sábado, 9 de maio de 2026
Estreias da Semana #717
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Sugestão da Semana #716
Título Original: L'Accident de piano
segunda-feira, 4 de maio de 2026
ENCONTROS - Festival de Cinema de Viana regressa de 4 a 13 de Maio
A 26.ª edição dos Encontros - Festival de Cinema de Viana regressa esta Segunda-feira, dia 4 de Maio, a Viana do Castelo, onde fica até dia 13 de Maio, com foco na literacia do cinema e investigação. Os Encontros de Viana incluem uma secção competitiva, mas também várias actividades, conferências, fóruns e formações; oficinas de cinema; encontros profissionais e exposições.
A programação desta edição divide-se em cinco eixos estratégicos: Investigação/Reflexão, Literacia Cinematográfica, Competição, Indústria e Cinema e Outras Artes.
![]() |
| Créditos Cartaz 2026: Eva Evita |
Homenagem a João Canijo e ciclo de cinema
Este ano, o festival preparou uma homenagem ao cineasta João Canijo, recentemente falecido, cuja obra marca o cinema português contemporâneo, e apresenta um ciclo de oito filmes: Ganhar a Vida; Noite Escura; Sangue do Meu Sangue; É O Amor; Fantasia Lusitana; Fátima; Mal Viver; e Viver Mal.
Eixo Investigação e Reflexão: Olhares Frontais e Conferência Internacional
O produtor João Trabulo, o realizador Miguel Ribeiro e o fotógrafo João Mariano vão estar no Encontros para pensar no que se faz com as imagens que se realizam. No âmbito da secção Olhares Frontais (6 a 8 de maio), a programação incidirá no tema Tempos de reflexão, em tempos distintos. Este ano, a escola de cinema convidada é a Hellenic Cinema and Television School Stavrakos (HCTSS) e mantém-se a colaboração com a EFA – European Film Academy com uma seleção das melhores curtas-metragens europeias. Ainda nos Olhares Frontais terá lugar a apresentação dos filmes candidatos aos prémios PrimeirOlhar.
A Conferência Internacional de Cinema de Viana (6 a 8 de Maio) reunirá académicos e profissionais para debater a interseção entre o cinema, a educação e a memória. O programa inclui a palestra inaugural Os Territórios da Fronteira; uma exposição de fotografias Made In Portugal de alunos da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESE-IPVC); uma masterclass/aula pública intitulada Ancient Voices, Future Images com o realizador Tommaso Santambrogio; o seminário de discussão de projectos Work In Progress, coordenado por Paulo Cunha e com a apresentação dos projectos de Gabriel Luna e Rúben Sevivas; e ainda três mesas redondas; o Laboratório de Práticas de Cinema na Escola e a presença especial do Gabinete de apoio do ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual para divulgar apoios a projectos fílmicos e audiovisuais. Esta Conferência é coordenada por Daniel Maciel, organizada pela AO NORTE com a ESSE-IPVC.
Nos dias 7 e 8 de Maio, acontece o curso Fora de Campo na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo (ESEVC), sob o tema Cinema e Cidade. O encontro será coordenado por José da Silva Ribeiro e Alfonso Palazón e conta com a participação de Jorge Campos, Marcos Zaván e Rita Bastos.
De 4 a 13 de Maio terá lugar o módulo prático Autobiografias: Antropologia, Cinema e Educação, organizado em colaboração com a ESE-IPVC, a Universidade Rey Juan Carlos, de Madrid, e a Universidade Federal de Pernambuco, do Brasil.
Eixo Literacia Cinematográfica – Escola e Cinema
A vertente pedagógica tem um papel central nos Encontros de Viana através do programa Escola no Cinema, com sessões para alunos do pré-escolar até ao ensino universitário (de 4 a 13 de Maio, no Teatro Municipal Sá de Miranda e Cinema Verde Viana); oficinas nas escolas de 4 a 8 de Maio (Cinema de Animação com as realizadoras Carolina Bonzinho e Laura Equi; e A história do cinema contada em sequências com o realizador e investigador Filipe M. Guerra; e ainda a oficina As Imagens Hoje, orientada por Miguel Ribeiro a 8 de Maio).
Entre os dias 4 e 7; 11 e 13 de Maio, o festival inclui apresentação dos vídeos realizados ao longo do ano lectivo por alunos de 18 escolas do concelho de Viana do Castelo – na secção Trabalhos de Casa. Histórias na Praça (5 a 7 de Maio, na Praça da República e ruas adjacentes) propõe a alunos e professores de vários ciclos de ensino desenvolver e participar no processo criativo de um filme (desde a preparação à rodagem), tirando partido dos temas do plano curricular. Seis filmes vão ser coordenados e orientados pelo realizador Pedro Sena Nunes com as respectivas turmas selecionadas.
Nos dias 4, 5 e 6 de maio, o Festival recebe o SEM FRONTEIRA, um projecto luso-galaico de educação para o cinema promovido pela Associação AO NORTE, em parceria com a Associação OLLOBOI, sediada em Boiro, na Galiza, e com as escolas EB 2,3 Frei Bartolomeu dos Mártires e IES A Cachada.
Pela primeira vez, os Encontros de Cinema de Viana, em parceria com a ARTMATRIZ e a colaboração do Teatro do Noroeste/CDV, promovem ainda o CINEJOGO, uma sessão de jogos de tabuleiro inspirados no Cinema, a 6 de Maio na Sala Experimental do TMSM.
Plano Competitivo
O Festival de Cinema de Viana tem duas secções competitivas: Prémio PrimeirOlhar (8 a 10 de Maio), focado no cinema documental com a exibição e atribuição dos melhores filmes produzidos por alunos de escolas de cinema, de audiovisuais e de comunicação, ou por participantes em cursos promovidos por outras entidades de Portugal, de outros países de língua portuguesa e da Galiza; e Ação.12! Festival Luso-Galaico de Vídeo Escolar, a 11 de Maio, no TMSM, destinado a promover a cultura audiovisual em contexto escolar (do ensino básico e secundário).
Encontros e Indústria
Os Encontros Pro focam-se na partilha de conhecimento e na construção de soluções sustentáveis para o sector com dois momentos: o Fórum Cinema e Escola — Práticas pedagógicas em Portugal e na Galiza (8 de Maio, na ESEVC) é acreditado pelo Centro de Formação Contínua de Viana do Castelo como Acção de Curta Duração para docentes; e o Encontro Luso-Galaico de Cineclubes (10 de Maio, na Sala Experimental do TMSM).
Cinema e Outras Artes
A 8 de Maio, na sede da AO NORTE, será lançada o 30.º livro da colecção O Filme da Minha Vida, dirigido pelo artista plástico Tiago Manuel. Tiago Manuel e Jeanne Waltz, a autora, apresentam Fim de Agosto no Hotel Ozono, criado a partir do filme homónimo, e inauguram a exposição com as ilustrações da publicação.
Ainda a partir deste filme checo, a Galeria da Fundação Caixa Agrícola do Noroeste, inaugura, a 5 de Maio, a exposição Depois do Fim, com curadoria de Filipe Rodrigues. Esta mostra estabelece um diálogo visual entre cinema e artes plásticas a partir do filme realizado em 1966 por Jan Schmidt.
Toda a informação e secções dos Encontros de Cinema de Viana estão disponíveis em https://www.encontrosdecinema.pt/.
domingo, 3 de maio de 2026
Estreias da Semana #716
sábado, 2 de maio de 2026
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Crítica: Projecto Global (2026)
"Olha que isto não vai lá com bombas. Querem poder, candidatem-se, como os outros sacanas todos."
Inspector-Chefe
*7/10*
Na semana de comemoração da Revolução do 25 de Abril de 1974, Ivo M. Ferreira trouxe para os cinemas portugueses Projecto Global, filme em que trabalhou nos últimos anos, resultado de muita pesquisa histórica, com o historiador Francisco Bairrão Ruivo - e do qual nasceu também o livro As FP-25 e o Pós-Revolução, editado pela Tinta da China -, entrevistas aos ex-operacionais e aos inspetores e agentes da PJ que estiveram no seu encalço.
Projecto Global está longe de ser panfletário ou de tomar partidos. O filme é isento de moralidades ou posicionamentos e retrata uma época de violência reaccionária em Portugal, no caso, do lado do grupo armado de extrema-esquerda FP-25, do ponto de vista de alguns dos seus membros, assombrados pelo medo do regresso de uma nova ditadura. Mas a Revolução já tinha sido feita.
Ivo M. Ferreira está longe de querer dar uma lição de História à plateia. Se por um lado, o seu filme representa uma época pouco abordada da História de Portugal recente - e convida a uma descoberta posterior mais aprofundada -, por outro, está construído para passar facilmente por um policial de época. Projecto Global é essencialmente um thriller cheio de acção e personagens magnéticas - em especial Rosa (Jani Zhao) e Queiroz (Isac Graça). Não faltam explosões, tiroteios e perseguições, com a qualidade técnica que pouco se vê no cinema português. Grande trabalho de montagem e som, especialmente nas sequências de acção, da direcção de fotografia capaz de captar a aura clandestina e obscura que paira sobre as personagens, e das equipas de direcção artística, caracterização e guarda-roupa pela muito certeira recriação da época.
Sem heróis, o realizador mostra as dúvidas e inquietações dos "potenciais" vilões, estes rebeldes que não percebem que a causa que defendem já não existe. A ligação da plateia às personagens nunca é de admiração, pelo contrário, há uma ambiguidade latente e personalidades tão díspares, mas as razões que levaram cada uma à situação em que está vão sendo reveladas ao longo da acção. A ideia de um fascismo que espreita a cada esquina ou os traumas que ficaram da guerra estão entre as razões para cada um daqueles homens e mulheres se mobilizarem e acreditarem que só pegando em armas é que conseguirão chegar à revolução.
No elenco, Jani Zhao destaca-se quase como uma femme fatale - sem intenção de o ser. Rosa é magnética, decidida, independente. Acredita ser capaz de tudo pela Liberdade, pela causa em que acredita e pelo filho pequeno. O seu magnetismo conquista os dois lados da barricada, mas, por muito que se queira entregar à paixão, viver na clandestinidade não lhe permite confiar ou entregar-se ao amor. Ao seu lado, logo ao início surge Queiroz, numa magnífica interpretação de Isac Graça, um homem sensível, cheio de revolta e dor, que encontra consolo nas acções das FP-25; um amigo fiel e companheiro de aventuras de Rosa - os dois actores resultam muito bem em cena. São muitos mais os nomes que também contribuem para o sucesso de Projecto Global, seja o PJ apaixonado, José Pimentão (Marlow), o inspector Ivo Canelas, o revolucionário convicto Rodrigo Tomás (Jaime), entre tantos outros.
Projecto Global funciona de forma intensa e muito cativante durante bastante tempo, mas perde-se um pouco em romances impossíveis e no impasse e desencanto que acaba por levar também ao fim das FP-25. Talvez a longa-metragem seja o reflexo daqueles que retrata, da excitação inicial cheia de ideais e esperança, ao desalento ao constatar a frieza com que alguns matam só porque "alguém" manda.
Ivo M. Ferreira merece todo o reconhecimento pela coragem em trazer para o cinema uma parte quase apagada da História de Portugal pós-revolução, mais ainda num momento de tanta divisão na sociedade e na política. O realizador gosta de aprofundar os traumas portugueses e já não é a primeira vez que o faz, veja-se, por exemplo, Cartas da Guerra, onde espelha alguns dos horrores da Guerra Colonial. Que continue com esta ousadia tão necessária na Sétima Arte.
terça-feira, 28 de abril de 2026
Sugestão da Semana #715 + Sugestão Literária
Título Original: Projecto Global
-
"Também andas à procura de trabalho a sério?" Nádia *9/10* Pedro Cabeleira voltou às longas-metragens depois de oito anos de inte...
-
Os filmes vencedores do Festival MONSTRA 2026 foram anunciados este Sábado, 21 de Março, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Cão Sozinho , de ...





























