra em muito o ambiente de Blade Runner (1982), - à excepção de uma estrutura espelhada na forma de duas mãos pontiagudas -, depressa esse conceito familiar é abandonado para começar a acção, na forma de uma estranha viagem temporal, entre passado presente e futuro, todos ao mesmo tempo, na mesma dimensão. A misteriosa narrativa, que prometia um encontro entre duas personagens em busca de alguém que lhes era próximo, mal chega a acontecer, com o argumento a perder-se entre fait-divers e aberrações. Repetem-se os corredores sem fim, os clássicos neons, os corpos esbeltos, e, até na violência, os golpes são os do costume. No fundo, tudo se desfaz na névoa que teima em dominar a cidade e deixar um enorme e decepcionante vazio dentro e fora do ecrã.
Sophie Thatcher é (novamente, depois de Companion) tomada como mulher objecto, um talento totalmente desperdiçado, a par de Charles Melton. O filme roça a misoginia, onde não há uma personagem feminina vista de forma positiva. A violência é gratuita (e pouca, tendo em conta o historial do realizador) e francamente repetitiva, para quem acompanha a filmografia do cineasta. O melhor da longa-metragem: talvez a banda sonora de Pino Donaggio.
Lamentavelmente, Nicolas Winding Refn quis filmar sem ter uma história. O visual impactante do autor torna-se, cada vez mais, repetitivo e não chega para criar um bom filme, muito menos com referências cinematográficas despejadas sem engenho. Enquanto não voltar a ter um bom argumento em mãos, o realizador deveria manter-se a trabalhar em publicidade, algo que tão bem faz, sem nunca cansar.
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Esta Quinta-feira, dia 4 de Outubro, são muitas as estreias que vão encher as salas de cinema de todo o país. Nove filmes, um pouco para to...
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