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domingo, 19 de junho de 2022

Sugestão da Semana #512

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Um Outro Mundo, de Stéphane Brizé, protagonizado por Vincent Lindon.

UM OUTRO MUNDO



Ficha Técnica:
Título Original: Un autre monde
Realizador: Stéphane Brizé
Elenco: Vincent Lindon, Sandrine Kiberlain, Anthony Bajon, Marie Drucker
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 96 minutos

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Crítica: Titane (2021)

*7/10*


Julia Ducournau não tem medo do choque. Titane prova-o, assim como revela uma mente criativa a fervilhar em ideias e vontade de pô-las em prática. Todavia, a segunda longa-metragem da realizadora francesa parece dois filmes distintos, unidos pela protagonista comum: o filme-choque, onde abunda o erotismo e o body horror; e o drama psicológico, em que Vincent Lindon rouba a tela e dá tudo de si para o melhor de Titane.

A sinopse é vaga e convida à descoberta - com precaução: "Após uma série de crimes sem explicação, um pai reúne-se com o seu filho desaparecido há 10 anos. Titânio: um metal altamente resistente ao calor e à corrosão, com ligas de alta resistência à tracção."

As influências de David Cronenberg são notórias na visceralidade da violência, mas também na relação intrínseca dos carros com o prazer sexual. Mas, na conjugação de muitas ideias soltas e "fora da caixa", Julia Ducournau ainda está longe de ser Cronenberg.

A realizadora foca-se numa protagonista (Agathe Rousselle num desempenho seguro, entre a sensualidade e a androginia, a brutalidade e o sofrimento) fascinada por carros, cuja ausência de emoções por humanos faz dela uma autêntica máquina feita de titânio (como a placa que tem na cabeça, resultante de um acidente em criança). Mas após meia hora grotesca, eis que Titane se transforma "noutro" filme, onde uma réstia de humanidade desperta, e em que tudo girará em torno da enorme interpretação de Vincent Lindon.

O trauma do desaparecimento de um filho e o sentimento de negação constante, a par do sofrimento por sentir o corpo a envelhecer, tornam a personagem deste pai no maior trunfo da longa-metragem. Cria-se empatia, compaixão e verdadeiro interesse no desenrolar da acção, agora muito menos insana.

O pretensiosismo inicial de Ducournau, em que tudo parece "too much", é contido por Lindon, capaz de expressar tanto com um abraço, um toque ou uma lágrima. Um desempenho tão físico como psicologicamente exigente, capaz de equilibrar toda a controversa excentricidade da realizadora.

E se Titane é tão atordoante, para tal muito contribui o trabalho da direcção de fotografia de Ruben Impens, a par da banda sonora, fundamental para o adensar da tensão narrativa. Cores vibrantes, planos sequência, sombras e luzes, tudo filmado com mestria e intensidade.

Corajosa e sem pudores, Julia Ducournau é um nome promissor no cinema actual. A sua apetência para o choque e para o grotesco pode funcionar - e ideias não lhe faltam -, mas há ainda uma maturidade a alcançar, para que não se perca a genialidade no meio de uma amálgama de banalidades.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Crítica: Diário de uma Criada de Quarto / Journal d’une Femme de Chambre (2015)

*6/10*

Mais uma adaptação cinematográfica do clássico de Octave Mirbeau. Depois de Jean Renoir (1946) e Luis Buñuel (1964), é agora a vez de Benoît Jacquot se aventurar nos segredos de Célestine contando-nos o seu Diário de uma Criada de Quarto.


Célestine (Léa Seydoux) é uma jovem criada de quarto cortejada pela sua beleza que acaba de chegar à província, vinda de Paris, para trabalhar com a família Lanlaire. Vai evitando os avanços do patrão, ao mesmo tempo que tem de lidar com a Senhora Lanlaire, que  governa a casa com um punho de ferro. É então que conhece Joseph (Vincent Lindon), um misterioso jardineiro, por quem fica fascinada.

Depois de Paulette Goddard e Jeanne Moreau, é Léa Seydoux quem veste a pele da bela Célestine, sendo ela própria um dos pontos mais fortes da longa-metragem. Doce e desafiadora, a actriz francesa dá à personagem a rebeldia necessária, com o seu quê de sexyness, e, ao mesmo tempo, de inocência. Ganhamos curiosidade pela protagonista ao longo dos minutos, pelos segredos que guarda, pelo seu passado - que nos é apresentado por flashbacks - e pelas relações que desenvolve com os restantes ocupantes da casa onde trabalha.


Esta adaptação de Benôit Jacquot peca, contudo, pela pressa que tem em terminar de contar a história. O ritmo dos acontecimentos é acelerado e, ao mesmo tempo que prende a atenção do espectador ao ecrã, depressa a foca em outra situação, sem tempo para respirar, para envolver, para se deixar provocar. Com estas decisões do realizador, Diário de uma Criada de Quarto termina de rompante, quase como se estivesse incompleto.

A direcção artística é muito competente e há que destacar igualmente cores, cenários e fotografia, mas para lá destes aspectos e do sorriso insolente de Seydoux, nada mais nos fica gravado na memória.

sábado, 2 de novembro de 2013

DocLisboa'13: Pater (2011)

*7.5/10*

Alain Cavalier é o cineasta em retrospectiva neste DocLisboa'13 e, no passado dia 30, esteve presente na sessão da sua mais recente longa-metragem, Pater.

Cavalier uniu-se ao actor Vincent Lindon e o resultado é Pater, onde os dois decidem fazer-se passar, por momentos, por Presidente da República e Primeiro-Ministro, respectivamente. O objectivo é propor uma lei que reduza as diferenças salariais. Passando da realidade à ficção e vice-versa, descobrem serem diferentes do que julgavam.

É curioso ver como ficção e realidade se misturam e cativam a nossa atenção. Assistimos ao debate de ideias entre o "Presidente da República", Cavalier, e o "Primeiro-Ministro", Lindon, às suas propostas, que desencadeiam alguns conflitos entre os dois. 

Pater é extremamente divertido e inteligente, mostrando-nos os dois lados - realidade e ficção - numa interessante desconstrução que culmina na derradeira cena do filme.