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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os Melhores do Ano: Top 20 [20º-11º] #2014

Muitos foram os filmes que estrearam nas salas nacionais ao longo de 2014. Apesar de ter sido um ano em que, no geral, saí um tanto desiludida, já que não foram muitos os filmes que me conquistaram inequivocamente, foram ainda alguns os títulos que dificilmente esquecerei.

Em jeito de balanço, o Hoje Vi(vi) um Filme apresenta o seu top 20 (sempre tendo em conta a estreias no circuito comercial de cinema português) do que de melhor se fez no cinema.

Aqui ficam os meus eleitos, do 20º ao 11º lugares.


20. Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel), de Wes Anderson, 2014
Um argumento original e consistente comandado pelo camaleónico Ralph Fiennes numa grande prestação. Muito humor e cor, resultam num divertido e bem construído filme de Wes Anderson.



19. Em Parte Incerta (Gone Girl), de David Fincher, 2014
Aqui, nada é o que parece. Ninguém é inocente e tudo (sobre)vive de aparências que enganam. David Fincher sabe como construir um bom thriller e manter o espectador em suspense até ao fim e, apesar deste estar longe dos seus melhores trabalhos, o ambiente é assustadoramente sufocante, a trama desenvolve-se em crescendo e as personagens são tudo menos queridas da plateia.



"O que são os espaços sem as pessoas que lhes pertencem?", questiona André Gil Mata, a certo momento. A resposta pode estar neste documentário, que marca qualquer um que o assista. No fundo, cada um tem o seu Cativeiro.



A Emigrante surge simples e em crescendo, culminando num trabalho profundamente estético e emocional, tão ao jeito de James Gray. O amor e o ódio estão a um passo de distância e a esperança pode surgir ou desaparecer quando menos se espera.



Com um tom muito mais comercial e uma produção muito superior a qualquer dos seus antecessores, 12 Anos Escravo conserva, no entanto, as fortes marcas de autor de McQueen, a começar pela temática forte, abordada sem pudor, aos planos longos e reflexivos. Certo é que o realizador bate-nos e nós gostamos, e queremos sempre mais filmes assim.



15. Ruína Azul (Blue Ruin), de Jeremy Saulnier, 2013
Uma história de família e vingança é o que Ruína Azul propõe. Seguimos o ingénuo mas decidido Dwight na jornada para proteger e vingar os seus, porque, aqui, ninguém é inocente.



14. Como Treinares o Teu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2), de Dean DeBlois, 2014
A animação mais marcante deste ano cinematográfico não podia faltar neste top: a sequela de Como Treinares o Teu Dragão conseguiu atingir o nível do primeiro filme. Os personagens cresceram, mas mantêm a ternura e o amor que transmitem ao público e, desta vez, a família entra no centro da questão.



13. Joe, de David Gordon Green, 2013
Esta América perdida e suja conquista-nos, quer na simplicidade e realismo do argumento, quer pelas cores e pelas suas personagens pecadoras. Gordon Green traz-nos um filme duro, com dois grandes actores ao comando: o veterano Nicolas Cage - de regresso aos grandes papéis - e a jovem promessa Tye Sheridan (Árvore da Vida e Fuga).



Sexo, drogas e dinheiro são a chave da história verídica que aqui nos contam. Uma comédia que desconstrói um submundo cheio de loucura, festa e burlesco, que caminha de braço dado com grandes fraudes financeiras. Vamos rir-nos muito, mas vamos igualmente arrepender-nos de o fazer ao perceber a dimensão do drama e do "caso de polícia" que temos pela frente. Vamos condená-lo, mas vamos também ter vergonha de gostar tanto de O Lobo de Wall Street.



11. Mamã (Mommy), de Xavier Dolan, 2014
Um filme de sentimentos à flor da pele, de relações fortes e difíceis, com três interpretações poderosas. Três protagonistas perturbados, cada um pelo seu motivo, seja a doença, o trágico passado recente ou a pura irresponsabilidade. As fabulosas marcas de Dolan abundam em todos os aspectos do filme - com a temática da maternidade uma vez mais bem presente -, proporcionando-nos excelentes momentos visuais. Apesar de esperar que as relações humanas aqui representadas fossem um pouco mais profundas, Mamã não deixou de ser um dos melhores filmes que vi este ano.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sugestão da Semana #122

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana fala português. Realizado por André Gil Mata, Cativeiro é um retrato íntimo e tocante da rotina e da velhice, que já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme e pode ser lida aqui.

CATIVEIRO


Ficha Técnica:
Título Original: Cativeiro
Realizador: André Gil Mata
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 64 minutos

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Estreias da Semana #122

Em mais uma Quinta-feira de estreias, são sete os filmes que chegam às salas de cinema portuguesas.

1960 (2013)
Através da arquitectura e a partir do Diário de Bordo de Fernando Távora, 1960 revisita a viagem do arquitecto no ano que dá título ao documentário.

Cativeiro (2012)
A primeira longa-metragem de André Gil Mata debruça-se sobre a sua avó, o seu quotidiano, num retrato duro da rotina e da velhice, do passar do tempo, mais ou menos, consciente.

Locke (2013)
Ivan Locke (Tom Hardy) trabalhou arduamente para conseguir a vida que ambicionava, dedicando-se ao trabalho e à família. Na véspera do maior desafio da sua carreira, Ivan recebe um telefonema que desencadeia uma série de eventos que irão pôr em causa a sua família, o trabalho e a sua alma. Com toda a acção a decorrer ao longo de uma viagem de carro, Locke demonstra como uma decisão pode levar ao completo colapso de uma vida.

Minha Alma Por Ti Liberta (2013)
Mon âme par toi guérie
A mãe de Fredi morreu. Ela transmitiu-lhe um dom. Ele não quer falar sobre isso mas é obrigado a reconhecer que as suas mãos têm poderes curativos. Ele questiona-se. De onde surgiu este dom? Não interessa, ele aceita-o.

Para Além das Montanhas (2011)
Yama No Anata
Submerjo nas paisagens do Mondego para onde vim morar com os meus pais em criança, deixando para trás Tóquio, a cidade onde nasci. Através da leitura de cartas que troquei com os amigos e a família que permaneceram no país, reflicto sobre a nossa vinda para Portugal e relembro o passado na tentativa de reter a memória efémera, numa viagem com os espíritos que permanecem comigo.

Por Falar de Amor (2013)
Words and Pictures
O professor de inglês Jack Marcus (Clive Owen) lamenta a obsessão dos seus alunos pelas redes sociais e pelas notas, em vez de se interessarem a sério pela literatura. Escritor com apenas uma obra editada, Jack não voltou a publicar nenhum  trabalho, ocupando o tempo livre entre a erudição e a bebida. Marcus encontra o seu desafio em Dina Delsanto (Juliette Binoche), a nova professora da escola, uma pintora, reconhecida pelos seus quadros. Com a possibilidade de perder o emprego, Jack inventa um plano para galvanizar o interesse dos alunos nos estudos: declara uma guerra entre palavras e imagens, confiante de que as primeiras podem transmitir um significado maior do que as últimas. Dina e os seus alunos de artes decidem aceitar o desafio de Jack e dos seus alunos de inglês, e as linhas da batalha são traçadas…

Transformers: A Era da Extinção (2014)
Transformers: Age of Extinction
Após uma batalha que deixou uma grande cidade devastada e enquanto a humanidade recupera, um grupo obscuro revela-se numa tentativa de tomar o controlo da história. Mas uma antiga e poderosa ameaça coloca a Terra na sua mira. Com a ajuda de um novo elenco de humanos, Optimus Prime e os Autobots erguem-se para enfrentar o seu mais terrível desafio.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Cativeiro / Captivity (2012)

*8.5/10*

Cativeiro, de André Gil Mata, já tinha passado pelo DocLisboa em 2012, e repete agora o feito na presente edição, após ganhar o Prémio Doc Alliance 2013, em Cannes. A primeira longa-metragem do realizador debruça-se sobre a sua avó, o seu quotidiano, num retrato duro da rotina e da velhice, do passar do tempo, mais ou menos, consciente.

A casa da avó de Gil Mata, dona Alzira, serve de palco a este Cativeiro de tempo e espaço, a esta rotina que nos amedronta, tal como ao realizador. É ele que narra o documentário, de marcado tom pessoal, inevitavelmente, mas que nos consegue dizer quase tanto como ao seu autor. 

Filmado em 16mm e em vídeo - este predomina, mas o primeiro revela-se igualmente essencial, adensando a sensação de nostalgia e pertença ao local-, André Gil Mata partilha connosco medos, intimidade e indecisões. Dona Alzira é o centro do filme, mas no seu Cativeiro surgem outras personagens como Irene Julieta, que ajudam cuidam dela, e, ao mesmo tempo, sentimos a presença do realizador, o seu neto. "São as coisas do André", diz, a certa altura, uma das companhias da protagonista.

A acompanhar as imagens da casa e da avó, do seu gato que por lá passeia, ouvimos os desabafos do realizador, as suas preocupações, os seus objectivos, numa espécie de diário de filmagens. Desde a vontade de filmar o amanhecer na cozinha, à sua concretização, ao receio de não conseguir ali passar os 15 dias a que se propôs gravar junto da avó, Gil Mata tem-nos como seus confidentes.


E, tal como para ele é difícil encarar a realidade que filma, também para nós é duro assistir àquela rotina, às dificuldades de Alzira, à solidão, ao repetir do toque do sino da Igreja... No fundo, é duro assistir ao tempo a passar. Também nós, tal como o realizador, percebemos, a certo momento, como "o passado existe, realmente" e como não temos "noção desse futuro" que o passar do tempo faz chegar.

Cativeiro está repleto de planos, normalmente estáticos, que nos envolvem, nos entristecem e comovem, que nos fazem recordar locais ou pessoas. Perto do fim, Gil Mata percorre a casa da sua avó filmando o tecto, num plano-sequência inesquecível.

"O que são os espaços sem as pessoas que lhes pertencem?", questiona o realizador. A resposta pode estar neste documentário, que marca qualquer um que o assista. No fundo, cada um tem o seu Cativeiro.

Cativeiro passa no DocLisboa'13 no próximo Sábado, dia 2 de Novembro, às 16:45, na sala 3 do Cinema São Jorge.