"I believe there is a another world waiting for us, Sixsmith. A better world. And I'll be waiting for you there. "
Robert Frobisher
*6.5/10*
Os realizadores da trilogia Matrix,
Andy e Lana Wachowski, aliaram-se a Tom Tykwer e prometiam
vir revolucionar o cinema deste ano. Cloud Atlas, que liga
personagens do passado, presente e futuro, revelou-se, afinal, um filme pouco
mais do que razoável, com um elenco de luxo, sim, mas sem nada que o torne
especial ou o faça destacar-se.
Um emaranhado de histórias pouco
criativas, de onde pouco se extrai, Cloud Atlas ambicionou ser
muito mais do que o que conseguiria alcançar. Dos seis casos que nos são
expostos, destacam-se pela positiva dois ou três; visualmente, há bons
momentos, mas como um todo, os irmãos Wachowski e Tykwer não
conseguem impressionar e, muito menos, demarcar-se do que já foi feito.
Tendo por base o livro de David
Mitchell, em Cloud Atlas as personagens conhecem-se e voltam
a reunir-se de uma vida para a próxima. Nascem e renascem. Acções e escolhas
individuais têm consequências e impacto entre si quer no passado, presente ou
futuro. Uma alma é moldada, de assassino a herói, e um simples acto de bondade
tem repercussões ao longo de séculos, tornando-se na inspiração de uma
revolução.
As boas intenções dos
realizadores parecem estar espelhadas na sinopse. Elas existem, mas faltou
maior dedicação para atingir o patamar a que se propuseram. As próprias
personagens surgem quase como épicas, mas no desenrolar do filme percebemos que
não têm muito conteúdo.
Cada actor divide-se por uma
multiplicidade de personagens, que vivem em tempos distantes. Todos eles têm
alguma relação com os restantes, as acções de uns têm repercussões na vida e no
mundo dos outros. Certo é que a continuidade de história para história está
extremamente bem conseguida e o trabalho de montagem merece elogios. No que
toca ao argumento, Cloud Atlas peca pelo vazio da mensagem que
pretende transmitir. Das seis histórias, apenas metade se destaca por algum
motivo, ou acrescentam algo ao todo.

É a história do compositor
interpretado por Ben Whishaw que conquista a atenção e demonstra maior
originalidade e qualidade. É ela a chave do filme, através da Cloud Atlas
Sextet, que funciona como uma metáfora de toda a longa-metragem com as suas
seis narrativas. É nestas cenas que o espectador consegue sentir-se envolvido
no que vê, criando laços com o seu protagonista, que pode ser visto como o
verdadeiro criador de Cloud Atlas. De destacar, também é a
narrativa futurista, onde o amor e os direitos humanos estão em jogo. Por
último, protagonizado por Jim Broadbent, o caso do editor livreiro que
se vê internado num lar de idosos proporciona talvez dos momentos mais
divertidos da longa-metragem.
Cloud Atlas ganha
muito na excelente caracterização das personagens, tornando os actores por
vezes irreconhecíveis. A nível visual, a direcção de fotografia faz um bom
trabalho, a par da realização, e os efeitos especiais estão bem conseguidos.
O elenco é outro ponto de
interesse do filme. Tom Hanks lidera as interpretações, na pele de uma
grande diversidade de personagens, desde um pastor protector da família, a um
escritor endiabrado, ou um médico ganancioso, por exemplo. Ben Whishaw
prova mais uma vez o seu talento, com uma discreta mas importante participação,
na pele de Robert Frobisher, personagem com pequenos pormenores que a
tornam cativante e essencial. O veterano Jim Broadbent oferece-nos
agradáveis interpretações em todas as personagens que encarna, em especial duas
delas: o compositor Vyvyan Ayrs e o editor Timothy Cavendish.
Outros nomes a realçar no elenco são Jim Sturgess, Hugo Weaving, Halle
Berry ou Doona Bae.
Cloud Atlas assemelha-se
a um sonho, confuso, com muitas personagens e histórias cruzadas, mas está
longe de ser um filme inesquecível. Andy e Lana Wachowski e Tom
Tykwer queriam chegar às nuvens mas pouco fizeram por levantar os pés do
chão.