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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Crítica: Lincoln (2012)

"No one is loved as much as you by the people. Don't waste that power. "
Mary Todd Lincoln
*8/10*

Liberdade e Igualdade são os valores em jogo no novo filme de Spielberg. Um histórico que marca o fim da escravatura nos EUA e muito diz aos norte-americanos, mas que, mais do que para "agradar", sente-se que se fez com a sinceridade e a garra de quem ama a sua história e o seu país.

As 12 nomeações não podiam ser em vão ou estaríamos perante demasiados erros da Academia. Lincoln e Spielberg merecem-nas todas, em jeito de reconhecimento por uma longa-metragem, provavelmente incompreendida pelos menos pacientes ou insensíveis, cheia de amor e competência técnica e artística. Repleto de opções visuais de louvar e de excelentes interpretações, Lincoln só poderá afugentar os menos interessados em política, apesar de todas as reuniões e debates estarem brilhantemente construídos de forma a captar a atenção da plateia como poucos filmes do género conseguem.

Lincoln retrata os últimos quatro meses de vida do Presidente norte-americano, nomeadamente na abolição da escravatura e no fim da Guerra Civil Americana. A votação renhida pela 13ª emenda pela Câmara dos Representantes, que ilegaliza a escravatura, é o ponto central do filme.


Arriscado, de facto, mas bem concretizado, sem qualquer sombra de dúvida, Lincoln é uma aposta ganha de Spielberg, depois do muito fraco Cavalo de Guerra. Argumentativamente, o facto de estarmos perante um momento-chave da história dos Estados Unidos torna o filme, desde logo, o centro das atenções. No centro da narrativa temos a luta do Presidente norte-americano pela abolição da escravatura, com a aprovação da 13ª emenda à Constituição, e, ao mesmo tempo, a relação com a mulher e filhos tem espaço para alguma atenção.

Conseguimos facilmente traçar o carácter do protagonista: um homem justo, bom, persistente, com alguma dificuldade em lidar com a mulher. Lincoln revela-se próximo daqueles que lhe são íntimos mas também dos seus subordinados, que trata como se de familiares se tratassem, preocupando-se com os que sofrem injustiças. Para levar a sua vontade em diante e tornar a escravatura ilegal, o Presidente tem acções que poderão levantar dúvidas acerca da sua conduta, se as suas opções são ou não legítimas, se os fins justificam os meios, mas o certo é que o retrato político que Spielberg nos apresenta prova, a cada cena, o rigor e transparência que a plateia anseia, e onde se podem encontrar tantos paralelismos com a política actual. Cabe-nos a nós fazer os juízos de valor.


Como referi, a temática política, que acompanha reuniões do presidente e debates na Câmara dos Representantes, poderia deitar tudo a perder, mas, muito pelo contrário, a história nunca se mostra cansativa. Lincoln tem ritmo e sabe com prender a atenção até do menos entendido em história dos EUA, com conversas claras e discursos fluidos, que deixam de lado qualquer tipo de superficialidade. Aliás, o filme de Steven Spielberg de superficial nada tem, bem pelo contrário, demonstra ser muito profundo e mesmo emocional.

Para tal, muito contribuem as personagens secundárias, especialmente a de Tommy Lee Jones, com uma interpretação muito competente enquanto Thaddeus Stevens, defensor incansável da aprovação da 13ª Emenda, que prende todas as atenções e protagoniza dos momentos mais emocionantes de Lincoln. Por seu lado, a actriz Sally Field veste bem a pele a Mary Todd Lincoln, uma mulher que nunca superou a morte de um dos filhos, revelando um certo desequilíbrio advindo daquela perda, e com quem Lincoln revela dificuldade em lidar, apesar do amor que os une. Por seu lado, a personagem de Daniel Day-Lewis é fulcral, e o actor interpreta-a com alma, conferindo-lhe uma aparente fragilidade e calma, aliadas a uma forte vontade de corrigir o que está mal na sociedade da época. De entre o elenco de actores, destaque ainda para as participações de John Hawkes ou Hal Holbrook, por exemplo, entre muitas outros nomes de relevo.


Tecnicamente, deve dar-se todo o mérito à realização de Spielberg, que volta assim à grande forma, a que se junta um excelente trabalho da direcção de fotografia, a cargo de Janusz Kaminski, repleta de tons escuros - que se tornam frios nas cenas da Guerra Civil -, e de cores pouco fortes, onde se sente a sua saturação, que tão bem se conjugam com a difícil época vivida, e onde o trabalho de iluminação é de elogiar. A banda sonora de John Williams é subtil e encaixa na perfeição em Lincoln, nunca se sobrepondo à força de cada cena. O guarda-roupa merece igualmente destaque, bem como a excelente caracterização de Daniel Day-Lewis (com uns bons 10 anos a mais), sem que ninguém duvide de que se está perante Lincoln.

Lincoln é um retrato de uma época conturbada e cheia de dificuldades, são quatro meses da luta de um dos homens mais importantes da história norte-americana apresentados sem tabus e onde o espectador tem um papel activo. Que todos os filmes históricos fossem tão sinceros e profundos.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Crítica: O Fantástico Homem-Aranha (2012)

"We all have secrets: the ones we keep... and the ones that are kept from us."
Peter Parker
A história de Peter Parker volta a ser contada dez anos depois, com uma nova cara. Depois da trilogia do super-herói aracnídeo protagonizada por Tobey Maguire, Andrew Garfield foi o escolhido para dar uma nova vida ao Homem-Aranha, que renasce pelas mãos do realizador Marc Webb. O Fantástico Homem-Aranha é um dos mais aguardados blockbusters do ano e chega hoje aos cinemas nacionais.

Esta será a segunda longa-metragem de Webb, realizador de (500) Days of Summer (2009), e só se pode concluir que continua o bom trabalho, mesmo que num registo bem diferente. O elenco é do melhor, e facilmente conseguimos deixar de lado as possíveis e quase inevitáveis comparações com os restantes filmes sobre Parker. O certo é que Webb, com o seu Fantástico Homem-Aranha consegue ser isso mesmo: fantástico.

O reboot da história de Peter Parker (Andrew Garfield), um rapaz que foi abandonado pelos pais em criança e foi criado pelos seus tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field). Como a maioria dos adolescentes, Peter tenta descobrir quem é e como deve ser enquanto pessoa, ao mesmo tempo que quer também encontrar o caminho ao lado da sua grande paixão Gwen Stacy (Emma Stone). Ao descobrir uma misteriosa mala que pertencia ao seu pai, Peter inicia uma busca para tentar compreender o seu desaparecimento, o que o leva directamente para Oscorp e para o laboratório do Dr. Curt Connors (Rhys Ifans), um ex-sócio e amigo do seu pai. Contudo, o Homem-Aranha encontra-se numa rota de colisão com o alter-ego de Connors, The Lizard, e Peter tem de tomar decisões que vão mudar a sua vida, usando os seus poderes e alterando o seu destino ao tornar-se um super-herói.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A Estrear: O Fantástico Homem-Aranha

O Homem-Aranha está de regresso, dez anos depois do primeiro filme protagonizado por Tobey Maguire. É já na próxima Quinta-feira que acontece a estreia nacional deste reboot, que surge como um dos dois grandes blockbusters deste Verão, a par de The Dark Knight Rises. E neste reinicio é Andrew Garfield que assume o comando e faz par romântico com a divertida Emma Stone.


Depois de assistir ao visionamento de O Fantástico Homem-Aranha, adianto desde já que a qualidade deste é substancialmente superior à dos anteriores filmes, principalmente se nos recordarmos do terceiro, que foi uma tremenda desilusão para a maioria dos fãs (onde me incluo). Para além de estar visualmente muito interessante, este novo Homem-Aranha tem também como ponto de destaque o elenco, que não poderia ser melhor. Andrew Garfield como protagonista quase nos faz esquecer Maguire. Emma Stone, ainda que numa personagem diferente (Gwen Stacy), distancia-se a léguas de Kirsten Dunst (Mary Jane Watson). Rhys Ifans oferece-no um excelente vilão, e os veteranos Sally Field e Martin Sheen, na pele dos tios de Peter Parker, farão as delícias dos espectadores.

Contando até agora apenas com uma longa-metragem - (500) Days of Summer - na filmografia, Marc Webb surpreende com O Fantástico Homem-Aranha, que consegue ser muito mais do que o rótulo "comercial" de antemão adquirido. Nos próximos dias, a minha crítica ao filme está no Espalha-Factos e por aqui também.