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quarta-feira, 10 de maio de 2023

IndieLisboa 2023: Índia (2022)

"É impossível fazer uma visita em condições. Só à noite, mas está fechado."

Tiago

*8/10*

Índia, a estreia de Telmo Churro nas longas-metragens, é uma visita guiada aos sentimentos e devaneios de pai, filho e neto - e de uma turista brasileira -, pelas ruas de uma Lisboa descaracterizada, mas especialmente inspirada. 

"Três gerações de homens portugueses — Tiago, Raúl e Manuel — que vivem entre sonhos, glórias perdidas e crises existenciais vêem as suas vidas interligadas com a de Karen, uma mulher brasileira que passeia por Lisboa, enquanto vai mandando cartas que contam as suas deambulações. Um filme em oposição a uma ideia de uma cidade gentrificada."

A saudade é um sentimento partilhado pelas quatro personagens, uns que a sentem como perda irremediável, outros que a suavizam através da escrita ou de sonhos surrealistas. Quatro gerações, cada uma atormentada por inquietações que advêm da idade ou das vivências: Tiago, um homem frustrado, à beira da separação, que encontra no pai a sua melhor companhia; Karen, uma mulher recentemente viúva, constantemente encantada pelo que a rodeia; Raúl, um antigo marinheiro viúvo, em quem as marcas que a ditadura deixou continuam bem visíveis, bem como a paixão pelos barcos; e Manuel, um jovem púbere que lida com uma paixão adolescente, a ausência da mãe, os devaneios do pai e sonha com viagens de nave espacial.

Tão cómico como trágico, balançando entre Woody Allen e Nanni Moretti, Índia conquista em cada preciosismo, fantasia, sonho ou alucinação. As escolhas pouco comuns de Tiago, o guia turístico - dos locais que se podem visitar de dia, onde não falta o Jardim da Estrela, já escolhido pelo realizador na curta Rei Inútil -, numa fuga ao turismo desenfreado, tem um significado para si mesmo e para o desalento da sua vida: de Almirante Reis a Antero de Quental, dois suicidas que lhe são queridos, até ao Museu da Marinha, onde o seu pai recupera memórias dos tempos de marinheiro - que lhe relembram o seu ódio por Salazar e pela viagem que foi obrigado a fazer para não se perder a Índia "portuguesa" - uma longa jornada de rendição e dor. A partir daí e da imaginação de cada um, há um herói (lendário ou mitológico) que surge por entre as plantas da Estufa Fria - um dos locais onde "é impossível fazer uma visita em condições. Só à noite, mas está fechado".


A poesia das palavras e personagens funde-se com o visual de Índia, filmado em película, captando cores intemporais numa Lisboa cada vez mais desvirtuada. No elenco, Pedro Inês, Denise Fraga, José Manuel Mendes e João Carvalho complementam-se no luto e na luta constante com os seus fantasmas, num harmonioso quarteto que reflecte sobre Passado, Presente e Futuro.

Telmo Churro tem uma estreia cheia de personalidade e ousadia, tão melancólica, comovente e divertida - uma junção agridoce que fica na memória.

domingo, 8 de maio de 2022

IndieLisboa 2022: Vencedores

O IndieLisboa termina este Domingo, dia 8 de Maio, e os palmarés foram entregues ao início da noite. Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós e Joana Pimenta, foi o grande vencedor desta edição.

Mato Seco em Chamas

Os filmes premiados serão exibidos entre 9 e 11 de Maio, no Cinema Ideal. O festival termina com o filme A Viagem de Pedro, de Laís Bodanzky, e regressa de 27 de Abril a 7 de Maio de 2023. 

Eis a lista completa de vencedores:

Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa

Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós, Joana Pimenta


Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa - Menção Especial

El Gran Movimiento, de Kiro Russo


Prémio Especial do Júri CANAIS TVCINE

Medusa, de Anita Rocha da Silveira


Grande Prémio de Curta Metragem EMEL

EX AEQUO

Mistida, de Falcão Nhaga

The Parent's Room, de Diego Marcon


Prémio Melhor Curta de Animação

The Parent's Room, de Diego Marcon


Prémio Melhor Curta de Documentário

Urban Solutions, de Arne Hector, Luciana Mazeto, Minze Tummescheit, Vinícius Lopes


Prémio Melhor Curta de Ficção

Escasso, de Gabriela Gaia Meirelles e Clara Anastácia


Prémio para Melhor Longa Metragem Portuguesa

Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós, Joana Pimenta


Prémio Melhor Realização para Longa Metragem Portuguesa NOVA FCSH

O Trio em Mi Bemol, de Rita Azevedo Gomes


Prémio Melhor Realização para Longa Metragem Portuguesa NOVA FCSH - Menção Especial

Périphérique Nord, de Paulo Carneiro


Prémio Dolce Gusto para Melhor Curta Metragem Portuguesa

Domy + Ailucha, Cenas Kets!,de Ico Costa


Prémio Novo Talento The Yellow Color

Um Caroço de Abacate, de Ary Zara


Prémio Novíssimos Betclic

Tindergraf, de Júlia Barata


Prémio Novíssimos Betclic - Menção Especial

Mapa, de Lourenço Crespo


Prémio Silvestre para Melhor Longa Metragem

EX AEQUO

Cette Maison, de Miryam Charles

Nous, Étudiants!,de Rafiki Fariala


Prémio Silvestre para Melhor Curta Metragem

Constant, de Sasha Litvintseva e Beny Wagner


Prémio Silvestre para Melhor Curta Metragem - Menção Especial

Churchill, Polar Bear Town, de Annabelle Amoros


Prémio IndieMusic

Love, Deutschmarks and Death, de Cem Kaya


Prémio IndieMusic - Menção Especial

Sonosfera Telectu, de Carlos Mendes, Ilda Teresa Castro, Vítor Rua e Vasco Bação


Prémio Amnistia Internacional

Urban Solutions, de Arne Hector, Luciana Mazeto, Minze Tummescheit e Vinícius Lopes


Prémio Árvore da Vida

A Viagem ao Sol, de Ansgar Schaefer, Susana de Sousa Dias


Prémio Árvore da Vida - Menção Especial

Águas do Pastaza, de Inês T. Alves


Prémio Escolas

By Flávio, de Pedro Cabeleira


Prémio Escolas - Menção Especial

Um Caroço de Abacate, de Ary Zara


Prémio Universidades

Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós, Joana Pimenta


Prémio Universidades - Menção Especial

Águas do Pastaza, de Inês T. Alves


Prémio do Público - Longa Metragem

Cesária Évora, de Ana Sofia Fonseca


Prémio do Público - Curta Metragem

Um Caroço de Abacate, de Ary Zara


Prémio do Público - IndieJúnior

Luce e o Rochedo, de Britt Raes

Sessões dos filmes premiados no Cinema Ideal:

9 de Maio, 20h00 - Curtas Premiadas 1

9 de Maio, 22h00 - Nous, Étudiants, 83’

10 de Maio, 20h00 - Curtas Premiadas 2

10 de Maio, 22h00 - Medusa, 127’

11 de Maio, 20h00 - Love, Deutchmarks and Death, 96’

11 de Maio, 22h00 - Mato Seco em Chamas, 153’


Curtas Premiadas 1 – 84’

Escasso, Gabriela Gaia Meirelles, Clara Anastácia, 16’

Tindergraf, Júlia Barata, 28’

The Parent’s Room, Diego Marcon, 10’

Mistida, Falcão Nhaga, 30’


Curtas Premiadas 2 – 109’

Domy + Ailucha, Cenas Kets!, Ico Costa, 30’

Urban Solutions, Arne Hector, Luciana Mazeto, Minze Tummescheit, Vinicius Lopes, 30’

Um Caroço de Abacate, Ary Zara, 20’

How Do You Measure a Year?, 29’ 

quarta-feira, 6 de abril de 2022

IndieLisboa 2022: Programa fechado

O 19.º IndieLisboa já tem programa fechado e revelou quais são os cerca de 250 filmes que compõem a sua programação. Entre 28 de Abril e 8 de Maio, o festival regressa ao Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal e Biblioteca Palácio Galveias.

Viagem ao Sol

A Competição Nacional de Longas conta com nove obras, de autores de diferentes gerações e abordagens: Atrás Dessas Paredes, de Manuel Mozos; Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós e Joana Pimenta; O Trio em Mi Bemol, de Rita Azevedo Gomes; Super Natural, a primeira longa de Jorge Jácome; Frágil, de Pedro Henrique; Périphérique Nord, de Paulo Carneiro; Rua dos Anjos, primeira longa-metragem de Renata Ferraz e Maria Roxo; Viagem ao Sol, de Susana de Sousa Dias e Ansgar Schaefer; e Águas de Pastaza, de Inês T. Alves.

Nas curtas-metragens nacionais, encontram-se títulos como: Às Vezes Os Dias, Às Vezes A Vida, de Janine Gonçalves; O Banho, de Maria Inês Gonçalves; Domy + Ailucha - Cenas Kets!, de Ico Costa; Azul, de Ágata de Pinho; By Flávio, de Pedro Cabeleira; Mistida, de Falcão Nhaga; e Tornar-se um Homem na Idade Média, de Pedro Neves Marques.

A secção Boca do Inferno conta este ano com oito curtas e quatro longas. Destaque para She Will, de Charlotte Colbert, um revenge movie da era #MeToo sobre uma antiga estrela de cinema num retiro de saúde após uma dupla mastectomia; e Holy Emy, de Araceli Lemos, ambientado na comunidade filipina emigrada em Atenas, segue duas irmãs e os poderes curativos sobrenaturais da mãe delas.

Nesta edição, a secção Novíssimos conta com 12 filmes: Catástrofes Naturais, de Margarida Pinto da Fonseca; e Milagre de Agualva Cacém, de Ricardo Guimarães, são dois dos títulos em competição.

A sessão de abertura do IndieLisboa é um double bill, com dois filmes restaurados no âmbito do Projecto Filmar, da Cinemateca Portuguesa: Albufeira, curta-metragem dos anos 1960, de cariz promocional do turismo na cidade algarvia,  mostrando a marca autoral e experimental de António Macedo, um dos fundadores do Cinema Novo português; e Zéfiro, de José Álvaro de Morais, que "caminha por Lisboa enquanto documentário, mas o que quer realmente é galgar o Rio Tejo em pleno modo ficcional, de forma a explorar a margem sul, onde parte à aventura Alentejo fora até ao Algarve"

A sessão de encerramento apresenta A Viagem de Pedro, de Laís Bodanzky, sobre "Pedro IV de Portugal e Pedro I do Brasil, o rei que ficou conhecido pelo grito do Ipiranga e pela independência do Brasil. Encontramo-lo num momento de regresso a Portugal, de onde fugiu das tropas francesas, para agora disputar a coroa portuguesa com o seu irmão, Miguel".

A Viagem de Pedro

Nas sessões especiais, encontra-se também o documentário de João Botelho, O Jovem Cunhal, com foco em Álvaro Cunhal. O filme examina "os primeiros anos da vida do histórico dirigente do Partido Comunista Português. Pelo meio, são encenados excertos dos seus próprios livros". Também Botelho volta a trazer Alexandre O’Neill ao cinema (depois de Um Adeus Português), agora com o conto Uma Coisa em Forma de Assim

Em Sita - A Vida e o Tempo de Sita Valles, de Margarida Cardoso, centra-se "no percurso da activista, anticolonialista, e militante do Partido Comunista", que após "a revolução portuguesa, e de uma cisão ideológica com o seu partido, quis contribuir para o movimento de libertação angolano". O filme de João Trabulo Lisboa, Cidade Triste e Alegre baseia-se no "livro de fotografia, dos arquitectos Victor Palla e Costa Martins". Ainda Um Nome para o Que Sou, de Marta Pessoa, foca-se em Maria Lamas, "figura central do feminismo português, a partir do processo de escrita de As Mulheres do Meu País, obra que retratava íntima e meticulosamente a condição das mulheres em Portugal no final dos anos 1940".

O programa Cinema e 5L, uma parceria com o Lisboa 5L, o novo Festival Literário da cidade de Lisboa, "junta cinco filmes onde a literatura é protagonista, seja pela adaptação, interpretação, transformação de um texto em cinema". Entre os filmes programados estão: Correspondências, de Rita Azevedo Gomes, News from Home, de Chantal Akerman, e Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira.

Na secção Director’s Cut, encontram-se cinco longas e duas curtas-metragens. Destaque para o restauro, feito em 2021, de The History of the Civil War, de Dziga Vertov; e Prism, de Eléonore Yameogo, An van. Dienderen, and Rosine Mbakam.

Ao programa do IndieMusic, junta-se uma novidade: Meet me in the Bathroom, de  Will Lovelace e Dylan Southern, que mostra o "mood de Nova Iorque pré-11 de Setembro. Combinando filmagens nunca antes vistas de bandas como LCD Soundsystem e Yeah Yeah Yeah Yeahs com entrevistas áudio íntimas, o documentário - inspirado no livro homónimo de Lizzy Goodman que por sua vez rouba o título a uma faixa de The Strokes - narra o fim do rock 'n' roll através das bandas que definiram essa época"

Toda a programação poderá ser consultada online em https://indielisboa.com/. Os bilhetes poderão ser comprados na Ticketline ou nas bilheteiras físicas do festival a partir do dia 14 de Abril. 

quarta-feira, 30 de março de 2022

IndieLisboa 2022: Competição Internacional e Secção Silvestre anunciadas

O IndieLisboa 2022 anunciou os filmes que compõem a Competição Internacional e a secção Silvestre, nesta 19.ª edição, que acontece de 28 de Abril a 8 de Maio.

Na Competição Internacional, encontram-se títulos como Pedro, de Natesh Hedge, "sobre a dificuldade em escapar à rigidez da tradição numa pequena aldeia indiana"; Freda, filme de estreia da realizadora haitiana Gessica Généus, segue a vida da protagonista e família num bairro pobre de Port-au-Prince, onde têm uma pequena loja de rua, mas confrontados "com condições de vida precárias e o aumento da violência no Haiti", perguntam-se se devem ficar ou partir; e El Gran Movimiento, de Kiro Russo, que se passa na Bolívia actual, onde Elder e os seus companheiros mineiros chegam a La Paz para exigir o restabelecimento do seu emprego, mas uma doença súbita do protagonista vem dificultar a situação.

El Gran Movimiento, de Kiro Russo

Nas curtas-metragens, estão obras como Escasso, de Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles, um mockumentary que critica as enormes discrepâncias na sociedade brasileira; Handbook, de Pavel Mozhar, recria, a partir de relatos, a repressão que os manifestantes bielorrussos sentiram em 2020, aquando da reeleição de LukashenkoMistida, do luso-guineense Falcão Nhaga, aborda as diferenças geracionais entre uma mãe e o filho; e Urban Solutions, de Arne Hector, Luciana Mazeto, Vinícius Lopes e Minze Tummescheit, "trata do passado e presente brasileiro, visto pela experiência de um porteiro de um prédio residencial que reavalia a relação com os seus empregadores".

Na secção competitiva Silvestre, destacam-se The Girl from Dak Lak, de Pedro Román e Mai Huyền Chi; Convenience Store, de Michael Borodin, sobre a escravatura moderna; e Nous, Étudiants!, de Rafiki Fariala. Fora de competição, estão: Coma, híbrido live-action e animação de Bertrand Bonello, filmado em plena pandemia; Incroyable Mais Vrai, comédia de Quentin Dupieux; e Retour à Reims (Fragments), de Jean-Gabriel Périot, que documenta a história do proletariado francês desde os anos 50 até à actualidade.

The Girl from Dak Lak, de Pedro Román e Mai Huyền Chi

A programação das curtas-metragens conta com nomes já conhecidos do festival: By Flávio, de Pedro Cabeleira, At Least I've Been Outside, de Jan Soldat, El Sembrador de Estrellas, de Lois Patiño, How Do You Measure A Year?, de Jay Rosenblatt, e Bird in the Peninsula, de Atsushi Wada.

O foco Light Cone mergulha no catálogo desta instituição do cinema experimental, "com quatro programas temáticos. Netsploitation, Conforto, Intimidades, Erotismo e Sugestão"

O 19.º IndieLisboa terá lugar entre o Cinema São Jorge, a Cinemetaca Portuguesa, a Culturgest, o Cinema Ideal e a Biblioteca Palácio Galveias. Mais informações em https://indielisboa.com/.


Competição Internacional - Longas

Freda, de Gessica Généus

Ghost Song, de Nicolas Peduzzi

El Gran Movimiento, de Kiro Russo

Kim Min-Young of the Report Card, de Lee Jae-eun e Lim Jisun

Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós e Joana Pimenta

Medusa, de Anita Rocha da Silveira

Pedro, de Natesh Hegde

Proyecto Fantasma, de Roberto Doveris

Soy Libre, de Laure Portier

Unrueh, de Cyril Schäublin


Competição Internacional - Curtas

Are We There Yet, de Lazar Ivanov

Au revoir Jérôme!, de Gabrielle Selnet, Adam Sillard e Chloé Farr

Le Boug Doug, de Théo Jollet

Can Gardell, de Florencia Aliberti e Silvia Subirós

El Dia Que Volaron la Montaña, de Alba Bresolí

Displaced, de Samir Karahoda

Dog's Field, de Michalina Musialik

Escasso, de Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles

Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli

Five Minutes Older, de Sara Szymanska

Handbook, de Pavel Mozhar

Handstand, de Ovsanna Shekoyan

Have a Nice Day Forever, de Tatiana Delaunay

Hierophany, de Maria Nitek

I'm Trying To Remember, de Pegah Ahangarani

Intermezzo, de Kim Lêa Sakkal

Jeudi, Vendredi, Samedi, de Arthur Cahn

Lucienne Dans un Monde Sans Solitude, de Geordy Couturiau

Mistida, de Falcão Nhaga

North Pole, de Marija Apcevska

The Parents' Room, de Diego Marcon

Precautionary Measure, de Lizzy Deacon e Ika Schwander

Sierra, de Sander Joon

Some Kind of Intimacy, de Toby Bull

Starfuckers, de Antonio Marziale

Steakhouse, de Špela Čadež

Un Mois Après la Nuit, de Héloïse Fressoz

Upwards Tide, de Daniela Zahlner

Urban Solutions, de Arne Hector, Minze Tummescheit, Luciana Mazeto e Vinícius Lopes

The Watchers, de Sandro Souladze


Silvestre - Longas

1970, de Tomasz Wolski

Camouflage, de Jonathan Perel 

Cette Maison,de Miryam Charles

Convenience Store, de Michael Borodin

Lxs Desobedientes, de Nadir Medina

Detours,de Ekaterina Selenkina

The Girl from Dak Lak, de Pedro Román e Mai Huyền Chi

Nous, Étudiants!, de Rafiki Fariala 

Saving One Who Was Dead, de Vaclav Kadrnka

Sonne, de Kurdwin Ayub

Red Africa, de Alexander Markov


Silvestre - Longas Fora de Competição

Coma, de Bertrand Bonello

Incroyable Mais Vrai, de Quentin Dupieux

Retour à Reims (Fragments), de Jean-Gabriel Périot


Silvestre - Curtas

At Least I've Been Outside, de Jan Soldat

Bird in the Peninsula, de Atsushi Wada

By Flavio, de Pedro Cabeleira

Churchill, Polar Bear Town, de Annabelle Amoros

Constant, de Beny Wagner e Sasha Litvintseva

Cucumbers, de Leonid Shmelkov

Glass Life, de Sara Cwynar

How Do You Measure A Year?, de Jay Rosenblatt

izuna Fair, de Sumito Sakakibara

Masks, de Olivier Smolders

Nosferasta: First Bite, de Adam Khalil e Bayley Sweitzer

Penalty Shot, de Rok Biček

Punctured Sky, de Jon Rafman

Sekundenarbeiten, de Christiana Perschon

El Sembrador de Estrellas, de Lois Patiño

Sideral, de Carlos Segundo

Triforium, de Jayne Parker

Une Embuscade en Suspens, de Simon Queheillard

Will My Parents Come to See Me, de Mo Harawe

sábado, 12 de março de 2022

IndieMusic 2022: Cesária Évora, Patti Smith, Lou Reed e Telectu em destaque

A secção do IndieLisboa 2022, IndieMusic, que interliga a música e o cinema, foi revelada e traz ao festival obras sobre Cesária Évora, Patti Smith e Lou Reed, ou os portugueses Telectu, entre outros.

A abrir a competição está Cesária Évora, de Ana Sofia Fonseca, documentário sobre a diva cabo-verdiana que cruza vários contextos sociais e políticos. Também Patti Smith, Electric Poet, de Anne Cutaia & Sophie Peyrard, percorrem "50 anos de carreira, apenas um hit e zero vontade de jogar pelo seguro". Songs For Drella, performance de Lou Reed e John Cale captada em 1991 por Ed Lachman, será exibida em versão restaurada, e "acompanha o disco com o mesmo título, baseado numa série de peças inspiradas pelo mentor de ambos, Andy Warhol". Já Courtney Barnett é o foco de Anonymous Club, de Danny Cohen, que revela "uma cantautora enigmática, uma reclusa a lidar com a aclamação do público". Em Nothing Compares, de Kathryn Ferguson, é traçado um paralelismo sobre a carreira de Sinéad O’Connor e o passado turbulento da Irlanda, onde nasceu. Rewind and Play, de Alain Gomis, "parte de uma entrevista de Thelonious Monk à televisão francesa em 1969 para mostrar um homem em luta constante, contra os preconceitos como contra expectativas construídos sobre a sua música e identidade".

 Cesária Évora, de Ana Sofia Fonseca

Italo Disco. The Sparkling Sound of the 80s, de Alessandro Melazzini, foca-se na música de Sabrina e La Bionda e o imaginário do Italo Disco, "com os seus ritmos 4/4 agressivos e sintetizadores eufóricos". Por seu lado, Laurent Garnier: Off the Record, de Gabin Rivoire, "traça a longa carreira do DJ/produtor francês, um dos maiores nomes da explosão house dos anos 90"Love, Deutschmarks and Death, de Cem Kaya, "documenta a desconhecida cena musical resultante da emigração turca para a Alemanha, perpetuada ainda pelos netos dessa primeira vaga de emigrantes".

Em português, Batida Apresenta: The Almost Perfect Dj, de Pedro Coquenão, é uma curta-metragem "baseada na performance com o mesmo título". Também dentro da música electrónica mas muito mais experimental, os Telectu de Vítor Rua e Jorge Lima Barreto são o foco de Sonosfera Telectu, em estreia mundial no IndieLisboa, e com realização de Vasco Bação, Ilda Teresa Castro e do próprio Vítor Rua. "O filme acompanha de forma imersiva a vida na estrada do duo vanguardista, durante os anos 80 e 90". Também em estreia mundial, destaque para A Escuta, de Inês Oliveira, que acompanha o violinista Carlos Zingaro, que também actua no dia de exibição, na Culturgest

Na música experimental mais underground, Alexandra Cabral & Ian Svenonius (antigo vocalista dos The Make-up e Nation of Ulysses) "exploram o cinema conceptual com The Lost Record", que aborda "a ideia da obra de arte enquanto catalisador de mudança revolucionária e a capacidade que a obra tem de se tornar golem ou Frankenstein, algo que o próprio criador já não controla". Ainda no âmbito do IndieLisboa, a dupla actua no Musicbox com o projecto Escape-ism, a 6 de Maio. 

O júri da secção IndieMusic 2022 é composto pelo radialista Ricardo Mariano, da Rádio SBSR, a artista visual e compositora Diana Policarpo, e Francisca Salema, tcp Sallim, artista multidisciplinar, associada à editora lisboeta Cafetra, com quem editou dois discos a solo. 

O IndieLisboa 2022 que decorre de 28 de abril a 8 de Maio. Mais informações em https://indielisboa.com/.


Filmes IndieMusic

Anonymous Club, de Danny Cohen

Batida Apresenta: The almost Perfect Dj, de Pedro Coquenão

Cesária Évora, de Ana Sofia Fonseca

A Escuta, de Inês Oliveira

Italo Disco. The sparkling sound of the 80s, de Alessandro Melazzini

Laurent Garnier: Off the Record, de Gabin Rivoire

The Lost Record, de Alexandra Cabral e Ian F Svenonius

Love, Deutschmarks and Death, de Cem Kaya

Nothing Compares, de Kathryn Ferguson

Patti Smith, Electric poet, de Anne Cutaia e Sophie Peyrard

Rewind and Play, de Alain Gomis

Songs for Drella, de Ed Lachman

Sonosfera Telectu, de Vasco Bação, Vítor Rua e Ilda Teresa Castro

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

IndieLisboa 2022: Doris Wishman em Retrospectiva

O IndieLisboa 2022 anunciou uma retrospectiva da obra da realizadora Doris Wishman.

"Doris Wishman (1912-2002) passou meio século na vanguarda da má reputação, tornando explícito com o seu cinema aquilo que não era permitido à imagem. Autodidata, Wishman construiu sozinha a sua carreira, produzindo, realizando e montando a maior parte dos filmes que compõem a sua filmografia, e que serão apresentados em conjunto com a Cinemateca Portuguesa já na próxima edição do festival", foi anunciado em comunicado.

"Estreou-se em 1960 e tornou-se pioneira da sexploitation feminina no cinema ao longo da década. Começou por produzir os chamados nudie cuties, dos quais se destaca Nude on the Moon (1961), uma longa-metragem de fantasia científica que leva dois astronautas a descobrir uma colónia de nudistas na lua. Mas o crescente desinteresse do público pelo estilo fez com que a cineasta mudasse o rumo do seu cinema e seguisse o caminho dos roughies, um subgénero popular à época que combinava desejo e violência, e que em Wishman acabou por denunciar um olhar sobre o que significa ser mulher. Com o frenético Bad Girls Go to Hell (1965), a sua obra-prima por excelência, hostilidade para com as mulheres e tentações pervertidas tornaram-se temas recorrentes. Audaciosamente eróticos e de carácter protofeminista, fazem ainda parte da sua lista de filmes mais conhecidos os títulos Deadly Weapons (1974), Double Agent 73 (1974), ou o semi-documentário Let Me Die a Woman (1978)."

Afastou-se da indústria cinematográfica na década de 1980, e a artista Peggy Ahwesh reencontrou-a em Miami, em 1994, a trabalhar numa sex shop. Na sua zine The Films of Doris Wishman, Ahwesh descreve a realizadora como uma “mulher obcecada com os temas do estatuto social e liberdade feminina, o drama contemporâneo do medo, desconfiança e o desafio entre os sexos”. Peggy Ahwesh marcará presença no IndieLisboa, para acompanhar a retrospectiva Sem-Vergonha, ou o Cinema de Doris.

O IndieLisboa regressa de 28 de Abril a 8 de Maio, no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal.

Mais informações em https://indielisboa.com/.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

IndieMusic apresenta filme e concerto de Carlos “Zingaro” a 30 de Abril

O IndieMusic, secção musical do 19.º IndieLisboa, apresenta um concerto de Carlos “Zingaro” – acompanhado por David Alves, Alvaro Rosso e Ulrich Mitzlaf – e o filme A Escuta, de Inês Oliveira, dedicado à carreira do violista, improvisador, instrumentista e compositor, no dia 30 de Abril de 2022, na Culturgest, em Lisboa.

"No fim da adolescência, ainda nos anos 1960, após ter recebido tudo o que a escola podia ter dado ao seu violino, Carlos 'Zingaro' criou a banda Plexus onde a uma ideia rock juntou o free jazz e a música contemporânea, num arrojo de convicções bem à frente do tempo. Talvez por isso, tornou-se um músico primordial para uma preparação de Abril, enquanto se foi aproximando do teatro como compositor, mas também como cenógrafo e figurinista. No final dos anos 1970, a sua improvisação assimila novos estudos e experiências, aparecendo como figura capital para a luz do jazz livre europeu desde então", explica o IndieLisboa em comunicado.

Também nas artes visuais, “Zingaro” se destacou "deixando um traço inconfundível e onírico na pintura, ilustração e banda desenhada".  A Escuta, de Inês Oliveira, percorre a carreira do violinista, e estreia na próxima edição IndieLisboa. "Uma dupla viagem, na tela e, de seguida, em concerto, olhando para o passado antes e vivendo o presente depois".

Mais informações em https://indielisboa.com/2022/01/11/indiemusic-apresenta-filme-e-concerto-de-carlos-zingaro/.