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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Crítica: A Rapariga da Agulha / Pigen med nålen / The Girl with the Needle (2024)

"I have a new life. Please forgive me."
Karoline


*7/10*

Ao contrário do que muitos dizem, A Rapariga da Agulha não é um filme de terror. Poderá, contudo, perturbar os mais sensíveis, por se inspirar em factos reais. Magnus Von Horn constrói um filme envolto num ambiente pesado e obscuro, onde a esperança está longe de ser alcançável. 

A longa-metragem dinamarquesa, "acompanha Karoline, uma jovem grávida e abandonada, que procura sobreviver no pós-Primeira Guerra Mundial, em Copenhaga. Um dia conhece uma mulher que gere uma agência de adopção clandestina, de quem se aproxima, até ao momento em que uma descoberta inesperada muda tudo".


Numa sociedade cruel e desolada pela guerra, Karoline (Vic Carmen Sonne) não tem notícias do marido soldado há um ano e vive em grandes dificuldades. É a protagonista que dá nome ao filme, e logo ao início vêmo-la a fazer tricô e a trabalhar numa fábrica de confecção, onde manuseia máquinas de costura - e são muitas as agulhas que se partem. Entretanto, grávida e abandonada, desespera, até que o marido aparece-lhe, sem explicações e mutilado. Chocada e sem esperança, a protagonista toma decisões precipitadas e confia em Dagmar (aterradora interpretação de Trine Dyrholm), a mulher da loja de doces, que gere, em segredo, uma agência de adopções - a fachada perfeita para o paradoxal negócio que tem dentro de casa. 


A Rapariga da Agulha faz várias vítimas ao longo do decorrer da trama, para além das mais óbvias e indefesas. O marido de KarolinePeter (interpretado por Besir Zeciri), é uma das principais, um ferido de guerra que demonstra, a certo ponto, ser a encarnação da bondade (que escasseia na longa-metragem), num rosto desfeito, escondido atrás de uma máscara. É ele a nova atracção do circo das aberrações local e é assim que vai ganhando a vida que tenta reconstruir - nunca deixando de amar e acolher a mulher quando esta regressa. E é também Karoline, apesar de alguns actos impensados, uma das maiores vítimas da história: desde a dor da ausência à da separação, às dúvidas que a assolam, aos sacrifícios por que passa, quase sempre solitária, com a vida devastada.


Ao mesmo tempo que arrisca, o realizador coloca igualmente nesta obra algumas referências cinematográficas notórias, como a Sortie de l'usine Lumière à Lyon (1895), de Auguste e Louis Lumière, e outras tantas que se descortinam no marcado visual sombrio de A Rapariga da Agulha. A preto e branco, a direcção de fotografia faz um trabalho fabuloso, captando o ambiente e potenciando os momentos de maior suspense, muitas vezes, verdadeiramente assombrosos, em jogos de sombras e luz que mostram as diversas faces do ser humano. 

O tom pesado e o desenlace abominável, inspirado em acontecimentos reais, que encontram semelhanças em alguns casos pelo mundo, incluindo um em Portugal (Luiza de Jesus, no século XVIII - para evitar spoilers, pesquisem só depois de ver o filme), faz com que A Rapariga da Agulha não seja um filme consensual. Magnus Von Horn desafia os limites do drama, criando um incómodo latente na plateia.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Sugestão da Semana #653

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Rapariga da Agulha, de Magnus von Horn, um dos nomeados para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A RAPARIGA DA AGULHA


Ficha Técnica:
Título Original: Pigen med nålen / The Girl with the Needle
Realizador: Magnus von Horn
Elenco: Vic Carmen Sonne, Trine Dyrholm, Besir Zeciri, Joachim Fjelstrup, Tessa Hoder, Ava Knox Martin
Género: Drama, Histórico
Classificação: M/14
Duração: 123 minutos

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Estreias da Semana #653

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses cinco novos filmes. A Rapariga da Agulha e Capitão América: Admirável Mundo Novo são duas das estreias.

A Rapariga da Agulha (2024)
Pigen med nålen / The Girl with the Needle
Karoline, uma jovem operária fabril, vê-se abandonada e grávida enquanto tenta sair da pobreza na Copenhaga do pós-Primeira Guerra Mundial. No meio das dificuldades, conhece Dagmar, uma mulher carismática que gere uma agência de adopção escondida numa loja de doces, ajudando mães pobres a encontrar lares adoptivos para os seus filhos indesejados.

Bridget Jones: Louca Por Ele (2025)
Bridget Jones: Mad About the Boy
Viúva após a morte de Mark (Colin Firth) numa missão humanitária no Sudão, Bridget Jones (Renée Zellweger) está sozinha com os filhos Billy, de 9 anos, e Mabel, de 4, que cria com a ajuda de amigos leais e até de um antigo amante, Daniel Cleaver (Hugh Grant). Envolta num limbo emocional, é pressionada a forjar um novo caminho. Volta a trabalhar e experimenta as aplicações de encontros, onde em pouco tempo se vê envolvida com um jovem sonhador e entusiasta. Enquanto gere trabalho, casa e romance, Bridget enfrenta o julgamento das mães perfeitas da escola, preocupa-se com Billy, que sofre com a ausência do pai, e envolve-se numa série de interações embaraçosas com o professor de ciências do filho (Chiwetel Ejiofor).

Capitão América: Admirável Mundo Novo (2025)
Captain America: Brave New World
Após conhecer o recém-eleito presidente dos EUA, Thaddeus Ross, Sam vê-se no meio de um incidente internacional e tem de descobrir quem se esconde por detrás de uma nefasta conspiração global capaz de destruir o mundo.

Uma Família Assustadora (2024)
My Freaky Family
Prestes a completar 13 anos, Betty Flood - uma jovem música e criatura mágica - só quer ser como o resto da sua fabulosa, mas muito diferente, família. À medida que Betty se debate com esta questão, descobre também a incrível verdade sobre a sua família e que o não tão normal, o mágico e o musical fazem todos parte da sua família fabulosamente estranha.

Volveréis - Voltareis (2024)
Volveréis
Depois de 15 anos juntos, Ale, realizadora, e Alex, actor, chegam à conclusão de que a sua relação acabou. Como a decisão é mútua e a amizade entre os dois permanece, e com base numa brincadeira do pai de Ale ("Deve-se festejar quando os casais se separam, não quando começam"), decidem organizar uma "festa de separação" que deixa amigos e familiares perplexos.