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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Surpresas do Ano #2013

Depois dos melhores e piores posters, e, claro, dos melhores filmes do ano, o balanço cinematográfico de 2013 continua, agora fazendo uma breve análise das maiores desilusões e surpresas deste ano*. Começando pelas surpresas, aqui ficam alguns dos títulos, uns mais desconhecidos que outros, que marcaram inesperadamente o ano pela positiva.


10. Velocidade Furiosa 6 / Fast & Furious 6
Puro e descomprometido divertimento foi o que Velocidade Furiosa 6 nos trouxe. Justin Lin regressou e venceu. Sabemos que tudo aquilo a que assistimos é totalmente impossível, irrealista ou exagerado, mas o certo é que vamos gostar e querer mais. Foi uma das boas surpresas do ano e deu um novo fôlego a uma saga que já vai no sexto filme (com o sétimo em preparação, apesar da recente e trágica morte de um dos protagonistas, Paul Walker).


9. Bestas do Sul Selvagem / Beasts of the Southern Wild
Uma grande surpresa que nos trouxe um promissor jovem realizador, Benh Zeitlin, e uma talentosa pequena actriz, Quvenzhané Wallis, a mais jovem de sempre nomeada para o Oscar de Melhor Actriz. Bestas do Sul Selvagem é todo ele harmonia entre uma realidade dura e a fantasia que paira na mente de uma criança muito pouco comum. 


8. Assassinos de Férias / Sightseers
Um inesperado casal é o centro desta longa-metragem repleta de humor negro e sangue, onde a diversão é garantida. Depois de Kill List, Ben Wheatley trouxe-nos uma grande surpresa, e será impossível não simpatizar com estes protagonistas com um feitio tão complicado, porque, afinal, ninguém gosta de má educação.



7. Laurence Para Sempre / Laurence Anyways
Forte, sensível e muito feminino, Laurence Para Sempre é uma história de amor cheia de cor e contra todos os preconceitos. Ao talento de Xavier Dolan na realização, juntam-se as excelentes interpretações de Melvil Poupaud e Suzanne Clément.


6. Virgem Margarida
A emancipação feminina moçambicana foi alcançada após muito sofrimento. Virgem Margarida pretende ser um retrato fiel dessa época, e, tendo em conta os recursos que o realizador Licínio Azevedo tinha disponíveis, o resultado é competente. É impossível perder o interesse na dura realidade destas mulheres, marcada pela morte, dor e desilusão.




5. Os Amantes Passageiros / Los Amantes Pasajeros
A sensação de nonsense é apenas uma fachada. Há muito sarcasmo por detrás de personagens e acontecimentos, e o sentimentalismo aparente não passa de ironia e crítica social. Almodóvar voltou em força às comédias, dividiu opiniões e instalou a polémica. Os Amantes Passageiros foram uma das melhores  e mais divertidas surpresas do ano.



4. Isto é o Fim / This Is the End
Provavelmente, Isto é o Fim será o mais hilariante e descabido filme sobre o fim do mundo. Mas também é verdade que nessa categoria será um dos mais divertidos. James Franco, Jonah Hill, Seth Rogen, Jay Baruchel, Danny McBride e Craig Robinson vestem a sua própria pele (será mesmo?) e juntam-se a outras tantas figuras públicas para apenas e só se divertirem. Entre pecados e redenção, eles querem sobreviver ou pelo menos chegar ao Paraíso. As surpresas sucedem-se até ao último minuto e as gargalhadas não vão parar.



3. Até Ver a Luz
Muito poucos deram por ele nas salas de cinema, mas Até Ver a Luz passou pela Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes de 2013, e foi, sem Sombra de dúvida, o melhor filme falado em português (e crioulo) do ano. Basil da Cunha tem aqui a sua primeira longa-metragem, intima, com personagens fortes, onde o realismo se alia à fantasia, numa espécie de estado de transe ou alucinação - onde não faltam as superstições -, que não surge, em momento algum, desfasada da narrativa. Até Ver a Luz foi uma excelente surpresa passado numa realidade muito próxima.




2. O Frágil Som do Meu Motor
A primeira longa-metragem de Leonardo António, O Frágil Som do meu Motor, trouxe muitas surpresas e um novo fôlego para um género quase inexistente no cinema português: o thriller. Ao bom elenco, junta-se uma ideia forte que melhor trabalhada poderia ter um resultado excelente. Ainda assim, esta longa-metragem foi uma das que mais se destacaram num ano difícil para o cinema nacional. E para ajudar, o filme tem um dos melhores trailers portugueses dos últimos anos.




1. A Gaiola Dourada / La Cage Dorée
Rir em bom português – e francês – foi a proposta da primeira longa-metragem de Ruben Alves, A Gaiola Dourada. A vida dos emigrantes portugueses em França é-nos apresentada cheia de animação, gargalhadas, mas também muita emoção. A Gaiola Dourada traz consigo um misto de sentimentos, que resultam numa comédia de costumes com uma qualidade acima da média. A longa-metragem francesa foi uma surpresa a todos os níveis e o filme mais visto do ano em Portugal.


*a ter em conta os filmes estreados no circuito comercial em Portugal ao longo de 2013.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2013

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2013 do Hoje Vi(vi) um Filme, aqui ficam os dez lugares que faltam, aqueles que foram os melhores do ano, estreados no circuito comercial de cinema em Portugal.

Eis o top 10:

10. Até Ver a Luz, de Basil da Cunha, 2013

O luso-suiço Basil da Cunha trouxe o melhor falado em português (e crioulo) do ano, que, infelizmente, muito pouca gente viu. Um protagonista que vive de noite, na Sombra que lhe dá o único nome que lhe conhecemos, é o nosso guia pelas estreitas ruas do bairro da Reboleira. Ele leva-nos ao centro dos conflitos e da festa, a uma realidade ficcionada mas com personagens de carne e osso, e com uma espiritualidade muito singular. Até Ver a Luz quase que funde o documentário com a ficção e o resultado é intimo e cheio de fantasia.



9. Dentro de Casa (Dans la maison), de François Ozon, 2012

Ozon joga com o espectador tal como Claude joga com a curiosidade do seu professor Germain. A dúvida persiste: onde está a fronteira entre realidade e ficção? A imaginação de aluno, professor e plateia irá muito longe, e o realizador leva-nos à mesma obsessão que os protagonistas. Entre um argumento construído de forma brilhante, onde as dúvidas são a chave, à perspicácia técnica, Dentro de Casa marcou o ano cinematográfico de forma muito positiva e original.



8. Lincoln, de Steven Spielberg, 2012

Lincoln é um retrato de uma época conturbada e cheia de dificuldades, quatro meses da luta de um dos homens mais importantes da história norte-americana apresentados sem tabus e onde o espectador tem um papel activo. Que todos os filmes históricos fossem tão sinceros e profundos.



7. Fuga (Mud), de Jeff Nichols, 2012

Matthew McConaughey incorpora um anti-herói apaixonado (numa prestação estrondosa), que se alia a duas crianças para recuperar a sua vida e o seu amor. Uma história profunda e inocente, que prova uma vez mais o talento de Jeff Nichols.




Uma grande surpresa, Bestas do Sul Selvagem é todo ele harmonia entre uma realidade dura e a fantasia que paira na mente de uma criança muito pouco comum. Hushpuppy faz-nos viajar entre o fantástico e o real, conhecendo e confrontando as mais temíveis criaturas, sejam elas fruto da nossa imaginação, os nossos medos ou a própria Natureza.



5. O Mentor (The Master), de Paul Thomas Anderson, 2012

Paul Thomas Anderson nunca é capaz de menos do que nos impressionar a cada novo filme. O Mentor é um estrondo visual, argumentativamente aberto a muitas e fortes interpretações, a que se juntam os desempenhos magistrais de Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman para um resultado deslumbrante.



4. Gravidade (Gravity), de Alfonso Cuarón, 2012

Não, Gravidade não é melhor que 2001: Odisseia no Espaço, nem tinha de o ser. São outros tempos, outras tecnologias, outras abordagens – bem longe das do filme de Kubrick -, outro realizador, afinal, é outro filme de ficção científica. Cuarón quis, acima de tudo, impressionar-nos com as mais belas imagens que poderemos ver no cinema este ano.



3. A Propósito de Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis), de Ethan Coen e Joel Coen, 2013

Em A Propósito de Llewyn Davis, os Coen exploram o mundo do folk com uma simplicidade tremenda, mas com um carinho ainda maior. O gato e o homem aquecem-nos o coração num Inverno não tão rigoroso como o de Greenwich Village, em 1961, até onde viajamos e nos deixamos embalar, entre a tristeza, nostalgia e comoção. Porque toda a gente irá questionar se realmente a esperança é a última a morrer.



2. Só Deus Perdoa (Only God Forgives), de Nicolas Winding Refn, 2013

Refn traz-nos um filme difícil de digerir, que apela, acima de tudo, a uma forte reflexão sobre o conceito de justiça (divina?). Uma obra de uma beleza visual estonteante, repleta de uma violência estética que poucos nos proporcionam: Só Deus Perdoa, mas o público também.



1. Django Libertado (Django Unchained), de Quentin Tarantino, 2012

Violência, vingança, amor, coragem e muito sangue marcam o regresso de Quentin Tarantino. Original no meio de tantas referências e homenagens, Django Libertado tem presentes em si todas as marcas do realizador. Polémico, como não poderia deixar de ser, Tarantino afirma-se mais uma vez como o excelente autor que é, e prova que da sua mente e mãos nunca sairá um mau filme, bem pelo contrário.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: Melhor Filme

Depois da reflexão sobre as interpretações dos nomeados a Melhor Actor e Melhor Actriz, passemos à grande categoria desta noite de 24 de Fevereiro. São nove as longas-metragens na corrida para o Oscar de Melhor Filme. Entre as que merecem totalmente o prémio e as que nem deveriam constar da lista de nomeados, a escolha é muito diversificada e não se fica pelas produções norte-americanas.

1. Django Libertado (Django Unchained)

O meu grande favorito está longe de ser o mais acarinhado pela Academia, mas conta, ainda assim com cinco nomeações (entre as quais Melhor Argumento Original ou Melhor Actor Secundário, categorias com grande possibilidade de triunfar). Django Libertado é o mais recente e sangrento filme do grande Quentin Tarantino, onde se contam homenagens ao cinema quase a cada fotograma. O elenco é de luxo e está recheado de boas interpretações - Waltz, Jackson, Foxx e DiCaprio não deixam ficar mal a nenhum momento -, a banda sonora é viciante e Tarantino é fiel a si mesmo. Polémico ou não, Django Libertado é o melhor entre os nomeados.


2. Amor (Amour)

Uma surpresa entre os nomeados, o filme austríaco, falado em francês, conquistou lugar entre os nove magníficos e reúne, ao todo cinco nomeações (Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Realizador, Melhor Actriz e Melhor Argumento Original são as outras quatro). Michael Haneke mostra uma vez mais como sabe contar uma história e comover-nos com o que há de mais real e mais doloroso. Amor é um filme marcante e pesado, que mexe com que há de mais profundo no ser humano. A história de Anne e Georges seria também merecedora do Oscar na principal categoria da noite, mas provavelmente levará apenas o de Melhor Filme Estrangeiro (e, quem sabe, o de Melhor Actriz Principal).


3. Bestas do Sul Selvagem (Beasts of the Southern Wild)

Mais um nomeado que me conquistou verdadeiramente. Bestas do Sul Selvagem tem quatro nomeações e, provavelmente, não conquistará nenhum prémio (apesar do de Melhor Argumento Adaptado lhe assentar tão bem). O filme do jovem realizador Benh Zeitlin transpira harmonia e significância, apelando à nossa reflexão, descoberta e imaginação enquanto espectadores. A protagonista Hushpuppy, brilhantemente interpretada por Quvenzhané Wallis, é a nossa guia nesta viagem à vida naquela comunidade esquecida que é a Banheira.


4. Lincoln

Steven Spielberg lidera as nomeações com o seu Lincoln, indicado para 12 categorias. O filme que se debruça sobre os últimos quatro meses de vida do Presidente norte-americano, tendo como foco toda a sua luta pela abolição da escravatura nos EUA, apesar do seu teor extremamente político, demonstrou ser muito para além disso. Envolvente, sempre construído de forma a chamar a atenção mesmo para o menos cativante dos diálogos, Lincoln quer chegar até ao que meno conhecer acerca da história norte-americana, e fá-lo sem tabus. Com um protagonista de peso - Daniel Day-Lewis - e secundários com grandes prestações - Tommy Lee Jones e Sally Field -, junta-se a Lincoln uma componente técnica marcada pela sua fotografia e banda sonora, tudo culminando num resultado muito positivo. Apesar da incerteza que paira este ano sobre quase todas as categorias dos Oscars, Lincoln não deve ganhar a de Melhor Filme, mas é, certamente, um dos favoritos na corrida.


5. 00:30 A Hora Negra (Zero Dark Thirty)

O filme de Kathryn Bigelow começou a Award Season como um dos grandes favoritos às estatuetas douradas mas foi perdendo fôlego ainda cedo. A realizadora ficou de fora dos nomeados na sua categoria apesar do excelente trabalho feito no seu 00:30 A Hora Negra, Jessica Chastain também perdeu o favoritismo para o prémio de Melhor Actriz, que recai agora sobre Jennifer Lawrence e Emmanuelle Riva, e , apesar das cinco nomeações, o filme sobre a captura de Bin Laden parece já ter poucas hipóteses de se sagrar vencedor na categoria principal. A história, contada sem tabus nem medos de exibir situações de tortura - e que tanta polémica levantou, por isso mesmo -, revela-se um bom filme de acção, e vale principalmente pela meia hora final, intensa e que quase coloca o espectador dentro da cena.


6. Argo

O grande favorito da noite é Argo, o filme de Ben Affleck sobre o resgate dos reféns norte-americanos do Irão, cujos pormenores estiveram em segredo de Estado durante muitos anos. Um filme que apresenta os EUA como heróis conquista, desde logo, a simpatia da Academia, e apesar desta ter esquecido Affleck na categoria de realização, certo é que Argo tem ganho todos os prémios que tinha para ganhar nas duas principais categorias (Melhor Filme e Realizador). Não sendo um filme excepcional, entretém q.b. e conta uma história verídica, o que o torna, desde logo, mais interessante. Também o facto de haver cinema no meio do original resgate, cativa ainda mais a atenção de um público mais cinéfilo.


7. Os Miseráveis (Les Misérables)

Depois de Discurso do Rei, Tom Hooper apostou num musical que se revelou demasiado para aquilo  que o realizador é capaz. Ainda assim a Academia gostou de Os Miseráveis, nomeando-o para oito categorias e, apesar de não ser favorito para Melhor Filme, surpresas podem sempre acontecer. Com um elenco recheado de nomes de peso, é Anne Hathaway que se destaca e merece o Oscar para Melhor Actriz Secundária, que lhe está quase garantido. Os Miseráveis peca pelos seus 158 minutos serem praticamente todos cantados, tornando-se exaustivo para a plateia, a menos que esta seja verdadeira fã de musicais.


[ex aequo] 7. A Vida de Pi (Life of Pi)

Com 11 nomeações está um dos que menos gostei de entre os nomeados para Melhor Filme. A Vida de Pi tem grandes possibilidades de vencer nas categorias técnicas e nunca se sabe se não conseguirá alcançar o prémio de Melhor Realizador ou Melhor Filme. Contudo, o tom demasiado artificial do filme de Ang Lee deita muito a perder, apesar do próprio argumento não ser minimamente cativante. Um filme espiritual e, apesar de tudo, visualmente grandioso - há que dar-lhe os louros pelas imagens que nos proporciona -, mas que está longe de merecer o grande prémio da noite.


9. Guia para um Final Feliz (Silver Linings Playbook)

Inesperado por figurar entre os nove escolhidos pela Academia é Guia para um Final Feliz, um longa-metragem que pouco mais é do que medíocre. Menos inesperado é quando nos lembramos dos dois nomes por detrás do filme, os produtores Bob e Harvey Weinstein que tanta influência detêm em Hollywood. Mais por estes motivos do que por mérito, o filme tem a possibilidade de conquistar alguns troféus, apesar da mediana realização, do argumento, que cai numa comédia romântica já tão vista, e das interpretações tão banais. Guia para um Final Feliz não tem, contudo, grandes possibilidades de ganhar o grande prémio da noite.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Crítica: Bestas do Sul Selvagem/ Beasts of the Southern Wild (2012)

"Everybody loses the thing that made them. It's even how it's supposed to be in nature. The brave men stay and watch it happen, they don't run."
Hushpuppy

*8/10*
Uma grande surpresa, Bestas do Sul Selvagem é todo ele harmonia entre uma realidade dura e a fantasia que paira na mente de uma criança muito pouco comum. Na sua primeira longa-metragem, Benh Zeitlin alcançou quatro nomeações ao Oscar, todas elas em categorias relevantes: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actriz e Melhor Argumento Adaptado. 

Bestas do Sul Selvagem apresenta-nos  uma comunidade esquecida - a Banheira - de uma zona pantanosa separada do mundo civilizado por um extenso dique, onde a pequena Hushpuppy, de seis anos, vive entregue à sua sorte, com o seu pai, Wink, um homem descontrolado e doente. Quando uma tempestade faz subir as águas em torno da aldeia e ferozes criaturas pré-históricas acordam dos seus túmulos gelados para investir através do planeta, Hushpuppy vê entrar em colapso a ordem natural de tudo o que lhe é querido.

Um argumento com tanto de doce como de selvagem, oferece-nos a história de Hushpuppy repleta de reflexões, com um guião cheio de frases marcantes, e em que a protagonista, que assume também o papel de narradora, é o fio condutor de toda a narrativa, onde a crítica social está bem presente. Envolvente, Bestas do Sul Selvagem  leva-nos até à Banheira, esta uma pequena comunidade esquecida, apesar de se situar junto ao mundo civilizado. Quando, depois da tempestade, tentam incutir alguma sociabilidade àquelas pessoas, elas resistem e mostram querer lutar por aquilo que é seu e de que os querem privar. Apesar das precárias condições, Hushpuppy e os seus mostram preferir a sua terra a tudo o resto, com verdadeiro respeito pela Natureza que assume um papel principal ao longo de toda a longa-metragem.


Hushpuppy é o melhor exemplo dessa luta, desse respeito pela sua "casa", pela sua gente, e é ela que faz o filme. Corajosa e aventureira, a pequena protagonista aparenta não ter medo de nada, mesmo nos momentos em que parece fraquejar. Desafiadora, ela recebe uma educação pouco convencional, e provavelmente incómoda para o espectador, que parece querer prepará-la para tudo, à semelhança de um animal selvagem. Todavia, em nenhum momento ela perde a forte imaginação que só a mente de uma criança oferece.

Ao mesmo tempo, nunca a expressão "Mãe Natureza" foi tão certeira. Hushpuppy trata-a como se da sua progenitora ausente se tratasse, e quase que conseguimos acreditar nisso. A relação entre ambas é de tal forma especial, que nem a Tempestade a é capaz de abalar, apenas a torna ainda mais forte. Ao mesmo tempo, a mãe da criança é-nos apresentada como uma mulher fora do comum, num estatuto próximo ao de uma divindade, como uma força da Natureza. Hushpuppy recorda-a, a certo momento, assim: "Back when Daddy used to talk about Mamma, he'd say she was so pretty she never even had to turn on the stove.". O filme é feito de subtilezas como esta, do início ao fim. Conseguiremos fazer uma série de associações, de reflexões, ao longo da longa-metragem.

Para uma protagonista tão exigente, ninguém melhor do que a pequena estreante Quvenzhané Wallis para lhe vestir a pele, numa interpretação que a tornou a mais jovem nomeada de sempre ao Oscar de Melhor Actriz. Wallis é brilhante, em todas as expressões, em todas as deixas. A acompanhá-la, Dwight Henry encarna o seu pai, Wink, de forma enérgica e muito competente, sendo uma pena terem-no deixado de fora das nomeações aos prémios da Academia.


Tecnicamente, Bestas do Sul Selvagem é extremamente interessante e sensorial. Filmado em película de 16mm, o filme deixa-nos ver o seu grão na imagem. Ao mesmo tempo, a Natureza é-nos mostrada com detalhe, apelando aos nossos sentidos. A câmara nunca é estática, mas o que poderia ser incómodo, pelo contrário, só nos coloca ainda mais na acção, quase como se também fôssemos habitantes da Banheira. A banda sonora, composta por Dan Romer e pelo próprio realizador Benh Zeitlin, é encantadora, reforçando toda a harmonia que a longa-metragem nos transmite.

Um drama fascinante a cada fotograma, é assim Bestas do Sul Selvagem, para ver, sentir e reflectir. Hushpuppy faz-nos viajar entre a fantasia e a realidade, conhecendo e confrontando as mais temíveis criaturas, sejam elas fruto da nossa imaginação, os nossos medos ou a própria Natureza.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: Previsões

Cada vez mais perto do grande dia, que acontece já na madrugada de 24 para 25 de Fevereiro, as previsões dos vencedores dos Oscars vão-se multiplicando. O Hoje Vi(vi) um Filme aproveita a deixa e vem agora apresentar as suas apostas.


Melhor Filme:
Ganha: Argo
Com possibilidades: Guia para um Final Feliz
Devia Ganhar: Django Libertado

Melhor Actor:
Ganha: Daniel Day-Lewis em Lincoln
Com possibilidades: Hugh Jackman em Os Miseráveis
Devia Ganhar: Joaquin Phoenix em The Master - O Mentor

Melhor Actriz:
Ganha: Jennifer Lawrence em Guia para um Final Feliz
Com possibilidades: Emmanuelle Riva emAmor
Devia Ganhar: Emmanuelle Riva em Amor

Melhor Actor Secundário:
Ganha: Tommy Lee Jones em Lincoln
Com possibilidades: Christoph Waltz em Django Libertado
Devia Ganhar: Christoph Waltz em Django Libertado

Melhor Actriz Secundária:
Ganha: Anne Hathaway em Os Miseráveis
Com possibilidades: Sally Field em Lincoln
Devia Ganhar: Anne Hathaway em Os Miseráveis

Melhor Realizador:
Ganha: David O. Russell por Guia para um Final Feliz
Com possibilidades: Ang Lee por A Vida de Pi
Devia Ganhar: Steven Spielberg por Lincoln

Melhor Argumento Original:
Ganha: Django Libertado: Quentin Tarantino
Com possibilidades: 00:30 A Hora Negra: Mark Boal
Devia Ganhar: Django Libertado: Quentin Tarantino

Melhor Argumento Adaptado:
Ganha: Guia para um Final Feliz: David O. Russell
Com possibilidades: Argo: Chris Terrio
Devia Ganhar: Bestas do Sul Selvagem: Lucy Alibar, Benh Zeitlin

Melhor Filme de Animação:
Ganha: Brave - Indomável
Com possibilidades: Força Ralph
Devia Ganhar: Frankenweenie

Melhor Filme Estrangeiro:
Ganha: Amor (Áustria)
Com possibilidades: No (Chile)
Devia Ganhar: Amor (Áustria)

Melhor Fotografia:
Ganha: 007 - Skyfall: Roger Deakins
Com possibilidades: A Vida de Pi: Claudio Miranda
Devia Ganhar: Anna Karenina: Seamus McGarvey

Melhor Montagem:
Ganha: Argo: William Goldenberg
Com possibilidades: Guia para um Final Feliz: Jay Cassidy, Crispin Struthers
Devia Ganhar: 00:30 A Hora Negra: William Goldenberg, Dylan Tichenor

Melhor Direcção Artística:
Ganha: Os Miseráveis: Eve Stewart, Anna Lynch-Robinson
Com possibilidades: Anna Karenina: Sarah Greenwood, Katie Spencer
Devia Ganhar: Anna Karenina: Sarah Greenwood, Katie Spencer

Melhor Guarda-Roupa:
Ganha: Anna Karenina: Jacqueline Durran
Com possibilidades: Os Miseráveis: Paco Delgado
Devia Ganhar: Anna Karenina: Jacqueline Durran

Melhor Maquilhagem e Cabelo:
Ganha: Os Miseráveis
Com possibilidades: O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
Devia Ganhar: O Hobbit: Uma Viagem Inesperada

Melhor Banda Sonora Original:
Ganha: A Vida de Pi: Mychael Danna
Com possibilidades: 007 - Skyfall: Thomas Newman
Devia Ganhar: Anna Karenina: Dario Marianelli

Melhor Canção Original:
Ganha: Skyfall, de Adele, Paul Epworth, no filme 007 - Skyfall
Com possibilidades: Everybody Needs a Best Friend de Walter Murphy, Seth MacFarlane, no filme Ted
Devia Ganhar: Skyfall, de Adele, Paul Epworth, no filme 007 - Skyfall

Melhor Efeitos Sonoros:
Ganha: Os Miseráveis
Com possibilidades: 007 - Skyfall
Devia Ganhar: Os Miseráveis

Melhor Montagem de Som:
Ganha: 007 - Skyfall
Com possibilidades: Argo ou 00:30 A Hora Negra
Devia Ganhar: Django Libertado

Melhor Efeitos Visuais:
Ganha: A Vida de Pi
Com possibilidades: O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
Devia Ganhar: O Hobbit: Uma Viagem Inesperada

Melhor Documentário:
Ganha: Searching for Sugar Man
Com possibilidades: How to Survive a Plague

Melhor Curta Documental:
Ganha: Inocente
Com possibilidades: Mondays at Racine

Melhor Curta de Animação:
Ganha: O Rapaz do Papel: John Kahrs
Com possibilidades: Adam and Dog: Minkyu Lee
Devia Ganhar: O Rapaz do Papel: John Kahrs

Melhor Curta:
Ganha: Curfew: Shawn Christensen

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sugestão da Semana #51

Depois de mais uma Quinta feira de estreias, a Sugestão da Semana recai desta vez sobre o nomeado aos Oscars Bestas do Sul Selvagem.

BESTAS DO SUL SELVAGEM


Ficha Técnica:
Título Original: Beasts of the Southern Wild
Realizador: Benh Zeitlin
Actores: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly
Género: Drama, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 93 minutos

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estreias da Semana #51

São seis as estreias que têm lugar esta Quinta-feira nos cinemas nacionais. Muito terror, comédia, acção e drama é o que nos chega, com especial destaque para o nomeado aos Oscars 2013, Bestas do Sul Selvagem, bem como com o regresso às salas do clássico de Hitchcock, Psycho.

A Descida - Parte 2 (2009)
The Descent: Part 2
A sequela do filme de terror de 2005 (A Descida), que marcou o que de melhor se fez no género nos últimos anos, chega agora a Portugal, alguns anos depois do previsto. Ferida, desesperada e coberta com o sangue das suas companheiras desaparecidas, Sarah consegue emergir do complexo de grutas onde se encontrava perdida, embora se encontre em choque e sem memória do que lhe aconteceu. Céptico sobre o relato de Sarah e convencido que a sua psicose esconde segredos sombrios, o xerife Vaines inicia a sua investigação ao desaparecimento do grupo de jovens. Juntamente com a sua colega Rios e com a equipa de resgate de Dan, Greg e Cath, decide forçar Sarah a voltar à caverna com o objectivo de resgatar o resto do grupo, onde vão encontrar o pior pesadelo das suas vidas.

Aguenta-te aos 40 (2012)
This Is 40
Depois de vários anos de casamento, Pete vive numa casa cheia de mulheres: a esposa Debbie e as duas filhas, Charlotte, de oito anos, e Sadie, de treze. Enquanto Pete luta para manter a empresa, o casal tem de descobrir como desculpar, esquecer e desfrutar o resto das suas vidas… antes que se matem um ao outro.

Bestas do Sul Selvagem (2012)
Beasts of the Southern Wild
Nomeado para quatro Oscars, Bestas do Sul Selvagem chegam por fim às salas nacionais. Numa comunidade esquecida mas desafiante de uma zona pantanosa separada do mundo dito civilizado por um extenso dique, a pequena Hushpuppy, de seis anos, vive em risco de ficar órfã. Com a mãe há muito desaparecida e o seu querido pai, Wink, descontrolado, Hushpuppy está entregue à sua própria sorte numa zona isolada. Para ela o mundo natural é uma frágil rede de coisas que vivem, respiram, pulsam e de cujo funcionamento perfeito depende todo o universo. Por isso, quando a tempestade do século faz subir as águas em torno da aldeia, o pai fica doente subitamente e ferozes criaturas pré-históricas acordam dos seus túmulos gelados para investir através do planeta, Hushpuppy vê entrar em colapso à sua volta a ordem natural de tudo o que lhe é querido. Desesperada para reparar a estrutura do seu mundo de modo a salvar o seu pai e a sua casa inundada, a pequena heroína tem de aprender a sobreviver.

Die Hard - Nunca é bom dia para morrer (2013)
A Good Day to Die Hard
Quando Jack, filho de John McClane, se mete em sarilhos na Rússia, o ex-polícia de Nova Iorque é forçado a viajar para Moscovo para o ajudar, só que aí acaba por ver-se envolvido no plano terrorista que desencadeou os problemas do rapaz. Com o submundo russo a persegui-los, e lutando contra uma contagem regressiva para a guerra, os dois McClanes descobrem que seus métodos opostos torná-los-ão heróis imparáveis.

Psico (1960)
Psycho
Uma semana depois da estreia da biopic sobre Alfred Hitchcock eis que regressa ao cinema o grande clássico do cineasta: Psycho. Marion Crane e Sam Loomis são amantes mas não podem casar-se por falta de dinheiro. Um dia o patrão de Marion encarrega-a de depositar no banco 400 mil dólares que acabara de receber dum cliente. A jovem vê ali a possibilidade de resolver os seus problemas financeiros, decidindo fugir com o dinheiro, mas, e em virtude do mau tempo, é forçada a parar num motel no caminho.

Texas Chainsaw - O Massacre (2013)
Texas Chainsaw 
Há muito tempo, ocorreu uma tragédia numa pequena e remota cidade no Texas, que envolveu um grupo de cinco jovens. Apenas um deles conseguiu escapar com vida e o seu relato desencadeou uma série de eventos que, aparentemente, puseram fim ao terror vivido. O que ninguém sabe é que existe outro sobrevivente: uma criança foi escondida e criada sem nenhum conhecimento dos acontecimentos daquele dia ou da sua verdadeira família. Agora adulta, Heather Miller retorna a casa para receber uma herança de uma avó que nunca conheceu. Viaja para o Texas acompanhada pelos seus amigos Nikki, Ryan e Kenny e no caminho, dão boleia a Darryl. Ao chegar à cidade, Heather fica surpresa ao encontrar uma magnífica mansão que agora é sua, com a condição de que não a venda e siga as instruções que a sua avó deixou por carta. Ainda antes de abrir a carta, a jovem e seus amigos são confrontados por um familiar, também ele sobrevivente do fatídico e trágico dia. Antes de conseguir obter a sua herança, Heather precisa de ultrapassar um tremendo desafio: manter-se viva. O seu recém-descoberto primo não se importa se as suas vítimas são parentes ou não. Ele apenas precisa de sangue...