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segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Cinemateca Portuguesa apresenta Retrospectiva de Ariel de Bigault de 19 a 24 de Setembro

A Cinemateca Portuguesa apresenta uma retrospectiva à obra de Ariel de Bigault, de 19 a 24 de Setembro. A realizadora vai marcar presença nas sessões.

A cineasta francesa é grande conhecedora da história e cultura portuguesas, com uma filmografia muito ligada à relação de Portugal com o resto do mundo lusófono, como é o caso de Fantasmas do Império, que olha para os fantasmas do passado colonialista português a partir das imagens do cinema feito em Portugal, ou os filmes Afro Lisboa (1997) e Margem Atlântica (2006).

A obra de Bigault inclui ainda retratos de figuras da música afro-brasileira: da série Éclats noirs du samba, serão exibidos neste ciclo os filmes dedicados a Martinho da Vila, Zé da Velha, Zézé Motta e Gilberto Gil, e o documentário Canta Angola, "retrato da paisagem musical de Angola, a exibir numa sessão que incluirá um conjunto de videoclips com artistas ligados à cultura negra assinados pela cineasta".

De destacar é a sessão que reúne duas obras raras da realizadora, em 16mm, sobre a infância: Eduardo e Fernando documenta as brincadeiras e o mundo de duas crianças com síndrome de Down e Estão a Ver-nos? mostra os sonhos de uma criança cega.

No dia 24 de Setembro, às 18h00, a esplanada da Cinemateca recebe o debate Das Margens para o Foco, uma conversa com Ariel de Bigault, Ângelo Torres e outros participantes, sobre a presença e a visibilidade - no teatro, televisão e no cinema em Portugal – dos actores, guionistas, encenadores e realizadores originários das ex-colónias portuguesas.

O Ciclo Ariel de Bigault: Margens Atlânticas faz parte do programa da Temporada Portugal-França 2022. Mais informações no site da Cinemateca Portuguesa.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Estreias da Semana #458

Esta Quinta-feira, chegam 10 novos filmes aos cinemas portugueses. As Mulheres Fazem Cinema, Quo Vadis, Aida?, Fantasmas do Império e Raparigas são alguns dos títulos em destaque. A Netflix Portugal conta com duas novas estreias.

As Mulheres Fazem Cinema (2019)
Women Make Film: A New Road Movie Through Cinema
Mark Cousins inicia uma nova visita guiada pelo cinema através das lentes de algumas das suas maiores realizadoras - todas mulheres. Contado em 40 capítulos, narrados por Tilda Swinton, Jane Fonda, Debra Winger, Adjoa Andoh, Kerry Fox, Thandie Newton e Sharmila Tagore, Women Make Film recorre a cerca de mil excertos de filmes rodados ao longo de 13 décadas e pelos 5 continentes, pretexto para Cousins questionar como os filmes são feitos, filmados e montados; como as histórias são moldadas e como os filmes retratam a vida, o amor, a política, o humor e a morte.

Be Natural – A História Nunca contada de Alice-Guy Blaché (2018)
Be Natural: The Untold Story of Alice Guy-Blaché
Quando realizou o seu primeiro filme em 1896, em Paris, Alice Guy-Blaché não foi apenas a primeira realizadora, foi também inovadora na forma como se serviu do cinema para contar uma história. Be Natural – A História Nunca contada de Alice-Guy Blaché – A Primeira Mulher Realizadora da História do Cinema, narrado por Jodie Foster e realizado por Pamela B. Green, retrata a carreira desta secretária da Gaumont que, um ano após realizar o seu primeiro filme, se torna directora de produção da empresa, realizando dezenas de filmes. Uma carreira que duraria mais de 20 anos, realizando e produzindo mais de mil títulos, em França e nos Estados Unidos, onde foi a primeira mulher a fundar um estúdio de cinema. No entanto, hoje poucos conhecem o seu nome. É esse apagamento que este documentário pretende corrigir.

Fantasmas do Império explora o imaginário colonial no cinema português desde o início do século XX. 100 anos de cinema... Aos documentários e ficções que sustentam o enredo imperialista, contrapõem-se filmes e olhares contemporâneos. Sete cineastas portugueses – Fernando Matos Silva, João Botelho, Margarida Cardoso, Hugo Vieira da Silva, Ivo M. Ferreira, Manuel Faria de Almeida, Joaquim Lopes Barbosa - abrem os cofres da memória cinematográfica colonial, dialogando com dois actores, Ângelo Torres, são-tomense, e Orlando Sérgio, angolano. Perscrutam o passado, real, reinventado ou recalcado que ainda hoje assombra as memórias: os mitos das descobertas, a ficção imperial, a fábrica da epopeia colonial, as máscaras da violenta dominação. José Manuel Costa, director da Cinemateca, e Maria do Carmo Piçarra, pesquisadora, trazem perspectivas na história da produção cinematográfica. Juntando fragmentos cinematográficos heterogéneos e pontos de vista diversos, Fantasmas do Império foca as variações de olhares, especialmente sobre "o outro", o "colonizado" de outrora, porém perene concidadão e conterrâneo da nossa comum humanidade. Jogando com ecos, contrapontos, contrastes entre situações, imagens, diálogos, músicas, o filme propõe um enredo de imaginários e atitudes, de memórias e emoções.

Lassie de Volta a Casa (2020)
Lassie - Eine abenteuerliche Reise / Lassie Come Home
Florian tem 12 anos e vive com os pais, Andreas e Sandra, e a sua Collie Lassie, numa idílica vila no sul da Alemanha. Flo e Lassie são grandes amigos, mas quando o pai de Florian perde o emprego, a família tem de se mudar para um apartamento onde os animais de estimação não são permitidos. Flo fica arrasado porque tem de deixar Lassie que encontra um novo lar. No entanto, ao ser mal tratada, a cadela foge e cabe a Florian encontrar a sua amiga.

Aida é uma tradutora bósnia ao serviço das Nações Unidas na pequena cidade de Srebrenica. Quando o exército sérvio assume o controlo da cidade, a sua família está entre os milhares de cidadãos que procuram escapar ao genocídio no acampamento da ONU.

Raparigas (2020)
Las niñas
Passado no início da última década do século XX, na Espanha da Expo de Sevilha e das Olimpíadas de 1992, em Barcelona, Las Niñas segue Celia (Andrea Fandos), uma menina de 11 anos que estuda num colégio de freiras em Zaragoza e mora com a mãe Adela (Natalia de Molina), uma viúva de 30 anos que sonha poder dar à filha tudo aquilo que lhe foi negado, como a oportunidade de ir para a universidade. Um dia, Brisa (Zoe Arnao) entra na vida de Celia. Recém-chegada de Barcelona, empurra-a para uma nova etapa da sua vida: a adolescência. Celia vê-se entre dois mundos, o da sua educação, em casa e na escola, e o de um novo mundo que onde descobre que a vida é feita de muitas verdades e de algumas mentiras.

Sincrónico (2020)
Synchronic
Steve (Anthony Mackie) e Dennis (Jamie Dornan) são dois paramédicos de Nova Orleães que, apesar de serem melhores amigos, levam vidas completamente diferentes. Chamados para uma série de emergências bizarras e inexplicáveis, rapidamente estabelecem a ligação entre os casos e uma droga sintética de fácil acesso chamada Sincrónico que encontram repetidamente. Mas depois do desaparecimento de Brianna, filha mais velha de Dennis, Steve é confrontado com a terrível verdade sobre esta droga misteriosa que irá por à prova tudo em que ele acredita ser real, incluindo o próprio fluxo do tempo.

Spirit Invencível (2021)
Spirit Untamed
Lucky Prescott é forçada mudar-se da sua casa, numa grande cidade, para uma pequena localidade fronteiriça, onde se sente como um peixe fora de água. Mas a sua vida muda para sempre quando faz novos amigos e estabelece um vínculo inseparável com um cavalo selvagem chamado Spirit. Quando o grupo do Spirit é capturado por ladrões, as meninas e os seus cavalos iniciam a aventura de uma vida para salvá-los.

The Conjuring 3: A Obra do Diabo (2021)
The Conjuring: The Devil Made Me Do It
The Conjuring 3: A Obra do Diabo revela a arrepiante história de um assassinato e de uma entidade malévola que chocou os investigadores de actividades paranormais, Ed e Lorraine Warren. O caso começa com a luta pela alma de um jovem, levando-os para lá de algo a que nunca antes tinham assistido. Pela primeira vez, o suspeito de um homicídio afirma estar possuído por um demónio para se defender em tribunal.

Vingança Letal (2021)
Vanquish
Damon Hickey (Morgan Freeman), um comissário de polícia inválido e corrupto, chantageia Victoria (Ruby Rose), sua cuidadora e antiga correio de droga, mandando raptar a sua filha e forçando Victoria a efetuar cinco perigosas recolhas de dinheiro numa só noite. Arrasada pela traição do único homem em quem alguma vez confiou, Victoria luta contra traficantes e criminosos para salvar a filha. À medida que a noite avança, Victoria é confrontada pelo passado e por pessoas de quem Damon a tem protegido, que a querem ver morta. Levada ao limite, Victoria encontra uma esperança de redenção no plano de Damon.

Netflix Portugal

Estreou a 2 de Junho:

Carnaval (2021)
A influencer Nina descobre um vídeo do namorado a traí-la que se tornou viral e, para ultrapassar a separação, recorre aos seus contactos para viajar até Salvador durante o Carnaval, com tudo incluído, na companhia das suas três melhores amigas.

Estreia a 3 de Junho:

Dancing Queens (2021)
A história gira à volta de Dylan Pettersson (Molly Nutley), uma jovem de 23 anos de uma pequena ilha no arquipélago sueco de Bohuslän que deseja ser dançarina. Quando se deixa convencer a fazer serviços de limpeza num clube 'drag' em dificuldades, o principal dançarino e coreógrafo do estabelecimento (Fredrik Quiñones) descobre acidentalmente o talento de Dylan. Fazer parte do espetáculo é o que ela mais deseja, porém, Dylan é uma rapariga, e a atuação é de travestis. Mas querer é poder.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

IndieLisboa'20: Fantasmas do Império (2020), de Ariel de Bigault

*7/10*


Em Fantasmas do Império, a realizadora Ariel de Bigault convida-nos a confrontar-nos com o passado colonial registado na Sétima Arte. Fez parte das secção Director's Cut do IndieLisboa 2020, e dá-nos uma visão muito abrangente de um passado que cada um contou à sua maneira - fosse por experiência no terreno, por pura manipulação propagandística ou por verdadeira curiosidade em reconstruir uma realidade que muitos receiam contar.

«O trabalho de Ariel de Bigault tem estado ligado às rotas da lusofonia. Em Fantasmas do Império somos guiados pelo actor são-tomense  Ângelo Torres através do cinema português que explorou o nosso passado colonial. Vários realizadores como Fernando Matos Silva, João Botelho ou Margarida Cardoso ajudam a compreender o imperialismo, o colonialismo, a propaganda vista através desse “álbum de família” que é o imaginário colectivo cinematográfico português.»


Ângelo Torres é o guia que nos conduz pelo passado, em conversas enriquecedoras com quem filmou ou estudou esta herança que o cinema registou em película. Debatem-se ideias e analisam-se os filmes do regime, tentando encontrar os Fantasmas do Império que dão título ao documentário, e se escondem nas mentes e nas imagens. As gerações de realizadores sucedem-se no ecrã, e a análise toma diferentes pontos de vista.

Ângelo Torres, João Botelho, Margarida Cardoso, Ivo M. Ferreira, José Manuel Costa, Fernando Matos Silva, Hugo Vieira da Silva, Orlando Sérgio, Manuel Faria de Almeida, Joaquim Lopes Barbosa, Maria do Carmo Piçarra, bem como os excertos dos inúmeros filmes que são mostrados, dão-nos um conjunto de testemunhos e interpretações valiosas para melhor compreender e fazer a leitura cinematográfica deste passado comum ao país colonizador e aos países colonizados.

A opção de, a certo momento do filme, deixarmos de ter o nosso guia no ecrã, marca o momento em que Fantasmas do Império perde o seu fio condutor e divaga, com destinos confusos - onde Macau surge a propósito do trabalho de Ivo M. Ferreira, mas totalmente desenquadrado do objectivo do documentário.


Todavia, no seu conjunto, o documentário de Ariel de Bigault constitui um importante registo e análise daquilo que foi o colonialismo e no impacto que isso tem tido até à actualidade: os traumas de guerra de que ninguém quer falar, os filmes-propaganda do Estado Novo e o redescobrimento dos fantasmas do colonialismo que, mais recentemente, o cinema nacional tem enfrentado sem receios e com muita vontade de compreender e desmistificar.