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quarta-feira, 12 de abril de 2023

Crítica: Air (2023)

*7/10*


Com Air, Ben Affleck aventura-se na realização de um filme sobre desporto, que segue as negociações entre uma marca desportiva e atletas. Tudo poderia parecer banal, não fosse a Nike a marca em foco e Michael Jordan o basquetebolista visado.

Air conta "a história do contrato entre a marca de calçado desportivo Nike e a então jovem estrela em ascensão do basquetebol, Michael Jordan. Em meados dos anos 80, o acordo parecia impossível, mas acabou por acontecer graças ao vendedor Sonny Vaccarro que conseguiu criar a mais importante relação de sempre entre uma marca e um atleta."


Eis a frenética jornada de Sonny Vaccarro, para defender as suas ideias progressistas e aparentemente arriscadas, junto do chefe, dos colegas de trabalho e da família da estrela em ascensão Michael Jordan. Tudo para fazer crescer a marca Nike no basquetebol com o lançamento das sapatilhas Air Jordan. O resto... é História.

Air está repleto de diálogos dinâmicos e bem escritos, negociações fervorosas, e um elenco que se enleva mutuamente, com destaque para Matt DamonJason BatemanChris Tucker, Ben Affleck e a sempre fabulosa Viola Davis, na pele de Deloris Jordan, mãe de Michael, a mulher decisiva no jogo das negociações. Ela sabe fazer valer o talento do filho e impulsiona uma nova forma de marketing no calçado desportivo e no desporto.


Em redor da excelente direcção de actores, está a direcção artística e guarda-roupa que recriam a década de 80 ao pormenor - uma viagem no tempo para a plateia.

Ben Affleck segue a dar cartas enquanto realizador com uma abordagem dinâmica e eficaz. Air é a dupla ascensão de uma marca e de um atleta - que se tornou o melhor dos melhores -, através da visão de um homem de negócios e da perspectiva de uma mãe. 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Oscars 2021: As Actrizes Principais

Passamos às nomeadas para o Oscar de Melhor Actriz. 2020 foi um ano de grandes desempenhos femininos. Das cinco nomeadas, temos duas verdadeiramente arrebatadoras nos seus papéis, duas veteranas que nunca fazem mau trabalho e um papel tão físico como psicologicamente exaustivo. Ficaram de fora nomes como Zendaya (em Malcolm and Marie - assumidamente, uma das minhas favoritas) ou Rosamund Pike (I Care a Lot). 

Eis a minha lista das nomeadas, por ordem de preferência.

1. Carey Mulligan (Uma Miúda com Potencial / Promising Young Woman

Carey Mulligan revela-se surpreendente na pele desta personagem vingativa e corajosa. A aparente fragilidade e delicadeza da actriz, bem como a forma como é capaz de se transformar enquanto Cassie, fazem dela a mais acertada escolha para o papel. Ela consome-se, definha psicologicamente e revela traços de sociopatia; ao mesmo tempo que renasce sensual e decidida, comandada por um insaciável desejo de vingança.

2. Andra Day (Estados Unidos vs. Billie Holiday / The United States v. Billie Holiday

Andra Day não é a primeira actriz a interpretar Billie Holiday, mas faz um trabalho fabuloso. Treinou a voz para conseguir o tom grave e rouco da cantora, começou a fumar e a beber, perdeu peso, entregou-se a uma interpretação tão física como psicológica, sem problemas com cenas de nudez, violência ou de consumo de heroína, e é capaz de dotar a personagem de um carisma imenso em palco e de uma incapacidade de amor próprio nos momentos de maior fragilidade. Andra é frágil e forte, dominada mas decidida, apaixonada, magoada, corajosa mas influenciável. A cantora e actriz percorre uma série de estados de alma, mas o olhar vazio e desalentado é capaz de nos arrebatar.

3. Vanessa Kirby (Pieces of a Woman)

Vanessa Kirby é realmente extraordinária como Martha. A actriz transfigura-se de forma especialmente realista durante o parto, entre dores, fraqueza e desespero, bem como nos meses seguintes, deprimida, magoada, desamparada, capaz contudo de fazer valer a sua palavra e a sua vontade. No meio de tanto sofrimento, a vida de Martha ressurge quando as sementes de maçã começam a germinar.

4. Frances McDormand (Nomadland - Sobreviver na América)

Sempre a reinventar-se, Frances McDormand tem um desempenho sóbrio e realista, na pele desta mulher nómada por natureza, independente e corajosa, que viaja pelo país à medida que as estações do ano passam e para onde o trabalho surja. Incapaz de criar raízes, estabelece laços com quem quer que se cruze, mas segue caminho, deixando em aberto potenciais - e quase certos - reencontros. Fern só se sente livre e feliz dentro da sua carrinha; ela não quer amarras, luta contra os sentimentos e, muitas vezes, foge como uma adolescente.

5. Viola Davis (Ma Rainey: A Mãe do Blues / Ma Rainey’s Black Bottom)

Viola Davis capta na perfeição movimentos, postura e modo de falar da artista, de presença forte e personalidade difícil, fazendo-se valer do seu talento para reivindicar os seus direitos. No entanto, mesmo que Ma Rainey: A Mãe dos Blues sugira que Davis é a grande estrela do filme, certo é que é Chadwick Boseman quem mais brilha e se destaca. Viola Davis torna-se secundária na acção, que roda muito mais em torno do actor.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

SAG Awards: Os Vencedores

Os vencedores dos Screen Actors Guild Awards - os prémios do sindicato de actores norte-americano - foram anunciados na noite de Domingo, 4 de Abril, numa cerimónia virtual pré-gravada.

The Trial of the Chicago 7, The Crown e Schitt's Creek conquistaram os prémios para Melhor Elenco. Eis a lista completa de vencedores:

CINEMA

Melhor Elenco

DA 5 BLOODS

MA RAINEY’S BLACK BOTTOM

MINARI

ONE NIGHT IN MIAMI…

THE TRIAL OF THE CHICAGO 7


Melhor Actriz Principal

AMY ADAMS / Bev – HILLBILLY ELEGY

VIOLA DAVIS / Ma Rainey – MA RAINEY’S BLACK BOTTOM

VANESSA KIRBY Martha – PIECES OF A WOMAN

FRANCES McDORMAND / Fern – NOMADLAND

CAREY MULLIGAN / Cassandra – PROMISING YOUNG WOMAN


Melhor Actor Principal

RIZ AHMED / Ruben – SOUND OF METAL

CHADWICK BOSEMAN / Levee – MA RAINEY’S BLACK BOTTOM

ANTHONY HOPKINS / Anthony – THE FATHER

GARY OLDMAN / Herman Mankiewicz – MANK

STEVEN YEUN / Jacob – MINARI


Melhor Actriz Secundária

MARIA BAKALOVA / Tutar – BORAT SUBSEQUENT MOVIEFILM

GLENN CLOSE / Mamaw – HILLBILLY ELEGY

OLIVIA COLMAN / Anne – THE FATHER

YUH-JUNG YOUN / Soonja – MINARI

HELENA ZENGEL / Johanna – NEWS OF THE WORLD


Melhor Actor Secundário

SACHA BARON COHEN / Abbie Hoffman – THE TRIAL OF THE CHICAGO 7

CHADWICK BOSEMAN Stormin’ Norman – DA 5 BLOODS

DANIEL KALUUYA / Fred Hampton – JUDAS AND THE BLACK MESSIAH

JARED LETO Albert Sparma – “THE LITTLE THINGS

LESLIE ODOM JR. Sam Cooke – ONE NIGHT IN MIAMI…


Melhor Elenco de Duplos

DA 5 BLOODS

MULAN

NEWS OF THE WORLD

THE TRIAL OF THE CHICAGO 7

WONDER WOMAN 1984


TELEVISÃO

Melhor Elenco - Drama

BETTER CALL SAUL

BRIDGERTON

THE CROWN

LOVECRAFT COUNTRY

OZARK


Melhor Actriz - Drama

GILLIAN ANDERSON / Margaret Thatcher – THE CROWN

OLIVIA COLMAN Queen Elizabeth II – THE CROWN

EMMA CORRIN / Princess Diana – THE CROWN

JULIA GARNER / Ruth Langmore – OZARK

LAURA LINNEY Wendy Byrde – OZARK


Melhor Actor - Drama

JASON BATEMAN Marty Byrde – OZARK

STERLING K. BROWN / Randall Pearson – THIS IS US

JOSH O’CONNOR / Prince Charles – THE CROWN

BOB ODENKIRK Jimmy McGill/Saul Goodman – BETTER CALL SAUL

REGÉ-JEAN PAGE / Simon Basset – BRIDGERTON


Melhor Elenco - Comédia

DEAD TO ME

THE FLIGHT ATTENDANT

THE GREAT

SCHITT’S CREEK

TED LASSO


Melhor Actriz - Comédia

CHRISTINA APPLEGATE / Jen Harding – DEAD TO ME

LINDA CARDELLINI / Judy Hale – DEAD TO ME

KALEY CUOCO Cassie Bowden – THE FLIGHT ATTENDANT

ANNIE MURPHY / Alexis Rose – SCHITT’S CREEK

CATHERINE O’HARA / Moira Rose – SCHITT’S CREEK


Melhor Actor - Comédia

NICHOLAS HOULT Peter – THE GREAT

DANIEL LEVY / David Rose – SCHITT’S CREEK

EUGENE LEVY / Johnny Rose – SCHITT’S CREEK

JASON SUDEIKIS / Ted Lasso – TED LASSO

RAMY YOUSSEF / Ramy – RAMY


Melhor Actor em minissérie ou filme para televisão

BILL CAMP Mr. Shaibel – THE QUEEN’S GAMBIT

DAVEED DIGGS / Marquis de Lafayette/Thomas Jefferson – HAMILTON

HUGH GRANT / Jonathan Fraser – THE UNDOING

ETHAN HAWKE / John Brown – THE GOOD LORD BIRD

MARK RUFFALO / Dominick Birdsey/Thomas Birdsey – I KNOW THIS MUCH IS TRUE


Melhor Actriz em minissérie ou filme para televisão

CATE BLANCHETT / Phyllis Schlafly – MRS. AMERICA

MICHAELA COEL Arabella – I MAY DESTROY YOU

NICOLE KIDMAN Grace Fraser – THE UNDOING

ANYA TAYLOR-JOY / Beth Harmon – THE QUEEN’S GAMBIT

KERRY WASHINGTON / Mia Warren – LITTLE FIRES EVERYWHERE


Melhor Elenco de Duplos

THE BOYS

COBRA KAI

LOVECRAFT COUNTRY

THE MANDALORIAN

WESTWORLD

domingo, 20 de dezembro de 2020

Crítica: Ma Rainey: A Mãe do Blues / Ma Rainey's Black Bottom (2020)

*7/10*

Ma Rainey: A Mãe do Blues (Ma Rainey's Black Bottom) estreou sob chancela da Netflix, numa adaptação cinematográfica da peça de teatro de August Wilson, realizada por George C. Wolfe.

"Chicago, 1927. A tensão e a temperatura estão ao rubro durante uma tarde de gravações enquanto a banda aguarda por Ma Rainey (Viola Davis). Atrasada, a feroz Ma envolve-se numa batalha com o agente pelo controlo da sua música. Enquanto a banda aguarda na pequena sala de ensaios, o ambicioso trompista Levee (Chadwick Boseman) - de olho na namorada de Ma e determinado a deixar a sua própria marca na indústria musical - incita os colegas a partilharem um mar de histórias reveladoras de verdades que vão alterar a vida de todos para sempre."

A componente teatral é característica vincada no filme de George C. Wolfe e faz todo o sentido que assim seja. Toda a acção passa-se apenas num dia, e o tempo corre entre ensaios, gravação, conversas e discussões acesas. A tensão está sempre presente, seja por pontos de vista distintos sobre música ou religião, formas de estar na vida e, claro, o controlo da música de Ma Rainey.

Viola Davis capta na perfeição movimentos, postura e modo de falar da artista, de presença forte e personalidade difícil, fazendo-se valer do seu talento para reivindicar os seus direitos. No entanto, mesmo que Ma Rainey: A Mãe dos Blues sugira que Davis é a grande estrela do filme, certo é que é Chadwick Boseman quem mais brilha e se destaca. O actor, falecido este ano, rouba todas as atenções quando está em cena, na pele de um trompetista ambicioso e traumatizado, com mudanças de humor capazes de aterrorizar. Um excelente desempenho no derradeiro filme de Boseman. O elenco de secundários tem igualmente prestações de destaque com Colman DomingoGlynn Turman e Michael Potts, na pele dos restantes músicos da banda, e Jeremy Shamos, que interpreta o agente de Ma.

George C. Wolfe traz-nos uma celebração do blues e da figura de Ma Rainey, num filme dinâmico, com bons diálogos e grandes desempenhos, onde caracterização, guarda-roupa e direcção artística dão o toque de mestre para a viagem no tempo acontecer.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Sugestão da Semana #351

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Viúvas, de Steve McQueen.

Viúvas


Ficha Técnica:
Título Original: Widows
Realizador: Steve McQueen
Actores: Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Liam Neeson, Robert Duvall, Colin Farrell, Brian Tyree Henry, Daniel Kaluuya, Jacki Weaver
Género: Crime, Drama, Romance
Classificação: M/14
Duração: 129 minutos

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Globos de Ouro 2018: Red Carpet

Depois dos prémios e discursos, olhamos, como de costume, para a red carpet dos Globos de Ouro 2018. Numa noite em que o preto dominou como forma de protesto, o Hoje Vi(vi) um Filme destacou os seus 10 looks favoritos.


 A protagonista da polémica série 13 Reasons Why, Katherine Langford, estreou-se nos Globos de Ouro com um bonito vestido preto Prada, cintado com brilhantes.


Susan Kelechi Watson vestiu um macacão de lantejoulas preto Monsoori que lhe deu um brilho especial nesta noite de prémios. O cabelo foi mais um ponto a favor da actriz de This Is Us.


Sempre elegante, Penélope Cruz foi mais uma das que soube tirar partido do vestido preto rendado e com uma cauda Ralph & Russo, muito glamoroso.


Simples e natural, Viola Davis deslumbrou no vestido preto Brandon Maxwell, com um colar a dar vivacidade ao look e, claro, o belíssimo cabelo, que lhe dá uma imensa jovialidade.


Alexis Bledel surgiu discreta mas muito elegante neste conjunto Oscar de la Renta de top preto e branco e calça preta. O lenço à cintura é um detalhe inesperado mas que funciona.


Vencedora de um Globo de Ouro pelo seu papel na série The Handmaid's Tale, Elisabeth Moss apresentou-se na passadeira vermelha com um vestido preto simples Christian Dior, que se adapta especialmente bem à sua silhueta e estilo jovial e divertido. A gola faz toda a diferença.


 A Mulher-Maravilha Gal Gadot surgiu num vestido preto Tom Ford, com um blazer curto que lhe deu um estilo mais formal, mas não menos elegante. O cabelo apanhado foi mais um factor a seu favor.


Como já nos tem habituado, Margot Robbie surgiu elegantíssima num vestido Gucci de decote em V. No preto, destaca-se o estampado de flores prateado.


Angelina Jolie regressa à passadeira vermelha esplendorosa. O vestido preto Versace, com uma capa transparente que termina de forma bastante original, destaca a sua figura e torna-a ainda mais majestosa.


A minha favorita da noite foi Dakota Johnson neste vestido preto da Gucci, cuja cauda, com detalhes em prateado, lhe dá todo o encanto. Uma bela surpresa que fez a actriz destacar-se entre tantos vestidos da mesma cor.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Red carpet

Depois de um final de noite atribulado na entrega dos Oscars 2017, olhemos com mais calma para a passadeira vermelha. Eis aqueles que foram, para mim, os mais bem vestidos da cerimónia, onde predominaram vermelho, preto e branco (e muito dourado).



TARAJI P. HENSON arrasou na red carpet. O vestido Alberta Ferretti potenciou a sensualidade da actriz, e as jóias - destaco a gargantilha lindíssima - deram-lhe uma elegância e charme a que foi impossível ficar indiferente.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, ISABELLE HUPPERT é a elegância em pessoa. Fabulosa, a protagonista de Ela surgiu um vestido branco "reluzente" Armani Privé, que lhe assentou muito bem e lhe favoreceu a figura, a contrastar com o batom e unhas escuras.


Vencedora do Oscar de Melhor Actriz em 2016, BRIE LARSON surgiu sóbria mas muito sexy num vestido preto Oscar de la Renta que, apesar da cor escura, tinha uma presença imensa graças ao seu design volumoso e ondulante.


Também de preto, KIRSTEN DUNST desfilou num vestido Dior, com bolsos, que deixava ver os sapatos, e balançava entre o elegante e o jovial. Uma boa aposta da actriz.



O vencedor do Oscar de Melhor Actor Secundário, MAHERSHALA ALI, foi um dos homens mais elegantes da noite, um fato preto Ermenegildo Zegna.

Com um penteado leve e jovial, VIOLA DAVIS soube também escolher o modelo para o dia em que venceu o seu primeiro Oscar. A actriz surgiu lindíssima num vestido vermelho Armani Privé que destacou imenso a sua figura. A clutch e jóias douradas deram-lhe ainda mais elegância.


JANELLE MONAE nunca passa despercebida. Com este vestido da Elie Saab, preto e prateado, onde reinam as transparência, foi novamente impossível não tirar os olhos da cantora e actriz. Apesar de não ser especial fã da saia, acho que a parte de cima, a gargantilha e cabelo fazem valer todo o visual, que a transforma numa qualquer rainha exótica.


Mais um dos homens mais bem vestidos dos Oscars 2017: RYAN GOSLING. Elegante e sempre cavalheiro, o protagonista de La La Land, nomeado para Melhor Actor, chamou as atenções no seu fato Gucci.


Simples, mas muito bonito. O vestido Louis Vuitton, preto e branco, decotado e comprido, que MICHELLE WILLIAMS levou à cerimónia dos Oscars - onde esteva nomeada para Melhor Actriz Secundária - assentava-lhe especialmente bem. A maquilhagem suave e o cabelo curto, como já nos tem habituado, tornaram-na uma das minhas favoritas da noite.


A minha favorita da noite foi mesmo RUTH NEGGA. Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, a protagonista de Loving surgiu num vestido vermelho Valentino, comprido, de manga comprida e gola subida, com alguns detalhes de renda. A maquilhagem (que destacou os seus enormes olhos e boca) e o cabelo, a condizer, transformaram-na na mais bonita desta cerimónia.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Mais um ano de bons desempenhos nesta categoria. Duas das nomeadas destacam-se das restantes, mas as cinco são merecedoras da nomeação, ainda que Michelle Williams pudesse trocar com outro nome (Janelle Monáe por Elementos Secretos seria a minha opção). Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.

É quase certo que à terceira nomeação será de vez, e a actriz levará, finalmente, o Oscar para casa. Ainda que seja discutível que Viola Davis esteja nomeada na categoria de Actriz Secundária e não Principal, e mesmo que tenha a seu favor o facto de já ter interpretado anteriormente o mesmo papel na Broadway, ela merece este prémio. Em Vedações, a actriz tem o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. É contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. 

Se Viola Davis não estivesse na corrida, Naomi Harris merecia, sem dúvida, o seu primeiro Oscar pelo papel de Paula em Moonlight. Na pele de uma toxicodependente, mãe do protagonista, a actriz tem uma interpretação atordoante, com uma notória e realista degradação física e psicológica ao longo do filme.

Bastam poucos minutos da sua presença para que um filme se encha do seu talento, assim é Nicole Kidman. A actriz de Lion - A Longa Estrada para Casa enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos.

Numa interpretação mais contida do que a que lhe valeu um Oscar em As Serviçais, Octavia Spencer merece a nomeação deste ano. Em Elementos Secretos (onde as três principais actrizes fazem um excelente trabalho), a actriz é uma matemática da NASA que está descontente com a forma como as negras ali são tratadas, mas receia levantar ondas. A revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la, contudo, querer mudar e ultrapassar os seus receios.

Pela quarta vez nomeada para um Oscar, ainda não será desta que Michelle Williams levará a estatueta consigo. Apesar da dor e sofrimento que demonstra quando veste a pele da sua personagem em Manchester by the Sea, a actriz não consegue competir com as performances das restantes nomeadas.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Crítica: Vedações / Fences (2016)

"Some people build fences to keep people out, and other people build fences to keep people in."
Bono

*7/10*

Vedações, de Denzel Washington, não engana: é um filme onde as palavras e interpretações ganham um espaço muito maior do que a própria imagem. É verdade, adapta uma peça de teatro ao cinema. 

É muito mais um filme de emoções e sentimentos do que de acontecimentos ou acções, que vive, em especial dos seus actores, com destaque para o casal protagonista Washington e Viola Davis.

Vedações retrata a vida e as frustrações de uma família operária afro-americana nos anos 50. Troy Maxson (Denzel Washington) é um homem que sonhou ser uma estrela de basebol mas que, devido à sua raça, se resignou a trabalhar na recolha do lixo para sustentar a família. Os conflitos existenciais consomem-nos e ameaçam destruir tudo à sua volta.


Adaptar uma peça de teatro ao cinema não é tarefa fácil. Washington fá-lo bem como realizador e protagonista, como bom conhecedor da peça de August Wilson das suas representações teatrais - mais de 100 vezes em palco como Troy. Não é de estranhar, portanto, a familiaridade com que o actor e parte do restante elenco (que também fez os mesmos papéis no palco) tratam o texto que representam.

Muito teatral, especialmente ao início, com longos diálogos, muito vocabulário e poucos silêncios. Vedações evidencia ainda mais a sua ascendência ao passar-se quase exclusivamente no mesmo espaço ao longo do filme - a casa da família Maxson.

Passado e futuro misturam-se nas tomadas de decisão das personagens e condicionam-nas. É curioso estabelecer certos paralelismos entre as personagens que ditam o seu rumo ao longo do filme. A relação familiar e os sonhos desfeitos de pais e filhos são o centro da narrativa e é a mãe Rose, quem procura conciliar diferenças e frustrações. A frase que Bono, o amigo fiel de Troy, diz a certo momento no filme, resume bem o papel da personagem feminina: "Some people build fences to keep people out, and other people build fences to keep people in." ("Alguns constroem vedações para manter as pessoas fora, outros constroem para as manter dentro").


A pairar sobre Vedações está uma componente religiosa e mística muito poderosa. O protagonista desafia muitas vezes a morte e o irmão Gabe tem um discurso desconexo sobre a mesma ideia. Troy trata a morte como um adversário com quem se propõe a lutar sempre que for preciso e Gabe, no meio da sua doença, fala de São Pedro e dos cães do Inferno com uma veemência que deixa os que o rodeiam assombrados.

O elenco é o motor desta longa-metragem que traz consigo tanto do teatro. O Troy de Denzel Washington e a Rose de Viola Davis são personagens dotadas de uma força avassaladora, toda ela conferida pelos actores com performances estrondosas. O protagonista encarna com a naturalidade da prática um homem de sonhos perdidos, que refugia no álcool os seus desgostos, em constante conflito com os filhos, ambicioso e egoísta. Quer fazer tudo pela família, mas são mais as oportunidades de triunfo que lhes rouba. Sendo quase omnipresente, não deixa de ser uma personagem incapaz de conquistar a plateia, tanta é a amargura que carrega em si. 


Viola Davis tem, por seu lado, o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. A actriz é contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. De destaque é ainda a boa prestação de Mykelti Williamson como Gabe, o irmão de Troy terrivelmente marcado pela guerra. Apesar de ser uma personagem secundária, Gabe é de extrema importância para conhecermos Troy e traz consigo mágoa e uma espiritualidade muito característica.

Vedações traz o teatro ao cinema, mas consegue fazê-lo cativando a plateia que, apesar de estranhar tantas palavras e menos estímulos visuais, vai embrenhar-se da história da família Maxson e segui-la com verdadeiro interesse e preocupação.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Globos de Ouro 2017: Os Vencedores

A 74.ª edição dos Globos de Ouro acontece na madrugada de Domingo, em Los Angeles. Por aqui, estaremos a actualizar em tempo real os vencedores das categorias de cinema.


Melhor Filme - Drama
O Herói de Hacksaw Ridge
Hell or High Water - Custe o Que Custar
Lion - A Longa Viagem para Casa
Manchester by the Sea
Moonlight

Melhor Actriz - Drama
Amy AdamsO Primeiro Encontro (Arrival)
Jessica ChastainMiss Sloane
Isabelle Huppert, Ela (Elle)
Ruth NeggaLoving
Natalie PortmanJackie

Melhor Actor - Drama
Casey AffleckManchester by the Sea
Joel EdgertonLoving
Andrew GarfieldO Herói de Hacksaw Ridge
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
Denzel WashingtonVedações (Fences)

Melhor Filme - Comédia ou Musical
Mulheres do Século XX (20th Century Women)
Deadpool
La La Land: Melodia de Amor
Florence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Sing Street

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Annette BeningMulheres do Século XX (20th Century Women)
Lily CollinsRules Don't Apply
Hailee SteinfeldEdge of Seventeen
Emma StoneLa La Land: Melodia de Amor
Meryl StreepFlorence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)

Melhor Actor - Comédia ou Musical
Colin FarrellA Lagosta (The Lobster)
Ryan GoslingLa La Land: Melodia de Amor
Hugh GrantFlorence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Jonah HillOs Traficantes (War Dogs)
Ryan ReynoldsDeadpool

Melhor Filme de Animação
Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings)
Vaiana (Moana)
My Life as a Zucchini (Ma vie de Courgette)
Cantar! (Sing!)
Zootrópolis (Zootopia)

Melhor Filme Estrangeiro
Divines
Ela (Elle)
Neruda
O Vendedor (The Salesman)
Toni Erdmann

Melhor Actriz Secundária
Viola Davis, Vedações (Fences)
Naomie HarrisMoonlight
Nicole KidmanLion - A Longa Viagem para Casa
Octavia SpencerElementos Secretos (Hidden Figures)
Michelle WilliamsManchester by the Sea

Melhor Actor Secundário
Mahershala AliMoonlight
Jeff BridgesHell or High Water - Custe o Que Custar
Simon HelbergFlorence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Dev PatelLion - A Longa Viagem para Casa
Aaron Taylor JohnsonAnimais Noturnos (Nocturnal Animals)

Melhor Realizador
Damien ChazelleLa La Land: Melodia de Amor
Tom FordAnimais Noturnos (Nocturnal Animals)
Mel Gibson, O Herói de Hacksaw Ridge
Barry JenkinsMoonlight
Kenneth LonerganManchester by the Sea

Melhor Argumento
Damien ChazelleLa La Land: Melodia de Amor
Tom FordAnimais Noturnos (Nocturnal Animals)
Barry JenkinsMoonlight
Kenneth LonerganManchester by the Sea
Taylor SheridanHell or High Water - Custe o Que Custar

Melhor Banda Sonora Original
MoonlightNicholas Brittell
La La Land: Melodia de AmorJustin Hurwitz
O Primeiro Encontro(Arrival), Jóhann Jóhannsson
Lion - A Longa Viagem para CasaDustin O'Halloran e Hauschka
Elementos Secretos (Hidden Figures)Benjamin Wallfisch, Pharrell Williams e Hans Zimmer

Melhor Canção Original
Can't Stop the FeelingTrolls
City of StarsLa La Land: Melodia de Amor
FaithCantar! (Sing!)
GoldGold
How Far I'll GoVaiana (Moana)

Prémio Cecil B. DeMille
Meryl Streep

Artigo actualizado pela última vez às 4h05.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Crítica: Esquadrão Suicida / Suicide Squad (2016)

"Uh-Oh"
Harley Quinn

*6/10*

Um dos filmes mais esperados de 2016 - em especial pelos fãs de comic books - toma de assalto os cinemas em forma de Esquadrão Suicida. Os vilões mais implacáveis são obrigados a juntarem-se para... salvar o mundo.

O realizador David Ayer parece ter-se sentido intimidado pelos actores e personagens que tinha em mãos e, afinal, são só mesmo eles que brilham no meio do argumento pouco elaborado e muito atribulado. As atenções são sugadas especialmente pela fabulosa Harley Quinn de Margot Robbie, encantadora e mortífera. É a namorada de Joker o elo entre os vários conflitos do filme, e é ela também quem mais se destaca.


A agente Amanda Waller (Viola Davis) quer reunir um grupo secreto de indivíduos com pouco ou nada a perder, e construir uma equipa – o Esquadrão Suicida - com os mais perigosos, até agora encarcerados, super vilões. Será preciso armá-los com um poderoso arsenal à disposição do Governo e enviá-los numa missão para derrotar uma enigmática e, aparentemente, invencível entidade que ameaça o mundo. No entanto, quando os seus membros percebem que não foram escolhidos pela possibilidade de sucesso mas antes pela sua fácil culpabilidade se falharem a missão, irão tentar chegar ao fim ou será cada um por si? 

É com a companhia de Harley Quinn (Margot Robbie), Deadshot (Will Smith), Boomerang (Jai Courtney), Killer Croc (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Diablo (Jay Hernandez), Katana (Karen Fukuhara), do soldado Rick Flag (Joel Kinnaman) e da arqueóloga June Moone - ou Enchantress - (Cara Delevingne), para além da mentora do Esquadrão, Amanda Waller, e de Joker (Jared Leto), que não larga a sua amada, que partimos nesta jornada perigosa e um tanto imprevisível, onde os vilões surgem de onde menos se espera. Vilões contra vilões, numa luta entre o bem e os vários males.


Bruxas, espíritos e criminosos a abater no mesmo filme não será tarefa fácil para o Esquadrão Suicida de Ayer. A longa-metragem tem medo de arriscar, receia os seus vilões que tão bem a dominam, com humor e personalidade e com uma ou outra batalha entusiasmante. Contudo, nada de novo no que toca a super-heróis (ou super-vilões).

Eis as forças do filme: Will Smith, Jared Leto, Viola Davis, Joel Kinnaman, Cara Delevingne, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Karen Fukuhara, Jay Hernandez, Jai Courtney e, principalmente, Margot Robbie. Como Quinn, Robbie é maquiavélica, apaixonada, louca, mas doce e perspicaz em igual medida, a actriz é magnética e revela-se a grande surpresa do filme. Jared Leto segue-a de perto, com o seu Joker brutal, impiedoso, de gargalhada arrepiante e sorriso mordaz - mesmo com pouco tempo de antena, ele intimida-nos. Jay Hernandez é o reservado Diablo, num desempenho tímido, mas sofredor e com quem facilmente se cria empatia. Ainda de destacar são as interpretações de Will Smith, competente como Deadshot, certeiro, líder e cheio de esperança, e Viola Davis, na pele da fria e intransigível agente Waller, que lidera as operações e as vidas dos vilões.


Com uma uma excelente e ritmada banda sonora, que combina faixas que marcaram gerações com o trabalho do compositor Steven Price, o filme de David Ayer é apenas mediano. Este Esquadrão Suicida não vai além de um desfile de personagens icónicas com que, é verdade, iremos sentir afinidade, por muito maus que sejam.