segunda-feira, 21 de setembro de 2020

MOTELx'20: Relic (2020), de Natalie Erika James

*6.5/10*


A estreia de Natalie Erika James nas longas-metragens trouxe ao MOTELx 2020 uma história de terror sobre o envelhecimento e a doença: Relic. Um começo auspicioso da cineasta que revela destreza na construção de uma atmosfera perturbadora e labiríntica.

"Quando Edna, a matriarca idosa e viúva da família, desaparece, a sua filha Kay e a neta Sam viajam para a remota casa de família para procurá-la. Edna reaparece misteriosamente da mesma forma como desapareceu, mas vem diferente. Algo a acompanha."

Relic aborda o envelhecimento do corpo e da mente, com a demência e os seus principais sintomas a serem usados para criar a dualidade entre o científico e o sobrenatural, o real e a alucinação. 

Natalie Erika James é excelente na construção do ambiente da longa-metragem, com a casa a assumir um papel fulcral, símbolo de uma família em ruínas. Esta decadência do corpo, das memórias e das relações está espelhada no interior das paredes ocas, de onde ecoam inexplicáveis sons, o bolor e corredores mutáveis e intermináveis - qual upside down. A par do espaço físico, os sonhos recorrentes de Kay revelam os maiores medos - e muitos remorsos - que pairam naquela casa, com uma história do passado (que ninguém quer que se repita) a bater à porta frequentemente.


Ao ver Relic, a comparação mais certeira a fazer será com The Babadook (2014), de Jennifer Kent, com esta aura sobrenatural vs. psíquica a pairar de modo muito semelhante. E esta é a grande força de ambos os filmes, na construção de um medo claustrofóbico e que faz duvidar constantemente. Destaque ainda para o bom desempenho das actrizes protagonistas, Emily Mortimer, Robyn Nevin e Bella Heathcote, com interpretações muito físicas, em especial as duas primeiras.

O trabalho de cenografia e direcção artística é fabuloso e um dos grandes responsáveis pela criação desta singularidade atmosférica, contudo, há uma má concretização de ideias que deita por terra a génese da longa-metragem. O final paira entre o poético, o profético e o grotesco, sem dúvida desnecessário. A mensagem já tinha passado, sem a insistência no choque visual.


O perpetuar do mistério ao longo de Relic desfaz-se numa conclusão sem impacto ou especial significado para além daquele que, desde o início, já captamos: o abalo que a doença e a velhice causa em várias gerações de uma família.

Emmy Awards 2020: Os vencedores

Os vencedores dos 72.º Emmy Awards 2020 foram revelados na passada madrugada. Jimmy Kimmel foi o anfitrião. Watchmen e Schitt's Creek foram os grandes vencedores da noite.


Eis os premiados:

Melhor Série - Drama
Better Call Saul (AMC)
The Crown (Netflix)
The Handmaid's Tale (Hulu)
Killing Eve (BBC America)
The Mandalorian (Disney+)
Ozark (Netflix)
Stranger Things (Netflix)
Succession (HBO)

Melhor Série - Comédia
Curb Your Enthusiasm (HBO)
Dead to Me (Netflix)
The Good Place (NBC)
Insecure (HBO)
The Kominsky Method (Netflix)
The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)
Schitt's Creek (Pop)
What We Do in the Shadows (FX)

Melhor Minissérie
Little Fires Everywhere (Hulu)
Mrs. America (FX on Hulu)
Unbelievable (Netflix)
Unorthodox (Netflix)
Watchmen (HBO)

Melhor Actor em Série - Drama
Jason Bateman (Ozark)
Sterling K. Brown (This Is Us)
Steve Carell (The Morning Show)
Brian Cox (Succession)
Billy Porter (Pose)
Jeremy Strong (Succession)

Melhor Actriz em Série - Drama
Jennifer Aniston (The Morning Show)
Olivia Colman (The Crown)
Jodie Comer (Killing Eve)
Laura Linney (Ozark)
Sandra Oh (Killing Eve)
Zendaya (Euphoria)

Melhor Actor em Série - Comédia
Anthony Anderson (Black-ish)
Don Cheadle (Black Monday)
Ted Danson (The Good Place)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
Eugene Levy (Schitt's Creek)
Ramy Youssef (Ramy)

Melhor Actriz em Série - Comédia
Christina Applegate (Dead to Me)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Linda Cardellini (Dead to Me)
Catherine O'Hara (Schitt's Creek)
Issa Rae (Insecure)
Tracee Ellis Ross (Black-ish)

Melhor Actor em Minissérie ou Filme para Televisão
Jeremy Irons (Watchmen)
Hugh Jackman (Bad Education)
Paul Mescal (Normal People)
Jeremy Pope (Hollywood)
Mark Ruffalo (I Know This Much Is True)

Melhor Actriz em Minissérie ou Filme para Televisão
Cate Blanchett (Mrs. America)
Shira Haas (Unorthodox)
Regina King (Watchmen)
Octavia Spencer (Self Made)
Kerry Washington (Little Fires Everywhere)

Melhor Actor Secundário em Série - Drama
Giancarlo Esposito (Better Call Saul)
Bradley Whitford (The Handmaid's Tale)
Billy Crudup (The Morning Show)
Mark Duplass (The Morning Show)
Nicholas Braun (Succession)
Kieran Culkin (Succession)
Matthew Macfadyen (Succession)
Jeffrey Wright (Westworld)

Melhor Actriz Secundária em Série - Drama
Laura Dern (Big Little Lies)
Meryl Streep (Big Little Lies)
Helena Bonham Carter (The Crown)
Samira Wiley (The Handmaid's Tale)
Fiona Shaw (Killing Eve)
Julia Garner (Ozark)
Sarah Snook (Succession)
Thandie Newton (Westworld)

Melhor Actor Secundário em Série - Comédia
Andre Braugher (Brooklyn Nine-Nine)
William Jackson Harper (The Good Place)
Alan Arkin (The Kominsky Method)
Sterling K. Brown (The Marvelous Mrs. Maisel)
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
Mahershala Ali (Ramy)
Kenan Thompson (Saturday Night Live)
Daniel Levy (Schitt's Creek)

Melhor Actriz Secundária em Série - Comédia
Betty Gilpin (GLOW)
D'Arcy Carden (The Good Place)
Yvonne Orji (Insecure)
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Marin Hinkle (The Marvelous Mrs. Maisel)
Kate McKinnon (Saturday Night Live)
Cecily Strong (Saturday Night Live)
Annie Murphy (Schitt's Creek)

Melhor Actor Secundário em Missérie e Filme para Televisão
Dylan McDermott (Hollywood)
Jim Parsons (Hollywood)
Tituss Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy vs. The Reverend)
Yahya Abdul-Mateen II (Watchmen)
Jovan Adepo (Watchmen)
Louis Gossett Jr. (Watchmen)

Melhor Actriz Secundária em Missérie e Filme para Televisão
Holland Taylor (Hollywood)
Uzo Aduba (Mrs. America)
Margo Martindale (Mrs. America)
Tracey Ullman (Mrs. America)
Toni Collette (Unbelievable)
Jean Smart (Watchmen)

Melhor Actor Convidado em Série - Drama
Andrew Scott (Black Mirror)
James Cromwell (Succession)
Giancarlo Esposito (The Mandalorian)
Martin Short (The Morning Show)
Jason Bateman (The Outsider)
Ron Cephas Jones (This Is Us)

Melhor Actriz Convidada em Série - Drama
Cicely Tyson (How To Get Away With Murder)
Laverne Cox (Orange Is The New Black)
Cherry Jones (Succession)
Harriet Walter (Succession)
Alexis Bledel (The Handmaid's Tale)
Phylicia Rashad (This Is Us)

Melhor Actor Convidado em Série - Comédia
Fred Willard (Modern Family)
Dev Patel (Modern Love)
Adam Driver (Saturday Night Live)
Eddie Murphy (Saturday Night Live)
Brad Pitt (Saturday Night Live)
Luke Kirby (The Marvelous Mrs. Maisel)

Melhor Actriz Convidada em Série - Comédia
Angela Bassett (A Black Lady Sketch Show)
Maya Rudolph (Saturday Night Live)
Phoebe Waller-Bridge (Saturday Night Live)
Maya Rudolph (The Good Place)
Wanda Sykes (The Marvelous Mrs. Maisel)
Bette Midler (The Politician)

Melhor talk show
The Daily Show With Trevor Noah (Comedy Central)
Full Frontal With Samantha Bee (TBS)
Jimmy Kimmel Live! (ABC)
Last Week Tonight With John Oliver (HBO)
The Late Show With Stephen Colbert (CBS)

Melhor Programa de Competição
The Masked Singer
Nailed It
RuPaul's Drag Race
Top Chef
The Voice

Melhor Documentário ou Série Documental
American Masters
Hillary
McMillions
The Last Dance
Tiger King: Murder, Mayhem and Madness

Podes ver a lista completa de vencedores em https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/.

domingo, 20 de setembro de 2020

Sugestão da Semana #435

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme O Fim do Mundo, do  realizador luso-suíço Basil da Cunha, que continua a contar-nos as suas histórias passadas no bairro da Reboleira, nos arredores de Lisboa.

O FIM DO MUNDO


Ficha Técnica:
Título Original: O Fim do Mundo
Realizador: Basil da Cunha
Elenco: Michael Spencer, Marco Joel Fernandes, Alexandre da Costa Fonseca, Iara Cristina Cardoso, Luisa Martins dos Santos
Género: Acção, Crime, Drama
Classificação: M/16
Duração: 107 minutos

Curtas Vila do Conde'20: Programa fechado

O 28.º Curtas Vila do Conde já tem programa completo e leva a Competição Nacional a Vila do Conde, Lisboa, Porto e Faro.

Um Fio de Baba Escarlate, Carlos Conceição
No total, serão 261 os filmes que marcarão as várias secções do festival. Na Competição Nacional, há uma selecção de 17 títulos de animação, ficção e documentário dos realizadores: Sandro Aguilar, Cláudia Varejão, Carlos Conceição, Pedro Peralta, Patrick Mendes, João Rosas, Filipa César, Alexandra Ramires, Natália Azevedo Andrade, Denise Fernandes, Diogo Salgado, Luís Costa, Igor Dimitri, Nuno Baltazar, Catarina Romano, Inês Nunes e Eduardo Brito. As sessões da Competição Nacional terão lugar no Teatro Municipal de Vila do Conde, no Cinema Ideal (Lisboa, 7 a 11 de Outubro), no Cinema Trindade (Porto, 5 a 9 de Outubro) e Auditório do Instituto Português dos Desporto e Juventude de Faro (6 a 10 de Outubro). 

No ano em que se assinalam os 20 anos da Agência da Curta Metragem, o Curtas integrará ainda o lançamento de um livro que traça um olhar pelas últimas duas décadas de cinema português: Reframing Portuguese Cinema in the 21st Century conta com os contributos de uma dezena programadores e críticos de cinema.

A secção Stereo levará a palco o mais recente projecto de Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e Pedro Maia. Guanche foi rodado entre as montanhas da ilha da Madeira e o Oceano Atlântico e propõe um trabalho em torno do homem, do desenvolvimento e da sua relação com a natureza. Em Vila do Conde, o músico e o realizador apresentam uma primeira abordagem artística à longa-metragem no formato cine-concerto composto por partes da montagem do filme, aqui processadas ao vivo, com acompanhamento musical original e narração, ao vivo, de Íris Cayatte. Esta secção dedicada aos cruzamentos entre a música e o cinema, incluirá ainda os filmes Antena3 Docs Apresenta Implantação da Rapública #2 Pintar o Hip Hop, o mocumentário Ricardo sobre uma misteriosa personagem que invadiu o palco do concerto dos Sensible Soccers e A Vida Dura Muito Pouco – Celebrando a obra de José Pinhal, para além da habitual competição de videoclipes. 

O Sentido da Vida, o novo trabalho de Miguel Gonçalves Mendes, será apresentado, numa primeira versão na secção Da Curta à Longa. O filme conta com  participações de Marina Silva, Dilma Roussef, Valter Hugo Mãe, Julian Assange, entre outros. Em destaque nesta secção, está a estreia nacional de Casa de Antiguidades, de João Paulo Miranda, seleccionado para a competição de Cannes 2020, que toca temas relacionados com a exclusão racial no sul do Brasil. Do autor, o festival passará ainda: Command Action (2015), A Moça que Dançou com o Diabo (2016) e Meninas Formicida (2017). First Cow, de Kelly Reichardt, terá estreia nacional no festival, e ainda haverá espaço para as antestreias de Os Herdeiros de Saramago: ep. Valter Hugo Mãe e Vencidos da Vida, de Rodrigo Areias

First Cow, Kelly Reichardt
Na secção Panorama, o Curtas destaca a produção recente da Roménia e Polónia, assim algumas das obras portuguesas que marcaram os últimos doze meses: A Dança do Cipreste, de Mariana Caló e Francisco Queimadela; Meine Liebe, de Clara Jost; Mesa, de João Fazenda; e O Cordeiro de Deus, de David Pinheiro Vicente.

Pela primeira vez, o Curtas apresenta grande parte da programação também online, através do formato VoD (Video on Demand), permitindo o encontro entre o público e os cineastas e o acesso a uma audiência mais alargada. Previstas estão a calendarização de sessões de filmes, numa parceria com a Shift72, assim como a realização de debates, entrevistas e masterclasses.

Há ainda a programação especial dedicada aos mais novos: o Curtinhas organizará sessões que percorrem os universos e interesses de diferentes idades. No Teatro Municipal de Vila do Conde, haverá sessões para Maiores de 3, Maiores de 6 e Maiores de 10. 

A 28.ª edição do Curtas de Vila do Conde realiza-se entre 3 e 11 de Outubro. A programação completa poderá ser consultada no site https://festival.curtas.pt/.

sábado, 19 de setembro de 2020

Filmin Portugal: Sugestões para ver em Setembro

Setembro já vai longo, mas nunca é tarde para sugestões de cinema em casa. Destacamos alguns novos títulos do catálogo da Filmin - plataforma VoD portuguesa de cinema independente -, que farão as delícias dos cinéfilos e não só.

Para que nunca te falte cinema em casa, eis algumas sugestões:

A Irmã Mais Nova (Min lilla syster), de Sanna Lenken
"Premiado em Berlim com o Urso de Cristal e uma Menção Honrosa do Júri – Secção Generation Kplus – um drama familiar que marca a estreia na longa-metragem de Sanna Lenken. A difícil história entre duas irmãs, um delicado e sombrio coming of age no feminino."

A Violação de Recy Taylor (The Rape of Recy Taylor), de Nancy Buirski
"Cidade de Abbeville, Alabama. A 3 de Setembro de 1944, a jovem afro-americana Recy Taylor é raptada e violada por seis homens brancos. Em busca de justiça, faz algo incomum naquela época: apresenta uma queixa à polícia e identifica cada um dos seus agressores."

Cai na Real, Corgi (The Queen's Corgi), de Vincent Kesteloot e Ben Stassen
"Esta é a história de Rex, o cachorrinho mais mimado pela Rainha de Inglaterra. Um dia, Rex foge do palácio e tropeça num gangue canino, que se enfrenta e luta entre si. Durante a sua jornada de volta ao palácio, Rex apaixona-se e descobre seu verdadeiro eu."

Comportem-se Como Adultos (Adults in the Room), de Costa-Gavras 
"Grécia, 2015: a economia está de rastos e o país à beira da bancarrota. Um novo governo insurge-se contra as regras impostas pela UE e inspira milhões de europeus. Baseado nas memórias políticas de Yanis Varoufakis."

Em Chamas (Burning), de Lee Chang-Dong
"Jong-soo reencontra casualmente Hae-mi, uma amiga de infância que, prestes a fazer uma viagem a África, lhe pede para cuidar do gato durante a sua ausência. Ao regressar, já no aeroporto, ela apresenta-lhe Ben, com quem se envolveu romanticamente durante a viagem e que decidiu segui-la. Entre os dois homens surge uma relação ambígua, com tanto de fascínio como de rivalidade, que assume novas proporções quando o forasteiro confessa o seu estranho prazer."

Escola de Carteiros (L’école des Facteurs), de Jacques Tati 
"Em 1943, Jacques Tati refugia-se numa aldeia no centro da França. Tendo-se tornado próximo desta extraordinária comunidade, foi nessa localização que decidiu filmar os seus primeiros filmes, Escola de Carteiros e depois Há Festa na Aldeia, com a mesma personagem do carteiro acrobático que sonha fazer a sua distribuição, mais rápida do que os carteiros americanos."

Extremamente Perverso, Escandalosamente Cruel e Vil (Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile), de Joe Berlinger 
"Esta é a histórica verídica de Ted Bundy, o serial-killer mais famoso da América. Bonito, inteligente e carismático, Ted partilha a vida com Liz, uma mãe solteira que, aquando da acusação deste, reflete sobre se conhece verdadeiramente o homem que ama."

Experimenter: Stanley Milgram, o Psicólogo que Abalou a América (Experimenter), de Michael Almereyda
"Em 1961, o psicólogo Stanley Milgram realizou uma série de experiências sobre a obediência, na Universidade de Yale. A investigação, que decorreu ao mesmo tempo que o julgamento de Adolf Eichmann (o criminoso de guerra nazi que alegou obediência como defesa durante o seu julgamento em Israel), pretendia explicar a relação das pessoas com a autoridade. A violência da experiência, que permanece relevante até hoje, agitou a cultura popular e a comunidade científica e gerou admiração por Milgram, mas também acusações de sadismo e manipulação."

O Terramoto (Skjelvet), de John Andreas Andersen 
"Em 2015, o filme-desastre norueguês Bølgen: Alerta Tsunami mostrou um tsunami a ameaçar Møre og Romsdal. O Terramoto passa-se três anos após esse evento, com o geólogo Kristian Eikjord (Kristoffer Joner) e a família agora a verem-se a braços com uma nova ameaça: um terramoto que está prestes a causar destruição em Oslo."

Pavarotti, de Ron Howard
"O Campeonato do Mundo de Futebol de 1990 em Itália foi o momento em que a ópera deixou de ser exclusiva das elites e atingiu as massas. A estrela da ópera Pavarotti juntou-se aos colegas tenores Plácido Domingo e José Carreras no palco em Roma, numa transmissão vista por 1.4 biliões de pessoas no mundo inteiro. A poderosa interpretação de Nessun Dorma permanece uma das mais populares e famosas performances que o mundo alguma vez ouviu."

Santiago, Itália (Santiago, Italia), de Nanni Moretti 
"Depois do golpe de Estado de Pinochet em Setembro de 1973, a embaixada de Itália em Santiago, no Chile, acolhe centenas de refugiados. Através de vários testemunhos, o documentário de Nanni Moretti retrata este período em que tantas vidas foram salvas graças a alguns diplomatas italianos."

Sinónimos (Synonyms), de Nadav Lapid
"Yoav não é francês mas quer sê-lo: chegado de Israel para fugir a um país que diz 'estar condenado', procura reinventar-se. Com um ligeiro sotaque, uma gramática arcaica e um dicionário no bolso, vai percorrendo as ruas de Paris entoando palavras francesas. Um puzzle trágico-cómico que esconde de forma astuta os seus segredos. Vencedor do Urso de Ouro da 69.ª edição do Festival de Cinema de Berlim, um drama autobiográfico."

Doclisboa'20: Anunciados filmes de Abertura e Encerramento

A 18.ª edição do Doclisboa abre com Nheengatu - A Língua da Amazónia, de José Barahona, e encerra com Paris Calligrammes, de Ulrike Ottinger.


Em estreia mundial na Culturgest, que contará com a presença do realizador, Nheengatu - A Língua da Amazónia "leva-nos numa viagem pelo rio Negro, no rasto desta língua imposta às populações indígenas pelos primeiros colonizadores portugueses que desembarcavam no Brasil no século XV. Ao longo dos vários encontros com as comunidades locais que ainda falam esta língua, o realizador embate nas diferentes questões culturais, históricas e sociais que confrontam tradição e futuro."

Já em Paris Calligrammes, da realizadora alemã Ulrike Ottinger, "percorremos as memórias da realizadora sobre a exuberante Paris dos anos 60, onde viveu entre 1962 e 1969, revelando o encontro com tantos nomes incontornáveis dos mais diversos movimentos artísticos, como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir ou Jean Rouch, e com as questões políticas que pautaram aquele período, como a independência da Argélia e as revoltas estudantis de Maio de 1968, fundamentais na sua formação enquanto artista. Ottinger partilha um poético caleidoscópio de fotografias, narrativas e diário íntimo das suas experiências marcadas pelo cenário artístico e intelectual parisiense."

Nheengatu - A Língua da Amazónia, José Barahona
A 18.ª edição do Doclisboa decorre em seis momentos, ao longo de seis meses, com o primeiro a acontecer entre os dias 22 de Outubro e 1 de Novembro.

Já são conhecidos os projectos em desenvolvimento seleccionados para apresentação no Nebulae e no Arché. Este ano, com o apoio do Georgian National Film Center, o festival recebe a Geórgia como país convidado do Nebulae, com uma sessão de apresentação de projectos nacionais em desenvolvimento para um público profissional alargado e um programa de encontros com programadores, produtores, distribuidores e outros profissionais do setor. Todas as actividades serão realizadas online.

Projectos Seleccionados:
CHAMPIONS (working title), Ketevani Kapnadze | Geórgia | Produção: Salome Jashi (Microcosmoss)

GRADUATION PARTY / BOLO ZARI, Givi B. Odisharia | Geórgia , Polónia | Produção: Tsiako Abesadze, Noshre Chkhaidze (Natura Film)

LOVE SONG. PASTORALE, Tinatin Gurchiani | Geórgia | Produção: Tamar Gurchiani, Tinatin Gurchiani (TTFilm)

OZYMANDIAS, Misho Antadze | Geórgia | Produção: Giorgi Kobalia (Terra Incognita Films)

REQUIEM TO HOT DAYS OF SUMMER, Giorgi Parkosadze | Geórgia | Produção: Giorgi Parkosadze, Tamta Tvalavadze (Level2 Films)

SMILING GEORGIA, Luka Beradze | Geórgia | Produção: Nino Chichua, Anna Khazaradze (1991 Productions)

SUNNY / MZIURI, Keti Machavariani | Geórgia | Produção: Nato Sikharulidze (Terra Incognita Films), Tsisana Khundadze (Sunny films)

WATER HAS NO BORDERS, Maradia Tsaava | Georgia, França| Produção: Mariam Chachia, Luciano Gloor (OpyoDoc, Geórgia) / Co-Produção: Edith Farine (Faites un Voeu, França)

O Arché, laboratório de projectos em desenvolvimento da Apordoc dedicado a realizadores e produtores de Portugal, Espanha, Itália e países ibero-americanos, realiza-se também em plataforma online, entre 22 de Outubro e 6 de Novembro. 

Projectos Seleccionados:
ALL THAT IS SOLID, Luis Gutiérrez Arias | Prod. La Concretra / Bahía Colectiva, Cuba 

EVERY DOCUMENT OF CIVILIZATION, Tatiana Mazú | prod. Antes Muerto Cine, Argentina

FOGO VIGIADO, Laura Marques | prod. Primeira Idade, Portugal

GENTLEWOMEN, Cláudia Alves | prod. Ukbar Filmes, Portugal

HANNAH AND THE CLOUDS, Ian Capillé | prod. Filmes Fantasma, Brasil

NIGHT TEARS OR THE END OF INNOCENCE, Miguel Moraes Cabral | prod. Primeira Idade, Portugal

THE DEPENDENTS, Sofia Brockenshire | prod. Sofia Brockenshire, Argentina / Canadá

THE PINK PLAIN, Valentina Pelayo | prod. Valentina Pelayo, México

TRISTÁN, Martina Matzkin, Gabriela Uassouf | prod. Groncho Estudio / Lumen Cine, Argentina

Ainda três projectos cinematográficos e três projectos de investigação foram seleccionados para a segunda edição do RAW: Residências Arché>Work, programa de residências artísticas para o desenvolvimento criativo e artístico:

HERE BE DRAGONS,  María Molina Peiró | prod. Near/by film, Holanda

MY KINGDOM IN THIS WORLD, Diego Mondaca | prod. Illimani Films / Color Monster, Bolívia

WHORES LIKE US, Agustina Comedi | prod. Arde Cine, Argentina

Projectos de Investigação:
TERRITÓRIOS EM TRANSE, Pedro Tienen | Brasil

TIERRA SIN PATRONES: cine peruano y boliviano en la era de la revolución (1963 – 1977), Nicolás Carrasco | Perú

LE PASSEUR, LE PASSAGE. Ensayo fílmico sobre (o desde), Joaquim Jordà, Cristina Rubio | Espanha

Todas as informações e programa do Doclisboa 2020 podem ser consultados em https://doclisboa.org/2020/.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Crítica: O Segredo do Refúgio / The Rental (2020)

*5/10*
~

The Rental (O Segredo do Refúgio, em português) marca a estreia do actor Dave Franco na realização e foi o filme de encerramento do MOTELx 2020. Um thriller de terror, com boas intenções mas que perde o fulgor inicial.

Não marcando pela originalidade, o filme faz recordar muitos títulos em que um grupo de amigos resolve ir de férias e tudo corre mal (lembrou-me bastante Sei o Que Fizeste no Verão Passado), mas adaptado à tecnologia dos tempos actuais. Um convite para que deixemos de arrendar casas via plataformas digitais de arrendamento local (como o airbnb) ou o façamos com muito cuidado. 

"Dois casais, numa escapadela junto ao mar, começam a suspeitar que o anfitrião da casa aparentemente perfeita que alugaram está a espiá-los. Rapidamente, o que deveria ter sido uma viagem comemorativa de fim-de-semana transforma-se em algo muito mais sinistro, à medida que segredos bem guardados são expostos e os quatro velhos amigos vêem-se sob uma luz totalmente nova."


O nevoeiro cerrado que rodeia a casa, a cave secreta e outros clichés de filme de género servem aqui mais para criar ilusão do que para desvendar o mistério, o que é um ponto a favor da estreia de Franco. Apesar de cair em alguns facilitismos narrativos, The Rental consegue ainda deter alguns momentos inspirados, com um chuveiro que lembra Psycho, e um sociopata tecnológico.

O alojamento local serve de pretexto para o surgimento do medo e da desconfiança, seja por ser uma casa desconhecida e isolada, ou pelo comportamento do arrendatário ser suspeito, mesmo antes de o conhecerem. 

Dan Stevens, Alison BrieSheila VandJeremy Allen White cumprem o seu papel, sem grande destaque. Contudo, a culpa aqui recai em Dave Franco, que faz das mortes em série um desfile pouco entusiasmante e com pouca luta, mesmo que, visualmente, nos proporcione alguns planos interessantes.


Em The Rental, Franco faz cumprir essencialmente a função de entretenimento, mantendo a tensão a fluir, entre drogas, álcool, traições, voyeurismo e um cão desaparecido.

Prémios Sophia 2020: Os Vencedores

A gala de entrega dos Prémios Sophia 2020, que premeiam os filmes portugueses que se destacaram ao longo de 2019, aconteceu esta Quinta-feira, dia 17 de Setembro, no Casino Estoril, depois de um adiamento, devido à pandemia. Ana Bola e Joana Pais de Brito foram as anfitriãs da noite.

A Herdade e Variações foram os grandes vencedores da noite.


Eis a lista completa de nomeados:

MELHOR FILME
A Herdade
Paulo Branco, produtor - Leopardo Filmes
Diamantino
Maria João Mayer, produtora - Maria & Mayer
Variações
Fernando Vendrell, produtor - David & Golias
Vitalina Varela
Abel Ribeiro Chaves, produtor - OPTEC

MELHOR REALIZADOR
Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt - Diamantino
João Maia - Variações
Pedro Costa - Vitalina Varela
Tiago Guedes - A Herdade

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
Até que o Porno Nos Separe
Jorge Pelicano (real.) Irina Calado (prod.) Até ao Fim do Mundo
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos
Renée Nader Messora e João Salaviza (real.) Ricardo Alves Jr. e Thiago Macêdo Correia (prod.) Karõ Filmes
Lupo
Pedro Lino (real.) Pandora da Cunha Telles e Pablo Iraola (prod.) Ukbar Filmes
Terra Franca
Leonor Teles (real.) Filipa Reis e João Miller Guerra (prod.) Uma Pedra no Sapato

MELHOR SÉRIE/TELEFILME
Luz Vermelha
André Santos e Marco Leão (real.) Filipa Reis (prod.)
Vende-se Filmes
O Nosso Cônsul em Havana
Francisco Manso (real./prod.)
Francisco Manso Produção de Audiovisuais
SUL
Ivo M. Ferreira (real.) Edgar Medina (prod.)
Arquipélago Filmes
Teorias da Conspiração
Manuel Pureza (real.) Leonel Vieira (prod.)
Stopline Films

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt - Diamantino
João Maia - Variações
Pedro Costa e Vitalina Varela - Vitalina Varela
Rui Cardoso Martins e Tiago Guedes - A Herdade

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Agustina Bessa-Luís e Rita Azevedo Gomes - A Portuguesa, adaptado da obra Die Portugiesin, de Robert Musil
José Fanha - Os Dois Irmãos, adaptado da obra homónima de Germano Almeida
Hugo Diogo - Imagens Proibidas, adaptado da obra homónima de Pedro Paixão
Tiago Rodrigues e Tiago Guedes - Tristeza e Alegria na Vida das Girafas, inspirado na peça de teatro homónima de Tiago Rodrigues

MELHOR ACTOR PRINCIPAL
Albano Jerónimo - A Herdade
Carloto Cotta - Diamantino
Igor Regalla - Gabriel
Sérgio Praia - Variações

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL
Inês Castel-Branco - Snu
Margarida Vila-Nova - Hotel Império
Sandra Faleiro - A Herdade
Vitalina Varela - Vitalina Varela

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Augusto Madeira - Variações
Filipe Duarte - Variações
João Pedro Mamede - A Herdade
Miguel Borges - A Herdade

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Ana Vilela da Costa - A Herdade
Anabela Moreira e Margarida Moreira - Diamantino
Teresa Madruga - Variações
Victoria Guerra - Variações

MELHOR DIRECÇÃO DE FOTOGRAFIA
Acácio de Almeida - A Portuguesa
André Szankowski - Variações
João Lança Morais - A Herdade
Leandro Simões - Vitalina Varela

MELHOR SOM
Artur Cyaneto, Emílio Alicante e Pedro Góis - Caminhos Magnétykos
Elsa Ferreira, Francisco Veloso e Pedro Góis - A Herdade
Hugo Leitão e João Gazua - Vitalina Varela
Branko Neskov, Nuno Bento e Tiago Raposinho - Variações

MELHOR MONTAGEM
Cláudio Vasques - Caminhos Magnétykos
Pedro Ribeiro - Variações
Raphaëlle Martin-Holger, Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt - Diamantino
Roberto Perpignani - A Herdade

MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
Ana Vaz - Snu
Artur Pinheiro - O Grande Circo Místico
Isabel Branco - A Herdade
Sara Lança - Variações


MELHOR GUARDA-ROUPA
Isabel Branco e Inês Mata - A Herdade
Lucha D’Orey - Hotel Império
Patrícia Dória - Variações
Sílvia Grabowski - Snu

MELHOR EFEITOS ESPECIAIS/CARACTERIZAÇÃO
Carlos Amaral e Íris Peleira - A Herdade
Irmã Lúcia - Diamantino
Pedro Vicente e Magali Santana - Variações
Tiago Borrões, Fernando Alle e João Rapaz - Mutant Blast

MELHOR MAQUILHAGEM E CABELOS
Ana Lorena e Natália Bogalho - Snu
Íris Peleira e Ana Maria Palma - A Herdade
Magali Santana e Gena Ramos - Variações
Nuno Esteves “Blue” - Hotel Império

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
Armando Teixeira - Variações
José Mário Branco - A Portuguesa
Manuel Cruz - Tristeza e Alegria na Vida das Girafas
The Legendary Tigerman - Caminhos Magnétykos

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Quero dar nas Vistas - letra de António Variações, interpretação de Sérgio Praia e música de Balla Variações
Coro Menor - poema de Charles D’Orléans, música de José Mário Branco e voz de Ingrid Caven - A Portuguesa
Quiescent - letra e música de Surma Snu
Vai - letra e música de Vado Más Ki Ás - Gabriel

MELHOR CURTA-METRAGEM DE FICÇÃO
A Fábrica - Diogo Barbosa
A Herança - Paulo A. M. Oliveira
Arriaga - Welket Bungué
Invisível Herói - Cristèle Alves Meira

MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO
Estas Mãos São Minhas - André Miguel Ferreira
Kalani - Gift from Heaven - Nuno Dias
Lá Fora as Laranjas Estão a Nascer - Nevena Desivojević
Raposa - Leonor Noivo

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Assim Mas Sem Ser Assim - Pedro Brito
Equinox - Bruno Carnide
Maré - Joana Rosa Bragança
Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias - Regina Pessoa

PRÉMIO SOPHIA ESTUDANTE
Jamaika Onto New Paths - Alexander Sussmann, Universidade Lusófona De Humanidade e Tecnologias
Loop - Ricardo M. Leite, Escola Superior de Media Artes e Design
O Presidente Veste Nada - Clara Borges e Diana Agar, Universidade da Beira Interior
Sombra - Diogo Lourenço, Duarte Gaivão e Francisco Moura, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

PRÉMIO SOPHIA CARREIRA
Alfredo Tropa, António-Pedro Vasconcelos e Fernando Matos Silva