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sexta-feira, 19 de maio de 2023

'A Promessa', de António de Macedo, chega à Filmin com colaboração da Cinemateca Portuguesa

A Promessa, de António de Macedo, chega em exclusivo à Filmin no dia 23 de Maio, com a colaboração da Cinemateca Portuguesa.

Em 2023, comemoram-se os 50 anos do primeiro filme português na Selecção Oficial do Festival de Cannes: A Promessa, realizado pelo cineasta António de Macedo, um dos fundadores do Cinema Novo português.

Integrado do Plano de Digitalização do Cinema Português (até 2025,a Cinemateca irá digitalizar mais de mil filmes portugueses de longa e curta-metragem), a Cinemateca Portuguesa realizou o processo de digitalização do filme A Promessa, uma obra "que marcou o cinema português pela sua irreverência devido às temáticas abordadas e a forma de apresentação dos corpos no grande ecrã", como refere a Filmin em comunicado. É neste contexto que surge a primeira colaboração da Cinemateca com a Filmin, celebrando a diversidade de formas de partilha deste património com o público.

A Promessa parte da peça de teatro homónima de Bernardo Santareno "e assenta num trabalho de investigação sociológica levado a cabo nas aldeias piscatórias em que decorre a acção, com produção do Centro Português de Cinema"

Os protagonistas são Maria do Mar (Guida Maria) e o seu marido, José (João Mota), jovens recém-casados que vivem numa aldeia de pescadores, Palheiros de Tocha, entre Aveiro e Figueira da Foz. A sua intimidade é perturbada por um voto de castidade que fizeram em consequência de uma tempestade que provocou o naufrágio do barco do pai do José, que conseguiu salvar-se. Ambos vivem em permanente tensão, originada pela presença do Labareda (Sinde Filipe), um cigano recolhido pelo casal, na sequência de uma disputa, em que foi esfaqueado.

"A Promessa ressalta uma dimensão social marcada no realismo documental das imagens da aldeia e dos pescadores e o confronto do cineasta com o tema da alienação religiosa, uma das constantes da obra de Macedo. O filme é o repositório de questões sexuais que constituem o eixo do mesmo, da impotência à necrofilia, passando pela violação. Alvo de grande polémica na recepção em Portugal, foi a primeira obra portuguesa a mostrar dois corpos nus."

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O Hoje Vi(vi) um Filme escreveu sobre A Promessa, aquando da sua exibição do festival MOTELx 2013. A crítica está disponível em: https://hojeviviumfilme.blogspot.com/2013/09/motelx13-promessa-1973.html

domingo, 10 de junho de 2018

Momentos para Recordar #50

Dia de Portugal é dia de Momentos para Recordar em português. O filme escolhido data de 1973 e foi censurado na sua época. A crítica do Hoje Vi(vi) o Filme, escrita em 2013, pode ser lida aqui.

Recordemos, hoje, A Promessa, de António de Macedo.

A Promessa, António de Macedo (1973)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

MOTELx'13: A Promessa (1973)

*9/10*

No último dia do MOTELx'13, teve lugar a segunda e última sessão da secção Quarto Perdido, com a projecção de A Promessa, outro dos Censurados este ano homenageados, adaptado da obra de Bernardo Santareno. Presente esteve parte da equipa por detrás do filme, em 1973, entre eles o realizador António de Macedo e os protagonistas Guida Maria e Sinde Filipe.

Numa aldeia de pescadores, José e Maria, casados há um ano, fizeram uma promessa antes do casamento: não consumariam a sua união, em cumprimento de um voto de castidade. Contudo, os jovens esposos vivem num estado de tensão permanente, alimentada pela presença de Labareda, um cigano ferido e recolhido pelo casal.

A Promessa revelou-se um fabuloso filme do Cinema Novo Português, onde a crítica ao comportamento do clero e à forma de encarar a religião estão no centro da trama. A "afronta" ao regime do Estado Novo prolongava-se na nudez que António de Macedo não teve medo de filmar, enfrentando a censura que a quis proibir, bem como ao conteúdo anticlerical.


Todo o ambiente mistura religião e crença pagã, trazida pelos ciganos enganadores, que vêm destabilizar a aldeia piscatória onde chegam com um irmão - Labareda - ferido. A Promessa proporciona-nos grandes momentos de cinema e crítica social, com destaque para a conversa entre padres - um jovem e outro mais velho -, cujos diálogos nos prendem ao ecrã como poucos conseguem, ou mesmo o poderoso e envolvente final.

Nas interpretações, Guida Maria, então com pouco mais de 20 anos, mostra talento desde cedo, e coragem em mostrar o corpo numa época com mentalidades muito diferentes da actual. Ao mesmo tempo, Sinde Filipe veste bem a pele de um cigano justiceiro.

A Promessa foi seleccionado para a Competição Oficial do Festival de Cannes, em 1973, e revelou-se um sucesso de bilheteira, numa espécie de western à portuguesa passado numa aldeia de pescadores.