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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estreias da Semana #294

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses 10 novos filmes. A Floresta das Almas Perdidas e Feliz Dia Para Morrer são duas das estreias.

A Febre das Tulipas (2017)
Tulip Fever
Século XVII, Amesterdão. Uma mulher casada (Alicia Vikander) inicia uma apaixonada relação com o artista (Dane DeHaan) contratado para pintar o seu retrato. Os amantes investem no mercado em expansão de bolbos de tulipa como forma de arrecadar dinheiro para fugirem juntos.

A Floresta das Almas Perdidas transporta-nos para o local mais popular para a prática do suicídio em Portugal, uma floresta densa e remota, onde dois estranhos se conhecem. Ele é um pai de família à procura do local onde a filha morreu. Ela é uma jovem com uma paixão pela morte. Mas um deles não é quem diz ser.

Alguém Como Eu (2017)
Helena, uma jovem mulher de 30 anos, toma uma decisão que mudará o resto da sua vida: viver em Lisboa, ser solteira, independente e indisponível. Mas como Helena não controla o destino dá de caras com o homem da sua vida. O que parecia ser um ano de puro enriquecimento pessoal, longe de aventuras amorosas, transforma- se num louco e imprevisível teste à sua inteligência emocional.

Feliz Dia Para Morrer (2017)
Happy Death Day
Uma estudante revive incessantemente o dia do seu assassinato, com todos os excepcionais detalhes e um aterrorizante final, até conseguir descobrir a identidade do assassino.

Lumière! A Aventura Começa (2016)
Lumière! L'aventure commence
Em 1895, Louis e August Lumière inventam o cinematógrafo e filmam alguns dos primeiros filmes na história do Cinema. Com a descoberta da mise-en-scène, dos travellings e ainda dos efeitos especiais e remakes, também inventaram o cinema enquanto arte. Dos seus mais de 1400 filmes, Thierry Frémaux, director do Festival de Cinema de Cannes e do Instituto Lumière, seleccionou 114: obras de arte mundialmente conhecidas, ou descobertas de filmes antes desconhecidos, recuperados em 4K e reunidos para celebrar o legado dos Lumière.

Melodias de Django (2017)
Django
1943, na Paris ocupada, Django Reinhardt está no auge da sua carreira. O brilhante e descontraído guitarrista de jazz toca para as maiores salas da capital francesa. Ao mesmo tempo, os seus irmãos ciganos são perseguidos e mortos por toda a Europa. Quando a máquina de propaganda nazi decide enviá-lo numa digressão pela Alemanha, Django é obrigado a tomar uma decisão que irá mudar a sua vida e colocar em risco tudo o que conseguiu.

O Estrangeiro (2017)
The Foreigner
Um humilde empresário com um passado secreto procura justiça quando a filha é morta num atentado terrorista. Segue-se um confronto com um agente do governo que pode ter pistas sobre a identidade dos assassinos.

O Sabor da Cereja (1997) (reposição)
Ta'm e guilass
Numa tarde de um dia feriado um homem de meia idade, o sr. Badii, percorre os arredores quase desertos de Teerão. Ao volante do seu carro procura, aparentemente, alguém. Várias pessoas entram no carro, um soldado, um estudante de teologia, um operário ou um taxidermista, a quem faz um pedido invulgar. O sr. Badii decidiu suicidar-se e precisa de alguém que, caso seja bem sucedido, o enterre. Todos tentam convence-lo da importância da vida e recusam a tarefa. O último, porém, aceita convencido que o sr. Baddi não será capaz de se matar.

Os Fantasmas de Ismael (2017)
Les Fantômes d'Ismaël
Ismaël é um cineasta que se prepara para realizar um filme sobre um diplomata atípico inspirado no seu irmão. Apesar do relacionamento duradouro que conseguiu estabelecer com Sylvia, vive ainda traumatizado pelo súbito desaparecimento da mulher, Carlotta, há mais de 20 anos. Tudo muda quando Carlotta reaparece, subitamente.

Um Susto de Família (2017)
Happy Family
Os Wishbones estão longe de ser uma família feliz. A mãe, Emma, possui uma livraria que está envolta em dívidas, o pai, Frank, trabalha demais e sofre sob a alçada do seu chefe tirano, a filha, Fay é uma adolescente preocupada com a aparência que acaba de se apaixonar pela primeira vez, e o genial filho Max  está a ser intimidado na escola. E os dramas não terminam aqui. Numa festa máscaras, a malvada bruxa Baba Yaga transforma toda a família em monstros! Emma torna-se um vampiro, Frank é agora o monstro de Frankenstein, Fay uma múmia e Max um lobisomem. Juntos, vão perseguir a bruxa por meio mundo para a convencerem a reverter o feitiço.

Crítica: A Floresta das Almas Perdidas (2017)

"A tristeza durará para sempre"


*5.5/10*

Há quanto tempo não se encontrava em cartaz uma longa-metragem de terror portuguesa? A produtora Anexo 82 apostou no género mais arriscado em Portugal e traz aos cinemas um filme de terror independente de produção nacional, A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes.

É a preto e branco que o realizador se estreia nas longas, sem medo de correr riscos, e cativa-nos a atenção, em especial, pelo visual muito estético que preenche o filme. A Floresta das Almas Perdidas transporta-nos para o local mais popular para a prática do suicídio em Portugal, uma floresta densa e remota, onde dois estranhos se conhecem. Ele é um pai de família à procura do local onde a filha morreu. Ela é uma jovem com uma paixão pela morte. Mas um deles não é quem diz ser.

A Floresta das Almas Perdidas destaca-se, acima de tudo, pelas imagens que oferece. Com um forte sentido estético, a fotografia (a cargo de Francisco Lobo) é muito competente, repleta de planos que ficarão na memória, como é o caso da ponte inacabada, qual cenário de contos de fadas, aliás, como toda a floresta onde estas almas se perdem. A acompanhar a acção, a banda sonora de Emanuel Grácio fica no ouvido.


José Pedro Lopes parte de uma premissa muito interessante que, contudo, se perde após o twist inicial - sem dúvida, inesperado. Sente-se falta de mais presença da "floresta" propriamente dita, e talvez a acção ganhasse mais ao estar concentrada apenas no local que dá título ao filme. Ao mesmo tempo, a personagem principal tem em si uma maldade latente que ganharia em ser mais desenvolvida. A Floresta das Almas Perdidas funcionaria melhor, para já, como curta-metragem, como longa, deveria atingir mais alguma maturidade.

O texto é um pouco inocente, com algumas frases feitas - que talvez resultem em inglês -, e uma poesia inerente que o liga aos cenários. No conjunto, aqui temos um sinal para estarmos atentos a futuros trabalhos de José Pedro Lopes.


A Floresta das Almas Perdidas merece que lhe reconheçamos todo o mérito, como filme corajoso e persistente que é. Tem conquistado festivais internacionais e conta já com distribuição garantida em diversos países (EUA, Canadá, Espanha, Suécia e Reino Unido). Não é todos os dias que o filme português consegue um percurso destes.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A estrear: Al Berto e A Floresta das Almas Perdidas

Nas duas primeiras semanas de Outubro, os cinemas vão receber duas estreias de produções nacionais: Al Berto, de Vicente Alves do Ó, e A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes. Por aqui, aproveitamos para fazer uma pequena antevisão de ambos os filmes.


Al Berto estreia já no próximo dia 5 de Outubro e é a quarta longa-metragem de Alves do Ó. O filme percorre uma parte da vida do poeta Al Berto, depois do seu regresso a Portugal, após uma longa estadia em Bruxelas, onde estudou Belas Artes. Instala-se no palácio da família, em Sines, onde ensaia uma vida em comunidade. Encontra João Maria, apaixona-se e abre uma livraria na vila. Acompanhamos os anos em que ali levou uma vida excêntrica e vanguardista pouco tempo depois do 25 de Abril. Mas a gente da terra não estava preparada para tanta liberdade.

Vicente Alves do Ó faz deste um filme muito intimo e corajoso, já que retrata a história de amor que Al Berto viveu com o irmão do realizador, João Maria.

O elenco é composto, na sua maioria, por jovens actores pouco conhecidos do grande público e, todos eles, muito talentosos. Ricardo Teixeira é o protagonista e faz-se acompanhar por José Pimentão, Ana Vilela da Costa, João Villas-Boas, Gabriela BarrosRaquel Rocha Vieira, e ainda as veteranas Rita Loureiro e Manuela Couto.


Por sua vez, A Floresta das Almas Perdidas é a estreia do realizador José Pedro Lopes nas longas-metragens e chega aos cinemas portugueses no dia 12 de Outubro. O filme tem por base um projecto apresentado originalmente no FEST Pitching Forum do FEST - Festival Novo Cinema Novos Realizadores.

Curiosamente, José Pedro Lopes aventura-se num género pouco usual no cinema português dito comercial: o terror. Entre o drama familiar e o slasher, A Floresta das Almas Perdidas é um conto de terror dentro de uma história sobre a chegada à idade adulta. Numa floresta densa e remota, o local mais popular para a prática do suicídio em Portugal, dois estranhos conhecem-se. Ele é um pai de família à procura do local onde a filha morreu. Ela é uma jovem com uma paixão pela morte. Mas um deles não é quem diz ser.


O filme teve estreia mundial no Fantasporto 2017 e continuou a percorrer festivais de cinema como o Festival de Cinema de Sydney e venceu o prémio para Melhor Filme no Fant Bilbao - Festival de Cinema Fantástico de Bilbao, em Espanha, e Melhor Realizador no Triple Six Festival de Cinema de Terror de Manchester, no Reino Unido. Este mês, passa pelo Festival de Cinema de Cambridge, no Reino Unido, no Monsters of Film na Suécia e na Semana de Cinema de Autor de Lugo, em Espanha.

A Floresta das Almas Perdidas conta com distribuição nos EUA, Canadá, Espanha, Suécia e Reino Unido. Recentemente a revista Newsweek destacou-o como um dos 22 melhores filmes de terror de 2017.