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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Crítica: Pieces of a Woman (2020)

*7/10*

Pieces of a Woman, de Kornél Mundruczó, é um retrato de uma família em ruínas, após a perda de um bebé. O argumento, de Kata Wéber - companheira de Mundruczó -, baseia-se na sua própria experiência e na forma como a marcou.

"Martha (Vanessa Kirby) e Sean (Shia LaBeouf) são um casal de Boston cujas vidas mudam para sempre quando um parto caseiro resulta em tragédia. Martha tem de lidar com o pesar ao longo de um ano, enquanto tenta gerir as relações turbulentas com o marido, com a mãe dominadora (Ellen Burstyn) e com a parteira vilipendiada em público (Molly Parker), que terá de enfrentar em tribunal."


O corpo e os sentimentos da Mulher são o grande foco deste filme com selo Netflix. Uma mulher, desfeita física e emocionalmente, tenta, a cada dia, aprender a fazer o luto e continuar a viver. E como acontece a todas as mulheres, todos lhe apontam culpas, indicam qual o caminho a seguir, como deve agir, sempre sob atentos olhares de pena. Ainda grávida, o corpo de Martha era tocado e alvo de curiosidade; durante o parto, é exposta à violência que o momento em si implica; depois da tragédia, o mundo desaba e ela está só. Adensa-se a má relação com a família e surge, como por acaso, alguma alegria na sua predilecção por maçãs. O tom da longa-metragem de Kornél Mundruczó é triste e desencantado, apela à introspecção e reflexão.

São os primeiros 30 minutos - antes até do título surgir no ecrã - que fazem valer a visualização de Pieces of a Woman. São momentos de uma intensidade e execução acima da média, em que a câmara de Mundruczó nos faz circular pela casa de Martha Sean em plano sequência, acompanhando cada momento, desde as primeiras contrações, criando uma tensão tão realista e dolorosa capaz de entorpecer o espectador. Depois do início avassalador, nada terá o mesmo impacto. Segue-se o drama familiar, muitas vezes previsível, e a luta judicial.


A perda de um filho levou à destruição de um casal, quer como família, quer como indivíduos. Nesse aspecto, os protagonistas fazem um excelente trabalho. Shia LaBeouf é o companheiro dedicado que se afunda em vícios após a tragédia. Mas realmente extraordinária é Vanessa Kirby. A actriz transfigura-se de forma especialmente realista durante o parto, entre dores, fraqueza e desespero, bem como nos meses seguintes, deprimida, magoada, desamparada, capaz contudo de fazer valer a sua palavra e a sua vontade. No meio de tanto sofrimento, a vida de Martha ressurge quando as sementes de maçã começam a germinar.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Animais Cinéfilos #2

Este Animais Cinéfilos é muito especial, tanto pelo filme que escolhi, como pela causa que apoia directamente. Está a decorrer uma campanha de crowdfunding para ajudar uma associação que eu apoio, a Focinhos & Bigodes - Associação Zoófila para Proteção de Animais Abandonados e Ambiente, a fazer obras nas suas instalações. Aqui fica um apelo para que, todos os que puderem, os ajudem

O filme que escolhi para hoje é húngaro e tem tudo a ver com esta associação. Chama-se Deus Branco (White God), é realizado por Kornél Mundruczó e aqui os cães são os grande protagonistas e são muitos mais do que os humanos.


Lili, de 13 anos, faz tudo pelo seu cão, Hagen. Mas, na realidade onde vive, os cães, habitualmente tidos como os melhores amigos do Homem, parecem estar a revoltar-se contra os que tanto mal lhes têm feito. O Humano parece querer segregá-los entre cães de raça e rafeiros e, de repente, os cães abandonados multiplicam-se.

Curiosamente, Luke Body que interpretaram Hagen, conquistaram a Palma de Ouro Canina (Palm Dog) no Festival de Cannes, em 2014.

Ora, Deus Branco traz-nos uma enorme matilha que passa a reinar nas ruas da cidade de Budapeste. E todos a temem. Trata-se de um conto premonitório sobre as relações entre uma espécie superior e o seu inferior caído em desgraça. Banido e traído, "o melhor amigo do homem" revolta-se contra o seu antigo mestre.

Revoltemo-nos nós também contra o abandono de animais!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Sugestão da Semana #170

Dos filmes que estrearam na passada Quinta-feira em Portugal, a Sugestão da Semana destaca Deus Branco, de Kornél Mundruczó.

DEUS BRANCO


Ficha Técnica:
Título Original: Fehér isten
Realizador: Kornél Mundruczó
Actores: Zsófia Psotta, Sándor Zsótér, Lili Horváth
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 121 minutos

terça-feira, 19 de maio de 2015

Sessão especial de Deus Branco leva donos e cães aos cinema

A primeira sessão solidária de cinema para cães e donos acontece já no dia 26 de Maio, pelas 21h00, na LX Factory, em Lisboa, com o filme Deus Branco, de Kornél Mundruczó. A SOS Animal, a Animais de Rua, a Change for Animals Foundation, a LX Factory e a Alambique juntam-se para esta iniciativa.


Deus Branco tem estreia marcada nos cinemas a 28 de Maio e foi apresentado no Festival de Cannes onde venceu a Dog Palm. Trata-se de um conto premonitório sobre as relações entre uma espécie superior e o seu inferior caído em desgraça. O filme acompanha Lili, de 13 anos, e o seu cão Hagen, em Budapeste, após uma medida aparentemente inofensiva com vista a disciplinar a criação de cães. Favorecendo os cães com pedigree, as novas regras vão impor, pouco a pouco, multas às raças mistas e dar origem a uma série de acontecimentos extraordinários. Rapidamente, os donos começam a abandonar os seus rafeiros e os canis ficam sobrelotados. Lili luta para salvar o Hagen.

Realizado sem efeitos especiais, Deus Branco contou com a participação de 274 cães de canis húngaros que beneficiaram de um verdadeiro trabalho de treino para as filmagens. Para o realizador, “trabalhar com cães foi uma experiência terapêutica. Foi um processo de rodagem onde tivemos de ser nós a ajustar-nos a eles e não ao contrário. É um exemplo notável da cooperação singular possível entre duas espécies.” Depois do fim da rodagem, um programa especial de adopção permitiu encontrar novos lares para todos os cães.

Para esta sessão especial em Lisboa, a venda de bilhetes será feita no próprio dia, no local de exibição, a partir das 20h00, e terá um custo de 5 euros. Cada bilhete permitirá a entrada de um cão, desde que o animal seja sociável (com pessoas e outros cães), que não tenha fobias ao escuro e a barulhos, e cujo tutor assegure que estará tranquilo na sala durante toda a exibição do filme (cerca de 2 horas). Serão disponibilizados 50 bilhetes especiais (10 euros), que darão direito ao cartaz do filme.

As receitas da bilheteira revertem inteiramente para a SOS Animal, para a Animais de Rua e para a Change for Animals Foundation.

Mais informações sobre o filme em http://alambique.pt/filme/deus-branco.