domingo, 24 de abril de 2022
Sugestão da Semana #504
sexta-feira, 22 de abril de 2022
Crítica: O Homem do Norte / The Northman (2022)
"I will avenge you, Father. I will save you, Mother. I will kill you, Fjölnir."
Amleth
*8/10*
Robert Eggers regressa com o visceral O Homem do Norte (The Northman), onde lendas e espíritos se juntam numa acção comandada pelo desejo de vingança. Semelhanças com Hamlet, de William Shakespeare, não são coincidência, já que ambos se inspiram no lendário herói nórdico, Amleth. Contudo, Eggers, em coautoria com o escritor islandês Sjón, cria a sua própria visão dos mitos e lendas escandinavos, inserindo-os no universo sujo e sombrio que caracteriza os seus filmes.
"Durante a viragem do século X, na Islândia, o jovem príncipe Amleth está à beira de se tornar um homem quando o pai é brutalmente assassinado pelo tio, que rapta a mãe do rapaz. Fugindo do seu reino insular por barco, jura vingança. Duas décadas mais tarde, Amleth é um viking berserker que invade aldeias eslavas. Num desses lugares, uma vidente recorda-o do seu voto: vingar o pai, salvar a mãe, matar o tio. Viajando num navio de escravos para a Islândia, Amleth infiltra-se na quinta do seu tio com a ajuda de Olga, uma mulher eslava."
Ainda que a história que inspira o filme de Eggers já seja conhecida, o desenlace não é óbvio nem desilude. A vingança e o desejo de justiça são motivação para cada acto de Amleth, onde a acção é contrabalançada com suspense e misticismo - tudo bem ao estilo do realizador (basta lembrar O Farol e A Bruxa) - e muita violência.
O Homem do Norte é exímio na recriação do ambiente inóspito e brutal da época, das batalhas sangrentas, das perigosas viagens de barco nos mares do norte, do trabalho escravo ou da leviandade com que os poderosos tratam os seus subordinados.
No protagonista, Amleth, são trabalhados muitos sentimentos e emoções: da criança que admira o pai e quer estar à altura das suas expectativas, ao trauma que alimenta o desejo de vingança e o obriga a partir para terras desconhecidas; ou do adulto selvagem e implacável, que recupera o seu lado racional e retoma o desejo de fazer justiça ao pai e salvar a mãe. Ao fim de 20 anos, Amleth reencontra-se com o passado e tem a oportunidade de experimentar muitos sentimentos que deixou de parte - entre eles o amor. Alexander Skarsgard revela-se empenhado e tão capaz quer na componente física do papel - onde adopta uma postura quase animalesca -, como na psicológica, com diferentes nuances emocionais ao longo da longa-metragem.
Mas é tecnicamente que O Homem do Norte realmente se eleva. Nos cenários gelados da Islândia, há que dar todo o mérito ao fabuloso trabalho da direcção de fotografia de Jarin Blaschke (o mesmo dos anteriores filmes de Eggers) que, entre o gelo, a lama e os vulcões fumegantes, consegue captar, através da iluminação das imagens - também diurnas, mas em especial as nocturnas -, os corações gélidos das personagens e o calor do ódio que carregam em si. As sequências de acção são intensas e bem coreografadas, potenciadas mais ainda pela excelente montagem de Louise Ford. A pairar, qual fantasma, a banda sonora de Robin Carolan e Sebastian Gainsborough funde-se com os uivos e gritos de guerra ou de terror.
O Homem do Norte veio alargar o espectro da filmografia de Robert Eggers, reforçando a criatividade e o talento que o realizador tem para entorpecer as audiências e, ao mesmo tempo, prendê-las à visceralidade tanto visual como psicológica da sua obra.
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
Crítica: O Quadrado / The Square (2017)
"The Square is a sanctuary of trust and caring. Within it we all share equal rights and obligations."
As relações humanas são hiperbolizadas até ao limite - haverá limite? - em O Quadrado, de Ruben Östlund, que lhe valeu a Palma de Ouro em Cannes. Provocador e corajoso, o realizador cria um ambiente carregado de humor inteligente e constrangimentos sociais que, cada vez mais, se vivem no dia-a-dia. Caminhamos para este cúmulo.
O Quadrado da perfeição das relações humanas contrasta com as atitudes de todos os que o rodeiam. A arte quer, sem sucesso, ensinar o ser humano a voltar a respeitar o seu semelhante, mas nem a campanha publicitária estrondosa é capaz de ter sucesso nesse campo. Tudo é escândalo, tudo é ameaça, ninguém sabe conversar ou relacionar-se. Mas, cada vez mais, as pessoas gostam de ser assim: pensar pouco e indignar-se muito.
E a arte parece desistir e aumentar o ridículo das relações humanas. Seja pela sua forma, pouco compreendida pelos leigos, seja pela interacção que estabelece com o seu público, que não lhe sabe corresponder. Conversas interrompidas - ou espiadas - por esculturas que mexem, um artista com tiques de primatas num jantar de gala, um encontro romântico com um macaco como colega de casa... Da apatia ou incapacidade de reagir, rapidamente se passa para os extremos, a violência, os instintos a comandar o Homem racional.
O Quadrado ataca preconceitos, coloca o inesperado perante os nossos olhos e espera que reajamos melhor que as personagens. Nós deixamo-nos levar nesta paródia social e rimos dos nossos semelhantes, seja de Christian ou da jornalista Anne.
Ruben Östlund constrói um argumento brilhante e transpõe-no para o grande ecrã com uma ironia genial. O protagonista Claes Bang revela-se à altura com medos e incertezas a sobreporem-se ao politicamente correcto, Elisabeth Moss tem um pequeno papel muito divertido e Terry Notary protagoniza um dos momentos mais fortes do filme, onde o silêncio impera. O Quadrado retrata a sociedade actual e faz-nos pensar no rumo que esta está a tomar. Rir e aprender, nada mau.
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Esta Quinta-feira, dia 4 de Outubro, são muitas as estreias que vão encher as salas de cinema de todo o país. Nove filmes, um pouco para to...
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"I think I've made a terrible mistake." Zhenya *7.5/10* Há quem não nasça para ser pai ou mãe, há filhos que ...







