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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Surpresas do Ano #2013

Depois dos melhores e piores posters, e, claro, dos melhores filmes do ano, o balanço cinematográfico de 2013 continua, agora fazendo uma breve análise das maiores desilusões e surpresas deste ano*. Começando pelas surpresas, aqui ficam alguns dos títulos, uns mais desconhecidos que outros, que marcaram inesperadamente o ano pela positiva.


10. Velocidade Furiosa 6 / Fast & Furious 6
Puro e descomprometido divertimento foi o que Velocidade Furiosa 6 nos trouxe. Justin Lin regressou e venceu. Sabemos que tudo aquilo a que assistimos é totalmente impossível, irrealista ou exagerado, mas o certo é que vamos gostar e querer mais. Foi uma das boas surpresas do ano e deu um novo fôlego a uma saga que já vai no sexto filme (com o sétimo em preparação, apesar da recente e trágica morte de um dos protagonistas, Paul Walker).


9. Bestas do Sul Selvagem / Beasts of the Southern Wild
Uma grande surpresa que nos trouxe um promissor jovem realizador, Benh Zeitlin, e uma talentosa pequena actriz, Quvenzhané Wallis, a mais jovem de sempre nomeada para o Oscar de Melhor Actriz. Bestas do Sul Selvagem é todo ele harmonia entre uma realidade dura e a fantasia que paira na mente de uma criança muito pouco comum. 


8. Assassinos de Férias / Sightseers
Um inesperado casal é o centro desta longa-metragem repleta de humor negro e sangue, onde a diversão é garantida. Depois de Kill List, Ben Wheatley trouxe-nos uma grande surpresa, e será impossível não simpatizar com estes protagonistas com um feitio tão complicado, porque, afinal, ninguém gosta de má educação.



7. Laurence Para Sempre / Laurence Anyways
Forte, sensível e muito feminino, Laurence Para Sempre é uma história de amor cheia de cor e contra todos os preconceitos. Ao talento de Xavier Dolan na realização, juntam-se as excelentes interpretações de Melvil Poupaud e Suzanne Clément.


6. Virgem Margarida
A emancipação feminina moçambicana foi alcançada após muito sofrimento. Virgem Margarida pretende ser um retrato fiel dessa época, e, tendo em conta os recursos que o realizador Licínio Azevedo tinha disponíveis, o resultado é competente. É impossível perder o interesse na dura realidade destas mulheres, marcada pela morte, dor e desilusão.




5. Os Amantes Passageiros / Los Amantes Pasajeros
A sensação de nonsense é apenas uma fachada. Há muito sarcasmo por detrás de personagens e acontecimentos, e o sentimentalismo aparente não passa de ironia e crítica social. Almodóvar voltou em força às comédias, dividiu opiniões e instalou a polémica. Os Amantes Passageiros foram uma das melhores  e mais divertidas surpresas do ano.



4. Isto é o Fim / This Is the End
Provavelmente, Isto é o Fim será o mais hilariante e descabido filme sobre o fim do mundo. Mas também é verdade que nessa categoria será um dos mais divertidos. James Franco, Jonah Hill, Seth Rogen, Jay Baruchel, Danny McBride e Craig Robinson vestem a sua própria pele (será mesmo?) e juntam-se a outras tantas figuras públicas para apenas e só se divertirem. Entre pecados e redenção, eles querem sobreviver ou pelo menos chegar ao Paraíso. As surpresas sucedem-se até ao último minuto e as gargalhadas não vão parar.



3. Até Ver a Luz
Muito poucos deram por ele nas salas de cinema, mas Até Ver a Luz passou pela Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes de 2013, e foi, sem Sombra de dúvida, o melhor filme falado em português (e crioulo) do ano. Basil da Cunha tem aqui a sua primeira longa-metragem, intima, com personagens fortes, onde o realismo se alia à fantasia, numa espécie de estado de transe ou alucinação - onde não faltam as superstições -, que não surge, em momento algum, desfasada da narrativa. Até Ver a Luz foi uma excelente surpresa passado numa realidade muito próxima.




2. O Frágil Som do Meu Motor
A primeira longa-metragem de Leonardo António, O Frágil Som do meu Motor, trouxe muitas surpresas e um novo fôlego para um género quase inexistente no cinema português: o thriller. Ao bom elenco, junta-se uma ideia forte que melhor trabalhada poderia ter um resultado excelente. Ainda assim, esta longa-metragem foi uma das que mais se destacaram num ano difícil para o cinema nacional. E para ajudar, o filme tem um dos melhores trailers portugueses dos últimos anos.




1. A Gaiola Dourada / La Cage Dorée
Rir em bom português – e francês – foi a proposta da primeira longa-metragem de Ruben Alves, A Gaiola Dourada. A vida dos emigrantes portugueses em França é-nos apresentada cheia de animação, gargalhadas, mas também muita emoção. A Gaiola Dourada traz consigo um misto de sentimentos, que resultam numa comédia de costumes com uma qualidade acima da média. A longa-metragem francesa foi uma surpresa a todos os níveis e o filme mais visto do ano em Portugal.


*a ter em conta os filmes estreados no circuito comercial em Portugal ao longo de 2013.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2013

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2013 do Hoje Vi(vi) um Filme, aqui ficam os dez lugares que faltam, aqueles que foram os melhores do ano, estreados no circuito comercial de cinema em Portugal.

Eis o top 10:

10. Até Ver a Luz, de Basil da Cunha, 2013

O luso-suiço Basil da Cunha trouxe o melhor falado em português (e crioulo) do ano, que, infelizmente, muito pouca gente viu. Um protagonista que vive de noite, na Sombra que lhe dá o único nome que lhe conhecemos, é o nosso guia pelas estreitas ruas do bairro da Reboleira. Ele leva-nos ao centro dos conflitos e da festa, a uma realidade ficcionada mas com personagens de carne e osso, e com uma espiritualidade muito singular. Até Ver a Luz quase que funde o documentário com a ficção e o resultado é intimo e cheio de fantasia.



9. Dentro de Casa (Dans la maison), de François Ozon, 2012

Ozon joga com o espectador tal como Claude joga com a curiosidade do seu professor Germain. A dúvida persiste: onde está a fronteira entre realidade e ficção? A imaginação de aluno, professor e plateia irá muito longe, e o realizador leva-nos à mesma obsessão que os protagonistas. Entre um argumento construído de forma brilhante, onde as dúvidas são a chave, à perspicácia técnica, Dentro de Casa marcou o ano cinematográfico de forma muito positiva e original.



8. Lincoln, de Steven Spielberg, 2012

Lincoln é um retrato de uma época conturbada e cheia de dificuldades, quatro meses da luta de um dos homens mais importantes da história norte-americana apresentados sem tabus e onde o espectador tem um papel activo. Que todos os filmes históricos fossem tão sinceros e profundos.



7. Fuga (Mud), de Jeff Nichols, 2012

Matthew McConaughey incorpora um anti-herói apaixonado (numa prestação estrondosa), que se alia a duas crianças para recuperar a sua vida e o seu amor. Uma história profunda e inocente, que prova uma vez mais o talento de Jeff Nichols.




Uma grande surpresa, Bestas do Sul Selvagem é todo ele harmonia entre uma realidade dura e a fantasia que paira na mente de uma criança muito pouco comum. Hushpuppy faz-nos viajar entre o fantástico e o real, conhecendo e confrontando as mais temíveis criaturas, sejam elas fruto da nossa imaginação, os nossos medos ou a própria Natureza.



5. O Mentor (The Master), de Paul Thomas Anderson, 2012

Paul Thomas Anderson nunca é capaz de menos do que nos impressionar a cada novo filme. O Mentor é um estrondo visual, argumentativamente aberto a muitas e fortes interpretações, a que se juntam os desempenhos magistrais de Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman para um resultado deslumbrante.



4. Gravidade (Gravity), de Alfonso Cuarón, 2012

Não, Gravidade não é melhor que 2001: Odisseia no Espaço, nem tinha de o ser. São outros tempos, outras tecnologias, outras abordagens – bem longe das do filme de Kubrick -, outro realizador, afinal, é outro filme de ficção científica. Cuarón quis, acima de tudo, impressionar-nos com as mais belas imagens que poderemos ver no cinema este ano.



3. A Propósito de Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis), de Ethan Coen e Joel Coen, 2013

Em A Propósito de Llewyn Davis, os Coen exploram o mundo do folk com uma simplicidade tremenda, mas com um carinho ainda maior. O gato e o homem aquecem-nos o coração num Inverno não tão rigoroso como o de Greenwich Village, em 1961, até onde viajamos e nos deixamos embalar, entre a tristeza, nostalgia e comoção. Porque toda a gente irá questionar se realmente a esperança é a última a morrer.



2. Só Deus Perdoa (Only God Forgives), de Nicolas Winding Refn, 2013

Refn traz-nos um filme difícil de digerir, que apela, acima de tudo, a uma forte reflexão sobre o conceito de justiça (divina?). Uma obra de uma beleza visual estonteante, repleta de uma violência estética que poucos nos proporcionam: Só Deus Perdoa, mas o público também.



1. Django Libertado (Django Unchained), de Quentin Tarantino, 2012

Violência, vingança, amor, coragem e muito sangue marcam o regresso de Quentin Tarantino. Original no meio de tantas referências e homenagens, Django Libertado tem presentes em si todas as marcas do realizador. Polémico, como não poderia deixar de ser, Tarantino afirma-se mais uma vez como o excelente autor que é, e prova que da sua mente e mãos nunca sairá um mau filme, bem pelo contrário.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Crítica: Até Ver a Luz (2013)

"Vive de dia, descansa de noite."
Nuvem
*7.5/10*

O bairro da Reboleira serve, uma vez mais, de palco ao trabalho de Basil da Cunha. O realizador luso-suíço viu a sua primeira longa-metragem, Até Ver a Luz, na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes deste ano, e estreou-a agora no circuito comercial de cinema.

Um protagonista que vive de noite, na Sombra que lhe dá o único nome que lhe conhecemos, é o nosso guia pelas estreitas ruas do bairro. Ele leva-nos ao centro dos conflitos e da festa, a uma realidade ficcionada mas com personagens de carne e osso, e com uma espiritualidade muito singular. Até Ver a Luz quase que funde o documentário com a ficção, onde a segunda predomina claramente. Os actores são realmente os moradores da Reboleira, e a naturalidade com que agem perante as câmaras é fabulosa. 

Até Ver a Luz gira em torno de Sombra, que, acabado de sair da prisão, volta à vida de dealer no bairro da Reboleira. Entre o dinheiro emprestado que não consegue recuperar e aquele que deve, uma iguana pouco comum, uma jovem vizinha sempre por perto e um chefe de gang que duvida da sua boa fé, Sombra começa a pensar que, de facto, mais valia ter ficado dentro.


Basil da Cunha oferece-nos um argumento simples, com um cenário e personagens cativantes. A história de acção e desconfiança de Até Ver a Luz alia-se a um tom, por vezes, cómico, mas sempre eficaz nesse registo. As personagens são reais e credíveis, e é fácil criar empatia com elas - em especial, com Sombra, Nuvem e Clarinha.

Ao contrário do que seria de esperar de um filme que se passa neste tipo de ambiente (no caso, um bairro problemático dos arredores da capital), Basil da Cunha não pretende abordar qualquer temática moralista. Não há lições de moral a dar ou críticas sociais a lançar, disso está o mundo farto. Até Ver a Luz consegue ir mais além e ser mais profundo, até mesmo espiritual. Mostra-se a vida no bairro, de noite, o presente de Sombra, Olos, Mix, Nuvem, e de todos os outros que discutem, conversam, dançam, tocam... e que dão vida ao bairro e à longa-metragem a que assistimos. Em fusão perfeita com o realismo do filme, está a fantasia, uma espécie de estado de transe ou alucinação - onde não faltam as superstições -, que não surge, em momento algum, desfasada da narrativa. Pelo contrário, torna-a ainda mais próxima de quem assiste.

No elenco - amador, mas a demonstrar grande profissionalismo -, destaque para o protagonista, Pedro Ferreira, que veste a pele de Sombra. Ele anda pelos telhados da Reboleira, tem medo da luz do dia e um carinho especial por uma iguana de estimação que, como a si mesmo, priva da luz do Sol. Uma personagem que surge deslocada do seu mundo, mas que nutre sentimentos fortes pelos poucos que lhe dão algum tipo de conforto. Nelson da Cruz Duarte Rodrigues volta a ser Nuvem (depois de ter protagonizado a curta-metragem homónima de 2011) com um desempenho muito competente. A personagem, apesar de ter pouco tempo de antena, transmite as mensagens mais fortes. Já no trailer temos a inesquecível "Vive de dia, descansa de noite", um conselho a acatar. João Veiga, como Olos, e Paulo Ribeiro, como Mix, são outros dois desempenhos a realçar, bem como todo o restante elenco secundário, que nos diverte e envolve na acção.


Da competência técnica, à banda sonora cheia de ritmos africanos que nos põem a dançar, passando pela originalidade com que a narrativa é conduzida, Até Ver a Luz deveria ser o filme falado em português - e crioulo - (não é considerado filme português, já que a produção é apenas suíça) obrigatório do ano. Basil da Cunha prova, agora com a sua primeira longa-metragem, o jovem e prometedor talento que tem em si.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sugestão da Semana #78

Até Ver a Luz, de Basil da Cunha, fez parte da Quinzena dos Realizadores em Cannes, chegou na passada Quinta-feira aos cinemas portugueses e é a Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme.

ATÉ VER A LUZ

Ficha Técnica:
Título Original: Até Ver a Luz
Realizador: Basil da Cunha
Actores: Pedro Ferreira, João Veiga, Nelson da Cruz Duarte Rodrigues, Paulo Ribeiro
Género: Acção
Classificação: M/16
Duração: 95 minutos

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Estreias da Semana #78

Chegaram ontem aos cinemas quatro novos filmes.

Até ver a Luz (2013)
Acabado de sair da prisão, Sombra volta à sua vida de dealer no bairro da Reboleira. Entre o dinheiro emprestado que não consegue recuperar e o que deve, uma iguana pouco comum, uma vizinha sempre por perto e um chefe de gangue que duvida da sua boa fé, Sombra começa a pensar que, de facto, mais valia ter ficado dentro.

Dá & Leva (2013)
Pain & Gain
Michael Bay apresenta Dá & Leva, um filme que se baseia na história verídica de um grupo de personal trainers que, ao perseguir o Sonho Americano, na década de 90, em Miami, acaba envolvido numa iniciativa criminosa que corre mal.

Jobs (2013)
No filme sobre a história de Steve Jobs, Ashton Kutcher encarna o revolucionário empreendedor, que tinha como regra não deixar que nada se intrometesse no caminho da grandeza. O filme conta a história de Jobs desde o início do percurso que mudou a tecnologia - e o mundo - para sempre.

Os Instrumentos Mortais Cidade dos Ossos (2013)
The Mortal Instruments: City of Bones
Na Nova Iorque contemporânea, Clary Fray é uma adolescente aparentemente normal, que descobre que é descendente de uma linhagem de caça demónios, os Caçadores de Sombras - um grupo secreto de jovens guerreiros semi-anjos, envolvidos numa antiga batalha para proteger o mundo dos demónios. Com o desaparecimento da sua mãe, Clary é forçada a unir-se a um grupo de Caçadores de Sombras, que lhe apresentam uma Nova Iorque alternativa chamada Mundo-à-Parte, repleta de criaturas mortíferas.