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domingo, 23 de outubro de 2022

Sugestão da Semana #531

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Objectos de Luz, de Acácio de Almeida e Marie Carré.

OBJECTOS DE LUZ


Ficha Técnica:
Título Original: Objectos de Luz
Realizadores: Acácio de Almeida e Marie Carré
Elenco: Isabel Ruth, Luís Miguel Cintra, Acácio de Almeida, Samuel Costa, Manuel Mozos
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 67 minutos

sábado, 20 de agosto de 2022

Doclisboa 2022: Lucrecia Martel a abrir, Acácio de Almeida e Marie Carré a fechar

O 20.º Doclisboa vai abrir com  Terminal Norte, de Lucrecia Martel, e encerra com Objectos de Luz, de Acácio de Almeida e Marie Carré.

Para assinalar os 20 anos do festival, as sessões de abertura e encerramento vão realizar-se em simultâneo nas cidades de Lisboa (abertura no Cinema São Jorge e encerramento na Culturgest) e Porto (Cinema Trindade).

O Doclisboa 2022 abre no dia 6 de Outubro com Terminal Norte, de Lucrecia Martel, que regressa ao "cinema documental com uma curta realizada durante a pandemia, onde acompanha a cantora Julieta Laso nos seus vários encontros com um extraordinário grupo de artistas argentinos na região de Salta. Entre copleras - cantoras de música popular -, uma pianista de música clássica, uma rapper de música trap, um dueto feminino, a primeira coplera trans, o reconhecido guitarrista Bubu Rios, entre muitos outros, a câmara de Martel vai registando sessões de improviso e conversas sobre música e identidades, construindo um retrato íntimo destes artistas que, num período em que todas as portas se fecham, aqui encontram um espaço de libertação", refere a organização em comunicado. 

Em Lisboa, a abertura conta ainda com um preâmbulo protagonizado por Lula Pena, que dará início à celebração da 20.ª edição do Doclisboa.

No dia 15 de Outubro, Objectos de Luz, de Acácio de Almeida (na sua estreia na realização) e Marie Carré, é o filme de encerramento do festival, numa "declaração de amor à fotografia e ao cinema". Um dos mais importantes directores de fotografia nacionais, Acácio de Almeida oferece agora "o seu olhar afectivo sobre a luz na sua obra e no cinema, percorrendo este passado de memórias e homenageando as actrizes e actores cujos rostos iluminou, como Isabel Ruth, Beatriz Batarda, Luís Miguel Cintra e José Mário Branco, entre tantos outros".

Mais informações sobre o Doclisboa em https://doclisboa.org/2022/.

domingo, 4 de novembro de 2018

Crítica: Raiva (2018)

*7/10*

É preciso continuar a lembrar o povo do que foi viver em ditadura. Mais ainda, em tempos como os que correm. Sérgio Tréfaut faz a sua parte ao filmar Raiva, baseado na obra Seara do Vento, de Manuel da Fonseca.


Raiva passa-se no Alentejo, em 1950. Nos campos desertos do Sul de Portugal, fustigados pelo vento e pela fome, a violência explode de repente: vários assassinatos a sangue frio têm lugar numa só noite. Porquê? Qual a origem dos crimes? A história relata os acontecimentos que levaram um camponês pobre a assassinar dois homens a sangue frio e afrontar sozinho a guarda e o exército numa luta desigual.

Mais habituado ao género documental, aqui é a ficção que prevalece, mas não muito distante da História real que aconteceu naqueles campos alentejanos em plena ditadura (quer na realidade, nos anos 30, quer no livro, nos anos 50). Tal como o protagonista diz, a certo momento: "nas terras mortas não há pão, os pobres nascem pobres, os ricos nascem ricos, os pobres morrem pobres, os ricos morrem ricos". Eis um bom resumo de Raiva, onde o abuso de poder dos ricos sobressai. O cante alentejano (não esqueçamos que Tréfaut realizou Alentejo, Alentejo em 2014) acompanha as personagens na sua dor.


A preto e branco como os tempos pedem, entre o passado, a pobreza e a fome, Raiva prima pela direcção de fotografia de Acácio de Almeida e pela crueza da realidade que retrata e que ninguém quer que se repita. 

A simplicidade da história que conta, e deambula pelo neo-realismo, não é maior do que tudo o que simboliza. Um enredo intenso, de que conhecemos primeiro o fim, e depois todos os acontecimentos que levaram àquele desfecho. Esta opção faz com que Raiva perca cedo o fôlego inicial, sem deixar de ser profundo.


No elenco, muitos nomes experientes, de onde destaco a sempre fabulosa Isabel Ruth num papel à sua imagem, uma mulher destemida e forte, e um protagonista não-actor. Hugo Bentes é natural de Serpa e faz parte de grupos de cante alentejano, tendo sido um dos visados no documentário de Sérgio Tréfaut, onde também deu a cara ao cartaz do filme. No caso de Raiva, Bentes revela-se a escolha perfeita, com a alma de um homem da terra e uma grande presença. Das lides do teatro, surge a talentosa Rita Cabaço com um papel pequeno mas relevante, de uma jovem corajosa e emancipada, muito à frente no seu tempo, contra e o abuso de poder constante.

Eis um bom western à portuguesa.