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sábado, 22 de maio de 2021

Crítica: O Mauritano / The Mauritanian (2021)

"In Arabic, the word for free and the word for forgiveness is the same word. This is how, even in here, I can be free."

Mohamedou Ould Slahi

*6.5/10*

O Mauritano, de Kevin Macdonald, leva-nos ao Campo de Detenção da Baía de Guantánamo e explora os casos de tortura e de prisão sem acusação levados a cabo pelos EUA durante muitos anos. Política e justiça confrontam-se neste thriller que retrata uma história real e fica marcado por duas grandes interpretações: Tahar Rahim e Jodie Foster.

"Mohamedou Ould Slahi (Tahar Rahim) é detido e encarcerado durante anos, sem julgamento, na Baía de Guantánamo. As únicas aliadas de Slahi são a advogada de defesa Nancy Hollander (Jodie Foster) e a sua associada Teri Duncan (Shailene Woodley) que lutam por justiça contra o governo dos EUA. Através da controversa defesa de Slahi, em conjunto com provas descobertas pelo procurador militar, o Tenente-Coronel Stuart Couch (Benedict Cumberbatch), descobre-se a mais chocante verdade..."

O Mauritano baseia-se no livro O Mauritano - Diário de Guantánamo, escrito pelo próprio Mohamedou Ould Slahi enquanto esteve detido, e onde relata os interrogatórios e a tortura a que foi submetido em Guantánamo. Deste logo, é de admirar a coragem na adaptação cinematográfica de uma obra que tanto o governo norte-americano tentou esconder e censurar.

Kevin Macdonald explora o contexto histórico dos acontecimentos - logo após os atentados do 11 de Setembro -, com o Estado a alimentar de medo e ódio a opinião pública. É verdade que a longa-metragem poderia evitar alguns clichés, ser mais violenta e espicaçar ainda mais a culpa dos EUA neste caso - e em tantos outros semelhantes; contudo, O Mauritano é exímio ao expor as fraquezas e falta de humanidade de um Estado que se pensa acima da Lei.

Tecnicamente, há que destacar o excelente trabalho da direcção de fotografia de Alwin H. Küchler, fundamental no impacto das cenas de tortura, e a opção de utilizar diferentes aspect ratio para acentuar a não-linearidade narrativa, com as cenas do Presente a surgir em 2.39 e as do Passado em 1.33.

Tahar Rahim e Jodie Foster lideram as interpretações, numa dupla que se mostra tão contida como emotiva nos momentos precisos. Rahim incorpora a revolta e o desalento de um homem que confiava na justiça norte-americana mas que é completamente traído por ela. A degradação física e emocional do protagonista está patente no rosto e nos movimentos do actor, numa passividade de quem parece ter perdido a vontade de lutar. Ao seu lado, Jodie Foster encarna a advogada Nancy Hollander, uma mulher segura e dedicada ao trabalho e às suas causas, sem medos. A sua frieza e contenção só será abalada com os segredos macabros que vem a descobrir.

O Mauritano é uma denúncia de injustiças e crimes nunca punidos que um Estado praticou contra homens inocentes. É um julgamento dos sucessivos governos norte-americanos que, independentemente do partido, perpetuam o desrespeito pelos direitos humanos, sem assumir culpas. Kevin Mcdonald não criou uma obra-prima, mas é capaz de mexer com sentimentos e emoções da plateia, num filme dinâmico e necessário.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Globos de Ouro 2021: Red Carpet

Numa edição totalmente diferente do habitual devido à pandemia, a cerimónia dos Globos de Ouro 2021 foi mais virtual do que presencial. Não deixou, ainda assim, de ser uma oportunidade para as estrelas desfilarem, fosse na passadeira vermelha ou nos corredores lá de casa. Destacamos, como de costume, alguns dos modelos que mais se destacaram.


O actor de O Mauritano, Tahar Rahim, destacou-se no seu fato azul escuro luminoso da Louis Vuitton.


Também vestida pela Louis Vuitton, esteve Regina King. A actriz e realizadora - nomeada pela sua estreia na realização com One Night in Miami... - surgiu deslumbrante num vestido preto e prateado, com jóias da Forevermark.


Aos 83 anos, Jane Fonda continua com uma beleza e forma invejável, e certeira no discurso. A actriz, homenageada nesta edição dos Globos de Ouro com o prémio Cecil B. DeMille, desfilou na passadeira vermelha com um fato branco-pérola e arrebatou-nos.


Muito clássica e elegante, Lily Collins surgiu num vestido de um só ombro e manga comprida da Saint Laurent por Anthony Vaccarello, em tons verdes, dourados, azuis e castanhos. As jóias são da Cartier.



Vencedora de um Globo de Ouro pela sua interpretação da Princesa Diana na série The Crown, Emma Corrin escolheu um vestido original, preto e branco, da Miu Miu e jóias Cartier.


Nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Actriz Secundária por Mank, Amanda Seyfried escolheu um vestido rosa coral Oscar de la Renta, muito elegante, acompanhado de jóias discretas da Forevermark. O penteado clássico e a maquilhagem muito natural deram-lhe ainda mais glamour.


Satchel Lee, filha de Spike Lee e uma das embaixadoras dos Globos de Ouro nesta edição, surgiu elegante num vestido preto e prateado da Gucci. A abertura lateral na perna, bem como os efeitos na zona do tronco destacaram o lado jovem e atrevido da activista.


Deslumbrante, a vencedora do Globo de Ouro pela minissérie The Queen's Gambit, Anya Taylor-Joy, surgiu ela própria em porte de rainha, num estonteante vestido verde Christian Dior, de alças e decote em V, e capa volumosa. O cabelo e maquilhagem simples compuseram o look, que não passou despercebido.


Gal Gadot desfilou na red carpet com um vestido branco curto da Givenchy, com uma sobreposição em jeito de capa, mais leve, sobre os ombros e costas. Simples e elegante.


Foi num estonteante vestido vermelho cintilante que Maria Bakalova se estreou como nomeada nos Globos de Ouro. A actriz búlgara surgiu num volumoso vestido cai-cai Giorgio Armani, e mala da Tyler Ellis.