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domingo, 26 de novembro de 2023

Sugestão da Semana #589

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana faz duplo destaque, em português: Índia, de Telmo Churro, e O Misterioso Caso de Lázaro Lafourcade, de Tiago Durão.

ÍNDIA


Ficha Técnica:
Título Original: Índia
Realizador: Telmo Churro
Elenco: Pedro Inês, Denise Fraga, José Manuel Mendes, João Pedro Carvalho, Lídia Franco, Maria João Pinho, Teresa Madruga, Maria Emília Correia
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 123 minutos




O MISTERIOSO CASO DE LÁZARO LAFOURCADE


Ficha Técnica:
Título Original: O Misterioso Caso de Lázaro Lafourcade
Realizador: Tiago Durão
Elenco: Ruy de Carvalho, Dalila Carmo, Maria José Pascoal, Pedro Lamares, Isac Graça, Lídia Muñoz, José Raposo, Erica Rodrigues, Guilherme Barroso, Rúben Gomes
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/14
Duração: 55 minutos

quarta-feira, 10 de maio de 2023

IndieLisboa 2023: Índia (2022)

"É impossível fazer uma visita em condições. Só à noite, mas está fechado."

Tiago

*8/10*

Índia, a estreia de Telmo Churro nas longas-metragens, é uma visita guiada aos sentimentos e devaneios de pai, filho e neto - e de uma turista brasileira -, pelas ruas de uma Lisboa descaracterizada, mas especialmente inspirada. 

"Três gerações de homens portugueses — Tiago, Raúl e Manuel — que vivem entre sonhos, glórias perdidas e crises existenciais vêem as suas vidas interligadas com a de Karen, uma mulher brasileira que passeia por Lisboa, enquanto vai mandando cartas que contam as suas deambulações. Um filme em oposição a uma ideia de uma cidade gentrificada."

A saudade é um sentimento partilhado pelas quatro personagens, uns que a sentem como perda irremediável, outros que a suavizam através da escrita ou de sonhos surrealistas. Quatro gerações, cada uma atormentada por inquietações que advêm da idade ou das vivências: Tiago, um homem frustrado, à beira da separação, que encontra no pai a sua melhor companhia; Karen, uma mulher recentemente viúva, constantemente encantada pelo que a rodeia; Raúl, um antigo marinheiro viúvo, em quem as marcas que a ditadura deixou continuam bem visíveis, bem como a paixão pelos barcos; e Manuel, um jovem púbere que lida com uma paixão adolescente, a ausência da mãe, os devaneios do pai e sonha com viagens de nave espacial.

Tão cómico como trágico, balançando entre Woody Allen e Nanni Moretti, Índia conquista em cada preciosismo, fantasia, sonho ou alucinação. As escolhas pouco comuns de Tiago, o guia turístico - dos locais que se podem visitar de dia, onde não falta o Jardim da Estrela, já escolhido pelo realizador na curta Rei Inútil -, numa fuga ao turismo desenfreado, tem um significado para si mesmo e para o desalento da sua vida: de Almirante Reis a Antero de Quental, dois suicidas que lhe são queridos, até ao Museu da Marinha, onde o seu pai recupera memórias dos tempos de marinheiro - que lhe relembram o seu ódio por Salazar e pela viagem que foi obrigado a fazer para não se perder a Índia "portuguesa" - uma longa jornada de rendição e dor. A partir daí e da imaginação de cada um, há um herói (lendário ou mitológico) que surge por entre as plantas da Estufa Fria - um dos locais onde "é impossível fazer uma visita em condições. Só à noite, mas está fechado".


A poesia das palavras e personagens funde-se com o visual de Índia, filmado em película, captando cores intemporais numa Lisboa cada vez mais desvirtuada. No elenco, Pedro Inês, Denise Fraga, José Manuel Mendes e João Carvalho complementam-se no luto e na luta constante com os seus fantasmas, num harmonioso quarteto que reflecte sobre Passado, Presente e Futuro.

Telmo Churro tem uma estreia cheia de personalidade e ousadia, tão melancólica, comovente e divertida - uma junção agridoce que fica na memória.

sábado, 28 de abril de 2018

Crítica: Ruth (2018)

"Um nome de mulher é que era o disfarce perfeito..."
Mário Melo

*7/10*

E se a contratação de Eusébio pelo Benfica resultasse numa comédia bem construída e que, ao mesmo tempo, reflecte o passado histórico português dos anos 60? Ruth é isso mesmo, bem escrito, bem interpretado e muito divertido.

António Pinhão Botelho consegue criar o equilíbrio necessário entre a guerra futebolística e a guerra colonial, em vias de despoletar. O argumento de Leonor Pinhão é uma mais valia importante para o resultado final de Ruth e para este paralelismo da narrativa.


No pior ano do regime fascista português, 1960, um jovem futebolista africano de Moçambique chega a Lisboa e é apanhado no meio da maior rivalidade clubística do país. Enquanto os ventos da mudança começam a soprar através da guerra, pirataria e outros acontecimentos históricos, Eusébio da Silva Ferreira (Igor Regalla) começa o percurso até se transformar naquilo que é: uma lenda.

Sporting e Benfica numa luta desenfreada por um dos mais promissores jovens jogadores de sempre. Na realidade, é no processo de negociações dos dois clubes com Eusébio que se centra Ruth, e em todas as peripécias que daí resultaram. O filme é "livremente inspirado" em factos reais e, portanto, à medida que nos contam a história de Eusébio também se constrói uma comédia inteligente que nos fará rir sem remorsos - e clubismos à parte!


O filme é ritmado, enérgico, e só peca por levar as negociações à exaustão, fazendo com que a plateia possa senti-lo como muito longo (e não o é, o filme tem pouco mais de hora e meia). Fica também uma réstia de esperança, até ao fim, que nos dêem um bocadinho mais de Eusébio, mas, dada a época, o jovem jogador era ainda  um rapaz muito pacato e simples, com uma timidez e ingenuidade que Igor Regalla capta na perfeição - o mesmo acontece com alguns olhares e sorrisos que facilmente nos lembram o protagonista.

O elenco é imenso e está recheado de boas surpresas: Igor Regalla, Miguel Borges, Dinis Gomes, Vítor Norte, Fernando Luís, JP Simões, Paulo Furtado, Pedro Inês, Afonso Lagarto, Almeno Gonçalves, Álvaro Correia, Lídia Franco, Henrique Feist, Ana Bustorff, Miguel Nunes, Maria Emília Correia, Rui Morisson, José Raposo, Marco Delgado, Bruna Quintas, Teresa Madruga, Bruno Cabrerizo, António Nipita, António Simão, Josefina Massango, Luís Lucas, Marcello Urgeghe, entre outros. Todos com interpretações memoráveis.


Ruth leva o nascimento da lenda para a tela do cinema e revela-se irresistível. António Pinhão Botelho pode continuar a contar-nos histórias destas que nós vamos continuar a adorar descobrir mais da nossa História.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Sugestão da Semana #297

Das estreias da passada semana, a Sugestão da Semana destaca o português Peregrinação, de João Botelho.

PEREGRINAÇÃO


Ficha Técnica:
Título Original: Peregrinação
Realizador: João Botelho
Actores: Cláudio da Silva, Pedro Inês, Catarina Wallenstein, Jani Zhao
Género: Aventura, Drama
Classificação: M/12
Duração: 110 minutos