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sábado, 31 de outubro de 2020

Halloween 2020: Filmes para ver no Dia das Bruxas do ano mais assustador de sempre

Hoje é Dia de Halloween, a tradição importada que, nos últimos anos, gostamos de replicar. Contudo, 2020 é diferente dos outros anos, talvez seja melhor comemorar o Dia das Bruxas "do ano mais assustador de sempre", preferencialmente, dentro de casa. Nada como aproveitar para fazer alguns doces típicos - que podem sempre servir de desculpa para o Dia de Todos os Santos - e, principalmente, ver filmes de terror, que nos façam esquecer aquele que o mundo está a viver há vários meses.

Eis algumas sugestões cinéfilas para animar a noite - e perceber que não estamos assim tão mal fechados em casa:

Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens) (1922),  F. W. Murnau

Gostas de vampiros? Que tal ver ou rever o clássico dos clássicos?


O Senhor das Moscas (Lord of the Flies) (1963), Peter Brook

Imagina que em vez de estares sossegad@ em casa, eras uma criança e ficavas perdid@ numa ilha após um acidente de avião? Era pior, não era? Garanto-te que sim. Se não acreditas vê O Senhor das Moscas.


Alien - O 8.º Passageiro (1979), Ridley Scott

Gostas de aliens? Não querias era ficar sozinh@ com um num espaço fechado, pois não?


O Feitiço (The Craft) (1996), Andrew Fleming

Um dos meus gilty pleasures de género, sobre um grupo de adolescentes aprendizes de bruxas e os seus feitiços. Curiosamente, saiu a sequela nos cinema esta Quinta-feira.


O Projecto Blair Witch (The Blair Witch Project) (1999), Daniel Myrick, Eduardo Sánchez

Mais um grande filme de terror dos anos 90 que dividiu opiniões. Um daqueles que vale sempre a pena rever.


Enterrado (Buried) (2010), Rodrigo Cortés

Aqui o Ryan Reynolds está mesmo pior do que nós.


The Guest (2014), Adam Wingard

Eis um excelente motivo para não receber visitas - mesmo que o convidado seja o Dan Stevens.


A Bruxa (The Witch) (2015), Robert Eggers

Uma das melhores histórias de bruxas dos últimos anos - e bem assustadora.


Green Room (2015), Jeremy Saulnier

Um grupo de amigos tem de se fechar num quarto com um grupo de neo-nazis à espera que eles saiam para os matar. É mesmo melhor não abrir a porta.


O Farol (The Lighthouse) (2019), Robert Eggers

Robert Pattinson e Willem Dafoe em confinamento numa ilha... Acreditem que ficam piores do que nós em casa.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Crítica: O Senhor das Moscas / Lord of the Flies (1963)

"Kill the pig! Slit her throat! Bash her in!"

*9/10*

A inocência é perdida após poucos dias numa ilha deserta e os instintos mais selvagens transformam crianças em monstros. O Senhor das Moscas, de Peter Brook, é uma alegoria à anarquia que se instaura quando as regras desaparecem e a figura de liderança não existe. Um filme arrebatador e sem receios que mostra, através dos mais puros, como o mal pode tomar conta do homem.


Depois do avião em que viajavam se despenhar, um grupo de crianças britânicas vê-se isolado numa ilha deserta. O ambiente selvagem e paradisíaco, onde não existe a autoridade dos adultos, faz com que o grupo de divida e se transforme numa organização tribal violenta.

Peter Brook constrói um filme violento e brutal, num retrato cru de como o Homem dito civilizado depressa se pode transformar numa besta primitiva e sem valores, basta que deixe de haver autoridade legítima. Para este retrato, o realizador adapta ao cinema o livro homónimo de William Golding, que coloca as crianças como protagonistas desta história chocante. E se rapazes tão pequenos entram em tal escalada de violência e actos irracionais, não nos espantemos com as ditaduras que por todo o mundo ainda vingam nos tempos que correm. Querem filme mais intemporal?


O Senhor das Moscas é uma chamada de atenção para os perigos a que todos estão sujeitos. Mais incómodo tudo se torna com protagonistas tão jovens. Do inofensivo (?) bullying típico da idade - mas obviamente condenável -, ao confronto de opiniões que resulta numa votação democrática, para que aquela pequena comunidade possa funcionar com regras, depressa um grupo se insurge e quer mais poder, menos responsabilidades. Acima de tudo, o poder. A libertinagem confundida com liberdade.

Tantas serão as metáforas encontradas no filme de Peter Brook que vale a pena ver e retirar a lição devida desta longa-metragem. Para além da fenomenal história, os jovens actores merecem todo o mérito, com interpretações corajosas e a direcção de fotografia proporciona-nos momentos únicos a preto e branco, usando a luz com mestria, fazendo o fogo ganhar vida e brilho no meio da noite. A banda sonora remete-nos para as tribos e seus rituais, e aumenta a tensão que as imagens já de si transmitem.


O Senhor das Moscas leva-nos numa escalada de loucura à criação de uma sociedade violenta e anárquica liderada por crianças. O medo e a ânsia de poder dominam as motivações, crenças e valores do ser humano.