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domingo, 30 de janeiro de 2022

Sugestão da Semana #492

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português 28½, de Adriano Mendes. A longa-metragem, protagonizada por Anabela Caetano, tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

28½


Ficha Técnica:
Título Original: 28½
Realizador: Adriano Mendes
Elenco: Anabela Caetano, Sérgio Assunção, Sérgio MarcelinoCatherine Boyd-BellArlete CandôEmanuele Simontacchi, Fernando Saldanha, Ibrahim Manafá
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 93 minutos

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

IndieLisboa'20: 28½ (2020), de Adriano Mendes

*8.5/10*


Depois de O Primeiro Verão, Adriano Mendes está de regresso ao IndieLisboa para apresentar a sua segunda longa-metragem, 28½.

Depois da descoberta do amor, em 2014, em 2020 a proposta é mais desafiante e reflexiva. Seguimos Teresa (Anabela Caetano), com quase 30 anos, que procura emprego. Depois de um dia difícil, tudo deverá parecer bem num jantar com estrangeiros que visitam Lisboa.

28½ é o espelho dos obstáculos e do desencanto que o fim da inocência - e da adolescência - traz a cada um. O foco é a protagonista Teresa e os desvios e desfoques que a vida leva, por vezes, e que as palavras não são suficientes para explicar. 


A idade do amadurecimento tem sido de estagnação para a geração que está entre os 20 e muitos e os 30 e poucos anos. A incerteza do futuro está espelhada nos olhos tristes e no ar pensativo que Anabela Caetano carrega. Uma interpretação que marca um crescimento imenso desde O Primeiro Verão até 28½ - o mesmo que se sente, inevitavelmente, relativamente ao cinema de Adriano Mendes, que se assume neste novo filme um realizador corajoso e com características muito próprias. A inocência ficou em 2014, mergulhando agora numa temática mais dura e melancólica. Contudo, o desespero e desencanto espelhado no rosto da protagonista tem rasgos de esperança no sorriso aberto e desafiador que por vezes lança a quem lhe faz frente. 

Num dia aparentemente normal, com uma entrevista de emprego, um treino de muay thai, um trabalho babysitting para uma amiga, tudo começa a correr pior quando o carro não pega. Tudo o que se segue provoca uma mistura de sentimentos e emoções em Teresa mas também na plateia, e transforma 28½ num filme com uma personalidade muito própria. 

Com dois momentos especialmente marcantes: a fabulosa cena no comboio - tão realista como inusitada -, que é, provavelmente, o melhor momento do filme; e o jantar com as visitas estrangeiras e a conversa de circunstância que aborda diversas problemáticas da cidade de Lisboa (a gentrificação e o turismo desenfreado) e da incerteza que se tem vivido nos últimos anos.


28½ tem uma aura que contagia, desperta e emociona. Não é mais um filme banal sobre os problemas dos jovens na cidade. É introspectivo e pro-activo e revela que Adriano Mendes está aqui para marcar a diferença e criar a sua visão, o seu cinema.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Crítica: O Primeiro Verão (2014)

*8/10*

Simples, sincero e eficaz: O Primeiro Verão é uma lufada de ar fresco no cinema português, e marca a estreia do jovem realizador Adriano Mendes nas longas-metragens. Um filme independente construído com o esforço de todos os envolvidos, num cenário que convida a conhecer, em busca da tranquilidade que muitas vezes falta no cinema comercial actual. E O Primeiro Verão é um filme para todos, dos mais jovens aos mais idosos, dos mais aos menos exigentes, das elites aos fãs de blockbusters. Tudo isto porque o realizador consegue envolver-nos numa história simples e realista, uma história de amor com três protagonistas: Miguel, Isabel e Cmyk.


É na Sertã que tudo acontece, quando Isabel e Miguel se encontram pela primeira vez numa aula de condução. Ali, naquele que é O Primeiro Verão dos dois, inicia-se uma história de amor, que tem percorrido o mundo e já recebeu diversos prémios.

A simplicidade é o trunfo mais forte desta longa-metragem, que comporta consigo uma ternura, proximidade e realismo enormes. O filme prende o público que se envolve na história, que segue as conversas, a timidez inicial, os passeios do casal pela Sertã com o companheiro canino Cmyk, a inocência destes jovens que se descobrem a cada momento. O amor cresce e descobre-se aos poucos, tanto o amor romântico entre Miguel e Isabel, como o amor para com o companheiro de uma vida, Cmyk, personagem fundamental para O Primeiro Verão ser tão singular.

Adriano Mendes constrói o seu filme com poucas palavras, pois um olhar, um gesto ou um abraço valem muito mais do que longos discursos. A banda sonora, também da sua autoria, é igualmente importante para o desenrolar do enredo. Tudo surge natural, umas vezes com uma ingenuidade calorosa - que também poderá ser de principiante -, outras com laivos de brilhantismo. Há planos que nos ficarão na memória, há olhares que não vamos esquecer, tal como a espontaneidade dos sentimentos ali filmados.


No elenco, o destaque vai para Anabela Caetano, a Isabel emotiva e destemida que nos conduz pelas dúvidas típicas da juventude e pela dedicação extrema a alguém. A jovem actriz tem um desempenho que revela grande talento e, provavelmente, voltaremos a ouvir falar dela.

Faltam, cada vez mais, filmes tão sinceros, com a realidade das emoções humanas a tomar conta do grande ecrã e a conquistar o espectador. O Primeiro Verão tem uma aura muito própria e por muito que Adriano ainda tenha para crescer enquanto realizador, aqui provou que detém já fortes marcas autorais e sabe o que faz falta no cinema português - que muitas vezes só se consegue concretizar com muita vontade, esforço e amor à Sétima Arte.