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sábado, 24 de janeiro de 2026

MONSTRA 2026: De 12 a 22 de Março, com filme-concerto de 'Pedro e o Lobo' e animação da Letónia

A 25.ª edição da MONSTRA - Festival de Animação de Lisboa regressa ao Cinema São Jorge, de 12 a 22 de Março. Este ano, o evento tem a Letónia como país convidado.


Na cerimónia de abertura, o festival vai celebrar os 90 anos de Pedro e o Lobo, uma história contada através da música, composta por Serge Prokofiev, em 1936, com a projecção do filme de 2006, realizado por Suzie Templeton, desta vez acompanhado de música interpretada ao vivo pela Orquestra de Sopros da Academia de Música de Santa Cecília.

Na sessão de abertura, serão também exibidos dois filmes de animação da Letónia, país cuja cinematografia será alvo de retrospectiva nesta edição do MONSTRA: The Kiosk, de Anete Melece, e Wings and Oars, de Vladimir Leschiov. Ambos os realizadores estarão em Lisboa durante o festival, onde irão dar masterclasses e integrar o júri oficial.

The Kiosk, de Anete Melece

A animação da Letónia combina uma forte tradição de curtas-metragens com uma produção cada vez maior de longas-metragens e o seu reconhecimento global foi alcançado com Flow (2024), de Gints Zilbalodis, que conquistou o Oscar para Melhor Filme de Animação.

Em parceria com o Museu da Marioneta, a MONSTRA inaugura a 13 de Fevereiro a exposição 60 anos de Animação de Marionetas da Letónia - Estúdio Animācijas Brigāde, uma mostra dos bastidores de um dos maiores estúdios de cinema de animação da Letónia, dedicado à animação stop-motion, e que produziu mais de 140 filmes desde a sua origem, em 1966, pelo mestre Arnolds Burovs. O público poderá ver marionetas e cenários de alguns de 12 filmes deste estúdio até ao dia 19 de Abril. A exposição conta com o apoio do Museu da Marioneta, da Mission Latvia e do National Film Centre of Latvia.

Masterclass Alexandra Ramires e Laura Gonçalves e MONSTRINHA Escolas

Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, realizadoras de Água Mole (2017) e Percebes (2024), vão marcar presença no festival a 18 de Março, com uma masterclass intitulada A força do fazer a várias mãos nos filmes de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves. A masterclass destina-se aos alunos das escolas de ensino artístico de Lisboa (ensino secundário e universitário) e pretende abordar os processos criativos e técnicos que dão vida aos filmes das realizadoras. As inscrições já podem ser feitas através do site do festival.

La Bolsita de Agua Caliente, de Yuliana Brutti

As inscrições para as sessões escolares da MONSTRINHA já estão abertas e terão uma programação especialmente pensada para cada faixa etária: pré-escolar (3 a 5 anos), 1º ciclo (6 a 9 anos), 2º e 3º ciclos (10 a 14 anos) e Geração M (ensino secundário).

Mais informações em https://www.monstrafestival.com/pt/.

sábado, 20 de julho de 2024

MDOC 2024: Programação completa

Já é conhecida a selecção oficial do MDOC - Festival Internacional de Documentário de Melgaço. O festival acontece de 29 de Julho a 4 de Agosto.

A questão palestiniana, os direitos humanos, as migrações, o colonialismo, o ambiente e as questões de género são os temas centrais numa edição comemorativa do 10.º aniversário do festival, marcada por 22 estreias no grande ecrã. Há 31 filmes a concurso no MDOC: 21 longas-metragens e 10 curtas e médias-metragens.

Selecção Nacional

São nove os documentários portugueses a integrar a competição da 10.ª edição do MDOC, entre os quais a curta-metragem de animação premiada no Festival de Annecy, Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, e A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro, que esteve na Quinzena dos Cineastas, em Cannes.

Percebes retrata o ciclo de vida e da apanha deste crustáceo no Algarve, tocando na temática do turismo massificado, e com testemunhos de habitantes locais. Já A Savana e a Montanha "retrata a luta dos habitantes de Covas de Barroso (concelho de Boticas) contra uma multinacional britânica – Savannah Ressources – que pretende construir a maior mina de lítio a céu aberto da Europa a poucos metros dos terrenos e casas da aldeia". Um documentário de resistência, com toques de western e fantasia. 

Além destes dois títulos juntam-se ainda mais sete documentários candidatos aos prémios Jean-Loup Passek D. Quixote (atribuído pela Federação Internacional de Cineclubes): Couto Mixto, de João Gomes"sobre a magia de um lugar, um estado independente de identidade híbrida galega e portuguesa"Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas, de Tânia Dinis"relato ficcional e documental sobre várias mulheres que, entre os anos 40 e 70, vieram para a cidade do Porto trabalhar como criadas de servir"Um mergulho em água fria, de Raquel Loureiro Marques, sobre imagens que deram forma ao imaginário de família da realizadora; Fogo no Lodo, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca"que retrata a guerra colonial vivida entre os balanta conhecidos como 'aqueles que resistem' (povo com forte tradição de resistência ao colonialismo português)"As Melusinas à margem do rio, de Melanie Pereira"uma conversa/reflexão com quatro mulheres sobre as suas identidades incertas e fragmentadas - o que é ser imigrante sem o ser, e ser luxemburguesa sem o ser"Clandestina, de Maria Mire, é "um mergulho no passado e na vivência de Margarida Tengarrinha que entra na clandestinidade em Portugal e se torna falsificadora por militância política"; e Histórias de Contrabandistas, de Agnes Meng"um viagem pelas memórias da aldeia de fronteira de Tourém onde se cruzaram vidas difíceis, aventuras inesquecíveis e histórias sobre o 'ninho de contrabandistas'".

Regressa a secção X-RAYDOC, dedicada à análise de filmes “cuja importância seja indiscutível para uma História do Documentário na qual se releva, como elemento estruturante, a relação com o outro, em contexto", com coordenação de Jorge Campos, jornalista, cineasta e programador cultural. A este juntar-se-á o jornalista do Público, Sérgio C. Andrade, para uma conversa-debate em torno do filme Adeus, Até ao Meu Regresso (Portugal, 1974), documentário de António-Pedro Vasconcelos, realizado para televisão em dezembro de 1974. O X-RAYDOC acontece a 3 de Agosto, às 10h00, na Casa da Cultura de Melgaço. No mesmo espaço e à mesma hora, mas a 2 de Agosto, tem lugar a masterclass sobre o cinema como lugar de disputa de memória e as potencialidades visuais e sonoras, com José Filipe Costa, realizador de várias curtas-metragens e documentários, entre os quais Prazer, Camaradas! (2019), Linha Vermelha (2011), Entre Muros (2002) e Senhorinha (1999).


Selecção Internacional

A questão palestiniana está muito presente no MDOC 2024, com três leituras diferentes sobre o conflito: Un Long Chemin Vers la Paix, de Tal Barda, "um manifesto de tolerância de um médico palestiniano que viu as suas três filhas mortas por um tanque israelita"; Voyage à Gaza, de Piero Usberti, com "a perspetiva de um 'viajante estrangeiro”' que chega a Gaza na Primavera de 2018 e é confrontado com as histórias de Sara, uma trabalhadora humanitária, Mohanad, um comunista convicto e Jumana, uma aspirante a advogada"; em No Other Land, "do colectivo Basel Adra, Hamdan Ballal, Yuval Abraham, Rachel Szor, durante meia década, Adra (que também é activista e advogado) filmou as aldeias de Masafer Yatta no sul da Cisjordânia a serem destruídas pela ocupação israelita, ao mesmo tempo que constrói uma aliança improvável com um jornalista israelita".

A questão dos direitos humanos é uma das temáticas patente nos filme Of Caravan and the dogs, de Askold Kurov, que "aborda a asfixia do discurso e do pensamento independentes na Rússia de Putin" e, em Democracy Noir, de Connie Field, "uma jornalista, uma política e uma activista decidem denunciar a natureza autocrática e populista do regime de Viktor Orbán, presidente húngaro que, actualmente, assume a presidência rotativa da União Europeia".

A falta de direitos e a situação da mulher está também presente em filmes como My Stolen Planet, da realizadora iraniana Farahnaz Sharif, "forçada a imigrar", ou Maydegol, de Sarvnaz Alambeigi, testemunho de "uma adolescente afegã imigrada no Irão e a luta pelos seus direitos contra a discriminação e a violência". The Takeover, de Anders Hammer, "filmado quando os talibãs retomaram o poder no Afeganistão", "retrata a rápida transformação do país e das mulheres que se recusam a perder os seus direitos".

Questões pós-coloniais são abordadas em filmes como The Battle for Laikipia, de Daphne Matziaraki e Peter Murimi, que mostra "como a crise climática está a despertar tensões em Laikipia, região do Quénia, onde os descendentes dos britânicos, que para lá emigraram e possuem grande parte das terras, e os indígenas, criadores de gado e assolados por uma seca, estão em concorrência directa"; e em Fogo no lodo, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca, regressam "as memórias da guerra colonial".

A temática das migrações é abordada no já referido As Melusinas à margem do rio, de Melanie Pereira; e em Les Chenilles, Michelle Keserwany e Noel Keserwany, em que, através da história de duas jovens imigrantes em França (provenientes da Síria e do Líbano), se mostram "os efeitos dos acontecimentos históricos nas suas vidas: a mudança que a deslocação impõe, as condições de trabalho, as diferenças culturais"Night of the coyotes, de Clara Trischler, é uma tragicomédia cheia de ironia, que "documenta como os habitantes de uma aldeia mexicana - que ficou praticamente deserta devido à imigração dos seus habitantes para os Estados Unidos - inventaram um jogo em que oferecem aos turistas a oportunidade de experimentarem a migração ilegal através da fronteira americana, isto para evitar que a aldeia desapareça".

Questões ligadas ao ambiente são levantadas por filmes como o já referido A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro; Black snow, de Aline Simone, "segue uma dona de casa russa, Natalia Zubkova, que denunciou um desastre ecológico na sua cidade natal, Kiselyovsk, na Sibéria, provocado pela mineração do carvão a céu aberto, o que fez dela uma inimiga do Estado"; e As the tide comes in, de Juan Palacios e Sofie Husum Johannese, mostra "como os 27 residentes de uma ilha dinamarquesa se apegam à sua identidade de ilhéus e enfrentam o risco de inundações provocadas pelas alterações climáticas".

Além da competição oficial, o MDOC apresenta um vasto programa, que integra uma Oficina de Documentário, residências de cinema e fotografia, masterclass, análise de um filme documentário de referência, estreia de seis exposições, um curso de Verão e o habitual CINEférias e o Salto a Melgaço (que inclui, nos dias 3 e 4 de Agosto, a projecção de filmes, visita a exposições, ao Museu de Cinema Jean-Loup Passek, ao Espaço Memória e Fronteira e às Termas de Melgaço).

Toda a informação sobre o MDOC em https://mdocfestival.pt/pt.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Curtas Vila do Conde 2024: Competição Nacional - Percebes, Mau por um Momento e Três Vírgula Catorze

A propósito da Competição Nacional do Curtas Vila do Conde 2024, analisámos Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves; Mau por um Momento, de Daniel Soares; e Três Vírgula Catorze, de Patrícia Rodrigues e Joana Nogueira.

Percebes, Alexandra Ramires e Laura Gonçalves


2024, Portugal, França - ANI, DOC · 11'

"Com o mar e um Algarve urbano como pano de fundo, seguimos um ciclo completo da vida de um molusco especial chamado percebes. No percurso da sua formação até ao prato, cruzamos diferentes contextos que nos permitem compreender melhor esta região e aqueles que nela habitam."

Vêm do mar, pela mão do homem, que se arrisca para o apanhar, chegam à praça, onde são apresentados aos curiosos e fazem as delícias dos fãs, e, por fim, chegam ao prato. Em Percebes, Alexandra Ramires e Laura Gonçalves apresentam o ciclo de vida dos percebes e de quem os apanha, vende ou come. Ao mesmo tempo, pelas ruas do Algarve desenhadas em animação, reclama-se do turismo, mas também se fala da falta que o mesmo faz à região. Percebes é o hino à resistência de um molusco, de uma região e das suas pessoas.


Mau por um Momento, Daniel Soares


2024, Portugal - FIC · 15'

"O dono de um jovem atelier de arquitectura participa com a sua equipa numa irreverente e inusitada actividade de team-building. O evento corre mal e o arquitecto é confrontado com a dura realidade da crise de habitação no bairro social que está a passar por um processo de gentrificação."

Mau por um Momento, de Daniel Soares, chega a Vila do Conde com uma Menção Honrosa conquistada no Festival de Cannes. Desde o início que se compreende que a consciência do protagonista, interpretado por João Villas-Boas, pesa, devido ao projecto em que está a trabalhar vir a prejudicar os mais pobres, de um bairro social. Com momentos, hilariantes - como a actividade de team-building da equipa -, de fúria, mas igualmente de melancolia e compaixão (sem faltar a crítica à gentrificação das cidades), a curta-metragem segue as mudanças de estado de espírito do arquitecto, a aprender a lidar com as suas escolhas.


Três Vírgula Catorze, Patrícia Rodrigues e Joana Nogueira


2024, Portugal - ANI, DOC · 12'

"Uma viagem interior pelo universo de crianças diagnosticadas com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), nomeadamente a incapacidade de parar ou estar caladas, e a sensação de que estão presas em si mesmas, onde lutam contra a sua própria visão de mundo e com o que é esperado delas." 

Três Vírgula Catorze, de Patrícia Rodrigues e Joana Nogueira, é uma animação em stop motion que transporta para o cinema as lutas diárias de crianças com PHDA. Um filme cheio de cor e algum experimentalismo, em contraste com as emoções das crianças, limitadas pelos medicamentos ou incompreendidas por quem as rodeia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

'Ice Merchants' e 'O Homem do Lixo' na corrida para o Oscar de Melhor Curta de Animação

Ice Merchants, de João Gonzalez, e O Homem do Lixo, de Laura Gonçalves, estão na lista de 15 finalistas na corrida para o Oscar de Melhor Curta de Animação. Desta shortlist sairão os cinco nomeados finais.

Recordamos as nossas críticas aos dois filmes portugueses em destaque.

Ice Merchants, João Gonzalez

"Um homem e o seu filho saltam de pára-quedas todos os dias, da sua casa fria e vertiginosa presa no alto de um precipício, para se deslocarem à aldeia que se situa na planície abaixo, onde vendem o gelo que produzem durante a noite."

A delicadeza da história e do traço de João Gonzalez, em Ice Merchants, confere à curta-metragem uma sensibilidade pouco comum. Compreende-se que tenha conquistado o Prémio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2022

A relação terna e de amor incondicional entre pai e filho, que vivem num precipício gelado, é pontuada por detalhes deliciosos - e cheios de pistas para o que aí vem. O baloiço nas alturas, o salto de pára-quedas, os objectos simbólicos dentro de casa ou o ritual da compra de chapéus, que todos os dias usam, bem como a perspectiva de perigo constante, tudo contribui para a criação de empatia e verdadeira preocupação da parte da plateia. Paira um sentimento de nostalgia sobre aquela casa que passa para o outro lado do ecrã, a par da espiritualidade que vai crescendo no decurso da acção.

Sem falas, embalado pela banda sonora e pelo som do vento ou dos objectos, Ice Merchants é comoção e amor, capaz de tocar bem fundo.


O Homem Do Lixo / The Garbage Man, de Laura Goncalves



"Numa tarde quente de Agosto, a família junta-se à mesa. As memórias de cada um recordam a história do tio Botão, que tinha uma carrinha cheia de 'lixo' onde guardava verdadeiros tesouro."

Laura Gonçalves oferece uma mesa cheia de memórias. Uma reunião de família, à refeição, é o momento ideal para lembrar o tio Manuel, cuja história se cruza com a de muitos portugueses, entre a Guerra Colonial e a emigração para França, em que o regresso à terra era motivo de festa e admiração.

O som de um almoço de família real encaixa nas imagens, onde, a guiar a câmara, está o macaco que Manuel adoptou em África. Um companheiro curioso, que percorre a mesa e os tachos, enquanto escuta, atento, cada história, tal qual a plateia.

A animação de O Homem do Lixo condiz com o espírito de nostalgia e alegria que se vive na sala. Fotografias e objectos ajudam a ilustrar as recordações que todos guardam deste homem que recuperava tudo o que outros deitavam ao lixo. 


Eis a lista completa de candidatos aos cinco lugares finais na categoria de Melhor Curta de Animação:

Black Slide

The Boy, the Mole, the Fox and the Horse

The Debutante

The Flying Sailor

The Garbage Man

Ice Merchants

It’s Nice in Here

More than I Want to Remember

My Year of Dicks

New Moon

An Ostrich Told Me the World Is Fake and I Think I Believe It

Passenger

Save Ralph

Sierra

Steakhouse