Mostrar mensagens com a etiqueta Joel Edgerton. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Joel Edgerton. Mostrar todas as mensagens

domingo, 19 de novembro de 2023

Sugestão da Semana #588

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca O Mestre Jardineiro, de Paul Schrader, protagonizado por Joel Edgerton.

O MESTRE JARDINEIRO


Ficha Técnica:
Título Original: Master Gardener
Realizador: Paul Schrader
Elenco: Joel Edgerton, Sigourney Weaver, Quintessa Swindell, Esai Morales, Eduardo Losan, Rick Cosnett
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 111 minutos

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Crítica: A Lenda do Cavaleiro Verde / The Green Knight (2021)

"I fear I am not meant for greatness."

Gawain


*4.5/10*

Depois de Amor Fora da Lei (2013), A Lenda do Dragão (2016), História de Um Fantasma (2017) e O Cavalheiro com Arma (2018), David Lowery regressa com mais uma faceta cinematográfica, desta vez para adaptar uma história de fantasia medieval, oriunda da corte do Rei Arthur, com A Lenda do Cavaleiro Verde.

Sir Gawain (Dev Patel), o impulsivo e obstinado sobrinho do Rei Arthur, embarca numa ousada viagem para enfrentar o Cavaleiro Verde, um forasteiro gigante de pele esmeralda que testa os adversários até ao limite. Gawain luta contra fantasmas, gigantes, ladrões e conspiradores, numa jornada que lhe definirá o caráter e o valor aos olhos da família e do reino, perante o mais temível dos adversários.

Gawain é-nos apresentado como um rapaz preguiçoso e cobarde que, num impulso imaturo (e uns pozinhos de uma mãe adepta de bruxaria), entra num desafio que terá de ser cumprido. Ao embarcar na jornada até ao seu adversário, um ano depois, o jovem segue convicto de alcançar honra e glória, para que, finalmente, possa singrar no reino. A viagem é marcada por provações e tentações, qual Cristo em plena travessia do deserto, e muita magia negra.

Entre encontros com personagens inesperadas, objectos simbólicos e delírios, David Lowery arrasta-nos ao longo de mais de duas horas de filme sem justificação plausível para tal. Nada se retira de A Lenda do Cavaleiro Verde, sem ser o ligeiro enriquecimento de carácter que Gawain conquista ao longo da jornada. Não aterroriza, não intimida, e não fica connosco para lá da visualização.

Com o argumento tão desperdiçado e inconsistente, consolemo-nos com o grande trabalho da direcção de fotografia de Andrew Droz Palermo, capaz de proporcionar planos marcantes, numa experiência visual acima da média. A acompanhar, a banda sonora de Daniel Hart, capta totalmente o ambiente da época e o tom sombrio do filme.

Numa versão mais obscura e menos inspirada do que o poema original, de autor anónimo, A Lenda do Cavaleiro Verde não honra Camelot, nem a filmografia de Lowery.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Opinião: Séries - A Estrada Subterrânea / The Underground Railroad - Temporada 1 (2021)

*7.5/10*


Uma Odisseia pela sobrevivência e liberdade é a proposta de Barry Jenkins na série A Estrada Subterrânea (The Underground Railroad). São dez episódios intensos e brutais, numa adaptação pertinente da obra homónima de Colson Whitehead.

"The Underground Railroad narra a luta desesperada de Cora Randall (Thuso Mbedu) pela liberdade. Após ouvir falar de um caminho de ferro subterrâneo, Cora decide escapar da plantação na Georgia onde é escravizada. Descobre que não se trata apenas de uma metáfora, mas de uma ferrovia real cheia de fogueiros, condutores e uma rede secreta de caminhos e túneis sob o solo do Sul. Durante a viagem, Cora é perseguida por Ridgeway (Joel Edgerton), um caçador de recompensas determinado em trazê-la de volta à plantação da qual escapou; mais ainda porque Mabel, a mãe de Cora, foi a única escrava fugitiva que ele deixou escapar. Enquanto se movimenta de um estado para outro, Cora enfrenta o legado da mãe que a deixou para trás e as suas próprias lutas para concretizar uma vida que nunca imaginou ser possível."


Barry Jenkins sabe captar o melhor e o pior do ser humano em cada episódio de A Estrada Subterrânea. Filma violência gráfica sem pudores, fere-nos com palavras, actos e mentalidades inacreditáveis, mas mais realistas do que gostaríamos. E a partir de mitos e lendas, já explorados por Colson Whitehead, Jenkins cria a aventura de uma vida contra a escravatura e pela liberdade e emancipação dos escravizados.

Mas a verdadeira essência desta série vai muito além da temática da escravatura já tantas vezes abordada (e bem) no cinema e televisão. Se o primeiro episódio contextualiza a actual situação de Cora, e nos apresenta a possibilidade de fuga, juntamente com Caesar, é a partir do segundo episódio que embarcamos na verdadeira viagem pela liberdade, onde nada é o que parece e surgem as mais macabras ideias, experiências e obstáculos. Em cada episódio, nem sempre linear, conhecemos melhor algumas personagens e seguimos em frente nesta estrada subterrânea, física ou metaforicamente falando. 


Cora é um misto de emoções e sentimentos, entre a raiva, o medo, a desconfiança, o amor, o ódio e a perseverança, numa fabulosa interpretação e entrega da actriz Thuso Mbedu neste seu primeiro papel como protagonista. O antagonista Ridgeway causa alguma estranheza e curiosidade. A personagem de Joel Edgerton, um caçador de recompensas com poucos escrúpulos, ganha espaço ao longo da série, e revela-nos um homem complexo e contraditório, cheio de dúvidas emocionais e espirituais. Ridgeway vive para o que melhor sabe fazer na vida: capturar escravos em fuga; apesar de, ele próprio, não ser esclavagista. Um homem de paradoxos, determinado e orgulhoso. Ao longo dos episódios conhecemos outras figuras que se destacam entre os restantes e trazem ainda mais riqueza à jornada de Cora


A Estrada Subterrânea é uma surpreendente reflexão sobre o Passado e o Presente, com uma réstia de esperança no Futuro.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Sugestão da Semana #305

Chegamos à última Sugestão da Semana de 2017. Das estreias da passada Quinta-feira, a escolha do Hoje Vi(vi) um Filme vai para Ele Vem à Noite, o filme de mistério de Trey Edward Shults. A crítica pode ser lida aqui.

Feliz 2018! Que seja mais um ano de muito e bom Cinema.

ELE VEM À NOITE


Ficha Técnica:
Título Original: It Comes at Night
Realizador: Trey Edward Shults
Actores: Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Kelvin Harrison Jr., Riley Keough
Género: Mistério, Terror
Classificação: M/16
Duração: 91 minutos

domingo, 19 de novembro de 2017

Crítica: Ele Vem à Noite / It Comes at Night (2017)

"You can't trust anyone but family." 
Paul
*7.5/10*

Ele Vem à Noite joga com o medo do desconhecido que assombra, mais ou menos evidentemente, cada ser humano. Trey Edward Shults constrói um thriller cheio de tensão e suspense, onde o verdadeiro inimigo vem de fora de casa.

Um casal vive com o filho adolescente num local remoto, numa casa segura e onde estão fortemente armados. Uma ameaça desconhecida aterroriza o mundo e a ténue ordem doméstica que o pai da família estabeleceu com a esposa e o filho é posta em causa com a chegada de uma família desesperada a pedir abrigo. Apesar das boas intenções de ambas as famílias, o pânico e a desconfiança intensificam-se, ao mesmo tempo que os horrores do mundo exterior parecem aproximar-se.


Ele Vem à Noite constrói-se em redor da desconfiança permanente em que vive a família protagonista. Perante um inimigo invisível - será algo sobrenatural, a doença ou os humanos? - o estado de alerta é total e a tranquilidade não faz parte do dicionário. Uma única porta dá acesso ao exterior e quem por ali entra deve ser escrutinado até à exaustão. A mínima mudança na rotina pode arruinar a vida da família, que acredita que o perigo espreita entre as árvores da floresta.

Um dos pontos mais fortes do filme de Trey Edward Shults é a abordagem à psicologia das personagens, que faz o filme aproximar-se do género terror, produzindo, ao mesmo tempo, uma curiosa crítica social ao mundo actual. O homem transforma-se num monstro perante o desconhecido, com o medo a tomar conta de si. A fronteira é ténue entre pesadelos e realidade. Afinal, a desconfiança é uma doença e faz vir ao de cima o que de mais primitivo existe em cada um. Por outro lado, o cão da família é quem demonstra maior coragem, quebrando todos os protocolos criados pelo pai da família.


A par do silêncio incómodo que rodeia esta casa no meio da floresta, o trabalho da direcção de fotografia de Drew Daniels é excelente ao tirar partido da noite e da escuridão, e em muito contribui para aumentar o ambiente de isolamento e receios que enchem os espaços vazios.

No elenco, o grande destaque vai para Joel Edgerton, que tem consolidado o seu talento para as personagens mais diversificadas. Neste caso, é o cauteloso e desconfiado pai de família que tudo faz para manter os seus em segurança.


Ele Vem à Noite pode ser encarado como um retrato psicossocial hiperbolizado (mas não muito) da sociedade ocidentalizada. O medo é o demónio que aterroriza aquela casa e os monstros são cada um dos Homens.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sugestão da Semana #200

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque do Hoje Vi(vi) um Filme vai para o thriller que marca a estreia de Joel Edgerton na realização de longas-metragens. Falo de Um Presente do Passado.

UM PRESENTE DO PASSADO


Ficha Técnica:
Título Original: The Gift
Realizador: Joel Edgerton
Actores: Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton 
Género: Mistério, Thriller
Classificação: M/12
Duração: 108 minutos

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Crítica: Black Mass - Jogo Sujo (2015)

"I thought it was a family secret..."
James 'Whitey' Bulger

*6.5/10*

Que Johnny Depp é camaleónico já todos sabem, mas, provavelmente, ninguém esperava vê-lo no papel de um vilão sádico e sem qualquer sentido de humanidade. Afinal, o desafio surgiu e ainda bem. Finalmente podemos voltar a ver o actor num grande papel e longe das personagens extravagantes e exageradas dos últimos anos.

É a história biográfica de Black Mass - Jogo Sujo que traz a grande oportunidade ao actor de voltar a brilhar. O filme de Scott Cooper conta-nos uma interessante história de mafiosos, mas não consegue atingir o estatuto de obra-prima do género. Tem bons momentos de acção, tem por base a história verídica de James Bulger, contudo não a explora da melhor forma, recorrendo a uma ritmo demasiado lento, deixando-se apenas conduzir pela excelente interpretação de Depp.

John Connoly (Joel Edgerton) e James "Whitey" Bulger (Johnny Depp) cresceram juntos nas ruas de South Boston. Em meados de 1970, os seus caminhos iriam cruzar-se novamente. Até então, Connolly era uma figura importante no escritório do FBI em Boston e Whitey havia-se tornado padrinho da máfia irlandesa. O que aconteceu depois - uma conspiração para derrubar a máfia italiana em troca de protecção para Bulger - levaria a uma espiral de assassinatos, tráfico de droga, acusações de extorsão, e, em última análise, ao maior escândalo de sempre envolvendo informadores do FBI.

Depois de, em 1997, ter estado do outro lado, na pele de um agente do FBI infiltrado na máfia, em Donnie Brasco, quase 20 anos depois (e depois de já ter interpretado gangsters também em Profissão de Risco e Inimigos Públicos), Depp regressa como o vilão dos vilões com uma aliança com o FBI, este mafioso implacável, e interpreta-o de corpo e alma.


Bulger devolve-nos o Depp "actor", muito caracterizado, é certo, mas com as expressões mais aterradoras e desprovidas de sentimentos, os traços faciais a desfigurarem-no de frieza, raiva e violência cega e sem limites - apesar do filme a limitar no que toca a imagens, Black Mass - Jogo Sujo teria muito mais impacto se tivesse optado por violência mais gráfica, fazendo jus ao carácter do protagonista.

No entanto, sem Depp, dificilmente Black Mass teria a notoriedade que tem alcançado. Tem alguns bons diálogos e interpretações (Joel Edgerton esforça-se bastante na pele de um agente pouco ortodoxo), mas falta-lhe o envolvimento que outros filmes conseguem desenvolver no espectador e, mais ainda, um ritmo de maior eficácia e melhor apropriação da história de Bulger. A banda sonora, contudo, relaciona-se bem com a personalidade do protagonista e é outro ponto forte.

A longa-metragem de Scott Cooper é bom entretenimento e só supera ligeiramente essa fasquia graças ao transfigurado Johnny Depp como já tínhamos saudades.