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sábado, 28 de agosto de 2021

MOTELx 2021: Programação Completa

O MOTELx 2021 anunciou a programação completa da sua 15.ª edição, que terá lugar de 7 a 13 de Setembro, em Lisboa, após o anúncio das primeiras confirmações, bem como dos filmes na corrida para o Prémio MOTELx.

The Night House, de David Bruckner

The Night House, de David Bruckner, protagonizado por Rebecca Hall, será o Filme de Encerramento desta edição do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. A longa-metragem conta a "história de uma viúva que tenta ultrapassar o suicídio do marido, no lago junto à casa de sonho que construíram juntos. Enquanto procura dar significado à sua vida, é atormentada por visões perturbadoras e pela sensação que existe um mistério ainda maior por descobrir".

Na secção Serviço de Quarto, juntam-se mais filmes aos já anunciados: Sweetie, You Won’t Believe It, de Ernar Nurgaliev (Cazaquistão); Three, de Pak Ruslan (Cazaquistão, Coreia do Sul e Uzbequistão); Gaia, de Jaco Bouwer (África do Sul); The Night, do iraniano Kourosh Ahari; Mad God, de Phil Tippett; Willy’s Wonderland, de Kevin Lewis, com Nicolas Cage; Fukushima 50, de Setsurô Wakamatsu; e After Blue, do francês Bertrand Mandico.

Ao programa Fúria Assassina - Mulheres Serial Killer, que quer desconstruir o estereótipo da representação masculina nos filmes de terror, junta-se Office Killer (1997), de Cindy Sherman, que conta a história de uma mulher que começa por assassinar os seus colegas de trabalho homens, guardando os cadáveres na cave de casa. 

In the Earth, de Ben Wheatley

Na Competição de Longas Europeias, destaque para In the Earth, de Ben Wheatley. Já à secção Doc Terror, junta-se o documentário sobre Folk Horror, Woodlands Dark and Days Bewitched: A History of Folk Horror, de Kier-La Janisse.

Haverá ainda espaço para três debates sobre algumas das temáticas presentes no MOTELx 2021: o painel Making Genre - From Concept to Distribution, que junta os produtores Josh C. Waller, Camille Gatin, Elan Gale, Emily Gotto (Shudder/AMC) e Molly Quinn, para discutir o processo geral da criação de filmes de género, no dia 11 de Setembro, às 15h30; o painel Fúria Assassina, moderado pela jornalista Carolina Franco (Gerador), conta com a actriz e realizadora Ana Moreira, a crítica de cinema Inês N. Lourenço, o professor e investigador Jorge Martins Rosa, e o director artístico e programador do festival João Monteiro, também no dia 11, pelas 17h30; e, no dia 12, a partir das 17h00, uma conversa com a dupla produtor/realizador portuguesa Tino Navarro e Joaquim Leitão, autores da trilogia inacabada sobre a guerra do Ultramar que marca presença no festival com as longas-metragens Inferno (1999) e 20,13 Purgatório (2006), na secção Quarto Perdido, .

Ao programa do Warm-Up (2 a 4 de Setembro) já anunciado - os espectáculos Rapsodo e Vizões do Ego - Uma Encenação Pictórica de Edgar Pêra -, junta-se, no dia 4, às 21h30, a habitual sessão de cinema ao ar livre, no Largo Trindade Coelho, com a comédia de terror Bubba Ho-Tep (2002), de Don Cascarelli. "Bruce Campbell no papel de Elvis Presley e Ossie Davis de John F. Kennedy enfrentam uma múmia egípcia que se apodera das almas dos utentes de um lar de idosos".

Mais informações sobre o MOTELx 2021 em https://www.motelx.org/.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sugestão da Semana #290

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda Arranha-céus, de Ben Wheatley. Podes ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

ARRANHA-CÉUS


Ficha Técnica:
Título Original: High-Rise
Realizador: Ben Wheatley
Actores: Tom Hiddleston, Sienna Miller, Jeremy Irons, Luke Evans, Elisabeth Moss, Reece Shearsmith, Peter Ferdinando, Daniel Renton Skinner, James Purefoy
Género: Drama
Classificação: M/18
Duração: 119 minutos

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Crítica: Arranha-céus / High-Rise(2015)

"You know, you look much better without your clothes on. You're lucky. Not many people do." 
Charlotte
*9/10*

Um arranha-céus como metáfora da estratificação social é a proposta de Ben Wheatley em Arranha-céus. Consegue criar um universo à parte, tão perto da cidade onde quase todos trabalham. Aquilo que se pretendia como a edificação perfeita depressa se transforma numa descontrolada rebelião dos mais pobres contra os mais ricos, da imoralidade contra os valores instalados.

Em 1975, o Dr. Robert Laing (Tom Hiddleston) muda-se para um novo apartamento a 3 km Oeste de Londres em busca de isolamento e anonimato, mas vai-se apercebendo que os outros residentes do edifício não têm nenhuma intenção de o deixarem em paz. Resignado às complicadas dinâmicas sociais que se desdobram em seu redor, Laing aceita o seu fado e começa a conviver com os seus vizinhos. À medida que luta para estabelecer a sua posição social, as boas maneiras e a sanidade de Laing começam a desintegrar-se a par com o edifício. A luz está sempre a falhar, os elevadores deixam de funcionar, mas a festa continua. 


Um retrato irónico e actual de uma sociedade de loucuras e excessos, onde as aparências iludem e onde todos querem o mesmo. Num arranha-céus com super-mercado, spa, ginásio, piscina e tantas outras comodidades luxuosas e exuberantes - como um jardim no último piso -, são as pessoas quem começa o descarrilamento em série.

Ali não há tempo para dormir, à noite o álcool, as drogas e o sexo tomam conta da festa, de dia, o normativo impera, e cada um procura o seu carro no enorme parque de estacionamento rumo ao emprego. Ao final do dia, o ciclo repete-se, numa rotina incomum. Naquele prédio não há lei nem regras - tão perto e tão longe da civilização.


O argumento é genial e tem por base o romance homónimo de J.G. Ballard. Imoral e decadente, Arranha-céus consegue ser tão actual que assusta. Aquele isolamento estratificado, já de si com falhas por corrigir, é o rastilho para que o ser humano regresse ao que de mais primitivo tem em si. O instinto comanda todo e qualquer um dos habitantes do edifício, independentemente da classe social, porque, afinal, somos todos iguais.

Ben Wheatley cria um conjunto de sensações atordoantes, que se misturam com o emaranhado de corpos que se tocam nos corredores do arranha-céus. As cores, lânguidas ou vibrantes, transmitem ainda mais a loucura que ali se vive. Ao mesmo tempo, planos cativantes, o uso da câmara lenta em ocasiões-chave, um caleidoscópio pelo meio e eis que a obra nasce.

Tom Hiddleston oferece-nos um Dr. Laing à altura do filme, que deambula entre o homem equilibrado, atormentado pelo passado, e o instinto de sobrevivência a sobrepor-se à boa-educação. Jeremy Irons é tão somente ele mesmo, elegante e carismático, com o perfil de líder que lhe é indissociável. Elisabeth Moss é uma das mais puras personagens deste arranha-céus de horrores, Sienna Miller é a mulher sensual e insatisfeita que guarda um segredo que a torna vulnerável, e Luke Evans é o mais boçal e de discurso incendiário, mas, ao mesmo tempo, o mais lúcido daquele prédio.


Extremamente visual e com uma narrativa brilhante, Arranha-céus tardou mas chegou aos cinemas para proporcionar uma experiência perigosa mas extasiante.

domingo, 14 de julho de 2013

Sugestão da Semana #72

Das estreias da passada Quinta-feira, hoje a Sugestão da Semana recai sobre o novo filme de Ben Wheatley. O filme já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme, que pode ser lida AQUI.

ASSASSINOS DE FÉRIAS


Ficha Técnica:
Título Original: Sightseers
Realizador: Ben Wheatley
Actores: Alice Lowe, Steve Oram
Género: Comédia
Classificação: M/16
Duração: 88 minutos

sábado, 27 de abril de 2013

IndieLisboa'13: Sightseers

*8/10*

Sightseers chega pela mão de Ben Wheatley - realizador de Uma Lista a Abater (Kill List), de 2011 - e faz parte do Observatório do IndieLisboa'13. Um inesperado casal é o centro desta longa-metragem repleta de humor negro e sangue, onde a diversão é garantida.

Numa relação recente, mas muito apaixonada, Chris e Tina decidem fazer uma road trip de férias. Para ela, esta será uma experiência diferente de tudo o que está habituada, devido à sua ingenuidade e à pouca liberdade que a rabugenta mãe lhe dava. Em Chris, ela parece encontrar o homem com que sempre sonhou, mas, ao longo da viagem, Tina percebe que o namorado tem um rastilho mais curto do que a maioria das pessoas, e ferve em pouca água. Ainda assim, começa a acreditar que existem vários tipos de soluções para os problemas, mas esta viagem começa a ter muitos mais percalços do que se imaginava, e paz, essa, é que o casal não vai ter.

Antes de mais, Sightseers ganha pelos dois hilariantes protagonistas, que depressa nos fazem crer que os opostos se atraem. Tina é, aparentemente, uma mulher calma, frágil, inexperiente e ingénua, mas completamente apaixonada por Chris, cuja paciência tem um limite muito curto, não tolera má educação e resolve os conflitos de uma forma muito pouco comum. Sightseers passa-se entre discussões e muita paixão, mas, afinal, o amor tolera tudo e parece que eles foram feitos um para o outro.


O argumento é fabuloso, sarcástico, por vezes mórbido, e sem qualquer medo de chocar, com um humor fresco e tremendamente bem conseguido. Os protagonistas - com desempenhos encantadores de Alice Lowe e Steve Oram, também eles os argumentistas do filme - são a nossa companhia ao longo desta road trip, a que se junta, a certa altura, uma companhia canina muito especial.

Para o excelente resultado de Sightseers muito contribui a montagem fabulosa, a fotografia (dirigida por Laurie Rose), com cores suaves mas vívidas, que se adequam ao ambiente campestre repleto de paisagens deslumbrantes, e a banda sonora de Jim Williams, meia bucólica, mas onde encontramos também clássicos como Tainted Love.

Sightseers é inesperado até ao fim e uma lufada de ar fresco no IndieLisboa'13Ben Wheatley trouxe-nos uma grande surpresa, e será impossível não simpatizarmos com este casal com um feitio tão complicado, porque, afinal, ninguém gosta de má educação.