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terça-feira, 25 de maio de 2021

Crítica: Aqueles Que Me Desejam a Morte / Those Who Wish Me Dead (2021)

"Talk to me and I'm gonna help you. Alright?"

Hannah

*4.5/10*

Aqueles Que Me Desejam a Morte, de Taylor Sheridan, leva-nos às vastas florestas do Montana e aos grupos de combate a incêndios, para uma história de crime e perseguição.

"Um adolescente testemunha de um homicídio e a especialista em fogos florestais que o tenta proteger são perseguidos por assassinos nas zonas remotas do Montana enquanto um incêndio ameaça consumi-los a todos."


A acção desenrola-se em volta de dois pontos fundamentais: por um lado, o terror de Connor (Finn Little), uma criança que acaba de ficar órfã e desconfia de todos com quem se cruza; por outro, os fantasmas de Hannah (Angelina Jolie), uma mulher traumatizada por um acidente enquanto combatia um fogo, e que a têm impedido de regressar ao terreno. Os dois terão de aliar-se, enquanto tentam escapar de dois assassinos que os perseguem e de um incêndio que não dá tréguas.

Aqueles Que Me Desejam a Morte é um filme dinâmico e repleto de acção - e bastante violência -, mas a sucessão dos acontecimentos torna-se pouco realista (os assassinos caem, por vezes, no ridículo) e a fuga de Connor e Hannah só se torna realmente emocionante quando o fogo se revela o verdadeiro perigo. 

Taylor Sheridan não nos revela as motivações dos assassinos, nem os segredos que Connor guarda consigo. Se, por um lado, tal poderia contribuir para o adensar do suspense da longa-metragem, por outro, torna todos os acontecimentos quase irrelevantes. Ao mesmo tempo, é uma pena o pouco foco da narrativa no trabalho dos bombeiros e dos outros operacionais no combate aos incêndios (Só Para Bravos, de Joseph Kosinski, faz isso com distinção).

Aqueles Que Me Desejam a Morte entretém e vale pelas cenas nocturnas, mas, infelizmente, não se leva muito a sério.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Sugestão da Semana #286

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Wind River, de Taylor Sheridan.

WIND RIVER


Ficha Técnica:
Título Original: Wind River
Realizador: Taylor Sheridan
Actores: Elizabeth Olsen, Jeremy Renner, Julia Jones, Kelsey Asbill
Género: Acção, Crime, Mistério
Classificação: M/16
Duração: 107 minutos

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Crítica: Hell or High Water - Custe o Que Custar (2016)

"I've been poor my whole life, like a disease passing from generation to generation. But not my boys, not anymore." 
Toby Howard
*8/10*

O Texas desolado e perdido no tempo, nos valores, na pobreza e desespero é mais uma vez cinematograficamente representado agora por David Mackenzie, em Hell or High Water - Custe o Que Custar.

Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) são dois irmãos do Texas que se reencontram após uma separação de vários anos. Toby é um pai divorciado e Tanner esteve preso. Agora juntam-se para assaltar agências do banco que ameaça executar a hipoteca sobre as terras da família. Para eles, os assaltos fazem apenas parte de um esquema desesperado para recuperarem um futuro que parecia perdido. O plano fica em risco quando atraem a atenção de Marcus (Jeff Bridges), um Ranger quase na reforma.


Planos fabulosos, nos cenários quentes e esquecidos do Texas, acompanham o argumento de Taylor Sheridan, mais profundo do que aparenta. Um western dos tempos modernos, com um drama familiar como mote, e banda sonora a condizer.

Um filme cruel e realista, que coloca os nossos valores num dilema, entre a justiça da lei e a injustiça dos bancos, entre a polícia a cumprir o seu dever e os assaltantes a lutar pelo que é da sua família. O conservadorismo de Marcus em conflito com o desespero de Toby e Tanner, numa espécie de "olho por olho". O título, em português Custe o Que Custar, é válido para os dois lados da barricada - tudo pela justiça.


No elenco, Chris Pine destaca-se, talvez com a melhor interpretação da sua carreira. Sóbrio, duro e magoado, ele é capaz de lutar como nunca pensou, para oferecer o melhor aos seus filhos. Ben Foster, por sua vez, é o irmão mais velho, destemido, impulsivo e sem nada a perder. Do lado da lei, Jeff Bridges é ele mesmo, um homem que vive para o trabalho, dedicado e persistente.

Hell or High Water - Custe o Que Custar é uma obra consistente de David Mackenzie, que supera as expectativas. Um retrato cru dos tempos que correm, onde também o elenco em muito contribui para o sucesso do produto final.