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domingo, 3 de fevereiro de 2019

DGA Awards 2019: Vencedores

A 71.ª edição dos prémios do Directors Guild of America, o sindicado dos realizadores americanos, anunciou ontem à noite os vencedores deste ano. Roma, de Alfonso Cuarón, ganha mais alguma vantagem para os Oscars.


Melhor Realização em Filme
Alfonso Cuarón 
Roma

Melhor Realização em Primeiro Filme
Bo Burnham
Eighth Grade

Melhor Realização - Série Dramática
Adam McKay
Succession, "Celebration"

Melhor Realização - Série de Comédia
Bill Hader
Barry, "Chapter One: Make Your Mark"

Melhor Realização em Filme para Televisão ou Minissérie
Ben Stiller
Escape at Dannemora

Melhor Realização - Documentário 
Tim Wardle
Three Identical Strangers

A lista completa de vencedores pode ser consultada aqui.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Crítica: Roma (2018)

"We are alone. No matter what they tell you, we women are always alone."
Sra. Sofía


*8/10*

Alfonso Cuarón
regressou do espaço sideral de Gravidade para a Terra, mais propriamente para a sua terra natal. Roma é um filme parcialmente autobiográfico em que o cineasta pretende homenagear a empregada que o criou. Cuarón tomou as rédeas da realização, mas igualmente do argumento e direcção de fotografia. Um filme muito pessoal, criado para ser universal.

Cuarón narra a vida de uma família na Cidade do México no início dos anos 70. Seguimos Cleo (Yalitza Aparicio), uma jovem doméstica que trabalhava para uma família de classe média no bairro de Roma. Inspirando-se na mulher que o criou, o realizador constrói um retrato da vida doméstica e da hierarquia social no seio do tumulto político da época.


Em primeiro lugar, é de realçar que Roma é um exímio trabalho estético e técnico, ou não fosse o primeiro plano do filme uma prova disso mesmo. No mosaico do chão do pátio da casa que Cleo lava, vemos reflectido um avião, que atravessa o céu (aviões que se multiplicam ao longo do filme). A precisão de Cuarón é imensa e proporciona planos de grande beleza - o expoente máximo será talvez o momento na praia que ilustra o poster da longa-metragem -, filmando a preto e branco e tirando o máximo partido do detalhe e profundidade.

A narrativa é simples e muito dirá às famílias da América Latina (nesta temática lembro-me logo do brasileiro Que Horas Ela Volta?, de 2015). Para além da homenagem à mulher que o criou, Roma é igualmente, a meu ver, um elogio às mulheres que sofrem, que parecem condenadas, a elas que estão "sempre sozinhas" como a certo momento a dona da casa, Sofía, diz para a empregada, Cleo.


O perfeccionismo de Alfonso Cuarón em relação ao seu filme mais pessoal é justificado, tendo o cineasta tentado replicar com grande exactidão a casa onde cresceu. Ao mesmo tempo, também consegue recriar com sucesso o claro contraste social, entre a cidade moderna e desenvolvida e os bairros mais pobres, sem condições - nem ruas pavimentadas ali existem -, e as diferentes classes sociais. O clima de instabilidade sociopolítica da época é abordado mais superficialmente (a violenta manifestação de estudantes, por exemplo) o que poderá ser um obstáculo para o público que não conhece bem a História mexicana.

Do pessoal para o universal vai alguma distância e talvez seja por isso que Roma merecia ser ainda mais sentido pela plateia. Contudo, Cuarón faz uma despersonalização das personagens, em especial da protagonista, que faz com que Roma não tenha o impacto que merecia. Cleo não tem opiniões, nem personalidade, guarda tudo para si e poucas emoções expressa, ficando relegada apenas ao papel de empregada ou de mulher solitária. Por outro lado, o pequeno Pepe (o alter-ego do realizador) tem uma imaginação entusiasmante.


As influências de Cuarón vão surgindo, bem como sinais premonitórios de acontecimentos futuros vão sendo subtilmente lançados ao longo do filme. E assim se constrói uma longa-metragem que é uma memória de infância filmada pelos olhos da criança que se tornou adulta, muito intima para o realizador e emotiva (em muitos aspectos) para o público. Roma não é a obra-prima que podia ser, mas oferece fabulosas sensações visuais e outras tantas muito emocionais. As mulheres sofrem, mas são elas as heroínas da história - e das crianças.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Sugestão da Semana #355

Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme não se consegue decidir e destaca dois filmes como Sugestão da Semana. São eles: Girl, de Lukas Dhont, e Roma, de Alfonso Cuarón.

GIRL


Ficha Técnica:
Título Original: Girl
Realizador: Lukas Dhont
Actores: Victor Polster, Arieh Worthalter, Nele Hardiman, Katelijne Damen, Valentijn Dhaenens, Oliver Bodart
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 109 minutos


ROMA


Ficha Técnica:
Título Original: Roma
Realizador: Alfonso Cuarón
Actores: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Diego Cortina Autrey, Carlos Peralta, Marco Graf, Daniela Demesa, Nancy García García, Verónica García, Andy Cortés
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 135 minutos

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sugestão da Semana #85

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai, sem dúvida, no filme de Alfonso Cuarón, Gravidade. Protagonizada por Sandra Bullock, a longa-metragem virá a ser, certamente, um marco visual na história da ficção científica, proporcionado ao espectador alguns dos mais belos cenários vistos nos últimos anos.

GRAVIDADE

Ficha Técnica:
Título Original: Gravity
Realizador: Alfonso Cuarón
Actores: Sandra Bullock, George ClooneyEd Harris
Género: Drama, Ficção Científica, Thriller
Classificação: M/12
Duração: 91 minutos

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Crítica: Gravidade / Gravity (2013)

*9/10*

Uma inquietante experiência de gravidade zero é o que Alfonso Cuarón oferece no seu mais recente trabalho. Gravidade surge como um possível marco visual na história da ficção científica, onde, tecnicamente, tudo parece ter sido trabalhado ao pormenor. À mestria técnica somam-se as questões lançadas pela narrativa: poderá alguém sobreviver à deriva no espaço? 

A plateia embarca numa jornada, 600 km acima da Terra, onde flutua e gira ao lado de Sandra Bullock e George Clooney. Não há oxigénio, som ou pressão atmosférica, e, no entanto, os protagonistas vão entrar numa praticamente impossível luta pela sobrevivência.

A Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) é uma engenheira médica na sua primeira missão espacial ao lado do astronauta veterano Matt Kowalsky (George Clooney). Contudo, numa caminhada espacial de rotina acontece um desastre. A nave é destruída, deixando Stone e Kowalsky completamente sozinhos no espaço. O silêncio total é sinónimo de que perderam qualquer ligação com a Terra e qualquer hipótese de salvamento. O pânico toma lugar, ao mesmo tempo que o oxigénio se esgota, enquanto os dois procuram uma forma de regressar a casa.

Ao ver Ryan e Matt presos no infinito (passo o paradoxo), uma sensação crescente de agorafobia - o pânico de espaços abertos - domina-nos por completo. Rodopiamos com a Doutora, à deriva, partilhamos da sua respiração ofegante, e vamos temer por ela, até ao fim, seja ele qual for.

Gravidade é uma assustadora forma de fazer pensar em assuntos que certamente não nos ocorrem no dia-a-dia, nem mesmo ao olhar para o céu. As reflexões são muitas, à medida que o medo toma também conta de nós. Ainda assim, Alfonso e Jonás Cuarón poderiam tê-las tornado mais profundas e espirituais, havia muita margem para tal.

Todavia, a componente visual de Gravidade faz esquecer quaisquer que possam ser as fraquezas do argumento. O realizador proporciona-nos planos fabulosos, flutuantes, que acompanham os movimentos das personagens e, por vezes, nos põem na sua pele. Ao mesmo tempo, há muitas sequências de tirar o fôlego, como o plano-sequência fantástico que já é dado a conhecer num trailer do filme. Cuarón consegue fazer a plateia sentir tonturas - no bom sentido - ao entrar nesta expedição. Por seu lado, a direcção de fotografia de Emmanuel Lubezki faz um trabalho excelente e minucioso, com todos os perigos que acarreta iluminar um filme passado no espaço e filmado em estúdio. A banda sonora vem trazer som ao espaço, e as composições de Steven Price adensam as emoções já tão à flor da pele.