"I like solving problems, Commander. And Enigma is the most difficult problem in the world."
Alan Turing
*6/10*
Entre a genialidade dos Homens, a complexidade das máquinas e a homossexualidade na sociedade, O Jogo da Imitação perde-se em várias temáticas, fazendo com que nenhuma seja verdadeiramente valorizada. O ritmo lento dos acontecimentos e os clichés são contrabalançados pela época histórica (a Segunda Guerra Mundial) e pela árdua luta travada para descobrir o código da Enigma alemã.
O matemático Alan Turing, encarnado por Benedict Cumberbatch, é o protagonista deste drama biográfico. Um momento fundamental e pouco conhecido da História merecia menos monotonia e divagação, com o público a pedir, desde o início, o rumo entusiástico que os acontecimentos tomam após a primeira hora de filme.
Na liderança de um grupo de académicos, linguistas, campeões de xadrez e analistas, Alan Turing trabalha incansavelmente para quebrar o até aí indecifrável código da Enigma, a máquina utilizada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. O Jogo da Imitação pretende retratar este homem que, sob extrema pressão, ajudou a encurtar a guerra e, consequentemente, salvou milhares de vidas.
Morten Tyldum não traz um trabalho que se distinga especialmente. Nada de novo nem de cativante na realização, que chega mesmo a ser monótona.
O Jogo da Imitação prima, contudo, pelo interesse histórico que desperta e pela história que conta, mas não o faz da forma mais eficaz para a plateia, com um trabalho de montagem confuso e cansativo. Tecnicamente, apenas a banda sonora assenta na perfeição, dramática e com o toque especial de
Alexandre Desplat.
No argumento, encontramos alguns bons diálogos, apesar da falta de foco que se sente ao longo de todo o filme, saltando entre a vontade de vencer a guerra e a vida privada de
Turing. Nas personagens, conhecemos um
Turing frágil e casmurro, mas extremamente inteligente, em três fases da sua vida: na adolescência, durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos do pós-guerra.
Cumberbatch encarna de forma competente a fragilidade e o medo de que descubram o seu segredo, mas o actor é capaz de muito mais.
Keira Knightley, por seu lado, é
Joan Clarke, provavelmente a mais interessante personagem de
O Jogo da Imitação: a mulher entre os homens, tão inteligente ou mais que eles, a mulher emancipada e decidida. Não que a actriz lhe dê toda a vivacidade que ela pede, mas será ao percurso de
Joan no filme que daremos maior atenção. Ainda em destaque, encontramos
Mark Strong com um desempenho sóbrio na pele do rigoroso e misterioso
Stewart Menzies.
Era facilmente evitável o desfilar de clichés para contar uma história tão forte, com personalidades tão marcantes para a História do século XX, como o homem que criou o primeiro computador. Morten Tyldum deu um tiro ao lado do que podia ter sido um bom filme e ficou-se apenas pelo medianamente interessante. Alan Turing e Joan Clarke mereciam muito mais.