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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Crítica: Linhas de Sangue (2018)

"Não vai doer nada."

*4/10*

Linhas de Sangue está por toda a parte: televisão, Internet, cinemas e acredito que até à estreia esteja ainda por mais locais. Com uma equipa enorme e um excelente trabalho de marketing - estamos a falar de um filme português (!) -, será quase impossível até ao espectador mais distraído não ouvir falar desta longa-metragem.

A divulgação está a ser certeira, mas esta comédia negra pouco usual em Portugal levou-me ao cinema com mais expectativas do que devia. Confesso que esperei algo semelhante a Capitão Falcão, mas está longe disso. Sérgio Graciano e Manuel Pureza são corajosos e ambiciosos, sem dúvida, mas o resultado não é positivo. Garantido é que todos se divertiram à brava a filmar Linhas de Sangue e imaginação não faltou a ninguém.


Um conjunto de malfeitores ameaça a ordem e a paz em Portugal. A resposta não tarda e logo surge um grupo de heróis mais ou menos acidentais, que salva o dia. Mas o pior dos inimigos está a guardar-se para o fim. Será o grupo de bravos corajosos, suficientemente forte para enfrentar a ameaça do Chanceler?

Ideias e influências cinematográficas não faltam, falta sim alguma organização e contenção. Há demasiado fogo-de-artifício para pouco conteúdo, tudo se mistura, fragmenta e pouco se retém. Mas sente-se igualmente um companheirismo e força de vontade pouco comum nos filmes portugueses.

Entre as referências aos heróis da Marvel, aos filmes de terror slash e giallo dos anos 80 - onde ainda descortino uma pseudo-Carrie interpretada pela talentosa Gabriela Barros -, ao nonsense dos Monty Python, também se encontram alusões à História de Portugal ou à mitologia (a Guerra Colonial, a Batalha de Aljubarrota, as Amazonas...). Tudo isto para Linhas de Sangue se perder em si mesmo. Será que funcionaria melhor numa série de curtas-metragens?


O elenco é infindável (muitas pequenas participações que nos farão sorrir), mas dele destaco quem mais me deu gosto ver no grande ecrã (curiosamente, o elenco feminino destaca-se): Marina Mota, Gabriela Barros, Catarina Furtado e o grande José Raposo.

Muito sangue e decotes, muito sarcasmo, algumas boas histórias pelo meio, mas pouco sumo, pouco conteúdo valorativo. Uma remontagem poderia ajudar a que não sentíssemos cortes tão bruscos entre histórias (por vezes parece que estamos a ver outro filme) e uma duração tão excessiva.

São 54 actores, dois realizadores e uma equipa inteira a divertirem-se a valer. É uma pena que não funcione da mesma forma para a plateia. Ainda assim, um esforço admirável no cinema português.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Sugestão da Semana #320

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda Soldado Milhões, um bom filme de guerra português que nos ensina mais qualquer coisa sobre a nossa História. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

SOLDADO MILHÕES


Ficha Técnica:
Título Original: Soldado Milhões
Realizadores: Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa
Actores: João Arrais, Miguel BorgesRaimundo Cosme, Isac Graça, Tiago Teotónio Pereira, Ivo Canelas, Graciano DiasNuno PardalAntónio Pedro Cerdeira, Lúcia Moniz
Género: Biografia, Guerra, História
Classificação: M/12
Duração: 85 minutos

sábado, 7 de abril de 2018

Crítica: Soldado Milhões (2018)

"Tu és Milhais, mas vales Milhões!" 
 
*6.5/10*

Não há ainda, em Portugal, muitos filmes que contem parte da nossa História. Sobre a intervenção portuguesa na Primeira Guerra Mundial, Soldado Milhões chega para contar os feitos de um homem que muito fez e que, actualmente, pouca gente conhece.

Aníbal Augusto Milhais (João Arrais) é um entre tantos soldados enviados para a Flandres durante a Primeira Guerra Mundial. Na Batalha de La Lys, contrariando ordens superiores, enfrenta sozinho sucessivas ofensivas alemãs de maneira a garantir a retirada dos companheiros. A sua arma – Luisinha – e um amuleto da sorte oferecido pela sua amada são os seus maiores escudos no campo de batalha. No ano em que se assinala o centenário da Primeira Guerra Mundial, acompanhamos o percurso do soldado Milhais, que valia milhões, através das suas memórias da guerra.


Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa dão uma lição de História aos portugueses. A partir de factos reais, constroem parte da vida de Aníbal Milhais, onde se denota o bom trabalho de pesquisa da equipa, em especial nos momentos passados na guerra. E é pena não terem ficado por aí apenas. Paralelamente, os realizadores mostram a vida do protagonista mais velho, com a família, em especial a relação com a filha Adelaide. Percebo o propósito de tornar mais humano, mas também melodramático, este filme de guerra com a opção de explorar a relação do soldado com a filha. Miguel Borges está muito bem, mas a história em si, em que um lobo surge como o inimigo em tempos de paz, não acrescenta nada.

As sequências de guerra, por outro lado, são bem conseguidas, mais ainda tendo em conta os recursos limitados que o cinema português tem. Não vemos grandes multidões, mas vemos o nervosismo, a ansiedade, o medo que espreita do outro lado das trincheiras, ao mesmo tempo que o companheirismo assume um papel muito importante.


Os quatro inseparáveis - Milhais, Malha-Vacas, Sabugal e Penacova - estão juntos para tudo, apoiam-se e partilham tristezas e as pequenas alegrias. Cada um com os seus fantasmas, cativam e criam empatia com a plateia, sem esforço. Os quatro jovens actores, João ArraisRaimundo Cosme, Isac Graça e Tiago Teotónio Pereira - mostram-se à altura das personagens, com uma maturidade surpreendente. Quatro apostas fortes na representação em português, uns já habituados às lides do cinema, outros mais associados à televisão, mas os quatro a mostrar que ali há muito talento. Ainda de destacar é a presença de Ivo Canelas, o implacável, mas tão humano como os restantes, Capitão Ribeiro de Carvalho.

O retrato de Aníbal Milhais é construído sem cair em estereótipos. Apesar da simplicidade, de ser analfabeto e muito religioso, ele é um homem de muito carácter, coragem e fidelidade. Um soldado que veio do povo, passou dificuldades, mas conquistou a mais alta condecoração militar portuguesa.


É de dar graças pela coragem de trazer a História portuguesa para o grande ecrã, numa homenagem a um herói nacional, na comemoração dos 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Como o seu comandante disse: "Tu és Milhais, mas vales Milhões!" e finalmente Portugal poderá perceber o porquê numa sala de cinema.