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sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Filme da Minha Vida, por Bruno Ferreira

O(s) Filme(s) da Minha Vida
por Bruno Ferreira


Não é a primeira vez que me vejo perante tamanha injustiça de escolher apenas um - e ainda para mais com um epíteto tão ressonante - Filme da Minha Vida! Os filmes, tal como os livros, ou os discos, apanham-nos incautos ao virar de uma esquina da vida e caçam-nos com os nossos humores, os nossos dias mais ensolarados ou fases aziagas. E é nessa base que deixam a sua marca nas nossas vidas. Uns, poucos, conseguem deixá-la vincada no nosso espírito, como a marca de um ferro em brasa cravada na carne de um touro. Ficará lá para sempre. Dos outros todos não nos voltaremos a lembrar.

O que acontece é que à medida que avançamos no tempo somos susceptíveis de sermos marcados mais vezes. Como aquela velha tartaruga que com a idade colecciona muitas marcas na sua carapaça, resultado de outras tantas aventuras. É essa a razão pela qual não consigo ser fiel apenas a um filme. Por isso deixem-me por de lado a monogamia cinéfila e assumir os meus pecados carnais com as fitas de oito milímetros.

Aliás, deixem-me ir ainda mais longe. Para escolher o filme da minha vida proponho realizar a famosa prática francesa Ménage à trois, utilizada para designar envolvimentos a três. Só que neste caso vou envolver-me com os três filmes da minha vida. É o que se chama de uma orgia cinéfila. Que venham os lençóis de cetim. 

Casablanca. Um épico de 1942, de Michael Curtis. Um marcante Humphrey Bogart é Rick Blaine e dirige a principal casa nocturna da cidade marroquina. No Café do Rick cruzam-se espiões, bandidos, nazis e aliados. Sempre sob o olhar agridoce de Rick, o desconfiado americano, muitos refugiados europeus tentam sair rumo a Lisboa, uma capital neutral no íntimo da segunda grande guerra. Um desses homens é Victor Laszlo, o líder da Resistência Checa. O problema é que Laszlo é casado com Ilsa Lund (Ingrid Bergman), antigo amor de Blaine. Caberá a Rick, o implacável charmoso, rude calculista, definir o destino de ambos. Tensão e muita intenção nas brilhantes interpretações de Ingrid e Bogart, diálogos fortes num clima perigosamente romântico são os maiores atributos desta ode ao cinema.


Blow Up. 1966. De Michelangelo Antonioni, a história relata a vida de Thomas, um fotógrafo de moda interpretado por um sedutor David Hemmings, numa Londres em plena revolução sexual, numa frenética agitação de festas, amor livre, rock’n’ Roll (saborosa banda sonora de Herbie Hancocke) e muitos excessos. Por tudo isso o filme desnorteou a conservadora Hollywood. O enredo prende-se com uma fotografia acidental que revela um assassinato perpetrado por uma manipuladora e sensual Vanessa Redgrave, na pele de Jane. Com uma fotografia quente e sofisticada, às vezes angustiante, outras excitante e erótico, o filme conta com uma cena considerada como o momento mais sexy da história do cinema. Daí se esculpiu o cartaz do filme. 

Cinema Paraíso. Estávamos em 1988 quando Giuseppe Tornatore trouxe para o grande ecrã a narrativa da paixão pelo cinema acima de todas as outras artes. Esta é a história de um projeccionista de uma pequena vila Siciliana do pós-guerra, o generoso Alfredo (Philippe Noiret) que nos revela o íntimo da sala de cinema, e do acanhado espaço de projecção. É desses momentos que se recorda Salvatore, quando era o pequeno ajudante de Alfredo, tendo a sala escura como central elemento comunitário da época, onde se começavam namoros, se faziam negócios e teciam conspirações, e onde muitas vezes o escuro abafava solapadas cenas de sexo. Mas Salvatore já não é essa criança. Vive em Roma, onde se tornou um realizador de sucesso. É lá que recebe a notícia da morte do seu amigo Alfredo, regressando a Giancaldo para um final poético. Esta é uma película melancólica e apaixonante que, embalada pela banda sonora de Ennio Morricone, se torna incapaz de sustar a lágrima mais inflexível.


Nisto batem-nos à porta. Era o Feios, Porcos e Maus, de Ettore Scola. Vinham nus e crus, despenteados e barulhentos. Infelizmente já não havia lugar para mais fitas por entre os lençóis. Fica para a próxima.

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Bruno Ferreira é um humorista e caricaturista da voz. Empresta a voz e a imagem a diversos personagens em televisão, rádio e eventos. É locutor de publicidade e dobrador de animações. 123 (RTP1), Edição Extra (SIC Radical), Memória de Elefante (RR), Contra-Informação (RTP1), O Formigueiro (SIC), Contrapoder (SIC Notícias) ou 5 Para a Meia-Noite (RTP1) são alguns exemplos do que tem feito. Os seus trabalhos como comediante, actor e locutor podem ser vistos em brunoferreiraonline.com.

Agradeço ao Bruno ter aceite o meu desafio.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Estreias da Semana #95

Seis filmes chegam hoje aos cinemas portugueses, entre eles duas reposições de clássicos - Hiroshima, Meu Amor e Casablanca. Entre as estreias, é A Propósito Llewyn Davis, dos irmãos Coen, que reúne as maiores atenções esta semana.

A Propósito de Llewyn Davis (2013)
Inside Llewyn Davis
A Propósito de Llewyn Davis acompanha uma semana da vida de um jovem cantor no ambiente da cena musical folk de Greenwich Village, em 1961. Llewyn Davis (Oscar Isaac) encontra-se falido, de guitarra ao ombro, à mercê do rigoroso Inverno de Nova Iorque. Luta para vencer enquanto músico, apesar dos obstáculos que tem de enfrentar e vive da boa vontade dos amigos. As desventuras de Llewyn levam-no a aceitar os poucos trabalhos como músico que vão aparecendo e a fazer viagens a Chicago e por toda a Nova Iorque, sempre incapaz de se afirmar enquanto artista a solo, chegando ao momento em que é obrigado a confrontar-se com a improbabilidade das suas acções.

Augustine (2012)
No Inverno de 1885, em Paris, no Hospital Salpêtrière, o Professor Charcot (Vincent Lindon) estuda uma misteriosa doença - a Histeria. A jovem Augustine (Soko), de 19 anos, torna-se o objecto de análise favorito de Charcot, principalmente para as suas demonstrações de hipnose. Mas de paciente de estudo, Augustine evolui gradualmente para objecto de desejo.

Casablanca (1942)
Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos fugitivos tentavam escapar dos nazis por uma rota que passava por Casablanca. O exilado Rick Blaine (Humphrey Bogart) encontrou refúgio na cidade, dirigindo uma das principais casas nocturnas da região. Clandestinamente, tentando despistar o Capitão Renault (Claude Rains), ele ajuda os refugiados a fugir para os Estados Unidos. Quando um casal pede a sua ajuda para deixar o país, ele reencontra uma grande paixão do passado, Ilsa (Ingrid Bergman). Este amor irá reacender-se e os dois farão de tudo para fugir juntos.

Chovem Almôndegas 2 (2013)
Cloudy with a Chance of Meatballs 2
O inventor Flint Lockwood é finalmente reconhecido e convidado por Chester V a juntar-se à Companhia The Live Corp, onde os mais brilhantes inventores do mundo criam tecnologias para o progresso da Humanidade. O braço direito de Chester – e uma das suas grandes invenções – é Barb, uma fêmea orangotango altamente evoluída com cérebro humano, que é também desonesta e manipuladora. Contudo, tudo muda quando Flint descobre que a sua máquina infame (que transforma água em comida) ainda funciona e está a criar animais-comida híbridos – comidimais! Com o destino da Humanidade nas suas mãos, Chester envia Flint e os seus amigos numa perigosa missão, onde lutam com tacodilos famintos, chimpacamarões, serpentartes de maçã, hamburgueranhas e outras criaturas estranhas para salvarem novamente o mundo.

Hiroshima, Meu Amor (1959)
Hiroshima Mon Amour
Uma actriz francesa (Emmanuelle Riva) conhece um arquitecto japonês casado (Eiji Okada) em Hiroshima, no pós-Guerra, e os dois envolvem-se intensamente. Este romance evoca o seu primeiro amor.

O Tempo dos Dinossauros: O Filme (2013)
Walking with Dinosaurs 3D
O Tempo dos Dinossauros: O Filme traz-nos uma aventura pré-histórica onde um pequeno dinossauro triunfa contra todas as probabilidades e pode tornar-se um reconhecido herói.