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sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Cinco longas-metragens de realizadoras portuguesas estreiam na Netflix

A partir de hoje, dia 4 de Novembro, há cinco novas longas-metragens de realizadoras portuguesas disponíveis na plataforma de streaming Netflix a nível mundial. 

A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos, Desterro, de Maria Clara Escobar, Mar, de Margarida Gil, Simon Chama, de Marta Sousa Ribeiro, e Soa, de Raquel Castro, foram os projectos vencedores da convocatória aberta lançada pela Netflix e pela Academia Portuguesa de Cinema, "com o objectivo de apoiar as produtoras, guionistas e realizadoras nacionais que estiveram envolvidas diretamente em longas-metragens portuguesas de ficção e/ou documentário"

De um total de 31 candidaturas apresentadas, referentes a longas-metragens finalizadas entre 2019 e 2020, o concurso pretendia colmatar as disparidades de género no sector do cinema e audiovisual.

A estreia dos filmes acontece na véspera da celebração do Dia Mundial do Cinema, a 5 de Novembro.

O comité de selecção foi constituído por Carla Chambel, actriz, formadora  e vice-presidente da Academia Portuguesa de Cinema; Fátima Ribeiro, guionista, professora e realizadora; Isadora Laban, Gestora de Conteúdos da Netflix Portugal e Espanha; e Tota Alves, guionista e realizadora.

Sobre as cinco longas-metragens:

"A Metamorfose dos Pássaros, com Catarina Vasconcelos na realização e Joana Gusmão na produção, este é um filme que retrata a história da família da cineasta Catarina Vasconcelos, abordando temas complexos como o amor, a distância a maternidade."

"Desterro, com realização de Maria Clara Escobar, uma longa-metragem que  no feminino sobre a vida e as várias vidas, onde a poesia motivou o guião, questionando a representação da ideia de família na sociedade contemporânea."

"Mar, com Margarida Gil na realização e argumento e Rita Benis como coargumentista, retrata a história de vida de uma ex-funcionária da Comissão Europeia que decide mudar de vida e embarcar num veleiro que vai seguindo a  rota dos descobridores Portugueses do séc. XVI em alto mar."

"Simon Chama, com Marta Sousa Ribeiro na realização e Joana Peralta na produção, um filme que conta a história de uma adolescente que procura escapar das amarras típicas da vertigem existente entre a infância e a idade adulta."

"Soa, com Raquel Castro na realização e argumento e Isabel Machado, Joana Ferreira e Sara Serra Simões na produção, aborda temas como as paisagens sonoras, o ruído e o silêncio e de que forma as paisagens sonoras afetam as pessoas, sendo que estas são na maior parte das vezes responsáveis pelo som que geram."

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Estreias da Semana #511

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses nove novos filmes. Contam-se ainda algumas estreias no streaming.

Antes de pegar fogo, o Brasil já estava a arder. Um casal de classe média tenta a todo custo manter a estrutura que os segura. Um dia, Laura, a esposa, vai-se embora, deixando para trás o marido e o filho. Na sua viagem, Laura encontra outras mulheres e uma nova possibilidade de ser. Mesmo com um futuro trágico a bater a porta.

Donbass (2018)
Retrato da região leste da Ucrânia, onde uma guerra híbrida mistura conflito armado, crimes e tumultos perpetrados por grupos separatistas. Onde a guerra é chamada de paz, a propaganda é erguida como verdade e o ódio finge ser amor. Um périplo pelo Donbass numa série de aventuras loucas, em que o grotesco e o trágico se misturam como a vida e a morte. Não é um conto sobre uma região, um país ou um sistema político, mas sobre um mundo perdido na pós-verdade e em identidades falsas. Embora seja um filme de ficção, Loznitsa mostra situações e episódios que, apesar de absurdos e grotescos, aconteceram verdadeiramente. Constituído em episódios, cada um relata uma história inspirada em situações ocorridas em 2014 e 2015, nos territórios ocupados.

Laranjas Sangrentas (2021)
Oranges sanguines
Um casal de reformados tenta ganhar um concurso de dança para pagar dívidas. Um ministro da economia é suspeito de fraude fiscal. Uma adolescente que teme a primeira experiência sexual encontra um pervertido. Três histórias que podem acabar mal?

Luzzu (2021)
Jesmark, um pescador maltês, enfrenta uma escolha agonizante. Luzzu, o seu barco de pesca tradicional, multicolorido e de madeira, necessita de reparações urgentes. Em alternativa, pode desactivá-lo em troca de um pagamento da União Europeia e lançar-se numa sinistra operação de mercado negro que dizima a população de peixes do Mediterrâneo e os meios de subsistência das famílias locais que dele dependem.

Mundo Cão (2021)
Mondocane
Num futuro próximo, uma pequena cidade está rodeada de arame farpado que ninguém, nem mesmo a polícia, se atreve a atravessar. Os mais pobres são deixados a lutar pela sobrevivência, enquanto bandos competem pelo território. Dois órfãos de 13 anos que cresceram juntos sonham juntar-se a um desses bandos.

Mundo Jurássico: Domínio (2022)
Jurassic World Dominion
Quatro anos após a destruição da Isla Nublar, os Dinossauros vivem e caçam lado a lado com os humanos por todo o mundo. Este equilíbrio frágil irá redefinir o futuro e determinar, de uma vez por todas, se os humanos se manterão no topo da pirâmide dos predadores num planeta que agora partilham com as mais perigosas criaturas da História...

O Caso Villa Caprice (2021)
Villa Caprice
Advogado famoso, Luc Germon pensa que alcançará a consagração suprema quando Gilles Fontaine, um dos empresários mais poderosos da França, lhe pede para assumir a sua defesa. Gilles é suspeito de ter adquirido em condições questionáveis uma magnífica propriedade na Riviera Francesa, a Villa Caprice. Humilhado e furioso por ter se deixado cair na armadilha, Fontaine confia na habilidade de Germon para o tirar desta confusão. Mas uma estranha relação de poder logo se estabelece entre os dois homens, em princípio aliados. Quem vai tirar vantagem?

Operação Secreta (2022)
Operation Mincemeat
Estamos em 1943. Determinados a quebrar o domínio de Hitler sobre a Europa, os aliados planeiam um ataque à Sicília, mas enfrentam o desafio de proteger uma força de invasão maciça de um potencial massacre. Dois oficiais dos serviços secretos britânicos, Ewen Montagu (Colin Firth) e Charles Cholmondeley (Matthew Macfadyen), engendram a mais inspirada e improvável estratégia de desinformação da guerra, centrada no mais improvável dos agentes secretos: um homem morto. A Operação Mincemeat pretende largar um cadáver com documentos falsos ao largo da costa espanhola e enganar os espiões nazis, fazendo-os acreditar que o desembarque terá lugar na Grécia.

Turno da Noite (2020)
Police
Virginie, Erik e Aristide, três polícias parisienses, recebem uma missão invulgar: escoltar um migrante ilegal até um voo para o seu país de origem. A caminho do aeroporto, Virginie apercebe-se de que o prisioneiro arrisca morrer se regressar. Face a este dilema, tenta convencer os colegas a deixá-lo escapar.

Netflix Portugal

Estreou a 8 de Junho:

Hustle: O Grande Salto (2022)
Hustle
Após descobrir um jogador excepcional com um passado atribulado no estrangeiro, um olheiro de basquetebol em maré de azar (Adam Sandler) decide levar o fenómeno para os Estados Unidos sem a aprovação da sua equipa. Apesar de todos os obstáculos, a dupla agarra uma derradeira oportunidade para provar que podem triunfar na NBA.

Amazon Prime Video

Estreia a 12 de Junho:

Eve (2020)
Uma actriz falha na audição para o papel dos seus sonhos e torna-se obcecada com a atriz mais nova que foi escolhida. Sem saber quem ou o que a atormenta, a percepção da realidade de Alex começa a afetar a sua sanidade mental e a vida dos que a rodeiam.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Doclisboa'20: Desterro (2020), de Maria Clara Escobar

*6/10*

Entre o realismo social das duas primeiras partes (1. Nós Somos os Mesmos e 3. O Corpo de Laura) e o experimentalismo, mais subjectivo e quase surrealista da última (2. Tudo Vai Ficar Bem), Desterro, de Maria Clara Escobar, fez parte do programa Deslocações do Doclisboa'20.

"Um casal de classe média tenta a todo custo manter a estrutura que os segura. Um dia, Laura, a esposa, vai embora, deixando para trás o marido e o filho. Em sua viagem, Laura encontra com outras mulheres e consigo uma nova possibilidade de ser. Mesmo com um futuro trágico à bater a porta."

Carla Kinzo é Laura, a protagonista, responsável por todos os desvios da acção e pelo caminho a seguir. Ela não se sente bem no lugar onde pertence, se é que pertence a algum lugar. A viagem será uma oportunidade de reencontro consigo mesma, a viver entre sonhos e pesadelos, ou um renascer das cinzas.


Maria Clara Escobar opta por dividir a longa-metragem em três partes, onde não há linearidade narrativa. Primeiro, 1. Nós Somos os Mesmos apresenta-nos uma família em crise - o casal tem conversas de circunstância e visões distintas da vida, a relação entre pais e filho é distante e pouco segura, e a protagonista Laura é uma mulher oprimida pela sociedade e por si mesma -; segue-se 3. O Corpo de Laura, com um ritmo semelhante ao desencanto inicial, contando a história sob o ponto de vista do marido, com a burocracia a tomar conta do desespero que a família vive; por fim, 2. Tudo Vai Ficar Bem marca a viragem para Laura - e para a plateia.

Há que destacar o trabalho estético e sonoro de Desterro, onde planos, efeitos sonoros e iluminação nos dão muitas pistas, paralelamente aos diálogos e silêncios dos personagens.

Desterro não será um filme fácil de ver e assimilar, já que sofre uma brusca mudança de tom no seu último acto (cronologicamente, a segunda parte). E este é mesmo o grande momento da longa-metragem, uma fuga à vida real num autocarro de longo curso, repleto de testemunhos ricos e profundos de mulheres fortes e emancipadas, mas à deriva - Georgette Fadel, Isabel Zuaa e Barbara Colen proporcionam-nos intensos monólogos sobre o que é ser Mulher.

Maria Clara Escobar
criou um filme metafórico e simbólico, mas cujo âmago apenas se atinge no capítulo final, tão misterioso e envolvente, como inesperado (impossível resistir à dança ao som de Ana Maria, do Trio Odemira).

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Doclisboa'20 - Deslocações: 8 filmes a não perder

O segundo momento do Doclisboa 2020 começa já amanha, dia 5, prolongando-se até 11 de Novembro, sob o tema Deslocações. O Hoje Vi(vi) um Filme destaca alguns títulos que não deves perder na 18.ª edição do festival lisboeta.

My Dear Spies (Mes chers espions), de Vladimir Léon

"O realizador entrega ao irmão uma mala velha que trouxera de casa da mãe deles após a sua morte. Aí, encontram documentos que ligam os seus avós russos à inteligência soviética em Paris antes da Segunda Guerra Mundial. De Paris à Rússia, os irmãos deambulam pelas ruínas de mundos perdidos e histórias por contar. Conversam, cantam, bebem, encontram-se com muitas pessoas, amigos, testemunhas, historiadores, desencantando relatórios de contra-espionagem, testemunhos da vida quotidiana soviética, memórias do Gulag… Os medos do passado remoto ressurgem como fantasmas e parecem mais próximo de nós do que o esperado."

6 NOV / 19h00 - Culturgest


Nails in My Brain, de Hilal Baydarov

"Um jovem deambula pelas ruínas do que pode ou não ser a sua casa de infância, onde cada umbral a desmoronar-se abre para o passado. Independentemente do quanto tentou mudar, o jovem regressa sempre aos mesmos sítios, às mesmas questões, aos mesmos rostos, às mesmas memórias – os mesmos pregos no cérebro."

6 NOV / 20h00 - Cinema Ideal


Desterro, de Maria Clara Escobar

"Uma casa está em chamas. Todas as casas. Uma viagem resulta em várias viagens e essa é sem regresso. Muitas mulheres falam. Contam as suas histórias. A perda, a morte e a luta por ser, ao lado dos outros."

7 NOV / 19h00 - Culturgest


virar mar / meer werden (becoming sea), de Philipp Hartmann, Danilo Carvalho

"A água enquanto metáfora física e metafísica e pano de fundo da existência humana. Um ensaio entre documentário e ficção e entre os desertos do Sertão brasileiro e as zonas inundáveis de Dithmarschen no Norte da Alemanha. Tragédias e observações quotidianas em tempo de alterações climáticas."

8 NOV / 15h00 - Culturgest


Questo è il piano, de Luciana Fina

"Questo è il piano foi filmado em Março e Abril de 2020, numa área do Alentejo desprotegida, no aperto entre o apelo à sobrevivência da(s) espécie(s) e o exercício indomável da destruição."

8 NOV / 19h00 - Culturgest


Rift Finfinnee, de Daniel Kötter

"Uma viagem pela periferia de Adis Abeba, capital da Etiópia. Em planos de paisagens e arquitectura rigorosamente enquadrados e com uma banda sonora que entrelaça as conversas originais de forma complexa, o filme percorre o desfiladeiro do rio Akaki, analisando o fosso mais do que simbólico entre citadino e rural. O filme toma a geografia concreta, a arquitectura e a vida quotidiana de trabalhadores agrícolas e da construção no leste de Adis Abeba ('Finfinnee', em oromo) como ponto de partida para uma narrativa alegórica sobre a urbanização de uma sociedade africana à beira da guerra civil."

9 NOV / 20h00 - Cinema Ideal


Resistência Íntima (The Intimate Resistance), de Left Hand Rotation

"Um documentário interrompido por um vírus. Prolongar para sempre a mais curta das caminhadas e voltar para casa a cada passo, essa é a natureza da nossa intimidade errante. Interior e exterior são sinónimos. A fronteira é uma janela aberta."

9 NOV / 20h00 - Cinema Ideal


Amor Fati, de Cláudia Varejão

«Retratos de casais, amigos, famílias e animais com os seus donos. Partilham a intimidade dos dias, os hábitos, as crenças, os gostos e alguns traços físicos. A partir dos seus rostos e da coreografia dos gestos, descobrimos a história que os enlaça, convocando o discurso de Aristófanes no Banquete de Platão: “Não será a isto que vocês aspiram — a identificarem-se o mais possível um ao outro, de forma a não mais se separarem noite e dia? Se é essa a vossa aspiração, estou disposto a fundir-vos e soldar-vos numa só peça, de tal modo que, em vez de dois, passem a ser um só”.»

11 NOV / 20h00 - Cinema Ideal


Toda a informação sobre o Doclisboa 2020 em https://doclisboa.org/2020/.