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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Globos de Ouro 2026: Vencedores

Os vencedores da 83.ª edição dos Globos de Ouro (Golden Globe Awards) foram anunciados na madrugada desta Segunda-feira, dia 12 de Janeiro.

Adolescence e Batalha Atrás de Batalha foram os grandes vencedores da noite.

Conhece todos os nomeados e vencedores dos prémios da Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood.

CINEMA

Melhor Filme - Drama
Frankenstein
Hamnet 
It Was Just an Accident
The Secret Agent
Sentimental Value
Sinners

Melhor Actriz - Drama
Jessie Buckley (Hamnet)
Jennifer Lawrence (Die My Love)
Renate Reinsve (Sentimental Value)
Julia Roberts (After The Hunt)
Tessa Thompson (Hedda)
Eva Victor (Sorry, Baby)

Melhor Actor - Drama
Joel Edgerton (Train Dreams)
Oscar Isaac (Frankenstein)
Dwayne Johnson (The Smashing Machine)
Michael B. Jordan (Sinners)
Wagner Moura (The Secret Agent)
Jeremy Allen White (Springsteen: Deliver Me From Nowhere)

Melhor Filme - Comédia ou Musical
Blue Moon 
Bugonia 
Marty Supreme
No Other Choice 
Nouvelle Vague 
One Battle After Another 

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Rose Byrne (If I Had Legs I’d Kick You)
Cynthia Erivo (Wicked: For Good)
Kate Hudson (Song Sung Blue)
Chase Infiniti (One Battle After Another)
Amanda Seyfried (The Testament Of Ann Lee)
Emma Stone (Bugonia)

Melhor Actor - Comédia ou Musical
Timothée Chalamet (Marty Supreme)
George Clooney (Jay Kelly)
Leonardo Dicaprio (One Battle After Another)
Ethan Hawke (Blue Moon)
Lee Byung-Hun (No Other Choice)
Jesse Plemons (Bugonia)

Melhor Filme de Animação
Arco
Demon Slayer: Kimetsu No Yaiba Infinity Castle
Elio
Kpop Demon Hunters
Little Amélie Or The Character Of Rain
Zootopia 2

Melhor Filme Estrangeiro
It Was Just An Accident – França
No Other Choice – Coreia do Sul
The Secret Agent – Brasil
Sentimental Value – Noruega
Sirāt – Espanha
The Voice of Hind Rajab – Tunísia

Melhor Actriz Secundária
Emily Blunt (The Smashing Machine)
Elle Fanning (Sentimental Value)
Ariana Grande (Wicked: For Good)
Inga Ibsdotter Lilleaas (Sentimental Value)
Amy Madigan (Weapons)
Teyana Taylor (One Battle After Another)

Melhor Actor Secundário
Benicio Del Toro (One Battle After Another)
Jacob Elordi (Frankenstein)
Paul Mescal (Hamnet)
Sean Penn (One Battle After Another)
Adam Sandler (Jay Kelly)
Stellan Skarsgård (Sentimental Value)

Melhor Realizador
Paul Thomas Anderson (One Battle After Another)
Ryan Coogler (Sinners)
Guillermo Del Toro (Frankenstein)
Jafar Panahi (It Was Just An Accident)
Joachim Trier (Sentimental Value)
Chloé Zhao (Hamnet)

Melhor Argumento
Paul Thomas Anderson (One Battle After Another)
Ronald Bronstein, Josh Safdie (Marty Supreme)
Ryan Coogler (Sinners)
Jafar Panahi (It Was Just An Accident)
Eskil Vogt, Joachim Trier (Sentimental Value)
Chloé Zhao, Maggie O’farrell (Hamnet)

Melhor Banda Sonora Original
Alexandre Desplat (Frankenstein)
Ludwig Göransson (Sinners)
Jonny Greenwood (One Battle After Another)
Kangding Ray (Sirāt)
Max Richter (Hamnet)
Hans Zimmer (F1)

Melhor Canção Original
Dream As One –– Avatar: Fire and Ash; Música e Letra: Miley Cyrus, Andrew Wyatt, Mark Ronson, Simon Franglen
Golden –– Kpop Demon Hunters; Música: Joong Gyu Kwak, Yu Han Lee, Hee Dong Nam, Jeong Hoon Seo, Park Hong Jun; Letra: Kim Eun-Jae (Ejae), Mark Sonnenblick
I Lied To You –– Sinners;  Música e Letra: Raphael Saadiq, Ludwig Göransson
No Place Like Home –– Wicked: For Good; Música e Letra: Stephen Schwartz
The Girl In The Bubble –– Wicked: For Good; Música e Letra: Stephen Schwartz
Train Dreams –– Train Dreams; Música: Nick Cave, Bryce Dessner; Letra: Nick Cave

Cinematic and Box Office Achievement
Avatar: Fire And Ash
F1
Kpop Demon Hunters
Mission: Impossible – The Final Reckoning
Sinners
Weapons
Wicked: For Good
Zootopia 2

TELEVISÃO

Melhor série - Drama
The Diplomat 
The Pitt 
Pluribus
Severance
Slow Horses
The White Lotus

Melhor série - Comédia ou Musical
Abbott Elementary
The Bear
Hacks
Nobody Wants This
Only Murders in the Building
The Studio

Melhor minissérie, antologia ou filme para televisão
Adolescence
All Her Fault
The Beast In Me 
Black Mirror
Dying for Sex 
The Girlfriend

Melhor Actor - Drama
Sterling K. Brown (Paradise)
Diego Luna (Andor)
Gary Oldman (Slow Horses)
Mark Ruffalo (Task)
Adam Scott (Severance)
Noah Wyle (The Pitt)

Melhor Actriz - Drama
Kathy Bates (Matlock)
Britt Lower (Severance)
Helen Mirren (Mobland)
Bella Ramsey (The Last of Us)
Keri Russell (The Diplomat)
Rhea Seehorn (Pluribus)

Melhor Actor - Comédia ou Musical
Adam Brody (Nobody Wants This)
Steve Martin (Only Murders in the Building)
Glen Powell (Chad Powers)
Seth Rogen (The Studio)
Martin Short (Only Murders in the Building)
Jeremy Allen White (The Bear)

Melhor Actriz - Comédia ou Musical
Kristen Bell (Nobody Wants This)
Ayo Edebiri (The Bear)
Selena Gomez (Only Murders In The Building)
Natasha Lyonne (Poker Face)
Jenna Ortega (Wednesday)
Jean Smart (Hacks)

Melhor Actor numa minissérie, antologia ou filme para televisão
Jacob Elordi (The Narrow Road to the Deep North)
Paul Giamatti (Black Mirror)
Stephen Graham (Adolescence)
Charlie Hunnam (Monster: The Ed Gein Story)
Jude Law (Black Rabbit)
Matthew Rhys (The Beast in Me)

Melhor Actriz numa minissérie, antologia ou filme para televisão
Claire Danes (The Beast in Me)
Rashida Jones (Black Mirror)
Amanda Seyfried (Long Bright River)
Sarah Snook (All Her Fault)
Michelle Williams (Dying for Sex)
Robin Wright (The Girlfriend)

Melhor Actor Secundário
Owen Cooper (Adolescence)
Billy Crudup (The Morning Show)
Walton Goggins (The White Lotus)
Jason Isaacs (The White Lotus)
Tramell Tillman (Severance)
Ashley Walters (Adolescence)

Melhor Actriz Secundária
Carrie Coon (The White Lotus)
Erin Doherty (Adolescence)
Hannah Einbinder (Hacks)
Catherine O’hara (The Studio)
Parker Posey (The White Lotus)
Aimee Lou Wood (The White Lotus)

Melhor Performance de Stand-up Comedy
Bill Maher (Bill Maher: Is Anyone Else Seeing This?)
Brett Goldstein (Brett Goldstein: The Second Best Night Of Your Life)
Kevin Hart (Kevin Hart: Acting My Age)
Kumail Nanjiani (Kumail Nanjiani: Night Thoughts)
Ricky Gervais (Ricky Gervais: Mortality)
Sarah Silverman (Sarah Silverman: Postmortem)

Melhor Podcast
Armchair Expert With Dax Shepard (Wondery)
Call Her Daddy (SiriusXM)
Good Hang With Amy Poehler (Spotify)
The Mel Robbins Podcast (SiriusXM)
Smartless (SiriusXM)
Up First (NPR (National Public Radio))

Prémio Cecil B. DeMille
Helen Mirren

Prémio Carol Burnett
Sarah Jessica Parker

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Sugestão da Semana #691

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.

O AGENTE SECRETO


Ficha Técnica:
Título Original: O Agente Secreto
Realizador: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Wagner Moura Maria Fernanda Cândido, Carlos Francisco, Robério Diógenes, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Thomás Aquino
Género: Crime, Drama
Classificação: M/14
Duração: 158 minutos

terça-feira, 23 de setembro de 2025

LEFFEST - Lisboa Film Festival 2025 apresenta programa numa edição que se estende à Amadora

O programa do LEFFEST — Lisboa Film Festival 2025 foi hoje anunciado numa Conferência de Imprensa, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, que contou com a presença do director do festival, Paulo Branco, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e do administrador executivo da NOS, Luís Nascimento.

A 19.ª edição do LEFFEST vai decorrer de 7 a 16 de Novembro, em Lisboa (Cinema São Jorge, Cinema Medeia Nimas, Culturgest, Teatro do Bairro, Galeria Zé dos Bois e NOS Amoreiras), estendendo-se, pela primeira vez, a duas salas da Amadora:  Auditório dos Recreios da Amadora e Cineteatro D. João V.

Sobre a extensão do festival à cidade da Amadora, Paulo Branco referiu que o contacto partiu da Câmara Municipal da Amadora e que a programação das duas salas terá "muito em conta a especificidade da zona" e será "feita em conjunto com" o município. O tema dos exílios estará muito ligado à cidade, onde, com grande probabilidade marcará presença Wagner Moura, tendo em conta a grande comunidade brasileira ali residente.

Fora de Competição e Competição Oficial

O filme de abertura será Father Mother Sister Brother, de Jim Jarmusch. Fora de Competição estarão vários títulos sonantes, que já passaram em festivais internacionais como Die My Love, de Lynne Ramsay, Dead Man's Wire, de Gus Van Sant, Kontinental '25, de Radu Jude, Hamnet, de Chloé Zhao, Sex|Love|Dreams, de Dag Johan HaugerudThe Mastermind, de Kelly ReichardtThe Chronology of Water, de Kristen StewartThe Testament of Ann Lee, de Mona Fastvold, e The Wizard of the Kremlin, de Olivier Assayas, entre outros. Entre os filmes portugueses desta selecção, destaque para As Meninas Exemplares, de João Botelho, e Maria Vitória, de Mário Patrocínio.

Na Competição Oficial, estão 12 longas-metragens a disputar o Grande Prémio NOS, que será atribuído por um júri composto por Stacy Martin, Kim Gordon, Rodrigo Moreno, Manuel Martín Cuenca, Francisco Aires Mateus e Mohammad Rasoulof. Em Competição estarão: Blue Moon, de Richard Linklater, Silent Friend, de Ildikó Enyedi, Where to Land, de Hal Hartley, Miroirs No. 3, de Christian Petzold, The Sun Rises on Us All, de Cai ShangjunOlmo, de Fernando Eimbcke, Las corrientes, de Milagros Mumenthaler, Songs of Forgotten Trees, de Anuparna Roy, The President’s Cake, de Hasan Hadi, In the Land of Brothers, de Alireza Ghasemi e Raha Amirfazli, e o português Entroncamento, de Pedro Cabeleira. Ainda por confirmar, está o segundo volume de Mektoub, My Love: Canto Due, de Abdellatif Kechiche.


Homenagens: Hal Hartley, Isabel Ruth e Wagner Moura e tributo a Marisa Paredes

O LEFFEST apresentará a primeira grande retrospectiva europeia de Hal Hartley, que será acompanhada da estreia europeia do seu mais recente filme Where to Land. Também homenageada será a actriz Isabel Ruth, rosto incontornável do Cinema Novo português; o realizador e actor brasileiro Wagner Moura, recentemente distinguido no Festival de Cannes, pelo seu papel em O Agente Secreto; e a actriz britânica Miranda Richardson. Todos marcarão presença em Lisboa para apresentar os seus filmes e participar em encontros com o público.

Em memória, o festival presta tributo a Marisa Paredes (1946-2024), a actriz que, para Pedro Almodóvar, "tudo dignificava". Serão exibidos alguns dos seus filmes mais marcantes, contando com a participação de alguns dos seus próximos.


Focos: Um Novo Élan do Cinema Espanhol e O Cinema da Ásia Central

O festival vai apresentar dois Focos geográficos: Um Novo Élan do Cinema Espanhol, que reúne sete filmes inéditos em Portugal e revela a vitalidade do novo cinema espanhol, com realizadores de diferentes gerações a reinventar o legado dos grandes mestres. Estarão presentes, entre outros, Manuel Martín Cuenca, Pilar Palomero, Alberto Morais e Javier Rebollo. E o foco O Cinema da Ásia Central que apresenta 12 filmes do Cazaquistão, Tajiquistão, Uzbequistão e Quirguistão, das Novas Vagas dos anos 80 até à criação contemporânea, alguns apresentados pelos próprios autores.


Ciclos Temáticos: Revoluções e Exílios

Dois ciclos temáticos serão apresentados no festival. Revoluções, com curadoria de Denis Ruzaev e Ines Branco López, pretende olhar para a história do cinema sob a lente revolucionária. Já Exílios propõe uma reflexão íntima e política sobre a condição de desenraizamento, com filmes, debates, leituras, a exposição At the Edge of Visibility, do colectivo Dahaleez, na Galeria Zé dos Bois, e ainda um cine-concerto com The Immigrant (1917) e The Pilgrim (1923), de Charlie Chaplin, acompanhados ao vivo pelo Rodrigo Amado Trio

Secções Descobertas e Grandes Mestres

A secção Descobertas atribuirá o Prémio Revelação, que será decidido por um júri composto por Avi Mograbi, Margarida Cardoso, Stephen Kovacevich e Stéphanie Argerich, a um dos sete filmes de autores que se têm afirmado nos últimos anos. Em competição estarão DJ Ahmet, de Georgi M. Unkovski; Homebound, de Neeraj Ghaywan; Living the Land, de Huo Meng; Lucky Lu, de Lloyd Lee Choi; My Father’s Shadow, de Akinola Davies Jr.; Shadowbox, de Tanushree Das e Saumyananda Sahi; e Urchin, de Harris Dickinson.

A secção Grandes Mestres convida o público a reencontrar grandes nomes do cinema contemporâneo com novas obras: Aleksandr Sokurov (Director’s Diary), Edgar Reitz (Leibniz – Chronicle of a Lost Painting), Franco Maresco (Un film fatto per Bene), Sharunas Bartas (Laguna) e José Luis Guerín (Historias del buen valle). Sokurov, Bartas e Guerín estarão nas sessões para apresentar os filmes.


Memória do Cinema - Filmes Restaurados

Nesta edição, o LEFFEST vai apresentar três filmes recentemente restaurados: Senso (1954), de Luchino Visconti, restaurado pela Cineteca di Bologna; La Règle du Jeu (1939), de Jean Renoir, restaurado pela Cinémathèque Française; e O Processo do Rei (1990), de João Mário Grilo, que terá a sua primeira exibição pública na nova cópia restaurada pela Cinemateca Portuguesa.


Homenagem a Arvo Pärt no 90.º Aniversário

O compositor Arvo Pärt será homenageado por ocasião do seu 90.º aniversário com um concerto pelo GGG Trio (Gidon Kremer – violino, Georgijs Osokins – piano, Giedre Dirvanauskaite – violoncelo), conversas sobre a sua obra e a exibição de filmes, incluindo a sua colaboração com Robert Wilson.

Em breve, serão anunciados mais títulos e convidados à programação do LEFFEST 2025, e os bilhetes estarão à venda previsivelmente no final de Outubro. Mais informação sobre o festival em https://leffest.com/.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Crítica: Guerra Civil / Civil War (2024)

"I need a quote."
Joel


*8/10*

Eis que chega aos cinemas um blockbuster sobre jornalismo de guerra. Alex Garland não se faz rogado e arrisca numa Guerra Civil fictícia, mas cheia de semelhanças com a realidade, onde o papel dos jornalistas é ponto fulcral da existência e sucesso da longa-metragem.

Talvez num convite à reflexão - feito, aliás, durante toda a longa-metragem -, nos EUA, simbolicamente, o filme estreou a 12 de Abril, o mesmo dia em que, em 1861, teve início a Guerra Civil Americana. 

O realizador não se compromete com tomadas de posição (quem serão os bons ou os maus, ou se há um tom premonitório que torne esta Guerra Civil cinematográfica numa possibilidade real), cumprindo, contudo, a função de relatar os acontecimentos (fictícios, neste caso), com rigor e isenção, promovendo o pensamento crítico da sua audiência. Não terá aqui um papel muito semelhante ao dos jornalistas protagonistas?


"Num futuro próximo, a América está dividida em múltiplas facções que se envolveram numa guerra civil em rápida escalada. As Forças Ocidentais, uma aliança armada de estados em revolta contra o governo federal, está a dias de forçar a rendição do Capitólio. Na esperança de conseguir uma derradeira entrevista com o presidente, uma fotógrafa que captou atrocidades e conflitos em todo o mundo, viaja numa pequena caravana de jornalistas que tenta alcançar Washington antes que os rebeldes se apoderem da Casa Branca."

Alex Garland segue quatro jornalistas numa espécie de road movie por cenários de guerra, numa longa e perigosa viagem por território americano em estado de sítio. Entre locais destruídos, abandonados, corpos no chão - ou em valas - e tiroteios, passando por campos de refugiados, exércitos e rebeldes ou por facções que dominam determinados territórios, agora sem lei, o caminho é sinuoso e muito arriscado, e nem o colete identificativo de "press" ("imprensa") dá mais segurança ao grupo de repórteres. Tudo parece atrasar a jornada de obstáculos para chegar a Washington e ao ainda Presidente dos EUA. A Alex Garland não interessa especialmente revelar o exacto motivo que desencadeou esta Guerra Civil. Ele quer sim, que os jornalistas cheguem a bom porto e consigam alcançar o furo jornalístico que tanto ambicionam e pelo qual tudo farão.


Neste thriller, com excelentes sequências de acção, onde se vêem destruídos alguns marcos arquitetónicos norte-americanos, o realizador coloca a câmara (e a plateia) ao lado dos jornalistas, proporcionando momentos verdadeiramente incómodos e impressionantes.

Na era do imediatismo e das notícias falsas, Guerra Civil destaca a importância da presença dos jornalistas - e da paixão que as quatro personagens têm pela profissão, seja o veterano Sammy, que apesar da idade avançada, não admite a ideia de não se juntar à viagem, ou a jovem fotógrafa Jessie, que embarca junto da sua referência no fotojornalismo de guerra, Lee. Ela e o seu colega Joel, apesar da experiência em cenários de guerra, não parecem também estar preparados para a violência que esta jornada até ao Presidente lhes guarda. A vocação e a coragem para cumprir o seu dever de informar - a que se junta, claro, a adrenalina de ser o primeiro a dar a notícia - são fundamentais para contar a "estória" com isenção, rigor e objectividade. 


Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson formam o heterogéneo grupo de jornalistas a enfrentar o sinuoso caminho rumo a Washington, e os quatro actores são capazes de trazer a humanidade necessária a cada personagem, entre o tormento, a adrenalina, a curiosidade e a resiliência. Destaque ainda para os breves momentos de Jesse Plemons no ecrã, num dos momentos mais tensos e inesperados da acção.

Com Guerra Civil, Alex Garland redime-se da péssima abordagem do seu filme anterior (Men, 2022) e regressa ao percurso, iniciado com Ex-Machina, em 2014, de dotar os géneros aparentemente "gastos" de uma originalidade incomum, com coragem e engenho.

domingo, 21 de abril de 2024

Sugestão da Semana #610

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Guerra Civil, de Alex Garland.

GUERRA CIVIL


Ficha Técnica:
Título Original: Civil War
Realizador: Alex Garland
Elenco: Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny, Jesse Plemons, Stephen McKinley Henderson, Nick Offerman
Género: Acção, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 109 minutos

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Crítica: Serra Pelada (2013)

*7/10*

A febre do ouro do Brasil chegou ao grande ecrã pela mão do realizador Heitor Dhalia, em Serra Pelada. A longa-metragem partilha o nome com a serra para onde os homens foram em busca do metal precioso que, sonhavam, os faria ricos.

Com nomes sonantes no elenco, onde se destaca Wagner Moura, Serra Pelada junta violência, ganância, romance e sonhos desfeitos, numa espécie de western com muito samba e gangs. Pistoleiros, pelo menos, não faltam, num filme onde o dinheiro e o poder parecem transformar os protagonistas.

Os amigos Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) deixam São Paulo em busca do sonho do ouro. Estamos em 1980 e os dois amigos chegam à Floresta Amazónica - como tantos outros milhares de homens chegaram -, repletos de sonhos e ilusões. Mas a vida no garimpo muda tudo. A obsessão pela riqueza e pelo poder destrói-os. Juliano torna-se um gangster. Joaquim foge e deixa todos os seus valores para trás.


Um deixa para trás a família, o outro, as dívidas. Um quer dinheiro, o outro, poder. É assim que dois homens passam da vontade de ter uma vida melhor para a ganância sem limites. Como se o ouro pudesse mudar educação e valores, o passado e os laços.

Cores vivas e muito quentes abundam, quer de dia, junto dos homens suados e sujos de terra, debaixo de um Sol abrasador, que vão encontrando o também reluzente e tão desejado ouro, como à noite, entre as danças coloridas, as prostitutas e as lutas de poder.

Serra Pelada é enérgico, prende atenções, num interessante retrato da época. Peca especialmente por aspectos que o ligarão mais à televisão que ao cinema - os dramas românticos do enredo são um deles -, resultando provavelmente melhor como série televisiva.


No elenco, especial destaque para as interpretações dos protagonistas Juliano Cazarré e Júlio Andrade, tão diferentes e tão unidos, numa verdadeira concepção da ideia de que os opostos se atraem, e ainda Wagner Moura, numa personagem tão brutal como cómica.

Heitor Dhalia trouxe-nos um filme dinâmico, com pontos de contacto com a actual realidade brasileira. Não consegue, no entanto, chegar a um patamar que o torne inesquecível no cinema.