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sexta-feira, 14 de abril de 2023

Ciclo Cinema Liberdade no Fórum Cultural do Seixal nos dias 18, 19 e 20 de Abril

No âmbito das comemorações do 49.º aniversário do 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal do Seixal promove o Ciclo Cinema Liberdade, nos dias 18, 19 e 20 de Abril, pelas 21h30 horas, no Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal.

A entrada é gratuita, sujeita a reserva antecipada, a abrir o ciclo, no dia 18 de Abril estará o filme O Jovem Cunhal, de João Botelho. No dia 19, será exibido Transversais, de Émerson Maranhão. E, a fechar o ciclo, a 20 de Abril, são exibidos A Noiva, de Sérgio Tréfaut, e Chuvas de Março, de Duarte Henriques.

O Ciclo Cinema Liberdade realiza-se desde 2015, e "visa potenciar a consciencialização para a importância da liberdade e da democracia e para os perigos que estas correm, especialmente em contextos tão difíceis como os que temos vindo assistir nos últimos anos", segundo o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva.

Além da programação no Fórum Cultural do Seixal, este ciclo terá também sessões dirigidas ao público escolar com as seguintes sessões:

18 de Abril, 15h00 - A Ganha Pão, de Nora Twomey, 2017 - Para alunos do 2.º ciclo do ensino básico

19 de Abril, 10h00 - O Profeta, de Roger Allers e Gaëtan Brizzi, 2014 - Para alunos do 1.º ciclo do ensino básico

20 de abril, 15h00 - Transversais, de Émerson Maranhão, 2021 - Para alunos do 3.º ciclo e secundário

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

IndieLisboa'20: Fantasmas do Império (2020), de Ariel de Bigault

*7/10*


Em Fantasmas do Império, a realizadora Ariel de Bigault convida-nos a confrontar-nos com o passado colonial registado na Sétima Arte. Fez parte das secção Director's Cut do IndieLisboa 2020, e dá-nos uma visão muito abrangente de um passado que cada um contou à sua maneira - fosse por experiência no terreno, por pura manipulação propagandística ou por verdadeira curiosidade em reconstruir uma realidade que muitos receiam contar.

«O trabalho de Ariel de Bigault tem estado ligado às rotas da lusofonia. Em Fantasmas do Império somos guiados pelo actor são-tomense  Ângelo Torres através do cinema português que explorou o nosso passado colonial. Vários realizadores como Fernando Matos Silva, João Botelho ou Margarida Cardoso ajudam a compreender o imperialismo, o colonialismo, a propaganda vista através desse “álbum de família” que é o imaginário colectivo cinematográfico português.»


Ângelo Torres é o guia que nos conduz pelo passado, em conversas enriquecedoras com quem filmou ou estudou esta herança que o cinema registou em película. Debatem-se ideias e analisam-se os filmes do regime, tentando encontrar os Fantasmas do Império que dão título ao documentário, e se escondem nas mentes e nas imagens. As gerações de realizadores sucedem-se no ecrã, e a análise toma diferentes pontos de vista.

Ângelo Torres, João Botelho, Margarida Cardoso, Ivo M. Ferreira, José Manuel Costa, Fernando Matos Silva, Hugo Vieira da Silva, Orlando Sérgio, Manuel Faria de Almeida, Joaquim Lopes Barbosa, Maria do Carmo Piçarra, bem como os excertos dos inúmeros filmes que são mostrados, dão-nos um conjunto de testemunhos e interpretações valiosas para melhor compreender e fazer a leitura cinematográfica deste passado comum ao país colonizador e aos países colonizados.

A opção de, a certo momento do filme, deixarmos de ter o nosso guia no ecrã, marca o momento em que Fantasmas do Império perde o seu fio condutor e divaga, com destinos confusos - onde Macau surge a propósito do trabalho de Ivo M. Ferreira, mas totalmente desenquadrado do objectivo do documentário.


Todavia, no seu conjunto, o documentário de Ariel de Bigault constitui um importante registo e análise daquilo que foi o colonialismo e no impacto que isso tem tido até à actualidade: os traumas de guerra de que ninguém quer falar, os filmes-propaganda do Estado Novo e o redescobrimento dos fantasmas do colonialismo que, mais recentemente, o cinema nacional tem enfrentado sem receios e com muita vontade de compreender e desmistificar.

domingo, 28 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Actos de Cinema / Acts of Cinema (2018)

*7/10*


Jorge Cramez surge em dose dupla no Doclisboa'18 e o Hoje Vi(vi) um Filme não quis perder a estreia de Actos de Cinema (Acts of Cinema), longa-metragem da secção Riscos.

Um resumo muito eficaz e rico do cinema português mais recente, repleto de arquivos filmados durante a rodagem de filmes de Miguel Gomes, Teresa Villaverde, João Botelho, Fernando Lopes, José Álvaro de Morais, entre outros. Um retrato sincero e frontal de como é trabalhar em cinema em Portugal, com todas as limitações, dificuldades e improvisos que só os portugueses sabem ultrapassar.

Entre a nostalgia das imagens de bastidores, surgem testemunhos e recordações sentidas de realizadores, actores e técnicos que falam para a câmara.  João Botelho, João Mário Grilo, Beatriz Batarda, Ana Moreira, Teresa Villaverde, Miguel Gomes, Vasco Pimentel, Pedro MeloMarcello Urgeghe, etc.

Actos de Cinema é quase um diário de bordo de Jorge Cramez, que começa nos cenários pintados de Os Maias, com o rigor e perfeccionismo de Botelho, espreita as aventuras da curta-metragem W, de Paulo Belém, enfrenta as temperaturas geladas de Transe, de Teresa Villaverde, e recebe o companheirismo de Fernando Lopes na rodagem de 98 Octanas, entre tantas outras aventuras que partilha com a plateia.

Cramez criou assim um filme, ritmado, com uma montagem de excelência que nunca nos faz perder o interesse. Informativo e melancólico, assim é Actos de Cinema.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

LEFFEST'18: David Lynch, João Botelho, Mike Leigh, Paul Schrader e mais...

O LEFFEST - Lisbon & Sintra Film Festival acontece entre os dias 16 e 25 de Novembro, mas já revelou alguns dos destaques programação desta edição.

Lisboa e Sintra voltam a ser palco do festival que, este ano, irá homenagear o cineasta português João Botelho, com a apresentação da retrospectiva da sua obra. Também os realizadores Mike Leigh, Paul Schrader, Mario Martone e Darezhan Omirbayev estarão presentes do evento para acompanhar as suas retrospectivas.


A obra de David Lynch está em destaque na programação deste ano - começando, desde logo, no cartaz da 12.ª edição, recordando a sua presença na edição inaugural do festival, em 2007. Para além de duas exposições de fotografia Small Stories, de David Lynch e Psychogenic Fugue, de Sandro Miller, o LEFFEST exibirá os filmes e vídeos de Lynch dos últimos 12 anos, incluindo os dois primeiros episódios de Twin Peaks – The Return, bem como uma série de iniciativas à volta da sua obra, contando com a participação de Chrysta Bell e Kristine McKenna, entre outros.

Haverá lugar ainda para sessões especiais dos filmes Caminhos Magnéticos, de Edgar Pêra, Ainda Tenho Um Sonho ou Dois – a História dos Pop Dell’Arte, de Nuno Galopim e Nuno Duarte, além dos works in progress de Mathieu Amalric.

Já é conhecido o júri da Selecção Oficial – Em Competição que será composto por Walter Salles (realizador), Martha Argerich (pianista), Johathan Littell (escritor e realizador), Stephen Kovacevich (pianista e maestro), Chrysta Bell (cantora, compositora e actriz) e Jorge Queiroz (artista plástico). Desta secção, já foram apresentados 10 filmes:

A Portuguesa, Rita Azevedo Gomes (2018), Portugal
Asako I & II, Ryusuke Hamaguchi (2018), Japão, França
In My Room, Ulrich Köhler (2018), Alemanha
L'Empire de la Perfection, Julien Faraut (2018), França
L'homme fidèle, Louis Garrel (2018), França 
Di qiu zui hou de ye wan, Gan Bi (2018), China 
Ozen, Emir Baigazin (2018), Casaquistão, Polónia 
Sedução da Carne, Júlio Bressane (2018), Brasil 
Transit, Christian Petzold (2018), Alemanha, França
Vox Lux, Brady Corbet (2018), EUA

Fora de Competição estão também já anunciados alguns filmes a exibir:

The Sisters Brothers, Jacques Audiard (2018), França, Bélgica, Roménia, Espanha
Capharnaum, Nadine Labaki (2018), Líbano 
High Life, Claire Denis (2018), Alemanha, França, EUA, Reino Unido, Polónia
Loro, Paolo Sorrentino (2018), Itália, França
Non Fiction, Olivier Assayas (2018), França 
The Wild Pear Tree, Nuri Bilge Ceylan (2018), Turquia, França, Alemanha, Bulgária, Macedónia, Bósnia Herzegovina, Suécia 
Shoplifters, Kore-eda Hirokazu (2018), Japão 
Beautiful Boy, Felix Van Groeningen (2018), EUA
Touch Me Not, Adina Pintilie (2018), Roménia, Alemanha, Republica Checa, Bulgária, França 
Las Herederas, Marcelo Martinessi (2018), Paraguai, Uruguai, Alemanha, Brasil, Noruega, França 
Ang panahon ng halimaw, Lav Diaz (2018), Filipinas

Entre os ciclos apresentados nesta 12.ª edição do LEFFEST estão O Desejo Chamado Utopia e Neoliberalismo - A Semente do Populismo e dos Novos Fascismos?, que contarão com a presença de vários convidados internacionais, com exibição de filmes.

Será apresentado o espectáculo Dub Love, da coreógrafa, bailarina e artista Cecilia Bengolea e de François Chaignaud, que desmitifica o modelo clássico do corpo e o olhar do espectador acerca da dança contemporânea.

Ainda de destacar, a exibição de La Flor, um dos filmes que marcou 2018, não estará online ou em DVD, nem terá mesmo cartazes. A longa-metragem (de cerca de 14 horas) poderá ser vista no LEFFEST, nos primeiros dias do festival, apresentada pelo seu realizador, Mariano Llinás.

Mais informações sobre o Lisbon & Sintra Film Festival em www.leffest.com.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Sugestão da Semana #297

Das estreias da passada semana, a Sugestão da Semana destaca o português Peregrinação, de João Botelho.

PEREGRINAÇÃO


Ficha Técnica:
Título Original: Peregrinação
Realizador: João Botelho
Actores: Cláudio da Silva, Pedro Inês, Catarina Wallenstein, Jani Zhao
Género: Aventura, Drama
Classificação: M/12
Duração: 110 minutos

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sugestão da Semana #242

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português: Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, de João Botelho. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

O CINEMA, MANOEL DE OLIVEIRA E EU


Ficha Técnica:
Título Original: O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu
Realizador: João Botelho
Actores: João Botelho, Mariana Dias, António DurãesÂngela Marques, Miguel Nunes, Maria João PinhoLeonor SilveiraMarcello Urgeghe
Género: Documentário, Drama
Classificação: M/12
Duração: 80 minutos

terça-feira, 26 de abril de 2016

IndieLisboa'16: O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu (2016)

*7/10*

João Botelho pôs mãos à obra e criou O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, onde homenageia o seu mestre. Ao mesmo tempo, encontra um motivo para regressar às origens do cinema e oferece-nos uma curta-metragem de ficção dentro do seu documentário.


A partir de excertos de filmes de Oliveira como Amor de Perdição, Vale Abraão, 'Non', ou a Vã Glória de Mandar, O Estranho Caso de Angélica, Francisca, entre muitos outros; e de filmes seus como Conversa Acabada, Botelho quis apresentar à plateia o método de filmar de Manoel de Oliveira, tão fiel aos cânones e, ao mesmo tempo, tão vanguardista.

Botelho, que narra o seu próprio filme, fala-nos sobre o trabalho do seu mestre, da influência que teve no seu trabalho e do tempo em que conviveu e trabalhou com o realizador. Uma homenagem feita de escolhas muito pessoais, mas facilmente universalizáveis, O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu é um apelo à memória, para que todos conheçam e nunca esqueçam o grande cineasta português.

A completar o documentário surge a ficção, uma curta-metragem que pretende ser, acima de tudo, um regresso às origens do cinema, ao mudo e a preto e branco. A admiração por Oliveira continua também neste A Rapariga das Luvas, realizado a partir de um argumento que o falecido cineasta nunca filmou, Prostituição ou a Mulher que Passa.

Uma conclusão que continua com o seu cunho pessoal e demonstra grande coragem em regressar a filmar como nos primórdios. Um filme simples e bem interpretado - também um desafio para os actores - que cumpre o seu principal propósito: travar o esquecimento.

sábado, 25 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Nos Campos em Volta + A Arte da Luz Tem 20.000 Anos

João Botelho esteve presente para apresentar esta Sessão Especial do IndieLisboa'15 onde foram exibidos dois filmes seus de carácter mais "didáctico", como o próprio realizador os definiu. Nos Campos em Volta e A Arte da Luz Tem 20.000 Anos convidam-nos a descobrir e visitar dois locais em Portugal que escondem em si muitas lendas e História.

Nos Campos em Volta - 6/10


Através dos campos em redor de Serpa, descobrimos lendas antigas e vestígios de um passado muito longínquo, de outras civilizações que por ali passaram. Margarida Vilanova é a nossa narradora e conta-nos histórias as fantásticas que acompanham as imagens das paisagens e convidam à descoberta, pelas margens do Guadiana.

A Arte da Luz Tem 20.000 Anos - 8/10


João Botelho traz-nos, neste filme, uma fascinante viagem ao passado através das pinturas rupestres de Foz Côa, numa visita guiada que nos convida fortemente a descobrir o local o mais depressa possível. Mais do que um registo turístico, A Arte da Luz Tem 20.000 Anos traz para o cinema os artistas de quem ninguém fala, de quem ninguém sabe o nome, e que, muitos milénios antes do Cinema, já queriam captar a imagem em movimento que a Sétima Arte reclama como sua.

No percurso desta visita, acompanhamos Joana Botelho na viagem de comboio, no Museu do Côa e por caminhadas no Parque Arqueológico do Vale do Côa, a descobrir a arte mais antiga, as gravuras rupestres, de traço tão decidido e que, felizmente, chegaram até nós. Vemos e escutamos o ruído "de um rio sem barragem" - como diz a certo momento o director do museu, António Martinho Baptista - e só queremos lá estar. 

João Botelho sabe tirar partido da beleza das imagens e paisagens, oferecendo-nos planos fabulosos, jogando com o contraste luz/sombra como tão bem sempre o faz. A Arte da Luz Tem 20.000 Anos leva-nos a viajar no tempo e convida-nos a proteger a herança que a História nos deixou.

sábado, 25 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Quatro (2014)

*6/10*

Fora de Competição no Doclisboa'14, está Quatro, de João Botelho, que se debruça sobre quatro artistas portugueses: João e Jorge Queiroz e Pedro e Francisco Tropa. O filme (que passou esta Sexta-feira, dia 24, pelas quatro da tarde, fazendo jus ao título) divide-se como o nome indica em quatro partes, cada uma referente a um dos artistas. Aqui olhamos para a pintura, desenho, fotografia e escultura, vemos os artistas a trabalhar, sempre sob o ponto de vista de João Botelho.


As marcas do realizador estão bem vincadas (abundam os travellings, a música clássica acompanha a criação artística dos protagonistas), encontramos planos muito bem conseguidos - como a certa altura, quando parece que o pintor se funde com o quadro que pinta -, contudo o ponto fraco de Quatro prende-se com a temática que não chegará a um público mais leigo - pelo menos desta forma. O filme dirá muito mais a artistas tais como os que apresenta, mas Botelho não deixa de merecer todos os elogios por trazer ao cinema um trabalho sobre quatro artistas nacionais.

domingo, 14 de setembro de 2014

Sugestão da Semana #133

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque do Hoje Vi(vi) um Filme recai no filme português, Os Maias - Cenas da Vida Romântica, de João Botelho.

OS MAIAS - CENAS DA VIDA ROMÂNTICA


Ficha Técnica:
Título Original: Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Realizador: João Botelho
Actores: Graciano Dias, Maria Flor, João Perry, Pedro InêsHugo Mestre Amaro, Maria João Pinho, Adriano Luz, Filipe VargasMarcello Urgeghe
Género: Drama, Histórico, Romance
Classificação: M/12
Duração: 135 minutos