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terça-feira, 2 de junho de 2026

Sugestão da Semana #720

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Backrooms - O Labirinto, de Kane ParsonsChiwetel Ejiofor e Renate Reinsve fazem parte do elenco.

BACKROOMS - O LABIRINTO


Ficha Técnica:
Título Original: Backrooms
Realizador: Kane Parsons
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett, Lukita Maxwell, Avan Jogia
Género: Terror, Thriller, Ficção Científica
Classificação: M/14
Duração: 110 minutos

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Crítica: Valor Sentimental / Sentimental Value (2025)

"You two are the best thing that's ever happened to me."
Gustav Borg


*9/10*

Valor Sentimental é, até ver, a obra maior de Joachim Trier. Segue a linha melancólica dos seus filmes, que encaram o drama com um toque de humor, e, depois de A Pior Pessoa do Mundo (uma espécie de jovem adulto com medo de crescer), a sua última longa-metragem atingiu a maturidade da filmografia do cineasta norueguês.

Após anos de ausência, as irmãs Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) e Nora (Renate Reinsve) reencontram o pai, Gustav (Stellan Skarsgård), um conhecido realizador. Gustav oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal no seu novo filme, mas ela recusa. Magoado, Gustav entrega o papel a uma jovem estrela de Hollywood, Rachel (Elle Fanning), despertando antigas feridas e tensões familiares.

É a partir da Casa da família, testemunha de gerações, que a história de pai e filhas é apresentada. Ela, que acompanhou mortes e nascimentos, ressurge e ganha uma nova vida com o regresso de Gustav e da ideia que tem para o seu novo filme.


Valor Sentimental é um mergulho profundo na complexidade das relações familiares, um drama terno, apesar de carregado de ressentimentos. Joachim Trier filma a redenção e a consciência do envelhecimento. Capta os esforços de reconciliação, mesmo que não se saiba bem como agir; as explosões de raiva, a mágoa que se construiu por cima do que ficou por dizer.

A psicologia das relações humanas não é fácil de entender e, aos poucos, as personagens vão abrindo o coração à plateia, entre traumas e desilusões. Entre as irmãs, magoadas pela ausência do pai no seu crescimento, guardam-se segredos. Há um passado pesado que moldou a personalidade de cada uma e que faz com que haja uma extrema necessidade de protecção entre elas. Renate Reinsve (colaboradora habitual do realizador) e Inga Ibsdotter Lilleaas são extraordinárias, tão diferentes e tão reais.


E eis que Gustav deverá ser o papel da vida de Stellan Skarsgård, a consagração do seu talento. A fragilidade da idade contrasta com o orgulho e teimosia que definem a sua personalidade. Este homem seguro e sedutor depara-se finalmente com quem lhe faz frente - as filhas. É aí que começa a consciência de que o tempo passou e que a idade limita o corpo e os instantes que restam para corrigir os erros. A necessidade de redenção é urgente.

A melancolia de Trier percorre Valor Sentimental nas cores (com uma direcção de fotografia que tira o melhor partido da película de 35mm), no argumento (mesmo que alguns momentos sejam ligeiramente previsíveis), nos planos, nas personagens... Há silêncios, tempo para respirar, num convite à introspecção, à mesma autodescoberta que se vê nas personagens.


Visualmente belíssimo, Valor Sentimental é tão emocionalmente intenso, que é com ele que Joachim Trier mostra como o seu cinema se está a tornar adulto e cheio de personalidade. E cada vez mais próximo do público.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Crítica: A Pior Pessoa do Mundo / Verdens verste menneske / The Worst Person in the World (2021)

"I wasted so much time worrying about what could go wrong. But what did go wrong, was never the things I worried about."

Aksel

*8.5/10*

Joachim Trier nunca traz temas fáceis para o seu cinema. Na aparente simplicidade dos seus filmes, há uma complexidade de emoções e sentimentos. A Pior Pessoa do Mundo é mais um exemplo - talvez o melhor da sua carreira - de como uma longa-metragem é capaz de criar um conflito de sentimentos na plateia, ao mesmo tempo que retrata as personagens com um realismo tão doce como cruel - tal qual a vida.

"Prestes a completar 30 anos, Julie vive uma crise existencial. É então que, entre a sua agitada vida amorosa e a luta para encontrar um percurso profissional, decide olhar de forma realista para quem ela realmente é."

Julie é uma personagem ambígua, nem sempre será fácil empatizar com as suas (in)decisões ou atitudes. Ela não sabe o que quer, é a eterna insatisfeita e vive na busca incessante por novas experiências e pelo real sentido da vida. Julie é um turbilhão de emoções e os dois homens que cruzam a sua vida deixam-se arrebatar pelo seu espírito livre e inquieto. Ela adapta-se a cada um deles, mas sempre com um vazio por preencher. Renate Reinsve tem a leveza ideal para o papel e vive intensamente a personagem, tanto na luminosidade de um sorriso sincero, como nas lágrimas que espelham a dor de escolhas ou momentos difíceis.

Anders Danielsen Lie é arrebatador, na pele de Aksel, artista de banda desenhada de sucesso que sente que vive fora do seu tempo. A aparente tranquilidade da sua personagem esconde angústias e sonhos desfeitos e o actor dá-lhe profundidade tal que é impossível ficar-lhe indiferente. É uma espécie de voz da razão na vida de Julie, a estabilidade que tanto a assusta como a deseja.

Por sua vez, Oslo está novamente a acompanhar a acção, no filme que encerra a trilogia de Trier em redor da cidade, depois de Reprise (2006) e Oslo, 31 de Agosto (2011). Em A Pior Pessoa do Mundo, as ruas de Oslo são local de introspecção, reflexão e tomada de decisões para Julie - uma cidade de confidências e desabafos. Trier filma-a tirando partido da sua luz, captada em película de 35mm, potenciando os momentos de tristeza, desespero, alegria e esperança.

Divido em 12 capítulos, prólogo e epílogo, A Pior Pessoa do Mundo pode aparentar, por vezes, um certo pretensiosismo a pairar sobre algumas das opções do realizador. Uma das escolhas que nem sempre resulta é a narração que vai acompanhando a acção em determinados momentos da longa-metragem.

Por outro lado, há uma imagética muito particular no olhar de Joachim Trier, dotada de uma jovialidade que vai amadurecendo, no decorrer da narrativa, tal qual a protagonista; a juntar às opções estéticas, algumas delas quase surrealistas, que fazem as personagens sonhar. Há momentos mágicos, planos-sequência muito íntimos, movimentos de câmara mais arrojados, num conjunto que torna A Pior Pessoa do Mundo num dos filmes mais bem conseguidos do último ano.

Sem julgamentos, assistimos a quatro anos na vida de uma mulher que representa uma geração perdida em incertezas e insegurança. Adiando a estabilidade de um futuro certo, mais cedo ou mais tarde, Julie encontrará o seu caminho, tal qual cada pessoa do mundo, e será finalmente protagonista da sua própria vida.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Sugestão da Semana #494

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Pior Pessoa do Mundo, de Joachim Trier, nomeado para os Oscars de Melhor Filme Estrangeiro (pela Noruega) e Melhor Argumento Original.

A PIOR PESSOA DO MUNDO


Ficha Técnica:
Título Original: Verdens verste menneske (The Worst Person in the World)
Realizador: Joachim Trier
Elenco: Renate Reinsve, Anders Danielsen Lie, Herbert Nordrum, Maria Grazia Di Meo, Hans Olav Brenner, Marianne Krogh
Género: Comédia, Drama, Romance
Classificação: M/14
Duração: 127 minutos