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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Mais um ano de bons desempenhos nesta categoria. Duas das nomeadas destacam-se das restantes, mas as cinco são merecedoras da nomeação, ainda que Michelle Williams pudesse trocar com outro nome (Janelle Monáe por Elementos Secretos seria a minha opção). Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.

É quase certo que à terceira nomeação será de vez, e a actriz levará, finalmente, o Oscar para casa. Ainda que seja discutível que Viola Davis esteja nomeada na categoria de Actriz Secundária e não Principal, e mesmo que tenha a seu favor o facto de já ter interpretado anteriormente o mesmo papel na Broadway, ela merece este prémio. Em Vedações, a actriz tem o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. É contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. 

Se Viola Davis não estivesse na corrida, Naomi Harris merecia, sem dúvida, o seu primeiro Oscar pelo papel de Paula em Moonlight. Na pele de uma toxicodependente, mãe do protagonista, a actriz tem uma interpretação atordoante, com uma notória e realista degradação física e psicológica ao longo do filme.

Bastam poucos minutos da sua presença para que um filme se encha do seu talento, assim é Nicole Kidman. A actriz de Lion - A Longa Estrada para Casa enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos.

Numa interpretação mais contida do que a que lhe valeu um Oscar em As Serviçais, Octavia Spencer merece a nomeação deste ano. Em Elementos Secretos (onde as três principais actrizes fazem um excelente trabalho), a actriz é uma matemática da NASA que está descontente com a forma como as negras ali são tratadas, mas receia levantar ondas. A revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la, contudo, querer mudar e ultrapassar os seus receios.

Pela quarta vez nomeada para um Oscar, ainda não será desta que Michelle Williams levará a estatueta consigo. Apesar da dor e sofrimento que demonstra quando veste a pele da sua personagem em Manchester by the Sea, a actriz não consegue competir com as performances das restantes nomeadas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Sugestão da Semana #258

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda Moonlight, de Barry Jenkins. Podes ler ou reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

MOONLIGHT


Ficha Técnica:
Título Original: Moonlight
Realizador: Barry Jenkins
Actores: Naomi Harris, Mahershala AliAlex R. Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 111 minutos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Crítica: Moonlight (2016)

"In moonlight, black boys look blue. You're blue"
Old lady
*8/10*

Barry Jenkins
coloca no ecrã uma bela história de vida, com uma realização de génio forte. Marcante e atordoante, a câmara do realizador transporta-nos para um filme que de comercial e hollywoodesco só tem o argumento e, mesmo aí, quebra tabus. Falo de Moonlight, um trabalho rigoroso, que faz realizador e actores brilharem ao luar.

Uma vida em três actos é a proposta de Jenkins, baseada na peça In Moonlight Black Boys Look Blue, de Tarell Alvin McCraney, que nunca chegou a ser produzida, e cujo título surge nas linhas de diálogo de Moonlight.


Seguimos Chiron ao longo de três momentos da sua vida: em criança, adolescente e jovem adulto. O protagonista cresce num bairro problemático de Miami, onde o tráfico de droga é uma constante. Vive com a mãe, sofre de bullying na escola e luta por encontrar o seu lugar no mundo.

Moonlight é um filme de auto-descoberta, com um argumento que explora a toxicodependência, o bullying e a homossexualidade. Não sendo a narrativa muito original, trata os dois primeiros assuntos de forma cruel e exímia, com a experiência do próprio realizador, que cresceu com uma mãe viciada em droga, a traduzir-se numa muito realista relação mãe-filho. Barry Jenkins aborda igualmente sem rodeios a temática do bullying e só é pena que não tenha sido tão directo no que à homossexualidade diz respeito. Ainda assim, o tema é introduzido através de uma óptima introspecção dos actores. Subtil, mas eficaz - especialmente para Hollywood.


Contudo, é tecnicamente que Moonlight se ilumina. A realização que recorre frequentemente à hand-held camera persegue as personagens e faz-nos entrar nos seus sentimentos e sensações. Jenkins arrisca nos planos sequência estonteantes, nas cores hipnóticas, fazendo-nos sentir medo ou desnorte. Ao mesmo tempo, a direcção de fotografia tira o melhor partido das cores e da noite, com o luar a iluminar o bom trabalho de James Laxton, e a inesperada banda sonora transporta-nos para uma realidade intemporal num excelente trabalho de Nicholas Britell.


O elenco é outra força do filme, com os secundários a destacarem-se: Naomi Harris tem uma interpretação atordoante como Paula, com uma degradação física e psicológica imensa ao longo do filme; e Mahershala Ali faz-se notar, numa prestação muito emotiva na pele de Juan. O casting foi também certeiro no que toca aos três actores que interpretam ChironAlex R. Hibbert, o mais jovem e estreante nas lides da representação, oferece-nos um Chiron solitário, revoltado e assustado. Por sua vez, Ashton Sanders reforça a revolta contra o mundo, mas intensifica a auto-descoberta típica da adolescência. Trevante Rhodes, o Chiron mais velho, mantém as suas principais características em criança, com muito mais independência, coragem e controlo.

Moonlight apregoa a liberdade de ser, escolher e sonhar, para que todos possam brilhar como o luar, sem preconceitos.